31 de julho de 2013

Isto é o Todo, Aquilo é o Todo - Osho


"Aum representa a música da existência, o Som do Silêncio, quando todo seu ser está mergulhado em alegria. 

Aum representa a harmonia máxima que Heráclito chamou de “suprema beleza harmônica”; se tornar um com a Música da Existência, florescimento e exuberância.

No momento em que você está bem Uníssono com o
Todo, cada fibra e célula de seu corpo podem dançar sem nenhuma causa específica; é a dança, e a dança apenas acontece sem causa, eternamente – alegria imotivada, alegria que não depende de nada. É uma alegria intrínseca, música natural , sua espontaneidade.

Todos os Upanishads começam lembrando isto:

“Aum"
ISTO é o todo.
AQUILO é o todo.”


AQUILO representa o mais profundo DISTO.
Denomina-se AQUILO, porque não é conhecido ainda. Para aqueles que conhecem, existe apenas ISTO e não AQUILO, ou apenas AQUILO e não ISTO. 
A Dualidade desaparece mas para o cego a dualidade ainda está aqui. 
Tudo é Dual se você está internamente dividido.

Ou seja, AQUILO que você vê ainda não percebe o
invisível. 
É como a roda e o eixo. A roda se mexe, mas o eixo permanece imóvel. Todo o movimento depende de algo estável: toda mudança depende de algo eterno no tempo, algo não nascido do tempo. Nascimento e morte acontecem 
em algo que nunca nasceu e nunca morrerá.

Isto representa tudo o que é necessário para
uma pessoa não iluminada se tornar Iluminada. 

Se você está pleno de Luz, você tem claridade, percepção e transparência; você pode ver através e através. O centro permanece naturalmente escondido; apenas a circunferência é percebida pelos sentidos. Você pode ver apenas na superfície, você não pode ver a profundidade. 

Se você vai ao Oceano, você pode ver apenas a superfície; você não pode ver o profundo. Para ver o profundo você precisa mergulhar profundamente; quanto mais profundo você for, você desaparecerá profundamente no Oceano, você se tornará um com o Oceano. 
Nesta Unicidade, Deus é realizado.

As pessoas que argumentam sobre Deus, nada
sabem sobre Deus. Aqueles que sabem, não falam sobre Deus. 
Sim, a sua presença é a prova, a sua presença irradia ISTO, que manisfesta a 
expressão DAQUILO, mas eles não podem provar racionalmente, intelectualmente a existência de Deus. 

Deus não é um objeto. Ele não pode acontecer como uma experiência coletiva.

É por isso que a ciência continua negando a
Deus. E a ciência vai continuar negando a Deus, porque a ciência depende da observação coletiva; ela acredita apenas naquilo que pode ser observado por todo mundo. Ela acredita nas pedras porque pedras podem ser vistas por todo mundo; todo mundo concorda que pedras existem.(...)

Deus não é um objeto – você pode passar através
de Deus, você está passando através de Deus a cada momento. Você está respirando Deus; a 
batida de seu coração é a batida do coração de Deus. 
Mas Deus é tão próximo...mesmo a palavra “próximo” não está correta, porque mesmo assim cria uma certa distância. (...)

Deus é inseparável de você. Deus é o seu ser,
sua consciência. Não pode ser um objeto, pois é seu coração mais profundo que permanece oculto de você – a menos que você se vire 180 graus para reconhecê-lo na sua profundidade. (...)

O mesmo acontece na Iluminação: sua energia
começa a mover-se em si mesma, ela se torna circular.

Deus é a sua subjetividade; você não encontrará Deus em nenhum outro lugar. Mas uma vez que você tenha encontrado Deus em você, você O encontrará em todos os lugares, também. (...)

Deus é uma experiência improvável, porque seus
sentidos não O reconhecem. Se Deus fosse um objeto, seus sentidos seriam capazes de reconhecê-Lo. Deus não é um pensamento, também, por isso sua mente não pode reconhecê-Lo. (...) 

E fazer de Deus um objeto, é a maior blasfêmia, porque Deus é subjetividade. Você está mudando toda a concepção de Deus, está reduzindo Deus a uma coisa, Deus não é uma coisa.

É por isso que Gautama, o Buda, chama Deus de
Nothingness”. Lembre-se de que quando você usa a palavra “Nothingness”, significa No-thing, ou seja, ele não está dizendo que não existe Deus, Gautama - o Buda, está dizendo 
que Deus não é uma coisa.

E os templos e igrejas transformaram Deus em
uma coisa. (...) E pessoas continuam rezando a Deus como se Ele estivesse Lá, e não na profundidade da sua consciência, mas em qualquer outro lugar. 
É a mesma coisa! – Rezar para uma estátua ou para Deus no Céu, acima das nuvens, ainda é um objeto. 

Para Quem você está rezando? Sua oração significa que você aceita a idéia de Deus separado de você – aceitar essa separação é não-religioso. (...)

Mas pessoas estão lutando em nome de Deus, e
Deus se torna um pretexto porque a idéia de Deus nunca se conclui. E é isso que as pessoas religiosas vêm fazendo por séculos. Eles pensam que estão criando grandes idéias filosóficas. 
Professores de Filosofia e Teologia, não sabem nada sobre si mesmos, mas tentam provar que a idéia de Deus é verdadeira, quando eles mesmos vivem na em absoluta inconsciência. 
Se eles não fossem inconscientes, eles não argumentariam sobre Deus; eles VIVERIAM Deus, eles IRRADIARIAM Deus. Deus seria sua fragrância, a sua presença.

No Oriente, nos temos uma visão completamente
diferente. 
Existem apenas duas coisas. 
Na pessoa que ainda não é iluminada, existem 3 coisas: o corpo, a mente e a consciência. E por causa da mente, ela não pode perceber a consciência. 
A mente confunde, a mente é caótica, cria névoa, cria nuvens. 

A pessoa iluminada não tem mais mente; existe apenas silêncio. Logo, ela tem apenas corpo e a consciência. O corpo fica cansado, precisa de descanso, mas a consciência nunca se cansa, não precisa de descanso, é sempre alerta. O corpo é sempre adormecido e a consciência sempre acordada. 

A natureza do corpo é ser inconsciente e a natureza da consciência é ser 
sempre alerta. São qualidades intrínsecas. Uma 
vez que a mente não esteja mais, mesmo quando você dorme, apenas é o seu corpo que está dormindo, não você.

No Oriente, nós chamamos estas pessoas de
pessoa religiosas: aqueles que permanecem acordados e não dormem mais.(...)
E lembre-se sempre, apenas o cego acredita na luz. O homem que enxerga com seus próprios olhos, não precisa acreditar na luz (...)

Os Upanishads pertencem aos que vêem. 
Eles são expressões da experiência ultima da não-divisão, da não-separação do Todo, de Deus. 
Quando a gota de orvalho se  evapora da flor de lótus e se torna o Oceano."
Osho em I’m That, Talks on The Isha Upanishad.

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