24 de junho de 2016

O que são Sannyas? - Osho



"Pergunta- O que são Sannyas?


Osho - Há muito poucas pessoas que amam o silêncio, embora muitas pessoas digam que gostariam de ficar em silêncio Mas no momento em que elas estão em silêncio não ficam felizes. 
Elas começam imediatamente à procura de alguma diversão, distração, alguma ocupação. Elas estão com medo de ser silenciosas e há uma razão pela qual elas estão com medo , pois quanto mais silencioso você se tornar mais você irá desaparecer.

Você é o ruído, porque você é sua mente, você é barulho, pois você é o seu ego. Quando a mente desaparece, a mente e o ego ambos começam evaporar. 

Depois, há silêncio. 

Então você está realmente perto de seu autêntico centro, mas você não tem consciência disso porque que você não sabe para onde está indo. Parece que você está caindo em uma profundidade abisma , um fenômeno sem fundo. 
Apertos de medo e você começa a procurar por algum desvio, alguma ocupação - qualquer coisa para se agarrar.

E estas são as pessoas que anseiam pela imortalidade - e eles não sabem o que fazer em seu dia de folga ! Basta pensa : se eles realmente estão autorizadas a ser imortais, o que elas vão fazer? As pessoas falam sobre coisas bonitas, sem saber o que estão falando .

Mas, se alguém ama o silêncio e então em seguida ama a Deus, ama a existência, então se ama a verdade. 

Então se ama a religião em sua mais pura essência , porque é só através do silêncio que se descobre as escrituras - as escrituras que estão escondidas dentro de você, sermões que estão prontos para explodir dentro de você, a luz que está esperando e esperando por você para voltar para casa , mas se você estiver correndo e tateando no escuro. 

Em todos os lugares as pessoas estão indo para o Everest, à Lua, à Marte , ninguém parece estar interessado em ir para dentro .

Meditação é a arte de ir para dentro e amar tudo o que é o sannyas. 
Sannyas pode ser definido como um tremendo amor pelo silêncio " .
Osho em Eu sou a porta

18 de junho de 2016

Olá tristeza! - Pedro Kupfer


"Tudo é Ordem.
Basta-nos olhar para qualquer canto do Universo e perceberemos a Ordem. Seja na forma das leis naturais, seja na maneira em que os elementos se combinam entre si formando moléculas que formam células, seja na evolução da vida, seja na percepção dos ciclos do tempo, das estações ou da vitalidade dos seres, vemos somente ordem e harmonia.

Nada existe fora da Ordem. Os humanos somos igualmente manifestações dessas leis naturais, que chamamos Ordem de Īśvara. Īśvara é um termo sânscrito que se usa na tradição do Yoga para apontar para todo o conhecimento que existe, o que inclui tanto a causa instrumental quanto para a causa material da criação.

A Ordem de Īśvara, no ser humano, manifesta-se biológicamente através dos sistemas que sustentam a vida e a atividade. É inegável a sofisticação que o corpo humano possui, com seus trilhões de células altamente especializadas. Esse mesmo grau de sofisticação se estende para as emoções.

Cada emoção possui uma função, tem um valor e uma utilidade que por sua vez são parte da ordem psicológica. Essa ordem psicológica inclui todas as emoções. Até mesmo aquelas com as quais a nossa cultura tem um conflito, como a ira, o medo ou a tristeza.

É proibido ficar triste”.
Porém, no mundo em que vivemos, a tristeza é vista como alto negativo, que precisa ser evitado a qualquer custo. Simplesmente, a sociedade nos nega o direito à tristeza. Inúmeras vezes, desde crianças, ouvimos os demais nos dizer “não chore, já vai passar”, ou nós mesmos já dizemos aos outros coisas como “não foi nada, não precisa chorar” .

Até mesmo quando enfrentamos alguma doença grave, como câncer ou AIDS, com frequência ouvimos coisas como “você não deve ficar triste pois hoje em dia há tratamento para a sua doença”.

É por conta dessa desaprovação social da tristeza que com frequência vemos pessoas que saem desesperadamente de festa logo depois de sofrer uma separação, sem se dar tempo para elaborar ou meditar sobre as razões da ruptura.

Isso não é exatamente preparar o chão para evitar os mesmos erros no futuro, mas é a norma. A crença estabelecida é que não seremos aceitáveis se mostrarmos a nossa tristeza. Porém, essa crença tem um preço muito alto.

O preço da negação.
A negação dessa emoção produz frustração e desorientação pois, por um lado, não conseguimos evitar a tristeza, e por outro lado achamos que é errado sentí-la. Daí deriva um sentimento de culpa que só piora as coisas, pois ainda derruba a nossa autoestima.

Negar ou reprimir a tristeza é como pretender que o espaço desapareça colocando-o dentro de uma garrafa. E aliás, não é um bom negócio: a tristeza mal digerida pode derivar em transtornos psicossomáticos, ansiedade ou depressão. Isso acontece por exemplo quando não conseguimos elaborar sadiamente a dor pela perda de um ente querido.

Assim, a não aceitação da tristeza cria uma série grande e desnecesária de dificuldades para quem reprime essa emoção, que é tão fundamental quanto útil para a nossa saúde e harmonia em todos os níveis. Dizemos fundamental, pois ela faz parte dos seis sentimentos intuitivos, junto à ira, a aversão, o medo, a alegria e a surpresa.

A função das emoções intuitivas.
Todos eles são gerados nas amídalas cerebelosas, dentro do sistema límbico do cérebro, que é responsável tanto pela manifestação dos sentimentos como pela aprendizagem de conteúdos relevantes desde o ponto de vista emocional.

A ira mobiliza a nossa energia e nos motiva para agir perante as injustiças. A aversão gera impulsos de preservação perante situações potencialmente nocivas. O medo serve para a autopreservação, para nos ajudar a reagir rapidamente em casos de perigo.

A alegria é o oposto da tristeza e se descreve como contentamento, júbilo ou vontade de viver. A surpresa pode ser positiva ou negativa, mas é sempre uma reação frente ao inesperado que nos impele as ações. Todas estas emoções básicas provocam por sua vez respostas fisiológicas através das quais agimos e nos relacionamos.

O valor da tristeza.
No caso específico da tristeza, acontece uma tendência à desmotivação e à incapacidade de agir, acompanhadas por um leve aumento das atividades cerebral e cardíaca. Tudo isso obedece a um propósito muito pontual: nos convidar a parar por um momento para refletir perante uma perda importante, ou quando não atingimos nossos objetivos.

A tristeza também serve para nos fazer poupar energia após períodos de intensa atividade ou quando sofremos um grande desgaste. Também é útil para pedir ajuda em situações de fragilidade, ou quando precisamos despertar nos nossos seres queridos uma iniciativa em relação aos cuidados.

Isso é fundamental, pois as emoções possuem igualmente um papel social: perceber e compreender as emoções alheias nos ajuda a antecipar nossas atitudes e reações.

O amigo leitor sabe que, se em meio a uma discusão, alguém fica com os olhos marejados, o outro muito provavelmente irá criar empatia, suavizando suas palavras e atitudes.

Porém, se a tristeza não for externalizada em casos como este, a empatia não terá lugar e as dificuldades irão continuar. Assim, negar a tristeza não apenas deteriora os relacionamentos, mas ainda nos impede de ganhar um abraço carinhoso que nos lembre, em momentos de fragilidade, que não estamos sozinhos neste mundo.

A solução: deixar fluir.
Assim como as águas, estas emoções intuitivas devem ter seu lugar espontaneamente em nossas vidas. Assim como as águas, as emoções precisam fluir para que haja equilíbrio. Nenhuma emoção deveria ficar tempo demais, e nós não deveríamos nos obsessionar com o tema.

Nem dar valor demais às emoções, nem negá-las ou reprimí-las. É preciso compreender que o que somos em termos absolutos transcende em muito a subjetividade das nossas emoções. O segredo é estabelecer uma relação equilibrada com elas reconhecendo que a nossa vida é muito maior que qualquer sentimento.

Havendo saúde e boa disposição, nenhuma emoção irá ficar tempo demais. Elas sempre passam, como as águas de um rio que corre. A aceitação dessa fluidez implica eventualmente, deixar de lado o impulso de tomar alguma medicação para reprimir emoções que desapareceriam se as deixássemos repousar por um tempo adequado.

Resgate emocional.
Por outro lado, permitir que as emoções fluam nos permite repensar nossas atitudes. Se por exemplo, sofremos algum fracasso profissional, podemos ter duas atitudes diferentes:

1) nos deixar dominar pela baixa autoestima que surje quando nos enfrentamos à decepção, pensando em abandonar tudo ou achando que não nascemos para aquilo, ou 2) buscar alternativas e mudanças através de um olhar construtivo, pelo qual possamos ressignificar os fatos e encontrar novas soluções.

Em ambas as situações a tristeza estará presente, porém no segundo a emoção se manifesta de maneira atenuada, fica à nossa volta por menos tempo e não nos impede o livre andar adiante.
Outra maneira de lidar construtivamente com a tristeza é simplesmente reconhecer os fatos, a vida como ela é: nem sempre iremos conquistar o que buscamos e que, além do mais, iremos sofrer perdas.

Caindo na real.
É literalmente impossível realizar todos os nossos sonhos e projetos. Não é possível conjugar o emprego ideal com as férias exóticas, e ainda termos tempo livre para nós mesmos, uma boa poupança, o amor perfeito e a construção da família perfeita, além dos consabidos e procurados ideias da qualidade de vida, a saúde e a sanidade emocional.

Pretender fazer isso é como tentar agasalhar o corpo inteiro com um cobertor de avião: quando percebemos que estamos com as costas e as pernas protegidas, reparamos que ficaram de fora os ombros, o pescoço e a cabeça. E daí começamos a nos mexer novamente no assento para tentar consertar as coisas e achar a posição ideal.

Resolver um tema implica abrir mão de outro. Não podemos ter tudo. A vida é assim de simples. Portanto, não precisamos nos entristecer pelo que deixamos para trás nas nossas escolhas passadas, nem nos lamuriar pelo que não temos.

O paradoxo da “vida perfeita”.
O paradoxo da “vida perfeita” é que ela só gera frustração e tristeza. Assim, o antídoto contra ela, se existe um, é reconhecer que inevitavelmente teremos momentos em que a tristeza será nossa companheira de viagem.

O grande problema é confundir essa “vida perfeita” em termos de desejos, sentimentos, ações e resultados, com felicidade. São coisas totalmente diferentes. Compreender e aceitar que os desejos são naturais e fazem parte da ordem psicológica é o primeiro passo para se libertar da frustração que possa derivar deles.

O erro fundamental, neste ponto, é achar que é satisfazendo desejos que nos tornaremos felizes. Para nos sentir felizes, o que acontece por momentos sem nenhum plano específico, não precisamos resolver questões práticas.

Às vezes nos percebemos realizados e plenos, apesar de ter que lidar com a mesma quantidade de pressões ou deveres. Talvez essa seja a demonstração de que a felicidade é natural para o ser humano. A felicidade não nos custa.

Felicidade é natural.
Ninguém se cansa de ser feliz. A tradição do Yoga ensina que felicidade é a natureza humana. As limitações do corpomente são restritas ao corpomente e pertencem unicamente a ele. Não são nossas, no sentido de que o Ser não tem posses de nenhum tipo. O Ser apenas é.

Fisicamente, em termos de força, resistência ou longevidade, somos limitados. Intelectualmente, temos igualmente capacidades limitadas, como memória, agilidade ou concentração.

Não obstante, o Ser que somos transcende todas as limitações físicas ou intelectuais que possam se erroneamente atribuídas a ele. O fato de não sabermos falar grego ou não compreender os pormenores da relatividade são limitações inerentes ao intelecto, não ao Ser.

Isso não nos torna limitados. O Ser que você é está além dessas limitações. Quem é este Ser? Aquele que pode ser apreciado, não com os olhos do rosto, não com a mente, mas pelo Si Mesmo.

Você já é o que busca.
A síntese do grande ensinamento do Yoga são as palavras tat tvam’asi: “você é Aquilo”. Esta frase aponta para o fato de que o indivíduo é idêntico ao Ser ilimitado. Ela deve ser perfeitamente compreendida se quisermos uma vida tranquila e plena, apesar dos desafios e das dificuldades inerentes a qualquer existência.

Essa visão nos mostra que o Ser é ilimitado e, portanto, não está restrito às questões do corpomente que listamos acima. Ao mesmo tempo em que é ilimitado, está presente em todas as manifestações da natureza, e consequentemente em todas as emoções e todos os pensamentos.

Nesse sentido, ensina um texto antigo chamado Kaṭha Upaniṣad: “Aqueles que percebem a si próprios, não como corpo ou mente, mas como o Ser ilimitado, o divino princípio da existência, encontram a fonte de toda felicidade e residem nela”.

O Yoga propõe então uma mudança de visão que, esperamos, possa inspirar o amigo leitor a viver uma vida mais plena, feliz e realizada, apesar dos desafios. Boas práticas. Boa vida! Namastê!"

11 de junho de 2016

Bokuju - Conto Zen


"Um monge zen costumava gritar alto todas as manhãs: 

"Bokuju, onde você está?"

(Bokuju era o seu próprio nome.)

E ele mesmo respondia: 

"Estou aqui."

E continuava: 

"Bokuju, lembre-se, um outro dia lhe é dado...
fique consciente, alerta 
e não seja tolo!"

E ele mesmo respondia: 

"Sim, senhor, tentarei dar o melhor de mim."

Porém, não havia mais ninguém ali!

Ele perguntava, ele respondia...

Seus discípulos começaram a pensar que ele tinha enlouquecido, 
mas ele estava somente representando 
um mono-drama.

E essa é a situação interior.

Você é o que fala e o que escuta,
é o que comanda e o comandado."

Osho - Nem água nem Lua

4 de junho de 2016

Nenhum esforço é necessário - Gangaji


"Pergunta: "Gangaji, eu entendo que posso suspender minha conversa exterior, posso fazê-lo agora mesmo, mas como posso parar a conversação interior?"
Gangaji: "Da mesma maneira. É o mesmo, interno e externo...é somente encenação, você pode compreender o que lhe digo, a maneira como fragmentamos nossa vida, e a maior delas é esta de 'exterior e interior'. É uma falsa distinção, pois o que é interno é externo, e o que é externo é interno! Sendo assim, quando uma conversação tem início em sua mente, você já interrompe...e quando a mente disser 'Eu não posso parar..!', veja como se alguém viesse até você, dizendo: 'Precisamos conversar, tem que ser agora!', mas você não quer, e se afasta, dizendo 'Namastê'! Você entende? Com firmeza, certo?"

Pergunta: "Parece funcionar com você, mas comigo!

Gangaji: "Não sou diferente de você nesse sentido. 

A minha mente pode ser exatamente como a dos demais! Jamais sonhei que havia uma possibilidade de 'parar', até que meu Instrutor me assegurou que podia. Costumava pensar que tinha que haver 'algo' que descesse em mim, ou tinha que haver um certo nível de purificação, ou até mesmo um alinhamento planetário de modo especial, ou ainda algo a acontecer em uma existência futura. 
Porém, ele me afirmou: 'Esqueça tudo isso, é parte da conversação (da mente)! 
Apenas 'pare', agora mesmo e fique em silencio...sem qualquer esforço!"

Gangaji em Satsang

28 de maio de 2016

O novo homem - Osho


"O novo homem incorpora uma imagem mutante mais viável de homem, uma nova forma de estar no cosmos, uma forma qualitativamente diferente de perceber e experienciar a realidade.

Por isso, por favor, não chorem a morte do velho homem. Regozijemo-nos pelo fato do velho estar morrendo, da noite estar morrendo e do amanhecer surgir no horizonte.

Estou satisfeito, totalmente satisfeito, que o homem tradicional esteja desaparecendo – que as velhas igrejas estejam se tornando ruínas, que os velhos templos estão desertos. Estou imensamente satisfeito por a velha moralidade estar em queda livre direto ao chão.

Esta é uma grande crise. Se aceitarmos o desafio, esta é uma oportunidade para criar o novo. Nunca estivemos tão maduros no passado. Vivemos numa das mais belas épocas – porque o velho está desaparecendo, ou já desapareceu, e um caos criou-se. E só do caos aparecem as grandes estrelas.

Temos a oportunidade de criarmos um cosmos novamente. Esta é uma oportunidade que raramente surge – muito rara. Somos uns felizardos por estarmos vivos nesta altura crítica. Usemos a oportunidade para criar o novo homem. E para criar o novo homem, tens de começar por ti.

O novo homem será um místico, um poeta, um cientista, tudo junto. Ele não olhará para a vida através de divisões podres. Ele será um místico, porque ele sentirá a Presença de Deus. Ele será um poeta, porque ele celebrará a Presença de Deus. Ele será um cientista, porque ele pesquisará a Presença de Deus, cientificamente.

Quando o homem for estas três vertentes juntas, o homem será total.
Este é o meu conceito de homem sagrado.

O velho homem era reprimido, agressivo.
O velho homem era obrigado a ser agressivo porque a repressão sempre trás agressão.

O novo homem será espontâneo, criativo.

O velho homem viveu através de ideologias.
O novo homem não viverá através de ideologias, nem através de moralidades, mas através da consciência."

Osho em Eu sou a porta

21 de maio de 2016

Amor - o campo aberto - Jeff Foster


Nós não temos um futuro juntos,
Só temos este aqui e este agora.

Para o ego, isso é incrivelmente deprimente.
Mas conhecer a absoluta beleza deste momento,
me liberta da necessidade de possuir-te ou 
controlar-te.

Esta atemporalidade é onde
realmente nos encontramos  
em comunhão.

O amor é o desaparecimento do tempo,
o desaparecimento da história de uma
'relação';
O amor é o campo aberto,
onde a verdadeira relação
se faz possível.

-Jeff Foster

14 de maio de 2016

Sobre Àsanas e Doshas - Pedro Kupfer


Pergunta: Ásana, quanto tempo devemos permanecer?

Prof. Pedro Kupfer: Esta questão é muito importante para praticar de maneira segura. Pode acontecer que um praticante pense que irá multiplicar os efeitos dos asanas aumentando os tempos de permanência, mas essa “regra" nem sempre funciona: o fato de três chapatis serem bons no almoço não significa que 30 sejam melhor.

Moderação e bom-senso nunca mataram ninguém, e deveriam ser as regras de ouro pelas quais nos orientamos, uma vez que nos permitem construir uma relação de longo prazo com as práticas do Yoga.

Posturas com maior estabilidade, como as sentadas ou deitadas, permitem uma permanência maior. Posturas de equilíbrio num pé só, ou sobre as mãos e outras de estabilização ou força pedem uma permanência mais breve. Uma permanência razoável num asana de força, por exemplo, é um minuto.

Uma permanência boa numa postura de alongamento não deve passar disso, nem deve ser inferior a 30 segundos. Posturas de alongamento passivo, desde que as articulações estejam firmes e bem protegidas, podem ser feitas por mais tempo. Posturas de equilíbrio um só pé ou sobre as mãos pedem menos tempo.

É necessário ter bastante cuidado em relação às posições de inversão: um tempo bem legal é algo entre três e cinco minutos, lembrando sempre de que não pode haver compressão cervical, em nenhum caso, nessas posturas.

E, naturalmente, devemos sempre adaptar, individualizar e personalizar a permanência em casa asana, de acordo com as características e necessidades de cada corpo. 

O Ayurveda, ciência irmã do Yoga que lida com a saúde e propõe um sistema de cura sutil, ensina que pessoas do dosa (biotipo) vatta, no qual predominam os elementos ar e espaço, devem fazer asanas com permanências maiores em posturas de mais estabilidade, e movimentos vagarosos e controlados.

Pessoas do dosa kapha, onde predominam os elementos terra e água, podem praticar com maior fluidez, fazer movimentos mais rápidos e intensos, e escolher asanas mais fortes e desafiantes. 

Pessoas do biotipo pitta, onde prevalecem os elementos fogo e água, devem se afastar dos extremos e praticar sempre com moderação, evitando a comparação e a competição com os demais ou consigo mesmos e cultivando contentamento e equanimidade."

Prof. Pedro Kupfer. 
Leia mais sobre Yoga aqui  Descubra seu Dosha aqui

7 de maio de 2016

Uma nova inteligência que brota da observação - Sambodh Naseeb


"No caminho, é muito comum algumas pessoas dizerem: "Eu tenho que me livrar do ego". Mas como você pode se livrar do ego se tudo que você é ou pensa que é faz parte disso que você chama de ego? 

Quem quer se livrar do ego? 

Note que é o ego que tenta se livrar do ego. É uma parte da mente que tenta se livrar da outra parte da mente. Como se a mente pudesse ser dividida, e a parte má é julgada pela parte boa. 

Se tudo que existe como pessoa é o ego, como o ego poderia terminar com o ego? Não há duas coisas. Apenas o ego. Este é o jogo dele. 
Quando o ego convence uma pessoa de que ele pode ser destruído, a única coisa que acontece é uma luta interna, e o reforço do mesmo ego, porque o alimento para ele está ali: a luta, a não aceitação, o não relaxamento em relação ao que está acontecendo, a fuga, o evitar da verdade. 

Então, é bom perceber que tudo que pode ser entendido é este mecanismo do ego, suas trapaças, seu jogo, sua resistência, suas evitações, projeções, crenças, julgamentos. 

Meditação é quando nasce a Testemunha - a observação pura que pode testemunhar o ego sem intervir, sem condenar, sem julgar de qualquer modo. 

Uma aguda observação. Como o ego reage, como ele reluta sentir, como ele evita a verdade e transita sempre pelo caminho de "o outro está errado, eu estou certo, então posso julgá-lo". 

Meditação, como a vejo, não pode ser feita pela mente, pelo controlador, pelo julgador. Ela é um momento em que você pára por algum tempo para notar o que é que está acontecendo aqui e agora, até que isso se torne natural no seu dia a dia. Não há nenhum desejo em tornar este momento melhor. Não há nenhuma manipulação, nenhuma necessidade de melhoramento, nenhuma busca de algo melhor. 

O melhor já está acontecendo: o momento presente. Este pode ser olhado com lucidez e abertura. Parar e olhar para si, notando que a mente julga, a mente pensa, a mente evita, a mente imagina, fantasia, distorce, etc, isso tudo é meditação. 

Na meditação você nada precisa fazer a não ser a disposição de aceitar o momento como ele é. Este é o processo em que você, ao não fazer nada, convida uma nova inteligência a operar. 

Esta nova inteligência brota pela observação do ego, pela observação da mente. Não é projeto de manipulação humana. 

Mas uma mutação natural gerada pelo não envolvimento e uma profunda entrega à verdade."
Sambodh Naseeb

4 de maio de 2016

Vá além do social, torne-se Universal - Osho


"Três palavras têm de ser compreendidas: o coletivo, o individual e o universal. O indivíduo está no meio, o coletivo está abaixo do indivíduo, e o universal está acima do indivíduo. Se o indivíduo se torna parte da coletividade, ele perde algo, ele não mais está consciente como estava antes, ele não mais está alerta. Eis por que numa multidão você não é mais tão responsável quanto você era quando estava sozinho. 

Uma multidão pode cometer grandes pecados. Numa multidão, você não sente responsabilidade. O coletivo é mais baixo do que o indivíduo – todos os grande pecados da história podem ser atribuídos ao coletivo. O indivíduo é muito melhor do que o coletivo.(...)

Em uma multidão você se torna mais baixo do que comumente você é. Em uma multidão, você se torna mais servil, você se torna mais baixo: você fica mais animal do que humano. 

O coletivo é animal, o indivíduo é humano e o universal é divino. Quando uma pessoa entra na meditação, ela não se torna parte do coletivo, ela se torna dissolvida no universal que é um ponto mais alto do que o próprio indivíduo.

Mas os políticos sempre falam do coletivo. Eles estão sempre interessados em mudar a sociedade – porque, ao mudar a sociedade, ao fazer esforços para mudar a sociedade e a estrutura da sociedade e mais isso e mais aquilo, eles se tornam poderosos. A sociedade nunca foi mudada. Ela permanece a mesma – a mesma coisa corrompida. E ela permanecerá o mesmo, a menos que seja compreendido que toda consciência acontece no indivíduo. E, quando acontece, o indivíduo torna-se universal. Se acontecer a muitos indivíduos, então, a sociedade muda – mas não como uma coisa social, não coletivamente.

Deixe-me explicar isso. Há quinhentas pessoas aqui. Vocês não podem ser transformados como uma unidade coletiva, não há meios. Vocês não podem se tornar divinos como uma unidade coletiva, não há meio. Suas almas são individuais, suas consciências são individuais.

Mas, se dessas quinhentas pessoas, trezentas forem transformadas, então, toda a coletividade terá uma nova qualidade. Mas essas trezentas pessoas passarão por mudanças individuais, por mutações individuais. Então, o coletivo terá uma consciência mais alta, porque essas trezentas pessoas estão jorrando suas consciências no coletivo, elas estão presentes. 

Quando um homem se torna um buda, toda a existência torna-se um pouco mais acordada – apenas por sua presença. Mesmo que ele seja uma gota no oceano, então também, o oceano, pelo menos no que tange a uma gota, está mais alerta, mais consciente. 

Quando essa gota desaparece no oceano, ela eleva a qualidade do oceano. Cada indivíduo ao ser transformado muda a sociedade. 

Quando muitos, muitos indivíduos são transformados, a sociedade muda. Esse é único meio de mudá-la, não o contrário. Você não pode mudar a sociedade. Se você quiser mudar a sociedade diretamente, seu esforço é político.

Quando você começa a ficar religiosamente poderoso, quando você começa a conduzir muitas pessoas, quando você se torna um líder, então, grandes idéias começam a acontecer na mente. 

Então, a mente diz que “agora, toda a humanidade pode ser mudada”, “agora podemos planejar uma grande mudança de toda a humanidade”. Então, a avareza cresce, a ambição cresce, o ego espera. Isso tem acontecido sempre e isso acontecerá sempre. Cuidado com isso.

Nunca se torne uma vítima da ideia do coletivo; o coletivo é mais baixo do que você. Você tem de se tornar universal. 


O universal não é social, o universal é existencial. Você tem de se sintonizar com o todo da existência, tem de se deixar ligar à dança do universo – não ao social, não a pequenas comunidades ou seitas, não a cristãos e hindus e muçulmanos, não à terra, ao Oriente, não ao Ocidente, não a este século. 
Você tem se ligar ao Todo, a toda a Existência."

Osho em Zen: O Caminho do Paradoxo

30 de abril de 2016

Livre-se do apego - Osho


"Todas as nossas misérias e sofrimentos não são nada mais do que apego.


Toda a nossa ignorância e escuridão é uma estranha combinação 
de mil e um apegos.

Nós estamos apegados a coisas que serão levadas no momento da morte, 
ou mesmo, talvez, antes.

Você pode estar muito apegado a dinheiro, 
mas você pode ir à bancarrota amanhã.

Você pode estar muito apegado a seu poder e posição, 
mas eles são como bolhas de sabão.

Hoje eles estão aqui; amanhã eles não deixarão nem um traço.(...)



Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, nosso dinheiro, nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão.
Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, você estará em contínua miséria e agonia.(...)


Compreender que a vida é feita da mesma matéria que os sonhos é a essência do caminho.
Desapegue-se: viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de você. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo.


Não se agarre a nada. 

Agarrar-se é a causa de sermos inconscientes.
Se você começar a se desprender, uma tremenda liberação de energia acontecerá dentro de você.

A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar - nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia.

Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, você se encontra sereno, calmo e tranqüilo, numa alegria sutil. Haverá um riso no seu ser.

Se você se tornar desapegado, você será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso.
E você rirá de si mesmo, porque você também estava no mesmo barco antes. 

O desapego é certamente a essência do caminho".
Osho em O Livro dos Segredos
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