31 de maio de 2012

O Espaço e o Vento - Mooji


"Participante: Eu gostaria de ser o Buda brasileiro que você falou ontem, mas..a minha mente é muito ativa, ainda... É normal se passar por uma fase, quando a gente já sente o observador, um sentimento muito constante de nostalgia e solidão? É a mente que sente essa solidão ou é o observador?

Mooji: Boa pergunta. Primeiramente tenho boas notícias para você, mesmo se sua mente esteja ocupada, cheia, isso não significa que você não possa ser livre. A maioria das pessoas dispensa muito esforço para controlar ou apaziguar a mente, a maioria falha ou tem um sucesso limitado.
O mais importante é realizar que a mente em si mesma, é irreal. Isso é uma descoberta revolucionária, porque todos acreditamos na mente.
A mente é seu computador pessoal. Você o toma como referência para qualquer coisa. Até mesmo para a Verdade, você se refere a mente.
Nós damos uma importância tremenda para mente. Nem existe algo chamado "sua mente", há somente "mente". A "sua mente" é a sua identificação com a mente, que te dá uma sensação de ter uma mente particular. Então, você diz: Minha mente está agitada, está se movendo constantemente, mas o Buda não tem uma mente agitada, então, eu ainda não sou o Buda. Isto acontece porque você põe o foco na mente que se move, ao invés daquele que está consciente da mente que se move.

Você não pode ser a mente que se move.
Você não pode ser nem a mente apaziguada.
Porque você é aquilo que testemunha o movimento ou a calma da mente.
Me questiono se vocês estão me acompanhando... todos estão preocupados em manipular a mente.

O Self é como espaço, mente é como o vento...é da natureza do vento mover-se. Espaço não se move. O vento não existe sem o espaço, mas o espaço existe com ou sem o vento. O espaço não é afetado pelo movimento do vento, nem que seja um tornado.

O Self é como espaço.
Mente e pensamentos são como o vento.

Deixe os ventos da mente se moverem como bem quiserem..quem pode controlar o vento?
Por acaso o espaço briga com o vento?
O espaço sofre com o movimento do vento?
Você enquanto observador dessa mente que se move como o vento, você não se move... mas quando você se identifica com essa mente que se move, você sente como se estivesse se movendo...
A isso chama-se : Esquecer a sua natureza original, e é isso que causa sofrimento."
Mooji em Satsang

Como uma grande árvore - Amandamay


"Mantém o teu pensamento em coisas divinas. Tenta viver uma vida simples, ou seja, estabelece-te em virtude e em bondade.

Seja generoso como uma grande árvore, que não chama ninguém, nem manda ninguém embora. Dá abrigo a todos que querem aproveitar; seja homem, mulher,criança ou um animal.

Se você sentar-se debaixo de uma árvore, ela irá protegê-lo da inclemência do tempo, do tórrido sol, assim como da torrencial chuva, e irá dar-lhe flores e frutos.

Seja um ser humano que desfruta delas, ou um pássaro que as aprecia, pouco importa para a árvore; seu produto está lá, para qualquer um que chegue e pegue-o. E por último, porém, não menos importante, ela dá a si mesma.

Muitos sentem a necessidade de criar um mundo novo e melhor. Em vez de permitir que seus pensamentos se demorem nestes assuntos, você deveria concentrar Naquele em cuja contemplação está a esperança da perfeita paz. É dever do homem procurar Deus ou a verdade.

O dia que acabou nunca mais voltará. Faz o melhor uso de cada precioso momento dedicando-te à realização do teu próprio Eu.

Apegue-se ao Bem, renuncie ao que não é senão prazer. Sorria o mais que puder. Fazendo isto, todos os nós rígidos no seu corpo serão afrouxados. Tornando seus os interesses das outras pessoas, busque refúgio a seus pés com total entrega. Então você verá o quanto o riso que flui do seu coração irá iluminar o mundo.

O homem não é senão o Ser Eterno, mas erroneamente, ele se vê como uma individualidade separada centrada em seu corpo e identificada por um determinado nome.

O sofrimento é enviado para que você não se esqueça de voltar seus pensamentos para Aquilo que é real: Deus.
Permaneça sempre calmo e não se esqueça de que tudo o que Deus faz a qualquer tempo é benéfico. Por que se inquietar, se no curso dos eventos, as circunstâncias se modificam? Tudo o que acontece a todo instante ocorre de acordo com a Sua vontade.

Por que existem religiões diferentes e tanto conflito entre elas? A controvérsia faz parte da trajetória, mas, na verdade, todos estão em sua própria casa. O mesmo caminho não é para todo mundo. Mesmo dentro de uma família, cada filho tem inclinações diferentes.

Cada pessoa em busca espiritual é moldada em um caminho único, mas todas precisarão passar pelo portão da verdade.
Seja qual for a situação em que Deus o colocar a qualquer instante, lembre-se de que é o que há de melhor. Procure atravessar a vida entregando de volta o seu fardo em Suas mãos. Ele é o Protetor, o Guia. Ele é tudo em tudo!

Vocês lamentam e choram quando uma pessoa vai para uma outra sala da casa? A morte está inevitavelmente conectada à vida. Na esfera da imortalidade, que significado tem a perda e a morte? Ninguém está perdido para mim.
Você já fez tanto no mundo da ação! Agora esforce-se para consagrar inteiramente seu espírito ao Eterno. Não perca um tempo precioso. "
Amandamay Ma - Ensinamentos

29 de maio de 2012

Ramesh responde - 2a


Pergunta: Você pergunta frequentemente: “quem está aprisionado?” “Quem está buscando?” Eu gostaria de fazer a mesma pergunta para você.
Ramesh: É a consciência individual ou pessoal que está buscando sua fonte. A consciência, tendo identificado a si mesma num “eu” pessoal, está agora tentando recuperar sua impessoalidade. Isso é tudo que está acontecendo. E o processo torna-se mais rápido quando a mente não interfere, quando o “eu” não está presente, apenas o eu, o Eu Subjetivo está presente.

O sábio Ashtavakra nos diz o que é o aprisionamento.
Ele diz: “Significa aprisionamento quando a mente deseja algo ou se aflige por algo. Significa liberação quando a mente não deseja ou se aflige, não aceita ou rejeita, não sente-se feliz ou infeliz.”

Agora, a mente humana treinada e condicionada como é, prontamente diz: “Eu não posso desejar nada, não devo rejeitar nada.” Mas a mente é incapaz de perceber que esse não-desejar algo inclui desejar o conhecimento de sua verdadeira natureza. Desejo não significa apenas desejar algum objeto mas mesmo o desejo pela iluminação. A necessidade de saber, de ter o conhecimento de sua verdadeira natureza, mesmo isso é um desejo e esse desejo acontece através do “eu”.
Significa aprisionamento quando a mente deseja algo ou se aflige por algo. A mente deseja a iluminação e se aflige pelo fato que ela ainda não se iluminou. “Eu” estou nisso a dez, doze, vinte e cinco anos e ainda assim nada está acontecendo!” A mente se aflige por esse “não acontecer”.

A mente deseja ou quer algum acontecimento e se aflige pelo não acontecimento desse evento. Significa liberação quando a mente não deseja, quer ou se aflige, quando a mente está vazia, quando a mente está aberta. A mente vazia não é a mente vazia de um idiota, é uma mente aberta, o mais alerta que a mente possa estar, porque ela não está condicionada. Não está querendo nada, não está preenchida de coisa nenhuma. Não há ninguém em casa. A mente está vazia. Ela não rejeita ou aceita, não sente feliz ou infeliz.

Em seguida, Ashtavakra diz: “ Significa aprisionamento quando a mente está apegada a qualquer experiência sensorial. É liberação quando a mente está desapegada de todas as experiências sensoriais.” Novamente ele coloca isso de uma maneira tão breve. Ele não
forçou-se a explicar. O sábio quer que o suposto buscador descubra isso por si mesmo. Ele não está dizendo que a experiência sensorial não surgirá. Ele não está dizendo que a iluminação impede o surgimento de qualquer experiência sensorial.

O surgimento de uma experiência, de um evento, está totalmente fora do controle de qualquer organismo corpo-mente, tenha a iluminação acontecido ou não. Portanto, não é que o sábio recusa toda experiência sensorial, ela está lá. A experiência sensorial é experimentada mas a mente não está apegada àquela experiência sensorial. Ela acontece e termina. E qualquer experiência é sempre no momento presente. Qualquer experiência boa ou ruim, prazerosa ou não-prazerosa, é sempre no momento presente. Toda experiência é uma experiência impessoal.

A experiência impessoal perde sua impessoalidade quando a mente-intelecto aceita essa experiência como sendo dela própria, aceita-a ou rejeita-a como boa ou ruim. Se é prazerosa ela quer que essa experiência venha mais frequentemente. Se for ruim ela rejeita-a, ela não quer. Portanto, o apego a uma experiência acontece sempre no tempo, na duração. A experiência impessoal, que é a experiência do sábio, é sempre no momento presente e quando essa experiência se vai a mente não pensa mais sobre ela. A mente está totalmente desapegada. A experiência é vista como uma experiência impessoal e naquele momento ela é terminada. A liberação é quando a mente está desapegada de todas as experiências sensoriais.

Por último Ashtavakra diz: “Quando o 'eu' está presente é aprisionamento. Quando o 'eu' não está lá é liberação. Sabendo disso o sábio mantém-se aberto para o que quer que a vida possa trazer, sem aceitar e sem rejeitar isso.”

P: Esse sentimento íntimo e próximo que tenho de “eu”, ele de fato dissolve?
Ramesh: Ele dissolve, mas quem vai testemunhar essa dissolução? Você vê o que quero dizer? Ele de fato dissolve, portanto o que dissolve é o próprio “eu”. Quem é que sabe que o “eu” dissolveu? É apenas o “eu” que poderia experimentar isso.

P: Então o “eu” vai ir e vir e depois terminará?
Ramesh: Sim. E enquanto o “eu” vai e vem, o estado de testemunhar acontece. O “eu” é a mente, portanto, a mente não pode observar a si mesma. Se a mente observar sua própria operação, então sempre haverá comparação e julgamento: “Isso é bom, isso é ruim, isso é tal e
tal.” Isso não é testemunhar.

Testemunhar é meramente observar um evento ou um pensamento ou uma emoção conforme surjam, sem fazer nenhuma comparação, sem nenhum julgamento, meramente testemunhar.

O testemunhar é impessoal e é vertical, portanto ele corta o envolvimento horizontal.

Conforme o “eu” diminuir, o testemunhar irá acontecer mais frequentemente e por períodos mais longos. De repente chegará o momento em que as reações não mais acontecerão para um evento ou um pensamento, onde haverá um sentimento de paz, de bem-estar, mas não haverá “alguém” para sentir esse bem-estar. Não é que o “eu” repentinamente dirá: “Ah, eu desapareci!” Quem estará lá para dizer que desapareceu?
P: Mas ele dissolve?
Ramesh: Sim, mas não é se você quiser que ele dissolva."
Ramesh Balsekar em Consciousness Speaks

Ramesh responde - 1a


"Pergunta: Existe Consciência no espaço físico entre você e eu?
Ramesh: Tudo o que existe é a Consciência. Você e eu somos meros objetos projetados neste espaço. Tudo o que há é a Consciência. O espaço e o tempo são meros conceitos, um mecanismo para os objetos serem estendidos. Para os objetos tri-dimensionais serem estendidos o espaço é necessário. E o tempo é necessário para os objetos serem observados. A menos que aquele objeto seja observado, ele não existe.
Então o espaço e o tempo são meramente conceitos, um mecanismo, criado para esta manifestação acontecer e ser observada.
É incrível o quanto nos últimos poucos anos, comparativamente, a ciência deslanchou. A ciência diz a mesma coisa. Ela diz que o tempo e o espaço não são reais. Acho que foi o Sr. Fred Hoyle que disse: “Se você pensa que há um passado indo para o futuro ou futuro indo para o passo, você não poderia estar mais errado. Não pode existir tal fluxo. Está tudo aí, agora.”

A metáfora mais próxima que posso sugerir é esta: Se há uma pintura de uma milha de comprimento e dez andares de altura, está tudo lá, mas para você poder vê-la do início até o fim levaria algum tempo. Porque não conseguimos ver a figura toda num relance, a mente humana não é capaz disso, pensamos em termos de tempo. Mas a coisa toda está aí.

Pergunta: E como você disse, não vemos a figura toda, estamos vendo apenas uma pequena parte dela.
Ramesh: Parte por parte. Então até você chegar ao fim o tempo transcorreu. O conceito de tempo transcorreu.

P: Então, na realidade estamos limitados pelo tempo e o espaço?
Ramesh: Correto. Limitados pelo tempo, pelo espaço e pelo intelecto.

P: Há um ditado Zen: “Quando você carrega água, carregue água.”
Ramesh: Sim! Assim como um mestre Zen que disse: “Se você quer a iluminação vá lavar os pratos.” O que quer dizer que quando você lavar os pratos, não lave-os com suas mãos enquanto sua mente está vagando por toda parte.

P: Com ressentimento.
Ramesh: Isso não é lavar pratos. O sábio, o homem de sabedoria, tem uma atitude básica de trabalho e de vida de uma confiança respeitosa com relação à natureza e à natureza humana, a despeito das guerras, das revoluções, da fome, do aumento da criminalidade e todos os tipos de horrores. Ele não está preocupado com a noção de um pecado original e nem tem o sentimento de que a existência, samsara mesmo, é um desastre. Seu entendimento básico tem a premissa de que se você não pode confiar na natureza e nas outras pessoas, você não pode confiar em você mesmo.
Sem essa confiança como pano de fundo, uma fé no funcionamento da Totalidade, em todo o sistema da natureza, ficamos simplesmente paralisados. Afinal, não é realmente uma questão de você estando de um lado e a confiança na natureza de outro. Na verdade é uma questão de perceber que nós e a natureza somos um e o mesmo processo, não entidades separadas. Você não pode omitir um inteiro sem perturbar o sistema todo.
Em outras palavras, o universo é um processo orgânico e relacional, não um mecanismo. Ele não é de maneira nenhuma análogo a uma hierarquia política ou militar onde há um comandante supremo. Ele é múltiplo, uma rede multi-dimensional de jóias, cada uma contendo o reflexo de todas as outras. É assim que o universo tem sido descrito. Cada jóia é uma coisa-evento e entre uma coisa-evento e outra não há obstrução. A mútua interpenetração e interdependência de tudo no universo. É por isso que o Chinês diz: “Arranque uma folha de grama e você chacoalhará o universo.”
O princípio básico dessa visão orgânica do universo é que o cosmos está implícito em cada membro dele e cada ponto dele pode ser considerado como um centro. A compreensão perfeita é um holofote de luz no universo todo em seu funcionamento, exibindo-o como uma harmonia de padrões intrincados. Enquanto que a visão-lanterna da mente dividida da entidade individual ilusória vê apenas cada padrão por si mesmo, parte por parte, e conclui que o universo é uma massa de conflito. É uma visão-lanterna limitada que daria um senso de horror ao normal fenômeno universal de uma espécie no mundo biológico sendo a comida de outra. A perspectiva mais ampla, a do holofote, é a compreensão perfeita e ela veria as coisas como elas são.
O nascimento e a morte não são nada além de integração e desintegração, o aparecimento e o subsequente desaparecimento dos objetos fenomenais na manifestação. A compreensão verdadeira, a apercepção, inclui a compreensão de que não existe separação entre a compreensão e a ação.

P: A utilização do termo “evolução espiritual” pressupõe um envolvimento com o tempo.
Ramesh: De fato, é claro. Todo o processo é na fenomenalidade tempo-espaço.

P: O que é isso que está envolvido com o tempo, é o mecanismo corpo-mente?
Ramesh: Não. O que está envolvido no tempo-espaço é a Consciência identificada, a Consciência que deliberadamente identificou-se com um organismo individual.

P: Por que isso ocorreu?
Ramesh: Para que esse lila, esse jogo, esse sonho cósmico pudesse acontecer. Esse processo de identificação é contínuo. Novas criaturas, novos seres humanos estão constantemente sendo criados e neles a identificação acontece. Essa identificação prossegue num processo de evolução. Em algum ponto a mente volta-se para dentro e o processo de desidentificação se inicia. Esse processo leva muito tempo e muitos nascimentos. Todo o jogo é identificação, depois a mente volta-se para o interior e então dá-se o processo de desidentificação. Saiba você, tudo isso é um conceito, mas pode ajudar a trazer a compreensão final.

P: Esse voltar-se para dentro é um meio de ignorar o ego?
Ramesh: Não. O voltar-se para o interior pode apenas acontecer, você vê. O voltar-se para dentro é esse processo de evolução espiritual. A evolução ocorre em todas as coisas. Há a evolução física, há a evolução na música, na arte, na ciência e há evolução espiritual.
Nessa evolução espiritual, há primeiro a identificação que ocorre através de muitos milhares de organismos corpo-mente. Quero dizer, poderiam ser centenas de milhares ou milhões, esse não é o ponto mas é que ocorre através de diversos organismos corpo-mente. E num certo organismo corpo-mente o voltar-se para dentro irá acontecer. Um pensamento ocorre ou um evento ocorre ou algo acontece, e com isso como uma aparente causa, a mente volta-se para dentro. E em vez da mente ir para fora, querendo mais e mais objetos materiais, a mente volta-se para dentro e quer conhecer sua natureza real: “Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Qual é o sentido da vida?”
Então o processo de desidentificação começa. A busca espiritual nessa evolução começa com a mente voltando-se para dentro e o indivíduo começando a buscar. E essa busca, que na verdade é o processo de desidentificação, continua através de vários processos na evolução. De um tipo de busca você vai para outro tipo de busca e passa por muitas frustrações, até que finalmente há uma compreensão repentina de que nenhum “indivíduo” jamais pode ser iluminado. A iluminação, sendo um acontecimento impessoal, pode acontecer apenas através de um objeto. Para qualquer evento poder acontecer um objeto é necessário. Assim, quando a iluminação está para acontecer um organismo corpo-mente que está pronto para receber essa iluminação é criado nesta evolução. Ele tem as características físicas, mentais, temperamentais, que tornam esse organismo corpo-mente capaz de receber a iluminação. E esse próprio organismo corpo-mente é um processo de evolução.
O início dessa compreensão, na duração, é a aceitação de que a iluminação pode não acontecer através deste organismo corpo-mente.

Para um buscador é uma coisa muito difícil de aceitar, para um indivíduo buscador, mas esse é um marco importante nesse processo na dualidade. Então um “abrir mão” acontece e há um tremendo sentido de liberdade. “Se eu não posso ter a iluminação e se um objeto não pode ser iluminado, o que estou buscando?”
De modo que esse “abrir mão” acontece e essa identificação com este corpo-mente, esse “eu”, fica mais fraca. Mas um certo salto quântico acontece no processo. E o salto quântico final, que está logo antes da iluminação, é este: “não há mais busca, não há mais preocupação se a iluminação vai acontecer ou não.” Quando essa aceitação surge, o “eu” praticamente já se foi. Porque é o “eu” que é o buscador, não o organismo corpo-mente. O organismo por si mesmo é apenas um objeto inerte, necessário para a iluminação acontecer.

P: O “eu” é o “eu” enquanto houver o buscador, correto?
RItálicoamesh: Sim, correto. Então quando a busca desaparece, o “eu” buscador também desaparece.

P: Então, esse é o ponto final, a evolução de “eu”?
Ramesh: Sim. O “eu” evolui, mas não esse “eu”.

P: Sei, quero dizer coletivamente.
Ramesh: Sim, como disse, um “eu” chamado Albert Einstein foi evoluído para a teoria da relatividade. Mas apenas para a teoria da relatividade. Para uma subsequente evolução na ciência, outros corpos-mentes foram criados. Einstein não estava pronto para aceitar o desenvolvimento ulterior da teoria quântica. Ele não podia aceitar a teoria da incerteza de Heisenberg. Einstein disse que essa teoria da incerteza significava que “Deus estava jogando dados com o universo.” Ele disse que ele não podia aceitar que Deus estava jogando dados com o universo. Neil Borg respondeu: “Deus não está jogando dados com o universo. Nós pensamos isso porque não temos todas as informações que Deus tem!” [ continua...]
Ramesh Balsekar em Consciousness Speaks

28 de maio de 2012

O Céu está disponível...


"Normalmente dizemos que respiramos, e isso não é verdadeiro - a vida respira por nós. Mas continuamos a nos considerar agentes, e isso cria o problema. Quando você fica controlando, excessivamente controlando, não permite que a vida lhe aconteça. Você impõe demasiadas condições e a vida não pode satisfazer nenhuma;

A vida lhe acontece somente quando você a aceita incondicionalmente e está disposto a dar-lhe as boas vindas, não importa a forma que ela tome. Mas uma pessoa muito controlada está sempre querendo que a vida chegue de uma certa forma e a vida não se importa; ela simplesmente não leva em conta pessoas como essa;

Quando mais cedo quebrar o confinamento do controle, melhor porque todo o controle é da mente.
E você é maior do que a mente.
Uma pequena parte está tentando dominar, tentando dar ordens. A vida segue em frente, você é deixado para trás e fica frustrado. A lógica da mente é tal que diz: "Olhe, você não controlou bem e por isso perdeu; da próxima vez controle mais."

A verdade é justamente o contrário; as pessoas perdem muitas coisas devido ao exagerado controle; Seja como um rio selvagem, e muito do que você nem pode sonhar, nem pode imaginar, nem pode esperar está disponível logo ali, no seu alcance.
Mas, abra as mãos; não continue vivendo com as mãos fechadas; porque essa é a vida de controle.
Viva a vida com as mãos abertas. Todo o céu está disponível, não se contente com menos."
Osho em Todos os Dias

Somos desde pequenos induzidos a acreditar que temos controle sobre a vida, sobre os fatos, sobre a realidade. Nossas ações parecem que vem de nós, mas elas somente passam por nós; ela são parte de uma grande engrenagem e nós somos apenas pequenas ondas por onde o imenso oceano da existência ressona, e transcende. Se nos damos conta disso, naturalmente relaxamos, e ao mesmo tempo passamos a perceber o quanto somos importantes, ou melhor, imprescindíveis nessa grande e maravilhosa engrenagem, nesse grande processo de eventos simultâneos...

Relaxar é ir além da mente, é descobrir que a vida segue seu fluxo e que podemos desfrutar e aprender com ela, e nesse relaxamento estamos abertos a uma percepção mais ampliada, mais bela e luminosa...Todo o céu está disponível...não nos contentemos com menos...
Amor
Lilian

26 de maio de 2012

O Ponto de maturidade, além do ir e vir...


"Tem uma história muito interessante.
Um dia, um homem chega em sua casa e vê que ela está em chamas.
Ele, claro, fica desesperado. Ele trabalhou ano após ano para ter aquela casa.
Tamanha era a sua identificação. A casa era tudo para ele.
E agora ela estava em chamas!
Mas, de repente, um de seus filhos veio a ele e disse:
"Papai, não se preocupe, nós vendemos a casa. Essa casa não é mais sua, então, o problema não é nosso".
Nossa! O homem relaxou totalmente.
Porém, minutos depois, seu outro filho veio e disse:
"Não, pai! Isso não é verdade. Nós quase fechamos o negócio, mas os papéis ainda não foram assinados. Portanto, a casa ainda é sua".
O homem retomou o choro, imediatamente. O problema voltara a ser seu.

Para a mente, importam os objetos. O foco da mente está no problema.
Em Consciência, onde não é necessária, a mente desaparece. Em Consciência, sua identidade é com o Silêncio. Ou seja, Consciência consciente de si mesma é o desperto.
Consciência inconsciente de si, é a mente.
Aliás, melhor dizendo, Consciência é consciência, em si. Ponto!
E estamos aqui para ver isso.(...)

Neste exato momento, você tem a oportunidade de cessar o insaciável fluxo dos desejos e abrir os olhos para a sutil realidade de que há uma alegria inerente, que independe absolutamente dos acontecimentos externos. Existe um ponto de maturidade em que deve ficar claro para você que a sua alegria não tem nada a ver com o lado de fora.

Do lado de fora, tudo o que te é dado, pode ser tirado. Então, de verdade, não há nada que possa ser “seu” – nem mesmo este “você” que você pensa ser. Milhares de coisas acontecem com o seu corpo e atravessam a sua mente à revelia de qualquer decisão sua.

Essa percepção traz quietude e alegria à sua vida. Por mais conquistas que você obtenha, sem essa percepção ainda haverá frustração.

No entanto, diante da percepção da Consciência que você é, os desejos surgem e não mais ditam uma direção a seguir. Tudo pode vir e ir, na mesma intensidade e aceitação.

Aquiete-se e diga-me: o que está faltando à você neste mínimo instante? Organize o simples fato de que os desejos sejam frutos da mente e deixe que isso aconteça sem envolvimento ou interferência.
Desprenda-se do fluxo imposto pelo mundo e entregue-se ao “sim” do Silêncio."
Satyaprem em Satsang

25 de maio de 2012

O Prana do Prana...


"A natureza do Ser é sempre a Graça, na qual não há nunca doença alguma. O Ser está sempre seguro, nunca se quebra e nada entra nele.

Todas as coisas materiais estão sujeitas a serem danificadas ou aumentadas. Quando você experimenta qualquer coisa material sendo danificada, você pensa que você é responsável por esse dano. O indivíduo imagina que ele mesmo sofreu o dano de alguma forma.

O Ser não tem coisa alguma em Si.
Não há nada nele que possa ser danificado ou que irá degradar. Ele não possui nenhuma sujeira, isso significa que nenhuma coisa material articula nele. É por isso que ele é chamado de limpo e como não há nenhuma sujeira, ele é indestrutível. A decadência é a qualidade da sujeira. Ela está fadada a decair e a ser destruída, retornando de volta para a terra.

Entretanto, o Ser imaculado é indestrutível. Embora Ele esteja no corpo e nos órgãos dos sentidos, Ele não é afetado por eles. O Ser não tem nem nascimento e nem morte. Ele jamais é corrompido e não possui partes. Ele não é constituído de várias partes, não é a soma de partes. Se você deseja saber quem é Ele, esse Ser é Aquele que vive no seu corpo e que conhece o corpo.
Quando dizemos que o conhecimento é temporário, queremos dizer que o conhecimento na mente é temporário. A fala chega ao fim mas a Consciência permanece. Se um homem não tivesse estado ciente de si mesmo ele jamais retornaria para casa quando tivesse saído para fazer algum trabalho. Os desejos pertencentes aos órgãos sensoriais eventualmente morrem, mas a natureza essencial do Conhecimento, a Consciência, permanece.

A infância, a juventude, a velhice, etc. são estados do corpo. Essas são fases naturais de toda coisa material. Por meio da energia vital, ou o Prana, esses estados são entendidos quando eles vêm. Entretanto, o próprio Prana não se torna jovem ou velho. Sua qualidade de energia permanece a mesma. Uma vez que o Prana não tem mudança em seu estado, como pode o Ser que é o “Prana do Prana”, a “A Energia da Vida da energia vital”, ter esses estados?

Os ovos, a fermentação da combinação do calor com a umidade da placenta e as sementes, são as quatro fontes de criação de todos os seres. Em todos os seres o Prana funciona apenas através do Poder do Ser. Os estados como a infância, etc., não tem nenhum efeito sobre o Prana, então como podem afetar o Ser? O indivíduo, por meio de seu próprio conceito errôneo, se limita. Nos desejos há aprisionamento. Isso pode ser explicado da seguinte maneira: o que quer que você deseje está num certo lugar, se você deseja aquilo você deve ir lá onde isso está. Você tem de esperar lá até que consiga o que quer, e aquilo não pode ser levado embora de seu local,você tem que permanecer lá. Apenas ali você pode desfrutar do objeto ou usá-lo. Sendo que ele não pode ir conosco para onde vamos, temos de viver próximos do objeto porque estamos necessitados dele. Esse é o aprisionamento devido aos desejos. Se não quiser ficar aprisionado, você tem de abandonar os seus desejos. Apenas dessa forma você poderá viver livre. Onde há desejo há detenção, que significa ter uma residência, viver no mundo. O desejo implica em estar nas proximidades do objeto. Quando o desejo morre, a detenção se vai. Ao abandonar o desejo a Liberação é certa. Entretanto, abrigar desejos é em si aprisionamento. Quando todos os desejos são abandonados para sempre o homem se torna a “Realidade”, enquanto que o indivíduo que tem todos os seus desejos prendendo-o apertado, descende em direção à destruição.

O Ser é intocado por todas as qualidades ou modificações. Alguns dizem que no estado desperto, o Ser é limitado pelos limites desse estado. Entretanto, se esse fosse o caso, Ele não teria conhecimento do estado de sonhos e ficaria atado a um estado apenas. Ele teria continuado a comer apenas coisas doces ou apenas coisas amargas, mas Ele não é assim. Isso significa que Ele não é afetado, embora esteja no corpo. No estado de sonhos, Ele opera através da mente apenas, sem a ajuda do corpo físico e dos órgãos sensoriais.

Quando Ele vai além do sonho, no sono profundo, Ele permanece sozinho sem nenhum revestimento ou corpo. Não há nenhuma ondulação de nenhum tipo. Você pode dizer: “Onde está o Ser? Não há nada ali”, mas esse não é realmente o caso. Quem é esse que pode dizer que estava dormindo gostoso? Quem é esse que responde ao chamado feito para ele pelo nome dado ao seu corpo? Isso não seria possível sem o Ser. Os estados de sono profundo e de vigília são apenas do corpo físico e não do Ser. Ele, sendo a testemunha de todos os três estados não pode ser “nada”. Ele é o Ser Supremo, Paramatman. Você pode perguntar como é que quando Ele acorda do sono, Ele se lembra novamente de todos os arredores do estado desperto.
Escute atentamente a explicação: as “circunstancias circundantes” estão relacionadas ao intelecto ou ao cérebro e não ao Ser. Se o intelecto é transformado, toda a vida se torna irreal. Então não há aprisionamento ou liberdade de algo.

A vida mundana existe porque você diz que sim. Você a concebe assim. Ela é real apenas por causa de seus conceitos. Se você dissesse: “Eu abandonei-a”, então a vida mundana, o aprisionamento, terminaria. Se você aumentá-la, ela aumenta e se você a destruir ela é destruída.

A mente é a fonte da vida mundana bem como da vida espiritual. Ao ir dormir, você remove as vestimentas externas, quando você acorda você as coloca novamente. No sono profundo você não está ciente do corpo encobrindo o Ser. Quando você desperta, você vê e através de sua atenção você se lembra de tudo. Para aquele cuja ignorância e o egoismo se foram, tudo é somente Brahman, até mesmo o estado desperto. O indivíduo dissolve-se e torna-se Paramatman. Então não há desejo de nenhum tipo. Não há nenhuma comparação a ser utilizada. O significado de comparação nesse caso é no sentido de mostrar que o “Conhecimento da Natureza da Verdade” é parecido com alguma coisa. Não há nada igual a ele ou nada similar a ele que possa ser apresentado. Nem existe palavra que possa ser usada para descrever esse estado ou o seu significado de maneira plena e adequada. Não há nenhuma forma, objeto ou palavra que possam ser comparados a esse estado. Portanto, o estado é chamado de além de comparação, ou é dito que não há nenhuma comparação ou alegoria disponível que possa explicá-lo. Para “Ele” não há nenhuma outra coisa. O mundo inteiro é apenas Parabrahman ou Paramatman.

Quando o Conhecimento do Ser está evidente, há somente a própria felicidade, feliz por existir. A própria Graça revela-se na Graça.

Aquele que for um devoto abnegado terá essa experiência quando a Ilusão for descartada. É por isso que a devoção deveria ser contínua. Não deveríamos nunca esquecer do nos devotar. Não deveria haver Esquecimento. Quando algum outro objeto ou realização se torna atrativo para o indivíduo e ele pensa sobre esse objeto, ele esquece sua Devoção a Deus. Portanto, os Santos insistem na devoção incessante. Quando o devoto descarta o desejo por dinheiro, filhos, riquezas materiais e fama na sociedade e dedica-se totalmente à Devoção a Deus, a sujeira na Consciência é limpada e ela se torna unida a Deus, residindo em sua Verdadeira Natureza (Swaroopa).

Quando o Amor e a Devoção por Deus aumentam, os ditos dos Vedas são subservientes ao Devoto. “Aquilo” que os Vedas declararam ser a mais Elevada Verdade, é proferido por ele muito naturalmente.

É então que a Existência é experimentada como “Um Todo Completo”. Essa é a Devoção do mais alto grau. Essa devoção liberta a todos, incluindo as mulheres, os homens, os mais baixos e os Sacerdotes (Brahmins), sem nenhuma discriminação. Entretanto, se a mente não estiver pura, não haverá a luz do Ser.

Aquele que possui a Devoção imparcial atinge a Realidade. O véu sobre seus olhos desaparece.
O Sol e uma multidão de coisas são vistos de imediato.
Quando a pessoa abandona todo o orgulho e a mente torna-se livre de dúvidas, tudo é visto como Brahman."
Siddharameshwar Maharaj em O Prana o Prana

24 de maio de 2012

A mais profunda oração - Eckhart Tolle


"Conta-se que alguém perguntou à Madre Tereza de Calcutá:
O que a senhora diz para Deus em suas orações?
- "Nada, eu só escuto", respondeu ela.
E o que Deus diz para a senhora em suas orações?
- "Nada, ele só escuta".
Essa é a verdadeira e mais profunda dimensão da oração: uma experiência de presença e de comunhão que transcende a tudo".

Pergunta: Desde que eu era uma garotinha, eu fui criada como católica. Apesar disso, eu tinha uma grande tendência em negar Deus, em não acreditar na existência de Deus. E agora, graças a tudo o que você vem ensinando e compartilhando, sei que existe uma presença: sinto que uma quietude está aqui, a Consciência está aqui. Mas eu tenho o pensamento "por que devo orar?"
Pois, se Deus é onisciente, onipotente, todo-amoroso, e assim por diante, não acho que Ele/Ela precisa de mim para dizer: "psiu, ei! Meu amigo está morrendo de câncer, você pode ajudá-lo?". Não acho que seja necessário, mas eu gosto de rezar. Eu adoraria ouvir seus pensamentos, o que seria adequado para orar? Você acredita na oração?

Eckhart Tolle: Talvez você possa aprimorar as suas orações de súplicas ("por favor me conceda isto ou aquilo") para transformá-las em "pequenos indicativos mentais", visando a paz, por exemplo. Esses pequenos indicativos mentais (oração que lhe estou sugerindo) ainda se valem dos conceitos, porque toda oração consiste de palavras e conceitos - para apontar, indicar, e assim ajudá-lo a ir além dos conceitos. Você poderia fazer, por exemplo, uma afirmação - como fez Jesus, quando disse: "eu sou a luz do mundo". É uma afirmação; é um conceito que aponta para uma realidade muito mais profunda que a das palavras. Se você ainda quiser pedir algo, então você poderia dizer algo como: "por favor, seja-me revelado que eu sou a luz do mundo".

Usualmente, as orações comuns implicam em dualidade. Elas sugerem um Deus que está lá, ao passo que aqui estou eu, rogando a Deus. Tal dualidade é, em última análise, uma ilusão, porque a verdade é que você é uma expressão de Deus, do próprio Deus. Deus e você se fundem, vocês estão misturados. Assim, as orações de súplicas, que sugerem dualidade, não são as formas mais profundas de orar.

A oração mais verdadeira acontece quando você adota a atitude de ouvir, em quietude, ao invés de proferir palavras. Enquanto você gostar de rezar assim, está ok. Mas, gradualmente, comece a cessar de pedir a alguém para que faça algo para você, porque isso a mantém presa na dualidade.

Afirmações assertivas, se feitas corretamente, podem atuar como belos substitutos para as orações que comportam dualidade. Afirme: "Eu estou curado e completamente em paz". Após isso, deixe haver espaço, permita que o espaço entre e atue. Apenas o "campo" sem forma do puro espaço. E descanse nesse estado. Realmente, a inteligência e o poder residem nesse espaço. Nesse estado de espaciosidade, a sua experiência é a de que você já é o Todo - inteiro, pleno, completo.(...)

Você pode curar uma pessoa - quer a pessoa doente esteja ao seu lado, quer ela esteja distante e lhe venha à mente. A mais poderosa maneira de curar, no meu entender, é manter consigo a imagem da pessoa e mover-se profundamente para dentro de si, onde se encontra a Totalidade da Vida. Onde absolutamente nada é necessário, onde nada pode ser acrescentado. Nesse lugar profundo onde está a Totalidade da Vida, você contata também a totalidade daquela pessoa - ela já está curada/inteira nesse nível mais profundo, além da forma. Então, seguindo esse método, você parte da forma e se move para a dimensão da não-forma.

Essa é a cura que era praticada por Joel Goldsmith. Ele tem um livro fascinante chamado "A Arte de Curar Pelo Espírito". Realmente, trata-se de não se ater por completo às condições (do mundo da forma) que precisam ser melhoradas, mas concentrar-se na realidade essencial de que o ser humano é um com a própria Realidade Essencial, e entrar na profunda quietude onde nada é necessário. Goldsmith costumava receber telefonemas, às vezes no meio da noite. Eram de pessoas que necessitava desesperadamente de uma cura; elas, então, diziam a ele os seus nomes e do que estavam sofrendo. Imediatamente, em seguida, ele largava do telefone e adentrava num estado absoluto de não-pensamento. Por um momento, ele ouvia o nome da pessoa, ele ouvia o que estava errado com elas, e imediatamente deixava inteiramente de lado tais informações/pensamentos. Ele, então, por dois ou três minutos, entrava em um estado de não-pensamento - um estado de absoluta presença. Existe uma perfeição absoluta no reino da não-forma. E essa perfeição absoluta é a essência da pessoa que, no nível da forma, necessita da cura. Então, você conduz a forma para a dimensão da ausência de formas, um espaço onde as formas não são. Nenhuma condição a ser tratada, onde nada jamais é necessário - apenas vá para dentro desse espaço.

Essa era o seu modo de curar as pessoas. Ele foi um curador bastante poderoso. Essa é a última e mais elevada forma de cura, e que é realmente o tipo não-dual de oração. Nela, você vai além da oração, na qual diz: "por favor, Deus, cure o fulano!". Você penetra e contata a própria Fonte, que é inseparável de quem você é, e que é inseparável de quem é essa pessoa.

A oração pode converter-se gradualmente em uma atitude de escuta. Qual é o significado de "ouvir"? Ouvir significa que há um campo nú, "vazio", de pura atenção, o qual é percebido quando despido das projeções dos pensamentos. Nesse campo, você percebe a inocência, a pureza, a simplicidade e inculpabilidade de todas as coisas. Permanecer nesse campo é o que significa a atitude de escuta. Não significa que você esteja esperando por alguma resposta, porque então você não estará realmente ouvindo. Na escuta você absolutamente não espera por nada - há apenas um campo de atenção pura. Essa é uma oração muito mais profunda do que com qualquer palavra proferida. Não há sequer o desejo de que a oração seja atendida, ou obter uma resposta. Estar em silêncio é o bastante.

Quando está escutando, você não está esperando por nada - há somente um campo de pura atenção.

Essa é uma forma de oração muito mais profunda e muito mais verdadeira do que qualquer palavra é capaz. A verdadeira oração acontece naquele ponto onde a própria oração também se converte em meditação: ela é ambas. Ela não espera por respostas, estar em profundo silêncio é um estado de graça, e isso é o bastante. Algumas vezes a resposta surge; algumas vezes, também, de repente, as coisas apresentam-se solucionadas. Ouça isto: quando surgir qualquer problema pertencente a este mundo, qualquer distúrbio - e eles acontecem o tempo todo envolvendo: pessoas ao seu redor, perturbações na mente, etc. -, apenas vá para o estado de "escuta", de pura atenção, de pura consciência, no qual você se torna ciente da presença. O ato de escutar a presença é uma maneira poderosa de falar sobre ela e transmiti-la.

Quando você está presente, é como se você estivesse em um estado de escuta. É importante dizer, contudo, que o termo "escuta" tem sido usualmente associado com o sentido físico da audição. Mas, aqui, o termo "escuta" refere-se a um estado que se encontra além dos sentidos que percebem os fenômenos físicos; é um estado de consciência que sublinha, subjaz e que dá a base à existência do próprio sentido da percepção sensorial auditiva. Todo mundo sabe como é esse estado, porque quando você está realmente ouvindo um som fraco, o que é o estado de consciência que está por trás e que escuta aquele som fraco? É um estado de alerta absoluto e descontraído, relaxado. Assim, quando dizemos escuta, isso é algo útil, pois todo mundo sabe o que significa escutar. Eu estou apenas apontando para o fato de que a percepção sensorial externa não é a essência do escutar, o verdadeiro escutar; a essência da escuta é o estado subjacente da consciência, de receptividade absoluta e presença de alerta, que está por detrás da percepção sensorial auditiva.

É por isso, acredito, que uma das parábolas de Jesus falava sobre um servo que tinha o dever de ficar acordado, em estado de alerta, porque o servo não tem o conhecimento de quando o dono vai voltar para casa. Muitas das coisas de hoje apresentam-se a nós de forma um pouco distorcida, pois foram transmitidas verbalmente, e somente depois disso é que foram registradas; e, nesse processo, certas coisas foram viradas do avesso, e outras desapareceram. Eu acredito que, ao mencionar o servo que esperava pelo mestre, Jesus estava
falando sobre uma atitude diferente - um estado de consciência. O servo está esperando em um sentido diferente da coisa normal que chamamos de "espera", que nada mais é do que a mente dizendo "Quando irá acontecer? Por que ainda não ocorreu?". O sentido utilizado aqui por Jesus é completamente diferente.
Muitas e muitas vezes Jesus fala a respeito da espera, da importância de ficar acordado, alerta. Essa é uma parte muito importante de seu ensino: ficar acordado, não ir dormir, permanecer presente. Assim, todas as palavras que você usar na oração, lembre-se de fazê-lo como ponteiros ou indicadores para isso.
Então você poderá dizer verdadeiramente: "Eu estou ouvindo".
Eckhart Tolle em Satsang

23 de maio de 2012

Aceitação consciente...


"Não é necessário remover nada do que existe. De fato, não há nada que possamos retirar da existência. Se tirássemos uma coisa, teríamos que tirar tudo, por que o um contém o todo.

Quando entramos na cozinha num dia de inverno nos sentimos aquecidos e confortáveis. Nossa sensação de calor e conforto não é devida ao fogão que está na cozinha, ela se deve ao frio que está lá fora. Se o tempo fora não tivesse frio, não teríamos a sensação de conforto ao entrar na cozinha quente.

Sentimentos agradáveis são feitos de sentimentos desagradáveis.
Sentimentos desagradáveis são feitos de sentimentos agradáveis.
Isto é assim por que aquilo é assim.
Uma formação mental contém todas as outras formações mentais.

Toda semente contém todas as outras. A semente da raiva contém dentro de si a semente do amor. A semente da ilusão contém dentro de si a semente da iluminação. Cada gene de nossas células contém todos os outros genes.

Num bom ambiente, um gene nocivo pode lentamente se transformar em um gene saudável. Essa idéia pode abrir muitas portas para modernas terapias.
Esse é o ensinamento do Buda.

Quando nos esquecemos deste ensinamento somos arrastados para o mundo de nascimento e morte. Mas quando transformamos nossa distração em plena consciência, vemos que não existe nada que necessitemos rejeitar ou descartar. A aceitação consciente é o segredo da felicidade."
Tich Nhat Hahn em Paz a cada passo

22 de maio de 2012

Espontaneidade, Impulsividade e Intensidade...


Qual a diferença entre ser impulsivo e ser espontâneo?
Você tem duas coisas em você: o corpo e a mente. A mente é controlada pela sociedade, o corpo é controlado pela sua biologia; a mente é controlada por sua sociedade, porque essa pode colocar pensamentos na sua mente, e seu corpo é controlado por milhões de anos de evolução biológica. O corpo é inconsciente, e assim é a mente. Você é um observador, está além de ambos. Assim, se você parar de ouvir a mente e a sociedade, há toda a possibilidade de começar a ouvir a sua biologia.(...)

Por "espontaneidade" o Tantra quer dizer uma espontaneidade cheia de percepção. Assim, o primeiro ponto para ser espontâneo é estar inteiramente atento. No momento em que você está atento, não está nem na armadilha da mente nem na armadilha do corpo, e então a espontaneidade real flui da sua própria alma... sua espontaneidade flui do céu, do mar. Do contrário, você pode mudar seus mestres: do corpo pode mudar para a mente, ou da mente para o corpo.

O corpo está dormindo profundamente e ao segui-lo você está segundo um cego e a espontaneidade simplesmente o levará para a vala; ela não o ajudará.
Impulsividade não é espontaneidade. Sim, o impulso tem uma certa espontaneidade, mais espontaneidade do que a mente, mas não tem a qualidade que o Tantra aponta. (...)

Quando você está sob a influencia do corpo, está sob a influencia da química, você está fora de uma armadilha, a da mente, mas de novo está em uma outra armadilha,a da biologia, a da química. Você está fora de uma vala, mas caiu em outra.
Quando você quiser realmente sair de todas as valas e viver em liberdade, terá de ser uma testemunha da ambos, do corpo e da mente. Quando você está testemunhando e a sua espontaneidade vem a partir do seu testemunho, essa é a espontaneidade da qual o Tantra fala.

E o Tantra também fala que para se conhecer a verdade a pessoa precisa também da intensidade. Como criar essa intensidade?
Abandone o passado e abandone o futuro; então toda a sua energia de vida ficará focada no pequeno aqui e agora. E nesse focar você fica incandescente, um fogo vivo. (...)
O todo da vida é fogo. Para conhecê-lo você precisa de intensidade, do contrário, a pessoa vive de uma maneira morta.(...)
Quando estiver comendo, esteja intensamente presente. Deixe que haja apenas o comer e nada mais, deixe que o passado desapareça e também o futuro, deixe que toda a sua energia seja despejada na sua comida, deixe que haja amor, afeição e gratidão para com a comida.(...) Ela não é apenas a comida, a comida é apenas o conteúdo, mas a vida está contida nela. Se você saborear apenas a comida e não saborear nela a existência, estará vivendo uma vida morna. (...)
Quando você estiver bebendo água, torne-se a sede! Deixe que haja intensidade nisso, a tal ponto que cada gota fresca lhe dê uma imensa alegria. Na própria experiência dessas gotas de água entrando na sua garganta e proporcionando-lhe grande contentamento, você saboreará Deus, saboreará a realidade. (...)

O Tantra diz que é através das pequenas coisas da vida que você tem o sabor. Não há grandes coisas na vida; tudo é pequeno; a coisa pequena torna-se grande e vasta de você entrar nela completamente, totalmente e inteiramente. A divindade pode ser conhecida através do comer, do beber, através do amor, que ela pode ser conhecida a partir de cada espaço, de cada recanto, de cada ângulo, pois todos os ângulos são de Deus. Tudo é a verdade.

E não pense que você é um desafortunado porque não estava por perto no começo, quando Deus criou o mundo; ele está criando o mundo neste exato momento! Você é um felizardo por estar aqui, você percebe a criação deste momento. E não pense que você perderá quando o mundo desaparecer numa explosão; ele está desaparecendo neste exato momento. A cada momento o mundo é criado e a cada momento ele desaparece; a cada momento ele nasce e a cada momento ele morre.
O Tantra diz para deixar que assim também seja a sua vida: a cada momento morrendo para o passado e a cada momento nascendo mais uma vez; não carregue nenhum fardo, permaneça vazio."
Osho em Tantra, O Caminho da Aceitação

21 de maio de 2012

Seja inteiro, seja nada...


"Quando o caminho incendeia uma alma,
não é mais possível permanecer num só lugar.

Os pés tocam o solo, mas não por muito tempo.

O caminho onde o amor conta seu segredo
está sempre em movimento e não há nem você e nem razão ali.

O cavaleiro incita seu cavalo a galopar e ao fazê-lo é lançado sob os cascos voadores.

Na unidade do amor não existe velho ou novo.

Tudo é nada. Somente Deus é.

Para os amantes o véu dos fenômenos é muito transparente
e os delicados decalques sobre ele
não podem ser explicados com a linguagem.

As nuvens se queimam quando o sol nasce e o mundo do amor é inundado com luz.
Mas as nuvens de água podem tanto obscurecer, quanto serem úteis.

Há uma afeição que cobre a glória, ao invés de dissolver-se nela.
É uma diferença sutil, como a mudança da palavra "amizade" em persa
para a palavra "trabalho".
Ela ocorre com apenas um ponto acima ou abaixo da terceira letra.

Há uma visão da beleza da união que não trabalha ativamente para a conversa interior.
Suas mãos e pés devem se mover como rio corre, trabalhando como seu Ser para chegar ao oceano.

Então não há mais menção à busca.

Ser famoso ou ser uma vergonha, quem está à frente ou quem está atrás, essas considerações são rochas e lugares obstruídos que fazem você diminuir sua velocidade.

Seja tão nu como um grão de trigo fora de sua casca e elegante como o lótus na água.

Não peça por outra coisa além da presença.
Não fale de um "você" separado Daquilo.
Um recipiente cheio não pode ficar mais cheio.
Seja inteiro, seja nada."
Hakim Sanai , poeta Sufi

20 de maio de 2012

Amor Divino - Yogananda


"Assim, Ele te responda ou não
continua chamando-O
Chamando-O sempre na morada
da oração constante.

Assim, acuda ou não a ti
confia que Ele está a sua volta
cada vez mais,
respondendo a cada chamada de teu coração.

Assim, Ele te responda ou não
continua implorando-lhe
Mesmo que não te responda da maneira que espera,
confia sempre, que de maneira sutil
receberás sua resposta.

Na obscuridade das orações mais profundas
tenha certeza de que Ele está jogando
contigo de esconde esconde.

Se continua chamando-O
no meio da dança da vida,
na enfermidade e na morte,
sem deixar se abater por seu aparente silencio,
receberás Sua resposta."

Faz com que seu amor brilhe para sempre no santuário da divina devoção e possa despertar o amor divino em todos os corações.
Com um coração cheio de saudade, com uma mente plena de ardor e com todo o fervor da minha alma, deposito aos pés da sua onipresença todas as flores de devoção.
Oh Espírito, no templo da natureza te adoro como beleza e inteligência.
No templo da atividade te venero como poder, como paz e eternidade no silêncio interior.

Me inclino diante o Cristo que se encontra tanto nos templos de todos os meus irmãos, os seres humanos, como no templo de tudo o que vive e respira.
Ensina-me ó Pai, a sentir que Tu és o poder que existe no fundo de toda riqueza e o verdadeiro valor de todas coisas.
Ao encontrar-Te primeiramente, encontrarei a Ti em todos os demais.
Deus é Paz.
Entrego-me a paz infinita que reina em meu interior.
Deus é a bem-aventurança sempre renovada na meditação.
Entrego-me ao grande amor que existe em meu interior.

Ensina-me a tomar consciência de que Tu és o poder que me mantem vivo e próspero, e que me impulsiona na busca da verdade.
Sou uma chama do infinito, e não somente carne e ossos.
Sou luz."
Paramahasa Yogananda em Meditaciones Metafísicas

19 de maio de 2012

Ensinamentos - Prem Baba


"Me sinto um mensageiro, um mensageiro do espírito santo. O trabalho é ajudar o buscador, que está pronto, a ter uma percepção direta de Deus.

Sinto que é só quando ele tem uma percepção direta de Deus, é que ele experiencia conforto, experiencia paz, experiencia uma alegria sem causa. Sinto que nasci para fazer isso.

O buscador espiritual acaba desenvolvendo uma ideia de Deus. Mas essa ideia não é suficiente para libertá-lo do sofrimento.

As vezes essa ideia até distancia ele mais daquilo que ele está buscando.

Aquilo que chamo de caminho do coração, é uma experiência, que envolve todo o ser. Transformar esse entendimento de Deus, em experiência de Deus.

Sinto que todas as tradições servem para mostrar o caminho. Por mais degeneradas, equivocadas que estejam estas tradições, são onde a entidade humana em evolução tem um primeiro vislumbre de Deus e da necessidade de encontrá-lo.

Mas chega um momento em que chega também a necessidade de se libertar das crenças, se libertar de tudo aquilo que gera limitação.

O ego dá uma grande volta no mundo, até que em algum momento ele se rende a Deus, ele abre mão do controle; o ego então diz: Venha! Venha e habite minha mente! Venha e habite meu corpo! Que eu seja um canal puro da sua vontade.

Sinto que a iluminação é o propósito de toda alma humana. Sinto que é o destino de toda entidade humana em evolução.

Em algum momento, durante a jornada evolutiva a entidade humana vai se iluminar.

Iluminação é o reconhecimento da sua verdadeira natureza.

É quando a gota percebe que ela é o oceano, e pode reter essa percepção.
Quando ela pode reter essa percepção, se diz que essa entidade está iluminada. Quando ela e Deus se tornam uma coisa só."
Prem Baba Speaks

18 de maio de 2012

Tantra, a não-dualidade mais profunda.


"Yoga é negação. Tantra é afirmação.
A Yoga pensa em termos de dualidade, e essa é a razão da palavra "ioga". Ela significa unir duas coisas, mas existem duas coisas, a dualidade existe.
O Tantra diz que não existe nenhuma dualidade. Se existir dualidade, você não pode uni-las e não importa como você as una, elas permanecerão duas e a luta continuará, o dualismo permanecerá.

Se o mundo e o divino são dois, então eles não podem ser unidos. Se eles não forem realmente dois, se apenas aparentarem ser dois, só então eles podem ser um. Se o seu corpo e sua alma forem dois, então eles não poderão se unir; se você e Deus forem dois, não haverá possibilidade de uni-los; eles continuarão sendo dois.

O Tantra diz que não há dualidade, que ela é apenas uma aparência. Portanto, porque ajudar a aparência a se fortalecer? Dissolva-a neste exato momento! Seja um! Através da aceitação você se torna um, e não através da luta. Aceite o mundo, aceite o corpo, aceite tudo que for inerente a ele. Não crie um centro diferente em você mesmo, pois para o Tantra esse centro diferente nada mais é do que o ego. Não crie um ego e simplesmente fique consciente do que você é. Se você lutar então o ego estará presente.(...)
Se você lutar, fatalmente criará um ego; e quanto mais lutar mais fortalecido o ego ficará. E se você ganhar a sua luta, então atingirá o ego supremo.
O Tantra diz para não lutar! Então não há possibilidade para o ego...Se entendermos o Tantra teremos consciência.(...)

Você está com raiva... O Tantra não dirá para não ficar com raiva, mas dirá para ficar inteiramente com raiva, mas esteja consciente. O Tantra não é contrário à raiva, mas é apenas contrário ao estado de sono espiritual e à inconsciência espiritual. Esteja consciente e esteja raivoso, e este é o segredo do método: se você estiver consciente, a raiva é transformada em compaixão. (...)

O Tantra diz que essas mesmas energias devem ser transformadas: em outras palavras se você for contra o mundo, não haverá nirvana, porque este mesmo mundo é que deve ser transformado em nirvana. Então você estaria contra as energias básicas que são a fonte.
Dessa maneira a alquimia tântrica diz para não lutar, para ser amigável com todas as energias que lhe foram dadas. Acolha-as, sinta-se grato porque essas energias ( raiva, sexo, desejos, ganância) sinta-se grato porque essas são as fontes ocultas, e elas podem ser transformadas, podem ser abertas. E quando o sexo é transformado ele se torna amor, o veneno desaparece. Quando a raiva é transformada ela se torna compaixão. Quando a ganância é transformada ela se torna generosidade.

A semente é feia, mas quando ela se torna viva, ela brota e floresce e então há beleza.
Não jogue fora a semente, porque também estará jogando as flores nela contidas. Elas ainda não estão visíveis, ainda não estão manifestas, mas estão ali. Use essa semente para que você possa atingir as flores. Assim, primeiro deixe que haja aceitação, uma compressão e percepção sensíveis, então a permissividade é permitida.

Uma das descobertas mais profundas do Tantra: tudo o que você tomar como seu inimigo, seja a ganância, a raiva, o ódio, o sexo, ou seja o que for, a sua própria atitude de que eles são inimigos os torna seus inimigos. Tome-os como dádivas divinas e aborde-os com um coração grato. Para o Tatra tudo é sagrado. Lembre-se disso: para o Tantra TUDO é sagrado, nada é profano. Olhe para isso dessa maneira; para uma pessoa irreligiosa, tudo é profano; para uma pessoa pretensamente religiosa, uma coisa é profana outra é sagrada.

O Tantra diz que tudo é sagrado, e é por isso que não podemos entendê-lo, ele é o ponto de vista não-dual mais profundo, ou melhor ele nem é um ponto de vista, ele é uma unidade vivida, uma unicidade vivida."
Osho em Tantra o Caminho da Aceitação

17 de maio de 2012

União com Deus - Meher Baba


"Em última análise, cada um e cada coisa é Deus. E esse Deus como a verdade pode ser realizado por meio de um guru ou de um Mestre.(...)

Porém, agora estou preocupado somente com Deus, como a Verdade, em como Ele entra em nossa experiência após o desaparecimento da mente-ego limitada e limitante. Deus é uma Verdade inabalável e eterna. Ele se comunica e revela a Si mesmo para aqueles que amam-No, que buscam-No e que se entregam a Ele, tanto em seu aspecto impessoal que está além de forma, nome e tempo, ou em Seu aspecto pessoal.
Ele é mais facilmente acessível ao homem comum através dos homens-Deus, que sempre vêm e sempre virão para transmitir luz e verdade para a sofrida humanidade, a qual em sua maioria está tateando no escuro.

Por causa de sua completa união com Deus, o homem-Deus desfruta eternamente do estado "eu-sou-Deus", que também corresponde ao termo Vedanta Aham Brahmasmi e ao termo Sufi Anal-Haq ou à declaração de Cristo: "Eu e meu Pai somos um."

Na experiência dos Sufis, ou o estado "eu-sou-Deus", é a culminação de Hama-Oost, que significa que tudo é Deus e nada mais existe. E uma vez que nesta abordagem só “Deus sem um segundo" é contemplado, não há espaço para o amor por Deus ou o anseio por Deus. A alma tem a convicção intelectual de que ela é Deus. Mas para realmente experimentar esse estado, ela passa por uma intensa concentração ou meditação sobre esse pensamento. "Eu não sou o corpo, não sou a mente, não sou isto nem aquilo, eu sou Deus." A alma, em seguida, experimenta através da meditação aquilo que ela assumiu ser ela mesma. Mas essa maneira de experimentar Deus não é apenas difícil, mas é também seca.

O Caminho é mais realista e alegre quando há um amplo jogo de amor e devoção a Deus, quando postula s separação temporária e aparente de Deus e o desejo de unir-se a Ele. Tal separação aparente e provisória de Deus é afirmada pela alma nas duas concepções da tradição Sufi: Hama Oost, que significa que tudo é de Deus e Hama Doost, que significa que tudo é para o Amado Deus. Em ambas as concepções a alma percebe que sua separação de Deus é apenas temporária e aparente e ela busca restaurar essa unidade perdida com Deus através de um intenso amor que consome toda a dualidade. A única diferença entre esses dois estados é que enquanto a alma, no estado de Hama Doost, contenta-se com a Vontade de Deus como o Bem-Amado,no estado de Hama az Oost, a alma não anseia por nada além da união com Deus.
Sendo que a alma, que está em aprisionamento, pode ser resgatada somente através do Amor Divino, até mesmo os Mestres Perfeitos, os quais alcançam a completa unidade com Deus e experimentam-no como a única Realidade, muitas vezes, aparentemente, entram no domínio da dualidade e falam a linguagem do amor, da adoração e do serviço a Deus em Seu Ser não-manifesto bem como em todas as inumeráveis formas através das quais Ele se manifesta.

O Amor Divino, como ensinado por místicos Cristãos como São Francisco, (...) e tornado imortal por poetas sufis como Hafiz, nunca abriga nenhum pensamento autocentrado.

Ele consome todos os desejos e fraquezas que nutrem a servidão e a ilusão da dualidade. Por fim, ele une a alma a Deus, trazendo assim para a alma o verdadeiro autoconhecimento, a felicidade duradoura, a paz inatacável, a compreensão sem fronteiras e o poder ilimitado.
Sejam vocês os herdeiros dessa vida eterna que vem para aqueles que buscam!
Meher Baba em O Propósito da Criação

15 de maio de 2012

Sobre a Paz...


Qual a importância da paz nas nossas vidas?
Me fizeram recentemente esta pergunta, e queria refletir com vocês..

Respondi com outra pergunta: Como é a sua vida sem paz?
A paz não é algo que venha, que chegue, a paz nem é "algo", a paz é aquilo que resta, quando tudo que não é paz, se foi...ou melhor, quando tudo que não é você se foi...

A paz é como o espaço que tudo acolhe. Não tem medida, não tem tamanho, é apenas espaço...vazio.
Um espaço que mesmo sendo vazio, e isto nos dá a impressão que algo inerte, sem qualquer vivacidade, pelo contrário, a paz é algo vibrante em si mesma, porém descondicionada. livre, tranquila, acolhedora e serena, onde todas as imagens podem ser refletidas, ou não , e isto não interfere em nada com a sua natureza essencial...simples e pacífica...

Vivemos em um mundo tão cheio de coisas, de afazeres, de tarefas, obrigações, compromissos, os relacionamentos, trabalhos, e mesmo o lazer nos exigem um esforço tremendo, um constante desafio para se manter o equilíbrio, administrar tantas dimensões que passamos a "rotular" praticamente tudo, e inclusive a paz, passa a ser vista como uma "coisa", como um estado que precisa ser adquirido ou mesmo atingido, para se sentir bem, para se esta bem..

Mas a paz é justamente a ausência disso tudo, inclusive da percepção dela própria. Se penso "eu estou em paz", verdadeiramente não estou, estou ainda no pensamento de que estou em paz.
Quando se vive a paz verdadeiramente nem se pensa nisso, nem se pensa em nada, simplesmente existe uma ausência completa de conceitos inclusive do conceito "estar em paz".

É exatamente por isso que os mestres sempre apontaram para a paz enquanto nossa natureza essencial, descondicionada, a dimensão onde apenas somos, apenas existimos, apenas manifestamos a pura presença do Ser.

A verdadeira paz é a fonte, o espaço de presença além de qualquer fazer, de qualquer esforço para ser alcançada. É apenas um profundo relaxamento presente, consciente e vivo, sem qualquer vinculação, sem qualquer objetivo na nossa mais profunda essência.
Isto é meditação.
Observar todos os "obstáculos" que aparentemente se interpõe entre nós e a paz essencial, que apesar de tudo isso, permanece viva em absolutamente presente em cada um de nós.

Voltando a nossa pergunta inicial -A importância da paz em nossas vidas-, eu diria simplesmente que a paz em nossas vidas é o que verdadeiramente importa, tudo o mais perde em importância diante dela, e só através dela podemos lidar de maneira plena com todas as outras dimensões das nossas vidas.
Quando se vive através da paz essencial, todas as dimensões das nossas vidas ganham um frescor, uma cor, uma leveza, e ao mesmo tempo uma inteligência sempre nova, sempre fresca, instantânea, vibrante e sábia, justamente porque em tudo que fazemos, dizemos, realizamos a fragrância da paz essencial perpassa, ela se faz presente em todas as dimensões de nossa existência; e isso se torna um catalizador e eu diria também, que acaba por evocar a paz essencial em todos que encontramos. A paz nos tira da pequena dimensão do "eu" e alcançamos a dimensão ampla da Totalidade, sem barreiras, sem divisões, reconhecemos a beleza de estarmos plenamente mergulhados no amor, na compaixão, no respeito, no cuidado...em Deus..

Viver a paz não é nem mesmo "viver", é Ser a própria paz...e através da paz ser simplesmente tudo e todos...sem distinção, sem limitação.
Amor
Lilian

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