30 de outubro de 2015

Corpo, imagem e Yoga - Pedro Kupfer


"Imagens de pessoas praticando āsanas são usadas hoje em dia para vender desde seguros de vida a alimentos, desde carros a viagens. Há de tudo: gente em posturas de meditação, yogis em posturas de equilíbrio, alongamento ou força.

Essas fotos têm um denominador comum: apresentam pessoas esguias, fortes, lindas, e aparentemente de bem com a vida, fazendo com a maior naturalidade
ações que estão muito além do alcance da imensa maioria dos seres humanos. Todos, invariavelmente, sorrindo.

A imagem do Yoga que se projeta através dessas poses intimida muitas pessoas que se sentem acuadas pelo grau de dificuldade das ações ilustradas.
O problema é que o tema não se limita ao mundo da publicidade: esse tipo de imagem é ubíqua também em redes sociais, publicações e blogs supostamente
especializadas no tema.Nessa esteira, há gente que pensa, legitimamente: “se o Yoga é para pessoas jovens, magras, bonitas e flexíveis, então não é para mim, pois não me encaixo em nenhuma dessas categorias”. O amigo leitor já se
perguntou quantas pessoas desistiram de fazer Yoga por conta dessa imagem que se projeta dele?

Modelos intimidatórios.
Quantas mulheres desistiram de praticar ao ver aquelas roupas ajustadas que se usam na sala, que revelam todos os contornos do corpo, por considerarem
que a forma do próprio corpo não se encaixa nesse padrão “aceitável”? Ou por acharem que não são suficientemente jovens, saudáveis, fortes ou flexíveis para praticar? Ou por não conseguirem compreender a diversidade de tipos de Yoga disponíveis?

Desde o ponto de vista de uma boa parcela da população, o Yoga se apresenta como algo inacessível, que está muito longe da realidade da pessoa.
Apesar de sabermos que o objetivo final do Yoga é a liberdade, e apesar desse ser ainda hoje o discurso “oficial”, a verdade dos fatos é que a imagem do
corpo (especialmente o feminino), que se projeta através dessas figuras, só reforça o velho e equivocado estereótipo do corpo como objeto e fonte de felicidade.(...)


“Sedentários: o Yoga não é para vocês”. A mensagem implícita na imagem do praticante jovem e esguio é muito similar a esta: “se você está fora de forma, ou se é velho, feio, barrigudo ou triste, então o Yoga não é para você. Busque outro lugar para morrer”.
Desta maneira, a imagem da forma “ideal” espanta qualquer pessoa cujo corpo não se encaixe nesse modelo e reforça o velho e cruel paradigma da felicidade associada a uma forma corpórea considerada “perfeita”.

Com frequência, são decorrentes dessa distorção doenças psicossomáticas como anorexia,  bulimia, bem como depressão, autocrítica exagerada ou baixa autoestima. E, se nós, como praticantes e professores de Yoga não formos parte da solução para essa situação, seremos necessariamente parte do problema.

Os anúncios e selfies que mencionamos no início só replicam e eternizam o padrão vigente imposto pela cultura dominante na nossa sociedade. E essa cultura é cruel.

O sofisma do corpo perfeito.
Noutras palavras, essas imagens representam exatamente o oposto da liberdade que o Yoga propõe como meta, já que esse tipo de postura só colabora para alimentar ainda mais a distorção de autoimagem e o excesso de autocrítica na busca do “corpo perfeito”, que seria, segundo esse sofisma imposto, o corpo feliz.
Assim, a corrida para perder peso, a contagem obsessiva de calorias, a busca pela dieta mágica que vai finalmente tornar meu corpo aceitável e a inevitável comparação com os corpos dos demais, só colaboram para eternizar o círculo vicioso.

A discriminação contra qualquer tipo de corpo, contra qualquer forma ou biotipo que não se encaixe no padrão impossível da magreza extrema, é uma distorção
tão feia quanto o racismo, o sexismo ou a xenofobia.
Porém, quanto mais o Yoga se populariza, parece que mais se reforça a identificação das práticas com essa ditadura da imagem do corpo “perfeito”. Assim, e apesar do Brasil ser o país da miscigenação, é raro ver em algumas salas de Yoga, pessoas que não sejam brancas, magras, jovens e elegantes.

O corpo como símbolo.
Como é que chegamos a esse ponto? Como é que o Yoga, que sempre foi uma ferramenta para a liberdade, o autoconhecimento e o crescimento interior, acessível a todos, acabou sendo apresentado como uma ferramenta para submissão do corpo humano, concretamente o corpo feminino, ao modelo irreal imposto pela cultura dominante?

Viver é coisa do corpo. O corpo é a realidade orgânica, o palco das experiências onde a vida acontece. Porém, há muito mais guardado nele: o corpo também é uma construção ideal, é a inflexão que nos torna gente, através da qual nos identificamos como humanos dentro dos contextos ambiental, social e familiar.

O corpo é, igualmente, a referência através da qual construímos e projetamos a imagem de quem somos, tanto como indivíduos quanto como raça humana.
Nesse sentido, o símbolo que é o corpo é capaz de construir e transmitir significados e mensagens através da sua forma. Isso, por sua vez dá lugar a
costumes, gestos ou formas de conduta padrão, que determinam e condicionam as escolhas dos indivíduos.
O pior é que muitas vezes, pensamos que tomamos decisões ou perseguimos desejos usando nosso livre arbítrio, e não nos damos conta de que estamos apenas seguindo condicionamentos impostos, que nada tem a ver conosco ou com a plenitude que somos.
Assim, quando nos expomos à imagem de uma esbelta modelo num āsana complicado sorrindo relaxadamente como quem não faz esforço algum, a mensagem implícita na foto pode afetar negativamente a nossa autoestima,
uma vez que a nossa experiência prática nem sempre coincide com o que vemos.
E isso não precisa acontecer dentro da sala de práticas: pode se revelar ao perceber a dificuldade para amarrar os próprios cadarços.

Modelos e paradigmas.
Antigamente eram as artes, a pintura e a escultura. Atualmente, os meios de comunicação são os grandes responsáveis pela divulgação dos padrões comportamentais e estéticos que transmitem valores como saúde, beleza, bem-estar ou tranquilidade. Esses padrões, ao mesmo tempo, funcionam como imposições ou soluções para a realização da felicidade.
Assim, o Yoga é representado muitas vezes não apenas como modelo de vida saudável ou prática terapêutica para, digamos, regular o peso ou combater a ansiedade, mas igualmente como agente para a imposição de condutas e escolhas.

Esse último aspecto, menos visível, inclui ainda a condena ou a rejeição daquilo que não se encaixa no padrão, gerando igualmente estigmas, remorsos e culpas.
Os āsanas são usados como ferramentas para seduzir ou pressionar a pessoa em direção àquilo que ela deveria ser em termos físicos.
No caso da publicidade de algum produto associado à imagem, ainda temos mais um cruel twist implícito: “adquirindo este produto você ficará idêntico ao modelo e passará a formar parte do seleto clube daqueles que estão de bem com a vida”.

A cilada das adaptações.
Claramente, percebemos nessas representações do Yoga que houve uma mudança nas prioridades ou fins, naquilo que se espera da prática, que se adapta dessa maneira aos valores e padrões da sociedade de consumo.
O foco não mais está na iluminação, na tranquilidade, na autoaceitação, no contentamento, na vida feliz ou em cultivar os valores, mas em modificar a forma exterior.
O tema agora é conseguir uma imagem “aceitável” do próprio corpo, encaixotando-o a qualquer preço no cânone de beleza, e buscando obsessivamente o esquivo ideal da perfeição nas posturas, como se a iluminação
e a felicidade estivessem escondidas nelas. O problema é que essa atitude, necessariamente, acaba em sofrimento e frustração.

Na ânsia dos anunciantes por associar produtos com o corpo-objeto feminino para lucrar, e na distraída e conveniente aceitação que algumas modelos cultivam para entrar no jogo (só para ficar com o tema da publicidade associada às imagens da prática), se perde a dignidade da mulher e se eterniza a exploração da sua imagem.
O tema se amplifica ainda mais quando as pessoas, de maneira voluntária porém um tanto inconsciente, entram na corrida para se exibir ou fotografar em
posturas cada vez mais exigentes, não apenas pondo em risco a própria integridade física, mas igualmente privilegiando de maneira clara o registro, em detrimento da própria vivência.
Digo isso plenamente consciente de que questionar a objetificação do corpo feminino pode me atrair a ira daqueles que pensam que estamos aqui censurando o direito de cada um de buscar a felicidade de acordo com seu próprio gosto.
Ou buscando “a sua própria verdade”, como está na moda dizer. Minha intenção não é condenar condutas ou opções mas convidar à reflexão. Pois um dos objetivos do Yoga é justamente nos fazer refletir sobre nossas crenças e paradigmas (e se for o caso, mudá-los), não é mesmo?

A comunidade do Yoga é reflexo da sociedade?
Quando comecei a praticar, no início da década de 1980, as coisas não eram assim: lembro bem que, na minha primeira turma, na cidade de Montevidéu, havia donas de casa, jovens, adultos, magros, gordos.
Praticávamos juntos na mesma sala minha mãe, meus irmãos e amigos, e pessoas que teriam idade para ser nossos avós.

Os corpos eram diversos em todos os sentidos, e um fiel reflexo da sociedade uruguaia da época. Hoje em dia, o que vejo no ambiente do Yoga, seja na América do Sul, na Europa ou até mesmo na África, difere em muito do que vejo nas ruas.
Minha condição de estudante, que vivia com apenas algumas moedas no bolso, não me permitia pagar pelas aulas, mas mesmo assim meu professor foi muito
generoso e me deixou praticar sem pensar no dinheiro.
Somente muitos anos depois, já morando no Brasil, é que voltei àquela escola para fazer uma doação que compensasse e retribuísse a magnanimidade do meu professor.

Yoga para todos.
Se não fosse por essa atitude dele, não sei se teria conseguido aprender Yoga. Pelo menos, não teria começado tão cedo.
Seria bom se pensássemos, como professores de Yoga, se estamos de fato fazendo algo válido nesse sentido, tanto para compartilhar o ensinamento com aqueles que não podem pagar por ele, quanto para confirmar que não estejamos, mesmo que inconscientemente, intimidando ou desestimulando de se aproximar do Yoga, a pessoas cujos corpos não se encaixam no estereótipo vigente.
Talvez assim, com a conscientização de todos, a nossa comunidade de Yoga pudesse, aos poucos, ser um reflexo mais fiel dos corpos da sociedade em que
vivemos. Com isso, poderíamos também frear a avalanche na qual está se transformando a ditadura das formas e das práticas rígidas, padronizadas e congeladas, que não levam em consideração as características únicas desde cada corpo.

Já recebemos a suficiente pressão noutros lugares. Na prática, podemos deixá-la de fora. A ideia, em relação à prática de Yoga é oposta a essa imposição:
que possamos nos encontrar em casa. Que possamos estar em paz conosco e com o mundo. Que possamos ser o que somos. Que possamos nos aceitar como pessoas plenas e felizes, dentro das nossas próprias limitações.

Sem críticas nem pressões. Sem retoques digitais nem maquiagem. Sem condenas nem culpas. Sem questionamentos à própria autoestima. Sem sermos
olhados como mercadoria.
A retomada da meta original do Yoga e a correção do rumo que damos às práticas, depende unicamente de nós mesmos. E disso dependerá também, o Yoga que nossos netos recebam. Qual é a herança que lhes queremos deixar?
Namaste!

27 de outubro de 2015

Plena Consciência - Swami Dayananda


"Acordamos pela manhã. O mundo está aí fora, como que nos esperando. Muitas coisas nos acontecem, algumas gostamos, outras nem tanto. Desde o ponto de vista da consciência relativa, assim é que vemos a vida. Esta é a vida e sua aparência habitual.
Desde o ponto de vista da pura consciência, o corpo é o mundo ( e através dele ) surgem em você cada manhã. Essa é a Realidade e não o contrário.
Tudo acontece neste espaço aberto que somos. Tudo absolutamente tudo, depende sua 'realidade' a esta Realidade que você é. As imagens de um espelho não podem existir sem o espelho...

A Realidade que somos, que nunca podemos negar, atua e vive em nós, através de nós, e como nós. Não há mais nada. Isto é tudo.

Agora, partindo deste ponto de referência limitado, este ego, ou pessoa, ou entidade ( que acreditamos ser independente da Realidade ), tudo parece ser caótico, incerto, limitado. Mas se olharmos coma atenção, este mesmo ponto de vista, este ego, não é por acaso uma aparência a mais na Totalidade, no Real? Um conjunto de pautas, de ritmos, nada distante do turbilhão de um riacho ou do vôo de uma abelha.

A Pura Consciência não é algo fixo, algo que começa aqui e termina ali. Este saber que somos, esta sensação de presença é como uma porta aberta. Se olharmos para dentro, mais a mais, acabamos em nós mesmos. 

Se olharmos para fora, mais e mais, saímos do portal e mais além... o ilimitado, o insondável...

A Pura Consciência, onde 'fora' e 'dentro' são o mesmo espaço. Um só espaço.

Os limites são convenções, que emergem obviamente, desse único espaço.

Assim está tecida a realidade da vida. Mas este espaço de onde tudo surge é a plenitude. Já somos este espaço, mesmo que a nível pessoal, nada nos pertença.
O que surge a cada instante é o que somos.

Se buscamos e buscamos a plenitude e a paz, nos afastamos. Se esquecemos desta plenitude e desta paz, e nos entregamos completamente ao que surge, seja o que for, nos encontramos.
E ao encontrarmos, encontramos a paz e a plenitude."

Swami Dayananda Saraswati , em Yo soy ese Ser, cuya naturaleza es consciencia ilimitada"

24 de outubro de 2015

Sobre o 'eu', 'você' e a Presença - Sambodh Naseeb

 

"Quando eu olho para uma pessoa, eu sinto que “eu” estou olhando para aquela pessoa. Então digo que “eu” sou o sujeito (CONHECEDOR). Certo? E a pessoa é o objeto que estou olhando (O CONHECIDO). Em resumo: vamos chamar de objeto tudo aquilo que não sou eu, tudo aquilo que está sendo visto por mim. Ok?

Bem, então eu concluo que “eu” sou o sujeito, e “você” é o objeto. Parecem coisas separadas, não? Eu e você. É natural que se pense que são coisas separadas. Eu estou aqui, você está aí. Eu estou aqui, a parede está ali. Eu estou olhando, você está sendo olhado. Coisas separadas. Parece óbvio.

Agora vamos olhar mais de perto ...

Se eu digo que “eu” estou olhando, então, quem sou “eu”? O que estou me referindo como "eu"? É o corpo que está olhando ou é a mente que está olhando? É possível que você diga que é a mente que está olhando. Talvez você pense que o corpo não pode olhar sem o auxílio de uma mente...

Muito bem. Agora vamos adiante ...

Se é a mente que está olhando, o que é a mente? Você já reparou que a mente é um processo de pensamentos que aparecem para você? Você já deve ter percebido que você tem uma experiência da mente pelos pensamentos que tem, tanto que você diz que a mente existe, e não tem nenhuma dúvida quanto a isso. Mas quando eu olho para você, é um pensamento que olha?
Um pensamento pode olhar? Quando eu ouço os pássaros é um pensamento que escuta? Quando eu sinto o toque de sua mão na minha, é um pensamento que sente o toque?

Um pensamento tem consciência? Ou sou EU que tenho consciência do pensamento? Então, o que é este eu? Se peguei o ponto, caio nesse espaço livre de puro relaxamento e silêncio agora. Este novo EU que encontro com uma pequena investigação interna me faz entender que meus pensamentos aparecem para mim, e que EU não sou os pensamentos, mas sim, a Consciência
ou o Espaço Consciente aonde surgem os pensamentos.

Em meditação isso fica muito óbvio. O silêncio que permanece é um Silêncio Consciente. Há uma Consciência do silêncio. EU SOU a consciência do silêncio. A meditação é um lindo recurso para experimentar diretamente a Presença. E experimentar a Presença é Ser a Presença. Mas nesse ponto já podemos dizer que Ser a Presença não é mais agora algo oculto, secreto, dom de místicos. Não! Ser a Presença é simplesmente Ser. 

Ela nunca está oculta! 

A Presença, pelo seu próprio nome, é o que está sempre presente!!! Tudo o mais pode não estar Presente, mas a Presença está. Como a Presença poderia não estar se ela é você?

Então, o caminho é: use a auto-investigação ou a meditação e reconheça o que a Presença é. Deixe bem claro o que a Presença é. O que a Consciência é.
Depois disso, reconheça que ela está sempre presente como a base de toda a experiência! Porque depois de reconhecer a Presença vem a parte da integração e alinhamento desta descoberta com a vida diária comum.

Esta nova Visão de si mesmo, por si só, começa a operar milagres."

Sambodh Naseeb

17 de outubro de 2015

Ciência e interioridade - Osho


"Pergunta: Um dos problemas básicos da ciência é a linguagem. A ciência está crescendo porque nós temos uma definição clara sobre o que estamos falando. Um dos problemas básicos para os cientistas, quando eles estão tentando compreender o que significa a jornada interior, é definir claramente, por exemplo, o que significa consciência. Eu lhe dou, como... 

A maioria dos cientistas não fazem qualquer diferença entre consciência (estar desperto), consciência (estar ciente) ou mente consciente. Eles estão usando este termo de uma mesma maneira. Assim, eu gostaria de lhe pedir, se for possível, que tenha uma compreensão a respeito desses termos.


Osho: Sim, não há dificuldade alguma. As palavras podem ser definidas claramente. A dificuldade não é por causa das palavras, a dificuldade básica está vindo de um outro lugar. É que o cientista, no fundo, não acredita que exista alguma coisa no interior. Ele pode dizer assim, ou pode não dizer assim, mas toda a sua formação, toda a sua educação faz com que ele confie somente nos objetos - os quais ele pode dissecar, os quais ele pode observar, ele pode
analisar, ele pode compor, criar, desfazer a criação, descobrir seus básicos componentes. Toda a sua mente é orientada para o objeto e a subjetividade não é um objeto. Assim, se ele quiser colocar a subjetividade diante dele sobre uma mesa isso não será possível.

Isso não é da natureza da subjetividade. Assim, o cientista segue descobrindo tudo no mundo, exceto a si próprio. Uma grande barreira existe, e a barreira
é que nada existe no interior.
Quando você corta uma pedra em pedaços, o que você encontra? - mais pedras. Você continua cortando em pedaços menores, pedaços menores. Você chega às
moléculas, você chega aos átomos, você chega aos elétrons, mas, ainda assim, você não chega a coisa alguma mais interna. Eles todos são objetos.
Ele também gostaria que a vida fosse descoberta dessa mesma maneira, e porque ele não consegue descobrir a vida dessa mesma maneira, ele começa a negá-la. E a consciência é ainda um problema mais difícil. Por ele
não conseguir tocá-la, dissecá-la, descobrir seus componentes, ele simplesmente a rejeita - ela não existe.

Assim, este é o seu preconceito. Por causa desse preconceito ele fica confuso. E esse preconceito pode desaparecer muito facilmente, se ele, hipoteticamente
aceitar - eu não estou dizendo que ele tem que acreditar, apenas aceitar hipoteticamente - que se existem coisas do lado de fora, então é muito científico que devem existir coisas que estão no interior porque na existência tudo está polarizado pelo seu oposto. O externo somente pode existir se existir um interno. O inconsciente somente pode existir se existir consciência. Isso é uma dialética simples da vida - e ele conhece isso - na existência, em todo lugar, ele encontrará a mesma dialética. Tudo está em oposição ao seu oposto. E ambos são, de alguma maneira estranha, complementares um ao outro - se opondo e ainda assim complementares um ao outro.

Negar o interior é uma atitude muito não-científica.
Assim, primeiro tem que se aceitar hipoteticamente que o interior existe.
Em segundo lugar, tem que se entender, que a metodologia que funciona para o exterior não pode funcionar para o interior. Simplesmente porque o interior é a dimensão oposta ao exterior o mesmo método não será aplicável. Você terá que encontrar uma nova metodologia para o interior. E isto é o que eu chamo meditação isto é a nova metodologia para o interior."

Osho - Trecho de uma entrevista à edição italiana.

15 de outubro de 2015

Um dia difícil - Jeff Foster


"Você ficou de pé durante o dia todo. Suas pernas doem... 
Você precisa comer. Você está em uma longa fila de espera para comprar seus bilhetes de trem, e eles acabam de anunciar que o seu trem está atrasado...

Você sente uma montanha de frustração, impaciência, irritação, e até mesmo agressão. Você reage; quer chorar, quer largar tudo.... 
Uma pessoa demora demais na máquina de bilhetes; as crianças gritam ao seu lado; tudo te irrita, a sujeira, o barulho e a incapacidade de controlar as coisas...
Sem tempo, sem sorte, sem fôlego... 
Seus pensamentos girando, sem parar. Ai que um dia terrível! 
Que mundo terrível! Que piada!

E mais e mais... 
A respiração!

De repente você se lembra, que está respirando. E a respiração é agora! E há somente agora!

E você sente seus pés cansados ​​em vez de pensar sobre eles. 
Você dá-lhes um pouco de atenção, com amor. 

E você sente a frustração em seu peito, ao invés de tentar excluí-la. 
E você sente o peso do seu corpo, do jeito que repousa suavemente na gravidade, apoiado pela terra sagrada. 

E você sente sua barriga se expandir lentamente, levantando-se na inspiração, e abaixando na expiração; E todos os sons ao seu redor são agora inocentes; você é um microfone. 
E os pensamentos zumbindo ao redor, eles são apenas pequenos pássaros, batendo de distância. E está tudo ok! Está tudo ok! É tudo um grande presente!

E você encontra a gratidão novamente... 

Você está vivo, e lhe foi dado mais um dia... 

Um dia para viver... 
Um dia para respirar, e saborear a vida, saborear a alegria e a tristeza dele, a felicidade e o tédio, a frustração e a corrida e o zumbido, a tolice e o caos dele. Tudo. Tudo em um dia...

Você já se rendeu... relaxou...
E está recebendo o seu bilhete, pegando seu trem, indo para casa... confiando que de alguma maneira - que nunca saberemos - tudo está absolutamente perfeito...

14 de outubro de 2015

Educando sem condicionar - J.Krishnamurti


"Pergunta: É possível educarmos os nossos filhos sem condicioná-los, e, se o é, de que maneira? Se não existe, uma coisa tal, como “condicionamento bom” e “condicionamento mau”? 

J.Krishnamurti: É possível educar as crianças, sem condicioná-las? Achais possível? Eu não acho. Tende a bondade de escutar; vamos investigar juntos. Antes, porém, liquidemos a última parte da pergunta — se há “bom condicionamento” e “mau condicionamento”. Por certo, há apenas condicionamento, sem que seja “bom” ou “mau”. Podeis achar que é um “bom condicionamento” crer em Deus, mas na Rússia comunista dir-se-á que é um “mau condicionamento”. O que chamais “bom condicionamento” outro poderá chamar de mau, o que é um fato muito óbvio. Esta questão, portanto, pode ser
liquidada muito facilmente.

Resta a outra questão: Pode-se educar as crianças, sem condicioná-las, sem influenciá-las? Ora, tudo o que as cerca está a influenciá-las. O clima, a alimentação, as palavras, os gestos, as conversas, as reações inconscientes, as outras crianças, a sociedade, as escolas, os livros, as revistas, os cinemas — tudo está a influenciar a criança. E pode-se acabar com tal influência? Impossível, não achais?

Podeis não desejar influenciar, condicionar, o vosso filho; mas, inconscientemente, o estais influenciando, não estais? Tendes as vossas crenças, vossos dogmas, vossos temores, vossos princípios morais, vossos planos, vossas ideias sobre o que é bom e o que é mau, e, assim, consciente ou
inconscientemente, estais moldando a criança. E se vós não o fazeis, a escola o fará, com os seus livros de História, que falam dos heróis maravilhosos que
nós temos e outros povos não têm, etc. etc. Tudo isso está influenciando as crianças, e, portanto, precisamos, em primeiro lugar, reconhecer este fato
evidentemente.

O problema, agora, é este: podemos ajudar a criança a desenvolver-se para investigar inteligentemente todas as influências? Estais compreendendo? Sabendo-se que a criança está influenciada por tudo o que a cerca, tanto no lar como na escola, pode-se-lhe prestar a necessária assistência, a fim de a capacitarmos a investigar todas as influências e nunca se deixar dominar por nenhuma delas? Se tendes realmente a intenção de ajudar o vosso filho a investigar todas as influências, a vossa tarefa será dificílima, não é verdade? 


Porque isso exige não só o exame de vossa própria autoridade, mas de todo o problema da autoridade, do nacionalismo, da crença, da guerra, do militarismo — um exame completo da coisa, o que significa: cultivar a inteligência. E quando existe essa inteligência e a mente já não aceita nenhuma autoridade nem se deixa ajustar, por medo, aos padrões vigentes — então, toda influência é devidamente examinada e posta a parte. Por conseguinte, a mente não fica condicionada. 
Ora, isto é possível, não? E a função da educação não consiste, justamente, em cultivar esta inteligência, que é capaz de examinar objetivamente qualquer influência, de investigar todo o “background” , tanto nos níveis imediatos como nos mais profundos, de modo que a mente nunca esteja sujeita a condicionamento algum?

Afinal de contas, todos estamos condicionados pelo nosso “background”; nós somos esse “background”, constituído pela nossa tradição cristã, por essa
extraordinária vigilância por parte da mente, não é exato? O homem religioso não é americano, nem inglês, nem hindu, e sim um ente humano; não pertence a nenhum grupo, raça ou cultura, e por conseguinte é livre para descobrir o que é verdadeiro, o que é Deus. 
Cultura alguma pode ajudar o homem a descobrir 
o Verdadeiro. 

As culturas só criam organizações para agrilhoar o homem. Importa, por conseguinte, investigar tudo isso, não só o condicionamento consciente, mas também — o que é muito mais importante — o condicionamento inconsciente da mente.
E o condicionamento inconsciente não pode ser examinado superficialmente pela mente consciente. Só quando a mente está de toda quieta, pode ser revelado
o condicionamento inconsciente — não num dado momento, mas a qualquer hora: quando damos um passeio a pé, ou viajamos num ônibus, ou conversamos com um amigo. Havendo a intenção de descobrir, ver-se-á que
o condicionamento inconsciente sairá aos jorros, e estarão assim abertas as portas para o descobrimento."
J. Krishnamurti em Realização sem esforço

11 de outubro de 2015

Quem é seu Guru? - Jeff Foster


"Quem é seu Guru?

É a quele que te faz rir até que seu estômago doer e faz você roncar até se derramar... este é o seu guru.

É aquele que te faz chorar e desabafar seus segredos, este é o seu guru.

É ele que te desafia, e que detona a velha dor em você; é o que te faz enfrentar seus medos e desejos mais profundos; o que ajuda você a dizer a verdade, este é o seu guru.

Cada respiração é o seu guru. Cada batida do coração. Cada som.

A brisa da manhã acariciando seu rosto é o seu guru.

O carro que não para, a oportunidade perdida, a promessa quebrada, o cristal trincado, tudo é o seu guru.

Aqueles que você ama, os que te frustram ao máximo, os que te  aborrecem às lágrimas, aqueles que você nem lembrar, eles são seus gurus também.

Toda essa vida, tão fugaz, tão presente, tão rica em bênçãos, é o seu guru.

Você pode encontrar o seu guru em um ashram, numa igreja, num templo, mas o verdadeiro altar é o lugar onde você está, e o livro sagrado está sendo escrito em você mesmo agora.

Podes buscar sua auto-realização em uma caverna ou no topo de uma montanha, mas, se você olhar mais profundo sobre o momento presente, você vai perceber que você já está lá. Sua presença é mais perto do que a próxima respiração.

O Reino se estende por toda a terra, a espera de uns olhos bem abertos...

- Jeff Foster

9 de outubro de 2015

Sobre os Mantras - Pedro Kupfer


1) Para que servem os mantras?
A palavra mantra significa em sânscrito instrumento para o pensamento [adequado] (man = pensamento, mente; tra = instrumento). Basicamente, um mantra é uma fórmula sonora que tem um significado, uma vibração, e tem como objetivo lembrar algo importante para o praticante.

Nesse sentido, os mantras obedecem a um princípio duplo, que é o que orienta todas as práticas meditativas: 1) Por um lado, constituem uma preparação para
purificar os pensamentos; 2) Por outro, são práticas de contemplação que têm o
objetivo de relembrar o ensinamento.

Esse som pode consistir em um monossílabo, como o mantra Om, uma frase curta, como Om Gam Ganapataye namah (eu saúdo Ganesha, o deus-elefante), ou uma estrofe de 24 sílabas, como é o caso do Gayatri mantra. O mantra pessoal é prescrito tradicionalmente por um mestre, em função da necessidade e do perfil psicológico do praticante.

2) Como podemos usar os mantras na prática? Por exemplo, quantas vezes podemos repeti-los?
Tradicionalmente, um número razoável de repetições é 108. Para um mantra polissilábico como o Gayatri, por exemplo, isso significa uns 20 minutos por prática.
No entanto, há práticas como o purashcharana, em que se fazem 1000 repetições diárias até completar 2.400.000 ao cabo de sete anos. Isso totaliza 100.000 repetições por cada uma das 24 sílabas do mantra.

Outra maneira de usar os mantras é associar a sua repetição mental com a respiração, como no caso do ajapa japa, técnica que consiste em acompanhar a observação da respiração com a mentalização do mantra soham.

3) O que precisamos fazer para entoá-los?
O Kularnava Tantra nos ensina que há três formas de fazer um mantra: mentalmente, murmurando, e em voz alta. Dessas maneiras, considera-se que o mantra murmurado seja mais poderoso que aquele feito em voz alta, e que o mantra feito mentalmente seja mais eficiente que o murmurado.

No entanto, a mesma escritura nos aconselha a mudarmos de técnica quando percebermos que estamos perdendo a concentração ou quando estamos nos
distraindo, passando da repetição mental para a verbalização em voz alta ou vice-versa.

É possível também associar o mantra com um yantra, um símbolo. Por exemplo, ao gayatri mantra corresponde o yantra do mesmo nome, que pode ser visualizado mantendo-se os olhos fechados ou focalizado com eles abertos durante a meditação.

4) Quais são os efeitos dos mantras?
Os mantras têm a capacidade de servir como foco para que a mente se concentre. Ela tem a sua própria agenda e dificilmente pode ser controlada. Se você percebe esta dificuldade na sua meditação, isso significa que sua mente é totalmente normal. Respire aliviado, pois isso acontece com todo o mundo.

Seu trabalho durante o mantra, consiste justamente em trazer incessantemente a mente de volta para o som do mantra e refletir sobre seu significado. Isso traz
como consequência o aquietamento da mente. Essa paz mental não é um fim em si mesmo, mas um meio para conseguir o discernimento, para preparar-se para a libertação, moksha. Muito embora os mantras possam ser usados para relaxar, combater a ansiedade ou o estresse, esse fim não deve ser esquecido.

5) Como funcionam?
Conhecer o significado do seu mantra, se você tem um, é fundamental. Tem pessoas que afirmam que os mantras não tem significado, ou que saber o que o mantra quer dizer não é importante, para afastar a desconfiança dos cristãos, ou para apresentar a prática da meditação sobre eles como algo científico. Se o
mantra foi especialmente escolhido para você, como é que ele não tem significado? Como posso confiar na eficiência desse mantra ou nas boas intenções de tais professores?

O Rudrayamala, um texto antigo de Yoga, diz:
Os mantras feitos sem a correspondente ideação são apenas um par de letras mecanicamente pronunciadas. Não produzirão nenhum fruto, mesmo se repetidas um bilhão de vezes.
Mantras sem significado não funcionam. Todo mantra sânscrito significa alguma coisa ou aponta para algum aspecto da realidade, adequada como tema de reflexão para cada praticante.

6) Por que fazê-los-los em sânscrito?
Na tradição hindu, os mantras são considerados Shruti, revelação. Isso significa que esses sons não foram criados por um autor humano, mas percebidos em
estado de meditação pelos sábios da antiguidade, chamados rishis.

Esses sons descrevem as diferentes revelações que estes sábios tiveram, e servem como indicadores para orientar os humanos em direção ao autoconhecimento.
Por exemplo, os mahavakyas, as grandes afirmações da tradição dizem: aham Brahma'smi, Sou a Consciência, tat tvam asi, tu és Aquilo (Brahman), etc.

A língua sânscrita é considerada uma língua revelada, portanto sagrada, assim como o aramaico, o hebraico ou o latim o são para a religião judaico-cristã. Como língua, o sânscrito tem a virtude de conseguir comunicar nuanças de significados muito sutis, e sua vibração sonora produz efeitos não somente na mente mas também, por ressonância, nos corpos energético e material.

Por outro lado, o fato de que estes mantras estão sendo recitados nessa língua há milênios, por milhões de pessoas incessantemente, torna a sua força muito
especial. A prática dos mantras nos permite e facilita a conexão com as verdades para as quais eles apontas."

7 de outubro de 2015

Coração partido - Jeff Foster


"Seu coração está partido. 
Você não se sente mais em casa. 
O mundo que você conhece está caindo. 
Você sente que perdeu algo muito valioso para você. 
A vida não parece justa, amigável e correta. Sente vontade de fugir. 
Voltar ao modo como as coisas eram no passado ou se projetar para o futuro e ver como poderiam se tornar. 
Você se sente desconectado, sozinho, perdido, muito além de qualquer ajuda.

PARE. RESPIRE.
Isto é exatamente como as coisas têm que ser agora. 
Esta é a vida, não uma violação à vida. 
O universo nunca poderia "errar". 
A vida simplesmente  "erra" em nossos pensamentos.

Saia do filme do passado e do futuro, do tempo e espaço, e preste atenção a um momento sagrado, este momento, agora, o único tempo que existe.

Lembre-se de sua presença aqui e agora. 
Sinta o pulsar do corpo.

Sinta os batimentos cardíacos, a expansão e contração do tórax. 
Sinta a vida real é aqui, envolvente, preenchendo, incentivando, sentindo-se. Sinta os pés no chão.

Lembre-se que o próximo passo só pode ser tomado a partir daqui, a partir de onde você está, a partir do solo verdadeiro.

Relaxe no fato de não saber o próximo passo, antes de realmente dar.

Confie neste momento.

Estou aqui. 
Sim, eu sei... aqui!

Seu coração vai ser partido, amigo, seus sonhos podem estar se transformando em pó, no entanto, você está sempre no lugar certo para a vida."
- Jeff Foster

4 de outubro de 2015

Deus é sempre disponível - Osho


"Pergunta - Osho, por favor, explique por que não sentimos o divino que está aqui e agora, dentro e fora, que está em mim, em você e em todos. -
Isso vem de Swami Yoga Chinmaya.

Osho - É porque você é muito você, e pesa demais sobre si mesmo. Porque você não consegue rir, o divino fica oculto. Porque você é muito tenso, fica fechado. E essas coisas que você pensa - que o divino está aqui e agora, dentro e fora, em você e em mim - são apenas coisas da cabeça, não são seus sentimentos. São pensamentos, não realizações. E se você continuar pensando nessa linha, nada disso se tornará sua experiência. Você pode se convencer, através de mil e um argumentos, de é que isso mesmo, mas isso nunca se tornará sua experiência. Você continuará perdendo.

Não é uma questão de argumento, de filosofia, pensamento, contemplação - não. É uma questão de mergulhar profundamente no sentido do fenômeno. A pessoa tem de sentir, não pensar sobre. E para sentir esse fenômeno, a pessoa tem de desaprender.

Você está tentando uma coisa absolutamente impossível: pensando, está tentando perceber Deus como realidade. Ele permanecerá uma filosofia, nunca se tornará sua experiência. E a menos que ele seja uma experiência, não será algo libertador. Vai se tornar um aprisionamento; você morrerá nesse aprisionamento de palavras.

Você é muito você - sua cabeça tem que ser cortada, completamente cortada. Você está muito na cabeça e é muito você. 
Deus não é o mais importante; você é o mais importante. Você quer conhecer Deus; Ele é ênfase, você é a ênfase. Você quer alcançar Deus; não que ele seja importante, você é importante - e como pode viver sem alcançar Deus? Ele tem que ser possuído, mas a ênfase está em você. Eis por que você continua perdendo.

Abandone o "você". Então, não há necessidade de se preocupar com Deus - ele vem por conta própria. Uma vez que você desapareça, ele vem. Uma vez que você esteja ausente, Sua presença é sentida. Uma vez que você esteja vazio, Ele corre em sua direção.

Abandone todas as filosofias e tudo o que aprendeu, e todo o conhecimento que tomou emprestado, e tudo o que se tornou um peso na cabeça.

Abandone isso tudo. Fique limpo, tudo isso está podre. Uma vez que esteja limpo, nessa limpeza você começa a sentir algo surgindo. Nessa inocência está a virgindade. Deus está sempre disponível."
- Osho em Palavras de Fogo

1 de outubro de 2015

Porque você não pode dar errado? - Jeff Foster


"Porque você não pode dar errado?

Na realidade, seu mundo está configurado de modo que nada acontece com você, mas tudo acontece para você - para o seu despertar, para o seu crescimento, para sua inspiração, para a sua exploração e, finalmente, para a sua cura - mesmo se você esquecer disso, ou não pode vê-lo, ou, por vezes cair em distração, desespero e desilusão.

Quando não há nenhum destino fixo, você não pode nunca perder o seu destino, logo, você não pode nunca perder o seu caminho; logo, nada do que acontece em sua vida pode levá-lo para fora do seu caminho. 

Seu caminho é o que acontece, e o que acontece é o seu caminho. Não há nenhum outro.

Tudo é um presente neste caminho inquebrável que você chama de sua vida - o riso, as lágrimas, os momentos de grande tristeza, as experiências de profunda perda, a dor, a confusão, as vezes que você acredita que você nunca vai fazer isso, mesmo o desgosto esmagador de amor - mesmo se você esquecer, por que não consegue ver, ou às vezes, perde a fé em todo esse show.

Mas até mesmo a perda da fé no show é parte do show, e até mesmo a cena em que 'algo der errado "não é indicativo de o filme que vai mal, e assim você está sempre exatamente onde você precisa ser, acredite ou não.

A vida pode ser confiável absolutamente, mesmo quando a confiança parece estar a um milhão de anos-luz de distância; 
A vida não pode dar errado.
É a vida para todos, e a vida é tudo.

Entenda isso, sinta isso no seu coração...
A espiritualidade é profundamente simples, tão simples como respirar, tão natural quanto olhar para as estrelas à noite e cair nessa maravilha silenciosa.

O universo é mais bonito do que você jamais poderia imaginar."

Jeff Foster
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