27 de maio de 2015

A Graça está levando você - Mooji


"Você deve ganhar a si mesmo de volta, de tantas ilusão e equívocos.
Equívocos irão arruinar mais a sua vida do que qualquer coisa do exterior.
Eles irão inibir, suprimir, reprimir e destruir o seu fluxo natural.

Dê espaço para o que estou compartilhando com você agora.

Muitos de vocês estão no início de uma bela revelação.
Você irá descobrir que, seja o que for que esteja acontecendo, algo no interior permanece imutável.

De fato, você está se tornando mais verdadeiro quanto mais fundo você vai interiormente.

E você está no lugar mais belo para a auto-descoberta.
Por milhares de anos os seres humanos têm vindo a lugares como Rishikesh (Índia) para descobrir o que você está descobrindo aqui hoje.

Você está descobrindo a sua verdadeira natureza, a riqueza de sua existência.

Você não está se tornando noutra tribo.
Você está descobrindo seu Ser universal.
Daí em diante, você poderá conversar com qualquer tribo, porque você não irá ser contra ninguém.

Existem forças que podem vir para puxá-lo de volta para a velha mentalidade, para a velha identidade e pode parecer que você está mais seguro assim, porque você estará caminhando novamente em terreno familiar. Mas eu digo não. Não. Não.

A Graça trouxe você aqui, ao monte sagrado do seu próprio Eu.
Permaneça aqui e agora. Confie. A Graça está levando você.

Você está sendo cuidado.
Não tente entender nada.
Não tenha nenhuma estratégia.
Agora você é uma criança no colo de Deus.
Você não diz a uma criança "Olha! Vai o mais rápido possível obter um seguro de vida ".
Não, tudo está sendo cuidado.
Sinta a harmonia.
É como se todo o seu ser estivesse sendo mantido dentro de um abraço quente e há um 'saber' que tudo é como deveria ser.
Você não deseja absolutamente nada.
Aqui há pouca atração pelo passado, futuro ou mesmo presente.
Há apenas a sensação da alegre presença."
Mooji, em Satsang 

24 de maio de 2015

Sou assim, e não sou - Amidha Prem


Ser 
Ser cada um 
em si

Ser a manhã e a noite
Ser o verde e o azul

Nascer 
E viver
em
si

Eternidade e paz

Livre

Como se pode prender a brisa, o sopro?

Vou onde o vento leva...

Sou assim,
E não sou...

Despertar a cada manhã e 
alvorecer com o sol..
Cantar com o pássaro,
e se banhar no mar...

Ser
Ser cada um
em si

Montanha que ilumina o vale
trigo que doura os ares..

Corre o rio
em si
cresce a relva
em si
Nasce o broto
em si

Como impedir o inverno chegar?
Como perpetuar a primavera?

Sigo além do tempo,
e espaço...

Sou assim
e não sou...

Desce a noite
e o pássaro canta ao longe
em si....

Vivo em meio as faces e sons,
percorro todos os caminhos,
em si...

Cai a chuva, enche o rio, molha a floresta,
em si....

Nasce no coração o amor,
doce amor, compaixão...
em si...

Nenhum sinal do que foi,
Nenhum do que virá...
Instante perfeito,
em si....

Nenhum amanhã virá,
nenhum porém,
nenhuma saudade ...

Brisa fresca da manhã...

- Amidha Prem - 

22 de maio de 2015

Ser o mel - Mooji


"Muitos seres vêm a mim e dizem: 'A vida está fluindo muito bem agora; eu estou em paz; meus poderes intuitivos estão se abrindo. A vida é um doce fluxo. Eu vejo sensações e pensamentos indo e vindo, mas eu imutável'.
Eles sentem que estão desfrutando do completo estado de auto-realização.

Mas estão, inesperadamente este estado está mudando repetidamente. Muitos pensamentos estão vindo agora e eles não são agradáveis. Antes, havia um escudo de proteção, mas agora todas as coisas feias estão vindo. A lua de mel do despertar parece ter acabado.

Agora, por favor, preste atenção. Escute bem.

Esta é uma forma de Graça na verdade. Esta faze chegou e sinais de que você precisa amadurecer ainda mais, a fim de alcançar a completa realização do Ser.

Eu às vezes digo, 'Você quer provar o mel, você quer ser o mel'. O que é este mel? É o estado de Sat-chit-ananda - o perfume do Ser, experimentado como existência, consciência e bem-aventurança. Todos os seres desfrutam deste estado e gostariam de prolonga-lo, acreditando ser o estado definitivo.

Através destes satsangs intensos, o ego está desaparecendo e você está começando a experimentar uma expansão dentro do seu ser.

Você está gostando. Está provando o mel. Porque não? Muito bom. O melhor mel. Mas então, de alguma forma, você é picado poe uma abelha e a língua dói. O mel se foi ou parece poluído.

O que aconteceu? O seu belo mundo espiritual mudou. A sua espontaneidade se foi. Não entre em pânico. Você não fez nada de errado.

O que é importante agora é que você reconheça que você ainda esta totalmente aqui como pura consciência sem- qualidades.

A Graça diz: 'Você deve experimentar apenas a consciência sem o sabor do mel'. Mas isto não é aceitável para o 'experimentador'. Ele quer continuar a saborear ininterruptamente. Ele não quer mais nada.

Onde está o sabor?

Há apenas a consciência sem sabor.
Este 'experimentador' é uma mistura de presença e ago e deve ser transcendido antes que a auto-realização seja completa.

Lembre-se, assim como a flor não é apegada ao seu cheiro, a consciência não é viciada em nenhum estado.

Agora você deve ser o Ser além das qualidades.
Não confie na fragrância.
A fragrância inicial ainda é a parte mais sutil da fenomenalidade, mas pode e irá desaparecer.

Mas o Ser não pode desaparecer.

Ela não pode sequer aparecer, pois ele é infinito e eterno.

Assim que você, o verdadeiro Eu, reconheça e comece a marinar no seu próprio vazio, o apego às fragrâncias, enfraquece.
Antes de chegar a esta fase, havia atração pelo Ser definitivo, apenas no seu aspecto dinâmico como presença. Agora, como resultado de ouvir e seguir estas indicações diretas, você encontra alegria Suprema, o Ser imutável.

Aqui é a paz imperecível que não pode ser descrita.
Você não está apenas provando a paz.
Você é a própria paz.
Você não está se sentindo feliz.
Você é a própria felicidade.
Você está além do jogo dos opostos inter-relacionados. Além do feitiço da dualidade.
Esta Realização poucos alcançaram.
Aqui em Satsang hoje, você pode descobrir e ser um deles."

Mooji em Satsang

19 de maio de 2015

Intimidade com a Unicidade - Jeff Foster





Nós estamos sós
Expressões únicas da vida
Ondas nunca repetidas, no oceano da Consciência.
Íntimos da nossa experiência 
de primeira mão.

Quando rejeitamos nossa solitude
Quando nos voltamos para nossa única perspectiva
Sentimos solidão
Mesmo na multidão
Mesmo em uma festa
Mesmo quando estamos cercados 
de bilhões de outras ondas.

Mas, quando abraçamos nossa solitude
Quando amamos nossa solitude como a nossa própria respiração,
Não nos sentimos mais a sós
Ou isolados, desconectados, separados
Pois nos lembramos do nossa natureza oceânica
Nossa indivisível presença.

Eu sou o que você é
Você é o que eu sou
A isso é amor
E isso é uma proximidade inexplicável
Mesmo à distância.

E assim, estamos a sós, juntos..
Juntos e a sós
Ondas do mesmo oceano
Nos movemos como Um

Aquele que pode experimentar a verdadeira solitude
É aquele que pode experimentar a maior
liberdade...

15 de maio de 2015

Anathapindika - Thich Nhat Hahn



"Havia um leigo nos tempos de Buda, cujo nome era Anathapindika. Ele comprou um lindo parque de um príncipe, e o ofereceu a Buda, para que este construísse um centro de práticas.Quando Anathapindika estava morrendo, Buda enviou dois discípulos amados, para ajudá-lo a morrem pacificamente.

Quando Anathapindika viu os dois monges chegando, ele ficou muito alegre. Ele tentou se sentar, mas estava bastante fraco. Shariputra, foi um dos mais inteligentes discípulos de Buda, e ele estava acompanhado do venerável Ananda, seu irmão mais novo no Dharma. Os dois monges disseram, Querido amigo, não tente se sentar. Continue deitado. Nós colocamos nossas cadeiras perto da sua cama para conversarmos.

Quando os dois monges já estavam acomodados, Shariputra perguntou: Querido amigo, como se sente no seu corpo? A dor no seu corpo tem aumentado ou diminuído?

Anathapindika disse: Queridos veneráveis, não parece que a dor no meu corpo diminua. Ela só faz aumentar.

Quando Shariputra ouviu aquilo, ele ofereceu a meditação guiada, das Três Jóias do Buda - Budha, Dharma e Sangha. Esta prática é chamada de três recordações. Ele sabia que Anathapindika havia despendido muitas décadas a serviço de Buda, do Dharma e a Sangha, e ele fez todo o trabalho com muito prazer. A prática é regar as sementes de felicidade nas pessoas que estão morrendo, e ela irá contrabalançar as dores em seu corpo. Quando sua mente se focou no Buda, no Dharma e na Sangha, sementes de felicidade se manifestam, logo ele não mais pensou na dor do seu corpo. Ele começou a sorrir. Esta é uma prática muito inteligente. Se você estiver sentado próximo à cama de alguém que está morrendo, você deve regar as sementes de felicidade e alegria nele ou nela, com a intenção que ele ou ela sofram menos.

Depois disso, Shariputra deu a ele a meditação nos seis órgãos dos sentidos. " Respirando, Eu sei que este corpo não sou eu. Sou muito mais que este corpo. Inspirado, Eu sei que esta consciência não sou eu. Eu sou muito mais que esta consciência." 
Nós sabemos que existem seis órgãos dos sentidos: olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente. O propósito da meditação é ajudar a pessoa a ver que ela não está limitada pelos órgãos dos sentidos.

Shariputra continuou com a meditação do não vir, não ir. Quando existem condições suficientes, o corpo se manifesta. Ele vem de nenhum lugar. Quando não existem condições condições suficientes, o corpo cessa de se manifestar. Ele não vai a lugar algum. 
A meditação ajuda a pessoa a tocar nessa natureza do não vir, não ir, não nascimento, não morte.

Naquele ponto, o leigo Anathapindika começou a chorar. O venerável Ananda lhe perguntou: Querido amigo, porque estás chorando? Está arrependido de alguma coisa? 
-Não, venerável Ananda, eu não estou arrependido de nada.
- Talvez você não tenha conseguido ter êxito na sua meditação guiada?
- Não venerável Ananda, eu a pratiquei com êxito.
- Então, porque choras?

Anathapindika disse: Eu choro poque estou tão comovido. Eu tenho servido Buda, o Dharma e a Sangha por mais de três décadas. E nunca pratiquei um ensinamento tão maravilhoso, o ensinamento do não nascimento, não morte, não vir, não ir.

Ananda disse: Querido amigo, nós monges, recebemos estes ensinamentos quase todos os dias.
Anathapindika disse: Venerável Ananda, por favor, vá para a casa e diga a nosso mestre que muitos de nós, pessoas leigas, somos tão ocupados que não temos tempo para receber e praticar estes ensinamentos maravilhosos. Mas, existem muitos de nós que são capazes de recebê-los e praticá-los. Por isso, por favor, diga a nosso mestre que ele deveria levar estes ensinamentos também aos leigos.

Ananda disse: Sim, eu irei para casa e direi isso ao senhor.

Este foi o último desejo feito pelo leigo Anathapindika. Após isso, ele morreu alegremente e em paz.

Este sutra é chamado O Ensinamento dado para morrer. Ele está disponível em Pali e em Chinês, 
Ele está didponível no livro de cantos em Plum Village. Se você for um médico, enfermeira, ou alguém que assiste pessoas que estão próximas da morte, você poderá gostar de aprender como o venerável Shariputra ajudou ao leigo Anathapindika a morrer em plena paz."
Thich Nhat Hahn em Our Cosmic Body

12 de maio de 2015

O hábito da reação - Osho



"A reação pertence ao passado, a resposta ao presente. Você reage com base em antigos padrões. Alguém insulta você; de repente o antigo mecanismo começa a funcionar; No passado, as pessoas insultaram você e você se comportou de determinada maneira; você se comporta da mesma maneira de novo. Você não está respondendo a esse insulto e a essa pessoa; você está simplesmente repetindo um velho hábito. Você  não se atentou para essa pessoa e para esse novo insulto - ele tem um sabor diferente - você está funcionando apenas como um robô. Você tem um determinado mecanismo dentro de si; aperta o botão e diz: Este homem me insultou, e então reage. A reação não é em face da situação verdadeira; é algo projetado. Você viu o passado nesse homem.

Aconteceu: Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos. Um homem se aproximou e lhe deu um tapa no rosto; Buda esfregou o local do tapa e perguntou ao homem:
- E agora? O que vai querer dizer?

O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que, depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse: E agora? Ele não passara por essa experiência antes. Ele insultava as pessoas, elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes e fracas, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era nem uma coisa nem outra; ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde. Apenas fora sincero e perguntara: E agora? Não houve reação da sua parte. 
Os discípulos de Buda ficaram com raiva, reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda disse:
 - Isso foi demais; não podemos tolerar. Buda guarde os seus ensinamentos como senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então, todo mundo vai começar a fazer essas coisas.

Fique quieto - interveio Buda. - Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma ideia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa ideia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender? As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que 'aquele homem é uma ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário.' Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma ideia. Ele bateu nessa ideia.

Se vocês refletirem profundamente, seguiu Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem algo a dizer, porque essa é a maneira de dizer alguma coisa. Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração. Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa. Quando vocês estão apaixonados e beijam, abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo este homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso perguntei: E agora?

O homem ficou ainda mais confuso! E Buda disse aos seus discípulos.
-Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo a e ainda reagem.

Atordoado, confuso, o homem voltou para casa. Naquela noite, ele não conseguiu dormir; É difícil, quando você vê um Buda, é difícil dormir de novo da maneira como costumava dormir; é impossível. Uma  vez após outra ele era assombrado pela experiência. Ele não conseguia explicar a si mesmo o que havia acontecido. Seu corpo todo tremia e transpirava copiosamente. Ele nunca cruzara com um homem daqueles; ele despedaçara toda a sua mente, tudo em que acreditava, todo o seu passado.

Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda; De novo, Buda lhe perguntou:
- E agora? Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem. Ao vir tocar os meus pés, você está dizendo algo que não pode ser dito comumente, pois no caso as palavras são insuficientes, não podem conter essas ideias. - Voltando-se aos discípulos, Buda chamou: - Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas.

O homem olhou para Buda e disse:
- Perdoe-me pelo que fiz ontem.
- Perdoar? - exclamou Buda. - Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui; eu apenas me pareço com ele, mas não sou o mesmo; aconteceu muita coisa nessas vinte e quatro horas! O rio correu bastante; Portanto, não posso perdoar você, porque não tenho rancor contra você.
-E você é outro, continuou Buda. - Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado! Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem. Portanto, vamos esquecer tudo. Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em que ele bateu não estão mais aqui. Venha cá. Vamos conversar".

Isso é resposta.

A reação pertence ao passado. Se você reagir de acordo com os antigos hábitos, sem pensar, então não estará respondendo. Ser compreensivo é ser totalmente vivo neste momento, aqui e agora. A resposta é um fenômeno bonito, é a vida. A reação está morta; é feia, podre, é um cadáver. Noventa e nove por cento do tempo, você reage e chama a isso de resposta. Raramente acontece na vida, de você realmente responder; mas sempre que isso acontece você tem um vislumbre. Sempre que isso acontece, a porta do desconhecido se abre. (...)

A cada momento você nasce de novo. A cada momento você morre e a cada momento você nasce. (...) Mudanças enormes acontecem diariamente; trata-se de um fluxo. Tudo continua fluindo, nada está parado. Mas a mente é uma coisa morta, é um fenômeno imobilizado. Agindo com a mente imóvel, você vive uma vida morta. Se não vive realmente, você já está morto e enterrado.

Livre-se das reações. E tenha cada vez mais respostas. Ser compreensivo é ter a capacidade de responder. Ser compreensivo, estar sempre respondendo, é ser sensível. Mas sensível ao aqui e agora."
Osho em Intimidade

9 de maio de 2015

Sidharta Gautama - Vida e Ensinamentos


"Sidarta Gautama nasceu há cerca de 2.500 anos, filho único do grande rei Sudodana, de Kapilavastu, no norte da Índia. Sua mãe era a bela rainha Maya. Ele foi um menino como outro qualquer, cheio de ambição e energia. Por ser o príncipe herdeiro, recebeu a melhor educação possível na época. Era o melhor dentre os cavaleiros, excelente lutador e arqueiro, bem como um gênio mental. 
Ao crescer, interessou-se em descobrir a causa de todos os sofrimentos da vida.

Tornou-se contemplativo, perdeu o interesse pelos esportes e pela política e, apesar do pedido do pai para que assumisse o trono, abandonou o belo palácio paterno e tornou-se um buscador da verdade. Tinha então 29 anos.

Nos seis anos seguintes, percorreu todo o país procurando mestres e ensinamentos através dos quais pudesse resolver os muitos problemas da vida. Primeiro, foi aos brâmanes e tentou, com sua filosofia, resolver os problemas humanos. Depois estudou com um grupo de ascetas, adotando sua vida severa e contemplativa. E assim ele prosseguiu, durante seis anos, estudando todas as escolas de religião e filosofia; inutilmente, no entanto. Nenhuma daquelas escolas lhe oferecia uma resposta satisfatória.

Certo dia, depois de banhar-se nas águas do Nairanjana, sentou-se sob uma figueira e meditou, e ali, após aqueles anos de observação e experiência, finalmente descobriu a verdade, alcançou a iluminação e chamou a si mesmo de Buda . Tinha então 35 anos. Até aquele momento, o príncipe Sidharta não era
Buda.

Buda” é um termo sânscrito que significa “O Iluminado”. Buda não foi uma divindade, nem qualquer espécie de deus, nem um profeta como há em muitas outras religiões. Buda foi um homem que encontrou a verdade e viveu a verdade.
Buda viveu até os 80 anos e, assim, durante quarenta e cinco anos, ensinou o caminho de vida que ele próprio encontrara. Foi um filósofo, psicólogo e líder espiritual prático e realista. Foi o primeiro a negar o sistema de castas, dizendo
que um homem deve ser julgado por suas qualidades e não por seu nascimento. Portanto, contra o forte conformismo de sua época, foi corajoso o bastante para denunciar o rígido sistema de castas da Índia. Foi contra os complexos rituais religiosos daqueles dias; aboliu os conceitos antropomórficos e não acreditava na idéia dualística de um eu ou alma independente, enquanto entidade separada. Explicou que todas as coisas estão relacionadas umas às outras pela Lei de Causa e Efeito.

Buda, após sua iluminação, deu seu primeiro ensinamento no Parque do Cervo, nos arredores da cidade de Benares. O teor daquele primeiro sermão foram as célebres Quatro Nobres Verdades e a Senda Óctupla, que constituem o alicerce dos ensinamentos budistas. 

O ensinamento de Buda não é teologia nem metafísica. Buda não especulava sobre o incognoscível, tal como um insondável começo ou fim. Não há começo nem fim na eternidade. Ele não conceituou a eternidade. A eternidade é o
agora. O momento presente inclui o passado eterno e o eterno futuro. Este é o eterno-presente. Buda estava interessado no presente. Existem muitos problemas urgentes e prementes exatamente aqui e agora na nossa vida. Resolver os problemas presentes é também resolver os problemas passados e futuros.

Os ensinamentos de Buda surgem a partir das suas próprias observações e experiências na vida neste mundo. As Quatro Nobres Verdades são:

O reconhecimento do sofrimento . Não precisamos reconhecê-lo – nós o temos. Temos muito sofrimento, miséria e problemas em nossa vida. Que a vida envolve sofrimento é um fato, e foi exatamente esta afirmação de um fato – de que todos os seres estão sujeitos ao sofrimento – a primeira das Quatro Nobres
Verdades afirmadas por Buda. Não era uma teorização ou especulação, mas sim os fatos da vida, da existência.

A causa do sofrimento. Não existem milagres no budismo; o sofrimento tem causas definidas. Buda foi como o médico que examina um paciente e descobre a causa de sua doença. Por esta razão, ele era freqüentemente chamado de médico da vida. A causa do sofrimento é a ignorância.
Superar ou transcender as causas do sofrimento. A ignorância, causa do sofrimento, pode e deve ser superada ou transcendida.
Portanto, o budismo é o caminho da Iluminação.
O caminho para superar a causa do sofrimento. 

O caminho é a Senda Óctupla.

A Senda Óctupla é simbolizada pela Roda da Lei ou Roda da Vida (dharmachakra ), que é o símbolo internacional do budismo. Os oito raios da roda representam os oito caminhos da vida ou da lei, que estão em movimento. A roda simboliza o movimento. A vida é dinâmica e está sempre em movimento. 
Os oito raios partem do ponto central, que simboliza a verdade, e são circundados pelo aro ou borda, que representa a sabedoria e a compaixão.

A Senda Óctupla compreende: a compreensão correta, o pensamento correto, a palavra correta, a conduta correta, o esforço correto, a ocupação correta, a atenção correta e a meditação correta. Ao vivermos a Senda Óctupla, podemos
superar as causas dos problemas e do sofrimento.

Os freqüentes mal-entendidos e a falta de compreensão na vida particular ou doméstica e na vida social e internacional mostram o quanto precisamos da compreensão correta em nossa vida. Precisamos de uma correta compreensão das coisas, dos eventos e dos relacionamentos, bem como da própria vida, a fim
de podermos superar os muitos problemas causados pela ignorância.

O Sentido desse “correto”, conforme usado ao longo da Senda Óctupla, é muito importante. Não se trata de certo em contraposição a errado. Trata-se de correto no sentido absoluto, não em sentido moral e relativo. Existe apenas o correto. Correto é o correto transcendido, o qual está acima e além da dualidade certo/errado. O correto – ou a verdade – muda conforme as diferentes situações, condições e épocas. Não existe um correto – ou uma verdade – imutável, permanente ou estático. Portanto, o termo “correto” é usado em um sentido absoluto e religioso, não em um sentido ético ou moral.

A ocupação correta significa o trabalho ao qual uma pessoa pode dedicar toda a sua vida. É um trabalho de vida. Muitas pessoas acham que o trabalho é apenas um meio de “ganhar a vida”. Escolhem um emprego por causa do salário, do prestígio ou porque é fácil. Porém, ocupação correta significa a própria vida. Todo trabalho é nobre e correto se for o trabalho da vida de uma pessoa. A vida de dedicação é a ocupação correta, e a ocupação não-correta traz contínuos problemas e sofrimentos para nós mesmos e para os outros. A ocupação
correta é muito importante na vida moderna.

Buda vê o mundo em que vivemos como mudança contínua. Todas as coisas mudam, nada é permanente. Todas as coisas materiais, idéias, ideais, caráter e personalidade, princípios morais, culturas, condições econômicas, situações políticas e tudo o que existe está em constante mudança. Por causa dessa contínua mudança de todas as coisas, estamos constantemente precisando enfrentar novas situações e isto cria muitos problemas e, com frequência, sofrimentos. Já que estamos sempre nos defrontando com problemas, a visão budista da vida – de que a vida está sempre sujeita ao sofrimento – é muito verdadeira.

A ignorância é a causa de todos os problemas e sofrimentos. A ignorância sobre nós mesmos é a maior de todas as ignorâncias.
O primeiro ensinamento de Buda na busca do caminho foi: antes de tudo, conhecer a si mesmo. Sócrates devotou toda a sua vida ao “conhece-te a ti mesmo” e Buda ensinou o mesmo caminho. Uma pessoa precisa saber o que ela é antes de poder fazer alguma coisa para alcançar a paz, a felicidade ou a liberdade. Muitas pessoas pensam saber o que são, mas devemos lembrar que o “eu” de ontem não é o “eu” de hoje nem o “eu” de amanhã. Estamos continuamente vivendo uma nova vida. Não existe um eu imutável. Esta é a doutrina do “não-eu”. O que “eu sou” é o somatório de outras coisas e pessoas. Não existe um eu – ou alma imutável e eterno. Isto não significa a negação da
individualidade. 

Buda enfatizou a singularidade e a importância do indivíduo. “Seja você mesmo” é o ensinamento importante do budismo. Porém, não devemos nos apegar ao
conceito de um eu imutável.
Todos os ensinamentos de Buda apontam para a imediação, a espontaneidade, o desapego, a não-dualidade e a unidade da vida. 

Embora Buda tenha nascido há 2.500 anos, na Índia, sua vida está sempre nova e vigorosa em mim, aqui, hoje, no Ocidente. Somente quando me vejo verdadeiramente, sinto em mim a presença de Buda Gautama.
Sua vida é a minha vida; minha vida é a vida de todos. 
Toda a vida é uma. Esta é a vida de
Buda Gautama."
Gyomay Kubose em ”Budismo Essencial” 

4 de maio de 2015

Examine as emoções - Dzongsar Rinpoche


"Nós, seres humanos, nos ocupamos com a busca da felicidade e a cessação do sofrimento mais do que com qualquer outra atividade, profissão ou lazer, empregando inúmeros métodos e objetos. É para isso que temos elevadores, laptops, pilhas recarregáveis, lava-louças, torradeiras reguláveis, cortadores
à pilha para os pelos do nariz, privadas com assento aquecido, novocaína, telefones celulares, Viagra, carpetes e forrações… Mas, inevitavelmente, tais confortos trazem uma dose correspondente de dores de cabeça.


As nações buscam a felicidade e a cessação do sofrimento em grande escala, lutando por território, petróleo, espaço, mercados financeiros e poder. Travam guerras preventivas para afastar a expectativa de sofrimento. Cada um de nós faz a mesma coisa ao utilizar a medicina preventiva, tomar vitaminas e vacinas, fazer exames de sangue e tomografia computadorizada do corpo todo. Estamos procurando sinais de sofrimento iminente. E, uma vez encontrado o sofrimento, imediatamente tentamos encontrar a cura. Ano após ano, novas técnicas, livros de auto-ajuda procuram fornecer soluções duradouras para o sofrimento, de preferência atacando o problema pela raiz.

Sidarta Gautama - O Budha, também estava tentando eliminar o sofrimento pela raiz, mas não estava idealizando soluções tais como iniciar uma revolução política, migrar para outro planeta ou criar uma nova ordem econômica mundial. Ele não estava sequer pensando em criar uma religião ou um código de conduta que propiciassem paz e harmonia. 

Sidarta explorou o sofrimento com a mente aberta e, por meio de incansável contemplação, descobriu que, no fundo, são as nossas emoções que provocam o sofrimento. De um jeito ou de outro, direta ou indiretamente, todas as emoções nascem do egoísmo, no sentido de que implicam em apego ao eu. Além disso, ele descobriu que, por mais reais que pareçam, as emoções não constituem uma parte intrínseca do nosso ser. Elas não são inatas, nem tampouco alguma espécie de maldição ou implante imposto por alguém.
As emoções surgem quando determinadas causas e condições se reúnem, como, por exemplo, quando você se precipita em pensar que alguém está a criticá-lo, ignorá-lo ou privá-lo de algum ganho. Então, as emoções correspondentes vêm à tona. No momento em que aceitamos essas emoções, no momento em que
entramos no jogo delas, perdemos a sanidade e a capacidade de percepção. Ficamos como que ligados a uma tomada de 220 volts.

Assim, Sidarta encontrou a solução: consciência desperta. Se você realmente deseja eliminar o sofrimento, precisa acordar a consciência e prestar atenção às suas emoções, aprendendo a não ser envolvido pela tensão elevada e agitação que elas criam.

Se você examinar as emoções como Sidarta fez, se tentar identificar a origem delas, vai descobrir que as emoções partem de uma compreensão equivocada, sendo, por conseguinte, fundamentalmente falhas. Todas as emoções são, basicamente, uma forma de preconceito. Em cada emoção há sempre um componente de julgamento. Por exemplo, uma tocha sendo girada a uma determinada velocidade aparenta ser um círculo de fogo.

No circo, as crianças inocentes e até alguns adultos acham o espetáculo divertido e cativante. As crianças pequenas não diferenciam a mão, o fogo e a tocha. Acreditam que o que vêem seja real; são arrebatadas pela ilusão de ótica criada pelo aro de fogo. Enquanto dura aquela visão, mesmo que seja por apenas um instante, elas ficam plena e profundamente convencidas. 

De modo similar, somos enganados pela aparência do nosso corpo. Quando olhamos para o corpo, não pensamos em termos de componentes isolados: moléculas, genes, veias e sangue. Pensamos no corpo como um todo e, sobretudo, prejulgamos que ele seja um organismo verdadeiramente existente chamado “corpo”. Convencidos disso, primeiro desejamos ter um abdômen bem desenhado, mãos artísticas, estatura imponente, belas feições ou uma forma curvilínea.
Depois, ficamos obcecados e investimos em mensalidades de academias, cremes hidratantes, na Dieta de South Beach, chás de emagrecimento, ioga, exercícios abdominais e óleos aromáticos.
Exatamente como crianças que ficam absortas, empolgadas ou mesmo amedrontadas pelo aro de fogo, sentimos emoções que são provocadas pela aparência e pelo bem-estar do nosso corpo.

Quando se trata do aro de fogo, em geral os adultos sabem que aquilo é uma mera ilusão e não se perturbam. Um raciocínio elementar nos diz que o aro é criado a partir da reunião de seus componentes: o movimento circular de uma mão que segura uma tocha acesa. Um irmão mais velho e esperto pode assumir um ar arrogante ou condescendente com o mais novo. No entanto, por conseguirmos ver o aro como adultos amadurecidos, podemos compreender o fascínio da criança, especialmente se for noite e o espetáculo vier acompanhado de bailarinos, música hipnótica e outras atrações. Então, aquilo pode ser divertido até mesmo para nós, adultos, que conhecemos a qualidade essencialmente ilusória do espetáculo. 

Segundo Sidarta, essa compreensão é a semente da compaixão.

O vajrayana nos diz para, sempre que uma emoção como o desejo surgir, apenas observar e não fazer nada, “não fabricar”. Mas essa é uma instrução facilmente mal compreendida. Quando a emoção surge, “não fabricar” significa simplesmente parar de fazer qualquer coisa.
O que isso não significa é que, se você está caminhando na rua, deve parar, achar um banco, sentar de pernas cruzadas e tentar “observar” a emoção. O ponto aqui é que, tendo notado a emoção, a maioria de nós tende não a “observar”, mas sim seguir. Sentimos desejo, então seguimos nossos desejos;
sentimos raiva, então seguimos a raiva — ou, no máximo, apenas a suprimimos.

Então, como devemos lidar com as emoções? Sem fabricar nada, apenas observe. E no momento que você olha a emoção, ela desaparece. Iniciantes vão descobrir que a emoção reaparece bem rápido, mas isso não importa. O importante é que no momento em que você começa a observar a emoção, ela
imediatamente desaparece. E, mesmo que só desapareça por uma fração de segundo, o fato de que uma emoção desapareceu também significa que a sabedoria, momentaneamente, amanheceu. O reconhecimento dessa atenção nua: é a isso que a palavra “conhecer” se refere. 

“Conhecer” a emoção é compreender que, já que ela não tem nenhuma raiz, não há e nunca houve nenhuma emoção. Algumas pessoas falam sobre emoções, particularmente as emoções negativas, como se elas fossem algum tipo de força demoníaca horrível que intencionalmente invade nosso ser, mas elas não são nada disso.

Quando sentir raiva, apenas observe a raiva. Não a causa da raiva ou seu resultado, apenas a emoção da raiva. Ao encarar sua raiva, você descobrirá que não há nada que você possa apontar e dizer: “Aqui está minha raiva”. E a compreensão de que não há absolutamente nada ali é o que é chamado de “amanhecer da sabedoria”.
Dzongsar Khyentse Rinpoche em Emoções negativas e ignorância

1 de maio de 2015

Osho fala sobre Rumi 2/2


"Os seguidores de Rumi não têm grandes escrituras, não têm rituais, exceto o turbilhão, além de alguns belos poemas de Jalaluddin Rumi, que ele costumava dizer depois de rodopiar e cair. Ele se levanta e está tão embriagado - e nessa embriaguez, entoa uma canção, e essas canções foram reunidas. É a única literatura de que dispõem os seguidores de Rumi.

Rumi diz: Nós somos o espelho - é o que tenho dito literalmente; que não somos aquele que faz, somos apenas o espelho. Não se identifique com os seus atos; seja sempre uma testemunha, apenas um observador. Mas as coisas mais essenciais da vida não nos são ensinadas; ensinam-nos as coisas mais estúpidas. O mais essencial é a arte da observação.

Rumi está certo; ele diz: Nós somos o espelho, assim como o rosto que nele se reflete. Somos o observador e o observado. Não existe separação entre nós e a vida. Somos parte de um todo, exatamente como minhas duas mãos fazem parte de uma unidade orgânica. Depende de mim que elas entrem em luta uma com a outra. E depende de mim que vivam amistosamente, amorosas e afetuosas uma com a outra. Posso golpear uma mão com a outra e feri-la.

Ao observar a árvore ou a lua, o rio, o oceano, você é o espelho e também o que é espelhado. É uma mesma existência; É esta conclusão básica de todos os místicos, de que toda a existência é uma única entidade, não existe dualidade. Bem lá no fundo, toda dualidade é unida numa única existência.

Nós somos o espelho, assim como o rosto que nele se reflete.
Estamos sentindo o gosto neste minuto de eternidade.

Simplesmente observe bem, neste minuto. Neste silencio, você sente o gosto de algo que está além do tempo. Estamos sentindo o gosto deste minuto de eternidade. Nós somos dor e o que cura a dor, ambas as coisas. Somos agonia e somos êxtase; Somos céu e somos inferno, pois não existe contradição na vida. Está tudo junto. Somos a deliciosa água fresca e o jarro que a verte.

Muitas contradições podem ser encontradas na vida. E também se pode ver que elas são complementares. É uma coisa muito estranha, o fato de que todos os místicos, tenham nascido há milhares de anos ou estejam ainda vivos hoje em dia, concordam essencialmente quando aos pontos essenciais do crescimento e da realização espirituais.
Por exemplo: o silêncio, neste minuto, não lhe fornecem uma explicação - mas lhe fornece uma experiência; dançar e cantar faz com que fiquemos tão tomados, que não fica nada para trás. E entramos no templo de Deus, onde somos o espelho e o rosto que nele se reflete; onde somos aquele que busca e somos buscadores; onde somos o devoto e somos o Deus a cujos pés nos ofertamos.(...)

Conta-se que algumas pessoas foram caçar e encontraram o campo de Jalaluddin Rumi. Por simples curiosidade, olharam para dentro das portas. Era um jardim murado, e ali perto cem discípulos rodopiavam com Jalaluddin Rumi. Essas pessoas pensaram : São todos loucos! Quem foi que disse que rodopiando é possível alcançar a verdade? Em qual escritura, em qual religião está escrito isso? Não existe nenhum registro a respeito. Esse homem é um louco, e está enlouquecendo muitos jovens.

E seguiram em frente. Caçar era muito mais importante. Com toda evidência, era algo muito mais equilibrado que dançar com Jalaluddin Rumi.

Depois da caça, eles retornaram. Por simples curiosidade pelo que acontecera aos homens-turbilhão, voltaram a dar uma espiada. E foram surpreendidos: aquelas cem pessoas estavam sentadas em silêncio debaixo das árvores, com olhos fechados, como se não houvesse ninguém - silêncio absoluto; dava para ouvir o vento soprando entre as árvores.

E os caçadores disseram: Pobres coitados...acabou. É o que acontece rodopiando : a energia se vai toda embora; agora estão ali sentados como se estivessem mortos; talvez alguns deles já estejam mesmo mortos.

Você pensa que eles começaram a discutir se aquelas pessoas haviam alcançado a verdade? Se ficar sentado daquele jeito com os olhos fechados... Qual a necessidade de rodopiar? Bastava sentar logo no início. E foram embora.
No mês seguinte, voltaram todos para nova caçada. Mais uma vez, por simples curiosidade... Que terá acontecido àquelas pessoas? Será que morreram realmente, ou ainda estão sentadas lá, ou se foram? Que terá acontecido?
E deram uma espiada. Não havia ninguém, só Jalaluddin Rumi lá estava sentado. Eles acharam graça. Disseram: Todo mundo fugiu; devem ter entendido que esse homem é um louco, Ele quase os estava matando, com toda essa dança e esse rodopio. Parece que ele entende mesmo do riscado, 36 horas sem parar... qualquer um estaria morto a essa altura! Nada de intervalo para o café, o chá, simplesmente ficar rodopiando sem parar...

Resolveram então entrar e perguntaram a Jalaluddin Rumi: O que aconteceu a seus discípulos? Passamos aqui a um mês atrás e havia um grupo de pelo menos cem pessoas!
Jalaluddin Rumi respondeu: Eles dançaram, encontraram , absorveram e se espalharam pelo mundo para disseminar a mensagem.
E o que está fazendo? perguntaram.
Ele respondeu: Estou esperando a segunda leva. Minha gente se foi, mas voltará pra trazê-la."

Osho em Encontros com pessoas notáveis.

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