31 de julho de 2013

Isto é o Todo, Aquilo é o Todo - Osho


"Aum representa a música da existência, o Som do Silêncio, quando todo seu ser está mergulhado em alegria. 

Aum representa a harmonia máxima que Heráclito chamou de “suprema beleza harmônica”; se tornar um com a Música da Existência, florescimento e exuberância.

No momento em que você está bem Uníssono com o
Todo, cada fibra e célula de seu corpo podem dançar sem nenhuma causa específica; é a dança, e a dança apenas acontece sem causa, eternamente – alegria imotivada, alegria que não depende de nada. É uma alegria intrínseca, música natural , sua espontaneidade.

Todos os Upanishads começam lembrando isto:

“Aum"
ISTO é o todo.
AQUILO é o todo.”


AQUILO representa o mais profundo DISTO.
Denomina-se AQUILO, porque não é conhecido ainda. Para aqueles que conhecem, existe apenas ISTO e não AQUILO, ou apenas AQUILO e não ISTO. 
A Dualidade desaparece mas para o cego a dualidade ainda está aqui. 
Tudo é Dual se você está internamente dividido.

Ou seja, AQUILO que você vê ainda não percebe o
invisível. 
É como a roda e o eixo. A roda se mexe, mas o eixo permanece imóvel. Todo o movimento depende de algo estável: toda mudança depende de algo eterno no tempo, algo não nascido do tempo. Nascimento e morte acontecem 
em algo que nunca nasceu e nunca morrerá.

Isto representa tudo o que é necessário para
uma pessoa não iluminada se tornar Iluminada. 

Se você está pleno de Luz, você tem claridade, percepção e transparência; você pode ver através e através. O centro permanece naturalmente escondido; apenas a circunferência é percebida pelos sentidos. Você pode ver apenas na superfície, você não pode ver a profundidade. 

Se você vai ao Oceano, você pode ver apenas a superfície; você não pode ver o profundo. Para ver o profundo você precisa mergulhar profundamente; quanto mais profundo você for, você desaparecerá profundamente no Oceano, você se tornará um com o Oceano. 
Nesta Unicidade, Deus é realizado.

As pessoas que argumentam sobre Deus, nada
sabem sobre Deus. Aqueles que sabem, não falam sobre Deus. 
Sim, a sua presença é a prova, a sua presença irradia ISTO, que manisfesta a 
expressão DAQUILO, mas eles não podem provar racionalmente, intelectualmente a existência de Deus. 

Deus não é um objeto. Ele não pode acontecer como uma experiência coletiva.

É por isso que a ciência continua negando a
Deus. E a ciência vai continuar negando a Deus, porque a ciência depende da observação coletiva; ela acredita apenas naquilo que pode ser observado por todo mundo. Ela acredita nas pedras porque pedras podem ser vistas por todo mundo; todo mundo concorda que pedras existem.(...)

Deus não é um objeto – você pode passar através
de Deus, você está passando através de Deus a cada momento. Você está respirando Deus; a 
batida de seu coração é a batida do coração de Deus. 
Mas Deus é tão próximo...mesmo a palavra “próximo” não está correta, porque mesmo assim cria uma certa distância. (...)

Deus é inseparável de você. Deus é o seu ser,
sua consciência. Não pode ser um objeto, pois é seu coração mais profundo que permanece oculto de você – a menos que você se vire 180 graus para reconhecê-lo na sua profundidade. (...)

O mesmo acontece na Iluminação: sua energia
começa a mover-se em si mesma, ela se torna circular.

Deus é a sua subjetividade; você não encontrará Deus em nenhum outro lugar. Mas uma vez que você tenha encontrado Deus em você, você O encontrará em todos os lugares, também. (...)

Deus é uma experiência improvável, porque seus
sentidos não O reconhecem. Se Deus fosse um objeto, seus sentidos seriam capazes de reconhecê-Lo. Deus não é um pensamento, também, por isso sua mente não pode reconhecê-Lo. (...) 

E fazer de Deus um objeto, é a maior blasfêmia, porque Deus é subjetividade. Você está mudando toda a concepção de Deus, está reduzindo Deus a uma coisa, Deus não é uma coisa.

É por isso que Gautama, o Buda, chama Deus de
Nothingness”. Lembre-se de que quando você usa a palavra “Nothingness”, significa No-thing, ou seja, ele não está dizendo que não existe Deus, Gautama - o Buda, está dizendo 
que Deus não é uma coisa.

E os templos e igrejas transformaram Deus em
uma coisa. (...) E pessoas continuam rezando a Deus como se Ele estivesse Lá, e não na profundidade da sua consciência, mas em qualquer outro lugar. 
É a mesma coisa! – Rezar para uma estátua ou para Deus no Céu, acima das nuvens, ainda é um objeto. 

Para Quem você está rezando? Sua oração significa que você aceita a idéia de Deus separado de você – aceitar essa separação é não-religioso. (...)

Mas pessoas estão lutando em nome de Deus, e
Deus se torna um pretexto porque a idéia de Deus nunca se conclui. E é isso que as pessoas religiosas vêm fazendo por séculos. Eles pensam que estão criando grandes idéias filosóficas. 
Professores de Filosofia e Teologia, não sabem nada sobre si mesmos, mas tentam provar que a idéia de Deus é verdadeira, quando eles mesmos vivem na em absoluta inconsciência. 
Se eles não fossem inconscientes, eles não argumentariam sobre Deus; eles VIVERIAM Deus, eles IRRADIARIAM Deus. Deus seria sua fragrância, a sua presença.

No Oriente, nos temos uma visão completamente
diferente. 
Existem apenas duas coisas. 
Na pessoa que ainda não é iluminada, existem 3 coisas: o corpo, a mente e a consciência. E por causa da mente, ela não pode perceber a consciência. 
A mente confunde, a mente é caótica, cria névoa, cria nuvens. 

A pessoa iluminada não tem mais mente; existe apenas silêncio. Logo, ela tem apenas corpo e a consciência. O corpo fica cansado, precisa de descanso, mas a consciência nunca se cansa, não precisa de descanso, é sempre alerta. O corpo é sempre adormecido e a consciência sempre acordada. 

A natureza do corpo é ser inconsciente e a natureza da consciência é ser 
sempre alerta. São qualidades intrínsecas. Uma 
vez que a mente não esteja mais, mesmo quando você dorme, apenas é o seu corpo que está dormindo, não você.

No Oriente, nós chamamos estas pessoas de
pessoa religiosas: aqueles que permanecem acordados e não dormem mais.(...)
E lembre-se sempre, apenas o cego acredita na luz. O homem que enxerga com seus próprios olhos, não precisa acreditar na luz (...)

Os Upanishads pertencem aos que vêem. 
Eles são expressões da experiência ultima da não-divisão, da não-separação do Todo, de Deus. 
Quando a gota de orvalho se  evapora da flor de lótus e se torna o Oceano."
Osho em I’m That, Talks on The Isha Upanishad.

29 de julho de 2013

Pais e Filhos - Osho


"Ser pai e mãe é uma grande arte. 
Dar nascimento a uma criança não é nada- qualquer animal é capaz de fazer isso. É um processo biológico instintivo; Dar nascimento a uma criança não é 
nada de mais, nada de especial nisso; mas ser pai e mãe isso sim é algo extraordinário. 

Pouquíssimas pessoas são realmente capazes de ser um pai ou uma mãe.
E o critério é que os verdadeiros pais darão ao filho liberdade. 
Eles não irão impor as suas verdades a criança, não irão cercear sua capacidade de expressão. Desde o início seus esforços serão de ajudar a criança a ser ela mesma. 
Eles a apoiarão, eles a sustentarão, mas sem impor suas idéias, nem os seus devem ou não devem. Eles não criarão escravos.

Mas é isso que os pais tem feito por todo o mundo: todos os seus esforços são em realizar suas próprias ambições nos seus filhos; os pais são muito confusos . Eles sabem que a morte está próxima e eles mesmos não conseguirão realizar suas próprias ambições, seus desejos ainda não foram realizados. 
Eles sabem que falharam, estão certos que morrerão de mãos vazias - do 
mesmo modo como nasceram.

Agora todo o seu esforço é em implantar suas ambições nos filhos, eles partirão, mas seus filhos estarão dando continuidade as suas ambições, e finalmente seus sonhos serão realizados por seus filhos.

Isso não acontece. O que acontece é que as crianças continuam frustradas como seus pais e acabam fazendo o mesmo com seus próprios filhos. Isso segue por gerações e gerações. Nós continuamos criando doenças, continuamos infectando as crianças com idéias que não irão promover suas vidas.

Trata se de um mundo estranho. Você não conhece verdadeiramente as pessoas, tudo o que se conhece são máscaras.(...)

Os pais continuam a comandar seus filhos, continuam a decidir por seus filhos. Eles não são autênticos com seus filhos. 
Eles não confessam a seus filhos, que falharam; pelo contrario, eles continuam afirmando que suas vidas foram um sucesso. E que querem que seus filhos vivam do mesmo modo que eles viveram.

Se seus pais estão desapontados com você e porque você optou por um caminho próprio e não deu vazão aos interesses deles, claro que eles ficarão desapontados com você, mas não se sinta culpada por isso, se não sua alegria será destruída, seu silencio será destruído, seu crescimento também. Continue seu caminho. 

Não se sinta culpada. A vida é sua e você vive de acordo com sua própria luz.

Quando você alcançar sua própria profundidade sua própria alegria, sua própria graça, então você poderá compartilhar. 

Eles ficarão com raiva - espere porque a raiva nunca é algo permanente, ela vem e vai. 
Espere ! 
Vá até eles quando estiver certa que estão mais calmos e estão em condições de retribuir com amor ao invés da raiva. 
Este será um ótimo caminho para ajudá-los."
Osho em I am That - Talks on the Isha Upanishad

28 de julho de 2013

Após o Despertar - Eckhart Tolle


"É uma grande curiosidade entre os buscadores espirituais em saber o que acontece na relação com o mundo exterior quando se chega ao despertar da consciência ou iluminação. Dentro destas bases, certa vez Eckhart Tolle respondeu a seguinte pergunta: 
- Você aponta que seu estado de consciência implicou numa redução de 80% na atividade de sua mente pensante. Isso criou alguma espécie de carência ou algo parecido?

E. Tolle - Bem, não tanto para mim, mas para as pessoas ao meu redor (risos). Isto é certo, pois as pessoas que me conheciam, especialmente a família, pais, alguns amigos, pensaram que algo errado tinha acontecido comigo – isto porque algum tempo após a mudança, eu prossegui com as 
estruturas externas de minha vida. 

Apenas prosseguia como se nada houvesse acontecido, porque ainda havia um ”momentum” e continuei seguindo-o durante três ou quatro anos. Então percebi que estas estruturas externas estavam totalmente fora do alinhamento com meu ser – no mundo acadêmico totalmente dominado pela mente, o ego dominado completamente. 

Então aconteceu um momento em que deixei tudo para trás…

Foi aí que as pessoas pensaram que eu estava realmente louco – abandonado uma promissora carreira acadêmica e indo sentar-se em um banco do parque, sem fazer mais nada. Era bem estranho, porque eu não tinha nenhuma orientação espiritual, ninguém para dizer-me “você não precisa viver no banco do parque, você pode continuar funcionando no mundo. Por uns tempos, o 
estado da presença, do ser, era tão satisfatório, belo e completo que perdi todo o interesse no futuro…quanto mais ter ambição ou viver para adquirir isto ou aquilo. 

Se o momento presente era tão preenchedor, por que precisaria do futuro? Mas naturalmente, no nível prático o futuro ainda opera, e saber disto à vezes ajuda. Você precisa tomar um avião daqui a alguns dias, ou aprender algo que leva certo tempo, aprender uma língua, ou o que quer que seja. Mas, eu não 
mais necessitava do futuro, internamente, e passaram-se anos antes que eu começasse a ser capaz de lidar com o mundo novamente, sem necessitar dele – era quase como uma forma de brincadeira. Iniciar coisas, fazer coisas e, miraculosamente, também um bom tanto de coisas 
vinham a mim…

Mesmo enquanto estava sentado no banco do parque, com quase nada em meu bolso, geralmente no último momento alguma coisa ocorria ou alguém vinha e novamente eu tinha algo com que viver, por enquanto. Milagrosamente isto sempre acontecia, e gradualmente, então, eu comecei a funcionar no mundo de novo.

Devo dizer que duas ou três vezes tentei voltar às estruturas do mundo, sentia que meu tempo no banco do parque estava terminando, então me dizia: “Ok, é melhor eu fazer alguma coisa”. 

Uma vez me candidatei a um emprego, e isto é bem engraçado, um emprego num banco mercantil na cidade de Londres (riso). Durante a entrevista, ouviram-me com interesse, mas não me deram o lugar. Depois candidatei-me a um emprego acadêmico e houve outra entrevista, só que devo ter dito algo, embora tenha evitado usar a linguagem espiritual, mas…havia seis ou sete 
professores ao meu redor e ao final da entrevista um deles me perguntou: 
O que você realmente quer fazer? (riso). 
E na realidade não havia nada que eu realmente quisesse fazer, então esta foi minha última entrevista – eu percebi que na realidade não queria voltar às estruturas do mundo.

Foi então que gradualmente as pessoas vieram e passaram a me fazer perguntas, começando com situações de ensino informal. Algo um pouco mais estruturado surgiu e então eu me tornei um professor espiritual aos olhos do mundo (risada), foi isto que aconteceu. Não ganharia um emprego se colocasse no meu currículo “não mais preciso pensar” , mas realmente é o que acontece. 

O próprio poder de ensinar vem deste estado, da consciência. Não sou eu, e sempre que começo a falar tenho esta sensação de que não tenho nada, absolutamente nada a dizer.

Assim, não é realmente esta pessoa que está fazendo qualquer coisa. Todo ensinamento que tem causado um certo impacto no mundo vem deste estado de não-pensamento, não tem nada a ver com esta pessoa aqui.."

26 de julho de 2013

Somente ISTO - Tony Parsons


"Isto é o sem forma na forma,
Isto é a vacuidade plena,
Isto é o mar de energia onde o nada se transforma em tudo, simultaneamente,
Isto sempre É.
Isto é completamente livre; 
Esta energia é a liberdade suprema.

Não existe autoridade nenhuma sobre ela, 
Não existe nenhum propósito,
Não existe nenhum sentido,
Nenhum significado,
Isto simplesmente É o que É.

Basicamente É, simplesmente É, Tudo o que existe.
Isto é alem da ideia de saber, de consciência, de conhecer.

É puro fluir,
E ao mesmo tempo, esta energia pode ser Tudo,
Pode se mover mais rápida que a luz
E ser totalmente vazia, simultaneamente.
E pode contrair-se como qualquer coisa que existe.

Nesta contração, numa fisiologia humana, eis que surge o senso de separação.
O senso de separação se manifesta imerso na fisiologia humana. Os pensamentos, as sensações são na verdade expressões desta energia indiferenciada, expressos no corpo denso.

O senso de separação gera o senso de identidade, e subitamente: Existe alguém; existe um eu, um me, um meu.
O surgimento do senso de separação é uma realidade artificial. 
Esta realidade artificial se baseia no objetivo-subjetivo, é uma realidade dual.

O eu, o me, somente existem nessa realidade dual.
Existem para que a energia possa conhecer a si mesma; conhecer-se enquanto consciência em si mesma ou auto-consciência.
Acreditar no eu, é uma outra maneira de que existe a separação. 
O eu cresce, e no convívio com outros "eus" acredita-se que o eu separado de outro eu, exista de fato. (...)

O foco na própria experiência, na própria auto-consciência, faz-se crer que o eu exista realmente. 
O senso de que o eu exista na dualidade, assim como as experiências próprias, criam o senso de livre escolha.
O eu acreditando que exista, cria o senso de livre escolha, e também acredita que exista no tempo. 
O que cria também a convicção de que possa influenciar sua própria história.

Este senso de separação, de independência, de livre escolha, de isolamento, cria o senso de insatisfação. Muitos vivem com estes sentimentos, isolamento e insatisfação.

Aqueles que são mais sensíveis, percebem que algo está faltando, algo está sendo perdido. Porque todas as experiências surgem como objetos separados, as árvores, o céu, pessoas, emoções, sentimentos também.. todos os elementos de qualquer experiência parecem estar separados, e isso é gera insatisfação.


O buscador surge dessa insatisfação; surge em busca de algo que una, que ligue, que dissolva esse sentimento de isolamento e insatisfação.
Buscam essa sensação de integração nas religiões, terapias ou algo que os ilumine, pois vivem no senso de que precisam fazer alguma coisa, já que acreditam na livre escolha. Como vivem pelos padrões duais, acreditam que algo irá ser feito para que o senso de separação se dissolva, e a iluminação aconteça.

Então eles encontram um mestre, ainda neste sonho da dualidade, crendo que o mestre irá levá-lo a chamada iluminação. E o buscador deseja também ajudar a outras pessoas a encontrar o caminho de luz, porque acredita que cada um tem sua livre escolha, e pode optar por este caminho.
O buscador se põe em busca. 
E como acredita na dualidade projeta sua busca para o futuro, para um mestre, para algo que virá a acontecer. Mas como a natureza da dualidade é objetiva-subjetiva, o buscador tem como meta o fim dessa divisão, onde encontrará o infinito. Mas no sonho da dualidade, o infinito não pode ser encontrado.

Porém todo o esforço do buscador em encontrar o infinito, o fim da divisão entre objetivo-subjetivo, só faz aumentar o eu, e com isso, o senso de separação e a necessidade de mais e mais esforço, para se alcançar a experiência derradeira.
O buscador é como se quisesse pegar o ar, com uma rede de se pegar borboletas... (risos)
É completamente infrutífero em seus esforços.

Tudo isso que coloco aqui é para que vejam como o sonho da dualidade cria o senso de separação e o mesmo sonho cria o desejo de união.

Com isso, é possível pouco a pouco irmos tendo vislumbres dessa percepção e compartilhar esta nova maneira de percebermos, cada vez com mais clareza, com mais compreensão.

Liberdade é diferente de Iluminação.

Liberdade é ainda uma crença, uma vaidade de que algo está preso e busca se libertar.

Iluminação é o silencio do fim da busca. 
É o colapso de qualquer separação, o relaxamento no presente, no reconhecimento da verdade última onipresente.
Na dualidade o buscador e a iluminação são duas coisas separadas. 
Na não dualidade nunca houve nem um nem outro.
Somente Isto."
Tony Parsons

25 de julho de 2013

O Jogo é Amar - Robert Happé


"Quando você me pergunta sobre a razão de vivermos aqui nesse planeta, e o que fazemos e por que há tanto caos...

Eu devo dizer que a vida é uma jornada, uma jornada para descobrir quem você é.
Quando se chega naquela encruzilhada em que descobre quem você é, então você chega à paz.

Uma vez que esteja em paz, você pode criar de acordo com sua consciência criativa.

Isso tem sido muito difícil. Nós temos tentado por milhares e milhares de anos criar um mundo que seja próspero, que reconhecemos uns aos outros como divinos e iguais, e compartilhamos e cooperamos mas nunca fomos capazes de fazer isso.

E por quê? Eu tenho me feito esta mesma pergunta.
Porque todas essas diversas culturas são tão extremamente diferentes? E quando você as estuda - e eu estudei bastante, viajei pelo mundo inteiro, vivi em países completamente diferentes, especialmente no extremo Oriente e Europa, e também aqui na América do Sul - e percebi que todas as pessoas são iguais. 

Todas elas querem amar e serem amadas. Mas não é isso que está acontecendo.
Apesar de todos nós querermos ser amados,de alguma forma é difícil para as pessoas amarem umas as outras; e serem honestas umas com as outras e trocar coisas de uma forma honesta.As pessoas organizaram nosso sistema de tal forma, que todos querem ter lucro. E muito lucro, o máximo possível. Isso é um tipo de doença.

E nós temos aqui todos esses banqueiros e agora tudo é sobre economia.
Todo mundo tem de lucrar e correr de um lado para o outro, passando doze horas por dia no trabalho, todos os dias, para pagar contas; esperando que tenham trabalho suficiente para fazer isso.E o mundo ficou louco. E ninguém respeita mais ninguém. Mas todo mundo usa todo mundo, para conseguir o dinheiro necessário e pagar as contas que precisam pagar. A situação ficou triste.

O amor foi totalmente esquecido.E isso é por causa do nosso sistema. Nosso sistema agora passou do dogma religioso para o dogma econômico, em que todos tem que passar um pouco mais para aqueles que controlam a economia. (...)
Nós chegamos a um período da nossa evolução em que as pessoas começam a ficar conscientes daquilo que precisa ser mudado na nossa consciência, para que tenhamos um mundo melhor.

E a solução não é remover pessoas de posições de poder, é mostrar uma nova face, mostrar uma face mais amorosa - não de medo, mas de amor - e todo esse é o objetivo do nosso aprendizado.
Quando você vem ao planeta Terra, quado você encarna aqui, você vem de um mundo que está unido, cheio de amor, e deste ponto você vai para um mundo tridimensional, que é um mundo de dualidade. Então, tudo o que costumava ser um é separado em positivo e negativo,masculino e feminino, e esses dois precisam se unir. Mas nós nunca aprendemos isso.

Nunca aprendemos nas nossas religiões, que o masculino e o feminino precisam se unir para ficarem conscientes.
Na verdade, nos deixaram com medo e disseram: Não, o divino, ou Deus, está lá fora,e você precisa adorá-lo e precisa ter esperança que ele o abençoará. Esse é um ensinamento falso.

Deus não está somente fora, essa é apenas metade da verdade; Deus está também dentro de nós. Somos todos seres divinos. Mas o problema com nosso aprendizado é que precisamos entender que a natureza animal e a natureza divina, que estão separadas precisam ser unidas. Então, é o animal em nós que é medroso, que está sempre lutando para conseguir mais e mais; E é o divino em nós que é capaz de cooperar e ser amoroso.
O trabalho para cada ser humano é unir essas duas energias dentro de cada um de nós.

A parte masculina que é a mente, e a parte feminina que é mais o coração; estes dois, precisam funcionar em harmonia.

A intuição, que é a energia do amor e da compreensão, está guiando a mente para fazer a coisa certa.

Se acreditamos em nós mesmos,imediatamente diríamos a coisa certa. Mas não acreditamos em nós mesmos, acreditamos em Deus em algum lugar lá fora, ou que Deus fará isso por nós ou que Ele nos abençoará.

Mas Deus não vai fazer nada disso, porque 
Ele já está dentro de você!
Estamos agora realmente, em um ponto, em que precisamos tomar novas decisões. Temos que perdoar o passado, não vamos acusar ninguém, mas precisamos respirar profundamente e dizer: "Como quero viver minha vida? Quero viver com medo que é projetado em mim, por todos os líderes do mundo, que estão nos manipulando e controlando? Ou vou ignorar isso, e apenas fazer o que meu coração sente que é a coisa certa a ser feita?"Então, você verá que será amigável com todo mundo. Um sorriso é como uma ondulação; quando você vê alguém sorrir, você se sente elevado. Isso é um serviço!

E é assim que nosso sistema deveria ser. Orientado ao servir. Onde você serve os outros com a informação certa, para que as pessoas se tornem quem elas devem ser.
Todos nós estamos aprendendo. Todo ser humano que está em encarnação, não importa em qual cultura você encarna, todos estamos aqui para aprender as lições da integração. 

Quando você aprender a unir o oposto com você mesmo, você é a luz e a luz atrai experiência, que são suas experiências diárias, e é isso que você precisa amar.
Se você não pode amar, porque tem todo tipo de opiniões sobre outras pessoas, ou certas situações, não vai amá-las, porque está tão cheio de opiniões que está sempre julgando, sempre apontando o dedo. (...)

O jogo não é mais julgar...
O jogo é AMAR!

O jogo não é ter medo, mas acreditar em Si mesmo, e como você mesmo pode expressar sua luz e expressar seu amor.
Essa é a experiência humana."
Robert Happé 

24 de julho de 2013

Coração, Iluminação e Liberdade...


'Do tormento causado pela tríplice miséria existencial vem a procura pelo meio de destruí-la. Será essa busca inútil?[...] 
Não, pois o resultado obtido pelos meios comuns não traz segurança nem é definitivo'. - Ishvarakrishna, Samkhya Karika, I:1.- 

Este texto tem como objetivo traçar um mapa e apontar direções possíveis para o crescimento interior, usando as ferramentas e a visão que o Yoga tem do ser humano. Porém, antes de abordarmos os assuntos mencionados no título, precisaremos, primeiramente, fazer-nos algumas perguntas que servirão como ponto de partida para nossa reflexão. Essas perguntas são três:

1. Qual é o primeiro erro? 
2. Onde ele começa? 3. Como podemos nos livrar dele?

A primeira pergunta tem resposta fácil, pois, segundo Patañjali, o primeiro e mais básico erro
do ser humano é a ignorância. Ignorância aqui não significa falta de inteligência ou agilidade mental. A palavra avidya, em sânscrito, refere-se a um outro tipo de ignorância: a ignorância metafísica, a incapacidade de responder à pergunta 'quem sou eu?'. Lembremos que o objetivo do Yoga é abolir a consciência profana em benefício de uma outra consciência superior (buddhi) e, através dela, absorver-se no Princípio Consciente, chamado Purusha.

A segunda pergunta pede uma reflexão mais profunda, já que não existe início para a ignorância 
humana. Ela nos acompanha desde antes de nosso nascimento. Nesta vida, a ignorância começa junto com a primeira inspiração que fazemos ao nascer. Junto com essa primeira inspiração, começa um processo gradual de identificação do ego e a mente com o corpo, que vai se 
intensificando conforme crescemos.

A terceira pergunta precisa de mais reflexão ainda e será respondida ao longo do texto.

A afirmação acima, segundo a qual a ignorância nos acompanha desde antes do nascimento, não
inclui necessariamente a crença na metempsicose (reencarnação), embora esteja explicitamente incluída no Yoga Sutra de Patañjali, assim como na totalidade das escrituras do Yoga da antigüidade. Não precisamos nos deter nesse detalhe, pois, mesmo que não aceitemos a lei da transmigração das almas, o Yoga pode fazer uma tremenda diferença em nossas vidas.Karma e ignorância existencial

Patañjali menciona no Yoga Sutra o termo jati, que significa 'herança' ou 'nascimento'. O
termo jati define o nascimento humano apenas como uma das fases de uma sucessão de inúmeros nascimentos, vidas e mortes, um processo conhecido como samsara, que pode ser comparado a uma roda que gira incessantemente, mantendo as almas aprisionadas através da lei da causalidade (karma).

O destino individual é definido por cada um de nós, pois, sendo dotados de livre arbítrio,
podemos sempre optar entre o bem e o mal e, conseqüentemente, libertar-nos dos condicionamentos para, por fim, sairmos da roda do samsara. Porém, conforme o erro existencial vai agravando-se, nossas crenças e medos vão se cristalizando e acabamos por nos assemelhar a uma pupa, presa dentro do casulo que ela mesma teceu, e da qual não pode mais sair.

Quase todos nós, seres humanos, somos como a pupa que não consegue se libertar e que, não
tendo forças para sair da prisão fabricada por si própria, acaba morrendo dentro dela. Não conseguimos transcender nem conseguimos enxergar a realidade que se esconde por trás do mundo das aparências.

A ditadura do ego

Gastamos tanta força na construção dos nossos casulos que não nos sobra fôlego para sair
deles. Esses casulos são tecidos pelos nossos próprios desejos, crenças, instintos, vontades e atitudes, além dos bens materiais que conquistamos ou pelos quais aprendemos a lutar.

Shri Aurobindo disse, a esse respeito, o seguinte:

"A natureza humana tende, devido a sua essência, a permanecer vinculada ao cordão do ego.
Embora tentemos fugir dele, ele está frente a nós mesmos ou pode esconder-se como uma sombra por trás de nossos pensamentos e ações. O primeiro passo é reconhecer essa realidade. O segundo, discernir a falsidade e o absurdo dos movimentos do ego. Intimidá-lo e rejeitá-lo a cada passo será o terceiro. Porém, somente desaparecerá por completo quando conseguirmos perceber, experimentar e sentir o Único em todas as coisas e em qualquer lugar."
A practical guide to Integral Yoga, p. 146.

O ego é a interface que nos ajuda a agir no mundo. A princípio, não há nada de errado com ele.
O grande problema é que nos identificamos com ele a tal ponto que acabamos por perder de vista nossa essência e nossa própria razão de viver.

Quando essa identificação total com o ego acontece, acabamos por nos perceber como entidades
separadas da existência e da criação. Dessa forma, passamos a ver o mundo unicamente em termos de objetos pelos quais podemos sentir apego ou aversão (raga e dvesha). Assim, nossa vida transcorre numa troca incessante de estados anímicos que refletem esses dois pólos.

A palavra usada pelos yogis para designar o ego é ahamkara, que significa "eu-fazedor". Deriva
dos termos aham, eu, e kara, fazer. O ahamkara designa aquele princípio da individualidade que acredita estar fazendo e que age no mundo de acordo com essa visão da separação: 'eu-fazedor aqui estou fazendo e não preciso de mais nada nem ninguém'.

É por isso que o ego é considerado o grande vilão na filosofia hindu, em geral, e no Yoga, em
particular. Fazendo uma leitura dos símbolos do épico Ramayana, poderemos perceber que o ego é apresentado como o demônio Ravana, o seqüestrador da alma, que, armado com os cinco órgãos dos sentidos e os cinco órgãos de ação, representados pelas suas dez cabeças, seqüestra nossa essência divinal, a alma, representada no Ramayana pela princesa Sita.

Sita é levada para o 'mundo inferior' (a ilha de Lanka) e mantida presa num jardim interior do
palácio de Ravana, o qual representa a experiência do mundo sensorial. Lá, ela mantém sua força interior concentrada em Rama. Porém, ele não consegue resgatar a princesa sem a ajuda de Hanuman, o deus-macaco, que é a própria encarnação da força vital (prana).

A raíz da ditadura do ego é a ignorância, avidya. Quando a ignorância desaparece, o ego passa
a ocupar o lugar que a ele corresponde. Isso acontece num processo em que se alcança um estado de consciência chamado samadhi ou iluminação. Então, a essência mais íntima do ser (adhiatma), 
se revela e, como esclarece Patañjali (Y. S., I:3), 'repousa em sua própria natureza (svarupa)'.

Coração: a luz no fim do túnel

Embora o ego não se limite apenas ao interior da pele, ele acontece mais no corpo, com o qual
se identifica. A conexão entre o ego e o corpo parece estar na altura do coração. As escrituras do Yoga estão cheias de referências à importância do coração na jornada interior pela busca da essência. Vejamos a seguinte passagem: 'Dentro do coração, em uma pequena cavidade, repousa o universo. Um fogo arde aí, irradiando em todas as direções.' 
Mahanarayana  Upanishad, XI:9-10.

Portanto, o coração é considerado como a ponte entre o finito e o infinito, entre o corpo e o
espírito. Na fisiologia sutil do tantrismo, existe um 'nó' psíquico (granthi, em sânscrito) no chakra cardíaco que limita, através dos karmas, a experiência da consciência infinita apenas ao ego, ao psiquismo e ao corpo físico. Esse 'nó' precisa ser desfeito através do despertar da energia psíquica latente nos cakras inferiores antes que ela se manifeste nos superiores.
No shivaísmo da Caxemira, essa limitação recebe o nome de atma samkocha, ou 'contração do eu'. Essa contração começa em nível emocional, no coração, com o indivíduo percebendo-se como uma entidade separada, isolada e diferente do universo que o cerca.

Assim, surge o grande obstáculo, o primeiro produto da ignorância: o medo. 

É a partir do medo que se decantam os pares de opostos como prazer-dor, amor-ódio, bem-mal, etc. Em nível mental, essa contração inicial do eu manifesta-se na forma da dúvida. Passamos a duvidar de nossa realidade interior, da dimensão real do ser que somos ou do lugar que ocupamos no universo. 
Essa situação é como uma teia feita de nós que nos mantêm presos no casulo do ego, feito pupas indefesas, vítimas da nossa própria ignorância inata.

Repetimos, então, a terceira pergunta com que iniciamos este texto: como podemos sair do
estado de ignorância? Usando diferentes ferramentas, o yogi tenta cortar os nós psíquicos e libertar a consciência das amarras que a aprisionam. No entanto, essa aparente escravidão da alma é apenas ilusória, embora para a pessoa não-iluminada essa seja a única realidade existente. Essa situação acontece porque ela está enredada em seus próprios karmas e não consegue ver mais além. 
A Mundaka Upanishad (III:2.9) nos diz belamente que 'desfazendo os nós do coração, tornamo-nos imortais'.

Resumindo, quando se esvai a falsa identidade da alma com o ego, a mente e o corpo, tornamo-
nos de fato, aquilo que sempre fomos: o Puro Ser, incondicionado, feliz e pleno. A aniquilação dessa falsa identidade chama-se samadhi, que em sânscrito significa 'concentração intensa'.

Para o yogi, o caminho da iluminação está cheio de provações e é semelhante ao ordálio que
sofre o príncipe Rama para resgatar sua amada das garras do demônio. Durante essas provações, o praticante, assim como o príncipe, é desafiado a deixar de identificar-se com as manifestações ou com os diferentes aspectos do ego, refinando cada vez mais suas percepções sutis.

Desta forma, conforme o aspirante progressa na prática, etiquetas como eu e meu, vão perdendo o
sentido que antes tinham. 
Essa sensibilização crescente desenvolve a capacidade de abandonar tudo aquilo que possa estar ajudando o ego a ofuscar a realidade transcendental. Para que isso possa acontecer, é preciso que passemos pela experiência de abrir o coração."
Professor Pedro Kupfer em Coração, Iluminação e Liberdade

22 de julho de 2013

O Objetivo da Meditação - Nisargadatta


"Pergunta: Todos os professores nos aconselham a meditar. Qual é o objetivo da meditação?

Maharaj: Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e ações mas, do nosso mundo interior de
pensamentos e sentimentos nós conhecemos muito pouco. 
O objetivo inicial da meditação é tornar-se consciente e familiarizar-se com a vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte de vida e consciência.

Incidentemente, a prática da meditação afeta profundamente nosso caráter. Nós somos escravos do que não conhecemos. Daquilo que conhecemos, somos mestres. Qualquer que seja o vício ou a fraqueza, se os descobrimos dentro de nós e entendemos as suas causas e como funcionam, nos tornamos capazes de superá-los por conhecê-los bem. O inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia: a mente se sente adequada e se torna quieta, silenciosa.

Pergunta: Para que serve uma mente quieta?

Maharaj: Quando a mente está quieta nós podemos nos perceber como puros observadores. Nós nos
afastamos da experiência e do experimentador e nos mantemos a parte, no estado de pura consciência, a qual está entre e além dos dois. A personalidade, baseada na identificação com o ego e em imaginar que somos alguma coisa: "Eu sou isto, eu sou aquilo", continua, mas somente como parte do mundo objetivo. A sua identificação com a testemunha se quebra.

Pergunta: Até onde eu sei, vivemos em muitos níveis e a vida em diferentes níveis requer energia. O ego, pela sua natureza se delicia com tudo e sua energia se dispersa. Não é o objetivo da meditação represar a energia em seus níveis superiores ou movimentá-las para baixo e para cima, permitindo que os níveis superiores do ser se desenvolvam?

Maharaj: Isso tem mais a ver com os gunas (qualidades) do que com níveis. A meditação é uma
atividade sátvica e que se volta para a completa eliminação de tamas, a inércia e rajas, a mobilidade ou atividade. 
Sattva puro (harmonia) é a perfeita libertação da indolência e da agitação.

Pergunta: Como fortalecer e purificar Sattva?

Maharaj: Sattva é pura e forte sempre. É como o Sol que pode parecer obscurecido pelas nuvens ou
pelo pó, mas somente do ponto de vista do observador. Trabalhe com as causas do obscurecimento, não com o Sol.

Pergunta: Para quê serve Sattva?

Maharaj: Para quê serve a verdade, a bondade, a harmonia, a beleza? Essas qualidades são metas em si
mesmo. Elas se manifestam espontaneamente, sem nenhum esforço quando deixamos as coisas seguirem seu curso, quando não interferimos, quando não evitamos, ou desejamos ou conceituamos, mas simplesmente as experienciamos em total consciência. Essa consciência, por 
si só é Sattva. 
Sattva não utiliza coisas e nem é usada pelas pessoa, ela as preenche.

Pergunta: Como eu não posso incrementar sattva, devo trabalhar com tamas e rajas somente? Como faço para lidar com elas?

Maharaj: Observando suas influências em você e sobre você. Esteja consciente delas em operação.
Observe-as se expressando em seus pensamentos, palavras e atos. Gradualmente a força delas sobre você diminuirá e a clara luz de sattva começará a emergir. Isso não é nem difícil e nem um longo processo. 
A seriedade e sinceridade são as únicas condições para o sucesso."
Nisargadatta Maharaj em Eu Sou Aquilo

21 de julho de 2013

A Satisfação Primordial - Satyaprem


"Essa é uma questão muito sutil, fique atento. 
A verdade é que o que acontece nos níveis corporais e mentais não afetam a Consciência que você é. 

No entanto, isso não é uma deixa para que você haja irresponsavelmente. 

Te foram dados olhos, boca e ouvidos para o mais puro deleite. Faça o melhor que pode ser feito com isso.

Para ilustrar, exemplifico uma atitude responsável: diante de um bolo cheio de morangos e merengue, uma verdadeira tentação ao seu paladar, você come todo o bolo de uma só vez, sem parar? Não. Não há essa necessidade. Você come uma fatia, compartilha com quem estiver por perto e vai apreciando aquilo aos poucos.

A Consciência é leve e, trazendo para o nosso contexto, satisfeita. Há uma satisfação anterior ao bolo e qualquer outro objeto. Por isso que reconhecer quem você é, deve ser o primeiro passo. 

Se você permanece lidando com os tais problemas psicológicos, físicos e mentais permanece correndo atrás do próprio rabo.

Olhar para dentro, portanto, é fundamental. É impedir que a mente fique categoricamente repetindo, sem nenhum senso crítico, sem nenhum tipo de investigação, sem Observação. 

No ambiente da mente sempre haverá falta, no ambiente fora da mente você já é aquilo que contém tudo e todas as coisas."

20 de julho de 2013

Realidade é Você mesmo - John Sherman


"Estou aqui para lhe trazer a sugestão de minha mestra, para que neste momento você pare de buscar qualquer coisa que seja. Mais especialmente, que você pare de buscar a iluminação, que é uma metáfora para a felicidade. Pare de buscar felicidade.

Como se pára de buscar a felicidade, a iluminação, ou qualquer coisa que seja? É realmente bastante simples. Você apenas permite que o farol da sua atenção relaxe em sua fonte.

É muito simples: apenas relaxe. Simplesmente não preste a menor atenção em nenhum de seus pensamentos. Incondicionalmente, não preste atenção aos pensamentos, e simplesmente permita que sua atenção relaxe no infinito oceano de consciência que é a sua natureza.

Se o impulso de buscar parecer tão poderoso que você pensa que não pode relaxar sua atenção, então minha sugestão é que você use todo o esforço, a inteligência e os recursos que você tenha à sua disposição para encontrar a si mesmo. Abandone toda busca de qualquer outra coisa que não seja o seu ser.

A verdade é que isso é realmente fácil. Todo o melodrama espiritual tem uma única conclusão: o fim da busca de qualquer coisa que seja, e a descoberta de que tudo que você sempre desejou já está aqui, como você mesmo.

Se permitir que sua atenção relaxe na consciência, você encontrará a si mesmo. Se concentrar todo o esforço de sua atenção na busca de si mesmo, você encontrará a si mesmo. Nada mais tem qualquer utilidade.

Esta é a sugestão de minha Mestra. Isto é o que ofereço a você: pare agora mesmo. A iluminação é um mito. Todo o entendimento espiritual que você tem, todos os conceitos espirituais conservados a fim de continuar sua busca da felicidade, da verdade, da paz e da liberdade, são as únicas coisas que o impedem de encontrar a felicidade, a verdade, a paz que é o seu ser, a 
liberdade que é a sua natureza.

Se você não consegue parar, descubra quem não consegue parar. A coisa mais impressionante é que no próprio coração do buscador, no coração daquele que não consegue abandonar a busca; no próprio coração do ego, no próprio coração do "eu" que se apega, que necessita, que quer, é onde seu ser há de ser encontrado. Seu ser, que é presença infinita, eterna e que está sempre aqui. Neste momento, é possível descobrir, de uma vez por todas, quem você é, sem considerar sequer o que isso deve ser.

Todos nós já temos ouvido o que vamos descobrir. Todos nós adotamos idéias e conceitos magníficos acerca do que é o nosso ser. Adotamos idéias de como se sente alguém que encontrou a felicidade e qual é a sensação de "despertar" ou de "realização". Utilizamos essas coisas com nenhum outro objetivo a não ser o monitoramento do estado que está presente, a fim de 
determinar se ele condiz com o estado de "iluminação" ou "despertar" ou "realização".

Assim, nos mantemos a uma distância segura disto que estamos procurando desde o momento em que
nascemos: nosso ser.

Ouvi dizer que esse negócio de auto-investigação é apenas para alguns poucos seres especiais, para os mais "perspicazes". Entretanto, a minha experiência é que isso é tão simples, que está tão completamente disponível, que não requer nada mais do que a determinação de encontrar a si mesmo.

Qualquer pessoa, neste momento, pode provar a natureza real de si mesma e, ao prová-la, a busca está encerrada. Não importa se formas-pensamento de busca, o imaginário da busca, os velhos hábitos e comportamentos neuróticos continuam a se manifestar. A busca está terminada. 

Isso é tudo que você precisa fazer. Tudo que qualquer pessoa precisa fazer.
Esqueça tudo que você sabe sobre absolutamente tudo, e descubra exatamente o que você é, neste momento: que sabor você tem, qual é a sensação de "você", o que é este "eu". Isso é o que eu tenho para lhe dizer. 

Estou aqui para falar sobre o mito da iluminação; estou aqui para lhe falar sobre você mesmo. 
Estou aqui para lhe oferecer, a cada momento, em cada encontro, sempre agora mesmo, esta REALIDADE de "você mesmo" que é impressionante, inacreditável e intocável por qualquer idéia."
John Sherman em Satsang

19 de julho de 2013

Transparência e Graça - Osho


"É mais difícil perceber o que é transparente. 
Se houver um vidro totalmente transparente entre você e eu, esquecerei que o vidro existe. Pensarei que o  estou vendo diretamente. Isso significa que me identifiquei de tal modo com o vidro, que não sei mais que ele está presente. Meus olhos e o vidro tornaram-se um só.

Os pensamentos são transparentes, mais transparentes que qualquer vidro através do qual se possa olhar. Eles não são obstáculos para você. É por isso que a identificação é tão profunda. A transparência dos pensamentos está tão próxima que você esquece totalmente que existe uma mente o tempo todo a seu redor, entre você e o mundo. Entre o seu amado, entre você e seu amigo, entre você e seu Deus - sempre que você está, os pensamentos também estão.


Aonde quer que você vá, sua mente está sempre um passo à sua frente. Não está simplesmente seguindo-o como uma sombra; está sempre um passo à sua frente, chega antes de você; Mas você nunca percebe isso, porque ela é muito transparente. Quando você entra em um templo, sua mente entra na frente. Quando você encontra um amigo, quando o abraça, sua mente já o abraçou. Você pode perceber isso por si mesmo.

Sua mente está sempre ensaiando. Esse passo à frente é um ensaio. Antes de você falar, sua mente sempre ensaia o que será dito; antes de você agir, ela ensaia como agirá; o ensaio prossegue continuamente. Ensaiar significa que a mente está preparando a si mesma, que ela está um passo à sua frente.

Isso cria uma constante e transparente barreira entre você e tudo o mais que você irá atravessar, que irá encontrar. Nenhum encontro pode ser real, autêntico, porque algo mais está sempre se interpondo. Você não pode nem amar, nem rezar, não pode fazer nada que requeira a remoção da barreira.

A graça não é sentida porque a barreira está sempre presente circundando-o como uma concha transparente. Nem a graça nem o amor são atributos de Deus - são a própria natureza do divino - mas nós não estamos abertos para eles. Quando alguém está aberto, torna-se um receptáculo.

Mas nesse caso, não é correto dizer que a pessoa recebeu a graça, porque então nada existe exceto Deus, nada exceto a graça. Uma vez que a barreira não mais existe, nada existe exceto Deus. Nada é deixado para que o ego se estabeleça. A pessoa não pode dizer "eu". Não pode dizer " eu me tornei capaz de receber a graça". Ela apenas diz: "Recebi a graça porque estava lá."
O "eu" era a barreira. Quando o "eu" não está, ela só pode dizer: " Aconteceu pela graça de Deus. O que posso fazer? Não sou mais."

Estamos sempre criando a noção errada de que Deus pode dar graça a alguém.
Ele é graça. Se alguém está pronto para recebê-la, Ele está sempre dando. Não é só quando alguém está preparado para receber que Ele dá. Ele está sempre dando. Quando você está fechado, Ele também está distribuindo suas bênçãos. Fique aberto e as conhecerá.


Seja consciente, seja aberto; Apenas assim poderá saber o que é o amor, o que é a graça, o que é compaixão. Eles são a mesma coisa; não são diferentes entre si. São basicamente a mesma coisa.

Só então poderá saber o que é oração. Quando a barreira não está, quando a mente não está, a pessoa que ora não pede por nada. Ela não mendiga, só agradece. Quando a oração é uma mendicância, a barreira está presente. 
A mendicância é a barreira, a mente é a barreira.
Quando a prece é um agradecimento - não por alguma coisa, mas por tudo o que acontece - quando a graça é recebida, você sente gratidão. De sua parte, há gratidão; da parte de Deus há graça.

O alvo de quem recebe é o sentimento de gratidão. Não temos conhecido a gratidão de modo algum; não podemos conhecê-la a menos que  tenhamos sentido a graça do divino. Mas ela pode ser conhecida, pode ser sentida."

Osho em Eu sou a porta.
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