30 de janeiro de 2011

Viver sem fé...


Hoje queria comentar sobre uma pergunta de um leitor, que me chamou a atenção.
Dizia ele, que não crê em Deus, não crê em nada...simplesmente vive sem nenhuma crença, nenhuma fé...e que isso muitas vezes é uma barreira social...mas que a sua mente é bastante cética, e não "consegue" acreditar em nada que não seja real.

Pois bem...isso é muito mais comum do que se imagina...
A fé, acontece a nós...ela não pode ser criada por nós...simplesmente acontece, ou não.
Viver sem fé não significa que você está perdendo alguma coisa, apenas que você está lidando com a realidade a sua volta. É simplesmente viver sem projeções, sem idealizações. Realidade apenas, causa- efeito, só isso.

Uma coisa que sempre me chama a atenção, é que a espiritualidade é algo natural, nasce espontâneamente, enquanto que a crença, muitas vezes é dogmatizada, é criada a partir do medo...que pode ser medo da morte, medo da vida, qualquer tipo de medo...mas ainda assim...medo.
Já a espiritualidade não. Ela é livre, espontânea, e muitas vezes nem nos damos conta de que somos espirituais, ou estamos mergulhados na dimensão espiritual, simplesmente porque não pertencemos a nenhuma religião, ou não acreditamos no Deus que nos falaram.

Mas pare e reflita comigo: Quem de vocês nunca se emocionou com um sorriso, uma criança, um por do sol, ou com seu amor, ou lembrando de alguém que já se foi...ou que não ri com seus amigos, ou de si mesmo, ou que assiste a um filme que toca o coração, ou lembra de uma passagem da sua vida que evoca uma emoção profunda, uma compaixão por aqueles que sofrem...enfim tantas coisas que nos chamam ao nosso profundo...tantas coisas...tantas situações...
Isso tudo significa o que? São meras lembranças? São meras cenas da vida?
Percebam que elas vem e muitas vezes nos toma por completo...nos transporta para uma dimensão interna, um "lugar" em nós que nem conhecíamos...
Essas emoções quando vêm, trazem consigo algo de divino nelas. Uma luz, um sentimento de amplidão de vastidão da nossa consciência interior. Fomos de fato tocados em nosso profundo...
Podemos não compreender o que acontece, mas o fato é que ninguém vive absolutamente sem se emocionar profundamente, sem ser tocado por algo transcendente, algo do divino...

Quando nos focamos na crença, estamos muitas vezes nos baseando em fórmulas alheias, padrões aprendidos de outros, que não servem para nós. Mas quando nos deparamos com esses momentos de profundo amor, gratidão, contemplação, êxtase, relaxamento, descontração, alegria...enfim...todos esses momentos são aberturas para uma dimensão maior em nós...algo brota, transborda, expande nosso coração a dimensões inimagináveis...
Isso é espiritualidade.
Não é necessário que haja crença para viver isso. Isso é o próprio viver. Experienciado, vivido na sua mas pura manifestação. E isso tenho certeza, que todos já experimentaram...muitas e muitas vezes em suas vidas...e nem se deram conta de que essa experiência já era em si uma amostra da dimensão divina em cada um.

A fé verdadeira, vira devoção, é um derretimento do ego, é um afrouxar das defesas e controles. Quando a fé é verdadeira, pura, genuína, ela provoca em nós uma entrega a vida, a Deus, ao que vier...nem questionamos nada...simplesmente nos entregamos e nos abandonamos nos braços de Deus, da existência...
O amor é tanto que só nos resta, nos entregar...nada mais...
Mas a fé cega, também pode se tornar uma barreira a realização espiritual. Pois o senso de perfeição, de aprimoramento, e auto-exigência podem se tornar uma escravidão, e nos levar não a uma entrega pura e confiante na vida, mas a uma auto-repressão constante, e a um senso de superação crônico. Isso é uma forma de racionalização da fé, um labirinto que acaba por transformar a caminhada espiritual não em uma doce e luminosa experiência, mas em algo doloroso e frio.

Com isso, é importante que percebam que, a fé é um caminho que sendo saudável, abre as dimensões profundas através do amor e da entrega verdadeiras.
Não crêr, não ter fé, em si não é impedimento para nada. É apenas uma vertente, que exige maior atenção ao instante presente, e basta que fiquemos cientes que toda a luz, o amor, o brilho da existência, independente de acreditarmos nela ou não, já estão absolutamente presentes, em nós e através de nós...a cada instante, em tudo e todos a volta...
Basta apenas que mantenhamos nossos olhos abertos e apreciemos conscientemente, e com deleite cada momento, e vivamos intensa e profundamente...isso é a própria espiritualidade viva em ação...
Não precisamos "acreditar" na vida...basta vivermos...verdadeiramente...
Amor
Lilian

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