22 de maio de 2012

Espontaneidade, Impulsividade e Intensidade...


Qual a diferença entre ser impulsivo e ser espontâneo?
Você tem duas coisas em você: o corpo e a mente. A mente é controlada pela sociedade, o corpo é controlado pela sua biologia; a mente é controlada por sua sociedade, porque essa pode colocar pensamentos na sua mente, e seu corpo é controlado por milhões de anos de evolução biológica. O corpo é inconsciente, e assim é a mente. Você é um observador, está além de ambos. Assim, se você parar de ouvir a mente e a sociedade, há toda a possibilidade de começar a ouvir a sua biologia.(...)

Por "espontaneidade" o Tantra quer dizer uma espontaneidade cheia de percepção. Assim, o primeiro ponto para ser espontâneo é estar inteiramente atento. No momento em que você está atento, não está nem na armadilha da mente nem na armadilha do corpo, e então a espontaneidade real flui da sua própria alma... sua espontaneidade flui do céu, do mar. Do contrário, você pode mudar seus mestres: do corpo pode mudar para a mente, ou da mente para o corpo.

O corpo está dormindo profundamente e ao segui-lo você está segundo um cego e a espontaneidade simplesmente o levará para a vala; ela não o ajudará.
Impulsividade não é espontaneidade. Sim, o impulso tem uma certa espontaneidade, mais espontaneidade do que a mente, mas não tem a qualidade que o Tantra aponta. (...)

Quando você está sob a influencia do corpo, está sob a influencia da química, você está fora de uma armadilha, a da mente, mas de novo está em uma outra armadilha,a da biologia, a da química. Você está fora de uma vala, mas caiu em outra.
Quando você quiser realmente sair de todas as valas e viver em liberdade, terá de ser uma testemunha da ambos, do corpo e da mente. Quando você está testemunhando e a sua espontaneidade vem a partir do seu testemunho, essa é a espontaneidade da qual o Tantra fala.

E o Tantra também fala que para se conhecer a verdade a pessoa precisa também da intensidade. Como criar essa intensidade?
Abandone o passado e abandone o futuro; então toda a sua energia de vida ficará focada no pequeno aqui e agora. E nesse focar você fica incandescente, um fogo vivo. (...)
O todo da vida é fogo. Para conhecê-lo você precisa de intensidade, do contrário, a pessoa vive de uma maneira morta.(...)
Quando estiver comendo, esteja intensamente presente. Deixe que haja apenas o comer e nada mais, deixe que o passado desapareça e também o futuro, deixe que toda a sua energia seja despejada na sua comida, deixe que haja amor, afeição e gratidão para com a comida.(...) Ela não é apenas a comida, a comida é apenas o conteúdo, mas a vida está contida nela. Se você saborear apenas a comida e não saborear nela a existência, estará vivendo uma vida morna. (...)
Quando você estiver bebendo água, torne-se a sede! Deixe que haja intensidade nisso, a tal ponto que cada gota fresca lhe dê uma imensa alegria. Na própria experiência dessas gotas de água entrando na sua garganta e proporcionando-lhe grande contentamento, você saboreará Deus, saboreará a realidade. (...)

O Tantra diz que é através das pequenas coisas da vida que você tem o sabor. Não há grandes coisas na vida; tudo é pequeno; a coisa pequena torna-se grande e vasta de você entrar nela completamente, totalmente e inteiramente. A divindade pode ser conhecida através do comer, do beber, através do amor, que ela pode ser conhecida a partir de cada espaço, de cada recanto, de cada ângulo, pois todos os ângulos são de Deus. Tudo é a verdade.

E não pense que você é um desafortunado porque não estava por perto no começo, quando Deus criou o mundo; ele está criando o mundo neste exato momento! Você é um felizardo por estar aqui, você percebe a criação deste momento. E não pense que você perderá quando o mundo desaparecer numa explosão; ele está desaparecendo neste exato momento. A cada momento o mundo é criado e a cada momento ele desaparece; a cada momento ele nasce e a cada momento ele morre.
O Tantra diz para deixar que assim também seja a sua vida: a cada momento morrendo para o passado e a cada momento nascendo mais uma vez; não carregue nenhum fardo, permaneça vazio."
Osho em Tantra, O Caminho da Aceitação

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