30 de novembro de 2013

A Solidão tecnológica - Thich Nhat Hahn


"A solidão é o ser doente do nosso tempo. 
Nós nos sentimos muito sozinhos, mesmo se estamos rodeados de muitas pessoas. 

Estamos sozinhos juntos. 

Há um vácuo dentro de nós e não nos sentimos confortáveis com esse tipo de vácuo, então tentamos preenchê-lo através da conexão com outras pessoas. Acreditamos que quando nos conectamos com outras pessoas o sentimento de solidão vai desaparecer. E a tecnologia nos provê vários mecanismos para nos conectarmos, para nos mantermos conectados, e nós nos mantemos conectados mas continuamos a nos sentir sozinhos. 

Nós checamos emails várias vezes ao dia, nós mandamos emails várias vezes ao dia, nós publicamos mensagens diversas vezes no dia, queremos compartilhar o que vemos, e estamos ocupados, ficamos ocupados o dia todo para nos conectarmos, mas isso não ajuda, não reduz a quantidade de solidão em nós. Isso é o que acontece neste momento em nossa moderna civilização. 

Nosso relacionamento não está bem. 
Não estamos em um bom relacionamento com nosso parceiro, com nosso irmão, com nossa irmã, com nossos pais, com nossa sociedade. 

Nos sentimentos muito sozinhos, e temos usado a tecnologia para tentar dissipar esse sentimento de solidão, mas não conseguimos. 

Na tradição da Plum Village, cada vez que nos sentamos e nosso assento, 
é para conectarmos com nós mesmos, porque em nossa própria vida estamos desconectados de nós mesmos. Nós andamos e não sabemos que estamos andando, estamos lá mas não sabemos que estamos lá, estamos 
vivos mas não sabemos que estamos vivos. 

Estamos nos perdendo de nós mesmos, não somos nós mesmos. E isso está acontecendo quase que o dia inteiro. Por isso o ato de sentar é um ato de revolução. Quando você senta você corta esse estado de estar se perdendo e de não ser você mesmo, e quando você senta você se conecta consigo mesmo. 

Você não precisa um iphone ou um computador pra fazer isso. Você só precisa se sentar conscientemente e respirar, conscientemente. 

E em apenas alguns segundos você se conecta consigo mesmo e você sabe o que está se passando. 

O que está se passando no seu corpo, o que está se passando nos seus sentimentos, nas suas emoções, o que está se passando com suas percepções e assim por diante. Você já está em casa. ”
Thich Nhat Tanh em A Solidão é a Doença do Ser do Nosso Tempo

29 de novembro de 2013

Compreendendo os Mestres - Leo Hartong



"Só existe um Guru, sempre presente. 

Todo o universo é seu ashram.
Não se precisa de nenhum caminho para se chegar até aqui.
Não é preciso nem se meditar, porque tudo é sagrado. 
Não é preciso encontrar algo, porque nada foi perdido.

Se você chegou até aqui e continua lendo essas palavras, existe uma grande possibilidade que sejas um buscador. Muitos buscadores querem realmente encontrar a verdade, e que esta verdade os irá libertar. 
O fato é que a maioria das vezes já está decidido como deve ser esta verdade. 

Para começar, existe frequentemente a crença de que é algo objetivo que se precisa alcançar. Logo vem a presunção de que existe um caminho que leva à verdade, à liberdade, à iluminação ou à auto-realização, e que este caminho pode ser mostrado ao buscador por um mestre iluminado.

A iluminação se alcança seguindo este caminho, ou ao menos é o que assim se espera.

No mercado espiritual encontramos múltiplos caminhos para escolher, e o buscador normalmente vai às compras até que encontra um caminho que lhe agrade. Meister Eckhart, um místico cristão alemão, que viveu de 1260 a 1328, tem a nos dizer algo interessante sobre estes tipos de caminhos:

"Todo aquele que busca a Deus, seguindo um caminho particular, acabará dominando o caminho e perdendo a Deus, que está escondido no caminho. Porém, todo aquele que busca a Deus, sem seguir nenhum caminho em particular, O encontrará tal como É... e Ele é a vida mesma."

A maioria dos caminhos tem a ver com restrições, disciplinas, e de uma maneira ou de outra, com em ser bom. Não está bem claro, como é possível que restrições e disciplinas possam levar à liberdade, mas de qualquer maneira o buscador crê que ao seguir com diligência o caminho escolhido, seus esforços lhe estão fazendo acumular méritos. Méritos que deveriam qualificá-lo para uma promoção cósmica. Se espera que Deus, (ou quaisquer que sejam os nomes que se dê ao Absoluto), recompense todos estes esforços, seja aparecendo ante o buscador ou concedendo-lhe um grandioso "acontecimento" final em que a verdade lhe será revelada. Esta revelação é, ou terá como resultado, a iluminação. 

A iluminação, neste cenário, é considerada o mais desejável dos estados. Ela deveria libertar o buscador de todos seus problemas vitais, e transformar sua personalidade, produzindo pensamentos puros, boas ações, amor resplandescente e um estado de bem-aventurança eterna.

Normalmente o buscador quer encontrar um mestre que possa proporcionar-lhe esta experiência. Este ser "iluminado" não deve ser só um mestre, mas também ser um santo. A lista de características que os buscadores desejariam encontrar em um guru reflete este fato, já que inclui todo tipo de qualidades, tais como bondoso, compassivo, paciente, ascético, vegetariano, carismático etc. Preferivelmente, o mestre tem os cabelos brancos, vir do Oriente, se vestir com roupas exóticas e ter uma presença que transmita uma certa vibração mágica.(...)

O buscador sincero parece colocar toda sua energia e dedicação em sua busca. Digo, "parece colocar" porque no momento em que se "encontra" o que se estava buscando, se descobre que nunca houve realmente um buscador, que aquilo que parecia ser o buscador, era o que realmente se estava buscando.
É como se brincar de esconde-esconde com sigo mesmo. O buscador e o descobridor, o mestre e o discípulo são todos aparências de um único Ser, do único EU.

Ao encontrar seu verdadeiro mestre, é possível que se sinta emocionalmente abalado; mas na realidade é o EU que se encontra com o EU. Quando se produz uma conexão desse tipo, a força que transmite está tanto no buscador como no mestre. 
É como duas chamas reconhecendo que são o mesmo e único fogo. 
A manifestação desta energia que se dá na interação do discípulo e do mestre é algo como apaixonar-se - ocorre espontaneamente. (...)

Não quer dizer que você precise esperar que isto aconteça. 
Não, o verdadeiro mestre é a vida mesma. 
O convite para ver o Ser, está se realizando neste precioso instante, e a orientação de um mestre formal, mesmo que possa ajudar a muitos, não é realmente necessária. Não existem regras fixas com respeito ao que deveria levar à iluminação. O problema com as noções pré-concebidas sobre o tão desejado santo graal da verdade e sobre o envoltório ao qual este santo graal deve ser entregue é que estas noções impedem que o buscador veja que a liberação que busca, está sempre totalmente presente e instantaneamente disponível. 

Diz Ramana Maharshi: "Não faça nenhum esforço por avançar ou por renunciar; o próprio esforço é uma escravidão."

Ao invés de ver diretamente aquilo que É, o buscador continua esperando um acontecimento de iluminação futura, sem admitir que ela já está - e sempre esteve - em seu verdadeiro lugar, isto é aqui e agora.
Muitas vezes, se tenta imaginar como se deve ser alcançar esta compreensão final, em que Deus e o Universo revelam seus segredos. Ao fazê-lo, negligencia-se a verdade de que sua mente é também uma manifestação deste universo, e como tal, não está capacitada para compreendê-lo. (...)

O abandono de nossas expectativas em benefício de uma disponibilidade para aceitar simplesmente aquilo que É, pode criar um vazio, que poderia ser preenchido com alternativas surpreendentes.

Por exemplo: poderíamos reconhecer que encontrar não provém da busca, e sim que se trata de algo que é revelado quando se abandona a busca; que nossas queridas crenças podem ser desmascaradas e reconhecidas como obstáculos conceituais; que as práticas espirituais podem resultar em serem na verdade uma maneira de evitar uma visão direta do centro mesmo, de todas as coisas. 

Esta visão direta, colocará em evidência a existência de um buscador separado que pensa chegar ao seu "destino-iluminação" em algum momento futuro. Por conseguinte, a busca e o buscador são ambos aniquilados, quando acontece o descobrimento de que aquele que busca e o buscado são ambos a Unicidade acontecendo.

O buscador exausto lhe diria: Abandona sua busca e abandona seus conceitos. Deixa de buscar seu próprio traseiro. Senta e relaxa!
Deixa de se prender a ideias preconcebidas, pode ser que de repente sua atenção abandone o horizonte distante que observas, a espera de um grande acontecimento, e possa revelar a maravilha que existe diante - a atrás - de seus próprios olhos. Ao deixar de se prender, pode acontecer que te abras ao mais improvável dos mestres, e inclusive que já te encontres em sua presença.

Que se torne claro que, a Consciência Pura é tudo o que existe, e que qualquer ideia de um mestre "fora", só existe a partir da perspectiva de um buscador ilusório. 
Daí que, os verdadeiros mestres não se consideram a si mesmos mestres, em absoluto, mas sabem que você se considera um discípulo.Eles te dirão que você é Isto; e quando você responder: "sim, mas..." te repetirão a mesma verdade ou te dirão que relaxe, que sente-se no chão e permaneça em silencio; ou serão eles que ficarão em silencio. 
Digam o que digam, façam o que façam, o mais provável é que os mestres, não sejam como você os havia imaginado.

Você poderia imaginar um mestre proprietário de uma tabacaria, fumante e vivendo em uma grande cidade, em um bairro pobre na periferia? Pois bem, existiu um mestre assim. Este dono de uma tabacaria, que tinha um temperamento efusivo, cuidava de seus filhos e recebia buscadores de todo o mundo. Se comunicava com eles através de intérpretes e tradutores, mesmo que tudo indica que falava inglês. O leitor já pode ter reconhecido Sri Nisargadatta Maharaj, um dos mestres espirituais mais respeitados do século XX. 

Este é um diálogo entre um buscador e Sri Nisargadatta Maharaj:
Buscador: Me disseram que uma pessoa iluminada nunca fará nada de impróprio. Que sempre se comportará de forma exemplar.
Nisargadatta: Quem é que dá exemplo? Por que um iluminado deveria necessariamente seguir as convenções? Quando alguém se torna previsível, já não pode ser livre.

E o que dizer então do discípulo de Sri Nisargadatta Maharaj, Ramesh Balsekar? Um tranquilo pai de família, que recebia em sua própria casa de Mumbai ( não é um ashram ) aos buscadores que vinham vê-lo de todos os cantos do mundo. Ramesh era gerente de banco aposentado, e um mestre iluminado que escreveu sobre o tema da não dualidade e o Advaita. Isto é o que disse um dia sobre seus ensinamentos:

-Se você aprendeu algo aqui, maravilha. Se você não aprendeu nada aqui, maravilha. Se algum tipo de mudança ocorrer por causa disso, deixa que ocorra. Se a compreensão, seja o que nível que for, tiver algum valor alguma importância, ocorrerá por si mesma. Não existe ninguém fazendo nada.

Outro mestre que gostaria de mencionar é o britânico Tony Parsons. Uma pessoa acessível, extraordinária, e amistosa que prefere compartilhar o que ele chama de "A Presença" ao invés de transmitir ensinamentos, de uma posição de autoridade.

Inclusive agora, enquanto escrevo estas palavras, posso escutá-lo dizendo: "Não existe aqui nenhuma pessoa que compartilhe algo. A única que há é a Presença. É dEla que se trata; Ela é Isso, Ela é a Amada." 
Tony nos despoja de todas essas crenças acerca da existência de um acontecimento futuro chamado iluminaçao que alguém deveria perseguir, e nos convida a ver diretamente aquilo que É. Em seu livro As it Is, ele diz:

- Isto é o que se trata, e isto é tudo. Abandona a busca de algo que está por vir e te enamora profundamente da Presença daquilo que É. Aqui mesmo se encontra tudo o que sempre desejou. É simples, comum, atual e majestoso. Vê, já está em seu lugar.

O último mestre que quero apresentar aqui e um que definitivamente não se encaixa no estereótipo de mestre-santo é Wayne Liquorman, autor e editor americano, discípulo de Ramesh Balsekar. 
Wayne nunca quis ocultar o seu passado de alcoólatra. (...) Um dia despertou e a sobriedade lhe veio em um só golpe. Em suas próprias palavras:

- Depois de uma bebedeira de quatro dias, aconteceu em um instante em que tive a certeza absoluta de que esta fase da minha vida havia terminado. É como se tivesse desligado o interruptor. A obsessão havia desaparecido. Não havia falta, nem resistência, nem ter que fazer alguma coisa. Se foi. E o que havia ficado assombrosamente claro é que não havia sido eu que o havia alcançado. E como não havia sido eu que havia feito, a pergunta passou a ser: O que é que me fez isso? Se eu não sou o dono do meu destino, quem é então? Este foi o momento em que meti a cabeça na boca do tigre, as mandíbulas dele se fecharam, e já não havia mais como escapar. Me converti em um buscador.

Se você encontrar Wayne hoje em dia, encontrará um homem grande, com um grande sorriso, e um grande senso de humor. Em seu livro Acceptance of what Is, ele nos diz o seguinte sobre os buscadores que o procuram:

- Muitos vem me ver, e se lhes digo algo que se encaixa com o que sabem ou que creem que seja a verdade, dizem: "Este cara realmente sabe o que está falando. É um grande cara!" ( risos) E se o que digo não se encaixa com o que sabem ou que creem que seja a verdade, dizem: "Este cara não tem nenhuma ideia do que está dizendo." E vão embora.

Estes mestres pouco convencionais não são exclusivos dos nossos tempos. Como encontramos em um poema atribuído a Shankara, filósofo hindu do século VIII, considerado o pai do Advaita Vedanta:

Por vezes nus
Por vezes loucos
Por vezes como eruditos
Por vezes como ignorantes
Assim aparecem sobre a terra
Os homens livres!

Quando lemos sobre os mestres antigos do Zen, do Taoismo, nós podemos encontrar alguns tipos bastante rudes. Alguns deles esbofeteavam seus discípulos, se embebedavam, balançavam seu bastão e inclusive eram capazes de tirar do templo uma estátua de madeira do Buda para fazer uma fogueira com ela em uma noite fria. 
Isto não quer dizer que os mestres "patifes" sejam os únicos mestres verdadeiros, e que isto não seria nada além de um outro estereótipo que os mestres deveriam seguir. Nem quer dizer que um mestre não possa ser santo, porém não necessite sê-lo - um mestre pode ser um soldado, uma dona de casa ou um homem de negócios. 

Se se abandonam as expectativas com respeito a verdade, e também aquilo que se "sabe", pode-se encontrar um inesperado tesouro no próprio quintal de casa. Aceitar que os mestres são simples seres humanos e não super-homens, faz com que seja mais fácil aceitar a si mesmo, como você é. 
Ajuda a reduzir as expectativas pouco realistas que se tem a cerca dos mestres e a cerca daquilo que cremos em que devemos nos converter. 

Sua verdade, e sua liberdade se encontram no caminho que segues agora mesmo, se encontram na aceitação daquilo que És.

Rumi disse: Não te fixes em minha forma externa, simplesmente toma o que está em minha mão.

Assim, eu lhe pergunto: O que estamos oferecendo aqui? O que é exatamente que está na mão? É algo que podemos perceber, receber e agarrar, ou ao menos algo que possamos compreender?"
Leo Hartong em Despertar a la Verdad: El don de vivir con lucidez

28 de novembro de 2013

O Segundo Nascimento - Osho


"O chamado mundo louco só lhe faz promessas, mas os benefícios nunca são distribuídos. As pessoas morrem neste mundo após toda uma vida de simples desespero e angústia. Se você quiser viver no êxtase e morrer no êxtase, terá que escolher o caminho da solidão. E esse é também o caminho da meditação, porque sua solidão absoluta está sempre no seu interior.

Fora, você sempre vai encontrar uma multidão - em qualquer caminho. Você pode ter escolhido um caminho que parece ser silencioso, sem trânsito, mas mais adiante você não sabe. Em todo caminho encontrará alguma multidão. Às vezes uma multidão maior, às vezes uma multidão menor, mas você as encontrará.
Só há um caminho que vai para dentro, onde você não vai encontrar um único ser humano, onde vai encontrar apenas silêncio e paz. Então você vai se encontrar, e depois disso nem você estará mais lá.

A solidão torna-se tão pesada e densa que você não consegue ficar ali, não consegue ter um "eu", um "ego" uma sensação de separação da existência. Seu "eu" não é nada além de uma sensação de separação. E quando você se vê unido à existência, nenhum conhecimento é necessário. 
Em sua inocência, você conhecerá tudo que é grande, tudo o que é belo, tudo o que é verdade. Mas não será uma repetição de qualquer escritura e não será nada emprestado. Será verdadeiramente seu, terá sua assinatura.

E esta é uma das maiores bênçãos na vida: ter uma experiência que seja absolutamente sua, e não uma cópia. Só aquilo que é absolutamente novo, original, surgido das verdadeiras fontes do seu ser, pode lhe dar satisfações, preenchimento, contentamento e uma profunda compreensão de todos os mistérios da vida e da existência.

É bom começar com a inocência, mas lembre-se de que há dois tipos de inocência: uma é a inocência da criança e a outra é a do meditador.
O meditador também se torna uma criança, mas isso ocorre em um nível muito diferente, em uma altura muito elevada - como se a criança estivesse no vale, e o homem iluminado, que de novo se tornou uma criança, estivesse no pico iluminado pelo sol. A distância é enorme. Mas há certa similaridade, um fio que vai da criança ao coração do sábio. A criança não consegue entender o sábio, mas o sábio consegue entender a criança. Lembre-se sempre disso como regra fundamental: o inferior não consegue entender o superior, mas o superior consegue entender o inferior.

E na sua vida, se algo puder ser comparado com esse alto pico, é sua infância. Tente redescobri-la. Não a encubra com conhecimento a ponto de esquecê-la. Remova todo o conhecimento para que possa redescobrir sua inocência. Quando você remover seu conhecimento, estará removendo sua própria mente, porque sua mente é um nome coletivo para seu conhecimento. Não é qualquer entidade - como chamamos estas árvores aqui em volta de "o jardim", mas o jardim é apenas um nome coletivo. Se você continuar procurando o jardim não o encontrará; você sempre encontrará árvores individuais, roseiras, flores sazonais, mas não encontrará o jardim como tal em parte alguma.

Lembre-se de que muitas vezes nos sentimos perdidos com nomes coletivos. Começamos a pensar que esses nomes coletivos são realidades; eles não são. A sociedade não existe. (...) O que existe são indivíduos.

A mente, não existe, ela é apenas um nome coletivo para todo o seu conhecimento. Remova pouco a pouco tudo o que você sabe, e quando tudo o que você sabe tiver sido removido, você não encontrará nenhuma mente ali, nem mesmo o contêiner em que todo aquele conhecimento estava contido. (...) 
Sendo puramente inocente, centrado em si mesmo, sabendo que a vida é um mistério e que não há nada a saber, que o conhecimento, por sua própria natureza, é impossível, somos envolvidos pelo miraculoso. E é belo que sejamos envolvidos pelo miraculoso, porque isso torna a vida uma excitação contínua, um êxtase.

Você nunca se cansa de descobrir novos espaços dentro de você. Você nunca fica entediado, porque há sempre algo novo à medida que você penetra mais profundamente dentro de você. E quanto mais profundamente você se move para dentro de si, mais se move em direção à própria existência, por que no fundo você está enraizado na existência. Se a árvore se move profundamente para dentro de suas raízes, ela encontrará a terra. (...)

Se nos movermos em direção ao nosso centro... Você ficará surpreso em saber que nosso centro também tem suas raízes na existência, embora elas não sejam raízes visíveis. Nossa consciência é parecida com o ar. 
Ela não é visível, mas você consegue senti-la. Você consegue sentir quando o ar é frio e consegue sentir quando o ar é quente. Você consegue sentir sua consciência de muitas maneiras; quando ela é pura, é fria; quando é impura, é quente. Impura com a ambição, impura com desejos, impura com objetivos - então ela é quente, você não se sente à vontade, não há paz interior. Mas quando todos esses desejos o deixam, há um enorme frescor que continua crescendo.

E quando você se aproxima de si mesmo, está se aproximando do universo. E o maior momento na sua vida é quando você aceita o mistério da existência como ele é, sem fazer nenhum questionamento. Você entendeu uma coisa: que a existência é misteriosa e vai permanecer misteriosa. Não há necessidade de nenhum conhecimento. Isso significa que você se ajustou com o universo como algo misterioso e se ajustou consigo mesmo com sua inocência.

Este é o segundo nascimento. Na Índia chamamos este estado de dwij, o segundo nascimento. E esta é sua busca aqui."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento 

26 de novembro de 2013

O Semeador - Jean-Yves Leloup


"Disse Jesus:
Eis que o semeador saiu a semear.
Encheu a mão e lançou as sementes.
Algumas caíram no caminho e tornaram-se alimento para os pardais.
Outras caíram entre os espinhos que sufocaram a semente e o verme a devorou.
Outras caíram em terreno pedregoso; aí não puderam lançar raízes na terra.
Outras caíram em terra excelente e produziram bom fruto em direção ao Céu.
Produziram sessenta em cento e vinte por medida."
Logion 9 - Evangelho de Tomé

Este logion faz lembrar a importância do terreno que recebe a semente. O crescimento do germe divino semeado em cada um de nós depende de nossa maneira de receber. O sentido da palavra varia segundo o ouvido que a escuta.
A semente, isto é, a informação criadora - é a mesma para todos; a variedade dos frutos deve-se ao terreno que a recebe.

O caminho simboliza a "vida habitual", a rua principal com suas atrações. A informação criadora recebida por uma consciência dispersa, distraída, não pode desabrochar, no homem não chega ao íntimo, não habita nossa profundidade; pode-se reduzir o Evangelho a uma conversação de salão, a uma tagarelice, a um produto de consumo ou diversão como outro qualquer..

A semente pode, igualmente cair entre os espinhos. O espinheiro simboliza a consciência crítica, analítica que caracteriza certos espíritos contemporâneos e que sufoca a espontaneidade da vida. Aí também, a informação criadora não pode se encarnar e se expandir.

O conhecimento de si, mencionado no Evangelho, não é introspecção, auto-análise perpétua que nos inibe e esteriliza. Trata-se de um estado de atenção ao que é - sem julgamento, "sem por que" dizia Meister Eckhart. O verme no meio dos espinhos que ameaça devorar é o narcisismo. A consciência, incessantemente voltada para si mesma, nos impede o próprio movimento do Logos em seu desenvolvimento essencial.

O terreno pedregoso no qual a semente não consegue penetrar simboliza na Bíblia a dureza do coração. - "O coração de pedra", aquele que se fecham que recusa as informações criadoras. A coisa mais grave que nos pode acontecer é "que nosso coração de carne se torne um coração de pedra". Muitas vezes, somos empedernidos porque temos medo. O próprio corpo se contrai, se fecha, se defende e segrega nos músculos uma estranha couraça. Confunde-se a dureza com força. A dureza exterior oculta a fragilidade ou moleza interior como a carapaça do camarão. Aquele que é sólido interiormente - que tem uma coluna vertebral - não precisa "brincar de durão"; pelo contrário, pode até mesmo mostrar-se terno, vulnerável, e acolher sem receio a informação criadora. Torna-se, assim, uma terra boa.

A terra boa é o coração lavrado - esse tema será tomado no Evangelho segundo Tomé. Lavrado pela ascese ou pelas provocações da vida, tornou-se menos empedernido, menos distraído, menos egocentrado. Esse longo trabalho retirou dele os espinhos e as pedras. Daqui em diante, está aberto as essencial e torna-se capaz de escutar e meditar a Palavra de Deus, a informação criadora que murmura em suas veias; então, o bom fruto do Despertar começa a se erguer."
Jean-Yves Leloup em O Evangelho de Tomé

25 de novembro de 2013

Ma Tzu e os gansos selvagens - Osho


"Zen é essencialmente uma estratégia, milhares de estratégias, criadas por diferentes mestres para provocar o despertar em você. Lendo-as pode se pensar que são simplesmente anedotas, histórias, quebra-cabeças. 
Elas não são; elas são comunicações e comunicações do maior valor.

"Um dia quando Hyakujô estava visitando seu mestre, Ma Tzu, um bando de gansos selvagens voaram por sobre suas cabeças. 
Ma Tzu perguntou: O que eles são?
São gansos selvagens! disse Hyakujô.
Onde eles estão? perguntou o mestre.
Eles foram embora senhor! respondeu Hyakujô
Ma Tzu de repente, segurou o nariz de Hyakujô e o torceu. Tomado pela dor, Hyakujô gritou.
Ma Tzu disse: Você disse que eles foram embora, mas desde o princípio eles estão aqui!".

Para qualquer pensador racional, comum, isso parecerá uma declaração absurda. Mas para uma pessoa em sintonia com meditação, isso pode se tornar um tremendo ponto de despertar. Não é que Ma Tzu não saiba que os gansos foram embora. Não é que não saiba que os gansos estiveram ali. Ele não está pedindo nenhuma resposta culta. Está pedindo pela resposta a qual Hyakudô deixou de dar no princípio, quando Ma Tzu perguntou: O que eles são? Obviamente, Ma Tzu sabe o que eles são.

Portanto lembre-se, não se trata de uma questão ou indagação sobre o conhecimento objetivo. Nesse ponto Hyakujô não compreendeu. Sua resposta foi através da mente; ele disse: "São gansos selvagens, senhor!"

Essa seria a resposta de qualquer um em todo o mundo. Ela não vem a partir do coração vazio, não vem a partir do espelho do nada. Ela é simplesmente... qualquer criança diria isso. A resposta está correta, mas a resposta de Hyakujô não vem através do coração, ela vem através da mente.

"São gansos selvagens, senhor!", disse Hyakujô.(...)
Ele está funcionando apenas no nível mental.

Ma Tzu de repente, segurou o nariz de Hyakujô e o torceu. Tomado pela dor, Hyakujô gritou.
Ma Tzu disse: Você disse que eles foram embora, mas desde o princípio eles estão aqui!".

Onde eles podem ir? Eles sempre estiveram aqui e estarão aqui. O aqui é vasto o suficiente - onde quer que eles estejam, estarão no aqui. Eles não podem sair do aqui. Isso era o que ele esperava de Hyakujô. Mas ele teve que pegar Hyakujô pelo nariz, torcendo-o para torná-lo consciente de que ele estava funcionando através da mente. E a mente pode apenas trazer dor; a mente é dor.

Ma Tzu torce o nariz de Hyakujô e lhe provocou uma enorme dor, de tal modo que ele gritasse - não tome isso superficialmente, como aparenta na superfície. Esse gritar não foi a partir da mente. Esse gritar veio como uma resposta espontânea de todo o seu ser. Nesse momento o mestre pôde falar com ele. Agora, ele estava no espaço adequado; ele não estava mais na mente; todo o seu ser estava desperto devido à dor.

A dor tem um valor imenso no despertar. A dor tem sido usada por muito mestres para despertar o sonolento do discípulo. Todas as antigas religiões, pelo contrário, consolam o discípulo e o ajudam a dormir bem. (...) Mas o zen não está interessado de modo algum em consolá-lo. Ele está interessado em despertá-lo. (...)

Naquele momento, não havia pensamento algum, exceto a dor. A mente estava vazia, o nariz estava doendo - e Ma Tzu não se importou com o nariz ou com a dor; ele simplesmente fez uma declaração imensamente importante, que ninguém, nada, pode sair do aqui. O aqui é imenso e vasto; da mesma forma é o agora. Onde eles estiverem, estarão em casa.

Hyakujô estava agora num estado adequado para compreender o significado do mestre - que tudo está sempre aqui. Aqueles gansos selvagens eram apenas uma desculpa para explicar a Hyakujô que nada se move, que nada vai a lugar algum.

Neste momento Hyakujô atingiu a iluminação.
Percebendo o ponto, a eternidade e a vastidão do agora, e do aqui, ele imediatamente caiu no vazio de seu coração e percebeu a verdade."
Osho em Ma Tzu, o Espelho Vazio

24 de novembro de 2013

Filosofia, Religião e Maravilhamento - Osho


"A filosofia tenta explicar as coisas e nunca é bem sucedida. ... 

A religiosidade (religare) não faz qualquer esforço para explicar a vida. 
Ela tenta vivê-la. 

A religião não considera a vida como um problema para ser resolvido, mas um mistério a ser vivido. 

A religião não é curiosa a respeito da vida. 
A religião está num deslumbramento, num tremendo maravilhamento a respeito da vida.

O nosso simples estar aqui é um tal milagre. 
Não se pode explicar porque eu estou aqui, porque você está aqui. Porque essas árvores estão aqui, porque essas estrelas estão aqui. Porque todo esse universo existe e segue povoando a si mesmo com árvores, pássaros e pessoas. 

Porque originalmente ele está aí, não há maneira alguma de se saber. Ele simplesmente está aí. 
Mas ele inspira um deslumbramento! Ele preenche o coração com um maravilhamento. 

Ele é inacreditavelmente verdadeiro, ele é incrível! Ele é absurdo, mas tremendamente belo.

Não há maneira alguma de se dizer porque ele está aí, mas ele está aí. E a religião diz: Não desperdice seu tempo com os porquês. 
Ele está aí: Curta-o! Celebre-o! Perca-se nele! 

E deixe que ele se perca em você. Encontre-o! deixe que o encontro seja como dois amantes entrando um no outro. 
Deixe que isso seja uma experiência orgástica.

Mas a religião no ocidente tem uma conotação muito errada. (...)
Ela faz lembrar pessoas com olhares sérios, rostos sisudos. Ela perdeu a capacidade de dançar, de cantar, de celebrar. 

E quando uma religião perdeu a capacidade de dançar, de celebrar, de cantar, de amar, de simplesmente ser, então ela já não é mais religião, ela é um cadáver, ela é teologia.(...)

No ocidente a teologia dominou a religião. Quando a teologia domina a religião, então a religião nada mais é senão filosofia. E uma filosofia que também não é muito filosófica, porque a filosofia somente pode existir através das dúvidas, e a teologia se baseia na fé. Assim, ela é uma filosofia impotente, nem mesmo é uma filosofia no seu verdadeiro sentido.

A verdadeira religião não é baseada em crenças ou fé.

A verdadeira religião é baseada no deslumbramento, a religião é baseada no maravilhamento. 

A verdadeira religião é baseada no mistério que o circunda. Para sentir isso, para estar consciente disso, para ver isso, abra os seus olhos e abandone a poeira acumulado por séculos. Limpe o seu espelho. 

Veja quanta beleza circunda você. 
Veja a tremenda beleza que segue batendo em suas portas. 
Por que você está sentado com os olhos fechados? Por que você está sentado com esse rosto sisudo? 
Por que você não pode dançar? E por que você não pode rir?
Osho em A Suddhen Clash of Thunder

23 de novembro de 2013

Acalma, Olha, Escuta...


Acalma
Olha
Escuta...

Vê ao redor
a magia da vida
acontecendo
em Ti
e para Ti...

Senta
Sinta
Perceba...

Colore o momento
com sua Presença
Pura
e
Consciente...

Bebe do instante
sutil...

Compreende que o aqui
é o único lugar
Compreende que o agora
é o único momento
Compreende que o Ser 
é Onipresente...

Desfruta de si mesmo
Medita em si mesmo
Mergulha

E descubra sua grandeza infinita
Sua natureza exuberante
Onde tudo tem lugar
Onde nada pode sequer lhe tocar...

Ser
Vida
Amor
Coração

Silencio perene

Paz infinita
e
Celebração...

~Amidha Prem~

22 de novembro de 2013

Não saber, é Samadhi - Osho


"Osho, existe algum momento em que a pessoa sabe o por que das coisas acontecerem de um jeito e não de outro?

Não, esse momento nunca chega. Esse momento não pode chegar; o conhecimento é impossível. A vida é um mistério - quanto mais você sabe sobre ela, mais misteriosa ela se torna. Você não pode reduzi-la a uma fórmula, não pode reduzi-la a teorias. Ela nunca se torna uma doutrina. Quanto mais fundo você vai, mais se sente ignorante. Mas essa ignorância é abençoada. Esse não saber é incrívelmente belo, é uma benção, porque nesse não saber seu ego morre. Esse não saber torna-se o túmulo do seu ego. E surge o assombroso: Ohh!!! É uma grande alegria!

O conhecimento é um desmancha-prazeres. As pessoas cheias de conhecimento não são pessoas alegres; elas se tornaram sérias. Estão sobrecarregadas, seu coração não dança mais; só sua cabeça continua crescendo além de toda proporção. (...) Todo o seu corpo desaparece, todos os membros encolhem, restando apenas a cabeça. Elas ficam com a cabeça pesada.

Quando o conhecimento desaparece, você fica totalmente em paz com a vida e a existência. O conhecimento divide.
Deixe-me repetir isso: o conhecimento o separa da existência. E devido a essa separação há uma angústia e uma ansiedade contínuas; algo está continuamente faltando. Só um não-sabedor pode se unia à vida. Só o não conhecimento une; o conhecimento divide. 

Em um estado de não saber, você começa a se fundir com as árvores, as montanhas, e as estrelas. Você não sabe onde você termina e onde elas começam, você não sabe nada. Você é de novo uma criança, catando conchinhas na praia. De novo uma criança com olhos repletos de assombro. Por meio desse assombro você começa a sentir o que a existência é - não sabendo, mas sentindo. 
Você começa a amar aquilo que ela é - não sabendo, mas amando. E através do sentir e do amor, você começa a viver pela primeira vez. Quem se importa, quem quer saber do conhecimento? (...)

As coisas são da maneira que são, não há outra maneira. Essa é a única maneira. E não há uma explicação, do contrário você poderia via a saber. Não existe causa, do contrário você a teria decodificado. Não há razão para a existência. Ela é totalmente absurda, não deveria existir, não há razão para ela. Porque deve haver árvores, estrelas, homens e mulheres - por quê? Não há razão por que deva haver o amor, por que deva haver consciência. Por que tudo isso?

O porquê começa a escorregar de você. Um dia de repente você não está mais buscando causas, razões e porquês; Você simplesmente começa a dançar; Você não consegue responder por que está dançando; não há resposta para isso. E todas as respostas que têm sentido são falsas.

Por que você ama? Por que a música o deixa eletrizado? Por que, vendo uma flor pela manhã você de repente é atraído para ela como se fosse um ímã? Por que à noite você se sente tão atraído pela lua? Por quê? Uma criança está rindo e você para por um momento para olhar para ela e se sente feliz. Por que há ali felicidade? Por que há celebração? Por que há vida? Por que há existência? Não há razão. E se você encontrar alguma razão, novamente será relevante perguntar: por quê?

Se você diz que Deus criou o mundo, então surge a pergunta: por que ele criou o mundo? Isso não resolve nada, simplesmente aprofunda um pouco mais a pergunta - por que Deus criou o mundo? (...)

Você não resolve nada perguntando por quê? Buda é bem mais verdadeiro: ele diz que ninguém jamais criou o mundo; dessa maneira ele descarta sua pergunta. Ele diz que o mundo sempre esteve ali e sempre estará ali - sem nenhuma razão, sem nenhuma causa. Ele existe sem causa. Isso é difícil para a mente racional, porque sempre buscamos a causa. Quando a causa é apresentada, nós nos sentimos à vontade. Ela é um desejo da razão; quando conhecemos a explicação, a causa e a razão, nós nos sentimos bem porque sabemos. Mas o que sabemos?

Toda a teologia no decorrer dos tempos não forneceu uma única resposta. Todos os cinco mil anos de filosofia se mostraram absolutamente fúteis.

Se você me entende, eu não gostaria de dizer que nunca chega um momento de conhecimento em que você sabe porque o mundo é da maneira que é r por que não é de nenhuma outra maneira. Quando mais você penetra em seu ser, menos perguntas surgem. Uma dia todas as perguntas desaparecem. Não estou dizendo que você obtém uma resposta, apenas que as perguntas desaparecem. 

O homem que chamamos de iluminado não é o homem que conhece a resposta, mas é o homem cujas perguntas desapareceram. Ele não tem mais nenhuma pergunta. Nesse estado de não questionamento há um grande silêncio, um silêncio total, um silêncio absoluto. E um belo não saber.

Esse não saber é iluminação.
Buda não ficou sabendo nada. Tudo o que ele atingiu foi o desaparecimento de suas perguntas. Agora não há mais nenhuma pergunta perturbando sua mente; todo aquele ruído se foi. Ele foi deixado só, em silêncio. Ele não é mais um conhecedor, ele não clama saber isto ou aquilo. Ele sabe apenas nada. 
É isso que Buda chama de nirvana - não saber nada, ou saber apenas nada. 
Estar em um estado de não saber, é samadhi."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento.

20 de novembro de 2013

Vocês são Intocáveis! - Mooji


"Na bola de cristal da consciência está contida a sensação do observador percebendo, informando e se identificando com a experiência da diversidade, se expressando fora e dentro da forma e também através dela. A sensação de eu-sou é a semente que faz tudo brotar. O eu-sou não pode expressar a si mesmo sem a forma. Sem a forma, não pode experimentar-se.

Ninguém pode ver o observador do eu-sou. 
Não se pode usar o intelecto além do eu-sou. 
Assim é que pergunto: Quem é que conhece inclusive o próprio intelecto? 
Inclusive sua tendência a pensar, junto com o próprio pensar - está sendo observado por Isso - que está mais além do pensamento. 
Então: Para que serve o pensar? 
É redundante.

Muitos de vocês tem medo de ir além da capacidade intelectual da mente. Existe a noção de que não-mente é equivalente a loucura. - Se perco minha cabeça, fico louco!

Descubra o que é que se agarra a mente e o que a abandona. Por que isso é a própria mente! 
Você é isso na qual está contida a mente, com todas as suas idéias e noções, inclusive a loucura. 
Como se pode enlouquecer ao descobrir quem se é?

Não há nada de mal com o pensamento. Não há mal em nenhum objeto. Mas uma identificação errônea com ele cria esse engodo, e você está aqui para descobrir esse auto-engano. Ao examinar o "eu" descobrirá que o "eu" não pertence a ninguém.

Eu sou é liberdade.
Eu sou é Ser. 
Eu sou não se mistura com nada, é o perfume da dimensão plena, que resplandece em cada corpo. Essa divindade em meu corpo "fala" a essa mesma divindade em seu corpo. Aquele que olha através dos meus olhos, é o mesmo que olha através dos teus olhos.
Descubra essa verdade, e isso se revelará. Aquele que descobre Isso, é aquele a quem Isso é revelado são Isso mesmo.

Não é necessário que quebres a cabeça tentando compreender.
Isso se revela a si mesmo, no momento perfeito. (...)

O estado natural da mente é estar silenciosa, vazia, aberta. Existe sem nenhuma intenção. 
Se você acredita que necessita praticar o silencio, fazer silencio, criar silencio, então, significa que você ainda não compreendeu.
Tudo isso, o universo inteiro, já está acontecendo em silencio.

Não se trata de sair correndo em busca de silêncio. Se trata de reconhecer o silêncio que não pode ser perturbado, aí mesmo onde estás, sejam quais forem as circunstâncias, por mais ruído que exista. Não existe nenhuma ação, não é um comportamento ou uma imposição. Você e o silêncio são o mesmo.

Todo esse falar, toda essa explicação tem por objetivo revelar seu próprio silêncio. E também não existe falta de tempo! Quando está em frente ao espelho, este não diz: -Olha, agora estou ocupado, volte daqui a meia hora!

Igualmente é o espelho da indagação. Ele te revelas de imediato! E assim você chega a conhecer o indescritível, o sem forma, diretamente. Talvez não possa falar dele, mas seu sofrimento acaba. Seus medos acabam. A morte é conquistada!

Muitos de vocês, diante da oportunidade de descobri-se, temem e saem correndo, com medo de queimar o último apego ao "eu". 
A oportunidade é seguir em frente e ver que você são intocáveis!"
Mooji em El Latido de lo Absoluto

18 de novembro de 2013

Autoconhecimento - Osho


"O autoconhecimento é uma contradição em termos. Quando ele realmente acontece, não há eu nem há conhecimento. Se o eu estiver ali, ele não pode acontecer. Se o conhecimento estiver ali, ele não aconteceu. ara isso, algumas preliminares têm de ser entendidas.

Em primeiro lugar, para que o autoconhecimento ocorra o eu não pode estar presente. Você tem de esquecer tudo relacionado ao seu ego. Precisa estar em um estado de ausência do ego.

Em segundo lugar, você tem de esquecer tudo sobre conhecimento também. Se você estiver continuamente desejando saber, esse próprio desejo vai impedi-lo de saber. A existência só se revela àqueles que não estão desejando nada, que não estão aspirando a nada - nem mesmo a conhecer Deus. Os mistérios só são revelados àqueles que simlesmente esperam, que não fazem exigências. Eles esperam com os olhos abertos, esperam com o coração aberto, mas sem exigências.

Sua exigência é basicamente orientada pelo ego. Por que você quer saber? Porque o conhecimento lhe proporciona poder. Tente entender isso. Conhecimento é poder. Quanto mais você sabe, mais poderoso se torna. O ego está sempre interessado em se tornar instruído. Se você tem conhecimentos sobre a natureza, torna-se poderoso em relação à natureza. Se você tem conhecimento sobre as pessoas, torna-se poderoso em relação às pessoas. Se você tem conhecimentos sobre sua própria mente, torna-se poderoso em relação à sua própria mente. Se você tem conhecimento sobre Deus, vai se tornar poderoso em relação a Deus. 

Bem no fundo, a busca de conhecimento é , na verdade, a busca de poder. E como você pode ser poderoso em relação à realidade? A própria ideia é ridícula. Permita que a realidade tenha poder sobre você...relaxe. E permita que a realidade tome posse de você, em vez de você tomar posse da realidade.

Para estar realmente em um estado de autoconhecimento, a pessoa tem de esquecer o eu e esquecer toda investigação relacionada ao autoconhecimento. Então, ele acontece! Só assim ele acontece.

Há três esforços em toda a história da consciência humana no que se refere ao autoconhecimento.
O primeiro esforço é o do realista. O realista nega o eu interior; ele diz que não há eu interior, não há sujeito; só o objeto existe, a coisa, a matéria, o mundo. Essa é sua maneira de evitar a jornada para dentro de si. A jornada de si é perigosa. A pessoa terá de perder tudo! O autoconhecimento e tudo o mais, as raízes e tudo o mais - a pessoa terá de perder tudo. O realista não pode correr este risco. Então ele encontra uma explicação: Ele diz: "Não há alma. Não há eu interior. Tudo o que existe no mundo são objetos." Então ele fica preocupado em conhecer os objetos. Ele esquece a subjetividade e passa a se ocupar da objetividade. É isso que a ciência vem fazendo há 300 anos. É uma maneira de fugir de si mesmo.

A segunda maneira é aquela do idealista, que diz que não há objeto; o mundo é maya, ilusão. Não há nada a conhecer lá fora; ele simplesmente fecha os olhos e vai para dentro de si. Só o conhecedor é verdadeiro - o conhecido é falso. O realista diz que apenas o conhecido é verdadeiro e o conhecedor é falso; o idealista diz que apenas o conhecedor é verdadeiro e o conhecido é falso. Veja o absurdo disso - como pode haver um conhecedor se não houver conhecido? E como pode haver um conhecido se não houver conhecedor?

Assim, o idealista e o realista está apenas escolhendo uma metade da realidade. Quanto à outra metade, eles são temerosos. O realista teme ir para dentro de si, porque ir para dentro de si significa penetrar no vazio, no total vazio. É cair em um poço sem fundo, em um abismo...imprevisível. Onde ele vai parar ninguém sabe, nem sequer se vai parar em algum lugar.

O realista teme o conhecedor e por isso o nega. Por medo ele diz que não existe: "Todo meu interesse é no conhecido, no objeto". E o idealista teme o objeto, o mundo, os encantamentos do mundo, a magia do mundo. Ele teme se perder nos desejos e nas paixões. Teme ficar envolvido em coisas - dinheiro, poder, prestígio. Tem tanto medo que diz: " Tudo é sonho. O mundo que está lá fora não é real. O mundo real é o mundo interior".
Mas ambos está sendo meio verdadeiros.(...)

E há a terceira maneira: a maneira do místico. Ele aceita ambas e rejeita ambas. Essa é minha maneira de ser. Ele aceita ambas porque diz: " Em um plano existem os dois - o conhecedor e o conhecido, o sujeito e o objeto, o interior e o exterior. Mas no outro plano, ambos desaparecem e só um permanece - que não é nem o conhecido nem o conhecedor."

A abordagem do místico é total. (...) Em um nível ambas abordagens estão corretas. Quando você está sonhando, o sonho é verdadeiro e o sonhador é verdadeiro. Agora o sonhador se foi e o sonho se foi - ambos se foram. Agora você está acordado. Agora você está existindo em um nível de consciência totalmente diferente.

O mundo é verdadeiro e o ego é verdadeiro quando a pessoa é ignorante inconsciente, alheia. Quando a pessoa se torna consciente, quando o estado búdico acontece, então não há o mundo nem o ego - ambos desapareceram. Mas "ambos desapareceram" não significa que nada tenha restado: ambos desapareceram um dentro do outro. Só um restou agora - não restaram dois. O conhecedor e o conhecido tornaram-se um só. 

Essa unidade é o que realmente significa autoconhecimento. Mas a palavra não é correta. Nenhuma palavra pode ser correta. Com relação às grande experiências que vão além da dualidade, nenhuma palavra pode ser correta.(...)

O terceiro método, o método do místico, é uma transcendência dos outros dois métodos. Ele não nega a realidade ao objeto, ele não nega a realidade ao sujeito - ele aceita a realidade de ambos. Ele as une.

Esse é o significado da famosa declaração dos Upanishads tat twam asi - tu és isso. Essa é uma fusão das duas esferas. Nessa fusão, o autoconhecimento acontece. O eu desaparece, o conhecimento desaparece - tudo fica claro. Não há ninguém para quem aquilo seja claro, e não há algo a ficar claro - mas tudo fica claro. Resta só a clareza, a claridade.
Isso é chamado pelos budistas de a terra de lótus de Buda.

Tudo é claro e fragrante, é belo e harmonioso. Então o esplendor abre suas portas.
O conhecimento é um fato seco, morto - não é a experiência úmida. E a experiência não é conhecimento, mas saber. Por isso Krishnamurti sempre usa a palavra "experienciar" em vez de "experiência". Ele está certo. Ele transforma o substantivo em verbo e o chama de experienciar. Lembre-se disso sempre: transforme os substantivos em verbos e você estará mais próximo da realidade.(...)

Se você conseguir entender que toda a vida é um verbo, não um substantivo, haverá um grande entendimento acompanhando-o.
Não há eu e não há o outro.(...)

O autoconhecimento é de grande importância. Nada mais é importante do que isso. Mas lembre-se destas duas ciladas: uma é negar a subjetividade e se tornar um realista; outra é negar a objetividade e se tornar um idealista. Evite essas duas ciladas. Ande exatamente no meio. E então você será surpreendido - o eu desapareceu, o conhecimento desapareceu. Mas então chega o saber. A grande luz desce e é uma luz que não apenas transforma você, como transforma todo o seu mundo.

Buda teria dito: "No momento em que me tornei iluminado, toda a existência se tornou iluminada para mim". 
Isso é verdade. Sou testemunha disso. É exatamente assim que acontece. Quando você se torna iluminado, toda a existência se torna repleta de luz e permanece repleta de luz.
Até a escuridão se torna luminosa, até mesmo a morte se torna uma nova maneira de viver."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento.

17 de novembro de 2013

Buda com cara de sol, Buda com cara de lua...


"Deter sua mente não quer dizer parar as atividades da mente. Quer dizer que sua mente impregna todo seu corpo. Com essa mente plena você forma o mudra com as mãos."

Nós dizemos que nossa prática deve ser feita sem idéia de ganho, sem nenhuma expectativa, nem sequer de iluminação. Todavia, isso não
significa sentar-se sem propósito algum. Essa forma de praticar, isenta de idéia de ganho, é baseada no Prajna Paramita Sutra .

No entanto, se você não tomar cuidado, o próprio Sutra lhe dará uma idéia de ganho. 

Ele diz: "Forma é vazio e vazio é forma". Mas se você se apegar a tal afirmação, estará sujeito a se envolver em idéias dualistas: em um lado está você, forma; em outro, o vazio que você está procurando perceber através de sua própria forma. 

Logo, "forma é vazio e vazio é forma", ainda é dualismo. 

Felizmente, nosso ensinamento prossegue afirmando: "Forma é forma e vazio é vazio". Aqui não há dualismo.

Durante o zazen, quando você tem dificuldade em deter a mente e, apesar disso, continua tentando pará-la, significa que você está no
estágio de "forma é vazio e vazio é forma". 

Contudo, essa forma dualista de prática o conduzirá a uma progressiva unidade com seu objetivo. E quando sua prática se realizar sem nenhum esforço, você poderá deter sua mente. Essa é a fase de "forma é forma e vazio é vazio".

Deter sua mente não quer dizer parar as atividades da mente. Quer dizer que sua mente impregna todo seu corpo. 
Sua mente segue a respiração. 
Com essa mente plena você forma o mudra com as mãos. Com essa mente total você se senta com as pernas doloridas, sem se deixar perturbar por elas. Isso é sentar- se sem nenhuma idéia de ganho. No início, pode se sentir tolhi- do em sua postura, mas quando não se deixar perturbar por essa limitação, você terá encontrado o significado de "vazio é vazio e forma é forma". 

Portanto, encontrar seu próprio caminho em meio às restrições é o caminho da prática.

Prática não quer dizer que qualquer coisa que você faça, até mesmo ficar deitado, seja zazen. 

Prática é quando as restrições não o limitam. Se você diz "qualquer coisa que eu faça é de natureza búdica, portanto, não importa o que eu faça e, assim, não há necessidade de praticar zazen", isto já é um entendimento dualista da nossa vida diária. 

Se de fato não importasse, nem sequer haveria necessidade de o dizer. Enquanto importar aqui- lo que se faz, haverá dualismo. Se você não estivesse realmente se importando com aquilo que está fazendo, não o mencionaria.

 Ao sentar-se estará simplesmente sentando-se, nada mais. Ao comer estará apenas comendo. É só isso. Se você diz "não tem importância", significa que está se justificando por fazer uma coisa à maneira da mente pequena. Significa que você está apegado a alguma idéia ou coisa em particular. Não é isso o que queremos dizer com "basta apenas sentar-se" ou "qualquer coisa que você faça é zazen". Certamente, qualquer coisa que façamos é zazen, mas, se de fato é, não há necessidade de o dizer.

Ao sentar-se você deve simplesmente sentar-se, sem se deixar perturbar pela dor nas pernas ou pelo sono. Isso é zazen. Mas no começo é
muito difícil aceitar as coisas como elas são. Você fica incomodado com o que sente durante sua prática. 

"Forma é forma e vazio é vazio" quer dizer ser capaz de fazer todas as coisas, sejam boas ou más, sem se perturbar ou aborrecer com seu sentir.

Quando alguém sofre de uma doença como o câncer e se dá conta de que não viverá mais do que dois ou três anos, e passa a procurar algo
em que se apoiar, pode começar a praticar. Uma pessoa poderá se apoiar na ajuda de Deus. Outra, começar a praticar zazen. Neste caso, a prática se concentrará em obter o vazio da mente. O que significa que a pessoa estará tentando se livrar do sofrimento da dualidade. 

Essa é a prática de "forma é vazio e vazio é forma". Por causa da realidade do vazio é que a pessoa quer ter essa experiência em sua vida. Praticar dessa maneira, acreditando e esforçando-se, a ajudará, mas não é a prática perfeita.

Sabendo que a vida é curta, aproveitá-la cada dia, cada hora, cada minuto é a vida de "forma é forma e vazio é vazio". 

Quando o Buda aparecer, você o receberá. Quando o diabo aparecer, você o receberá. 

O famoso mestre Zen chinês Ummon dizia: "Buda com cara de sol" e "Buda com cara de lua". 

Quando estava doente e alguém lhe perguntava "como está você?", ele respondia: "Buda com cara de sol e Buda com cara de lua". Essa é a vida de "forma é forma e vazio é vazio". Não há problema. Um ano de vida é bom. Cem anos de vida também são. Se persistir na sua prática, você alcançará esse estágio.

No início terá alguns problemas e precisará de esforço para continuar a prática. Para o principiante, prática sem esforço não é
verdadeira prática. Para ele, a prática requer um grande esforço. Principalmente para os jovens, é necessário muito esforço para conseguir alguma coisa. Você deve esticar pernas e braços o máximo possível. 

Forma é forma. Você tem de ser fiel ao seu próprio caminho até, por fim, chegar ao ponto de ver que é necessário esquecer tudo sobre você mesmo. Até chegar a esse ponto, é errado pensar que tudo o que fizer é Zen ou que não impor- ta se você pratica ou não. Mas, se você puser seu melhor esforço em continuar a prática, com todo seu corpo e sua mente, sem nenhuma idéia de ganho, então, seja o que for que esteja fazendo, será prática verdadeira. Seu propósito deve ser o de manter a continuidade. 

Ao fazer algo, apenas fazê-lo deve ser seu único propósito. 
Forma é forma e você é você, e a realidade do vazio será alcançada em sua prática."
Shunryu Suzuki em Mente Zen - Mente de principiante

16 de novembro de 2013

Unidade Orgânica - Osho


"Eu estou num estado de deixar as coisas acontecerem totalmente por elas mesmas. 

Sim, coisas acontecem ao meu redor. Mas eu não posso ficar com o crédito por essas coisas, porque eu não fiz coisa alguma.

As pessoas vêm conhecer pela primeira vez
os mistérios do amor e da vida. 

As pessoas entram em sua própria interioridade, em sua subjetividade, onde elas encontram a si mesmas. 

E este é o maior milagre no mundo:
encontrar a si mesmo.

As pessoas se tornam silenciosas, serenas,
calmas e quietas. As pessoas se tornam uma unidade orgânica. 

Uma profunda harmonia acontece a elas e toda a vida delas fica ressoando música e poesia. 

Eu tenho visto paralíticos ganhando força
e entregando-se à dança. E quase todo mundo se torna paralítico devido à sociedade. E dançam até o ponto em que o dançarino desaparece e somente a dança continua. 

Cantam até o ponto em que o cantor desaparece e somente a canção continua. 

Esses são os momentos em que as portas do
divino se abrem. Estes são os momentos em que você não é mais um ser comum, você se torna parte da plenitude, do ser universal. 

Eu tenho sido um observador aqui. Eu vi
você mudar da morte para a vida, eu vi você mudar da escuridão para a luz, eu a vi mudar de uma vida de mentiras para a glória da verdade. 

Mas eu sou um observador, eu não sou um fazedor. 

Todo o crédito vai para a própria existência."
Osho em O Livro dos Segredos 

***

Sempre acreditamos que somos os "fazedores", os "realizadores"; mas se investigarmos profundamente esta afirmação veremos que esta não é a verdade. 
A energia que nos move não nos pertence. 

A vida flui através de nós e nos impulsiona a fazer, dizer, pensar, realizar, ou seja, a dimensão fundamental é a Vida, que realiza através de nós

Somos a sua aparência, sua manifestação na dimensão da matéria, mas todo o crédito deve ser dado a existência, a Deus.

Quando essa consciência nos é revelada, passamos a desfrutar dessa imensa beleza, passamos a relaxar na vida e no viver e ao mesmo tempo perceber toda a engrenagem se revelando bem diante dos olhos e do coração... 

O Jogo cósmico se desdobrando, sem começo nem fim, 
em pura presença-amor...

Amidha Prem
Related Posts with Thumbnails