16 de setembro de 2014

Experiências - Mooji


"Alguns de nós tiveram experiências tremendas. De magnitude bíblica, mas elas passam. E então nós dizemos: Em 1978 eu tive esta experiência...eu estava atravessando uma ponte...um jacaré saltou e arrancou a minha perna com uma dentada, e de repente satori!! (risos...) Em 1978, e desde então nenhuma experiência se aproximou dessa.. (risos...)

Tente perder a outra perna, talvez... (risos...)

Ok! Não irá funcionar.. porque a mente está comparando agora. "eu tive esta experiência maravilhosa e gostaria de ter uma... pode me dar uma igual novamente?

Mas mesmo essa nova experiência irá passar, não é?

Quem presta atenção nisso? Porque, Aquilo naqual aquela experiência teve lugar, está aqui também.

Portanto, talvez, aquilo que estejamos buscando é uma experiência contínua. Mas se é uma experiência contínua, o que a estará experimentando? O que irá observá-la? Não está Isso, aqui e agora?

É muito importante o que estou dizendo, quero compartilhar isso.Talvez, inconscientemente ou ainda não entendemos ou reconhecemos que talvez seja a mente que continua a procurar por experiências, e se conseguissemos ter uma experiência como aquela e podéssemos esticá-la eternamente, estaria bem com isso! ( risos...)

Nem iluminação, esquece isso porque eu consegui a minha longa experiência.. ( risos..) Será isso verdadeiro?

Porque inúmeras experiências vão vir, vão acontecer por através do seu corpo-mente, e eventualmente você ficará habituado a elas e dirá: Está bem, está tudo bem.(...) Seja o que for que vier, está bem, mas não é o despertar. Isso é algo que talvez possa vir ou talvez nada especial. Exceto a antiga tirania, essa não existe mais. A velha paranóia, os medos da vida, da morte não existem mais. Talvez não aconteçam mais experiências espetaculares.E elas nem tem que acontecer, exceto se você está equiparando experiências espetaculares com a Liberdade.

Buda não disse: "Eu estava sentado com Ananda e de repente o Ganges desapareceu!( risos...)

Nada disso está no que ele falou, isso não tem a menor importância.(...) Não se trata da experiência, ele saberia que ela não é real, ela não é o objetivo.

Quem observa as experiências?
Quem observa aparecerem e desaparecerem?É isso que traz você para o seu lar. Portanto, é esta tela que estamos olhando. (...)

Não digo absolutamente porque algumas práticas são necessárias e irão diluir as energias letárigicas; e também é um caminho e uma maneira da consciência buscar seu próprio reflexo perfeito; mas de modo geral, posso dizer que a consciência não pode ser o resultado de algum exercício, porque a consciência já está presente, na qual a tentativa de a encontrar é observada.Não se preocupem se não compreenderem, porque irei repetir isso muitas e muitas vezes. Porque é aqui que o erro está ocorrendo.(...)

Todas as atrocidades no planeta resumem-se à falta de compreensão de quem somos. Todas as dores e sofrimentos, todo o mal, o egoísmo, a ganância a corrupção, tudo isso se deve a uma má compreensão de quem somos.

Ao mesmo tempo, uma compreensão não meramente intelectual, mas apreendida dentro do coração, irá ser a luz que brilha neste mundo novamente.

Não é uma projeção fantasiosa, linda, utópica. Porque cada um, e temos provas também, através de um Buda, um Cristo ou seja quem for isso a 2.500 ou a 6000 anos atrás, sabemos de pelo menos um que conseguiu. Um que reconheceu : Eu não sou nada disso.Não com cinismo, apenas na clara luz da observação, o coração floresce de novo em completa paz, alegria e liberdade.

E 2500 anos mais tarde, novos budistas estão se formando; as pessoas não conseguem esquecer esta pessoa.

Mais importante que o Buda,é o que o Buda descobriu, e isso continua aqui, em cada um, a mesma coisa. Portanto cada um, pode dizer-se é o Buda a espera de despir-se.

Apenas uma compreensão, não necessariamente magia, ou algum tipo de ginástica espiritual, ou efeitos especiais...embora possam estar lá... Mas apenas um ser humano voltando de novo ao seu lar, para a verdade dentro do seu coração.

Não é de mais conhecimento que precisamos.
Não é de mais dinheiro, ou pessoas de sucesso, de fama.
É apenas daquele que sabe e é Aquilo.
Satsang é para isso."
Mooji em Satsang

13 de setembro de 2014

Sobre a Confusão - Osho


"Confusão é uma grande oportunidade. O problema com pessoas que não são confusas, é enorme - é que elas pensam que sabem, e elas não sabem. As pessoas que acreditam que possuem clareza é que é o verdadeiro problema; sua claridade é muito superficial. De fato elas nada sabem sobre claridade; o que chamam de claridade é apenas uma estupidez.

Idiotas são muito claros - claros no sentido de que não tem a inteligência para se sentirem confusos.

Sentir-se confuso necessita de uma grande inteligência.

Apenas os inteligentes sentem confusão; por outro lado, o medíocre segue se movendo na vida, sorrindo, acumulando dinheiro, lutando por mais poder e fama. Se você os vê, até sente um pouco de inveja; eles parecem tão confiantes, eles sempre parecem felizes.

Se eles vão se tornando mais e mais famosos, ficando mais ricos e seu poder aumentando, você começa a sentir um pouco de inveja. Você está tão confuso e eles são tão claros sobre suas vidas; eles tem uma direção, eles tem uma meta, eles sabem como conseguir aquilo que desejam, e eles manejam bem suas vidas, eles estão sempre alcançando êxito e subindo os degraus da fama. E você, está parado aqui, confuso sobre o que fazer, o que não fazer, sobre o que é certo, o que é errado. Mas isso tem sido sempre assim; os medíocres continuam certos. Só os mais inteligentes se sentem confusos, caóticos.

Confusão é uma grande oportunidade. Ela simplesmente diz que através da mente não existe saída. Se você está realmente confuso, sinta-se abençoado. Agora, algo de imenso valor é possível. você está no limiar desta descoberta.
Se você está confuso, significa que a "lógica" da mente está falhando; agora a mente não pode se sustentar por mais tempo, ela não lhe dá mais nenhuma certeza.

Você está cada vez mais perto da morte da mente. E esta é uma grande oportunidade que pode acontecer a qualquer um ao longo de sua vida, uma grande benção - porque uma vez que você veja que a mente é confusão e que não existe caminho através da mente, por quanto tempo você irá continuar se agarrando à mente? Cedo ou tarde você terá que pular fora dela; mesmo que você não pule fora dela, ela irá cair por conta própria. Confusão irá acontecer, se tornará mais e mais forte, que por puro peso, ela irá cair. E quando a mente cai, a confusão desaparece.

Não posso dizer que você conseguirá com certeza, porque essa palavra só se aplica à mente e ao mundo da mente. Quando existe confusão, pode haver certeza; quando a confusão desaparece , a certeza também desaparece.

Você simplesmente é - claro, nem confuso nem com certeza, apenas claridade e transparência. E esta transparência tem uma beleza, esta transparência é graça, isso é de extrema beleza.

Este é o momento mais belo da vida, quando não existe nem a confusão nem a certeza. Simplesmente É, um espelho que reflete aquilo que é, com nenhuma direção, nenhum lugar a se ir, nenhuma ideia em se fazer algo, nenhum futuro, ser totalmente presente no momento, ser tremendamente presente.

Quando a mente não existe, não pode existir o futuro, não se pode programar o futuro. Então, este momento é tudo; este momento é a sua completa existência. Toda a existência converge neste momento, e este momento se torna tremendamente significativo. Isto tem profundidade, tem altitude, tem mistério, tem intensidade, tem fogo, isso te enlaça, possui você e te transforma.

Mas não te dá nenhuma certeza; certeza é dada por ideologias. Certeza não é nada além de um remendo na sua confusão. Você está confuso. Alguém diz: Não se preocupe, e diz isso com tamanha autoridade, convence você com argumentos, com escrituras e remendam sua confusão, a recobrem com um cobertor. (...) Você se sente bem por algum tempo, porque a confusão está fervendo por baixo. Você não têm que se ocupar dela por um tempo, ela foi reprimida.

A pessoa inteligente hesita, pondera, vacila. O não-inteligente nunca vacila, nunca hesita. Onde o sábio sussurra, o tolo grita sobre os telhados.

Lao Tzu diz: Eu talvez seja o único homem no mundo, que tem a cabeça completamente confusa. Todos se parecem tão certos, tão convictos, exceto eu. Ele está certo: ele era tremendamente inteligente, que não podia ter certeza sobre nada.

Eu não prometo a você que com certeza você irá saltar fora da mente. Eu posso prometer apenas uma coisa, que você se tornará claro. Então nesta claridade, nesta transparência, você estará pronto para ver as coisas como elas são."
Osho em The Book of Wisdom

11 de setembro de 2014

Observe! - Osho


"Não julgue, porque no momento em que começar a julgar você esquecerá de
observar. E isso acontece porque no momento em que começa a julgar — “Esse pensamento é bom” — justamente nesse espaço de tempo você não estará observando. Você começou a pensar, envolveu-se. Não conseguiu permanecer alheio, parado à margem da estrada, só observando o tráfego.

Não se torne um participante avaliando, julgando, condenando; nenhuma atitude deve ser tomada a respeito do que está se passando na sua mente. Você precisa observar os seus pensamentos como se fossem nuvens passando no céu. Você não faz julgamentos sobre as nuvens — essa nuvem negra é ruim e essa nuvem branca parece um sábio. Nuvens são nuvens, elas
não são nem boas nem ruins.

O mesmo acontece com os pensamentos — são meras ondinhas passando na sua mente.
Observe-os sem julgá-los e você terá uma grande surpresa. Quando a sua observação se tornar constante, os pensamentos passarão a ficar cada vez mais esparsos. A proporção é exatamente a mesma; se você estiver com 50% da atenção na observação, então 50% dos seus pensamentos vão deixar
de existir. Se estiver com 60% da atenção, então só restarão 40% dos pensamentos.

Quando você for 99% pura testemunha, só de vez em quando surgirá um pensamento solitário — 1 % passando na estrada, não haverá mais tráfego nenhum. Esse tráfego da hora do rush não existirá mais.

Quando você deixar de lado 100% dos julgamentos, passará a ser apenas uma testemunha; isso significa que você se tornou simplesmente um espelho — porque o espelho nunca faz nenhum julgamento. Uma mulher feia mira-se no espelho e ele não faz nenhum julgamento. Uma mulher bonita mira-se no espelho e não faz nenhuma diferença. Quando não há ninguém diante dele, o espelho tem a mesma pureza de quando há alguém sendo refletido em sua
superfície. Nem o reflexo o afeta nem o não-reflexo.

O testemunhar se torna um espelho. Essa é a maior conquista da meditação. Se consegui-la, você já estará na metade do caminho, pois trata-se da parte mais difícil. Agora você sabe o segredo, e o mesmo segredo tem simplesmente de ser aplicado em outros objetos.

Dos pensamentos você precisa passar para experiências mais sutis ligadas às
emoções, aos sentimentos, aos estados de espírito. Da mente para o coração, nas mesmas condições: nenhum julgamento, só testemunho. E, surpresa, a maioria das suas emoções, sentimentos e estados de espírito começarão a se dissipar. Agora, quando está sentindo tristeza, você está realmente triste, está tomado de tristeza.

Quando está com raiva, ela não é parcial.

Você fica cheio de raiva; cada fibra do seu ser vibra de raiva.
Observando o coração, a impressão que se tem é que agora nada mais pode possuir você. A tristeza vem e vai embora, você não fica triste; a felicidade vem e vai embora, você também não fica feliz. Seja o que for que se passe nas camadas mais profundas do coração, isso não afeta você.

Pela primeira vez você tem uma amostra do que seja maestria. Não é mais um escravo à mercê da vontade alheia; nenhuma emoção, nenhum sentimento, ninguém pode mais perturbá-lo com ninharias."
Osho em Saúde Emocional

7 de setembro de 2014

Você, Deus e a Verdade - Osho




"Quando você conheceu Deus: Deus se torna você. Quando você conheceu a verdade, a verdade torna-se você; digerida, ele corre no seu sangue, toma-se os seus ossos, torna-se o seu tutano, torna-se a sua presença.

Não há necessidade de compreendê-la. De fato, não há ninguém para compreendê-la, ninguém é deixado para trás, você tornou-se ela. A sua compreensão tomou-se ela. A necessidade existe porque não compreendemos. Então, continuamos a procurar explicações, e nenhuma explicação pode ser dada.

Este é o paradoxo da experiência religiosa: aqueles que conhecem não
precisam de nenhuma compreensão sobre ela.
Eles estão tremendamente contentes conhecendo-a; é mais do que suficiente.

Eles podem dançar, podem cantar, podem rir, mas não estão, de maneira alguma, procurando explicá-la. Eles podem vivê-la, podem ficar quietos sobre ela - podem sentar silenciosamente ou podem tomar-se loucamente extasiados com ela — mas não se incomodam em explicá-la.

Esta é a razão pela qual todas as grandes escrituras do mundo: os Upanishads, o Tao te Ching, os dizeres de Jesus, o Dhammapada de Buda, são simplesmente colocações, não explicações. Os Upanishads não provam Deus, eles simplesmente afirmam; eles dizem: É assim. Não é um argumento. Não estão propondo nenhuma hipótese, estão simplesmente declarando: É
assim. É uma declaração. Não produzem nenhuma prova de porque eles declaram isto, porque declaram que existe. Eles simplesmente dizem: E assim — pegue ou deixe, mas é assim. E não há necessidade de nenhuma prova: eles são a prova.

Mas, para aqueles que ainda estão na noite escura da alma, tropeçando, tateando, alguma explicação é necessária. Estará muito, muito longe da verdade, será uma mentira — mas, ainda assim, é necessária.

Então, os místicos falam. Eles têm que falar, têm que derramar os seus seres,
sabendo que isto pode ajudar uns poucos.

Ajuda somente umas poucas pessoas. Ajuda somente aquelas pessoas que estão prontas para confiar — do contrário, nunca ajudam.

Se você argumenta, está perdido — porque um místico não pode argumentar, não pode convencê-lo.

Nesse sentido, o místico é muito frágil.

Nesse sentido, logicamente, ele é muito frágil: ele não pode argumentar e não pode provar. Você pode chegar perto dele, pode sentir o seu ser, pode olhar nos seus olhos, pode pegar na sua mão, pode apaixonar-se no seu amor, pode confiar neste homem louco, o místico pode ir com ele numa jornada desconhecida. Será uma corajosa aventura de confiança. 

Se você duvida, de repente, é cortado. Se você duvida, então, não há nenhuma possibilidade de uma ponte. A pessoa tem que confiar."
Osho em Eu sou a Porta

5 de setembro de 2014

Moksha - Swami Dayananda


"Qual é a diferença entre conhecimento do Ser e realização do Ser?

De acordo com o moderno Vedanta, o conhecimento do Ser é intelectual e a realização do Ser é experiencial, e devido a esta diferença o estudo da shastra ( escritura ) está dirigido ao conhecimento do Ser, que entretanto se converterá em meios para a realização do Ser. 

Quando o shruti ( o texto revelado ) é o meio de conhecimento para reconhecer o Ser que está sempre presente, como pode haver um conhecimento indireto de atma que se converta em realização direta por meio de algum método único? Shravanam ( escutar ) mananam ( refletir ) nididhyasanam ( contemplar) se prescrevem no texto revelado somente para a realização do Ser.

A confusão de se fazer distinção entre o conhecimento e a realização vem de não reconhecer a presença invariável do atman em todas as situações e de não compreender o texto revelado como meio para reconhecer essência de atma. Essa é a razão por que muitas vezes escutamos que só obteremos do texto revelado o conhecimento intelectual. Todas as formas de conhecimento acontecem no intelecto. Não há tal coisa como conhecimento intelectual. Pode haver dois tipos de conhecimento; um é o direto e o outro é o indireto. Quando o atma está invariavelmente presente o conhecimento de atma só pode ser direto. 

A eliminação dos pensamentos não é conhecimento; não é auto-descobrimento. Os pensamentos não escondem o atma. Os pensamentos vêem, Eu Sou. Os pensamentos se vão, Eu Sou. Compare isto com: a serpente é, a corda é; a serpente não é; a corda é. Assim que existe um erro de comparar os pensamentos com o 'eu'. Se não é quem sou, este erro original nunca se corrige mediante a eliminação dos pensamentos. O Vedanta não aceita os pensamentos por causa do sofrimento. O erro de tomar os pensamentos como o atma é a causa do sofrimento.(...)

O sofrimento é o resultado de uma confusão entre o real e o aparente. Uma onda não está separada ou é independente da água, mas a água não depende da onda. Assim também é um pensamento, ele não é independente de atma, consciência, mas atma é independente dele. O erro de tomar o pensamento como o atma é obviamente a causa do sofrimento. Inclusive se o pensamento é um problema, a solução de "livrar-se dos pensamentos" é um erro. O pensamento "eu sou pequeno" é um problema. Portanto, indague se és realmente pequeno. Confundir o pensamento pelo 'eu' é o problema e a solução é o conhecimento do "Eu Sou real, os pensamentos são aparentes".

A realidade dada a mente tem que ser destruída mediante o conhecimento do atma invariável, manifesto em todos os pensamentos. O Atma não está oculto dos pensamentos. A onda não oculta a água; na mesma onda vemos água. A onda não necessita se diminuir para que vejamos a água; na mesma onda vemos a água. Não há ocultação em absoluto. O Atma não pode ser ocultado por nada, só mesmo a ignorância. Sempre é manifesto. EU SOU é a consciência livre de pensamentos, apesar dos pesares. Este é o darshana ( visão divina) do ser único. O que é real é sempre uni (único), só o uno é real. Este conhecimento destrói a velha mente tonta que se mantém contra mim. O pensamento continua mas se reconheço ele como mithya ( aparente ), de modo que é tão bom como não existente. Nossa sombra não é um problema. Mithya não é um problema - é útil. a mente é útil, e isso é tudo.

A palavra "bodha" significa conhecimento, o reconhecimento que precisa ter lugar na mente, não em outra parte. 
O atma está sempre presente e sempre é o mesmo, uno e não-dual, saiba você ou não, assim como o cristal de açúcar é doce, saiba você ou não. 

O atma é tudo e ao mesmo tempo está livre de tudo. A ignorância disso tem que desaparecer. A ignorância é eliminada só pelo conhecimento. A ignorância da onda é eliminada só mediante o conhecimento da onda. Para conhecermos temos que empregar o pramana ( meio de conhecimento ) apropriado.

O pramana aqui está na forma de palavras e sua atuação não está em suas mãos. Quando estás atuando com os pranamas da percepção e a inferência, és o conhecedor. Mas as palavras vem do mestre. Mesmo que as escute não é percepção. Quando se pronuncia a palavra 'manga' você vê uma manga em sua mente porque é uma coisa conhecida. Quando digo 'eterno' não é um objeto visto e por tanto não tem nenhum sentido. "O atma é eterno", é algo que deve ser compreendido.

Não se trata de saber que o atma é eterno, e depois tenha que realizá-lo. Se o que é eterno não é percebido não se compreende a eternidade. Por isso quando alguém diz: Swamiji entendo muito claramente que o atma é eterno, mas como chegar a realização? Tenho que lhe dizer o seguinte: Em primeiro lugar se dê conta do seu erro; que é a única realização que necessitas. Você ouviu a palavra eterno mas não a compreendeu. Só crê que compreendeu, mas isso não é certo. Do mesmo modo, palavras como como consciência, infinito, divino, supremo, espiritual, quando não se compreendem corretamente não tem nenhum sentido."
Isso é um problema realmente. Na atuação da autoridade dos Vedas ( shabda-pramana), as palavras são manejadas pelo mestre e essas palavras me fazem ver que sou livre.

O atma é evidente por si mesmo, mas o Brahman não é conhecido. Para conhecê-lo, a percepção e a inferência não servem de nada. Temos que utilizar a palavra falada de fora, ( shabda ). Quando se está escutando as palavras, então és um conhecedor por seu nome. O próprio conhecedor escuta: "Tú és Brahman". Isto significa que o conhecedor tem que renunciar ao status: "Eu sou um conhecedor". Este conhecedor, que se identificou com o complexo corpo-mente-sensação se dissolve a si mesmo como resultado do conhecimento.

Em todas as demais atuações do pranama, o conhecedor segue sendo o sujeito relacionado com o objeto conhecido. Esta é a diferença entre shabda-pranama que revela que de fato "Eu Sou Brahman" e todos os demais pranamas. Na atuação de todos os outros meios de conhecimento, como a percepção, a inferência, a presunção etc.. o conhecedor se mantém e desfruta do pranama-phala, o resultado da atuação do pranama. Aqui o conhecedor se mantém relaxado, exposto ao ensinamento que esclarece que o conhecedor é e sempre foi o próprio Brahman. Portanto, este pranama é uma coisa completamente diferente. Tem que ser manejado. Por isso a palavra falada é importante aqui. Deve-se ter uma disposição aberta " Estou deixando que o pranama atue sobre mim". Assim como permite-se que um cirurgião te opere porque tens fé ( shraddha ) nele, assim também necessitas de shraddha para permitir que o pranama atue sobre você.

O atma é o vidente por si mesmo, e a fonte que nunca cessa. Nem sequer pisca. Sempre permanece como testemunho. Mas é um testemunho somente com referência ao que se vê. Por si mesmo é pura consciência. Este atma auto-consciente é Brahman. Este é o ensinamento. Devido a este ensinamento, uma mudança ( vritti ) tem lugar na mente, que destrói a ignorância e ela mesma desaparece. Este vritti: "Tudo que existe sou eu mesmo", é chamado de atmaikya-bodha ou aparoksha-jnana.(...) Sem este conhecimento não se obtém a liberdade.

Mas, porque insistir em que unicamente atmaikya-bodha te dará moksha? Existem muitas pessoas e seus gostos são muito diferentes; portanto, devem haver muitos caminhos disponíveis para se obter moksha.
Para alguns a adoração será o suficientemente boa; para outros, o pranayama; para alguns será outra coisa. Existem muitos métodos, por que não seguir só um deles? É claro que podes escolher. Entre estes métodos estão disponíveis muitas outras opções. Mas para moksha não há opção, porque o problema é a ignorância e nenhuma outra coisa resolverá a ignorância exceto o conhecimento. "
Swami Dayananda em Vivekacudamani, talks on 108 selected verses.
Fonte aqui

2 de setembro de 2014

Liberdade, vulnerabilidade e confiança - Prem Baba


"Prem Baba: Após um dia inteiro de chuvas fortes, trovoadas e ventania, novamente o sol está brilhando. O dia está tão claro, tão iluminado. O que não é garantia de que não possam vir novas chuvas e uma mudança no tempo. Assim a vida evolui neste plano.

E a questão é: como não se identificar com essas oscilações do tempo? Como ser o mesmo diante de todas essas oscilações?

Equanimidade mental é o sinônimo de ter a mente fixa em Deus. E colocar a mente em Deus é como colocar a sua bagagem no bagageiro do trem e viajar descansado.
Mas, a mente é a louca da casa; ela prefere carregar o peso, porque para colocar a bagagem no bagageiro requer certa confiança. No núcleo da mente condicionada está o medo, e um dos principais aspectos do medo é o controle.
“Será que Deus sabe o que é bom para mim?”

É muito importante que você possa tomar consciência da sua falta de confiança, porque é ela que tem feito você carregar esse peso tão grande.

Os caminhos de Deus são misteriosos e nem sempre você consegue entender
racionalmente qual é o plano Dele para você. E você acaba criando muitas
expectativas em relação à sua própria vida e espera que Deus corresponda a essas suas expectativas, mas Deus conhece o seu coração e só Ele sabe o que você realmente precisa. Essa confiança implica em uma fragilidade, implica em uma vulnerabilidade. O ser humano teme essa vulnerabilidade, por isso a liberdade é um fenômeno tão raro.

A liberdade está intimamente relacionada com essa vulnerabilidade. Uma folha não sabe para onde o vento vai levá-la e se você é uma folha carregada de expectativas, a vida pode se tornar muito difícil. A vida pode se tornar um campo de muitos desafios porque você vai tentar controlar a direção do vento. O vento está soprando para a direita, mas você quer ir para a esquerda e você não confia que essa direção que o vento está te levando é uma direção que vai te levar para um lugar bom. Você está realmente convicto que sabe o que é bom para você. O vento é o princípio afirmativo em você. Esse princípio se orienta para a luz, união, construção, amor, prosperidade, paz, mas esse “eu controlador” se sobrepõe a essa direção. Esse eu controlador é o próprio medo. Ele acaba forçando as coisas para que a direção siga pelo caminho que ele acredita que é o melhor, mas acaba sempre gerando separação, destruição, sofrimento.

Essa relação do medo e confiança é muito profunda na alma humana. Conscientemente você deseja confiar, você deseja se entregar para o fluxo da vida, mas é tomado por esse medo inconsciente que faz você agir estupidamente.
Ha poucos dias eu lhe perguntei: o que é que Deus quer de você? Você sabe? Se não, pergunte, pergunte para Ele. Ele mora no seu coração. Pergunte a Ele: “O que é que você quer de mim?” porque nesse estado de separação, você pode dialogar com Ele. “O que você quer de mim?” não se canse de bater nessa porta, mas esteja preparado para quando ela se abrir. (...)

Às vezes o que ele necessita frustra tudo o que o ego acredita que precisa, e como confiar? Como colocar a mala no bagageiro e confiar que ninguém vai roubar e que se roubar está tudo certo também?(...)

 A lógica divina difere em gênero, numero e grau da lógica humana. O
que a entidade precisa passar aqui para dissolver os karmas que precisam ser
dissolvidos, o que ela precisa viver para poder alcançar um patamar superior no nível da alma? O sucesso material não quer dizer necessariamente que significa sucesso no nível do espírito. Pode até ser que seja, mas nem sempre. O que você realmente precisa, para poder se libertar das dívidas kármicas e poder ter o gosto da paz, da liberdade? Nem que seja em uma
próxima vida.

Eu tenho te ensinado a ficar atento às sincronicidades, atento aos sinais porque a sincronicidade e os sinais estão conectados com a sua intuição e a intuição é a voz de Deus dentro de você.
Sincronicidade está sempre mostrando o próximo passo na sua jornada. Eu tenho percebido que o que dificulta você de seguir os sinais, ou os comandos de Deus, que é a mesma coisa, é o apego a um desfecho determinado para as coisas. Isso faz com que você não aceite aquilo que está vindo para você. 

Esse apego a um desfecho determinado faz você ter necessidade de ter essa expectativa atendida, mas isso é uma limitação. Você está congelado em uma forma. Você quer que a vida se encaixe dentro dessa forma. E na vida são infinitas as possibilidades. 

Deus quer para você talvez algo que está muito além dessa forma. De forma prática te ajuda muito você ter consciência dessas suas expectativas, ter consciência do seu controle, do seu medo. Porque estando consciente, quem sabe você pode arriscar mesmo que com muito medo, colocar a mala lá em cima. Experimenta. Veja o que acontece.

Eu já vi de tudo. Já vi pessoas terem uma viagem confortável e deliciosa e outra que foi roubada no mesmo momento em que colocou a mala lá no bagageiro e aí entra numa crise daquela se questionando: “Por que eu fui confiar? Por que fui seguir esse ensinamento?” Ela não tem consciência que estava precisando se livrar daquela bagagem e precisava passar pela experiência de deixar ir embora.

O que é certo ou errado nesse mundo, me diga? Se a sua mente é muito condicionada ela começa enlouquecer nesse momento. Ela precisa da forma, ter um lugar para ela pousar se não ela se desespera. É claro que é válido você ter um plano de voo. É bom você ter algumas referências, até um plano de onde vai pousar. O veneno está no apego a esse plano. O apego a esse plano irremediavelmente te leva para o sofrimento porque é impossível controlar esse voo. Cada vez mais você é convidado a se entregar para o Mistério. Não queira eternizar nada. 

Hoje você está com alguém. Ok desfrute esse momento, mas não queira
eternizar isso. Não crie expectativa em relação ao futuro. Pode até ter um plano de voo, mas não se apegue porque amanhã tudo pode mudar e não quer dizer que seja uma coisa ruim.
Deus sabe o que você precisa. O que te machuca é o seu controle e a vítima em você, culpa Deus. A vítima culpa Deus, mas quem te machuca é o seu próprio controle.

Você já viu o ditado que o homem faz seus planos e Deus dá risada? (risos) Mesmo dando risada acho que você tem que fazer seu plano e não se apegue a ele, ou você vai ver Deus dando uma gargalhada. E aí se as coisas não saem de acordo com suas expectativas, você cai na vítima, começa a
reclamar. É um grande delírio achar que você controla a vida. É um grande delírio do ego.

Agora o tempo está claro, o sol está iluminando. Amanhã eu não sei. E às vezes você se vicia em olhar a previsão do tempo, não sai de casa sem visitar o astrólogo, o tarólogo para saber como vai ser amanhã. Essa relação entre o medo e a confiança é realmente muito profunda na alma humana. Por isso que eu digo que a essência do Parivartam é transformar o medo em confiança. Se tem medo, tem ódio.
Aí você está preso no tempo psicológico.
Sempre no passado ou no futuro, tentando controlar a vida.(...)
Tudo o que você faz nesse mundo custa dinheiro, mas na base da economia está lá o medo da escassez, está o controle e aí, como não ter miséria? Isso é verdadeiro no macro e é verdadeiro no micro. Por que você briga
tanto com a sua mulher, seu marido? Por que você briga tanto com seu namorado ou namorada? Ou seus amigos, seus familiares? Seus pais? Qual é a raiz dessa guerra, se não é esse medo pavoroso? Medo que faz você querer controlar até a respiração do outro; que queira ter cada minuto das suas expectativas atendidas, se não você coloca a besta fera para fora, mas só para se proteger do medo que você tem de não ter a vida sob o seu controle. Às vezes o medo é tão grande que até nem você mesmo respira, fica travado.

Estou lhe convidando para ir além desse medo; para ir além desse controle, a viver essa experiência de estar vulnerável.
Experimentar deixar Deus te levar. Esteja atento a sua intuição, atendo à sincronicidade. Escute o que eu estou lhe dizendo: o seu coração sabe o caminho.
Quando ouve o coração toca uma musiquinha assim (um celular tocou no salão). A voz do coração, a voz do guru encarnado, do guru que é a própria vida, falam a mesma coisa. Quando você está presente, você ouve essa voz. Quando você está aqui podendo olhar o que é transitório sem se identificar, você está ouvindo esta voz.
Se você puder relaxar um pouco, tudo fica mais fácil.
Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos nos afinar com os códigos divinos da confiança.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE"
Prem Baba em Satsang

31 de agosto de 2014

Osho fala sobre as drogas


Pergunta: Eu fumo maconha e quando fumo sei quem eu sou. Sinto o deus dentro de mim, eu o vejo em todas as outras pessoas. Falo com a grama, falo com as flores; elas respondem. Sinto-me feliz, sinto-me completamente contente. Mas acho que, se eu fumo, me dá uma pressão na cabeça que me preocupa. Não sei se eu deveria fumar ou não, mas me dá uma grande esperança para o futuro. Fumando maconha eu tenho visões de onde eu gostaria de estar.

Osho - Hm, hm (pausa).
É apenas ilusória, não é uma esperança real. A coisa toda é apenas uma ilusão química e a mudança química pode estar lhe dando pressão na cabeça porque a coisa inteira acontece no seu sistema nervoso.Pode lhe dar uma pressão; isso é uma simples indicação para parar com isso.

Mais tarde poderá ser perigoso: pode destruir alguns nervos necessários no
cérebro. É destrutivo, é um sonho muito caro. É bonito mas mesmo que um sonho seja bonito ele é um sonho, e pela manhã você está de volta novamente na realidade. E isso custa caro.

Se continuar consumindo maconha por muito tempo, ela fará sua inteligência se deteriorar. As pessoas que fumam maconha ou coisas assim por muito tempo tornam-se idiotas. Sua inteligência perde acuidade, porque a pressão química diária sobre os nervos é prejudicial. E você não está ganhando nada! 

Eu não estou preocupado com o custo: se algo real for atingido, então qualquer que seja o custo, é bom. Mas você não está ganhando nada em troca - só uma ilusão.
Quando você fuma maconha e sabe quem você é, isso não tem importância alguma. Você tem que saber disso quando você está alerta, atento, completamente natural, sem nenhuma pressão de substância química a criar coisas em você. Aí é que você tem que saber quem é você.

A gente tem que ser iluminado de um modo realmente muito comum, só então é iluminação verdadeira. A gente pode achar atalhos, mas todos os atalhos são falsos. Não há nenhum atalho para a auto-realização. Os atalhos só criam pequenos circuitos dentro de você e liberam sonhos, liberam imaginação. Não é bom para você, não é bom para ninguém.

Mas isso simplesmente está indicando que a coisa está entrando fundo nas células do seu cérebro; é melhor parar o quanto antes possível.
Criar uma experiência que não é seu estado natural é inútil. Não lhe dá esperança. 
Simplesmente destrói sua vida e destrói suas oportunidades de tornar-se alerta, ciente da realidade como ela é.

Não é preciso buscar Deus nas árvores. Se você apenas puder ver as árvores como elas são, tudo é percebido. Por que impor Deus?

Você não precisa ver Deus em ninguém. Se puder ver apenas a pessoa real que estiver aí, isso já é o bastante! Deus simplesmente significa a realidade, a realidade comum que o cerca.

Quando eu digo que Deus está nas árvores, não quero dizer que você terá que ver Deus nas árvores - que uma cabeça começará a florescer na árvore, então alguém o olhará e você terá um encontro e um diálogo e esse alguém dirá "oi!". Quando digo veja Deus nas árvores, simplesmente quero dizer ver a árvore como ela é sem qualquer idéia de sua parte. Veja a verdade da árvore.
Isso é o Deus da árvore - o verde dela, a flor, a alegria, o enraizamento dela, a força e a fragilidade.
Corriqueiramente você não vê porque você não é bobo; como você pode se tapear? Como você pode ver Deus na árvore? Uma árvore é uma árvore! Como você pode ver Deus em uma árvore? Você não pode se enganar, mas quando fuma maconha você se torna um bobo; então é muito fácil se enganar. Você pode ver Deus ou um búfalo ou qualquer coisa na árvore. Você tem que simplesmente ter em mente aquela noção.

Quando a maconha começa a trabalhar e começa a mudar sua química, você tem que constantemente estar se lembrando de uma coisa - que a árvore é isto: Deus... ou o diabo. Um dia procure o diabo e você o verá! Portanto a coisa não está na árvore, só está em sua mente; você a projetou na árvore. A árvore começa a funcionar como uma tela.

Agora, normalmente você não vê a árvore porque para ver a árvore você tem que estar muito sensível, alerta, atento e totalmente aqui-agora, porque a árvore não está no passado e a árvore não está no futuro. Se você estiver no passado ou no futuro você nunca encontrará a árvore. Você poderá passar por ela mas você nunca a encontrará. A árvore está sempre é aqui-agora; para encontrar a árvore você tem que estar aqui-agora. (...)

Para ver realidade a gente tem que ser completamente comum e não usar nada - nem vontade, nenhum jejum, nem posturas; a pessoa tem que simplesmente ser como a ela é. Levará muito tempo para se ver a verdade da árvore, mas esse tempo não estará perdido. Portanto não tenha pressa e não corra. Sim, as drogas dão velocidade, mas não acelere e não se apresse. Seja paciente e permita que as coisas cresçam lentamente. Todas as coisas reais crescem lentamente: elas têm seu próprio ritmo. Algo tem que amadurecer em
você.

E fique satisfeito e contente-se com qualquer coisa disponível neste exato
momento; não peça mais. E eu sei que uma vez você esteve usando qualquer droga, fica muito difícil porque a droga o atrai. Sem qualquer esforço de sua parte, algo começa a acontecer, então por que se importar com qualquer outra coisa? Por que meditar e por que ficar alerta quando a droga pode desencadear o processo imediatamente?

Ela vem sendo usada há séculos; não é nada de novo. No Ocidente é uma coisa nova mas no Oriente é uma das práticas mais antigas. Mas as pessoas que tomam drogas há séculos nunca chegaram a lugar nenhum.
Se você realmente quer ver o que há, tem que parar de uma vez com todos os tipos de projeção. Parecerá bobagem no princípio.

Não será tão encantador, não terá aquela atração, aquela fascinação. Mas não é preciso fascinação, encantamento; não é preciso. A gente deveria se satisfazer com a realidade comum. O que há de errado com as árvores como árvores e o homem como homem e a mulher como mulher?
Se você puder fazer isso durante seis meses sem a droga, vivendo apenas com o comum, sem desejar o extraordinário, cedo ou tarde você começará a ver a verdade das coisas comuns. E no próprio comum, o extraordinário está escondido. Mas você tem de abordá-lo pelo comum. O ordinário é a porta para o extraordinário.

Minha sugestão é que você largue dela, hum? Pare completamente."
Osho em The Open Secret

29 de agosto de 2014

No assombro da Vida...


"Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida."
- Rubem Alves

Hoje quero aprofundar esse belíssimo pensamento do nosso eterno amado Rubem Alves - que cumpriu seu ciclo da vida com tamanha leveza, poesia e beleza, e nos deixou banhados em tanta luz, amor e delicadezas eternas... 
Minha mais sincera gratidão por sua pura, bela e eterna presença, aqui em cada um de nós...

Tudo o que vive é pulsação do sagrado.
Vida é pulsação. Vida é inspirar, expirar, dia e noite, frio e calor, inverno e verão, vida é movimento, expressão.
Tudo o que vive vive graças ao Sagrado que o habita, graças ao mistério que escolheu fazer nele sua morada.... viver é ser templo do Espírito.

O sagrado é a pura presença, Deus, existência, totalidade... acontecendo, se revelando no pequenino, em cada batida do coração...
O sagrado se revela através da vida, e nesta revelação a realidade é sua tela, onde todas as cores, matizes, nuances se expressam e se compõe a infinita melodia da vida.. sempre nova, sempre perfeita...no instante...sempre aqui e agora....

As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério. 

Sim, o Grande Mistério bem diante dos nossos olhos, dentro de nós, onipresente, e em completa transparência, e mesmo assim, permanece um Grande Mistério. Impossível compreender, descrever, analisar, nossa mente é por demasiado pequena, limitada, míope, para alcançar o absoluto. Nos resta apenas o encantamento, o maravilhamento e a entrega plena, confiante nesta inteligência criadora, mantenedora e destruidora de tudo. Nos resta o profundo relaxamento no silencio perene de onde tudo provém e para onde tudo retorna... silencio original, silencio fonte... silencio plenitude....

As aves, os lírios, os pequeninos grilos são notas maravilhosas e únicas dessa música divina... Cada um de nós, cada ser está neste exato momento expressando em si, através de si esta Divina Sinfonia.

É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida.

As religiões criaram uma divisão fictícia, onde nunca houve. Deus e sua criação sempre foram UM. O homem e Deus sempre foram UM. Deus enquanto vida, absoluto, totalidade sempre se fez presente em tudo e em todos. Nenhuma divisão é possível...

Verdadeiramente as religiões deveriam apontar para esta Verdade, deveriam promover a Unidade, e não criar nomes e formas diferentes para Deus; não deveriam criar mais divisões em um mundo que já sofre o bastante por crer em divisões e diferenças...imaginárias... 

Quanto mais nos agarramos nas divisões, nas diferenças, sejam elas quais forem, mais iludidos estamos, mais isolados ficamos e mais e mais medo criamos para nós mesmos.... e para os outros...

O Amor é Deus. O Amor Une, desfaz as ilusões da divisão e verdadeiramente nos reconhecemos todos, mergulhados nesse assombro da Vida...

O assombro da vida é verdadeiro Amor, e nessa verdade nenhuma divisão é real...Somente o Amor é real.... E sendo Amor, nenhum nome é necessário... Só o Amor basta...

Amidha Prem

27 de agosto de 2014

Quando existe amor, o ego não existe - J. Krishnamurti


"A realidade, a verdade, não é para ser reconhecida. 

Para a verdade chegar, crença, conhecimento, experiência, virtude, busca da virtude – que é diferente de ser virtuoso – tudo isso deve sair.

O homem virtuoso que está consciente de buscar a virtude nunca pode encontrar a realidade. Ele pode ser uma pessoa decente; isso é inteiramente diferente do homem da verdade, do homem que compreende.

Para o homem da verdade, a verdade surgiu.

Um homem virtuoso é um homem correto, e um homem correto nunca pode compreender o que é verdade; porque virtude para ele é o revestimento do ego, o fortalecimento do ego; porque ele persegue a virtude. Quando ele diz, “Eu devo ser sem ambição”, o estado em que ele é sem-ambição e que ele
experimenta, fortalece o ego.

Por isso é tão importante ser pobre, não só das coisas do mundo, mas também de crença e conhecimento. O homem rico de riquezas mundanas, ou um homem rico de conhecimento e crença, não conhecerá nada além de escuridão, e será o centro de toda mistificação e miséria. Mas se você e eu, como indivíduos, pudermos ver todo este trabalho do ego, então conheceremos o que o amor é. 

Eu lhe asseguro que essa é a única reforma que pode possivelmente mudar
o mundo.
Amor não é o ego. O ego não pode reconhecer o amor. 

Você diz, “Eu amo”, mas no próprio dizer, na própria experiência disto, o amor não está. 

Mas, quando você conhece o amor, o ego não está. 
Quando existe amor, o ego não existe."

J. Krishnamurti em Aos pés do mestre

25 de agosto de 2014

Personalidade e Imaginação - Osho


"O ser do homem é muito simples, mas a sua personalidade é muito complexa. A personalidade é como uma cebola — existem muitas camadas de condicionamento, corrupção, e ocultas por trás dessas muitas camadas está o simples ser do homem. Ele está por trás de tantos filtros que você não pode vê-lo — e oculto por trás desses muitos filtros você não pode ver o mundo também, porque tudo o que atinge você é corrompido pelos filtros antes de atingi-lo.

Nada nunca atinge você como é; você continua deixando de sentir. Há muitos
intérpretes no caminho. Você vê alguma coisa — primeiro os seus olhos e os seus sentidos o falseiam. Então a sua ideologia, a sua religião, a sua sociedade, a sua igreja — eles falseiam tudo. Então as suas emoções — elas
falseiam também. E assim por diante, o tempo todo... No momento em que a informação chega até você ela não é mais quase nada do original, ou tão pouca que não faz diferença. Você só percebe alguma coisa se os seus filtros permitirem, e os filtros não permitem muito.

Os cientistas concordam; os cientistas afirmam que vemos apenas dois por cento da realidade — apenas dois por cento! Noventa e oito por cento da realidade se perdem.

Quando você está me ouvindo, ouve apenas dois por cento do que foi dito. Noventa e oito por cento se perdem, e quando os noventa e oito por cento se perdem, aqueles dois por cento ficam fora de contexto. É como se você pegasse duas páginas de um romance ao acaso, uma daqui, outra dali, e então começasse a reconstruir rodo o romance a partir dessas duas páginas. Noventa e oito páginas ficam de fora! Você não faz ideia do que elas continham; você nem mesmo sabe que elas existiam. Você tem apenas duas páginas e reconstrói toda a novela de novo. Essa reconstrução é uma invenção sua. Não é uma descoberta da verdade, é a sua imaginação.

E há uma necessidade interior de preencher as lacunas. Sempre que você vê que duas coisas não têm relação entre si, a mente sente uma pressão interior para relacioná-las; do contrário ela se sente muito intranquila. Então você inventa uma ligação. Você conserta as informações desconexas com elos, você as une com uma ligação e inventa um mundo que não existe.

George Gurdjieff costumava chamar esses filtros de "amortecedores". Eles o
protegem da realidade. Eles protegem as suas mentiras, eles protegem os seus sonhos, eles protegem as suas projeções.
Eles não permitem que você entre em contato com a realidade porque o próprio contato seria esmagador, chocante. O homem vive por meio de mentiras.

Conta-se que Friedrich Nietzsche teria dito: "Por favor, não tirem as mentiras da humanidade, ou então o homem não será capaz de viver. O homem vive por meio de mentiras. Não acabem com as ficções, não destruam os mitos. Não digam a verdade porque o homem não pode viver com a verdade.


E ele está certo quanto a noventa e nove vírgula nove por cento das pessoas — mas que tipo de vida pode existir por meio de mentiras? Essa seria uma grande mentira em si mesma. E que tipo de felicidade é possível por meio de mentiras? Não há possibilidade; dai que a humanidade vive em sofrimento. 

Com a verdade há alegria; com as mentiras há apenas sofrimento e nada mais. Mas nós continuamos protegendo essas mentiras.

Essas mentiras são agradáveis, mas elas o mantêm protegido contra a felicidade, contra a verdade, contra a existência.

O homem é exatamente como uma cebola. E a arte consiste de como descascar e chegar ao seu centro mais profundo."
Osho em Intuição: O Saber Além da Lógica

***

Nascemos inteiros, porém inconscientes. Um bebê é inteiro. Aquilo que sente é sentido integralmente, aquilo que percebe, percebe integralmente. Suas conexões nervosas, ainda estão imaturas, por isso aquilo que vê ainda não está integrado com aquilo que ouve, que toca, que prova, mas essas conexões não impedem que ele esteja inteiro no momento presente.

Esta presença é real, porém ainda não se tem a consciência dessa presença, o Eu Sou. Ela acontece quando os sentidos são integrados e o córtex cerebral é ativado. 
Com o Eu Sou, ( Eu existo ) vem a mente...vem o ego, Eu Sou alguém...uma pessoa..
Essa consciência do Ser, vem junto com a consciência ilusória de Ser "alguém"...separado...

Aí começa a trajetória humana da personalidade. 
Como bem diz Osho, vão se construindo infinitas camadas de personalidade.. influências familiares, sociais, culturais, genéticas, religiosas, enfim, muitas e muitas influências formam essas camadas da personalidade de cada um, e sem nos darmos conta, passamos a perceber a realidade não mais de forma direta e simples, mas percebemos a realidade pelo "filtro" dessas camadas da personalidade que distorcem aquilo que é. 

É exatamente por isso que se dez pessoas estiverem olhando uma mesma cena, não importa qual seja, cada um verá coisas diferentes, além de sentir e descrever coisas completamente diferentes umas das outras. Isso é porque cada um "interpreta" a realidade a sua própria maneira, ou seja, como diz o Osho, estamos vendo não aquilo que está na nossa frente mas as camadas e camadas de sonhos e imaginação que projetamos sobre a realidade.

Essas camadas que tem por finalidade nos "proteger" do mundo, também nos protegem de nós mesmos. Isto é, as mesmas barreiras que criamos para o mundo exterior nos impedem de experimentarmos as belezas interiores. 
Os sentimentos, amores, afetos, emoções, ficam também "distorcidos" devido a todas essa camadas e camadas de barreiras ou filtros como diz o Osho. 
Eles são verdadeiras couraças que nos aprisionam psicológica e fisicamente também. Nosso corpo acaba por expressar todos esses bloqueios que teimamos em carregar, e que impedem de vivermos de forma livre, espontânea e saudável.

É por isso que as psicoterapias tem por princípio primeiramente que entremos em contato com nossas camadas de personalidade, entremos em contato com todos os bloqueios que nosso corpo carrega, entremos em contato com o quanto de imaginação projetamos nas nossas vidas, nos nossos relacionamentos, no nosso trabalho enfim, e vamos cada vez mais nos desvencilhando dessas camadas e camadas, a fim de voltarmos a ter um olhar simples, puro, objetivo, que apenas vê e reconhece aquilo que é, sem nenhuma projeção ou idealização.

A meditação aliada a psicoterapia tem por finalidade o aprofundamento de todas essas vivências e a tomada de consciência direta do Eu Sou, além da forma, além do ego ilusório, mas a conscientização definitiva de que sempre fomos a TOTALIDADE. 
Tudo e todos são a mesma e única existência perene, onipresente, indivisível, amorosa e sábia.
Descobrir isso em nós é descobrir isso em cada ser, cada momento, cada respiração. 

Alcançar essa dimensão é Ser Consciência pura. Inteiros. Esvaziados. Leves. 
Abertos... Libertos...
Consciência significa viver em Verdade. Verdade que sempre esteve presente, porém foi encoberta por camadas e camadas de mentiras e sonhos...

Não mais divididos internamente, não mais iludidos, não mais sonhadores e a mercê das emoções, pensamentos, condicionamentos....mas amorosamente centrados na pura presença consciente que é Luz, alegria, simplicidade e paz.
Chegamos ao nosso centro mais profundo...
Amor
Amidha Prem

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