27 de janeiro de 2011

A visão oriental do pecado...


Hoje queria refletir com vocês sobre um tema que creio ser importante, para clarear uma questão que muitas vezes aparece.
A questão do chamado pecado original.
Outro dia me perguntaram qual era a visão oriental sobre o pecado original do cristianismo.

Os orientais não tem esse olhar do "pecado" ( que traduzindo -significa errar o alvo ).

Para os orientais, essa questão do "erro" não é focada na culpa, na responsabilidade pelos próprios atos...é sim muito mais voltada a ignorância da nossa natureza essencial - isto é, de quem nós somos na verdade. A inconsciência da nossa natureza original, é que causa todos os outros conflitos. Todos partem dessa inconsciência...

Para os orientais, quando estamos sonhando, não sabemos que estamos sonhando, tudo é tão vívido, intenso e verdadeiro, que acreditamos que aquilo é mesmo real. Só quando acordamos é que nos damos conta que aquilo era um sonho. Não é que seja um crime, acreditar em um sonho...!!
Isso é apenas uma inconsciência, apenas uma ignorância do que é real e do que não é.
Não é preciso se renunciar ao sonho...basta apenas que se acorde e pronto!

O Osho fala algo interessante sobre isso;. Ele diz que essa questão da inconsciência, é como querer culpar uma pessoa só porque ela só sabe fazer conta de somar...se ela não sabe diminuir, nem multiplicar, ou não sabe matemática pura, nós só podemos ter compaixão por ela, e perceber que aquilo é apenas uma limitação...ela ainda está naquele nível de conhecimento da matemática, por exemplo, só isso...Não quer dizer que ela seja inferior, ou errada, ou qualquer coisa que a discrimine. Não. Ela apenas ainda está naquela consciência, só isso, mas é absolutamente possível para ela, a qualquer momento despertar para níveis mais amplos e profundos...nada a impede...

E isso também vale para nós.
Não somos pobres miseráveis, e sem valor, simplesmente porque acreditamos em um sonho, porque estamos mais interessados no reflexo do que na verdade. Isso faz parte da grande brincadeira divina, da grande e divertida Leela de Deus...
A dualidade faz parte da não-dualidade.
A mente não é ruim em si mesma...pelo contrário é divina, maravilhosa...Mas a identificação com a mente ( ego) , acreditarmos que somos a mente, é acreditar no sonho, isso é o aprisionamento, isso é o reducionismo, isso é a causa do sofrimento.

O acordar também, é algo que não pode ser controlado, premeditado, programado... ele simplesmente acontece, e acontece não porque eu ou você queremos...simplesmente acontece quando tem que acontecer, independente de qualquer vontade, de qualquer desejo...
Quando o acordar acontece, é o Todo da existência que desperta para Si mesma...

Com isso, vemos que a questão do pecado original, para os orientais é bem diferente. Trata-se de uma questão de consciência e de inconsciência. Não envolve punição, nem reprimendas...trata-se apenas da inconsciência do Todo, da Existência, da pura presença divina em tudo e em todos...da ignorância de que nunca fomos nós que vivemos independentes, e sim o Absoluto vivendo, ou melhor, Sendo, em cada um de nós...no eterno aqui-agora...Quando essa consciência acontece, caem por terra todos os "erros", e também todos os "acertos...o ego simplesmente desaparece...pois nunca foi de fato ninguém "sendo", ninguém "fazendo"...sempre foi o Todo...pois só o Todo existe...impessoal...

Gosto muito de uma frase que Leloup ( Jean-Yves Leloup ) diz sobre isso: "Antes do pecado original, existe a Graça original..."
Da graça viemos, graça somos, para a graça voltaremos.. tudo é graça, pois só a Graça existe!
Amor
Lilian

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