1 de maio de 2012

Sobre a Criação - Meher Baba


"Consciente ou inconscientemente, cada criatura viva procura uma coisa.

Nas formas inferiores de vida e nos seres humanos menos avançados, a busca é inconsciente; em seres humanos avançados, é consciente.

O objeto da busca é chamado por muitos nomes: felicidade, paz, liberdade, verdade, perfeição, auto-realização, realização de Deus e união com Deus.

Essencialmente, é uma busca por tudo isso, mas de uma maneira especial. Todos têm momentos de felicidade, lampejos da verdade, experiências fugazes de união com Deus; o que querem realmente é tornar isso permanente, estabelecer uma realidade imutável no meio da constante mudança. Esse é um desejo natural, baseado fundamentalmente em uma memória (que pode ser ofuscada ou clara, de maneira análoga à evolução da alma individual que pode ser elevada ou não elevada) de sua unidade essencial com Deus. Pois cada coisa viva é uma manifestação parcial de Deus, condicionada somente por sua falta de conhecimento de sua própria natureza verdadeira.

O todo da evolução, de fato, é uma evolução da divindade inconsciente para a divindade consciente, em que Deus propriamente dito, essencialmente eterno e imutável, assume uma variedade infinita de formas, aprecia uma variedade infinita de experiências e transcende uma variedade infinita de limitações auto-impostas.

A evolução do ponto de vista do criador é um esporte divino, no qual o incondicionado testa a infinitude de seu conhecimento, poder e contentamento absolutos no meio de todas as circunstâncias. Mas a evolução do ponto de vista da criatura, com seu conhecimento limitado, poder limitado, capacidade limitada para apreciar o contentamento, é um épico de descanso e esforço alternados, alegria e tristeza, amor e ódio - até que na pessoa aperfeiçoada Deus equilibra os pares de opostos, e a dualidade é transcendida.

Então a criatura e o criador se reconhecem como um; a imutabilidade é estabelecida no meio da mudança e a eternidade é experimentada dentro do tempo. Deus conhece-se como Deus, imutável essencialmente, infinito na manifestação, sempre experimentando o contentamento supremo da auto-realização numa continua ciência fresca de si mesmo por si mesmo.

Esta realização deve ocorrer e ocorre somente no meio da vida, pois somente no meio da vida é que a limitação pode ser experimentada e transcendida, e onde a liberdade subseqüente à limitação pode ser apreciada."
Meher Baba em O Propósito da Criação

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