17 de outubro de 2014

Osho fala sobre os Sufis


"Os sufis dizem que se um homem não tem consciência, nada pode ser ensinado. 

Sufi significa consciência na vida, consciência num plano mais elevado do qual normalmente vivemos. 

Um mestre não reajusta a sua mente, ele o ajuda a dissolvê-la livre de
condicionamentos, leis, sociedade. Ele lhe dá liberdade. 

Quando a pessoa começa a se peguntar o que é a religião verdadeira, o
que é o verdadeiro Deus, ela se transforma em um buscador sufi. 

Não há nenhum significado existindo na vida, alguém tem de criá-lo

A verdade religiosa não é uma coisa. É um significado e um sentido. 

Cada pessoa deve ir atrás dela para descobri-la e explorá-la.

O conhecimento é uma teoria, o conhecer uma experiência: conhecer quer dizer que você abre os olhos e você vê.
Conhecimento significa que quem abriu os olhos viu e fala sobre isso e continua a acumular informações.

Os sufis dizem que se uma pessoa quer renunciar a algo, deve renunciar ao conhecimento que acumulou na memória. Essa é a verdadeira barreira para se tornar como crianças, um inocente.

Toda existência é de cada pessoa, Ela deve explorá-la sem nenhum preconceito e filosofia, mantendo a mente aberta, e assim ficará surpresa por descobrir que
Deus existe."
Osho em A sabedoria das Areias

13 de outubro de 2014

O músico e o rei - Conto Indiano


"Aconteceu em Lucknow, nos tempos de Vajid Ali Sha. Ele era o rei de Lucknow e um grande amante da música. Tinha o costume de convidar os dançarinos, cantores e músicos à sua corte. 

Porém, havia um músico que sempre se recusava a ir à corte. Um dia, Vajid Ali Sha foi pessoalmente pedir a ele para que tocasse em seu palácio.

O músico lhe disse:
- Irei, mas com uma condição: quando estiver tocando e cantando, ninguém poderá mexer a cabeça. Se alguém o fizer, deverá ser decapitado.

Vajid Ali Sha ficou surpreso com a condição imposta pelo músico, mas aceitou e mandou seu mensageiro prontamente informar a toda a cidade de Lucknow:

- Aqueles que quiserem vir devem saber que é perigoso. Os soldados estarão atrás de cada comensal, com as espadas na mão, prontos para decapitar o primeiro que mexer a cabeça.

Naquela época, Lucknow tinha mais ou menos dez mil amantes da música, porém, só cinquenta apareceram no concerto. Era muito perigoso! Podia-se mexer a cabeça por causa de um mosquito ou esquecer-se do aviso, pois o músico era muito genial... as cinquenta pessoas ali presentes eram todas amantes da música. Elas estavam arriscando suas próprias vidas.

O músico começou a tocar e era tão genial que, em quinze minutos, algumas cabeças começaram a se mexer. O rei Vajid Ali Sha ficou muito nervoso porque não era só uma cabeça, mas várias e logo outras se juntaram e finalmente todas. Estava muito preocupado porque havia feito uma promessa.

Quando o músico terminou a primeira parte, o rei Vajid Ali Sha lhe perguntou:
-Mando cortar as cabeças? Estou disposto a cumprir com a minha palavra.

O músico deu uma grande gargalhada.
-Não se preocupe. Impus essa condição para que só os verdadeiros amantes da música viessem. Por favor, retire todos os soldados. Agora que todas as cabeças se mexeram continuarei a tocar. Este é o público que esperei durante toda a minha vida. Estas são as pessoas que se esqueceram de si mesmas, que se esqueceram inclusive que corriam o risco de morrer."

Aproveite cada momento, como se fosse o único, fosse o último.
Aproveite a vida em sua totalidade.
Aproveite tudo e cada coisa até o ponto em que se esqueça de si mesmo."
O músico e o rei - conto Indiano

12 de outubro de 2014

Crianças de Deus...


Esta criança que você vê na foto, onde está agora?
Onde está este sorriso, esta alegria, esta fascinação?
Onde?

Onde foram parar a confiança, a descoberta, a leveza, o encantamento?
Onde?

O que aconteceu ao longo do caminho que fizeram com que a vida perdesse a cor, perdesse o brilho, perdesse o amor, a aventura,
O que foi que aconteceu?

Foram os anos, os dias, as horas?
Foram as dores? As perdas? Os ganho$$?
Foram os problemas? Os desafios? Os medos? 
O que foi que aconteceu?

O que você sente quando vê sua fotografia de criança?
O que ressona no seu coração? Saudade? 
Saudade? 
Ou seria...saudade?

Viver é mesmo se perder e se encontrar...
Nos perdemos daquilo que não somos, daquilo que imaginávamos que fosse,
daquilo que projetamos sobre vida...
E nos encontramos cada dia mais com a verdade.. a realidade...
Sempre disponível, mas pouco desfrutada, 
realidade é sempre superior a qualquer sonho,
a qualquer idealização...

Quando vivemos o momento presente e encontramos nele todo o sabor,
toda a cor, todo o amor,
nossas vidas tem sempre o gosto de "quero mais"!!!
Não perde a cor, não perde a beleza nem a espontaneidade...

Somos a vida! Seja ela como for!!

Nossa casa é sempre aqui,
Nosso tempo é esse agora,
Nossa alma canta e dança a música do instante...

Rir e chorar, partir e chegar, 
noite e dia, vida e morte,
sul e norte, ter ou não ter,
são belezas sempre presentes, 
são poesias, 
versos, 
estrofes
que Deus canta em cada um de nós...

Suas amadas crianças...
crianças de Deus...

-Amidha Prem- 


10 de outubro de 2014

Os chamados do Universo - Jeff Foster



"Os desastres, catástrofes, tragédias e choques em sua vida não foram erros,
falhas ou punições do universo. 

O universo não premia ou castiga – não usa as regras humanas dualistas. Estes momentos difíceis foram chamados para o despertar, e fizeram com que você desacelerasse, fizesse um balanço da sua vida, parasse de se distrair ou se fazer indiferente, e a fazer perguntas profundas e muitas vezes difíceis sobre a realidade. Fizeram com que você voltasse a focar naquilo que realmente importa, voltasse a a se comprometer com o seu caminho de curiosidade e interminável investigação da forma.

Sem os desafios que você experimentou, sem as crises que você atravessou, sem a dor que você sentiu, não haveria o real entendimento da impermanência das coisas, e de certa forma você ainda acreditaria que o ego era o imperador supremo. 

A sua dor expôs as mentiras da supremacia do ego e da ilusão do controle. As suas lutas salvaram você de endurecer um sólido "eu", de torná-lo algo que você jamais seria.

Sob este prisma, não há erros, não há ‘problemas’, mas apenas desafios, chamados ao despertar e momentos de grande incerteza; apenas circunstâncias que estão desesperadamente ansiando por sua generosa atenção e amorosa presença. 

Não existem aberrações em sua vida - apenas intermináveis oportunidades para colocar novo foco em seu caminho, para relembrá-lo com convicção de quem você verdadeiramente é, para viver esta preciosa e frágil vida momento pós momento, e submergir cada vez mais profundo em maravilha e gratidão.(...)

Nós nomeamos tudo, incluindo a nossa própria experiência íntima. 'Tristeza', nós dizemos. 'Raiva'. 'Medo'. 'Frustração'. 'Alegria'. 'Tédio'. 'Saudade'. Mas as emoções são apenas energias em movimento, e além dos rótulos conceituais, sem as palavras, nós realmente não temos nenhum meio de saber o que estamos vivenciando. Retire o rótulo da 'tristeza', e que é isso? Retire a descrição da 'raiva', e o que é isso? 

Remover o conceito de 'tédio' e o que é essa nua e crua energia de vida que pulsa em você? Torne-se curioso. Permita que a sua experiência presente se torne totalmente fascinante. 

Pare de chamar a energia de 'positiva' ou "negativa', 'claro' ou 'escuro", 'certo' ou 'errado', e o que sobra? Volte para as sensações do corpo. Vida nua e crua. 

O palpitar do mistério. Formigamento, sensações vivas - irritação, tédio, entusiasmo, intensidade, oscilação - dançando na barriga, peito, pescoço, cabeça. Inseparáveis daquilo que você é. Íntimos. Sagrados. Tão presentes,
vivos apenas neste momento."
Jeff Foster em Satsang

7 de outubro de 2014

Onde você está? - Osho


"Você me pergunta: O que eu quero? 

Eu é que deveria estar lhe perguntado isso, em vez de você me perguntar, porque isso depende de onde você está. Se está identificado com o corpo, seus desejos serão diferentes; então, o alimento e o sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses dois são desejos animais, os mais básicos. Não os estou condenando por chamá-los de os mais básicos. Não os estou avaliando. Lembre-se, estou apenas estabelecendo um fato: o degrau mais baixo da escada. Mas se você está identificado com a mente, seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia; e além dessas, há milhares de coisas...

O corpo é muito limitado; ele tem uma polaridade simples: alimento e sexo; Ele se move como um pêndulo entre esses dois, o alimento e o sexo; não tem nada além disso. Mas se você estiver identificado com a mente, então a mente tem muitas dimensões. Você pode estar interessado em filosofia, pode esta interessado em ciência, em religião - pode estar interessado em quantas coisas puder imaginar.

Mas, se você estiver interessado com o coração, então seus desejos terão uma natureza ainda mais elevada, mais elevada do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensível, mais alerta, mais amoroso. A mente é agressiva, o coração é receptivo. A mente é masculina, o coração é feminino. A mente é lógica, o coração é amor.

Assim, depende de onde você está fixado: no corpo, na mente, no coração. Esses são os três lugares mais importantes a partir dos quais uma pessoa pode atuar. Mas há também um quarto espaço dentro de você. No Oriente ele é chamado de turiya . Turiya significa simplesmente " o quarto, o transcendental".
Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então, a pessoa simplesmente não tem nenhum desejo, nenhuma indagação a ser satisfeita. Não há futuro e não há passado. Então a pessoa vive apenas o momento, totalmente satisfeita, preenchida. No quarto, você se torna divino.

Você está me perguntando: O que eu quero? Isso simplesmente lhe mostra que você nem sabe quem você é, onde está fixado. Você terá de pesquisar dentro de si mesmo - e isso não é muito difícil. Se não o alimento e o sexo que ocupam a maior parte de você, então é com eles que você está identificado; se é algo relacionado com o pensamento, então é com a sua mente; se está relacionado com o sentimento, então é com o coração. E é claro, não pode haver o quarto; do contrário a pergunta não seria sequer cogitada!

Assim, em vez de lhe responder, gostaria de lhe perguntar onde você está. Investigue! Onde você está? Que tipo de identificação você tem? Onde está paralisado? Só então as coisas podem ficar claras - e isso não é difícil. Mas acontece repetidas vezes de as pessoas fazerem belas perguntas. (...)

Essas perguntas, são apenas perguntas tolas, não são realmente perguntas deles. Eles não estão de modo algum preocupados com sua real situação. Estão fazendo belas perguntas, metafísicas, esotéricas, para mostrar que são seres da mais alta qualidade; que são eruditos, que reconhecem as Escrituras, que são investigadores; que não são pessoas comuns, que são extraordinárias, religiosas. Isso está conduzindo-os a uma confusão cada vez maior.

É sempre bom perguntar o que é importante para você, em vez de perguntar algo que não é de modo algum de seu interesse. As pessoas me perguntam se Deus existe ou não, e elas nem sequer sabem se elas existem ou não!

Outro dia um indiano me perguntou: Por que eu estou aqui?

E você está realmente aqui? Pergunte a si mesmo, se você está realmente aqui. Eu não acho que você esteja aqui. Fisicamente é claro, que você está aqui, mas espiritualmente, realmente, você não está aqui. A menos que se livre da ideia de ser um indiano, de ser um hindu, você não pode estar aqui, não pode ser parte de minha comuna. Você carregou todos os tipos de bobagem que estão dentro de você e ainda está ligado a eles.(...)

Investigue, procure exato lugar onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é puro desperdício, todo desejo é errado. Mas se você está identificado com o corpo, não posso dizer isso para você, porque isso estará muito distante de você. Se estiver identificado com o corpo, eu lhe direi: passe a ter desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois passe a ter desejos mais elevados, os desejos do coração, e destes finalmente para o estado de ausência de desejos. Nenhum desejo pode jamais ser satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer seus desejos, e é claro que a ciência conseguiu obter sucesso em muitas coisas, mas o homem continua na mesma infelicidade. A religião tenta despertá-lo para esse grande entendimento a partir do qual você pode enxergar que todos os desejos são intrinsecamente impossíveis de serem satisfeitos.

A pessoa tem de ir além de todos os desejos; só então haverá o contentamento. O contentamento não está no fim de um desejo, o contentamento não vai existir pela satisfação do desejo, porque o desejo não pode ser satisfeito. Quando você conseguir a satisfação de seu desejo, verá que outros mil e um desejos aparecem. Cada desejo se subdivide em muitos novos desejos. E repetidas vezes isso vai acontecer, e toda a sua vida será desperdiçada.

Aqueles que conheceram, aqueles que viram, os budas os acordados, todos concordaram em um ponto. Não é algo filosófico, é factual: o contentamento só existe quando todos os desejos foram abandonados. É com a ausência dos desejos que o contentamento surge dentro de você - na ausência. Na verdade, a própria ausência dos desejos é o contentamento, sua satisfação, sua fruição, seu florescimento.

Assim, passe dos desejos mais inferiores para os mais elevados, dos desejos mais grosseiros para os mais sutis, e depois para os mais sutis ainda, porque a partir do mais sutil o salto será para a ausência de desejos. A ausência de desejo é o nirvana.

Nirvana, é uma das mais belas palavras; qualquer língua pode se orgulhar dessa palavra. Ela tem dois significados, mais esses dois significados são como dois lados da mesma moeda. Um significado é a cessação do ego, e o outro é cessação dos desejos. Isso acontece de maneira simultânea. O ego e os desejos estão intrinsecamente juntos, são totalmente inseparáveis. No momento em que o ego morre, o desejo desaparece, ou vice-versa. No momento em que os desejos são transcendidos, o ego é transcendido.E não ter desejo é estar desprovido de ego, é saber que a bem-aventurança fundamental é conhecer o êxtase eterno que começa, mas nunca termina."
Osho em A jornada de ser humano.

4 de outubro de 2014

Matéria e Consciência - Osho


"Essa é uma questão muito básica. Tem que ser entendida em muitos passos. Primeiro, ninguém pode ver você senão você mesmo, porque os outro só podem ver sua periferia, não você. Podem ver seu corpo; podem ver seus olhos, seu rosto, mas não você. Você está escondido bem fundo por trás. Estes são apenas cortinas; são como nuvens. Sua luz, sua chama de vida, estão ocultas bem fundo atrás. Ninguém pode penetrar aí, você é impenetrável.

Exceto você, ninguém pode vê-lo. Exceto você, ninguém pode tocá-lo. Exceto você ninguém pode sentir quem você é.

As pessoas podem se mover em torno de você apenas na periferia; ninguém pode alcançar seu centro. Nem você pode alcançar o centro de ninguém. O cerne mais íntimo é absolutamente privado. Nem mesmo os amantes podem penetrar nele.

Essa é a infelicidade dos amantes. Eles gostariam de penetrar um no outro, gostariam de ir o mais longe possível, gostariam de se encontrar, se fundir e se tornar um só, e todos os esforços falham. Independente do que façam, descobrem que não tem sucesso. Em algum lugar eles continuam sendo dois. Em algum lugar a separação permanece. Eles podem esquecer que são separados, mas não podem se tornar um só.
Essa é a infelicidade do amor, o sofrimento, a angústia, porque o amor gostaria de se tornar um. O amor gostaria de perder toda a separação, todos os limites. Mas repetidamente se chega ao limite, à limitação.

Então, este é o primeiro fato básico a ser entendido: que com exceção de você mesmo, ninguém pode penetrar na sua privacidade; Essa é a diferença entre uma pedra e você. A pedra pode ser penetrada até seu âmago; ela não tem privacidade. Essa é a diferença entre a matéria e a consciência.

A matéria não tem privacidade; a consciência tem privacidade; A matéria pode ser entendida de fora, porque a matéria não tem interior; Não há nada interno na matéria, tudo é externo; E na consciência é justamente o contrário: tudo é interno e nada é exterior.

A consciência é uma interioridade infinita.

A consciência é profunda, a matéria é superficial. A matéria é como as ondas no oceano; você, a consciência é a profundidade do oceano. E essa interioridade nunca pode ser penetrada, porque uma vez penetrada, ela se torna uma coisa pública, torna-se um objeto. Não é mais interna, torna-se externa. Se alguém puder enxergá-lo, você fica reduzido a um objeto, uma coisa. E então deixa de ser um homem. (...) Sempre que você acha que está reduzido a uma coisa, não se sente livre, não se sente feliz. Você se sente muito, muito reprimido. Essa é a infelicidade de um escravo, ou de ser um criado. (...)

A pergunta que você me fez é: "Às vezes eu acho que não existo. Quando entro em uma sala ninguém me vê."
Ninguém pode ver você. Pelo simples fato de ninguém pode vê-lo, não pense que você não existe. (...) Sinta-se abençoado por ninguém poder enxergá-lo, por mais que tentem. Mesmo que as pessoas usassem lentes de aumento, não poderiam enxergá-lo. Você é elusivo *[elusivo - aquele que é obscuro, difícil de ser explicado ou entendido, vago]  - essa é sua subjetividade, essa é a sua alma, essa é a sua dignidade. Essa é a beleza e o mistério da vida; o fato de ninguém pode enxergá-lo, senão você mesmo. Essa é a sua privacidade. O mundo é belo, porque nele pelo menos uma coisa é privada - sua consciência. Do contrário, tudo seria vendido no mercado. Sua consciência não pode ser objetificada. Por isso os Upanishads dizem: o conhecedor não pode ser conhecido; o conhecedor não pode ser visto. O conhecedor pode sentir a si mesmo; o observador pode ver a si mesmo.

Em segundo lugar, se você não pode ser visto pelos outros, como pode perguntar se será capaz de ver Deus? Se até um ser humano tem uma privacidade bem no fundo dele que ninguém pode penetrar, então o que dizer de Deus? As pessoas vêm até mim e dizem: Diga-nos como ver Deus. São pessoas tolas. Elas acham que são muito inteligentes e estão fazendo uma pergunta muito inteligente. Se nem mesmo a consciência humana jamais pode ser vista, como você pode enxergar a consciência do Todo? Você pode se tornar um com ela, mas não pode vê-la. Pode se dissolver nela, mas não pode vê-la.(...)

Deus está no espaço interior porque Deus é consciência absoluta. O homem é consciência parcial; e se nem essa pode ser vista, que dirá a consciência total, o Todo?
Só pelo fato de que você não ser visto, não pense que não existe. Você existe, mas não é um objeto. Você é subjetividade. É o observador, não o visto. Você vê, mas não pode ser visto. Sua natureza é ser um observador, uma testemunha; sua natureza não é ser um objeto.

Você diz: "Quando eu falo ninguém escuta. Quando um amigo me toca, não sou sólido." Ninguém pode tocá-lo. Tudo o que pode ser tocado não é você. E eu sei que aquilo que pode ser tocado não é de modo algum sólido. O corpo está florescendo, continuamente florescendo. Pergunte aos fisiologistas. Eles dizem que no decorrer de sete anos o corpo torna-se completamente novo. Nem uma única célula permanece velha. É um fluxo contínuo, como um rio, continuamente fluindo; Parece sólido, assim como a parede parece sólida, mas não é. Os átomos correm na mesma velocidade que a luz, movendo-se continuamente. O movimento é tão rápido e a velocidade tão extraordinária que não se consegue enxergar o movimento. Não se consegue enxergar a velocidade, e por isso a parede parece ser sólida.

Seu corpo é um fluxo contínuo - ele está fluindo como um rio. Mas o fluxo é tão rápido que você não consegue vê-lo. E você acha que ele é substancial, sólido - mas não é. Sua mente também não é sólida: os pensamentos estão continuamente se movendo. Como as nuvens, as formas aparecem e desaparecem.

Mas você? Você não é um fluxo, não é um fenômeno em movimento. 

Você é a eternidade. 

Não estou dizendo que seja sólido. Você não é sólido nem líquido. Você transcende todas as categorias. Você é apenas espaço, um enorme vazio. E desse vazio todas essa flores florescem.

As pessoas são flores de vazio, formas de nada. É o que queremos dizem quando falamos "Deus não tem forma, mas as pessoas são todas formas dele. Deus não tem nomes, mas todos os nomes pertencem a ele." O informe se transforma em milhões de formas, e o inominado assume milhões de nomes.

Ninguém pode tocá-lo, ninguém pode vê-lo, ninguém pode ouvi-lo, porque todos esses ouvidos, olhos toques pertencem ao corpo, não a você. Você é sempre o elusivo, aquele que elude; o misterioso, o desconhecido, o incompreensível.

Mas, por causa disso, não comece a achar que você não existe. Você existe, mas é subjetividade, irredutível e um objeto.

Este é todo o esforço da meditação: trazê-lo ao ponto em que você pode cair na sua própria subjetividade, onde pode desaparecer em sua própria profundidade, onde pode vir a entender aquilo que habita você - não nascido, imortal, eterno.

O simples fato de entender isso, é se perder. O 'eu' que você pensa que é você não é; e o você que você é, nunca nem pensou sobre ele. O 'eu' que você pensa ser é o 'eu' visto pelos outros, amado pelos outros, odiado pelos outros. O 'eu', o ego, não é nada além das opiniões de outros. O 'eu', o ego, não é nada além das opiniões de outros que você coletou sobre você. Esse 'eu' não é você, mas você está identificado com ele. Você é aquele 'eu' que nunca foi visto por ninguém, que nunca foi sequer tocado por ninguém. Não corrompido, não tocado, não contaminado, virgem, absolutamente puro, a própria pureza - esse é você.

Deixe de lado o que você não é, para poder saber o que você é. Todo o meu ensinamento é este: deixe de lado aquilo que você não é. Isso parece paradoxal. Estou lhe dizendo para renunciar àquilo que você não tem. Jogue fora aquilo que você não tem, para que aquilo que você é possa se manifestar para você, possa ser lhe ser revelado."
Osho em A Jornada do ser humano 

2 de outubro de 2014

Sobre os desejos e a tristeza - Pedro Kupfer


"Identificados com a insegurança que por momentos toma conta da mente, às vezes pensamos coisas como “será que vou realizar meus desejos? Será que vou conseguir conquistar o que preciso para me sentir seguro?” O problema é que este tipo de padrão mental de ansiedade torna-se uma verdadeira prisão, um feitiço que nos impede o crescimento e nos tolhe a liberdade.

Quando as coisas não acontecem de acordo com nossas expectativas, ficamos presos à tristeza. Quando obtemos as coisas que queremos, mas as perdemos posteriormente, ficamos igualmente presos à tristeza.

Quando não conseguimos o que desejamos, a tristeza se apresenta, como uma sombra ominosa e silente que nos tira o sossego.
Realmente, não precisamos fazer nada em relação aos desejos e à eventual tristeza que possa surgir quando não conseguimos satisfazê-los. Compreender e aceitar que os desejos são naturais e fazem parte da ordem psicológica é o primeiro passo para se libertar da frustração que possa derivar deles.

O segundo passo é entender que a felicidade não se realiza satisfazendo os
desejos, muito embora não haja nada de errado em desejar. O erro está em achar que a felicidade possa derivar da realização dos desejos.

Em relação à tristeza e as demais emoções, tampouco precisamos fazer nada, a não ser apreciar o fato de que elas vem e vão, como nuvens no céu. Não há nada de errado em relação ao fato de, ocasionalmente, a gente acordar triste ou ter um momento de melancolia. Isso faz parte da ordem emocional, que é perfeita dentro do que ela é.

Aceitando isso, podemos, por exemplo, apreciar desde a tristeza uma música que sirva como veículo para ela. Assim, ao invés de negá-la, damos uma expressão construtiva para ela e a usamos positivamente, em nosso benefício.

A vida como ela é.

Para ter uma apreciação objetiva dessa situação, precisamos compreender a
dinâmica da vida. As coisas vêm e vão constantemente: essa é a lei da natureza.

É preciso reconhecer que nada daquilo que chamamos nosso é realmente nosso. Podemos dizer “este é meu cabelo”.
Não obstante, quando o cabelo decide que está na hora de cair, não há nada que possamos fazer para que ele permaneça preso à cabeça. Consequentemente, não podemos dizer que ele seja realmente nosso.

O mesmo é verdadeiro em relação à memória, ao vigor e à resistência física. Quando estas capacidades começam a desaparecer com a idade, não há nada que possamos fazer para conservá-las. Nenhum desses elementos ou faculdades, objetivamente falando são nossos de fato.

Portanto, não podemos nos afirmar como donos de nada. Isto é o que poderíamos chamar de olhar desapegado e objetivo em relação ao corpo-mente, o que não significa ser descuidado, impiedoso ou irresponsável com ele.
Felizmente existe uma técnica para livrar-se do feitiço, da influência que as
crenças limitantes têm sobre nós. A técnica consiste em apreciar objetiva e
desapegadamente a justiça inerente e a perfeição presente nas leis da natureza.

O apego e a identificação com aquilo que considero meu, e a tristeza que se segue quando perco o meu são conseqüências da ignorância existencial. Então, “perfeição na ação”, como ensina a Bhagavad Gita, significa desligar-se da tristeza e as demais formas que o sofrimento assume, através da compreensão daquilo que verdadeiramente sou. Esse é o verdadeiro sentido do Yoga: união com o que se é, e separação daquilo que não se é.

A natureza como ela é.

Não é possível separar-se da sua própria natureza. Por exemplo, quando a água está quente, esse calor não é da natureza da água. Ele só acontece na água quando ela está associada com o fogo. A água pode desassociar-se da natureza do calor, mas o fogo não. A natureza do fogo é o calor.

É impossível renunciar àquilo que é natural para si mesmo. Não posso me
queixar daquilo que é natural em mim. A minha temperatura é de 36,5 graus. Mas isso não me incomoda, pois é a natureza do meu corpo. Quando o corpo se aquece um pouco mais, me sinto impaciente e desconfortável e quero me livrar desse desconforto.

Se a tristeza fosse mesmo a minha real natureza, eu não poderia nem deveria
desistir dela. No entanto, todos queremos ver a tristeza bem longe, mas ninguém quer se livrar da felicidade ou da alegria.

Porque isso acontece? Porque lá no fundo, você tem a certeza de que a tristeza não é natural e a convicção de que a felicidade lhe é natural sim.

Você age no mundo e recebe os frutos das suas ações. Às vezes, esses frutos são vistos como desejáveis, outras vezes como indesejáveis. As experiências vêm e vão, na vida de todos. Isso apenas acontece, independentemente de sermos cientes ou não. Até mesmo os sábios vivem adversidades, mas eles sabem como enfrentá-las, pois têm a capacidade de olhar para as coisas objetivamente, engajados na apreciação da verdade.
Sem o entendimento adequado, os meios se tornam o fim, e o fim, que é a plenitude, se perde de vista. Nessa situação, o mais provável que aconteça é que, dominado por um feitiço, por uma crença, eu acabe fazendo ações que irão posteriormente trazer resultados indesejáveis, para mim mesmo e para os demais. Agir dominado pelo desejo ou pelas emoções é arriscado.
Eu, como sou.
É bom lembrarmos que já somos toda a felicidade que procuramos. As limitações do corpo-mente são restritas ao corpo-mente e pertencem unicamente a ele. Não são nossas, no sentido de que o Eu não tem posses de nenhum tipo. O Eu apenas é. Fisicamente somos limitados: em termos de
força, resistência, longevidade ou tamanho.

Intelectualmente, temos igualmente capacidades limitadas: não conseguimos
memorizar os números de telefone de todos nossos amigos, não vencemos o nosso computador num simples jogo de xadrez, não falamos mais do que um punhado de línguas e, às vezes, nem sequer lembramos o que comemos ontem.

Agora, o Eu, está muito além das limitações físicas ou intelectuais que
possam estar associadas a ele. O fato de não saber falar polinésio ou não
compreender os corolários da teoria da relatividade são limitações inerentes ao intelecto, não ao Eu.

Isso não nos torna limitados. O Eu que você é, está além dessas limitações. Quem é este Eu? Aquele que pode ser apreciado, não com os olhos do rosto, não com a mente, mas com a Consciência.

O ensinamento essencial dos Vedas, resumido na afirmação tat tvam’asi, “você é Isso”, ou o ser individual é idêntico ao Ser ilimitado, deve ser compreendido e aceito se quisermos uma vida tranquila, apesar as dificuldades inerentes a qualquer existência humana.

Essa identidade com a plenitude existe e é um fato, apesar da distinção que possamos fazer em termos do sujeito que eu sou e os objetos que aprecio.
A distinção sujeito-objeto não contradiz a não-dualidade, a visão da unidade que permeia todo o ensinamento do Yoga. Este é o conhecimento eterno, sempre significativo e atual, que nos traz inspiração para viver uma vida
feliz e plena.
Namaste!"
Pedro Kupfer em Como lidar com os desejos e a tristeza

30 de setembro de 2014

O Vazio Vivo - J.Krishnamurti


"Você não é nada, é o vazio consciente vivo do ser. 

Você é a energia consciente universal livre do conteúdo psicológico identificador do pensamento. 

Cultural e psicologicamente você pode ter o seu nome e título, a sua propriedade e conta bancária, você pode ter poder, riquezas e ser famoso, mas apesar de todas essas salvaguardas, você é como o nada.

Você pode ser totalmente inconsciente desse vazio, desse nada ser, ou você pode simplesmente não querer estar ciente disso, mas ele está lá, está sempre presente, faça o que você fizer para evitá-lo. Você pode tentar fugir disso em caminhos tortuosos, através de violência pessoal ou coletiva, por meio da adoração individual ou coletiva, através de conhecimento ou de diversões, mas esteja você dormindo ou acordado, ele está sempre lá.

Você pode observar sobre o seu relacionamento com este nada, esse vazio, sua ausência de conteúdo psicológico e seu medo só se ficar consciente sem escolha alguma das fugas. 

Você não está relacionado a ele como uma entidade individual em separado; você não é o observador vê-lo, sem você, o pensador, o observador, não existe. Você e nada são uma só coisa você e nada são um fenômeno comum, e não dois processos separados.

Se você, como o pensador, têm medo dele e o encara como algo contrário e oposto a você, então qualquer ação que você possa fazer sobre ele, o levará inevitavelmente a ilusão e, assim, novos conflitos e miséria. 

Quando há a descoberta, a vivência desse nada que você é, então o medo - que só existe quando o pensador está separado de seus pensamentos e assim tenta estabelecer uma relação com eles - cessa completamente."
J.Krisnamurti em Satsang 

25 de setembro de 2014

Agonia e o Êxtase - Osho


"O homem está constantemente indagando, uma indagação contínua. Até a última respiração ele continua crescendo. Até o momento de sua última respiração ele pode mudar todo seu padrão de vida.
Ele pode dar um salto quântico.

Não há nenhuma necessidade de ele continuar seguindo o padrão que seguiu. Até o último momento ele pode sair. Ninguém pode impedi-lo, é sua liberdade. O homem é o único animal na existência que tem liberdade - e, devido à liberdade, existe a agonia.

Agonia, significa: eu não sei quem eu sou.

Eu não sei para onde estou indo e por que estou indo. Eu não sei, o que quer que eu esteja fazendo eu devo fazer ou não. A questão permanece continuamente; nem por um único momento a questão vai embora. O que quer que você faça, a questão está lá: Você tem certeza? Isso é realmente o que você deve fazer? Esse é o lugar onde você deve estar? A questão não o deixa nem por um momento. E isso é tão profundo quanto algo pode ser em você. Toca o âmago de seu ser. Esta é a agonia - o sentido não é conhecido, o propósito não é conhecido, o final não é conhecido. É como se fôssemos acidentais, como se tivéssemos nascidos por algum acidente.

Nenhum outro animal, nenhuma árvore, nenhum pássaro á acidental; eles são planejados. A existência tem todo um programa para eles. O homem parece ser completamente diferente.

A existência deixou o homem totalmente livre.

Quando você se torna consciente dessa situação, surge a agonia. E é auspicioso senti-la. Por isso eu digo que não é uma dor, um sofrimento, uma infelicidade comuns. É muito extraordinário e de um enorme valor para toda a sua vida, para seu crescimento, que você sinta agonia, que cada fibra de seu ser sinta o questionamento, que você se torne simplesmente uma dúvida.

E, naturalmente é assustador. Você é deixado em um caos. Mas desse próprio caos nascem as estrelas.

Se você começar a se encher de medo, se não começar a se encher de medo, se não começar a escapar de sua agonia....Todos estão tentando escapar, encontrando maneiras: apaixonando-se, fazendo isto e aquilo, ficando de algum modo engajado em algo, alguma coisa, porque tem medo. Se houver uma lacuna entre as duas e a dúvida surgir na sua cabeça, e você começar a se sentir agonia, você continua, prossegue correndo; não para. As pessoas começam a correr desde o nascimento e vão assim até a morte. Elas não param, não se sentam à beira da estrada debaixo de uma árvore.

Para mim, as estátuas de Buda e Mahavira no Oriente, sentados em uma postura de lótus debaixo de uma árvore não significam nada histórico. (...) Essas são pessoas que pararam de correr. Estas são as pessoas que saíram da estrada na qual toda a procissão da humanidade está caminhando. São os verdadeiros egressos, os que nunca voltarão para a estrada.(...) A estrada é o mundo, onde todos estão indo para algum lugar, tentando encontrar alguma coisa, e na verdade basicamente tentando se esquecer de si mesmos, porque isso dói. Lembrar-se de si mesmo dói, e a única coisa que todos estão fazendo é ficar engajado, concentrado - na busca daquilo. Tornar-se um pintor, tornar-se alguém e continuar se tornando. Não pare, porque se parar vai tomar consciência de sua dor; a ferida vai começar a se abrir. Então, não lhe dê essa chance; Esta é a estrada.(...)

Agonia é a experiência de que você entrou no mundo como uma placa limpa, uma tábula rasa; nada está escrito nela. Esta é sua face original.

Então, você pode fazer duas coisas. Uma delas é, tendo medo desse vazio, você pode começar a correr atrás de uma coisa ou outra - ganhar dinheiro, poder, erudição, ascetismo, tornar-se sábio, um estudioso, um político - que de alguma forma lhe dê uma sensação de identidade, que de algum modo esconda seu próprio caos interior.

Mas, independentemente do que você faça o caos estará ali e irá permanecer ali. É uma parte intrínseca sua. Por isso, aqueles que entendem não tentam de maneira alguma escapar dele. Ao contrário, tentam penetrá-lo.

Estas são as duas maneiras: ou correr dele, como todos os demais estão fazendo, ou penetrá-lo. Atingir seu próprio centro, não importa quão doloroso, atemorizante possa parecer, mas atingir o centro, porque esse é você. E é bom pelo menos uma vez estar no centro de seu ser.

No momento em que você atinge esse centro, a segunda palavra se torna significativa : êxtase.
O êxtase é a flor da agonia.
A agonia não é contra o êxtase.
A agonia é o caminho para o êxtase.

Você simplesmente tem de aceitá-la - o que mais se pode fazer? Ela esta ali. Você pode fechar os olhos - isso não significa que o sol tenha desaparecido; ele continua lá. E todos estão tentando fechar os olhos; o sol brilha demais. Então, feche completamente os olhos. Esqueça o sol, não olhe para ele. Como se ele não estivesse ali. Acredite que ele não está ali.

Essas pseudo-religiões estão tentando lhe ensinar exatamente isso; tente alcançar Deus, tente alcançar o céu...

Nenhuma delas diz para você para você não seguir ninguém e não buscar nenhum paraíso ou o céu, pois todas elas estão tentando iludi-lo.

Eu digo: encontre a si mesmo, encare a si mesmo. Faça um giro de 180 graus.
Olhe para o caos que está aí, para a agonia que está aí. E se essa for sua natureza, então, por mais dolorosa que seja temos de nos relacionar com ela. E o milagre é: é doloroso passar por ela, mas será maior a bem-aventurança quando você a tiver transposto e atingido o centro de seu ser.

A agonia está em volta do centro, e o êxtase está exatamente no centro. Talvez a agonia seja apenas uma casca protetora - o êxtase é tão valioso que necessita de proteção, e a natureza criou esse muro de proteção - sem falar dos outros. Até mesmo você começa a fugir dele. Quem vai entrar na sua agonia, se você mesmo está fugindo dela?

No momento em que você pensa nela, a agonia parecer ser um dom enorme da natureza. Ela muda sua própria cor, sua fragrância, seu significado. É um muro de proteção, tão protetor que até você começa a fugir dele.

Não fuja de si mesmo, aconteça o que acontecer. A coragem de um homem é julgada pela entrada em seu próprio caos interior. Você é digno de se considerar um ser humano quando atingiu o centro. E a partir do centro, você pode ver seu entorno. Você é bem-aventurado - e não só você é bem-aventurado; vista do centro, toda a existência também é bem-aventurada.

A agonia e o êxtase são dois lados de seu ser. Ambos fazem de você uma unidade orgânica, um todo.

Assim, não estou lhe dizendo como se livrar da agonia.

É isso que as pseudo-religiões vêm lhe dizendo há séculos. Estou lhe dizendo como se relacionar bem com a agonia, como se apaixonar pelo caos.

Quando você se apaixona pelo caos, pela liberdade que o caos proporciona, pelo espaço ilimitado que o caos proporciona, entre nele até atingir o centro.

Encontrar a si mesmo é encontrar tudo.

Então não haverá falta de nada, então não restará nenhuma dúvida. Então, pela primeira vez você terá a resposta. Embora você não possa transmitir a resposta para mais ninguém, você pode comunicar a maneira como você a encontrou.

Essa é a função do mestre. Ele não lhe dá a resposta. Ele não o torna mais sábio. Ele simplesmente lhe mostra o método, como ele se encontrou. Ele o encoraja a dar um salto para dentro de seu caos, para dentro de sua agonia. O mestre é simplesmente uma prova de que você não precisa ter medo. Se esse homem pôde encontrar seu próprio centro, passando por toda a agonia, não há razão por que você também não possa fazê-lo. E quando você conhece o sabor do êxtase, toda a sua vida pela primeira vez, terá algo que pode ser chamado de celestial. Uma nova qualidade surge em você, uma nova chama. Mas essa é a nossa natureza , a natureza de todo mundo."

Osho em A Jornada do Ser Humano

22 de setembro de 2014

Não se identifique, observe! - Osho


"Observe a ganância, observe o sexo, observe a cólera; a dominação, o ciúme.
Uma coisa deve ser lembrada: não se identifique; simplesmente observe, torne-se um expectador. Geralmente, a qualidade de testemunha cresce e passa a ser capaz de notar todas as nuances da manifestação.

São muito sutis. 


Você passa a ser capaz de ver o quanto são sutis as funções do ego,
como são sutis duas formas. Não é uma coisa grosseira. É muito sutil e delicada e profundamente oculta. Quanto mais você observa, mais seus olhos se farão capazes de ver, mais perceptivos se tornarão e, quanto mais você ver, mais profundamente caminhará e maior distância se estabelecerá entre você aquilo que você faz. 

A distância ajuda porque, sem distância, não pode haver percepção. Como
você pode distinguir uma coisa que está demasiado próxima? Se seus olhos estiverem tocando o espelho, como você poderá ver?

Uma distância é necessária. E nada pode dar-lhe distância, a não ser o
testemunhar. Tente e verá.(...)

A testemunha é um estranho. Por sua própria natureza, a testemunha nunca pode tornar-se alguém que está de dentro.

Procure essa testemunha e, então coloque-se no topo da colina: tudo se passa no vale, sem que você tenha a menor participação. Você simplesmente vê: o que você tem com aquilo? É como se tudo tivesse se passando com outra pessoa.(...)

Lembre-se, simplesmente, de uma coisa: você tem que ser um observador, porque, então, a identificação se romperá, então a raiz será cortada. E, desde que a raiz seja cortada, de vez que você descubra que você não é aquele que atua, tudo se modifica de repente. E a modificação É súbita, não há graduação nela.(...) 

No momento em que você corta a raiz da mente, a identificação, a SAMSARA, tomba com ela, todo o mundo se desmorona como um castelo de cartas. Basta uma pequena brisa de consciência, e toda a casa cai. De súbito, você está ali; não mais no mundo pois você transcendeu. 

Você pode viver da mesma maneira antiga, porque você já não é antigo. É um ser perfeitamente novo — isso é um renascimento. 

Os hindus o chamam DWIJ, duas vezes nascido. 

Um homem que a isso chegou é duas vezes nascido; a Iluminação é um segundo nascimento: o nascimento da alma. Isso é o que Jesus quer dizer quando fala em ressurreição. 

A ressurreição não é o renascimento do corpo, é um novo nascimento da consciência."
Osho em O Livro dos Segredos

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