4 de novembro de 2013

O Eterno Desconhecido - Osho


"A profundidade do seu ser é indefinível. 
Ela não tem nome, não tem forma. O mais íntimo do seu ser é sempre desconhecido e misterioso. 

Sócrates disse: "Conhece-te a ti mesmo"! Não que você possa conhecer. Ele estava dizendo: "Tente conhecer a ti mesmo e um dia saberá que isso é impossível". E quando você chega a um ponto em que todo o conhecimento desaparece e você fica em profunda ignorância diante de si mesmo, essa é a mais bela experiência, o mais belo êxtase.

Apenas pense: se você pudesse conhecer a si mesmo, pelo conhecimento você se tornaria limitado. Você se tornaria uma mercadoria. Conhecendo a si mesmo você não seria feliz; você se tornaria comum. 
Uma vez que se conhecesse teria acabado consigo mesmo. Então o que faria com isso? Terminaria a busca e você ficaria entediado consigo mesmo.

Seu ser é um mistério. Quanto mais você o conhece, menos o conhece. Quanto mais fundo você entra, mais vê o infinito. A profundidade é tal que você não consegue tocar seu fundo - nunca. As pessoas que acham que conhecem a si mesmas são muito superficiais. As pessoas profundas sempre tomam conhecimento de algo desconhecido. E isto é belo porque o desconhecido está sempre vivo, o desconhecido é sempre infinito. O desconhecido é eterno. (...)

Marco Aurélio disse: " Seja você mesmo!". Isso é melhor.Conhecer a si mesmo é impossível, mas ser você mesmo é possível. Não há necessidade de se conhecer. Apenas de ser. O conhecimento é irrelevante; ser é suficiente. Apenas SEJA você mesmo.

Portanto, não tente encontrar uma definição do seu ser. Isso é impossível. Vivê-lo, você pode; conhecê-lo, você não pode. Mas por que nos incomodamos em conhecer? Ser não é suficiente?

Há um impulso, um anseio profundo, uma curiosidade para abrir e conhecer cada mistério. Mas esse anseio esvai-se quando você se move para dentro. Se você se move para fora, esse anseio pode ser preenchido - um pouco. (...)
Quanto mais fundo você vai, mais o conhecimento se torna abalado. Quando mais fundo você vai, tudo se torna mais confuso. (...)

Eddington disse: "Quando olho para o mundo, ele não parece um mecanismos, ao contrário ele parece um pensamento. Muito misterioso." (...) Se ele tivesse vivido um pouco mais, certamente teria dito: "Agora nem sequer com um pensamento ele se parece, porque um pensamento tem uma estrutura lógica. Ele parece um poema ou uma canção." E uma canção como aquela que os pássaros cantam pela manhã - bela, mas você não consegue extrair algo dela. É bela e sem significado. Incrívelmente bela, e pode ser desfrutada. Mas e quanto ao seu significado? Não tem nenhum.

Esta é minha compreensão, a menos que você consiga desfrutar o que não tem significado, jamais se tornará religioso. Para mim, Deus é a beleza sem significado que nos cerca, o canto sem significado que é ouvido em toda parte; o murmúrio sem significado do riacho, o sussurro sem significado dos ventos, o silêncio sem significado das estrelas. Incrívelmente belos, mas sem significado. Por que eu digo sem significado? Porque é um mistério.

Uma coisa permanece sem significado a menos que seja conhecida. Quando você a conhece, ela passa a ter significado. E eu lhe digo: as estrelas são misteriosas, mas não são nada em comparação com seu ser interior. Os rios são misteriosos, mas não são nada em comparação com seu fluxo interno de consciência. Os Himalaias são misteriosos, mas não são nada em comparação com seus planos internos de êxtase.

Ser, em vez de conhecer. (...)
Tente conhecer a si mesmo. Você nunca conseguirá, mas pouco a pouco, deixará a busca do conhecimento e começará a ser.
Conhecer é filosofia.
Ser é religião."
Osho em Inocência, conhecimento e encantamento.

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