28 de fevereiro de 2014

Osho fala sobre Jesus


"Quem é Jesus Cristo? A pergunta tem sido feita constantemente ao longo dos séculos, e também tem sido respondida. Mas os que perguntavam estavam errados, e também os que respondiam, pois a pergunta derivava de um certo preconceito, assim como a resposta. Uma e outra não eram essencialmente diferentes; a origem, em ambos os casos era a mesma.

A pergunta era feita pelos que duvidavam do caráter divino de Jesus. E era respondida pelos que não estavam preparados para acreditar na humanidade de Jesus. Eram capazes de acreditar apenas na metade dele. Os judeus podiam acreditar que ele era um homem. E os cristãos podiam acreditar que ele era Deus. Os judeus negavam metade dele - a parte Cristo. E os cristãos negavam a outra metade - a parte Jesus.

Quem é Jesus Cristo? Os cristãos não querem vê-lo como Jesus, filho de um homem - homem de carne, sangue e ossos, homem com os outros homens. E os judeus não queriam acreditar nele como Deus, como um ser divino - feito de pura consciência, e não de carne, sangue e ossos.

Ninguém foi capaz de acreditar em Jesus em sua totalidade. E isso não acontece apenas com Jesus, mas com todos os Mestres - Buda, Krishna, Zaratustra. E a menos que você se deixe penetrar por Jesus em sua totalidade, não poderá transformar-se. A menos que o escolha tal como é, não poderá estabelecer contato com ele.
Jesus é ao mesmo tempo Jesus e Cristo, e não se envergonha disso.

Na Bíblia, muitas vezes ele diz: "Eu sou o Filho do homem", e muitas vezes ele diz "Eu sou o Filho de Deus". E em sua fala não parece haver nenhuma contradição entre essas duas coisas. E não há. A contradição está em nossas mentes. Ela não existe no ser de Jesus. O seu ser lança pontes, o seu ser lança pontes entre o tempo e a eternidade, entre o corpo e a alma, entre este mundo e o outro. O seu ser lança pontes entre o visível e o invisível, o conhecido e o desconhecido. Ele é completamente unificado, está à vontade nos dois, pois é os dois. Jesus e Cristo são como duas margens do um rio, eo rio só pode existir quando há duas margens: ambas lhe pertencem. Ele existe entre elas, ele é o rio. (...) 

Os judeus tinham uma resposta. Sabiam que ele não era o Messias, que não era Deus. Por quê? Porque achavam que quando o Messias viesse, todos seriam capazes de reconhecê-lo! Todos, sem exceção. Era essa a ideia que tinham do Messias: todos seriam capazes de reconhecê-lo. E se Jesus não foi reconhecido por todos, como poderia ser o Messias? Eles têm uma definição. Também acreditavam que quando chegasse o Messias, todo mundo seria imediatamente libertado. Todos os pecados do passado, todos os pecados do presente desapareceriam nessa luz, e isso não aconteceu. " O Cristo chegou, mas as pessoas ainda não estão libertas, continuam vivendo em pecado, continuam vivendo em tormento. Esse homem não pode portanto ser o Messias, não pode ser o Cristo, não pode ser o Messias.

São preconceitos. Eles nunca tinham visto nenhum Messias. Como poderiam afirmar o que aconteceria quando chegasse o Messias?(...) Por isso é que os judeus perderam a oportunidade. Era por esse homem que estavam esperando há séculos e, quando ele chegou e bateu em suas portas, eles deixaram passar. Negaram-no. E como podem tê-lo feito? Seriam pessoas ruins? 
Não, eram tão bons quanto qualquer um de nós, tão bons quanto os hindus, os muçulmanos e os budistas; nada havia de errado com eles. Qual foi então o problema? O problema era o conhecimento deles. Tinham um preconceito. E quando os cristãos respondem que Jesus é o único filho de Deus, mais uma vez é o conhecimento.

Os judeus ficaram muito inquietos porque Jesus afirmava ser Deus, ou o filho de Deus. Há dois mil anos os cristãos vêm defendendo Jesus - afirmando que ele era Deus, que ele é Deus. 
E tentam também eliminar todas as possibilidades de provar que ele é um homem. (...) Negam assim, sua humanidade, afirmado que ele não é como todos nós. (...) Mas ele era muito humano, radicalmente humano. Era um homem completo. Não era um perfeccionista; quando era o caso de ficar com raiva, ele ficava com muita raiva. Expulsou os mercadores do templo.(...) Estava tão furioso que sozinho, sem ajuda de ninguém, expulsou dali muitas pessoas.

Ele amava as pessoas. Tinha muitos amigos. Misturava-se com as pessoas. Comia e bebia e se movimentava em sua companhia. Levava a vida de um homem comum. Não tinha nenhuma pretensão de ser um personagem extraordinário. E, mesmo quando acontece algo extraordinário, sempre diz: "Foi a sua fé que operou o milagre; Foi a misericórdia de Deus.; É alguma coisa entre você e o seu Deus". Ele não espera sequer gratidão. 
Uma pessoa está muito agradecida porque ocorreu um milagre, ficou curada e quer tocar os seus pés e lhe agradecer, mas ele diz: "Não". Mas o homem retruca: "És um grande homem, és tão bom!" e Jesus diz: "Só Deus é bom. Agradeça e ele. Esqueça de mim. Foi a sua fé que o curou, e não eu. E se sentir agradecido, terá se ser agradecido a Deus. Esqueça de mim. Não permita que eu me interponha entre você e o seu Deus."

É exatamente o que se afirma que Buda teria dito a seus discípulos: " Se me encontrarem no caminho, matem-me imediatamente. Nunca permitam que eu me interponha entre vocês e a realidade. Segurem minha mão enquanto não se sentirem capazes de caminhar sozinho, por conta própria. A partir do momento em que se sentirem capazes, simplesmente me esqueçam. Vão em frente. Não se apegue a mim. Não tentem ser a minha sombra. Se me encontrarem no caminho, matem-me imediatamente!". É exatamente o que Jesus está constantemente dizendo: "Esqueçam de mim. Dirijam seus agradecimentos diretamente a Deus."(...)

Os cristãos só falam de seus milagres, e não de sua vida cotidiana. Têm medo. Os cristãos afirmam que Jesus nunca riu! (...) Ele era Jesus... e nunca riu? Nesse caso, quem poderia rir? Mas o riso parece humano demais, por demais mundano: eles não poderiam permitir que Jesus risse.

Mas a vida de Jesus era de tal natureza que ele deveria rir. Deveria rir e muito. Deve ter sido um homem dado ao riso, pois está constantemente dizendo: "Rejubilem-se! Alegrem-se! Festejem!". Não poderiam ser palavras de um homem que nunca riu. Por que haveria de ir a festas um homem que nunca riu? Por que haveria de beber com os outros? Por que haveria de se misturar com os outros? E ele estava sempre acompanhado. Todo dia, toda noite, estava sempre na companhia dos outros. Não era um recluso. Realmente devia rir e aproveitar muito. Mas os cristãos dizem que ele nunca riu. (...)

Um homem que alcançou o supremo grau de consciência haverá de se sentir completamente bem-aventurado e feliz. Sua vida será uma canção, uma dança. Terá a mesma qualidade das florestas e das estrelas. Não pode ser triste. Por que haveria de se sentir triste? É o mundo de seu Pai, é o mundo do seu Deus. Por que se sentiria triste? Ele voltou para casa. Quando é que se vai sentir feliz? Se não ficamos felizes ao conhecer Deus, é porque não há possibilidade.

Jesus parece tão triste. Pintaram-no triste. Foi pintado como "o Salvador". Foi pintado como se estivesse carregando os fardos e os pecados de todo mundo. Ele o perdoa!. Não carrega o seu fardo, simplesmente o perdoa.
Trata-se de um equívoco, achar que ele chama para si o nosso fardo. Se não é algo de valor, por que haveria ele de chamar a si? E se é tão valioso, por que o tomaria de nós? Não, ele não toma o fardo de ninguém, simplesmente ajuda-nos a todos a deixá-los para trás. Pois somos nós que nos aferramos a fardo, a algo sem valor. Quando ele diz que você está perdoado, fala assim: "Esqueça a sua tristeza e esqueça o inferno. É o mundo do seu Pai, ele é compaixão e amor. Como poderia o amor puni-lo? Como poderia o amor atirá-lo no inferno? Como poderia o amor torturá-lo? Deus não é sádico!" (...)

Gostaria de dizer-lhes que ele é um homem de verdade, um autêntico homem. Viveu como um homem e amou vivendo como um homem. Viveu toas as dimensões da humanidade, ele ainda assim é Deus.

Jesus Cristo é ao mesmo tempo Jesus e Cristo. 
Ele é Cristo em Jesus e é Jesus em Cristo."
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis

26 de fevereiro de 2014

O Lugar do não saber - Jeff Foster


"Muitas vezes nos sentimos tão longe de casa, do amor, das respostas , dos ‘amanhãs’ que secretamente desejamos tudo isso. 
Nos sentimos muito longe da vida ...

Mas a vida nunca está longe. 
A vida nunca pode estar distante
A vida é sempre aqui, onde estamos, 
e somos inseparáveis de sua exibição brilhante 
de sua luz e sombra.

Não há urgência. 
O verão não se apressa para o outono. 
Uma pequena folha de grama não está tentando crescer mais rápido do que a do seu vizinho. 
Os planetas giram preguiçosamente em suas órbitas. 
Este universo antigo não tem nenhuma pressa.

Mas a mente, o sentimento tão dividido a partir da totalidade, quer respostas agora, quer soluções hoje, quer desesperadamente saber. 
Ela quer atingir suas próprias conclusões. 
E, finalmente, estar no controle 
das coisas.

Mas você não é a mente. 
A mente é um aspecto do Todo, mas não pode compreender o Todo...

Então, devagar, amigo. 
Tome uma respiração profunda e consciente. 
Confie no lugar onde você está, o lugar do "sem respostas ainda"
o lugar precioso do não saber

Este lugar é sagrado, pois é 100% vida. 
É cheio de vida, saturado com a vida, gotejando... vida.
Não tente se apressar para a próxima cena do filme do pequeno 'eu' .
 
Seja aqui, nesta cena, agora, 
a única e verdadeira cena que existe.
O Agora é o lugar onde as perguntas descansam 
e as respostas crescem, 
em seu próprio tempo.”

25 de fevereiro de 2014

Destinados ao Amor...


Somos destinados ao Amor
Sempre vivo
Venerado
Abismal
Insensato...

Amor ápice
Amor abismo
Abissal
Percorre léguas
Sem chegar
Amargura
Ansiedade
Destemido
Amor sem medida
Permanece Amor
Haja o que houver...

Somos almas amadas
e aladas
no Amor
Êxtase eterno
do Viver
Chegar e Partir
Embriagar-se de Amar
em Si...

Somos destinados
Predestinados
Ao Ser
Amor,
Sempre mais e mais
Cabe ao Amor decidir
Definir
Perguntar
Explicar
Sem palavras
Imaginar percursos
e Olhares
Cabe ao Amor transcorrer
Fazer
Ouvir
Escutar
Ensinar
Desejar
Nada ser,
Saciar-se plenamente em
Ser eternamente
   Amor...

~Amidha Prem~

24 de fevereiro de 2014

Nada está sob controle - Ramesh



Ramesh - Se vocês ainda não notaram, o ser humano é um animal engraçado. Qualquer outro animal, pensaria assim do ser humano se percebesse apenas três coisas:
Primeiro, por milhares de anos, cada sábio, ou profeta, tem dito sempre e sempre que a felicidade para o ser humano está no amor e na fraternidade universal. Mas, ninguém parece estar prestando atenção a eles. Estas pessoas estão buscando uma nova e diferente resposta.
O ser humano não quer conhecer a verdade. O que querem é ter mais e mais informações sobre aquilo que ele acredita saber; então eles vão pulando de ashram em ashram, de um guru a outro guru, lendo livros um após o outro e procurando. Eles tentam um tipo de sadhana e outro e mais outro, todo o tempo, ignorando que a verdade básica, lhe está sendo repetida, por milhares de anos.

A segunda coisa é que o ser humano tem uma imensa inteligência, inacreditável inteligência, ele foi capaz de enviar o homem à lua, e ainda não foi capaz de controlar seu próprio comportamento e conduta social. O ser humano é absolutamente único em seu alcance tecnológico e o animal humano ainda não é capaz de administrar sua vida social e política.

E por fim, o mundo está a beira de um desastre, isso tem sido há muitos anos, com uma crise após a outra. Apesar do ser humano, que certamente possui uma inteligência, e que se supõe possuir um livre arbítrio, foi incapaz de combinar estes elementos (inteligência e livre arbítrio) e então transformar o mundo em um lugar melhor.

Ninguém gosta de saber que não possui o livre arbítrio, ninguém gosta de saber que é apenas um marionete manipulada por uma inteligência, de modo que a inteligência humana não pode ser comparada. Ele se ressente disso. Ele gosta de dizer que gosta aquilo, que acredita naquilo, dizer que o futuro está em suas próprias mãos, que pode construir seu futuro pela sua própria vontade.

Contudo, existem muitas pessoas inteligentes, que são líderes em seus próprios países, que se interessam por astrologia. Se eles realmente acreditassem no seu próprio livre arbítrio, porque eles estariam interessados em astrologia?
Se você pensou ao longo de tudo isso, a única conclusão sensata seria que o ser humano vem atuando desta forma porque não tem nenhum controle sobre seus pensamentos e emoções. Ele possui uma inteligência notável, mas não tem nenhum controle sobre seus sentimentos, pensamentos e emoções. O que considera suas próprias ações, são na verdade reações do organismo individual para um pensamento ou evento de fora. O organismo reage de acordo com suas características individuais, físicas, intelectuais e temperamentais.

Participante - Alguma coisa me ocorreu enquanto você estava falando. Mesmo que nós pensemos que temos escolhas, na verdade não temos?
Ramesh - Isso é correto. Você pensa que tem escolha, mas quantas escolhas você realmente tem? 
Você está indo comprar uma roupa. A moda lhe diz que esta roupa deve ser comprada. Mas há anos atrás você não compraria isso. Então, a moda e as lojas e a mídia lhe diz para comprar este tipo de roupa, e você compra, e vem dizer que isso é sua própria escolha?

Participante - Se estiver em uma bifurcação na estrada e tiver que escolher entre o caminho A ou o B. Mesmo assim eu ainda chegarei no mesmo lugar onde deveria ir?
Ramesh - O ponto importante é quando você diz que tem que escolher  o caminho A ou o B. O que você realmente faz quando escolhe A ou B? O que acontece quando você diz " Eu vou pelo caminho B?" Isto é na verdade um pensamento que passa por você, não é?

Participante - Mas, ele está vindo através de mim?
Ramesh - Oh sim, de fato! O pensamento vem no seu cérebro do exterior. Este é o ponto.
Todo o processo é: O pensamento vem, é vocalizado e então ele se transforma em ação. Logo, a base de toda ação é o pensamento que foi vocalizado e através da ação, ele permanece presente. Em momentos diferentes, o pensamento pode ser para fazer outra coisa. 
Ambos os caminhos podem vir a ser escolhidos, mas em certo momento a escolha será de A e em outra o pensamento da escolha por B será mais forte.

Participante - É por isso que nunca conseguimos prever o que acontecerá em uma certa situação?
Ramesh - Precisamente. O processo é pensamento - palavra - ação. Você não escolhe o pensamento.

Participante - É isso que você quis dizer antes, quando disse que não podemos cometer erros?
Ramesh - Sim! O que tiver que acontecer, acontecerá.

Participante - Então, pelo que disse, não há nada que se possa fazer, nenhum esforço para se alcançar a iluminação?
Ramesh - Absolutamente.

Participante - Uma pessoa só precisa esperar que aconteça ou deve se engajar em uma prática espiritual?

Ramesh: Isso é precisamente o que disse, quando falei : "O problema vem do ponto de vista individual. Veja pelo perspectiva da Totalidade, então o que acontece?"
Isto significa que você pensa em termos de possuir uma Consciência. 
"Esta é minha consciência. Eu estou consciente. Eu sou capaz de fazer aquilo que eu quero". 
Na verdade é a Consciência que possui você. 
É a Consciência que possui este mecanismo corpo-mente e os bilhões de outros e produz através deles, as ações que deseja produzir. E, com a intenção de produzir estas ações, cada mecanismo corpo-mente foi concebido com características particulares. Cada um é filho de determinados pais, e são nutridos com determinadas condições ambientais.
Nem a natureza, nem a nutrição está nas mãos do indivíduo, nem o evento chamado "morte". 
Embora, entre estes dois pontos, do nascimento e a morte, exista essa ilusão chamada "eu" que tem a audácia de dizer: "Eu controlo minha vida. Eu sou o mestre do meu destino."
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks

22 de fevereiro de 2014

Brincando do que não é - Alan Watts


"Se você está despertando dessas ilusões, e compreender que preto implica no branco, que o eu implica os outros, que a vida implica morte, ou devo dizer, que a morte implica vida...

Você pode sentir a si mesmo não como um estranho neste mundo, não como algo aqui sob provocações, não como algo que surgiu por uma causalidade...

Mas, você pode começar a sentir sua própria existência como absolutamente fundamental!

Eu não estou tentando vender-lhe esta ideia, no sentido de convertê-lo. Eu quero que você brinque com isso. Eu quero que você pense nas possibilidades. Eu não estou tentando provar nada. Eu estou apenas colocando como uma possibilidade de vida para se pensar a respeito.

Então, vamos supor que você fosse capaz toda noite de sonhar qualquer coisa que deseje sonhar. E que você possa por exemplo ter o poder de sonhar dentro de uma noite setenta e cinco anos, ou qualquer espaço de tempo que você queira. Enquanto começa esta aventura de sonhos, você iria naturalmente realizando seus desejos. Você teria todos os tipos de prazer! E após várias noites, de setenta e cinco anos de total prazer, você diria: "Bom, isto foi demais!"
Mas agora, vamos ter uma surpresa. Vamos ter um sonho desvairado. Onde algo está para acontecer comigo, mas não sei o que será. E você iria fundo, e ao retornar diria: " Uau! Esta foi por um triz, hein?!"
Depois, você teria mais e mais aventuras, e faria mais e mais apostas sobre o que você sonharia. Finalmente você sonharia onde você está agora. Você sonharia o sonho de viver a vida que atualmente está vivendo. Que estaria dentro de infinitas multiplicidades de escolhas que você teria, de brincar que você não era Deus.

Porque toda a natureza de Deus em você, de acordo com esta ideia, é brincar que não é.
Então, nesta ideia, todos estão fundamentalmente, em definitiva realidade, não Deus em um sentido politicamente real, mas Deus no sentido de ser o Eu. A profunda base, tudo que há.
E você é tudo isso! Só que você finge não ser."
Alan Watts em The Dream of Life

20 de fevereiro de 2014

Tudo é expressão da Consciência - Mooji


"O ser humano é uma expressão da Consciência; não é o controlador da Consciência.

Ele é a manifestação da Consciência, mas mesmo que diga: "eu faço algo", a atividade começa em um nível inconsciente ou subconsciente. Quando alcança a mente, o nível consciente então, a boca diz: "sim, penso que vou fazer isto", mas a inclinação nasceu muito antes.

Antes que um pensamento surja na sua mente, você não tem nenhuma consciência disso, ele simplesmente aparece. Depois, talvez o condicionamento determine se esse pensamento se atualiza neste mundo tangível ou não. Mas ainda, tudo isso ainda é uma atividade da Consciência.

Porém, somos também a Consciência. É complexo!

Nós somos a Consciência e ate este corpo é Consciência.

Quando a Consciência, ela própria, está identificada com o instrumento, o corpo juntamente com a força vital, a respiração no corpo, etc.. Não é um corpo por si só não é um corpo, mas identificando-se com o corpo assume o corpo pelo que é.

E esta identificação dá origem ao que se chama independência ou autonomia individualidade, ego.

E é esse ego, que não é independente da Consciência, é apenas uma forma muito contraída de Consciência, uma modificação da Consciência. Passa-se a trabalhar com uma Consciência muito restritiva quando se está na Consciência alterada, "eu sou uma pessoa" mas ainda é Consciência. Mas é uma zona muito restritiva.

Quando isso é visto e a Consciência se abre outra vez, é despersonalizada, e mais uma vez se torna Consciência Universal, você é Consciência Universal.

Mas isto não é só para se aprender, é necessário que reconheça, que descubra isso. Alguma coisa se purifica, de alguma maneira, através da própria sua própria visão.
É simples, o que estamos dizendo aqui. Perde toda a cobiça e os medos desaparecem, tudo desaparece.
É purificada!"
Mooji em Satsang

18 de fevereiro de 2014

A Paz Permanente - U.G. Krishnamurti


"A tentativa de obter felicidade permanente e prazer ininterrupto só está sufocando o corpo, causando-lhe violência. Sua busca por felicidade só consegue destruir a sensibilidade e inteligência do sistema nervoso. Está perturbando radicalmente o equilíbrio químico do corpo.
O corpo, que só está interessado na sobrevivência e procriação, trata a dor e prazer da mesma forma. É você quem insiste em parar a dor e estender o prazer. A resposta do corpo para o prazer e a dor é a mesma.


O corpo não está de todo interessado em questões psicológicas ou espirituais. Suas extremamente elogiadas experiências espirituais são de nenhum valor para o organismo. Na verdade, elas são dolorosas para o corpo.
O amor, a compaixão, ahimsa, compreensão, felicidade, todas essas coisas que a religião e a psicologia têm colocado diante do homem, estão acrescentando apenas mais tensão ao corpo. 
Todas as culturas, sejam do Oriente ou do Ocidente, criaram esta situação desequilibrada para a humanidade e transformou o homem em um indivíduo neurótico. Em vez de ser o que você é - indelicado - você persegue o oposto fictício colocado diante de você - bondade. Enfatizar o que nós deveríamos
de ser, apenas provoca tensão, dando impulso á aquilo que na realidade já somos.
Uma vez que o pensamento se esgotou a ele próprio, nada que cria divisão pode permanecer lá. Enquanto o pensamento está nascendo, a desintegração ou morte do pensamento está ocorrendo também. É por isso que não é natural para o pensamento se enraizar. Somente através da manutenção de uma consciência dividida no homem, é o pensamento capaz de negar o funcionamento harmonioso do corpo. Moldar o homem em termos religiosos ou psicológico é negar a inteligência extraordinária deste corpo maravilhoso. É o movimento do pensamento que está constantemente a levar você para longe de seu estado natural e criando esta divisão.

Além de suas necessidades físicas naturais, o que você quer, surgiu a partir do que lhe foi dito, o que você leu, e o que você mesmo já experimentou. As necessidades físicas são evidentes e facilmente compreensíveis. Mas, este particular querer - o objeto de sua busca- é algo que nasce do seu pensamento, que por sua vez é baseado no conhecimento que você reuniu a partir de várias fontes.

O que você deseja? Há sempre alguém para ajudá-lo a obter o que você deseja, por um preço. Você insensatamente dividiu a vida em objetivos maiores e menores, em caminhos materiais e espirituais. Em ambos os casos, grande conflito, dor e esforço está envolvido.
Eu digo, por outro lado, que não há objetivos espirituais de todo, pois eles são simplesmente a extensão de objetivos materiais para o que você imagina ser um plano mais elevado, mais sublime. Você acredita equivocadamente que perseguindo o objetivo espiritual você vai, de alguma forma milagrosa, tornar seus objetivos materiais simples e manejáveis. Tais buscas são, na realidade, impossíveis. Você pode pensar que apenas as pessoas inferiores buscam objetivos materiais, que as conquistas materiais são entediantes. Mas, na verdade, os chamados objetivos espirituais que você colocou diante de si são exatamente os mesmos.

Qualquer coisa que você faça na busca pela Realidade ou Verdade leva você para longe do estado natural no qual você sempre está. Não é algo que você possa adquirir, atingir ou realizar como resultado de um esforço. Tudo que você faz impede a expressão “daquilo que já existe aí” de expressar-se a si mesmo. Por isso que eu chamo isto de “estado natural”. Você está sempre neste estado.

O que impede aquilo -que está aí- de expressar-se a si mesmo à sua maneira, é a busca. A busca está sempre na direção errada.
Assim, tudo o que você considera muito profundo, tudo o que você considera sagrado é uma contaminação naquela consciência. Pode ser que você não goste da palavra “contaminação”, mas tudo o que você considera sagrado,
santo ou profundo é uma contaminação. Não há nada que você possa fazer, não está em suas mãos. Isto é algo que não posso dar-lhe por que você já o tem. É ridículo pedir por algo que você já tem. Não existe nada para se receber de ninguém. Você tem o que eu tenho. Eu digo: você já está lá.É o passado que projetou estes objetivos - Deus, iluminação, paz mental, o que quer seja - e colocou-os no futuro, fora do alcance. Então, a felicidade é sempre no futuro, amanhã. Um homem feliz não estaria interessado em buscar a felicidade. Um homem bem alimentado não está em busca de comida.
Suas expectativas são parte de seu desejo de mudar tudo.
Nada precisa de ser mudado, você deve aceitar a vida como ela é. Através de "mudança" você deseja e espera para nascer de novo. Para que? Esta vida é o suficiente. Não há paz nesta vida, não falta infelicidade, para que esperar até sua próxima vida para ser feliz. Não vale a pena. Você pode muito bem não
nascer de novo. Afinal de contas, é apenas uma teoria esperançosa sua. Você pode muito bem descobrir por si mesmo se é possível estar em paz com você mesmo agora.

A menos que você esteja em paz consigo mesmo, não poderá haver paz no mundo. Quando é que você vai estar em paz consigo mesmo? Na próxima vida? Sem chance. Espere, você vai ver. Mesmo assim, não há garantia de que a sua sociedade será pacífica. Eles não vão estar em paz. Quando você está em paz consigo mesmo, isso é o fim da história."
U.G. Krishnamurti 

16 de fevereiro de 2014

Tudo é transitório - Tagore


"Irmão, nada é eterno, nada sobrevive

Recorda isto, e alegra-te.

A nossa vida
não é só a carga dos anos.
A nossa vereda
não é só o caminho interminável.

Nenhum poeta tem o dever
de cantar a antiga canção.
A flor murcha e morre;
mas aquele que a leva
não deve chorá-la sempre…


Irmão, recorda isto, e alegra-te.


Chegará um silêncio absoluto,
e, então, a música será perfeita.
A vida inclinar-se-á ao poente
para afogar-se em sombras doiradas.
O amor há-de ser chamado do seu jogo
para beber o sofrimento
e subir ao céu das lágrimas…

Irmão, recorda isto e, alegra-te

Apanhemos, no ar, as nossas flores,
não no-las arrebate o vento que passa.
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos
roubando beijos que murchariam
se os esquecêssemos.

É ânsia a nossa vida
e força o nosso desejo,
porque o tempo toca a finados.

Irmão recorda isto, e alegra-te.

Não podemos, num momento, abraçar as coisas,
parti-las e atirá-las ao chão.
Passam rápidas as horas,
com os sonhos debaixo do manto.
A vida, infindável para o trabalho
e para o fastio,
dá-nos apenas um dia para o amor.

Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Sabe-nos bem a beleza

porque a sua dança volúvel
é o ritmo das nossas vidas.
Gostamos da sabedoria
porque não temos sempre de a acabar.
No eterno está tudo feito e concluído,
mas as flores da ilusão terrena
são eternamente frescas,
por causa da morte.

Irmão, recorda isto e alegra-te..."
Rabindranath Tagore

14 de fevereiro de 2014

O Coração na Yoga - Pedro Kupfer


"Quando usamos a expressão “fazer as coisas com o coração”, de modo geral nos referimos a agir com a motivação certa, desde uma postura de franqueza e honestidade. Por outro lado, dizer que alguém tem “o coração frio” aponta para uma situação em que a pessoa totalmente centrada no próprio interesse, ou que não tem sensibilidade, ou que age com frieza e egoísmo, sem levar em conta os demais.

Nas escrituras do Yoga a palavra coração sempre aparece vinculada à consciência, ou a uma maneira de se referir a ela a partir do corpo. Por exemplo, o Yogasūtra (III:35), afirma que “[meditando no] coração, o yogui  adquire conhecimento da própria Consciência”.

Por outro lado, a Śvetaśvatara Upaniṣad (II:8), um texto muito mais antigo que o próprio Yogasūtra, ensina o seguinte: “Mantendo o corpo firme, como as três partes eretas [tronco, pescoço e cabeça], o sábio dirige os sentidos e a mente ao interior do coração. Brahman é o barco em que ele atravessa o rio do medo”.

Assim, vemos que o coração ocupa um lugar central no processo do autoconhecimento, pois é uma referência, um ponto de conjunção, digamos assim, entre corpo, mente e Consciência.
Por exemplo, quando nos referimos a nós mesmos, apontamos naturalmente com as mãos para o coração. Quando precisamos fazer referência às coisas do
ego, também apontamos para o coração.

A Kaṭha Upaniṣad (I:2:20), outro texto antiquíssimo de Yoga, declara que o coração é o lar da Consciência: “Menor que o infinitesimal, maior que o grandioso, o Ser reside no coração de todas as criaturas. Aquele que domina [a identificação com] seus próprios desejos liberta-se de todo sofrimento e, com a mente e os sentidos em paz, percebe a grandeza do Ser”. Assim, podemos considerar que o coração seja uma espécie de ponte entre o finito e o infinito, entre o corpo-mente e o Ser.

Na fisiologia sutil do Haṭha Yoga, fala-se do “nó” (granthi) do chakra cardíaco que limita, através dos karmas, a experiência da consciência ilimitada apenas ao ego, à mente ou ao corpo físico.

Usando diferentes ferramentas, o yogui tenta cortar esse nó e se libertar dele. Porém, essa escravidão é aparente, mesmo quando para a pessoa identificada com seus condicionamentos essa seja a única realidade. Essa situação acontece porque ela está enredada nos próprios karmas e não enxergar além deles.
O desejo de vencer a morte, de compreender o que há antes e depois dessa passagem, é tão antigo quanto universal. Na tradição da Índia, “vencer a morte” significa abrir o coração, como fica claro nesta outra passagem da obra que acabamos de citar: “Desfazendo os nós que estrangulam do coração, o mortal torna-se imortal. Essa é a síntese dos ensinamentos das escrituras” (II:3:15).
Os “nós que estrangulam o coração” são as falsas crenças, os condicionamentos e ideias equivocadas que temos sobre nós mesmos."

12 de fevereiro de 2014

Pensamentos e Reencarnação - Mooji


" Pergunta: Estou preocupada de que possa não reconhecer o Ser nesta vida.Eu não quero voltar. A minha questão é, se não o conseguir desta vez, e se tiver que voltar, irei perder algum fundamento? Poderei ter de começar tudo de novo? (...)

Mooji: Aquele cuja mente está fixada constantemente em descobrir a verdade, então esta vida é para Liberdade.

Lembro-me de uma história que costumava contar, e já não a conto há muito tempo: Havia um homem, um homem de negócios, e cada vez que fechava sua loja ia ao satsang. Às vezes estava tão cansado que adormecia no satsang. Mas ele adorava ir sempre ao satsang, só que nem sempre conseguia manter a atenção ou os olhos abertos durante este tempo.

Então, um dia ele estava em satsang e o guruji estava falando, e disse uma coisa para a sala, mas este homem ouviu muito bem. O guruji disse: Qualquer que seja o pensamento que esteja em sua mente, o seu último pensamento, te levará ao seu próximo nascimento. O seu pensamento final, te levará ao seu próximo nascimento.

Estas palavras atingiram o homem de forma tão poderosa, que depois do satsang ele foi para casa e não conseguia deixar de pensar: O último pensamento determinará o meu próximo nascimento... Oh meu Deus, isto é demais! E pensava tantas coisas. Minha vida é tão atribulada, como é que eu posso ter certeza de que o último pensamento me vai levar para o paraíso? Ele estava obcecado com esta ideia, pensando sempre naquilo.

Então, no decorrer do tempo a mulher dele ficou grávida e teve gêmeos, dois meninos. Ela perguntou: que nome daremos aos meninos? E imeditamente o homem disse: Chamemos um de Rama e o outro de Krishna. Porque vou ser muito apegado aos meus filhos, e com certeza, quando estiver morrendo estarei pensando neles. E assim, no meu último suspiro irei chamar os meus filhos e então irei ver Krishna e estarei com Rama, é isso!

Ele ficou satisfeito consigo mesmo e ficou muito feliz.

Os anos se passaram, e este homem ficou doente, com câncer. É uma doença rapidamente degenerativa, e ele tinha que sair de casa para ir ao hospital; não havia cura para ele. Ele estava lá deitado, com a respiração difícil. Mas ele pensa nos filhos e não consegue esquecer o que o guruji havia dito: E assim, a cada respiração lembra-se dos filhos, Rama... Krishna... e sentia-se muito bem, por detrás da dor, ele sentia muito bem, porque sou apenas meus filhos agora. Então, parece que o meu último suspiro está chegando e só penso nos meus filhos, Rama... Krishna...

Assim então, o fôlego se esvai. Então, o médico manda chamar os rapazes que tem agora por volta de 18 anos e que tomavam conta da loja. Então, o médico diz aos rapazes que fechem a loja e que venham se despedir do seu pai, venham depressa. Então, eles fecham a loja ao meio dia e vão ao hospital e ficam ao lado da cama de seu pai. O pai abre os olhos, vê seus filhos.. Ramaaaa, Krishnaaa...

Pai, estamos aqui! Cada um segurando numa mão. E ele: Ramaaa...Krishnaaaa.. E agora chega o último suspiro...

E eis que surge um pensamento, o último suspiro e... Se os dois estão aqui quem ficou tomando conta da lojaaaa...

Então, podem adivinhar o resto da história... (risos)

Isso é algo que se tem acreditado por muito tempo, qualquer que seja o seu último pensamento, por isso que se diz em satsang, todos os seus pensamentos não exauridos, vão aparecer, e o satsang vai desencadeá-los.

Porque se você vive na mente e tem uma vida confortável, você não quer ser incomodado, não quer que nada te desafie, nada que ponha em questão esta vida boa. Você vive a vida, faz de tudo para que ninguém te perturbe e os mantém longe de ti.
Mas existem tendências dentro que só pelo contato com outros seres humanos vão provocar para que estas tendências venham à superfície. E não significa que se não as vires elas não estarão ali. (...)

Algumas pessoas me dizem: Ah você me confunde! E eu digo não, não te confundo, você se sente confuso.

Algumas pessoas dizem: Ah estas pessoas são tão distrativas. Não elas não são distrativas, você está se distraindo.(...)
Aquilo que procuras é eternamente perfeito, então porque é que precisa esperar por fevereiro? Então a sua pergunta é o que me impede de realizar isto agora? (...)

Então, se você mantiver esta ânsia dentro: tenho de ser livre, esta vida é para a Liberdade, então algumas vias vão surgir para te guiar à forma mais rápida. De acordo com a capacidade da sua mente, a forma mais rápida se a sua busca for genuína."
Mooji em Satsang

10 de fevereiro de 2014

Onda de Amor - Papaji


"Papaji: Quando você tem cinco anos de idade, seus pais tomam conta de você. Quando você cresce e sente que pode tomar conta de si mesmo, você deixa seus pais e trabalha por si mesmo. Seus pais ficam felizes quando você se torna independente. Se você tem problemas, você sempre pode voltar a eles, para ajuda e conselhos e você será sempre bem-vindo. Por que eu estou lhe dizendo isso? 
Há uma energia, uma graça, a qual alimenta e cuida de você.
Você pode voltar a ela para sustento. Esse reservatório é a fonte de toda energia. Ela é a fonte da eletricidade e também de sua própria energia. Não se esqueça que toda sua energia vem de Atman, da Graça. Quando você se conecta com esse reservatório, você tem duzentos por cento mais energia do que tem agora. Volte ao seu pai e veja por si mesmo.

Quando você deixar essa Graça gerir sua vida, você saberá: "isso está vindo da Graça. É sorte minha que eu tenha visto esta graça funcionando". Através dela me foi dada a oportunidade de olhar por minhas crianças, minha esposa, meus parentes, meu país. Quando você funciona a partir deste lugar, você tem uma nova vida. Muitas pessoas que partem daqui me dizem: "De onde vem toda essa energia?" Estávamos sempre ocupados antes, pois trabalhamos ainda mais e nunca estamos fatigados. (...)

Papaji: Tempo? Para que tempo? Aqui você se livra do tempo. Por que depender do tempo? Tempo é o passado. Quando você se for daqui, você jogará fora o tempo. Você não precisa do tempo.(...)
Quando você tem tempo, a mente e todas as outras coisas, você tem que se responsabilizar por elas. Mas quando você conhece a beleza da não-mente, e do não-tempo, quem olhará por você? Se você confiar no poder supremo, ele
tomará conta de você muito bem.(...)

Participante: Para muitas pessoas, liberdade ainda significa liberação de opressão política, de prisão, de tortura. Empecilhos externos são um impedimento à liberdade interna, e se é, você vê lugar para ativismo político no mundo?

Papaji: Circunstâncias externas não são impedimentos. O impedimento é o ego. Impedimentos são criados pelo ego. "Eu devo fazer isso", "Eu não devo fazer aquilo". Esta ideia de que você está fazendo algo, é o empecilho. Se
você age sem sentir que é o autor, não haverá qualquer empecilho. 

O poder Supremo está trabalhando através de você. Ele guiará à medida que as circunstâncias surjam.(...)

O mundo está se movendo na direção do desastre. Estamos nos movendo na direção da destruição da própria raça humana. As bombas atômicas e as armas químicas estão nos levando lá. Esse não é o modo de ir. Ao invés
disso vamos tentar transmitir compaixão e amor para os seres humanos e todos os outros seres. Vamos tentar isso. Aqui, em Satsang estamos fazendo uma tentativa.
Estamos espalhando a mensagem de paz e de amor. Espero que a mensagem se espalhe. Todos os que estão aqui são embaixadores de seus respectivos países. Eles levarão essa mensagem para seus pais e para as outras pessoas em seus países. O fogo se espalhará e um dia você verá o resultado. Você mesmo está indo para casa. Você falará para seu pessoal, para seus amigos e eles descobrirão o que está acontecendo. Você verá uma tremenda mudança.

Estou totalmente seguro quanto a isso. Esses tempos agora estão chegando. Temos que aprender a lição ensinada pelas destruições anteriores. Ainda não nos esquecemos de Hiroshima no Japão. Ainda há pessoas sofrendo lá, não podemos esquecer.
Devemos aprender a lição e espalhar a mensagem de amor como era feito nos tempos de Ashoka, quando havia paz em todos os lugares. Não havia guerras. Ele enviou seu próprio filho e sua própria filha para o Sri Lanka, para a China e para países do leste. Foi assim que a mensagem se espalhou. A mensagem de paz foi iniciada por um homem sentado sob a árvore bodhi. 

A chama do amor é muito poderosa. Uma vez acendida ela dará início a uma
conflagração que não poderá mais ser parada. Nem mesmo por armas químicas. Simplesmente medite sozinho. Você pode fazer isso em qualquer lugar, até em seu apartamento. Você verá o resultado. Fique em silêncio, envie a mensagem de paz "que haja paz em todo o mundo, que todos os seres vivam em paz e felizes". Esta onda deve funcionar."
Papaji em Satsang

8 de fevereiro de 2014

Dança ardente...


As portas não estão trancadas,
As janelas não tem ferrolho
Nem vidro.
O mundo é sempre aberto
Diante
Ao lado
e Atrás...
O centro do mundo é o próprio mundo
Arte eterna
se fazendo
em constante modificar...

Muitas léguas caminhamos
sem dar um passo além
Dizemos que vamos
Que viemos
Dizemos que fazemos
E somos...

Ser não se impõe
Ser não corrompe
Nem se enquadra
Ser é sem memória
Nem história..

Ser é brisa
Desmedida e bela
Como uma tela
em branco
Onde todas as cores cabem
Todas as formas são bem vindas
Todas as cenas estão inseridas
Todas as almas são cálidas
e Todos os sorrisos plenos..

O Universo convida à existir
Chamas de amor eterno
Dançam em labaredas ardentes de êxtase
Doçura 
Simplicidade
Bondade
Construindo a Beleza
do apenas
Ser...

~Amidha Prem ~

7 de fevereiro de 2014

A Própria busca é Vontade de Deus - Ramesh


"Senhor Krishna falou: “Dentre milhares de pessoas raramente há uma que busca a Mim, e dentre essas que estão buscando, raramente uma Me conhece em princípio”.

Agora, quem decide quem será um buscador? De fato, a própria busca é a vontade de Deus, a graça de Deus. Você pensa que você é o buscador buscando Deus, mas a busca não foi escolha sua. Você pode dizer que você tem sorte ou é afortunado pela Fonte, ou por Deus, por ter sido decidido que a busca iria começar neste organismo corpo-mente. Então a busca não começou porque você decidiu num certo momento, “a partir de amanhã buscarei a verdade”


Na verdade a busca aconteceu a despeito de você. A busca começa com a pessoa pensando, “estou buscando Deus, ou a iluminação, ou a paz”. A busca
começa com a pessoa pensando que ela está fazendo a busca e a busca só pode terminar quando houver a realização de que nunca houve um buscador. A busca é a graça de Deus, e a Realização é a graça de Deus, ou a vontade da Fonte.

A busca começa com o individuo pensando que ele é o buscador e não pode acabar até que haja uma firme realização de que nunca houve um buscador. Realmente, nunca houve um pensador, o pensar estava acontecendo;
nunca houve um fazedor, as ações estavam acontecendo; nunca houve um experimentador, experimentação estava acontecendo. O pensar, o fazer, o experimentar são parte do funcionamento da manifestação que pode apenas
acontecer através de um organismo corpo-mente.

Por que a busca por Deus aconteceu neste organismo corpo-mente, enquanto que no outro a busca é por dinheiro? Ele busca apenas dinheiro e pensa que você está louco procurando por algo no ar e que você seria muito mais feliz se buscasse dinheiro, fama ou poder.
Agora, por que a busca por dinheiro está acontecendo através de um organismo corpo-mente, e por que a busca por Deus ou pela Verdade está acontecendo através do outro? Isso é o que chamo de vontade de Deus ou intenção da Fonte.

O ponto todo é que toda pergunta é feita pelo ego. Por que o ego faz a pergunta? Porque o ego quer atingir a iluminação. Por que o ego faz a pergunta? Porque o ego é o buscador. Portanto a busca está acontecendo através de um ego particular, e o ego (através do qual a busca está acontecendo) não escolheu fazer isso. Se ele soubesse a miséria que a busca é, ele teria escolhido não buscar.
Então a busca é algo que está acontecendo e você não escolheu buscar. Isso é a base do que estou falando.

Esse “um dentre milhares” que o senhor Krishna está falando sobre, não escolheu ser um buscador – a busca aconteceu.

A Fonte iniciou a busca e ao fazer isso iniciou o curso da destruição do ego – que é o que o Ramana Maharshi disse: “Sua cabeça já está na boca do tigre. Não tem escapatória”. Significando que a Fonte iniciou o processo de destruir o ego e é apenas a fonte que pode fazer isso.

Então o ponto fundamental é que a Fonte criou o ego e a Fonte está no processo de destruir o ego num organismo corpo-mente particular. Portanto o ego não tem nada a ver com isso. O ego está no processo de ser destruído.
Essa é a aceitação principal. Portanto se o ego está no processo de ser destruído, então como o ego pode buscar sua própria destruição? E é isso o que está acontecendo, não é?"
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks

5 de fevereiro de 2014

Sobre a Observação - Krishnamurti


"Tende a bondade de continuar a acompanhar-me um pouco mais. Esta matéria poderá ser um tanto complexa e sutil, mas, por favor, continuai comigo a investigá-la.

Pois bem; quando formo uma imagem a respeito de vós ou de qualquer coisa, tenho a possibilidade de observar essa imagem e, assim, há a imagem e o observador da imagem. Vejo uma pessoa, suponhamos, de camisa vermelha,
e minha reação imediata é de gostar ou não gostar dessa camisa. O gostar ou não gostar é resultado de minha cultura, de minha educação, minhas relações, minhas inclinações, minhas características adquiridas ou herdadas. É desse centro que eu observo e faço meu julgamento, e, assim, o observador está separado da coisa que observa.

Porém, o observador está percebendo mais do que uma só imagem; ele cria milhares de imagens. Ora, o observador difere dessas imagens? Não é ele apenas outra imagem?
Está sempre a acrescentar ou a subtrair alguma coisa do que ele próprio é; ele é uma coisa viva, a todas as horas, ocupada em pesar, comparar, julgar, modificar, mudar, em virtude de pressões do exterior e do interior; vive no campo da consciência, que são seus próprios conhecimentos, as influências e avaliações inumeráveis.

Ao mesmo tempo que olhais o observador, que é vós mesmo, vedes que ele é constituído de memórias, experiências, acidentes, influências, tradições e infinitas variedades de sofrimento, sendo tudo isso o passado. Assim, o observador é tanto o passado como o presente, e o amanhã o aguarda e faz também parte dele. Ele está meio vivo, meio morto, e com essa morte e vida é que observa. Nesse estado mental, situado no campo do tempo, vós (o observador) olhais o medo, o ciúme, a guerra, a família (a entidade feia e fechada chamada a família), e procurais resolver o problema da coisa observada, a qual é o desafio, o novo; estais sempre a traduzir o novo nos termos do velho e, por conseguinte, vos vedes num conflito perpétuo.


Uma imagem-, na qualidade de observador, observa dúzias de outras imagens, ao redor e dentro de si mesmo, e o observador diz: "Gosto dessa imagem, vou conservá-la", ou "Não gosto dessa imagem e, portanto, vou livrar-me dela" - mas o próprio observador foi formado pelas várias imagens, nascidas da reação a várias outras imagens. Assim sendo, alcançamos um ponto em que podemos dizer: O observador é também imagem, porém separa a si próprio para observar. 


Esse observador, que se tornou existente por causa de várias outras imagens, julga-se permanente e entre si próprio e as demais imagens criou uma separação, um intervalo de tempo. Isso gera conflito entre ele e as imagens que ele crê serem a causa de suas tribulações. Diz, então: "Preciso livrar-me desse conflito", mas o próprio desejo de livrar-se do conflito cria outra imagem.

O percebimento de tudo isso, que é a verdadeira meditação, revela haver uma imagem central, formada por todas as outras imagens, e essa imagem central - o observador - é o censor, o experimentador, o avaliador, o juiz que deseja conquistar ou subjugar as outras imagens ou destruí-las de todo. As outras imagens resultam dos juízos, opiniões e conclusões do observador, e o observador é o resultado de todas as outras imagens - portanto, o observador é a coisa observada.

Assim, o percebimento revela os diferentes estados da mente; revela as várias imagens e a contradição entre elas existente; revela o conflito daí resultante e o desespero por não se poder fazer coisa alguma em relação
ao conflito, e as diferentes tentativas de fugir dele.

Tudo isso foi revelado pela vigilância cautelosa, hesitante, e percebe-se, então, que o observador é a coisa observada. Não é uma entidade superior que se torna consciente dessas coisas, não é um "eu" superior (a entidade superior, o eu superior são meras invenções, outras tantas imagens); o próprio percebimento revelou que o observador é a coisa observada.
Se fazeis a vós mesmo uma pergunta, quem é a entidade que vai receber a resposta? E quem é a entidade que vai investigar? Se essa entidade faz parte da consciência, se faz parte do pensamento, nesse caso ela é incapaz de
descobrir a resposta. O que pode descobrir é apenas um estado de percebimento. Mas, se nesse estado de percebimento continua a existir uma entidade que diz: "Preciso estar cônscia, preciso praticar o percebimento"
- essa entidade, por sua vez, é mais uma imagem.

Esse percebimento de que o observador é a coisa observada não é um processo de identificação com a coisa observada. Identificar-nos com uma dada coisa é relativamente fácil. A maioria de nós se identifica com
alguma coisa: com a família, o marido, a esposa, a nação; e essa identificação leva a grandes aflições e grandes guerras. Estamos considerando uma coisa inteiramente diferente, que não devemos compreender verbalmente, porém no âmago, na raiz mesma de nosso ser.
Na China antiga, um artista, antes de começar a pintar qualquer coisa, uma árvore, por exemplo - ficava sentado diante dela durante dias, meses, anos (não importa quanto tempo) até ele próprio ser a árvore. Ele não se identificava com a árvore, mas era a árvore. Isso significa que não havia espaço entre ele e a árvore, não havia espaço entre o observador e a coisa observada, não havia um experimentador a experimentar a beleza, o movimento, o matiz, a intensidade de uma folha, a "qualidade" da cor. Ele era totalmente a árvore, e só nesse estado podia pintá-la.
Qualquer movimento por parte do observador, se ele não percebeu que o observador é a coisa observada, só cria outra série de imagens e, mais uma vez, nelas se vê enredado. Mas, que sucede, quando o observador percebe
que o observador é a coisa observada? Andai devagar, bem devagar, pois estamos examinando uma coisa muito complexa. Que sucede? O observador não age, absolutamente. O observador sempre disse: "Tenho de fazer algo em relação a essas imagens; devo recalcá-las ou dar-lhes uma forma diferente"; está sempre ativo em relação à coisa observada, agindo e reagindo, apaixonada ou indiferentemente, e essa ação de gostar e não gostar, por parte do observador, é chamada ação positiva - "Gosto desta coisa, portanto, devo conservá-la; não gosto daquela, portanto, tenho de livrar-me dela". Mas,
quando o observador percebe que a coisa em relação à qual está agindo é ele próprio, não há então conflito entre ele e a imagem. Ele ê ela. Não está separado dela.

Quando separado, ele fazia ou tentava fazer alguma coisa em relação a ela; mas, ao perceber que ele próprio é aquilo, não há mais gostar nem não gostar, e o conflito cessa.
Pois, que pode ele fazer? Se uma coisa é vós, que podeis fazer? Não podeis revoltar-vos contra ela, ou fugir dela, ou, mesmo, aceitá-la. Ela existe. Assim, toda ação resultante da reação, de gostar e não gostar, cessa.

Descobrireis, então, que há um percebimento que se torna extremamente vivo. Não está sujeito a nenhum fator central ou a alguma imagem, e dessa intensidade de percebimento provém uma diferente qualidade de atenção e
a mente, por conseguinte (pois a mente é esse percebimento), se torna sobremodo sensível e altamente inteligente."
J.Krishnamurti em Satsang

3 de fevereiro de 2014

A Fonte de Tudo - Sambodh Naseeb


"A Fonte de tudo é Energia Pura. 

O que todos sempre chamaram Deus nada mais é que um princípio cósmico de onde tudo flui, e para onde tudo retorna. Um vazio criativo. Uma consciência única.

Da Energia Pura aparecem corpos para ela poder viver conscientemente milhões e milhões de experiências na forma e no espaço. Nasce a criação. A criação é uma aparência da consciência. Eu e você somos uma aparência da consciência. Nós somos instrumentos da consciência divina. Mas o intelecto tem idéias que impedem o livre fluir da energia humana. Eis o sofrimento.
Você é Energia Pura que tomou a forma de um corpo humano NA TERCEIRA DIMENSÃO.
O cérebro humano recebe esta Energia Pura e a transforma em pensamentos, o que chamamos a consciência pessoal de uma pessoa. É o que torna uma pessoa singular e única. Esta consciência pessoal (que chamamos de Mente), inclui o temperamento, o jeito, o caráter da pessoa, e é formada pelo contato do cérebro humano com a Energia Pura ou Consciência Pura.

O cérebro decodifica a Energia Pura em forma de pensamentos e energia vital.

Desse modo o ser humano imagina que pensa. Mas o tempo inteiro a realidade é que ele é pensado junto com a vida, ele é simplesmente a vida, o ser humano não está separado da vida, porque não há ninguém separado da vida. A vida é tudo que há. Não há um ser separado da vida e de todas as coisas que estamos conscientes. Tudo é consciência divina.

Não somos os pensadores e nem os fazedores. É a Energia Pura que existe como real. O resto são imagens, são fenômenos que acontecem no tempo e no espaço.

Se você não pode controlar os pensamentos, é porque você não é os pensamentos. Pensamentos bons e mais acontecem a você, acontecem á consciência, mas não tem poder algum se você não lhes der poder.

Pensamentos acontecem, logo, ações também acontecem.
Se os pensamentos não são controlados por você, então tudo está acontecendo pela rede da vida, e você é apenas um observador. Nenhum pensamento tem poder. 

Pensamento + você pensando e acreditando, isso sim, tem poder. 
O pensamento não tem poder. Quem tem poder é você. 

Consciência é poder. 

Consciência é tudo que há.

O silêncio é a presença da ausência. Quando você é nenhuma coisa, essa coisa que você não é aparenta ser maravilhosa e a única coisa que o preenche."
Sambodh Naseeb

2 de fevereiro de 2014

Osho fala sobre Krishna


"Krishna parece relevante para essa nova consciência, para a nova compreensão de que o homem se imbuiu depois de Freud e de suas descobertas. Krishna é contra a repressão. Ele aceita a vida em todas as suas faces, em todos os seus climas e cores. Ele não escolhe, aceita a vida incondicionalmente. Não evita o amor; como é um homem, não foge das mulheres. Como alguém que conheceu e teve a experiência de Deus, não se recusa a ver da guerra. É cheio de amor e compaixão, e ainda assim tem a coragem de aceitar e lutar numa guerra. Seu coração é absolutamente avesso à violência, mas ele mergulha no fogo e na fúria da violência quando se torna inevitável. Ele aceita o néctar sem medo do veneno.

Na verdade, aquele que conhece a ausência de morte não deve ter medo da morte. E que valor pode ter o néctar que não tem medo da morte? Aquele que conhece o segredo da não violência deve deixar de temer a violência? Que não violência é esta que tem medo da violência? E como pode o espírito, a alma temer o corpo e fugir dele? Krishna aceita perfeitamente a dualidade, a dialética da vida, e portanto transcende a dualidade. Aquilo que chamamos de transcendência não é possível enquanto em conflito, enquanto escolhemos uma parte e rejeitamos a outra. A transcendência só é possível quando você aceita ambas as partes, sem escolha, quando você aceita o todo.

É realmente difícil entender Krishna. É fácil entender que um homem deveria fugir do mundo se quiser encontrar a paz, mas é realmente difícil aceitar que seja possível encontrar a paz na agitação deste mundo. É compreensível que um homem seja capaz de alcançar pureza mental se se livrar de seus apegos, mas é realmente difícil dar-se conta de que alguém possa permanecer desvinculado e inocente no meio dos relacionamentos e apegos, de que alguém possa manter-se calmo e ainda vivo no próprio olho do ciclone. 

Não há dificuldade em aceitar que a chama de uma vela se mantenha firme e parada em um lugar isolado de ventos e tempestades, mas como acreditar que uma vela continue ardendo regularmente em meio a tempestades e furacões? 
De modo que até mesmo para aqueles que se sentem próximos de Krishna é difícil entendê-lo.

Krishna testou, e testou plenamente sua própria força e sua inteligência. Já foi testado e constatado que o homem, como um lótus na água, é capaz de mante-se intocado e desvinculado, mesmo no paroxismo dos relacionamentos. Descobriu-se que o homem pode mante-se no amor e na compaixão mesmo num campo de batalha, que pode continuar a amar com todo o seu ser mesmo empunhando uma espada.

É esse paradoxo que torna difícil entender Krishna. Desse modo, as pessoas que o amam e reverenciam o têm dividido em partes, reverenciando seus diferentes fragmentos, aqueles que apreciam. Ninguém aceita e reverencia Krishna como um todo, ninguém o abraçou em sua inteireza. (...)
Afinal de contas podemos entender alguma coisa em nosso próprio plano, podemos entender alguma coisa em nosso próprio plano, em nosso próprio nível. Não há como entender algo num plano diferente do nosso.

Assim, para a adoração de Krishna, as pessoas escolhem diferentes facetas de sua vida. Talvez não exista ninguém como Krishna, ninguém capaz de aceitar e absorver em si mesmo todas as contradições da vida, todas as contradições aparentemente tão grandes da vida. Dia e noite, verão e inverno, paz e guerra, amor e violência, vida e morte - com ele, tudo anda de mãos dadas. Por isso é que todos que o amam escolheram um aspecto específico da vida de Krishna que mais lhe interessava, discretamente deixando de lado o resto.

A vida de Krishna por outro lado, não aceita limitações. Não é delimitada por regras de comportamento, é ilimitada e vasta. Krishna é livre, infinitamente livre. Não há caminho que não possa percorrer; nenhum ponto onde seus passos possam recear e vacilar, nem limites que ele não possa transcender. E essa liberdade, essa vastidão de Krishna decorre de sua experiência do autoconhecimento.
É o fruto de sua iluminação."
Osho em Encontro com pessoas notáveis.

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