3 de dezembro de 2016

Gom - Chamtrul Rinpoche


"É a palavra tibetana “gom” que é traduzida para o português como “meditação”. 
Mas o que “gom” significa realmente? 
Significa habituar-se, familiarizar a mente 
com algo que é positivo.

Assim, através da meditação, uma mente que era frequentemente estressada, que carecia de concentração e clareza, que muitas vezes experienciou cobiça, inveja, ódio, raiva, e assim por diante, em vez disso pode sem esforço manter-se calma, clara e focada, e, naturalmente, responder a qualquer coisa com compaixão, amor, paciência, generosidade, e assim por diante.

Além disso, é através da meditação que nossa mente é acordada de sua falta de consciência da realidade, libertando-nos assim do samsara, e além disso, atingindo o estado iluminado de um Buda para o benefício de todos.

Todos, sem exceção, tem o potencial de mudar. 
Qualquer um que duvide disso, 
ainda tem que meditar.”

Chamtrul Rinpoche

26 de novembro de 2016

Estado de alerta e moralidade - Osho


"Três palavras devem ser compreendidas: uma é "religião" ou espiritualidade; a segunda é "moralidade"; e a terceira é "legalidade".
Religiosidade ou espiritualidade não subsiste em idéias morais - está além do moral e do imoral, está além do certo e do errado; não possui consciência externa ( conscience ): vive da pura consciência-em-si ( cousciousness). Existe um tremendo "estado-de-alerta", e a pessoa age a partir desse "estado-de-alerta". Quando acontece de a  ação surgir do "estado de alerta", ela é inevitavelmente boa.

Mas o homem vive num "estado não alerta". Toda a vida do homem é cheia de "estados não alertas" - ele é quase como um robô. Ele vê, e contudo, não vê; ele ouve e contudo, não ouve; Ele existe, mas somente no sentido literal da palavra, não realmente, não como um Buda, ou um Cristo, ou um Zarathustra... ou como Dionísio, Pitágoras, Heráclito. Não, ele não existe com tal intensidade, com aquele "estado de alerta".

Desse modo, a moralidade se torna quase uma necessidade - ele á um substituto. Quando não se pode ter a coisa verdadeira, então, é melhor ter alguma coisa não-verdadeira do que não ter nada absolutamente, porque o homem precisa de um certo código de comportamento. Se este flui do estado de alerta, então, não há nenhum problema.

As pessoas estão vivendo apenas numa espessa nuvem de inconsciência. Suas vidas não são aquela vida de luz, mas a de escuridão e, vindo dessa escuridão, dessa confusão, dessa fumaça, o que você pode esperar? Elas estão fadadas a fazer algo tolo, algo errado.

A menos que todos os homens se tornem um buda, permanecerá a necessidade de alguma espécie de moralidade. A moralidade não é algo grandioso: é um substitutivo pobre da religião. Se você pode ser religioso, então, não há a necessidade de moralidade.(...) Todas as ideologias políticas e religiosas não são nada mais do que tranquilizantes não-medicinais. Todo o propósito é o de fazê-los viver no sono, de modo que vocês possam ser explorados, oprimidos, escravizados e, ainda assim, não estarem alertas para o que lhes está acontecendo.(...)

Você me pergunta, Sangvai, Por que deve haver uma diferença entre o padrão moral e o padrão legal...?
Há uma diferença entre os padrões moral e religioso. "Religião" significa que você "vive a partir da sua consciência". "Moralidade" significa que você "vive de acordo com os mais altos padrões que a sociedade impôs sobre você" e não de acordo com a sua própria luz. E o padrão legal é o mínimo.

O padrão moral é o máximo, a maior expectativa da sociedade; e o padrão legal é a expectativa mínima: "Pelo menos, deve-se cumprir o legal". O legal é o limite mais baixo e o moral é o limite mais alto, daí a diferença. A diferença existe.

Há muitas coisas imorais que não tem nada a ver com a lei. Você pode estar fazendo muitas coisas imorais, mas não pode ser apanhado legalmente, porque a legalidade consiste, no mínimo, no limite mais baixo.

Dizem que o melhor professor é aquele que é capaz de explicar o que está dizendo ao aluno mais estúpido da classe. Se o mais estúpido pode compreendê-lo, então, é claro, todos os outros, compreenderão. A lei pensa na pessoa mais estúpida.(...) A moralidade pensa no mais inteligente, no mais humano. Daí a diferença entre as duas - e a diferença continuará.

E eu tenho de lembrá-lo de uma terceira coisa também: do padrão espiritual. Este é o maior, o transcendental, além do qual não existe nada. Os budas vivem de acordo com o moral e os assim chamados cidadãos vivem de acordo com o legal. Estas são as três categorias de seres humanos.(...)
Até agora, o ser humano apenas parece ser humano: lá no fundo ele não é nada mais do que um animal mascarado de ser humano. Sua humanidade não tem nem a espessura da pele: basta arranhá-lo um pouquinho do animal sai. O ser humano com o qual no trivial, que só isso já prova a sua mediocridade...Não pode nos dar nenhum índice de sua inteligência.

O homem continua argumentando sobre grandes coisas, mas prossegue vivendo de maneira totalmente diferente. Seus pensamentos são muito elevados; sua vida é muito imatura. Na verdade, ele cria todos esses grandes pensamentos para encobrir sua imaturidade. (...)

Nossos filósofos, nossos psicanalistas, teólogos, permaneceram abstratos, falando sobre grandes coisas, só para escapar da medonha realidade.
Meu esforço aqui é ajudá-lo a tornarem-se cientes da feia realidade, porque estar ciente dela mudará a feiura em beleza. O estado de alerta é o milagre."
Osho em Teologia Mística

19 de novembro de 2016

Viver e agir - Pedro Kupfer


"Viver é agir. Agir é inevitável. Pelas ações construímos uma relação com a existência. Não podemos dizer que viver seja nada diferente de fazer ações. Vegetar não é viver. Uma pessoa em coma está viva, mas não podemos dizer que esteja vivendo.

Assim, usando nossa capacidade de escolha, e percebendo que não podemos fugir ao fato de que viver é fazer, nos relacionamos com os demais e com o mundo. Essas ações são sempre feitas a partir da constatação de que temos opções e uma faculdade chamada livre arbítrio, através da qual realizamos essas escolhas.

Agir implica mudar, implica constatar que necessariamente, queiramos ou não, iremos deixar uma marca no mundo, em cada coisa que fizermos, desde as mais insignificantes decisões até as maiores que possamos tomar.

Porém, muitas dessas ações são feitas, consciente ou inconscientemente, baseados na premissa de que, para sermos felizes, devemos mudar o entorno, ou a nós mesmos, ou ambos, já que não conseguimos nos aceitar como somos.

Isso é o que o meu mestre, Swāmi Dayānanda, chamava de problema fundamental. O grande segredo, se há um neste jogo, é reconhecer que essas mudanças fazem parte da própria dança da vida, mas nenhuma delas poderá trazer para nós felicidade, pois felicidade é o que já somos. Seria sábio lembrarmos disso a cada momento.

Não podemos, e nunca conseguiremos, obter algo que já temos. Não precisamos nem devemos correr atrás do que já somos. Não há como “alcançar” o Ser. Não temos como “nos tornar” o Ser. Isso é impossível. O Ser é o que somos. O que sempre fomos. O que sempre seremos.

É necessário apenas reconhecer a nós mesmos como o Ser pleno que somos. Nada mais. A vida plena é mais uma vida de aceitação, equanimidade e harmonia, do que uma sucessão de experiências de êxtase e prazer constantes. Não negamos o prazer nem a segurança, mas tampouco buscamos a felicidade neles.

Não nos apegamos excessivamente aos momentos de alegria ou satisfação quando eles acontecem, nem sentimos saudades deles quando não estão presentes.

Isso, apesar das dualidades, apesar de sabermos como pleno, vivemos o relativo e nos relacionamos da maneira mais equânime possível com a subjetividade do nosso ego e dos egos das pessoas com quem convivemos.

Assim, fazemos o que o nosso bom-senso nos indica, mudamos o que acreditamos que precisa ser mudado, agimos no mundo da melhor maneira possível, mas sabendo que desde nenhuma ação virá a felicidade ou a realização pessoal.

Quando conseguimos deixar de lado a ansiedadae por realizar mudanças buscando nelas a felicidade, poderemos superar o apego a elas, descobrindo essa fonte de felicidade inesgotável, e que somos nós mesmos. A felicidade não é o fruto de alguma ação.

Ela se revela por si só, na medida em que compreendemos que não é das mudanças ou da realização dos desejos que ela virá, e a força que eles têm sobre nós desaparece.

Então, facamos o que o nosso bom-senso determina, aquilo para o que a nossa intuição aponta, e mudemos o que precisa ser mudado. Façamos o que temos que fazer.

Reconheçamos que há coisas, porém, que fogem à nossa alçada. Por exemplo, não conseguimos mudar o clima, portanto reconheçamos que não adianta nos queixar do frio ou do calor, do sol ou da chuva.

Não podemos mudar o tempo, portanto, não adianta desejar que ele páre ou voe. Aceitemos o passado como ele é, o presente como ele é, e não façamos demasiadas especulações nem projeções em relação ao futuro.

Não podemos mudar os outros, portanto, aceitemos eles como são, com suas virtudes e defeitos. Não podemos mudar muitas coisas em nós mesmos em termos de corpo, mente ou emoções, portanto, aceitemo-nos como somos nesses aspectos, e em todos os demais. Lembremos que somos dignos de amor, do jeito que somos agora.

Assim, não deixemos que o derrotismo tomem conta de nós. Não deixemos que a inércia se aposse do nosso coração. Façamos o que deve ser feito, contemplando sempre o bem comum. Cultivemos o discernimento para compreender a diferença entre o que pode e o que não pode ser mudado.

Apliquemos força, compaixão, energia, inspiração, raiva, se for preciso, para mudar aquilo que pode ou deve ser mudado, em prol da saúde, do bem-estar, do que é justo e adequado para todos, cuidando do bem comum. E relaxemos, sem perder o contentamento, em relação àquilo que não pode ser mudado.

Evitemos, o tempo todo dentro do que nos for possível, projetar nessas mudanças a capacidade, que já reconhecemos que elas não têm, de nos fazer felizes. É isso. 

Namaste!"

5 de novembro de 2016

A mente vive descontente - Osho


"A mente vive descontente – isso é intrínseco a ela.
A mente nunca pode estar satisfeita.

Quando você compreende isso, um milagre acontece, então você pode deixar a mente de lado, pois ela nunca vai lhe trazer satisfação.

Essa não é a natureza dela.

Se você compreender por que está insatisfeito, se não procurar desculpas lá fora, vai ver que o motivo é a maquinação da mente, e essa maquinação pode ser abandonada.
É muito fácil. O importante é enxergar isso.
Não acredite só porque eu digo – você precisa enxergar.

Observe-a. Olhe para o passado.

Muitas vezes você achava que, se conseguisse determinada coisa, ficaria feliz, mas quando a conseguiu não ficou. As pessoas vivem caindo sempre nas mesmas armadilhas.

Por isso, observe a mente e todas as peças que ela prega em você. Para haver transformação, nada mais é necessário, apenas ficar alerta ao mecanismo da mente.

E, através dessa compreensão, as coisas começam a acontecer sozinhas, sem esforço, em silêncio."
Osho em Consciência

29 de outubro de 2016

O maravilhoso mistério - J.Krishnamurti


"Quase todos nós estamos apegados a uma certa parte insignificante da vida, e pensamos que, através dessa parte, descobriremos o todo. Sem sairmos de nosso quarto, achamos que podemos explorar toda a extensão e toda a amplidão do rio e perceber a riqueza dos verdes prados que o margeiam. Vivendo em estreito aposento, pintamos uma pequena tela e pensamos ter "tomado a vida pela mão” e compreendido o significado da morte. Mas, tal não aconteceu. Para que aconteça, temos de sair para o ar livre. 

Mas é-nos extremamente difícil sair para o ar livre, deixar nosso pequeno aposento de estreita janela, para vermos as coisas como são, sem julgar, sem condenar, sem dizer "Disto eu gosto e daquilo não gosto” — porque a maioria de nós pensa que através da parte será possível compreender o todo. 


Examinando um raio, esperamos compreender a roda, não é verdade? São precisos muitos raios, e mais o cubo e o aro, para termos a coisa chamada "roda”; e precisamos ver a roda toda para podermos compreendê-la. Do mesmo modo, precisamos perceber o inteiro processo do viver, se realmente desejamos compreender a vida.

Espero estejais seguindo o que estou dizendo, porque a educação deve ajudar-vos a compreender o todo da vida, e não apenas preparar-vos para obter um emprego e seguir a rotina habitual — casamento, filhos, segurança, e vossos pequenos deuses. Mas, para suscitar a educação correta necessita-se de muita inteligência, discernimento, e por essa razão é tão importante que o próprio educador seja educado para compreender o processo total da vida, e não cuide meramente de ensinar-vos de acordo com determinada fórmula, velha ou nova.

A vida é um maravilhoso mistério — não o mistério de que falam certos livros ou certas pessoas, porém um mistério que cada um de nós tem de desvendar por si próprio. Eis porque tanto importa compreenderdes o que é pequeno, limitado, mesquinho, e passardes além.

Se não começais a compreender a vida desde jovens, crescereis muito feios, interiormente; sereis estúpidos e vazios, ainda que, exteriormente, tenhais dinheiro, andeis em carros de luxo e pareçais muito importante. Por isso é tão relevante que saiais de vosso quarto para ver a amplidão do firmamento. Mas, isso não podeis fazer se não tendes amor — não "amor físico’’ ou "amor divino’’, porém amor, puro e simples: amar os pássaros, as árvores, as flores, vossos mestres, vossos pais e, além do país, toda a humanidade.

Não será uma verdadeira tragédia se não descobrirdes, por vós mesmo, o que é amar? Se não conhecerdes o amor agora, nunca mais o conhecereis, porque, quando ficardes mais velhos, o que se chama "amor” será uma coisa muito feia — uma propriedade, uma espécie de mercadoria que se compra e vende. Mas, se começardes agora a ter amor no coração, se amardes a árvore que plantais, o cão vadio que afagais, então, quando crescerdes, não permanecereis no pequeno aposento de estreita janela, mas saireis para amar a totalidade da vida.

O amor é realidade; não é emoção, efusão de lágrimas; não é um sentimento. 

O amor, em si, é sem sentimentalismo. Este é um ponto muito sério e importante: que deveis amar enquanto estais jovens. 

Vossos pais e mestres talvez desconheçam o amor, e foi por esta razão que criaram um mundo terrível, uma sociedade perpetuamente em guerra contra si mesma e com outras sociedades. Suas religiões, suas filosofias e ideologias são todas falsas, porque sem amor. Eles só percebem uma parte; estão a olhar pela estreita janela, que poderá apresentar uma vista aprazível e extensa, mas que não é toda a amplidão da vida. 

Sem esse sentimento de intenso amor, não podeis ter a percepção do todo; por conseguinte, sereis sempre um ente digno de comiseração e, ao chegardes ao fim da vida, não tereis senão cinzas, um amontoado de palavras ocas."

J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano

22 de outubro de 2016

O que é ser um indivíduo ? - Osho


"Na sociedade, existe uma profunda expectativa de que você se comporte exatamente como todos os demais. No momento em que se comporta de forma um pouco diferente, você passa a ser um sujeito estranho, e as pessoas têm muito medo de estranhos.

As pessoas sempre querem participar de um grupo ao qual se ajustem.

Nesta sociedade, ninguém aceita a si mesmo. Todo mundo se condena. Esse é o estilo de vida da sociedade: condenar-se. E, se você não está se condenando, se está se aceitando do jeito que é, você tem que se afastar da sociedade.

E a sociedade não tolera ninguém que saiu do rebanho, porque ela vive de números; é uma política de números. Quando há muitos números, as pessoas se sentem bem. Números grandes fazem com que as pessoas sintam que tem de estar certas - elas não podem estar erradas, milhões de pessoas estão com elas. E, quando ficam sozinhas, grandes dúvidas começam a vir à tona: Ninguém está comigo. O que garante que estou certo?

É por isso que eu digo que, neste mundo, ser um indivíduo é o maior sinal de coragem.

Para ser um indivíduo, é preciso o mais destemido dos treinamentos: “Não importa que o mundo inteiro esteja contra mim. O que importa é que a minha experiência é válida. Eu não me importo com os números, com quantas pessoas estão comigo. Eu me importo com a validade da minha experiência — se estou simplesmente repetindo as palavras de outra pessoa, como um papagaio, ou se a fonte das minhas afirmações é a minha própria experiência. Se é a minha própria experiência, se isso é parte do meu sangue, dos meus ossos, do meu âmago, então o mundo inteiro pode pensar de outro jeito; ainda assim, eu estou certo e eles estão errados. Não importa, não preciso da aprovação deles para sentir que estou certo. Só aqueles que dependem das opiniões de outras pessoas precisam do apoio dos outros.

Mas é assim que a sociedade humana tem sido até agora. É assim que ela mantém você no rebanho. Se os outros estão tristes, você tem que ficar triste; se sofrem, você tem que sofrer. O que quer que eles sejam, você tem que ser também. Não se permitem diferenças, porque as diferenças acabam levando para o indivíduo, para o único, e a sociedade tem muito medo do indivíduo e da unicidade. Isso significa que alguém ficou independente do grupo, que essa pessoa não dá a mínima para o grupo. Seus deuses, seus templos, seus padres, suas escrituras, tudo ficou sem sentido para ela.

Agora ela tem seu próprio ser e seu próprio jeito, seu próprio estilo — de viver, morrer, celebrar, cantar, dançar. Ela chegou em casa. E ninguém pode chegar em casa junto com a multidão. Só se pode chegar em casa sozinho."

Osho em O Livro dos Segredos VI

15 de outubro de 2016

Sobre o stress e a infelicidade - Osho


"Quando há muita correria, correria pra lá e pra cá, o homem torna-se infeliz. Felicidade existe só em repouso completo. 

Você corre aqui e ali em busca da felicidade, mas sua aritmética está errada, seus cálculos estão com defeito. 

Você acha que vai encontrar a felicidade através da correria de de cá para lá, mas no final, fazendo tudo isso, só faz você infeliz. O resultado final de toda essa corrida é sobre infelicidade. 

Quanto mais você corre, mais miserável você vai sentir-se. 

A felicidade é um momento de descanso, quando não há mais correria, quando você está apenas em repouso, quando você está simplesmente lá onde você estiver, quando você não se mover até mesmo uma polegada. E então, nesse momento de descanso, não há felicidade, não há nada, mas a felicidade.

Medite sobre isso.
A intensidade do seu movimento, da a medida do quanto você está se privado da felicidade. E quanto mais você continuar correndo, mais e mais infeliz você se torna. 

A felicidade pode ser encontrada ao parar. 

E parada é a meditação, oração, adoração. Parar significa não ter nenhuma ideia ou qualquer pensamento do futuro. Enquanto você permanecer sonhando com o futuro a sua corrida vai continuar.

O momento presente é tudo, então por que correr? Onde você vai chegar nessa correria? Não há lugar para onde correr atrás, nem tempo para se fazer isso. Existência é comemorada neste exato momento e você é abstraído dele. Por isso você é tão infeliz.

E você é infeliz porque você está correndo. 

 Se você espera que a felicidade venha até você amanhã você não receberá nada além de miséria. 

Por que você não recebe a sua felicidade hoje? – Ele já está presente. 
Por favor, pare por um tempo. 
Está faltando a felicidade por causa de sua correria, e por disso você não tem tempo livre, sem tempo livre para curtir a felicidade."
Osho em Meditações para a noite

7 de outubro de 2016

Crença, dúvida, céu e inferno - Osho


"Todo mundo ensina a crença, mas ninguém ensina a dúvida, porque a dúvida é natural. Os verdadeiros mestres, como Gautama Budha, dizia a seus díscípulos : "Não creiam só porque eu digo que é assim. Não creiam apenas porque as sagradas escrituras dizem que é assim. Não creiam só porque as massas crêem em certa coisa. A menos que você experimente, jamais acredite em nada. Siga duvidando - siga duvidando até o fim."

A dúvida é uma qualidade natural, intrínseca do seu ser; é dada por Deus. Use-a, porque ela tem tremendo poder em si. Ela é um instrumento para se descobrir a verdade.
Não sugiro que você se torne profundamente convencido de nada; sugiro que você duvide e que duvide totalmente, de modo que você possa descobrir a verdade. A dúvida não é contra a verdade, a dúvida é uma metodologia para se descobrir a verdade. A dúvida não é um inimigo da verdade, mas o único amigo. A crença é o inimigo da verdade, porque é a crença que impede de descobrir, de investigar.(...)

Eu sou apenas um amigo. Estou aqui para explicar a você como eu descobri a verdade. A dúvida foi meu processo. meu próprio caminho para chegar à verdade. E eu gostaria que vocês se tornassem cada vez mais e mais afiados, inteligentes. Duvide mais cientificamente. Assim como na ciência, a dúvida o ajuda a descobrir, ela também ajuda na jornada interior.

Assim, a primeira coisa que eu gostaria de sugerir-lhe é esta: abandone a ideia de "profundas convicções".(...)
Quando você diz: Eu estou profundamente convencido de que nosso caminho é abandonar o ego...

Quem é este Eu estou? Quem está convencido? Ora, isso é uma contradição! Você diz: Eu estou profundamente convencido de que nosso caminho é abandonar o ego... "Eu estou" não é nada mais que um outro nome para o ego. Agora, você entrou numa confusão. Se o ego está convencido de que o único caminho é abandonar o ego, então, quem vai abandonar quem? E como? É como você puxa-se para cima pelos seus próprios cordões de sapato. Você vai aparecer só um tolo. Observe cada palavra que você usa. " Eu estou" não é nada mais que o ego.

A segunda coisa: ninguém jamais foi capaz de abandonar o ego, porque o ego não é uma realidade que você possa abandonar; algo para ser abandonado tem de, pelo menos, ser real, substancial. O ego é apenas uma noção, uma ideia. Você não pode abandoná-lo, você pode somente compreendê-lo. Você pode abandonar a sua sombra? Você pode correr tão depressa quanto queira, mas a sombra correrá na mesma velocidade, exatamente na mesma velocidade.

Há uma história taoísta sobre o homem que ficou com medo da sua sombra. Ele estava lendo uma história... Ele estava sozinho numa fazenda, numa pequena cabana, e no meio da escuridão profunda da noite, lendo uma história que estava dizendo que as sombras não são nada além de fantasmas. Ele ficou tão amedrontado que olhou novamente e a sombra estava ali. A lógica natural era que ele não estava correndo tão depressa como deveria; então, ele começou a correr cada vez mais e mais depressa. Quanto mais depressa ele corria, mais depressa a sombra o seguia. Ele ficou completamente exaurido e cansado, tanto que não pôde mais correr e simplesmente sentou-se debaixo da sombre de uma árvore. No momento em que ele sentou-se sob a árvore, sua sombra desapareceu.
Ele ficou espantado; ele não pôde escapulir da sombra enquanto estava correndo daquele jeito e agora que ele estava simplesmente sentado debaixo da sombra da árvore, a sombra desaparecera.

Esta é uma bela parábola de grande significado.
Você não pode abandonar o ego. Uma vez que você comece a tentar a abandonar o ego, você vai entrar numa fria; você vai ficar cada vez mais e mais preocupado e confuso. E esse não é o meio de se livrar do ego. O único meio de se livrar do ego é olhar-se para ele.
Primeiro tente descobrir onde ele está, se ele está aí ou não, em primeiro lugar. E a pessoa que vai para dentro, jamais o descobre; ele simplesmente desaparece.
O ego é apenas uma ideia, uma ideia daquela gente que jamais foi para dentro. E elas sofrem por causa do ego - porque ele é uma coisa falsa, ele cria sofrimento. Lembre-se: a realidade sempre cria bênçãos, e a falsidade sempre traz a miséria.


O inferno é a coisa mais falsa do mundo - o céu é a única realidade. Nós estamos dentro dele agora mesmo, neste exato momento. Nós não podemos estar em nenhum outro lugar.
Se você está num inferno, isso é criação sua, fantasia sua, você está vendo um sonho. Se você está no céu, isso não é fantasia sua, não é sonho seu, é assim que as coisas são. O céu é o ambiente das coisas.


Basta olhar para dentro e tentar descobrir, desvendar onde está o ego, e você se surpreenderá: você não poderá achá-lo em lugar nenhum. E quando você pode encontrá-lo em algum lugar, ele vai embora - sem que seja abandonado.

Mas, se você começar a abandoná-lo, isso será como correr para fugir da sombra. Você ficará desnecessariamente exausto, cansado e começará a se sentir muito culpado, por não ter sido capaz de se livrar do ego. Você começará a se sentir como um pecador, começará a se condenar. Toda a sua vida será destruída, somente por um simples erro: o de que você olhou para fora e saiu correndo, jamais olhou para dentro.

Uma simples experiência do mundo interior é o bastante para revelar o fato de que o ego é uma falsidade, de que nós não estamos separados, de que somos um só, de que somos parte de um único universo orgânico."

Osho em Teologia Mística - Discursos sobre o Tratado de São Dionísio.

1 de outubro de 2016

Meditação é esperar - Osho


Osho me responda: O que é meditação ?


Osho: Isso é estranho. Me lembra de uma história.

Um fã de criket levou sua namorada para um encontro - era uma noite de lua cheia e a praia estava em silêncio e eles se sentaram na praia, e estava lindo . Eles estavam de mãos dadas e se abraçando . E o fã de criket começou a falar sobre criket e continuou falando por três horas. Então, de repente, ele se deu conta de que devia esta sendo chato para a garota. Três horas é muito tempo! Então ele disse: 'Desculpe, perdoe-me. Eu fiquei falando por três horas sobre o meu hobby. Eu sou um fã do criket, eu sou louco por cricket. Devo ter aborrecido você completamente?
A moça disse: 'Não, não mesmo. Mas o que é cricket?

Agora você pergunta 'O que é meditação ? e toda a minha vida eu tenho falado sobre meditação. Mas ainda assim, eu entendo por que surja a pergunta . Você escuta , mas você não pode alcançar. Você entende intelectualmente o que é meditação, mas ainda permanece indefinida . Você não pode agarrar-se a ela. E você não pode agarrá-lo !

Não é que algo esteja errado com você. A meditação não pode ser agarrada , você tem que permitir que isso aconteça para que ela possa agarrá- lo. A meditação não é algo que você tem que fazer; a meditação é algo que você tem que esperar ! É algo que vem , e vem por conta própria. É como uma brisa. Não é que você pode retirá-la, que você possa gerenciar e encomendá-la . Você não pode pedir qualquer coisa que é valioso.

Você não pode pedir a Deus. Deus dei-me a meditação, Satori, Samadhi, Iluminação, Nirvana, - não podem ser encomendados. 

A própria ideia de pedir é bobagem . Você pode receber. Certamente você pode receber. Você pode convidar, você pode esperar com paciência. Assim, sempre que você está se sentindo feliz, sempre que você estiver se sentindo alegre , sempre que você estiver se sentindo harmonioso, em sintonia , então, basta sentar-se em silêncio. Espere por ele . 
Basta esperar por isso! Nada mais é necessário fazer.

Meditação não é uma ação. É só esperar. 
Relaxe e espere. Deite-se ou sente-se ou fique de pé - como você se sentir melhor - e espere por ela . Espere , alerta, e em breve você vai ouvir os sussurros , os passos silenciosos de algo que está chegando mais perto de você . Logo você verá que algo está entrando em seu coração, em seu ser. Você não pode vê-la , mas ela está lá. Você pode senti-la. É como um perfume que entra por suas narinas . É como a luz. Mantenha a janela aberta. Isso é tudo que você precisa fazer: basta manter a janela aberta, então quando a luz surge e as nuvens não estão lá e o sol está alto, os raios podem entrar em você.

Sobre a meditação você pode fazer apenas coisas negativas. 
Mantenha a porta aberta, mantenha-se acordado, mantenha-se alerta, e ela vem . Ela certamente vem . Ela imediatamente começa a fluir em você. É uma bênção. Você não pode puxar, você não pode manipulá-la. A meditação manipulada não vai ser de qualquer valor. Isso é o que as pessoas estão fazendo . Alguém está fazendo MT , alguém está fazendo alguma coisa - tentando manipular .

Aqui, quando você está fazendo o Chaotic meditação Caótica (Dinamica) ou a Kundalini ou a Nadabrahma , estas não são realmente meditações , você está apenas entrando em sintonia. Se você já as viu, é como os músicos clássicos indianos. Durante meia hora, ou às vezes até mais, eles simplesmente vão afinando seus instrumentos. Eles vão movimentando os botões , eles vão tornando as cordas apertadas ou soltas , e o que toca o tambor vai continuar verificando seu tambor - se está perfeito ou não. Durante meia hora eles vão fazendo isso. Isso não é música , isso é apenas preparação.

Kundalini não é realmente a meditação , é apenas preparação. Você está preparando seu instrumento. Quando ele está pronto , então você está em silêncio. Em seguida, começa a meditação . Então você está completamente lá. Você acordou pelos saltos, pela dança , pela respiração , gritando - estes são todos os dispositivos para torná-lo um pouco mais alerta do que você normalmente é. Uma vez que você está alerta , então espere.

Esperar é a meditação - esperando com plena consciência. E então ela vem, descendo sobre você, o rodeia , ela se lança ao seu redor, ela dança ao seu redor, ela limpa-o , purifica-o , transforma-o. 
Osho em Eu Sou a Porta

24 de setembro de 2016

Além dos filmes da mente - Ruper Spira


Participante: Posso ver agora que sou consciência, e posso experimentar, vejo agora, é fácil, porém muitas vezes eu vejo que não posso acalmar a mente fingindo ser consciência. Em seguida, haverá pensamentos de dúvida que possa surgir.

Rupert Spira: Você está certo, se você acha que está na mente vai ser extremamente difícil sair da mente e você terá uma batalha sem fim e é por isso que, em primeiro lugar, eu estou tentando mostrar que você não está no mente.

Concordo que se você acha que está na mente vai ter um problema real, você vai ter que trabalhar duro na esperança de que um dia, depois de vinte anos de intensa prática espiritual, poder encontrar-se e livre -se da mente.

Imagine um filme onde você é a tela em que o filme é projectado. O que você está perguntando é: o que eu tenho que fazer, a tela para sair do filme? Isso é o que você está pedindo é um absurdo, ilógico; Seu problema não é que você está na mente, mas que você pensa que está na mente.

Em vez de lutar com a sua experiência, explore a sua experiência e depois veja se há algo real com o qual lutar.

Participante: Eu acho que tem que continuar praticando mais e parar de acreditar na mente.
Ruper Spira: Quando você diz, "Eu tenho que praticar um pouco mais" está alimentando aquele velho hábito de lutar com a sua mente; isso não tem nada a ver com a prática, que tem a ver com a compreensão. Não me refiro a esse entendimento intelectual, mas uma compreensão que se vem da experiência, uma visão clara.
Participante: Sim, obrigada!"


Ruper Spira em Satsang
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