26 de março de 2016

A arte da paz e da felicidade - Ruper Spira



"Se fizermos uma pesquisa entre os sete bilhões de pessoas que vivem hoje em nosso planeta, e perguntássemos o que eles o que mais querem na vida, quase todos responderiam "SER FELIZ".

Algumas pessoas não poderiam formular esta resposta diretamente e diriam por exemplo que querem um companheiro(a), uma família, ou mais dinheiro - mas tudo isso é somente desejado pela felicidade que produz.
Na verdade, a maior parte das atividade que realizamos, as realizamos com a perspectiva de felicidade. Em nossa busca pela felicidade começamos explorando as possibilidades que estão disponíveis em áreas convencionais do corpo, da mente e do mundo. Desde pequenos descobrimos que a aquisição de um objeto do nosso desejo, parece produzir a felicidade que tanto desejamos. Como resultado, é estabelecido em nossas vidas, um fato fundamental: a correlação entre a aquisição de objetos, atividades e relações e a experiência da felicidade.

No entanto, depois de um tempo, e embora possa ser que continuamos na posse do objeto desejado - seja um objeto físico, um relacionamento, uma atividade ou um estado mental - a experiência da felicidade que parecia produzir, se vai desvanecendo. Isso deveria bastar para que nos dessemos conta de que a felicidade não é o resultado da aquisição de objetos, relações ou estados alterados. Se a felicidade tivesse relação com os objetos, deveria seguir enquanto estes continuassem presentes.

Em vez de assumir esta mensagem tão simples, nós nos limitamos a descartar o objeto que uma vez pareceu nos dar felicidade e buscamos outro em seu lugar, com a esperança de que nos devolverá a felicidade que de novo nos falta. Na verdade este padrão de perseguir um objeto atrás do outro, constitui uma tentativa de obter a felicidade, a paz e o amor. E é o padrão básico com que a maioria das pessoas governam suas vidas.

Após o repetido fracasso dos objetos habituais de desejo que nos trouxeram felicidade, começamos a explorar outras opções. Então podem ocorrer duas coisas: ou bem nos submergimos nos campos convencionais do trabalho, de dinheiro, da comida, ou o sexo e as relações - cada vez mais, até se chegar a obcessão, a qual nos leva a um nível ou outro de vício, ou bem retiramos nossa atenção do campo das possibilidades convencionais e empreendemos uma busca espiritual.

A busca espiritual geralmente acontece depois que os campos de experiência falharam em nos conduzir à felicidade, à paz e ao amor. Já não conseguimos a felicidade, a qual parece que só podemos perceber em momentos fugazes, agora então, buscamos um estado de iluminação permanente. No entanto, nossa busca pela iluminação não é nada além de uma reorientação da busca convencional da felicidade.

Esta busca nos leva à novos âmbitos de experiências. Agora tendemos à centrarmos mais na aquisição de estados mentais do que em objetos ou relações mundanas; E assim, como a obtenção de um objeto, ou relação põem fim temporariamente a essa busca convencional, dando-nos uma breve degustação da felicidade, agora, estes estados mentais recentemente adquiridos, supõem o final temporal da busca espiritual. Nos proporcionam uma vez mais um vislumbre da mesma felicidade, que agora denominamos de iluminação ou despertar. Da mesma maneira que antes havíamos nos confundido com a aquisição de objetos e relações com a fonte da felicidade, confundimos agora estes novos estados mentais com a iluminação.

Ocorre que os breves momentos de felicidade que temos agora, são rapidamente eclipsados, como acontecia com os momentos de felicidade de antes, graças aos velhos padrões que nos levam sempre a buscar a felicidade, a paz e o amor nos objetos, as relações e agora, nos estados alterados.

O resultado é que nós somos novamente confrontados com o fracasso de nossa busca, só que desta vez não nos restam mais âmbitos para serem explorados.

Assim como o filho pródigo, nós temos nos aventurado dentro de um país distante, perseguindo a felicidade, e agora já temos esgotado todas as possibilidades de encontrá-la.

Alguns experimentam este fracasso como um tempo de crise ou desespero. Já não existem mais direções para seguir, e ainda não alcançamos a tão desejada felicidade. Os meios habituais de levar a busca até o fim, ou ao menos evitar o incômodo que ela provoca - atividades, relações ou estados mentais mais sutis, meditativos - podem até tê-la entumecido temporariamente, mas ainda arde essa busca em nossos corações. Não sei onde nem o quê buscar e mesmo assim, preciso fazê-lo!

Todos nós temos que chegar a estes extremos. Em alguns casos a inteligência e não a decepção, é o que precipita a compreensão de que aquilo que realmente buscamos não pode ser encontrado em nenhum estado do corpo, nem da mente, ou do mundo. De fato, é sempre nossa própria inteligência inata que está operando. No caso de algumas pessoas, acontecem na forma de uma crise que golpeia o núcleo de nossas vidas; no caso de outras, esta crise pode ser menos acentuada.

Seja como seja, em qualquer dos casos, pode abrir-se uma nova porta, a única que não foi explorada ainda. Se abre no momento em que nos perguntamos quem é esse eu que se põem em busca quase que constante da felicidade e qual é a natureza dessa felicidade.

Este é o momento em que o filho pródigo se dá conta de que precisa voltar para casa."

Ruper Spira em El arte de la paz y la felicidad

Sobre as maldades humanas - Sambodh Naseeb


Pergunta : Mas e como explicar as formas feias e as atuações dos homens em termos de maldade, como molestadores de crianças e assassinos?

Sambodh Naseeb - Tudo faz parte da Totalidade da criação. 

Depende dos seus óculos. 
Se estiver usando óculos de lentes vermelhas, tudo aparecerá vermelho. Se os óculos forem puros e transparentes, você vê tudo é, sem distorção. 

Se a sua mente está vivendo um momento de separação da Consciência, ou seja, se ela não está reconhecendo ainda sua fonte, se está fechada em si mesma na sua pequena inteligência, então você funciona dentro de uma visão limitada, pertinente aos seus instintos e desejos. 

Se a mente está em luta, em briga, em oposição, basicamente vivendo o tempo inteiro em torno da raiva, da mentira, do ciúme, da inveja, do orgulho, da avareza, da luxúria desenfreada, então é natural que ela experimente sofrimento e dor. É natural que adoeça psicologicamente e fisicamente. E quanto mais tentar satisfazer os instintos e desejos sem se conectar com a Fonte de Si (Consciência Pura), mais desejo e insatisfação virão.

Um amigo meu dizia sempre: “O sofrimento está sempre aí para quebrar nossa resistência à evolução”. Então o sofrimento amigo vem como um irmão que nos ajuda a sair do marasmo, da falsa segurança, da ignorância, das ilusões, da auto-sabotagem. No momento certo a Consciência acorda no corpo humano. 

O início do acordar chama-se busca espiritual. O desabrochar desse acordar chama-se iluminação, que é quando você sabe, sem sombra de dúvida quem você é, e tudo é vivido na pura aceitação do fluxo da Inteligência Universal. Então você e a Vida são irmãos. Você e a Vida são Um. 

Comunhão é sentida porque você sabe que na aparência das coisas tudo parece separado, o seu corpo e o corpo de seu amigo parecem dois corpos, mas em essência você sabe que o espaço onde os corpos estão é um só – e você em essência é este espaço onde os dois corpos estão.

O oceano é Uno, ondas são muitas. O Espírito Universal é apenas um, e ele permeia tudo que existe. Se você é o Espírito Universal, se você é a Consciência Pura, ou se você é o Buda (Vazio Consciente, Luminoso e Pleno), você está em tudo. Você é tudo e está em tudo. Você é a essência de tudo e ainda a aparência de tudo enquanto viver num corpo e mente que vê as aparências. 

A mente é o instrumento para ver as aparências. Consciência é o instrumento que promove sabedoria, que vê a aparência como mera aparência, um pensamento como mero pensamento. 

Mente é o óculos que usamos temporariamente. 
Consciência é nossa mais pura nudez e o reflexo mais puro do absoluto."

20 de março de 2016

Reconheça-se Consciência - Mooji


"Pergunta: E quando ocorrerem novamente ( fortes sensações, sentimentos, fortes crenças que nos distraem fortemente), quando acontecerem novamente, o que fazer?

Mooji - Bem, eu quero primeiramente que você não lute com esta tempestade. Não adianta tentar escapar mesmo que só por um instante, não lute. Basta deixá-la ser como é, dê a ela a possibilidade de existir por um momento. Simplesmente esteja ciente, apenas isso, consciente daquilo que está se passando.

Não lute, apenas descreva aquilo que está se passando. Não resista, nem julque ou faça qualquer avaliação apenas esteja ali, consciente observando; tudo o que fizer a mais estará aumentado a tormenta, estará dando mais energia a ela.

Logo, lhe digo, não lute. Tudo é pensamento e estar ciente não é tudo o que se pode fazer. Não interprete. A pior coisa que pode acontecer é interpretar as sensações que estão chegando. As sensações por si só não são problema. Pior do que as sensações é a tendência a interpretá-las de uma maneira pessoal. ( Por que isso está acontecendo comigo... eu apenas quero me ver livre disto... eu não quero mais isso...)

Este eu, eu, eu... sempre está lá, sempre está presente.

É ele que dá um sentimento ruim, um cheiro ruim.

A sensação por si só é apenas uma sensação. Mas, o significado é dado pelo eu, é único. Você está criando o significado em algo e em seguida o sofrimento surge.

Não quero lhe dar uma pílula - quero que você tenha um claro entendimento nos momentos como este.

Quando tiver um ataque de pânico, esteja alerta. A consciência está lá antes que qualquer sensação apareça. Porque toda sensação é percebida porque a consciência está presente para reconhecê-la. É a consciência que percebe tudo o que acontece em você. De fato, até a consciência de que você existe, advém da consciência mesma, isto é certo, você precisa ver isso.

A habilidade de perceber é sua consciência que está sempre presente, ela não é uma crença é a realidade, ela não tem intenção em ser, ela é. 


De fato mesmo nos momentos de medo intenso, quero que transforme este medo em consciência para sua liberdade, para sua transformação. Esta é uma mudança enorme da qualidade da experiência, que ao invés de correr, de fugir dela, você está lá plenamente consciente, alerta e reconhecendo que são apenas sensações temporárias que se não forem alimentadas pela mente, pelo julgamento e análises, não ganham força e se dissolvem como nuvens no céu.

Então, deixe que o medo venha, ele não lhe causará mal algum."
Mooji em Satsang - Rishikesh

12 de março de 2016

Sinceridade e Autenticidade - Osho


"Sinceridade significa autenticidade – ser sincero, não ser falso, não usar máscaras. Qualquer que seja o seu rosto verdadeiro, mostre-o, custe o que custar. Lembre-se: isso não significa que você tenha de desmascarar os outros; se eles estão felizes com as mentiras deles, compete a eles se decidir. Não saia desmascarando ninguém, porque as pessoas são como são... seja verdadeiro consigo mesmo. Não é preciso que você corrija ninguém no mundo. Se você puder crescer sozinho, será o bastante.

Não seja um reformador e não tente dar lições aos outros, não tente mudar os outros. Se você mudar a si mesmo, será o bastante como mensagem. Ser autêntico significa permanecer verdadeiro consigo mesmo. Como permanecer verdadeiro?

Lembre-se sempre de três regras:


Primeira regra

Nunca dê ouvidos a ninguém quando dizem o que você deve ser. Ouça sempre a sua voz interior, o que você gostaria de ser; do contrário, vai desperdiçar sua vida inteira... Preste atenção: a coisa mais importante é o seu ser. Não deixe que os outros manipulem você – e eles são muitos; todo mundo está pronto para controlar você, para mudar você, para lhe dar uma orientação que você não pediu. Todo mundo quer ser o guia da sua vida. O guia existe dentro de você; você tem o plano. Ser autêntico significa ser sincero consigo mesmo...

O motivo pelo qual todo mundo parece tão frustrado é que ninguém ouve a própria voz... ouça sempre sua voz interior, e não ouça mais nada. Existem mil e uma tentações ao seu redor, porque muitas pessoas estão mascateando as suas coisas. É um supermercado; o mundo, e todo mundo nele está interessado em vender as próprias coisas a você. Todo mundo é um vendedor. Se der ouvidos a muitos vendedores, você vai ficar louco. Não dê ouvidos a ninguém, simplesmente feche os olhos e ouça sua voz interior. É para isso que existe a Meditação: para ouvir a voz interior.

A segunda regra mais importante
– só se você cumprir a primeira regra poderá cumprir a segunda

– nunca use uma máscara. Se estiver com raiva, mostre a sua raiva. É perigoso, mas não sorria, porque isso é ser falso. Mas lhe ensinaram que, quando você está com raiva, deve sorrir. Então seu sorriso torna-se falso, uma máscara – simplesmente um movimento dos lábios e nada mais. O coração está cheio de raiva, veneno, e os lábios sorrindo: você se torna um prodígio de falsidade. Então também se manifesta uma outra reação: quando você quer sorrir, não consegue sorrir. Todo seu mecanismo está de cabeça para baixo porque, quando queria ficar com raiva, você não ficava; quando queria odiar você não odiava. Então você quer amar; de repente, você descobre que o mecanismo não funciona. Então você quer sorrir, você precisa forçar o sorriso. Realmente, o seu coração é todo sorrisos e você quer dar uma boa risada, mas não consegue rir... o sorriso não sai, ou ate mesmo, se sair, será um sorriso apagado e sem graça. Ele não deixa você feliz, você não se entusiasma com ele. Você não irradia nada. Quando quiser ficar com raiva, fique com raiva.

Não há nada errado em ficar com raiva. Se quiser rir, ria. Não há nada errado em dar uma risada. Pouco a pouco você vai ver que todo seu organismo voltou a funcionar direito... não use máscaras; do contrário você vai criar disfunções no seu mecanismo, bloqueios. Existem muitos bloqueios no seu corpo. A pessoa que reprime a raiva fica com a mandíbula bloqueada. Toda a raiva vai para a mandíbula e pára ali. As mãos ficam feias; elas não têm o movimento gracioso de um bailarino, não, porque a raiva chega aos dedos e os bloqueia.

A raiva tem duas saídas para ser liberada: uma são os dentes, a outra são os dedos. Se você reprime alguma coisa, existe no seu corpo alguma parte correspondente à emoção. Se você não quer chorar, os seus olhos vão perder o brilho... porque as lágrimas são necessárias; elas são um fenômeno muito vivo. Quando uma vez ou outra você deixa as lagrimas correrem – quando você realmente chora, você chora de verdade, e as lágrimas começam a correr dos seus olhos – os seus olhos se limpam, se revigoram, recuperando a juventude e a pureza. Lembre-se: se não puder chorar sinceramente, você também não poderá rir, porque essa é a outra polaridade. As pessoas que conseguem rir também conseguem chorar; as pessoas que não conseguem chorar não conseguem rir.

E a Terceira regra sobre a autenticidade...

permaneça sempre no presente, porque tanto do passado quando do futuro é de onde vêm todas as falsidades. Porque o que passou, passou; não se preocupe com isso e não carregue como um fardo; do contrário isso não vai permitir que você seja autêntico em relação ao presente. E tudo que não aconteceu ainda não aconteceu. Não se incomode desnecessariamente com o futuro, do contrário ele cairá sobre o presente e o destruirá. Seja verdadeiro em relação ao presente; então, você será autêntico. Nem passado, nem futuro – o momento é tudo. O momento é a eternidade inteira.

Siga essas três regrinhas e você vai conseguir ser sincero, verdadeiro, autêntico. Então, tudo o que você disser será verdade. Comumente, você pensa que precisa tomar cuidado para dizer a verdade; não é isso o que eu estou dizendo. Estou dizendo: crie autenticidade e tudo o que você disser será verdade.

A verdade não é uma coisa lógica. Por verdade eu quero dizer a autenticidade do ser; sem impor nada que você não seja, apenas sendo o que você é, independentemente dos riscos, nunca se tornando um hipócrita. Se você está triste, fique triste. Esta é a verdade; não a esconda. Não exiba um sorriso falso no rosto, porque esse sorriso falso cria uma divisão em você. Quando você está com raiva e não demonstra a raiva... é porque tem medo de que essa demonstração prejudique a sua imagem, para que as pessoas pensem que você é compreensivo e digam que você nunca fica com raiva. Elas gostam disso e isso é tão gratificante para o ego. Pois ficar com raiva vai prejudicar a sua linda imagem; assim, em vez de prejudicar a imagem, você reprime a raiva. Você está fervendo por dentro, mas por fora continua compreensivo, bondoso, polido, doce. Aí acontece a divisão. As pessoas produzem essa divisão durante a vida inteira; então a divisão se torna absolutamente estabelecida.

Mesmo quando você está sentado sozinho e não há ninguém por perto, e não há necessidade de fingir, você continua fingindo; isso se tornou um hábito arraigado e automático... Então, não é uma questão de ser verdadeiro ou falso; isso acabou por se tornar um hábito...

Por verdadeiro eu quero dizer não fingir. Seja exatamente o que você é – num momento você está triste... e no momento seguinte, se você ficar feliz, não há necessidade de continuar triste – porque também lhe ensinaram a ser sempre coerente, a permanecer coerente...

Assim, não é só quando está triste que você finge sorrisos; quando você quer sorrir, também finge tristeza por causa da idéia completamente estúpida de permanecer coerente. Cada momento tem a sua característica peculiar, e nenhum momento precisa ser coerente com nenhum outro momento. Assim, não é preciso se preocupar com a coerência. Ninguém que se preocupe com a coerência vai se tornar falso porque apenas mente com coerência. A verdade está sempre mudando.

A verdade contém suas próprias contradições – e essa é a substância da verdade, essa é a sua vastidão, essa é a sua beleza. Portanto, se você está se sentindo triste, fique triste – sem nenhuma censura, sem nenhuma avaliação como sendo bom ou mau. Não se trata de ser bom ou mau; isso simplesmente acontece. E quando acontece, deixe acontecer. Quando você começar a sorrir de novo, não se sinta culpado só porque há pouco estava triste; então, como pode sorrir? Quando estiver feliz, seja feliz; não há necessidade de fingir nada. Cada momento tem uma realidade atômica: ele é descontínuo em relação ao momento anterior e não está ligado ao momento futuro.

Cada momento é atômico. Os momentos não se seguem uns aos outros em seqüência; eles não são lineares. Cada momento tem a sua própria maneira de ser e você deve ser isso, nesse momento, nada mais. É isso o que realmente é considerado como verdade.

Verdade significa autenticidade, verdade significa sinceridade. A verdade não é uma coisa lógica. Ela é um estado psicológico de ser verdadeiro – não verdadeiro de acordo com algum ideal, pois, se houver um ideal, você vai se tornar falso. O homem verdadeiro não tem ideais. Ele vive momento a momento; ele sempre vive como se sente no momento. Ele é completamente respeitoso em relação aos próprios sentimentos, às próprias emoções, aos próprios humores. E isso é o que eu quero que as pessoas sejam: autenticas, verdadeiras, sinceras, respeitosas em relação à própria alma."
Osho em Intimidade

9 de março de 2016

Meher Baba - Citações


"Morra antes da morte e você viverá para sempre.

***

O tipo de desapego que realmente dura vem da compreensão do sofrimento e de suas causas. Baseia-se de forma segura no conhecimento concreto de que todas as coisas deste mundo são momentâneas e passageiras e que qualquer apego a elas está fadado a tornar-se uma fonte de dor..


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O amor pode atingir aquilo que o intelecto não pode nem suspeitar. 

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Apenas dizer 'eu quero ver Deus' ou 'eu quero realizar Deus' é semelhante a uma formiga dizendo 'eu quero tornar-me um elefante!' Meras palavras não têm nada em si. O coração deve ter sede de buscar a Deus."

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Algo além da sua capacidade necessariamente mudará a sua capacidade, porque enquanto tudo está dentro dos seus limites, você não sabe o que está além deles. E tudo a respeito de Deus e da Realização de Deus está além dos limites. Dessa forma, ser afligido por problemas terríveis e por grande sofrimento é benéfico.

***
Uma vez que você abrir suas asas para voar, você deve voar em linha reta, como o cisne. Não voe de árvore em árvore como o pardal, ou muitas coisas vão distraí-lo no caminho e a viagem é longa.

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As pessoas devem dar e receber. Dê primeiro e então você terá tudo. Mas em vez disso, as pessoas querem primeiro ter tudo e depois pensar em dar. Essa não é a maneira certa.

***

Anseie pelo que é real. E você então não terá tempo para se preocupar com o que pode nunca acontecer.

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Mais feliz é aquele que não espera nenhuma felicidade dos outros. O amor se encanta e glorifica em dar, não em receber. Então aprenda a amar e a dar e a não esperar nada dos outros."

Meher Baba em The face of God

3 de março de 2016

Dimensões da Consciência - 3/3 - Osho


[continuação...]

"Essas são as quatro dimensões da consciência humana. E as pessoas vivem apenas nas três primeiras. A quarta carrega o significado; por isso, as pessoas vivem apenas nas três levam uma vida sem sentido. Elas sabem disso. Você sabe disso! Se você olhar para sua vida, não encontrará nenhum sentido nela, apenas um caos, uma progressão acidental de coisas. Uma coisa é seguida de outra, mas sem consistência, sem relevância. Uma coisa é seguida da outra, acidentalmente.

É a isso que se refere Jean-Paul Sartre, quando diz que "O homem é uma paixão inútil" - o homem é acidental. Sim, ele é verdadeiro quando fala das três dimensões: primeira, segunda e terceira; mas não é verdadeiro quanto à quarta. E não pode dizer nada à quarta. E não pode dizer nada da quarta dimensão porque ainda não a experimentou. Só um Cristo, ou um Buda podem falar da quarta dimensão.

A consciência de Cristo é da quarta; a de Buda também. Confinar-se às três primeiras é estar no mundo. Entrar na quarta é entrar em nirvana , ou chamá-lo de 'Reino de Deus", ou reino dos céus. São apenas expressões diferentes para a mesma coisa.

É bom lembrar: a segunda dimensão é uma sombra da primeira: sono e sonho. Os sonhos não podem existir sem sono; o sono é uma necessidade, os sonhos são secundários - apenas uma sombra. O sono, portanto é primário, os sonhos são secundários -apenas uma sombra. A terceira é a sombra da quarta, porque a terceira só pode existir se houver alguma consciência. Um pouco de consciência tem de existir; só assim haverá a terceira dimensão.(...)

Sua vida parece uma vida de sombras, porque você está vivendo na terceira dimensão. E a terceira é a sombra da quarta. Só com a quarta você chega em casa. Só com a quarta você é fundamentado na existência.

A primeira é escuridão absoluta, a quarta é luz absoluta. Entre essas duas estão suas sombras. Essas duas sombras se tornam tão importantes para nós que pensamos que é toda a vida. É por isso que os hindus chamam o mundo de maia, ilusão. Por causa dessas duas dimensões que se tornam predominantes - a segunda e a terceira. Perdemos de vista a primeira e ainda não procuramos a quarta.

Outra coisa: Se você encontra a quarta dimensão, você terá encontrado a primeira. Só aquele que encontrou a quarta dimensão poderá saber da primeira, porque quando você entra na quarta, pode adormecer e continuará alerta. Krishna define o iogue no Gita como "aquele que está desperto enquanto dorme".(...)

A vida é absolutamente livre. Mas para essa liberdade, primeiro você terá de libertar sua mente. Lembre-se deste critério: quanto mais consciente você estiver, maior será a sua glória."
Osho em A flauta nos lábios de Deus.

2 de março de 2016

Dimensões da Consciência 2/3 - Osho


[continuação...]

"O primeiro estado é sushupti; Nós o chamamos de a "primeira dimensão". É não divisibilidade sem sonho; é a unidade inconsciente, é a ignorância, mas muito gloriosa. Mas a ignorância também é inconsciente. Só de manha, quando você acorda novamente, começa a sentir que dormiu bem à noite, que esteve em alguma terra distante, que está rejuvenescido, sentindo-se renovado, jovem, vivo. Mas só de manhã - não exatamente enquanto está dormindo, apenas depois. Permanece apenas uma fragrância na memória. Ela o lembra de que você esteve em alguma profundeza interior, mas onde? O quê? Você não consegue decifrar, não consegue explicar; é só uma vaga lembrança, uma leve recordação de um lugar que você visitou em um bom espaço. Não há ego ainda; por isso, não há amargura - pois a amargura não é possível sem o ego.

Esse é o estado em que as rochas e as montanhas e os rios e as árvores existem. É por isso que as árvores são tão belas - uma glória inconsciente as cerca. É por isso que as montanhas são são silenciosas; estão em sushupti em sono profundo contínuo. É por isso que quando você vai ao Himalaia sente um silencio eterno - um silencio virgem. Ninguém até hoje foi capaz de perturbar esse silencio. Pense nas árvores, e começará a se sentir fluindo, Toda a natureza existe no primeiro estado; por isso a natureza é tão simples.

A segunda dimensão é a do sonho - que Patanjali chama de swabha. O primeiro distúrbio no sono é o sonho. Agora você não é mais um; a segunda dimensão chegou. Imagens começam a flutuar em você; o começo do mundo. Agora você é dois: o sonho e o sonhador. Agora você está vendo o sonho e você é o sonho também. Agora você está dividido. O silencio do sono profundo não existe mais, entrou o distúrbio, porque houve a divisão.

Divisão, dualidade, distúrbio - esse é o significado do sonho. Embora a dualidade ainda seja inconsciente, ele existe. Mas não de forma consciente - você não sabe a respeito dela. O tumulto está lá fora, o mundo nasceu, mas as coisas ainda estão indefinidas, estão saindo da fumaça; as coisas estão tomando forma. A forma ainda não é clara, ainda não é concreta, mas por causa do dualismo - embora seja inconsciente - entrou a amargura. O pesadelo não está longe. O sonho virará um pesadelo.

É aí que vivem os animais e os pássaros. Eles também possuem uma beleza, porque estão muito próximos do sushupti. Os pássaros numa árvore são apenas sonhos pousados em sono. Os pássaros fazendo seus ninhos numa árvore, são apenas sonhos fazendo seus ninhos em sono. Há uma espécie de afinidade entre os pássaros e as árvores. Se as árvores desaparecerem, os pássaros desaparecerão também; e se os pássaros desaparecerem, as árvores não serão mais tão bonitas. Há um profundo relacionamento; é uma família. (...) Os pássaros e os animais não precisam de psiquiatras; não precisam de um Freud, um Jung, um Adler. São totalmente saudáveis. (...)
Na natureza eles são muito quietos, felizes, saudáveis, mas essa saúde também é inconsciente - eles não sabem o que está acontecendo.

Esse é o segundo estado: quando você sonha. Essa é a sua segunda dimensão. A primeira, sono sem sonho, sushupti - unidimensional simples; não há o "outro". Segunda dimensão sonho, swabha - bidimensional; o sonhador e o sonhado, o conteúdo e a consciência - surge a divisão; o que olha e o que é olhado, o observador e o observado. Entra a dualidade. Essa é a segunda dimensão.

Na primeira dimensão só existe o tempo presente. O sono não conhece o passado nem o futuro. Claro que como não conhece o passado e o futuro, tampouco pode conhecer o presente, porque o presente só existe no meio. Você tem de estar ciente do passado e do futuro, só assim pode estar ciente do presente. Como não existe passado, nem futuro, o sono só existe no presente. É puro presente, mas inconsciente.
Com o sonho, entra a divisão. Com o sonho, o passado se torna muito, muito importante. O sonho é orientado pelo passado; todos os sonhos vêm do passado. Eles ainda são fragmentos do passado flutuando; o pó do passado que ainda não se assentou.(...)

Tudo o que você sonha tem a ver com seu passado(...) Está na sua mente. Talvez você nunca tenha sido tão sincero em seu estado de vigília quanto no sonho. Todos os sonhos flutuam a partir do passado. Com o sonho, o passado se torna essencial. Assim o presente está aí, o passado também.
Com a terceira dimensão, o estado de vigília que Patanjali chama de jagrut entra a multiplicidade. A primeira é a unidade, a segunda é a dualidade, a terceira é a multiplicidade. Surge grande complexidade. O mundo inteiro nasce. No sono, você vai fundo dentro de si mesmo. No sonho, já não vai mais tão fundo, mas no entanto, não está fora - está bem no meio, no limiar. Com a consciência em vigília, você está fora de si mesmo, entra no mundo.(...)

Em sono profundo você está dentro. Na vigília você está fora. No sonho você está no meio, pairando, ainda não decidiu aonde ir, indeciso, em dúvida, incerto. No estado de vigília entra o ego. No estado de sono, há apenas fragmentos rudimentares do ego despertando, mas eles se assentam no terceiro. O ego se torna o fenômeno mais concreto, mais sólido, mais decisivo. E então, tudo o que você fizer, fará por causa do ego.

O terceiro estado traz um pouco de consciência - só 1%, não muito, uma consciência titubeante, momentânea. O primeiro estado era absolutamente inconsciente; o segundo era o inconsciente perturbado; o terceiro é o primeiro vislumbre de consciência. E por causa disso - o vislumbre momentâneo da consciência - esse 1% que entra cria o ego. Agora, chega também o futuro.

Primeiro há somente o presente inconsciente; depois há o passado inconsciente; agora entra o futuro. Passado, presente, futuro e toda complexidade do tempo giram em torno de você. Esse é o estado em que as pessoas ficam estagnadas. Se você construir sua casa com essas três dimensões, estará construindo-a sobre a areia, pois todo o seu esforço será inconsciente.

Fazer algo inconsciente é fútil - é como atirar flechas no escuro, sem ver o alvo. Não produzirá grandes resultados. Primeiro, a luz é necessária. O alvo tem de ser procurado. E é necessário luz suficiente para você caminhar em direção ao alvo com consciência. Isso só é possível quando a quarta dimensão começa a funcionar. Raramente acontece, mas quando acontece, nasce o significado, o logos.
Você terá uma vida sem sentido se viver apenas com essas três; terá uma vida sem sentido porque não será capaz de criar a si mesmo. Como poderá criar, em meio a tanta inconsciência?

A quarta dimensão é a da percepção, do testemunho - que Patanjali chama de turiya. (...) Essa quarta dimensão tem de ser compreendida o mais profundamente possível, porque essa é a meta. É pura consciência, simplicidade novamente. A primeira dimensão é simples, mas inconsciente; a quarta é simples, mas consciente. Unidade de novo, glória de novo - com uma única diferença: agora é tudo consciente, a luz interior queima, acesa. Você está plenamente alerta. Não é uma noite escura dentro de você, mas uma noite de lua cheia. É isso que significa iluminação: iluminação interior.

Novamente só resta um tempo - o presente, mas agora é o presente consciente. O passado não paira mais em volta. Um homem consciente não pode se mover no passado, porque este não existe mais. Um homem consciente não pode se mover no futuro, porque ele ainda não aconteceu. Um homem consciente vive no presente aqui e agora. O aqui é seu único espaço e o agora é seu único tempo. E porque está só no aqui e agora o tempo como tempo em si desaparece e nasce a eternidade, a atemporalidade. E quando o indivíduo está totalmente alerta, o ego não pode existir, pois ele é uma sombra projetada na inconsciência. Quando tudo está iluminado, o ego não pode existir. Você poderá ver a falsidade dele, a condição de pseudo dele. E nesse ato de ver, ele desaparece." [continua...]

Osho em A flauta nos lábios de Deus

1 de março de 2016

Dimensões da Consciência - 1/3 - Osho


"A vida é uma dádiva, mas a vida é uma oportunidade aberta. O significado não é uma dádiva, é uma busca. Aqueles que buscam certamente encontrarão. Mas aqueles que simplesmente esperam continuarão sem ele. O significado, o logos, tem que ser criado pelo homem. O homem tem que se transformar nesse significado, o qual não pode ser algo exterior a ele, mas que lhe seja interior.

O Ser interior do homem tem que ser iluminado.

Antes de entrarmos nesse sutra, algumas coisas nos ajudarão a compreender o homem, porque só assim o trabalho será possível.
A primeira coisa é que ele é um continuum espaço- tempo de quatro dimensões, assim como toda a existência. Três dimensões são de espaço, uma é de tempo. Elas não são separadas: a dimensão de tempo é apenas a quarta dimensão do espaço. As três dimensões de espaço são estáticas; a quarta dimensão, a do tempo, traz movimento, faz da vida um processo. A existência então, se torna um evento.

E assim, é o homem: o universo em miniatura. Se você pudesse compreender o homem em sua totalidade, teria compreendido toda a existência. O homem contém tudo - em semente. Ele é um universo condensado. E essas são as suas quatro dimensões.

A primeira dimensão é o que Patanjali chama de sushupti, sono profundo, no qual nem o sonho existe. A pessoa está em silêncio completo, nem um pensamento a abala, nem o vento sopra. Tudo está ausente. Essa ausência, no sono profundo é a primeira dimensão. É daí que começamos. E precisamos entender nosso sono; só assim, poderemos passar por uma transformação. Só assim, poderemos construir nossa casa sobre uma rocha; de outro jeito, não. Mas pouquíssimas pessoas compreendem o próprio sono.

Você dorme todos os dias; passa um terço da sua vida em sono profundo, mas não compreende isso. Você entra nesse sono todas as noites,e também ganha muito com isso. Mas é totalmente inconsciente, você não sabe exatamente onde esse sono o leva. Ele o leva à dimensão mais simples da sua vida - a primeira. Ela é muito simples porque não tem dualidade. É muito simples porque não há complexidade nela. É muito simples porque só existe a unicidade. Você ainda não despertou como um ego; ainda não se tornou dividido - mas a unidade é inconsciente.

Se essa unidade se tornar consciente, você terá samadhi, em vez de sushupti. Se essa unidade se tornar consciente, iluminada, então você terá alcançado Deus. É isso que Patanjali diz: sono profundo e samadhi, o estágio supremo da consciência são muito parecidos. Parecidos, porque são simples. Parecidos porque em ambos não há dualidade. Parecidos, porque em ambos o ego não existe.

No princípio, o ego ainda não despertou; no segundo o ego se dissolveu - mas há também uma grande diferença; A diferença é que, em samadhi você sabe o que é o sono. Mesmo enquanto dorme, sua consciência existe, sua percepção existe. Sua percepção continua acesa como uma pequena luz dentro de você.

Perguntaram a um mestre zen... É um famoso ditado zen:
Aprendemos que antes de estudarmos o zen, as montanhas são montanhas, e os rios são rios. Enquanto estamos estudando o zen, contudo, as montanhas não são mais montanhas e os rios, não são mais rios. Quando nosso estudo zen se completa, as montanhas são novamente montanhas e os rios são novamente rios.

- O que significa isso? - um discípulo perguntou a um grande Mestre.
O Mestre explicou: 
- Significa simplesmente que o primeiro e o último estado são parecidos. Mas no meio....o distúrbio. Primeiro as montanhas são montanhas e depois, no fim, elas são montanhas novamente. Mas no meio, as montanhas não são mais montanhas, e os rios não são mais rios - tudo está perturbado, nebuloso. Essa nebulosidade, essa confusão, esse caos, existe apenas no meio. Em sushupti tudo é como deveria ser; em samadhi novamente, tudo é como deveria ser. Entre os dois está o problema, está o mundo, está a mente, está o ego, está todo tipo de amargura, inferno.

Quando o Mestre explicou isso, o discípulo exclamou:
- Bem, se isso for verdade, então não há diferença entre o homem comum e o homem iluminado.
- Pois é - replicou o Mestre - Não há diferença mesmo. A única coisa é que o homem iluminado está seis polegadas acima do chão.

Mas essas seis polegadas fazem toda diferença. Por que o Mestre está a seis polegadas acima do chão? Ele vive no mundo e no entanto, não está no mundo - essas são as seis polegadas, a diferença. Ele come e no entanto não é o comedor, ele continua sendo uma testemunha - essas seis polegadas. Ele está doente, conhece a dor da doença - mas ainda assim não tem dor, essa diferença, essas seis polegadas. Ele morre, sabe que a morte está acontecendo e no entanto, não está morrendo, essa diferença - essas seis polegadas. Ele está adormecido, mas não dorme, está alerta."
[continua...]
Osho em A flauta nos lábios de Deus.

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