30 de abril de 2016

Livre-se do apego - Osho


"Todas as nossas misérias e sofrimentos não são nada mais do que apego.


Toda a nossa ignorância e escuridão é uma estranha combinação 
de mil e um apegos.

Nós estamos apegados a coisas que serão levadas no momento da morte, 
ou mesmo, talvez, antes.

Você pode estar muito apegado a dinheiro, 
mas você pode ir à bancarrota amanhã.

Você pode estar muito apegado a seu poder e posição, 
mas eles são como bolhas de sabão.

Hoje eles estão aqui; amanhã eles não deixarão nem um traço.(...)



Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, nosso dinheiro, nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão.
Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, você estará em contínua miséria e agonia.(...)


Compreender que a vida é feita da mesma matéria que os sonhos é a essência do caminho.
Desapegue-se: viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de você. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo.


Não se agarre a nada. 

Agarrar-se é a causa de sermos inconscientes.
Se você começar a se desprender, uma tremenda liberação de energia acontecerá dentro de você.

A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar - nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia.

Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, você se encontra sereno, calmo e tranqüilo, numa alegria sutil. Haverá um riso no seu ser.

Se você se tornar desapegado, você será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso.
E você rirá de si mesmo, porque você também estava no mesmo barco antes. 

O desapego é certamente a essência do caminho".
Osho em O Livro dos Segredos

28 de abril de 2016

O espaço sagrado - Jeff Foster


"Há uma parte dentro de você que está lutando hoje.
Não lute contra ela.
Ela está apenas lutando por amor. 

Em vez disso, dirija o seu olhar para essa luta interior. 
Esteja curioso.
Qual parte do corpo sente essa luta? 
Respire para ela.
Oxigene-a. 
Inunde-a com a sua calorosa atenção.
Quando você luta contra a sua luta,você se divide por dois e acrescenta mais 
sofrimento desnecessário.

Em nome do "fim da luta" você se coloca verdadeiramente, em guerra. 
Em nome da "paz" interior você comete atos de violência.

Em vez disso, ofereça um espaço ,"que está lutando hoje". 
Ele também é precioso. 
Ele também é digno de um grande amor.

Hoje, ponha fim à luta contra a luta;
deixe este espaço saber que ele é sagrado; 
Deixe-o saber que é o Buddha bailando dentro."

22 de abril de 2016

Estar no presente é estar sem mente - Osho


"A mente humana, como tal, não consegue existir no presente. 
A menos que você vá além da mente, você irá continuar sonhando acordado. 
A mente só pode existir no passado ou no futuro, não há como a mente existir no presente. 
Estar no presente é estar sem mente.


Experimente! 
Se houver um momento silencioso em que nenhum pensamento esteja passando por sua mente, quando a tela da consciência está absolutamente limpa, então de repente você está no presente. 
Esse é o momento, o momento da Realidade, o momento da Verdade. 
Mas então não há passado nem futuro.

Em geral, o tempo é dividido nestes três tempos: passado, presente e futuro. 
A divisão é basicamente errada, não científica... porque o presente não é parte do tempo.
Só o passado e o futuro são partes do tempo.
O presente está além do tempo. O presente é a eternidade."
Osho em Meditações para a noite

16 de abril de 2016

Seu coração - Mooji

"Por milhares de anos, os seres humanos tem se reunido assim como nós, 
embaixo das árvores, em cavernas, em montanhas ou vales, 
para investigar o subjetivo.

Muitos deles encontraram o que procuravam 
mas seus corpos não estavam mais longe daqui. 

Você está Aqui.
Esse é seu tempo.
Essa é sua temporada.
A era da onda humana é Aqui.

Nós estamos aqui. 
Agora é a nossa vez.

Quem é Você?

O que você vai fazer com esta pergunta?
Esta é a pergunta das perguntas. 
Você vai emoldurá-la e colocá-la na parede? 
Vai enviá-la a seus amigos ou você vai comê-la?

Vou lutar por você, mas você deve lutar pelo Self.
Deve ganhar sua liberdade de volta, a partir dessa mente psicológica. 
Existem muitas guerras acontecendo por todo o mundo, 
mas todas elas existem por causa da ignorância Disso.

Só existe um inimigo real e você deve abandoná-lo agora. 
As guerras não são por causa de petróleo, ou água, ou comida. 

A guerra é ego. 
Ele é o inimigo. 

Ele é o mesmo individuo que se apresenta em cada país. 
Em cada aparência ele se mostra, e nós o conhecemos muito bem. 
Esta voz em você deve ser transcendida. 

Cada um de nós deve transcende-la dentro de si mesmo. 
Esta é a verdadeira batalha: 
transcender a voz enganadora da mente psicológica. 
Ela é o único demônio que existe.

Seu coração é a Luz desse mundo. 
Não deixe sua mente encobrir seu coração para sempre.
Ninguém veio aqui para permanecem eclipsado."
Mooji em Satsang

9 de abril de 2016

A paz não chega aos que dormem - Sambodh Naseeb


"Quando vejo a beleza de uma flor, o que estou vendo é a beleza da Fonte Única Essencial, a beleza de Deus, a beleza da Consciência Primordial, emanação da Realidade e Identidade Zero. 

E não a beleza de uma flor. Quem vê a flor, a forma da flor, o nome da flor, é minha mente racional limitada. 

A consciência de posse do Olho da Clareza vê a beleza, intuitivamente vê e sente a presença da fonte única, o Logos, em todas as coisas, porque, novamente, todas as coisas são a objetivação deste Logos, desta Inteligência Primordial. No Amor Real não há aquele que ama. 

Nem aquele que é amado. Há apenas Amor. Não-dualidade é a base da experiência. Dualidade é a base da mente, da linguagem. A beleza corresponde a uma profundeza de alma.

Este Logos, esta Inteligência, é a essência de todas as coisas, seres vivos e objetos, estando jamais separada deles. 

A relação é como a onda e o oceano. Platão foi mal interpretado. Ele falou dessa inter-relação, mas muitos filósofos ainda insistem na dualidade de seus ensinamentos (este mundo sensível e imperfeito e o outro mundo inteligível e perfeito). 

Insinuar que Platão criou um conceito de separação, fazendo surgir dois mundos separados, sendo um perfeito e imperfeito, ocultando a inter-relação dos dois é depreciar todo seu ensinamento. Isso é coisa dos Romanos. 

Ao criarem a Igreja Católica Apostólica Romana, essa separação foi útil para condenar as pessoas e justificar seus dogmas, usando Platão e Aristóteles para fundamentar seus sofismas. 

Heráclito disse que a natureza tem essa mania de esconder a sua essência aos olhos daqueles que dormem. Aqueles que dormem interpretaram Platão. 

Um Platão que vive secretamente em seus sonhos mais profundos."

2 de abril de 2016

Você fala, você escuta - Conto Zen


"Um monge zen que vivia nas montanhas, todos os dias pela manhã se banhava numa bela cachoeira, e então costumava gritar alto: 
"Bokuju, onde você está?"

Bokuju era o seu próprio nome.
E ele mesmo respondia: 
"Estou aqui!"

E continuava: 
"Bokuju, lembre-se, um outro dia lhe é dado...fique consciente, alerta e não seja tolo!"
E ele mesmo respondia: 
"Sim, senhor, tentarei dar o melhor de mim."
Porém, não havia mais ninguém ali!
Ele perguntava, ele respondia...
Seus discípulos começaram a pensar que ele tinha enlouquecido, mas ele estava somente representando um mono-drama.

Vejam bem, essa é a situação interior. 

Você é o que fala e o que escuta,
é o que comanda e o comandado."


Osho em Comme and follow me

26 de março de 2016

A arte da paz e da felicidade - Ruper Spira



"Se fizermos uma pesquisa entre os sete bilhões de pessoas que vivem hoje em nosso planeta, e perguntássemos o que eles o que mais querem na vida, quase todos responderiam "SER FELIZ".

Algumas pessoas não poderiam formular esta resposta diretamente e diriam por exemplo que querem um companheiro(a), uma família, ou mais dinheiro - mas tudo isso é somente desejado pela felicidade que produz.
Na verdade, a maior parte das atividade que realizamos, as realizamos com a perspectiva de felicidade. Em nossa busca pela felicidade começamos explorando as possibilidades que estão disponíveis em áreas convencionais do corpo, da mente e do mundo. Desde pequenos descobrimos que a aquisição de um objeto do nosso desejo, parece produzir a felicidade que tanto desejamos. Como resultado, é estabelecido em nossas vidas, um fato fundamental: a correlação entre a aquisição de objetos, atividades e relações e a experiência da felicidade.

No entanto, depois de um tempo, e embora possa ser que continuamos na posse do objeto desejado - seja um objeto físico, um relacionamento, uma atividade ou um estado mental - a experiência da felicidade que parecia produzir, se vai desvanecendo. Isso deveria bastar para que nos dessemos conta de que a felicidade não é o resultado da aquisição de objetos, relações ou estados alterados. Se a felicidade tivesse relação com os objetos, deveria seguir enquanto estes continuassem presentes.

Em vez de assumir esta mensagem tão simples, nós nos limitamos a descartar o objeto que uma vez pareceu nos dar felicidade e buscamos outro em seu lugar, com a esperança de que nos devolverá a felicidade que de novo nos falta. Na verdade este padrão de perseguir um objeto atrás do outro, constitui uma tentativa de obter a felicidade, a paz e o amor. E é o padrão básico com que a maioria das pessoas governam suas vidas.

Após o repetido fracasso dos objetos habituais de desejo que nos trouxeram felicidade, começamos a explorar outras opções. Então podem ocorrer duas coisas: ou bem nos submergimos nos campos convencionais do trabalho, de dinheiro, da comida, ou o sexo e as relações - cada vez mais, até se chegar a obcessão, a qual nos leva a um nível ou outro de vício, ou bem retiramos nossa atenção do campo das possibilidades convencionais e empreendemos uma busca espiritual.

A busca espiritual geralmente acontece depois que os campos de experiência falharam em nos conduzir à felicidade, à paz e ao amor. Já não conseguimos a felicidade, a qual parece que só podemos perceber em momentos fugazes, agora então, buscamos um estado de iluminação permanente. No entanto, nossa busca pela iluminação não é nada além de uma reorientação da busca convencional da felicidade.

Esta busca nos leva à novos âmbitos de experiências. Agora tendemos à centrarmos mais na aquisição de estados mentais do que em objetos ou relações mundanas; E assim, como a obtenção de um objeto, ou relação põem fim temporariamente a essa busca convencional, dando-nos uma breve degustação da felicidade, agora, estes estados mentais recentemente adquiridos, supõem o final temporal da busca espiritual. Nos proporcionam uma vez mais um vislumbre da mesma felicidade, que agora denominamos de iluminação ou despertar. Da mesma maneira que antes havíamos nos confundido com a aquisição de objetos e relações com a fonte da felicidade, confundimos agora estes novos estados mentais com a iluminação.

Ocorre que os breves momentos de felicidade que temos agora, são rapidamente eclipsados, como acontecia com os momentos de felicidade de antes, graças aos velhos padrões que nos levam sempre a buscar a felicidade, a paz e o amor nos objetos, as relações e agora, nos estados alterados.

O resultado é que nós somos novamente confrontados com o fracasso de nossa busca, só que desta vez não nos restam mais âmbitos para serem explorados.

Assim como o filho pródigo, nós temos nos aventurado dentro de um país distante, perseguindo a felicidade, e agora já temos esgotado todas as possibilidades de encontrá-la.

Alguns experimentam este fracasso como um tempo de crise ou desespero. Já não existem mais direções para seguir, e ainda não alcançamos a tão desejada felicidade. Os meios habituais de levar a busca até o fim, ou ao menos evitar o incômodo que ela provoca - atividades, relações ou estados mentais mais sutis, meditativos - podem até tê-la entumecido temporariamente, mas ainda arde essa busca em nossos corações. Não sei onde nem o quê buscar e mesmo assim, preciso fazê-lo!

Todos nós temos que chegar a estes extremos. Em alguns casos a inteligência e não a decepção, é o que precipita a compreensão de que aquilo que realmente buscamos não pode ser encontrado em nenhum estado do corpo, nem da mente, ou do mundo. De fato, é sempre nossa própria inteligência inata que está operando. No caso de algumas pessoas, acontecem na forma de uma crise que golpeia o núcleo de nossas vidas; no caso de outras, esta crise pode ser menos acentuada.

Seja como seja, em qualquer dos casos, pode abrir-se uma nova porta, a única que não foi explorada ainda. Se abre no momento em que nos perguntamos quem é esse eu que se põem em busca quase que constante da felicidade e qual é a natureza dessa felicidade.

Este é o momento em que o filho pródigo se dá conta de que precisa voltar para casa."

Ruper Spira em El arte de la paz y la felicidad

Sobre as maldades humanas - Sambodh Naseeb


Pergunta : Mas e como explicar as formas feias e as atuações dos homens em termos de maldade, como molestadores de crianças e assassinos?

Sambodh Naseeb - Tudo faz parte da Totalidade da criação. 

Depende dos seus óculos. 
Se estiver usando óculos de lentes vermelhas, tudo aparecerá vermelho. Se os óculos forem puros e transparentes, você vê tudo é, sem distorção. 

Se a sua mente está vivendo um momento de separação da Consciência, ou seja, se ela não está reconhecendo ainda sua fonte, se está fechada em si mesma na sua pequena inteligência, então você funciona dentro de uma visão limitada, pertinente aos seus instintos e desejos. 

Se a mente está em luta, em briga, em oposição, basicamente vivendo o tempo inteiro em torno da raiva, da mentira, do ciúme, da inveja, do orgulho, da avareza, da luxúria desenfreada, então é natural que ela experimente sofrimento e dor. É natural que adoeça psicologicamente e fisicamente. E quanto mais tentar satisfazer os instintos e desejos sem se conectar com a Fonte de Si (Consciência Pura), mais desejo e insatisfação virão.

Um amigo meu dizia sempre: “O sofrimento está sempre aí para quebrar nossa resistência à evolução”. Então o sofrimento amigo vem como um irmão que nos ajuda a sair do marasmo, da falsa segurança, da ignorância, das ilusões, da auto-sabotagem. No momento certo a Consciência acorda no corpo humano. 

O início do acordar chama-se busca espiritual. O desabrochar desse acordar chama-se iluminação, que é quando você sabe, sem sombra de dúvida quem você é, e tudo é vivido na pura aceitação do fluxo da Inteligência Universal. Então você e a Vida são irmãos. Você e a Vida são Um. 

Comunhão é sentida porque você sabe que na aparência das coisas tudo parece separado, o seu corpo e o corpo de seu amigo parecem dois corpos, mas em essência você sabe que o espaço onde os corpos estão é um só – e você em essência é este espaço onde os dois corpos estão.

O oceano é Uno, ondas são muitas. O Espírito Universal é apenas um, e ele permeia tudo que existe. Se você é o Espírito Universal, se você é a Consciência Pura, ou se você é o Buda (Vazio Consciente, Luminoso e Pleno), você está em tudo. Você é tudo e está em tudo. Você é a essência de tudo e ainda a aparência de tudo enquanto viver num corpo e mente que vê as aparências. 

A mente é o instrumento para ver as aparências. Consciência é o instrumento que promove sabedoria, que vê a aparência como mera aparência, um pensamento como mero pensamento. 

Mente é o óculos que usamos temporariamente. 
Consciência é nossa mais pura nudez e o reflexo mais puro do absoluto."

20 de março de 2016

Reconheça-se Consciência - Mooji


"Pergunta: E quando ocorrerem novamente ( fortes sensações, sentimentos, fortes crenças que nos distraem fortemente), quando acontecerem novamente, o que fazer?

Mooji - Bem, eu quero primeiramente que você não lute com esta tempestade. Não adianta tentar escapar mesmo que só por um instante, não lute. Basta deixá-la ser como é, dê a ela a possibilidade de existir por um momento. Simplesmente esteja ciente, apenas isso, consciente daquilo que está se passando.

Não lute, apenas descreva aquilo que está se passando. Não resista, nem julque ou faça qualquer avaliação apenas esteja ali, consciente observando; tudo o que fizer a mais estará aumentado a tormenta, estará dando mais energia a ela.

Logo, lhe digo, não lute. Tudo é pensamento e estar ciente não é tudo o que se pode fazer. Não interprete. A pior coisa que pode acontecer é interpretar as sensações que estão chegando. As sensações por si só não são problema. Pior do que as sensações é a tendência a interpretá-las de uma maneira pessoal. ( Por que isso está acontecendo comigo... eu apenas quero me ver livre disto... eu não quero mais isso...)

Este eu, eu, eu... sempre está lá, sempre está presente.

É ele que dá um sentimento ruim, um cheiro ruim.

A sensação por si só é apenas uma sensação. Mas, o significado é dado pelo eu, é único. Você está criando o significado em algo e em seguida o sofrimento surge.

Não quero lhe dar uma pílula - quero que você tenha um claro entendimento nos momentos como este.

Quando tiver um ataque de pânico, esteja alerta. A consciência está lá antes que qualquer sensação apareça. Porque toda sensação é percebida porque a consciência está presente para reconhecê-la. É a consciência que percebe tudo o que acontece em você. De fato, até a consciência de que você existe, advém da consciência mesma, isto é certo, você precisa ver isso.

A habilidade de perceber é sua consciência que está sempre presente, ela não é uma crença é a realidade, ela não tem intenção em ser, ela é. 


De fato mesmo nos momentos de medo intenso, quero que transforme este medo em consciência para sua liberdade, para sua transformação. Esta é uma mudança enorme da qualidade da experiência, que ao invés de correr, de fugir dela, você está lá plenamente consciente, alerta e reconhecendo que são apenas sensações temporárias que se não forem alimentadas pela mente, pelo julgamento e análises, não ganham força e se dissolvem como nuvens no céu.

Então, deixe que o medo venha, ele não lhe causará mal algum."
Mooji em Satsang - Rishikesh

12 de março de 2016

Sinceridade e Autenticidade - Osho


"Sinceridade significa autenticidade – ser sincero, não ser falso, não usar máscaras. Qualquer que seja o seu rosto verdadeiro, mostre-o, custe o que custar. Lembre-se: isso não significa que você tenha de desmascarar os outros; se eles estão felizes com as mentiras deles, compete a eles se decidir. Não saia desmascarando ninguém, porque as pessoas são como são... seja verdadeiro consigo mesmo. Não é preciso que você corrija ninguém no mundo. Se você puder crescer sozinho, será o bastante.

Não seja um reformador e não tente dar lições aos outros, não tente mudar os outros. Se você mudar a si mesmo, será o bastante como mensagem. Ser autêntico significa permanecer verdadeiro consigo mesmo. Como permanecer verdadeiro?

Lembre-se sempre de três regras:


Primeira regra

Nunca dê ouvidos a ninguém quando dizem o que você deve ser. Ouça sempre a sua voz interior, o que você gostaria de ser; do contrário, vai desperdiçar sua vida inteira... Preste atenção: a coisa mais importante é o seu ser. Não deixe que os outros manipulem você – e eles são muitos; todo mundo está pronto para controlar você, para mudar você, para lhe dar uma orientação que você não pediu. Todo mundo quer ser o guia da sua vida. O guia existe dentro de você; você tem o plano. Ser autêntico significa ser sincero consigo mesmo...

O motivo pelo qual todo mundo parece tão frustrado é que ninguém ouve a própria voz... ouça sempre sua voz interior, e não ouça mais nada. Existem mil e uma tentações ao seu redor, porque muitas pessoas estão mascateando as suas coisas. É um supermercado; o mundo, e todo mundo nele está interessado em vender as próprias coisas a você. Todo mundo é um vendedor. Se der ouvidos a muitos vendedores, você vai ficar louco. Não dê ouvidos a ninguém, simplesmente feche os olhos e ouça sua voz interior. É para isso que existe a Meditação: para ouvir a voz interior.

A segunda regra mais importante
– só se você cumprir a primeira regra poderá cumprir a segunda

– nunca use uma máscara. Se estiver com raiva, mostre a sua raiva. É perigoso, mas não sorria, porque isso é ser falso. Mas lhe ensinaram que, quando você está com raiva, deve sorrir. Então seu sorriso torna-se falso, uma máscara – simplesmente um movimento dos lábios e nada mais. O coração está cheio de raiva, veneno, e os lábios sorrindo: você se torna um prodígio de falsidade. Então também se manifesta uma outra reação: quando você quer sorrir, não consegue sorrir. Todo seu mecanismo está de cabeça para baixo porque, quando queria ficar com raiva, você não ficava; quando queria odiar você não odiava. Então você quer amar; de repente, você descobre que o mecanismo não funciona. Então você quer sorrir, você precisa forçar o sorriso. Realmente, o seu coração é todo sorrisos e você quer dar uma boa risada, mas não consegue rir... o sorriso não sai, ou ate mesmo, se sair, será um sorriso apagado e sem graça. Ele não deixa você feliz, você não se entusiasma com ele. Você não irradia nada. Quando quiser ficar com raiva, fique com raiva.

Não há nada errado em ficar com raiva. Se quiser rir, ria. Não há nada errado em dar uma risada. Pouco a pouco você vai ver que todo seu organismo voltou a funcionar direito... não use máscaras; do contrário você vai criar disfunções no seu mecanismo, bloqueios. Existem muitos bloqueios no seu corpo. A pessoa que reprime a raiva fica com a mandíbula bloqueada. Toda a raiva vai para a mandíbula e pára ali. As mãos ficam feias; elas não têm o movimento gracioso de um bailarino, não, porque a raiva chega aos dedos e os bloqueia.

A raiva tem duas saídas para ser liberada: uma são os dentes, a outra são os dedos. Se você reprime alguma coisa, existe no seu corpo alguma parte correspondente à emoção. Se você não quer chorar, os seus olhos vão perder o brilho... porque as lágrimas são necessárias; elas são um fenômeno muito vivo. Quando uma vez ou outra você deixa as lagrimas correrem – quando você realmente chora, você chora de verdade, e as lágrimas começam a correr dos seus olhos – os seus olhos se limpam, se revigoram, recuperando a juventude e a pureza. Lembre-se: se não puder chorar sinceramente, você também não poderá rir, porque essa é a outra polaridade. As pessoas que conseguem rir também conseguem chorar; as pessoas que não conseguem chorar não conseguem rir.

E a Terceira regra sobre a autenticidade...

permaneça sempre no presente, porque tanto do passado quando do futuro é de onde vêm todas as falsidades. Porque o que passou, passou; não se preocupe com isso e não carregue como um fardo; do contrário isso não vai permitir que você seja autêntico em relação ao presente. E tudo que não aconteceu ainda não aconteceu. Não se incomode desnecessariamente com o futuro, do contrário ele cairá sobre o presente e o destruirá. Seja verdadeiro em relação ao presente; então, você será autêntico. Nem passado, nem futuro – o momento é tudo. O momento é a eternidade inteira.

Siga essas três regrinhas e você vai conseguir ser sincero, verdadeiro, autêntico. Então, tudo o que você disser será verdade. Comumente, você pensa que precisa tomar cuidado para dizer a verdade; não é isso o que eu estou dizendo. Estou dizendo: crie autenticidade e tudo o que você disser será verdade.

A verdade não é uma coisa lógica. Por verdade eu quero dizer a autenticidade do ser; sem impor nada que você não seja, apenas sendo o que você é, independentemente dos riscos, nunca se tornando um hipócrita. Se você está triste, fique triste. Esta é a verdade; não a esconda. Não exiba um sorriso falso no rosto, porque esse sorriso falso cria uma divisão em você. Quando você está com raiva e não demonstra a raiva... é porque tem medo de que essa demonstração prejudique a sua imagem, para que as pessoas pensem que você é compreensivo e digam que você nunca fica com raiva. Elas gostam disso e isso é tão gratificante para o ego. Pois ficar com raiva vai prejudicar a sua linda imagem; assim, em vez de prejudicar a imagem, você reprime a raiva. Você está fervendo por dentro, mas por fora continua compreensivo, bondoso, polido, doce. Aí acontece a divisão. As pessoas produzem essa divisão durante a vida inteira; então a divisão se torna absolutamente estabelecida.

Mesmo quando você está sentado sozinho e não há ninguém por perto, e não há necessidade de fingir, você continua fingindo; isso se tornou um hábito arraigado e automático... Então, não é uma questão de ser verdadeiro ou falso; isso acabou por se tornar um hábito...

Por verdadeiro eu quero dizer não fingir. Seja exatamente o que você é – num momento você está triste... e no momento seguinte, se você ficar feliz, não há necessidade de continuar triste – porque também lhe ensinaram a ser sempre coerente, a permanecer coerente...

Assim, não é só quando está triste que você finge sorrisos; quando você quer sorrir, também finge tristeza por causa da idéia completamente estúpida de permanecer coerente. Cada momento tem a sua característica peculiar, e nenhum momento precisa ser coerente com nenhum outro momento. Assim, não é preciso se preocupar com a coerência. Ninguém que se preocupe com a coerência vai se tornar falso porque apenas mente com coerência. A verdade está sempre mudando.

A verdade contém suas próprias contradições – e essa é a substância da verdade, essa é a sua vastidão, essa é a sua beleza. Portanto, se você está se sentindo triste, fique triste – sem nenhuma censura, sem nenhuma avaliação como sendo bom ou mau. Não se trata de ser bom ou mau; isso simplesmente acontece. E quando acontece, deixe acontecer. Quando você começar a sorrir de novo, não se sinta culpado só porque há pouco estava triste; então, como pode sorrir? Quando estiver feliz, seja feliz; não há necessidade de fingir nada. Cada momento tem uma realidade atômica: ele é descontínuo em relação ao momento anterior e não está ligado ao momento futuro.

Cada momento é atômico. Os momentos não se seguem uns aos outros em seqüência; eles não são lineares. Cada momento tem a sua própria maneira de ser e você deve ser isso, nesse momento, nada mais. É isso o que realmente é considerado como verdade.

Verdade significa autenticidade, verdade significa sinceridade. A verdade não é uma coisa lógica. Ela é um estado psicológico de ser verdadeiro – não verdadeiro de acordo com algum ideal, pois, se houver um ideal, você vai se tornar falso. O homem verdadeiro não tem ideais. Ele vive momento a momento; ele sempre vive como se sente no momento. Ele é completamente respeitoso em relação aos próprios sentimentos, às próprias emoções, aos próprios humores. E isso é o que eu quero que as pessoas sejam: autenticas, verdadeiras, sinceras, respeitosas em relação à própria alma."
Osho em Intimidade
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