3 de novembro de 2013

Reflexos do Absoluto...


Recentemente recebi um email de um amigo e seguidor do blog, com esse questionamento, e hoje compartilho com vocês.
"Amidha, sempre que ouço sobre o "despertar da consciência", me vem a sensação de que isso acaba sendo como uma "bolha cor-de-rosa" de felicidade gratuita, e que as pessoas se alienam da vida cotidiana e passam a ser assim meio "aéreas"... O que você me diz disso?"

_ Primeiro, acho engraçada a imagem que você coloca, "bolha cor-de-rosa"...como se o despertar te tirasse do mundo, ou que "criasse" um mundo cor de rosa, onde não existem desafios, experiências, não existem ensinamentos... 
Pelo que você coloca, isso não tem nada a ver com despertar, mas em sonhar, só que agora, um sonho cor de rosa alienado do mundo e da vida real... 

Não, na verdade o despertar é a compreensão da realidade, da vida prática. 

A conscientização primordial de quem somos nós, ( e que não somos pessoas auto-suficientes, isoladas, desconectadas ) mas sim que, sempre fomos a Totalidade, a Existência, Deus acontecendo nos mínimos detalhes, só isso já muda totalmente a visão "sonhadora" da vida. 
Em um único momento é possível enxergar a totalidade em cada detalhe, em cada cena, inclusive em tudo aquilo que antigamente classificávamos de "problemas", "obstáculos"; a partir dessa consciência tudo se derrete literalmente, e não existe nada mais que não seja a Totalidade. Só o Todo É.

Seja no corpo, na mente, emoções, pensamentos, em mim, em você, na montanha, no campo, na cidade, no riso, na lágrima, no engarrafamento, na fila do banco, na escola, no fundo do mar, não importa.. na verdade as "bolhas" são todas elas estouradas, e as "cores" todas elas incluídas e misturadas... rs

Na existência não existem realmente tais coisas como: erro, acerto, falta, divisão, separação, limites, fronteiras.. tudo isso são criações da mente humana. E justamente por criar estes conceitos e acreditar neles, a mente os utiliza como realidades, mas nunca foram.

Uma vez que tudo é uma Unidade orgânica, sem começo nem fim, sem partes nem divisões, sem sujeito nem objeto, sem limites nem bordas, sem isso nem aquilo, - onde o "isso" e o "aquilo" são a mesma consciência acontecendo -, como posso dizer que o despertar vai me "tirar da realidade"

Pelo contrário, no despertar descubro que eu sou a realidade, e a realidade sou eu; Nunca houve uma realidade separada de mim. E só existe realidade porque existe a consciência presente, para observá-la.

Ramesh usa uma imagem muito linda, quando diz que a mente é como uma lente, que vai de ponto em ponto, descobrindo a Existência. O filme cósmico já está pronto, como nos diz Ramesh, mas a câmera da mente precisa conhecer cena por cena, através do tempo.

O mundo é a mente, e a mente é o mundo. 
Mente é tempo, e é por causa da mente que o tempo existe. Sem mente, o tempo também deixa de existir, pois na dimensão da consciência é sempre presente; Sempre o agora, em puro êxtase do instante.
É por isso que os mestres nos dizem que o mundo é o "reflexo" do absoluto, pois é ele que "ilumina" tudo o que há. 

O despertar espiritual é a realização dessa dimensão além da mente, a realização da dimensão da consciência plena, não mais identificada, não mais presa a formas, nem a pensamentos, nem a qualquer conceito. 

A simples realização de que tudo acontece... mesmo sem compreendermos nada, tudo simplesmente acontece. A inteligência universal "dá um jeito" de fazer a coisa toda acontecer da maneira como tem que ser. 
Essa é a luz que Jesus nos trouxe quando disse: Pai seja feita a Vossa vontade. A vontade de Deus ( da Existência ) é soberana... sempre...

Acho que é isso que confundiu você, quando você diz da "alienação" em relação a vida.
Não se trata de alienação, mas de um profundo relaxamento e de uma profunda confiança. No momento em que você compreende que a grande engrenagem cósmica está acontecendo como tem que ser, que tudo transcorre em um milimétrico ritmo de vida e perfeição, onde tudo está incluído, até mesmo todas as chamadas "imperfeições" e todas as possibilidades, o que acontece a partir dessa consciência, é um profundo relaxamento, uma entrega e uma confiança profunda na vida, em Deus, na Existência.

Nós somos a Totalidade acontecendo na partícula. 
A Totalidade é a partícula, e a partícula é a totalidade, não são duas coisas separadas... Como diz o Osho, você pode provar a água do mar em qualquer lugar, ela é sempre salgada.. Isso nos mostra a unicidade da existência não importando onde, nem como... a unidade é a realidade...

Realizar isso, acaba com qualquer queixa, qualquer discurso da mente que se rebela contra a vida, contra qualquer coisas que seja, ou se orgulha de qualquer coisa também. Vive-se, sem culpa, nem orgulho, sem falta, sem estranhezas, sem divisões; tudo é reconhecido como próprio, e ao mesmo tempo, impermanente...  
Se tudo é Um, e tudo está incluído, só me resta relaxar e usufruir dessa maravilha que se chama vida... seja lá como for...

Tudo toma uma dimensão de divindade, tudo passa a ser a revelação da Totalidade para si mesma... e isso acontece no coração acolhedor de cada um de nós...

Despertar é isso. 
Acordar do sonho da separação, da divisão, e reconhecer que o Absoluto se revela no mundo, em cada ser, a cada instante...seja no mundo objetivo, seja no subjetivo, é o Absoluto sempre, se revelando...
O Absoluto se derrama no mundo, como chuva de verão...
Nesta consciência, nada mais nos resta que, o silencio amoroso e a celebração...
Amor
Amidha Prem

4 comentários:

  1. Parabéns pela lucidez, do texto.

    como as palavras são importantes...... eu traduziria seu texto com simplesmente

    SER


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    1. Gratidão Waldson! Isto mesmo... Simplesmente SER...
      Namaste!

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  2. Realmente, excelente explanação do que significa simplesmente ser.
    Bela exteriorização da percepção abrangida em sua consciência.
    Texto digno de ser divulgado!

    Namastê!

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