23 de abril de 2015

Consciência e felicidade - Osho


"O que você realmente sempre quis fazer foi deixado de lado. E como você pode ser feliz?
"'Meu médico insistiu para que eu viesse vê-lo', disse o paciente ao psiquiatra. 'Não sei o porquê - pois eu sou feliz no casamento, tenho segurança no meu trabalho, muitos amigos, nenhum problema... ' 'Hmmmm,' disse o psiquiatra,
procurando por seu caderno de anotações, 'e há quanto tempo você vem se sentindo assim?'
"

"Felicidade não é algo fácil de se acreditar. Parece que o homem não pode ser
feliz. Se você falar sobre sua triste depressão e miséria, todo mundo irá
acreditar. Isso parece ser natural. Mas se você falar sobre a sua felicidade, ninguém acreditará em você - isso parece ser não natural.
Sigmund Freud, depois de quarenta anos de pesquisas a respeito da mente humana, trabalhando com milhares de pessoas, observando milhares de distúrbios mentais, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção: o homem não pode ser feliz. No máximo, nós podemos fazer coisas um pouco
mais confortáveis, e isso é tudo. No máximo, nós podemos tornar a infelicidade
um pouco menor, e isso é tudo. Mas, feliz, o homem não pode ser.

Isso parece ser muito pessimista, mas se olharmos para o homem moderno, veremos que é exatamente assim; parece que isso é um fato.

Buda diz que o homem pode ser feliz, tremendamente feliz. Krishna canta canções sobre a felicidade suprema - satchitanand. Jesus fala a respeito do Reino de Deus.

Mas como você pode acreditar em tão poucas pessoas, as quais podemos contar nos dedos, contra toda a massa, milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos, que permanecem infelizes, caminhando mais e mais em direção à infelicidade. Toda a vida dessas pessoas é uma história de miséria e nada mais. E depois vem a morte! Como acreditar naquelas poucas pessoas?
Ou elas estão mentindo, ou elas estão enganadas. Ou elas estão mentindo por algum motivo, ou elas são meio malucas, enganadas pelas próprias ilusões. Elas devem estar vivendo para satisfazer um desejo. Elas queriam ser felizes e começaram a acreditar que elas eram felizes. Mais do que um fato, isso parece uma crença, uma crença desesperada. Mas como aconteceu dessas poucas pessoas se tornarem felizes?
Se você deixar o homem de lado, se você não prestar muita atenção ao homem, então Buda, Krishna, Cristo irão parecer que são mais verdadeiros. Se você olhar para as árvores, se você olhar para os pássaros, se você olhar para as estrelas, então verá que tudo está vibrando em tremenda felicidade. Parece que a felicidade é a matéria-prima com a qual a existência é feita. E somente o homem é infeliz.


No fundo, alguma coisa está errada.
Buda não está enganado, nem está mentindo. E eu digo isso a você, não com base na autoridade da tradição; eu digo isso a você com base na minha própria autoridade. O homem pode ser feliz, mais feliz que os pássaros, mais feliz que as árvores, mais feliz que as estrelas, porque o homem tem algo que nenhuma árvore, nenhum pássaro, nenhuma estrela tem. O homem tem consciência.

Mas quando você tem consciência, então duas alternativas são possíveis: ou você pode tornar-se infeliz, ou você pode tornar-se feliz. A escolha é sua. As
árvores simplesmente estão felizes porque elas não podem ser infelizes. A felicidade delas não é liberdade; elas têm que ser felizes. Elas não sabem como ser infelizes, não existe outra alternativa. Esses pássaros gorjeando nas árvores, eles são felizes. Não porque eles tenham escolhido ser felizes; eles simplesmente são felizes porque eles não conhecem outra maneira de ser. A felicidade deles é inconsciente. Ela é simplesmente natural.

O homem pode ser tremendamente feliz, e tremendamente infeliz. Ele é livre para escolher. Essa liberdade é um risco. Essa liberdade é muito perigosa, porque você se torna responsável. E algo aconteceu com essa liberdade. Alguma coisa está errada.
O homem está, de uma certa maneira, de cabeça para baixo.

Você veio até a mim, procurando por meditação. A meditação é necessária
somente porque você não escolheu ser feliz. Se você tivesse escolhido ser
feliz, não haveria nenhuma necessidade de meditação. A meditação é medicinal: se você está doente, então o medicamento é necessário. Os Budas não precisam de meditação. Uma vez que você começou a escolher a felicidade, uma vez que você decidiu que você tem que ser feliz, então nenhuma meditação é necessária. A meditação começará a acontecer naturalmente, por ela mesma.

A meditação é uma função do estar feliz. A meditação segue o homem feliz como uma sombra: em qualquer lugar que ele for, qualquer coisa que ele estiver fazendo, ele estará meditativo. Ele estará intensamente centrado.

A palavra 'meditação' e a palavra 'medicação' têm a mesma raiz; e isso é
muito significativo. A meditação também é medicinal. Você não carrega vidros de remédios nem receitas médicas se você estiver com saúde. Naturalmente, quando você não está com saúde, você tem que ir ao médico. Ir ao médico não é uma grande coisa para ficar fazendo alarde. A pessoa deve se sentir feliz se o médico não for necessário.

Existem muitas religiões, porque existem muitas pessoas infelizes. Uma pessoa feliz não precisa de religião. Uma pessoa feliz não precisa de templo, nem de igreja, porque para uma pessoa feliz, todo o universo é um templo, toda a existência é uma igreja. Uma pessoa feliz não tem nada parecido com uma atividade religiosa, porque toda a sua vida já é religiosa.
Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se
tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça. Não que você repita constantemente o nome de Deus - somente as pessoas tolas fazem isso - porque Deus não tem nome algum, e por repetir algum suposto nome você simplesmente tornará estúpida a sua mente.
Por repetir o Seu nome você não irá a lugar algum. Um homem feliz simplesmente vê Deus em todo lugar. E você precisa de olhos felizes para ver Deus.

Se você quer ser feliz, então comece a fazer escolhas naturais. Há muitas
ocasiões em que você terá que ser desobediente - seja! Haverá muitas
ocasiões em que você terá que ser rebelde - seja! Não há nenhum desrespeito
implícito nisso. Seja respeitoso com seus pais. Mas lembre-se de que a sua mais
profunda responsabilidade é com o seu próprio ser.
Todo mundo está sendo empurrado e manipulado. Ninguém sabe qual é o seu
destino. O que você realmente sempre quis fazer foi deixado de lado. E como você pode ser feliz? Alguém que poderia ter sido um poeta tornou-se simplesmente um emprestador de dinheiro. Alguém que poderia ter sido um pintor tornou-se um médico. Alguém que poderia ter sido um médico, um belo médico, é agora um homem de negócios. Todo mundo está fora do ugar. Todo mundo está fazendo alguma coisa que nunca quis fazer; daí a infelicidade.

A felicidade acontece quando a sua vida se encaixa com o que você é, quando se encaixa tão harmoniosamente que qualquer coisa que você fizer será pura alegria. Então, de repente, você descobrirá que a meditação segue você. Se você ama o trabalho que está fazendo, se você ama a maneira como está vivendo, então você está meditativo. Então nada irá desviar você.
Quando você se desvia de certas coisas, isso simplesmente demonstra que você não está realmente interessado naquelas coisas.

Nós temos nos desviado por motivos não naturais: dinheiro, prestígio, poder.
Ouvir o pássaro cantar não vai lhe dar dinheiro. Ouvir o pássaro cantar não vai
lhe dar poder e prestígio. Observar uma borboleta não irá ajudá-lo economicamente, politicamente, socialmente. Essas coisas não lhe trarão remuneração, mas essas coisas irão fazê-lo feliz.
Uma pessoa verdadeira tem coragem de se voltar para as coisas que a fazem feliz. Se com isso ela permanecer pobre, ela permanecerá pobre; ela não reclamará disso, ela não guardará nenhum rancor. Ela dirá: 'Eu escolhi o meu caminho, eu escolhi o cantar dos pássaros e as borboletas e as flores. Eu posso não ser rico, tudo bem, mas eu sou rico porque eu sou feliz'.

Esse tipo de homem não necessita de qualquer método para se centrar, por que
não é preciso, ele está centrado. Seu centramento está por toda a sua vida.
Vinte e quatro horas por dia ele está centrado.
Em qualquer lugar que você vê dinheiro, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê poder e prestígio, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê respeitabilidade, você já não é mais você mesmo. Imediatamente você esquece tudo - você esquece os valores intrínsecos de sua vida, a sua felicidade, a sua alegria, o seu deleite.

Você sempre escolhe algo do lado de fora, e você barganha com algo do lado de
dentro. Você perde o interior e ganha o lado de fora. Mas o que você vai fazer com isso? Mesmo se você tiver todo o mundo aos seus pés, mas se você tiver perdido a si mesmo; mesmo se você tiver conquistado todas as riquezas do mundo, mas se você tiver perdido seu próprio tesouro interior, o que você fará com tudo aquilo?
Essa é a miséria.

Se você puder aprender uma coisa comigo, então que essa coisa seja: esteja alerta, consciente a respeito de seus próprios motivos mais internos, a respeito de seu próprio destino mais interno. Nunca perca você mesmo de vista, de outra maneira você será infeliz. E quando você estiver infeliz, as pessoas irão dizer: 'medite e você se tornará feliz!' Elas dirão: 'Esteja centrado e você se tornará feliz; ore e você se tornará feliz; vá ao templo, seja religioso, seja um cristão ou um hindu, e você será feliz'. Tudo isso é tolice.

Seja feliz! e a meditação virá em seguida.
Seja feliz, e a religião virá em seguida.
Felicidade é a condição básica. As pessoas se tornam religiosas somente quando elas estão infelizes; então a religião delas é falsa. Tente entender porque você está infeliz.
Muitas pessoas vêm a mim e dizem que elas são infelizes, e elas querem que eu lhes dê alguma meditação. Eu digo: primeiro, a coisa básica é compreender porque vocês estão infelizes. E se vocês não removerem todas as causas básicas de sua infelicidade, eu posso lhes dar uma meditação, mas isso não vai ser de grande ajuda, porque as causas básicas permanecem aí.

Um certo homem poderia ter sido um grande e belo dançarino, mas ele está sentado num escritório arquivando fichas. Sem qualquer possibilidade para a dança. O homem poderia ter curtido dançar sob as estrelas, mas ele segue simplesmente acumulando contas bancárias. E ele diz que está infeliz: 'me dê alguma meditação'. Eu posso dar a ele, mas o que essa meditação irá fazer? O que se espera que ela possa fazer? Ele vai permanecer o mesmo homem: acumulando dinheiro e sendo competitivo no mercado. A meditação poderá ajudar da seguinte maneira: poderá fazer com que ele fique um pouco mais relaxado para seguir fazendo essas tolices, e de uma maneira ainda melhor.

Então, o meu chamado é somente para aqueles que são realmente ousados, aqueles que desafiam o demônio, aqueles que estão prontos para mudar os seus próprios padrões de vida, aqueles que estão prontos para apostar tudo - porque na verdade você nada tem para apostar: somente a sua infelicidade, a sua miséria. Mas as pessoas se agarram até mesmo a isso.

O que mais você tem para apostar? Só a miséria. E o único prazer que você tem é falar a respeito dela. Observe as pessoas falando a respeito de suas misérias: quão felizes elas se tornam! Elas pagam por isso: elas vão aos psicanalistas para falar a respeito de suas misérias - e elas pagam por isso! Alguém as escuta atentamente, e elas se sentem felizes.
As pessoas seguem falando a respeito de suas misérias, repetidamente. Elas até mesmo exageram, elas enfeitam, elas fazem com que as suas misérias pareçam ainda maiores. Elas fazem com que elas pareçam maiores do que a duração de suas vidas.
Por quê? Você nada tem para apostar. Mas as pessoas se apegam ao conhecido, ao que é familiar. A miséria é tudo o que elas têm conhecido; isso tem sido a vida delas.
Nada têm a perder, mas com tanto medo de perder...

Comigo, a felicidade vem primeiro, a alegria vem primeiro. A atitude celebrativa vem primeiro. Uma filosofia afirmativa de vida vem primeiro. Curta! E se você não puder curtir o seu trabalho, mude. Não espere! Porque todo o tempo que
você está esperando, você está esperando por Godot. E Godot nunca vem. A pessoa simplesmente espera, e desperdiça sua própria vida. Por quem e por que você está esperando?

Se você puder ver o ponto, que você está miserável dentro de um certo padrão de vida, e que todas as velhas tradições dizem: Você está errado. Eu gostaria de dizer que o padrão é que está errado.
Tente entender a diferença na ênfase: Você não está errado! É só o seu padrão, a maneira de viver que você aprendeu é que está errado. As motivações que você aprendeu e aceitou como suas, não são suas. Elas não irão realizar o seu
destino. Elas vão contra a sua essência, elas vão contra o que lhe é elementar.

Lembre-se disso: ninguém mais pode decidir por você. Todos os mandamentos deles, todas as ordens deles, todas as moralidades deles, são simplesmente para matar você. Você tem que decidir ser você mesmo. Você tem que tomar sua vida em suas próprias mãos. De outra maneira a vida vai seguir batendo em sua porta e você nunca estará lá; você estará sempre em algum outro lugar.

Se você tinha que ser um dançarino, a vida virá por aquela porta, porque ela pensa que você é um dançarino. Ela bate na porta, mas você não está lá; você é um bancário. E como a vida vai saber que você se tornou um bancário? Deus vem a você da maneira que ele quer você seja; ele conhece apenas aquele endereço. Mas você nunca é encontrado lá, você está sempre em algum outro lugar, escondendo-se atrás da máscara de alguém que não é você, com os trajes de alguém que não é você e usando o nome de alguém que não é você.

Como você espera que Deus possa encontrá-lo? Ele segue procurando por você. Ele sabe o seu nome, mas você abandonou aquele nome. Ele conhece o seu endereço, mas você nunca morou lá. Você permitiu que o mundo desviasse você.

Por que na cabeça de todo mundo surge essa ideia de que a meditação traz felicidade?
De fato, sempre que eles encontram uma pessoa feliz, eles encontram uma mente meditativa, essas duas coisas estão associadas. Sempre que eles encontram uma bela atmosfera meditativa circundando um homem, eles sempre descobrem que ele estava tremendamente feliz; vibrante com a alegria, radiante. Essas coisas se tornaram associadas. E eles pensam que a felicidade vem quando você está meditativo. E é exatamente o oposto: a meditação é que vem quando você está feliz.

Mas ser feliz é difícil e aprender a meditar é fácil. Ser feliz significa uma drástica mudança em sua maneira de viver, uma mudança abrupta, porque não há nenhum tempo a perder. Uma mudança súbita, um repentino estrondo de trovão (a sudden clash of thunder), uma descontinuidade.
Isso é o que eu entendo por sânias: uma descontinuidade com o passado. Um repentino estrondo de trovão, e você morre para o velho e então, revigorado, você recomeça do bê-a-bá. Você nasce de novo. Você começa de novo a sua vida, como você começaria se os padrões não tivessem sido impostos a você pelos seus pais, pela sociedade, pelo Estado; como se ninguém tivesse desviado você. Mas você foi desviado.
Você tem que deixar de lado todos os padrões que foram impostos a você, e você tem que encontrar a sua própria chama interior.
Não se preocupe muito com o dinheiro, porque ele é o maior desvio da felicidade.
E a ironia das ironias é que as pessoas pensam que elas serão felizes quando elas tiverem dinheiro. Dinheiro nada tem a ver com felicidade. Se você é feliz e você tem dinheiro, você pode usá-lo para a felicidade. Se você é infeliz e tem dinheiro, você usará aquele dinheiro para mais infelicidades. Porque o dinheiro é
simplesmente uma força neutra.

Eu não sou contra o dinheiro, lembre-se. Não me interprete mal. Eu não sou contra o dinheiro, eu não sou contra nada. Dinheiro é um meio. Se você for feliz e você tiver dinheiro, você se tornará mais feliz. Se você for infeliz e tiver dinheiro, você se tornará mais infeliz, por que o que você fará com o seu dinheiro? O dinheiro vai realçar o seu padrão, seja qual ele for.
Se você for miserável e tiver poder, o que você fará com o seu poder? Você irá envenenar a si próprio ainda mais com o seu poder, você se tornará mais miserável.
Mas as pessoas seguem atrás do dinheiro como se o dinheiro fosse trazer
felicidade. As pessoas seguem procurando por respeitabilidade como se
respeitabilidade fosse lhe dar felicidade.
As pessoas estão prontas a qualquer momento, para mudar os seus padrões, para mudar os seus caminhos, desde que haja mais dinheiro disponível em algum outro lugar.
Uma vez que o dinheiro esteja ali, então de repente você não é mais você mesmo, você está pronto para mudar.

Esse é o caminho do homem mundano. Eu não digo que pessoas mundanas são aquelas que têm dinheiro. Eu chamo de pessoas mundanas aquelas que mudam os seus motivos por causa do dinheiro. Eu não digo que as pessoas que não tem dinheiro não sejam mundanas. Elas podem ser simplesmente pobres. Eu digo que as pessoas não são mundanas quando elas não mudam seus motivos por causa de dinheiro. Só por ser pobre não equivale a ser espiritual. E só por ser rico não é equivalente a ser um materialista. O padrão materialista de vida é aquele em que o dinheiro predomina acima de tudo. A vida não materialista é aquela em que o dinheiro é simplesmente um meio; a felicidade predomina, a alegria predomina, a sua própria individualidade predomina. Você sabe quem você é, e para onde está indo, e você não está se desviando. Então, de repente, você vê que a sua vida adquiriu uma qualidade meditativa.

Mas em algum ponto do caminho, todo mundo se perdeu. Você foi educado por pessoas que não se realizaram. Você foi educado por pessoas que não tinham saúde. Você pode sentir pena delas. Eu não estou lhe dizendo para ser contra elas. Eu não as estou condenando, lembre-se. Simplesmente sinta compaixão por elas. Os pais, os professores do colégio e da universidade, os chamados líderes da sociedade, eles foram pessoas infelizes. Eles criaram um padrão infeliz em você.
E você ainda não assumiu a sua própria vida. Eles viveram segundo uma
interpretação errada, e essa foi a miséria deles. E você também está vivendo segundo uma interpretação errada.
A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa feliz. A meditação ocorre
naturalmente a uma pessoa alegre. A meditação é muito simples para uma pessoa que pode celebrar, que pode curtir a vida.
Mas você tem tentado isso de uma outra maneira, e assim não é possível."

Osho em Comme and follow me

21 de abril de 2015

Você não é seus sentimentos - Eckhart Tolle


Estou triste. Quem percebe isso? 
Estou com medo. Quem percebe isso? 
Você é a pessoa que percebe isso. Você não é os seus sentimentos”.

No estado de calma e consciência, se você precisar da mente para um fim prático, ela estará presente. Na verdade a mente funciona muito bem quando a inteligência maior e real que é você se expressa através dela, como uma ferramenta.

Aprenda a sentir-se à vontade dentro do não-saber. A mente teme o não-saber, mas um conhecimento mais profundo que não é baseado em qualquer conceito vai emergir desse estado.

A mente está sempre querendo alimentar-se para continuar pensando. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e recria continuamente.

Você se dá conta de que esse ego é fugaz e passageiro? Quem percebe isso? É o Eu Sou. Esse é o seu eu mais profundo, que não tem nada a ver com o passado e o futuro. Quando você se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser você e não pára de falar, percebe que você vem se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, você compreende que não é essa voz, mas a pessoa que a percebe. Ter liberdade é saber que você é a consciência por trás dessa voz.

Ao concentrar toda sua atenção ao momento presente, uma inteligência muito superior à inteligência da mente autocentrada entra no comando da sua vida. Sua ação presente se torna não só muito mais eficaz, como infinitamente mais satisfatória e gratificante.

Ao viver através do ego, você faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Você vive em função do futuro, mas quando atingem seus objetivos eles não te satisfazem. Ou pelo menos não por muito tempo.

Quase todo ego tem o que podemos chamar de “identidade da vítima”. Muitas pessoas se vêem de tal forma como vítimas, que essa imagem se torna o ponto central de seu ego. Mesmo que as mágoas sejam muito “justas”, ao assumir a identidade de vítima, você cria uma prisão cujas grades são feitas de formas obsessivas de pensar.
Veja o que você está fazendo com você mesmo, ou melhor: Veja o que sua mente está fazendo com você. Sinta a ligação emocional que você tem com sua história de vítima e perceba sua compulsão de pensar e falar a respeito dela. Ao perceber isso, a transformação e a liberdade virão.

Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego.
O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra pra si mesmo que “isto sou eu” e “aquilo não sou eu”. É comum que países procurem fortalecer sua sensação de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos.

A inveja é um subproduto do ego que se sente diminuído quando algo de bom
acontece com outra pessoa, ou ela possui mais, sabe mais, ou tem mais poder do que ele. A identidade do ego depende da comparação. Ela se agarra a qualquer coisa buscando o “mais”, e quando nada disso funciona, a mente fortalece seu ego considerando-se “mais” injustamente tratada pela vida, “mais” doente ou “mais” infeliz do que os outros.

O ego precisa estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica
por que, apesar de você querer paz, alegria e amor, não consegue suportá-los por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz.
Essa infelicidade não vem dos fatos da sua vida, mas do condicionamento da sua mente.

A culpa é outra maneira que o ego tem para criar uma identidade, mesmo que essa identidade seja negativa. O que você fez ou deixou de fazer foi uma manifestação da sua inconsciência na época, o que é natural da condição humana. Mas o ego personifica a situação e diz “Eu fiz tal coisa”, e assim cria uma imagem de si mesmo como ruim, falho e insuficiente. As palavras de Cristo: “Perdoai-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem” podem ser
usadas em relação a você.
Eckhat Tolle  em O Poder do Silêncio

19 de abril de 2015

Centramento e Relacionamentos - Osho


"Não vou dizer que a sua vida deveria ser um livro aberto. Alguns capítulos abertos, tudo bem. E alguns capítulos totalmente fechados, um mistério total. Se todo o seu livro estiver aberto, você será unicamente o dia sem noite, verão sem inverno. Onde poderá descansar, concentrar-se e procurar refúgio? Para onde poderá ir quando o mundo se tornar insuportável? Onde ir para orar e meditar? Não, metade de cada é perfeito. 

Deixe uma metade do seu livro aberta — aberta a toda a gente, à disposição de toda a gente — e deixe que a outra metade do seu livro seja tão secreta
que só alguns raros convidados possam ter acesso. 
Só muito raramente será permitido que entrem no seu templo. É assim que
deverá ser. Se houver uma multidão a entrar e a sair, então o templo deixará de ser um templo. Poderá ser uma sala de espera num aeroporto, mas não poderá ser um templo. Só raramente, muito raramente, deixe que alguém entre no seu eu. É isso que é o amor.

Temos sempre vivido com os outros. A partir do momento em que a criança deixa o ventre materno, nunca está sozinha — está com a mãe, com a família, com os amigos, com as pessoas. O círculo dos conhecidos, das amizades, das relações vai-se alargando e à sua volta junta-se uma multidão. É a isso que chamamos vida. E quanto mais pessoas houver na sua vida, mais você julga que tem uma vida cheia.

Quando começa a interiorizar-se, todos esses rostos começam a desvanecer-se, toda essa multidão se dispersa. Terá de dizer adeus a toda a gente: até aos seus amigos mais íntimos, ao seu amante, terá de dizer adeus. Chega um momento em que nem sequer o seu amante poderá estar consigo. Esse é o momento em que você volta a entrar no mesmo espaço, como se estivesse no ventre da sua mãe. 
Mas nessa altura, você não conhecia a multidão e por isso nunca se sentia sozinho. A criança sente-se perfeitamente feliz no ventre da mãe, porque não existe comparação, tudo é alegria. E como não conhece o outro, não pode sentir-se triste ou só — não tem qualquer ideia. Esta é a 
única realidade que a criança conhece.

Mas agora você conhece a multidão, as relações, as alegrias e as misérias das
relações, e ambas estão presentes. Ao interiorizar-se, o mundo começa a
desaparecer, torna-se como um eco, e em breve até o eco desaparece e a pessoa sente-se completamente perdida. Mas isso não passa de uma interpretação. Se conseguir continuar ainda mais um pouco, encontrar-se-á a si próprio de repente — pela primeira vez encontrar-se-á a si próprio. Depois terá uma surpresa: você andava perdido na multidão; agora já não está perdido.
 
Andava perdido na selva das relações e agora voltou para casa. E depois pode novamente regressar ao mundo, mas nunca mais será o mesmo.

Relacionar-se-á, mas ficará independente; amará, mas o seu amor não será uma necessidade; amará, mas não possuirá nem será ciumento. E o amor é divino quando está isento de sentimentos de ciúme e de posse. Você estará com as pessoas. De fato, só então estará com as pessoas pelo que você é; então pode estar com as pessoas. 
Primeiro, não estava, pelo que qualquer ideia de estar com as pessoas era puramente ilusória, uma espécie de sonho. A menos que seja assim, como pode você relacionar-se e estar com o outro? É unicamente uma ficção que nós criamos; é uma ilusão.

A menos que esteja centrado, a menos que saiba quem você é, não pode relacionar-se verdadeiramente. Todo o relacionamento que continua sem o autoconhecimento é apenas uma ilusão. O outro pensa que está a relacionar-se consigo, você pensa que está a relacionar-se com ele; nem você se conhece a si próprio nem o outro se conhece a si próprio. Então que é que se relaciona com quem? Não há ninguém! Apenas duas sombras a brincarem. E ambos são
sombras, pelo que não há substância no relacionamento. É isso que vejo
constantemente: as pessoas relacionam-se, mas não há nada de substancial.
Relacionam-se porque têm medo de, se não se relacionarem, cair na solidão e de se sentirem perdidas, por isso saltam para uma nova relação. Qualquer tipo de relacionamento é melhor do que nenhum relacionamento; é bom, nem que seja uma inimizade; pelo menos a pessoa sente-se ocupada. O seu suposto amor não é mais do que uma espécie de inimizade, uma maneira delicada de lutar, de se debater, de dominar, uma maneira civilizada de se torturar um ao outro, de discutir.
Portanto, você tem de entrar nesse espaço.

Ganhe coragem e entre nele. Mesmo que pareça muito triste e muito solitário, não há nada a temer; temos de pagar esse preço. E uma vez alcançada essa fonte, tudo mudará completamente e sairá de lá como um indivíduo. Essa é a diferença que faço entre um indivíduo e uma pessoa: uma pessoa é um fenômeno falso, um indivíduo é uma realidade. 

As pessoas, as personalidades, são máscaras, são sombras; a individualidade é substância, é realidade. E só os indivíduos se podem relacionar, podem amar — as pessoas podem unicamente brincar.

O amor é um estado de consciência em que você se sente exultante, em que há uma dança em todo o seu ser. Algo começa a vibrar, a irradiar, a partir do seu
centro; algo começa a pulsar à sua volta.
E começa a atingir as pessoas: pode atingir as mulheres, pode atingir os
homens, pode atingir as rochas e as árvores e as estrelas.
Quando me refiro ao amor, refiro-me a esse amor: um amor que não é um relacionamento mas sim um estado do ser. O relacionamento é apenas um aspecto muito menor do amor.
Mas a ideia que você faz do amor é basicamente a do relacionamento, como se
isso fosse tudo.

O relacionamento só é necessário porque você não consegue estar sozinho, porque não é ainda capaz de meditar. Daí que a meditação seja imprescindível antes de poder amar realmente. Uma pessoa deveria ser capaz de estar sozinha, completamente sozinha, e apesar disso ser imensamente afortunada. Então poderá amar. Então o amor deixa de ser uma necessidade e passa
a ser uma partilha. Não se fica dependente daquele que se ama.

Mas o que geralmente acontece no mundo é o seguinte: você não tem amor, a pessoa que você pensa amar também não tem amor no seu ser, e ambos se encontram a pedir amor um ao outro. Dois pedintes a pedirem um ao outro! Daí as guerras, os conflitos, as disputas constantes entre os amantes — sobre coisas banais, irrelevantes, estúpidas! A disputa básica é o marido a pensar que não recebe aquilo a que tem direito e a mulher a pensar que não recebe
aquilo a que tem direito. A mulher a pensar que está a ser enganada e o marido
a pensar que está a ser enganado. Onde está o amor? Ninguém se preocupa em dar, toda a gente quer receber. E quando todos correm atrás do receber, ninguém recebe. E todos se sentem perdidos, vazios, tensos.
O que falta é o alicerce básico, você começou a construir o templo sem os alicerces. E ele vai cair, vai-se desmoronar a qualquer instante. E você bem
sabe quantas vezes o seu amor ruiu e no entanto, continua a fazer as mesmas coisas vezes sem conta. Quanta ignorância... Não vê o que tem andado a fazer à sua vida e à vida dos outros. Continua a repetir o mesmo padrão, como um robô, sabendo perfeitamente que já fez as mesmas coisas antes. E sabe quais foram os resultados, e bem no fundo sabe que tudo acontecerá da mesma maneira — porque não há qualquer diferença. Está a preparar-se para a mesma
conclusão, para o mesmo colapso.

Se tiver de aprender alguma coisa com os fracassos do amor, então que seja como se tornar mais consciente, mais meditativo. E por meditação entendo a capacidade de se sentir felizes sozinhas. Muito poucas pessoas são capazes de se sentir felizes sem qualquer razão especial — simplesmente sentarem-se caladas e felizes! Os outros julgá-las-ão doidas, porque a ideia de felicidade é que ela tem de nos vir a partir de outra pessoa. Você conhece uma mulher bonita e sente-se feliz ou conhece um belo homem e sente-se feliz. Mas ficar silencioso no seu quarto e sentir-se tão feliz? Não deve regular muito bem! As pessoas pensarão que estará drogado, com uma pedrada. Sim, é verdade,
a meditação é um libertar dos seu próprio esplendor prisioneiro. E você fica tão feliz, nasce em si uma tal festa que não precisa de nenhum relacionamento. E contudo pode relacionar-se com as pessoas... e é essa a diferença entre relacionar-se e ter um relacionamento.

O relacionamento é uma coisa: você agarra-se a ele. Relacionar-se é um fluir,
um movimento, um processo. Você conhece uma pessoa, é amável, porque tem muito amor para dar — e quanto mais der, mais tem, Esta é a estranha aritmética do amor: quanto mais se dá, mais se tem. O que vai exatamente contra as leis econômicas que operam no mundo exterior. Se quiser ter
mais amor e mais alegria, dê e compartilhe, depois compartilhe apenas. E ficará agradecido a quem quer que lhe permita compartilhar a sua alegria consigo. Mas não é um relacionamento; é uma corrente como a dum rio.

O rio passa ao lado duma árvore, cumprimentando-a, e alimenta a árvore, dá
de beber à árvore... e continua em frente, continua a dançar. Não se agarra à árvore.
E a árvore não lhe diz: "Onde é que tu vais? Somos casados! E antes de me deixares tens de obter o divórcio, ou pelo menos uma separação! E se tinhas de me deixar, porque é que andaste a dançar tão bem à minha volta? E, principalmente, porque é que me alimentaste?" Não, a árvore deixa cair as suas flores no rio em profunda gratidão e o rio continua em frente. E a árvore dá a sua fragrância ao vento.

Isto é relacionar-se. Se algum dia a humanidade crescer, amadurecer, será esta
a maneira de amar: pessoas que se conhecem, que compartilham, que continuam o seu caminho, uma qualidade não possessiva, uma qualidade não dominadora.
De outro modo, o amor torna-se uma corrida ao poder."
Osho em Intimidade

17 de abril de 2015

Sobre a hipnose da ambição - Jeff Foster


"Dizem, que você nunca pode estar satisfeito com o que você tem; que você deve sempre querer mais e mais. Eles dizem que a sensação de falta é o segredo do sucesso, e que é impossível ser feliz e realizado se você não tem uma meta, um objetivo. Que, se você desistir de buscar, se você permitir que o futuro seja apenas o futuro, você está desistindo da vida. Logo, você deve ter ambição, e tentar. Não há tempo a perder...

Eu discordo.
Apaixone-se por quem você é. Curve-se diante do que você tem. Abandone a expectativa de que a felicidade possa estar no futuro, e que sua alegria depende de "mais". Abandone as metas, saia dessa hipnose de destino, e celebre o presente momento que está aqui, que este seja o seu foco. Vá devagar. Esteja aqui. Respire.

Realmente, você está sempre aqui, mesmo se os pensamentos tentam te levar para "lá". (Mas mesmo se você estiver "lá", você ainda assim estará aqui. O presente momento é sua casa.)

É possível se viver sem essa dissociação. É possível ter grande sucesso no mundo, viver uma vida plena de amor, e honrar seus sonhos sobre o futuro, e ainda assim, permanecer absolutamente presente, centrado, conectado com o presente. Isso é possível, quando se vive a partir de um lugar de calma, saboreando cada momento da vida, provando dos dias são invés de correr através deles.

Viver o momento não significa meios para um fim, mas sim, é ser plenitude em si mesmo, uma experiência completa. Viva o momento. A mente calma "desliga a ambição". Isso se chama sanidade, gratidão, relaxamento; um local a partir do qual - ironicamente- todas as coisas se tornam possíveis."
Jeff Foster

15 de abril de 2015

Osho fala sobre as terapias alternativas - 2/2


[continuação...]

"Pergunta : No seu livro, "Escuta Zé Ninguém", Wilhelm Reich diz que a energia se expande quando nos sentimos bem, e que ela se retrai quando sentimos medo. Reich diz que descobriu a energia vital do homem - que ele nomeou de Orgônio - e também se encontra na atmosfera, à volta do corpo. Ele afirma que podemos vê-la, e que construiu um aparelho que a amplifica. Isso que ele observou é real?

Osho - Wilhelm Reich é uma das inteligências únicas deste século. O que ele descobriu é conhecido no Oriente, sob o nome de aura. Vocês podem ver a aura em torno das estátuas de Buda, de Mahavira, ou de Krishna. A aura ronda o corpo, é uma realidade. Aquilo que disse W.Reich é absolutamente verdadeiro, mas as pessoas que o ouviram não o compreenderam. Eles pensaram que ele estava louco, pois descreveu a vida como uma energia duradoura, uma energia que envolve o corpo. É perfeitamente verdadeiro.

A vida é uma energia que envolve vossos corpos. Não somente seus corpos, mas as flores, as árvores, os animais. Tudo possui uma aura. E esta aura, esta energia que vos envolve, ela se retrai e se expande, segundo a situação. Quando estamos doentes, a energia se retrai. Todas as situações vossa energia está sempre mudando. No amor, vossa energia se expande para o exterior, e você se sente vivo, radiante; quando você sente medo, vossa energia se encolhe, e você se sente menos vivo, menos vital.

Os americanos pensaram que W.Reich estava louco, porque ele não somente amplificava esta energia - ele descobriu alguns exercícios que amplificavam esta energia vital no organismo - ele também captou esta energia em câmaras, grandes câmaras que as pessoas poderiam entrar. Se um homem estava doente, ele saia curado. Ele vendeu estas caixas, e eram caixas vazias - mas elas não estavam vazias na verdade. Ele havia descoberto o meio de captar a energia disponível na atmosfera. Esta energia irradia a sua volta, a volta das árvores, mas você não pode vê-la a olho nú.

Após declararem Reich como louco e o prenderem, um outro homem fotografou esta energia na antiga União Soviética. Ele a manteve dentro do seu próprio país, e então reconheceram que a vida possui uma aura. Kirlian inventou umas placas bastante sensíveis a ponto de fotografar a aura em torno da sua própria mão. Esta fotografia, que recebeu o seu nome Fotografia Kirlian, é capaz de mostrar inclusive se uma pessoa irá adoecer com seis meses de antecedência.

Kirlian viu nas fotos, que neste instante, um homem não demonstrava nenhum sinal de doença, mas sua aura estava de uma maneira retraída, e se a aura estiver de uma maneira retraída, ao redor dos olhos, é possível que a pessoa venha a ficar cega. E como as fotografias não mentem. Quando ele disse que este homem corria o risco de perder a visão - mesmo que não havia nenhum sinal disso ainda - mas foi o que aconteceu, e o homem seis meses depois, ficou cego. A fotografia Kirlian foi reconhecida pelo governo soviético, e hoje em dia ela é igualmente reconhecida em outros países. Qualquer um pode vir a ficar doente. A fotografia Kirlian é profética. Ela mostra o que irá se passar com pelo menos seis meses de antecedência.(...)

Wilhelm Reich foi um gênio único. Ele foi capaz de ver e de sentir aquilo que não é possível a qualquer pessoa. Mas se você for meditativo, é possível que você possa ver a aura das pessoas e inclusive a sua mesma. Você poderá ver circulando a sua mão uns raios de luz, você os verá irradiar. Quando se está com boa saúde, você sente sua aura se dilatar. Quando se está doente, você sente sua aura se encolher; quando se está doente, alguma coisa se retrai em você.
Quando se está na cabeceira de um doente, você pode sentir uma estranha sensação, como se de uma certa forma, ele o deixou doente. Sem se saber, as doenças exploram as auras dos outros. Elas precisam de um pouco mais de vitalidade, Elas captam essa vitalidade daqueles que vem visitá-lo. E vocês sabem por experiência, mesmo sem se entender, que existem pessoas que você evitar. Quando você a encontra, se sente doente, você tem a impressão que ficou preso a qualquer coisa. E existem aqueles que sempre que você encontra, sentem uma expansão, você se sente muito mais vivo.

Wilhelm Reich tinha razão, mas infelizmente as massas não o aceitaram, como jamais aceitam seus próprios gênios; pelo contrário, o condenaram. W.Reich tinha razão, (...) Toda a atmosfera é plena de vida, E quando se reconhece sua própria fonte da vida, você pode tomar consciência que também os pássaros são vivos, as árvores são vivas, as plantas são vivas - existe vida por todos os lados! E você pode então dançar com essa vida, você pode conversar com essa vida, com essa atmosfera. Mesmo que as pessoas o tenham considerado com um louco, porque as pessoas são as mesmas até hoje; são as mesmas que condenaram Jesus, que prenderam W.Reich em um asilo, que envenenaram Sócrates. Infelizmente, essas pessoas pequenas são a maioria. (...)

O Ocidente se interessa muito pelas coisas do Oriente. Mas para os Orientais, a abordagem se dá em profundidade. Quando um ocidental aborda cientificamente, ele sempre aborda pela lógica, pela razão e análise, e aí ele destrói as bases. (...) Quando você estuda acupuntura, é necessário se estudar muito, mas somente isso não é o essencial. Absorva todas as informações possíveis, depois as esqueça e mergulhe naquilo que ressona do seu interior, na obscuridade do seu ser. Escute vosso próprio inconsciente, sinta a ressonância que ocorre junto com seu paciente. É diferente quado isto acontece...
Quando um paciente visita um médico ocidental, o médico começa a raciocinar, à diagnosticar, à analisar, à pesquisar, onde está a doença, em que ela consiste, e como combatê-la. Ele utiliza uma parte do seu mental, a parte racional. Ele ataca a doença, e começa a conquistar: uma luta começa entre o médico e a doença. O paciente está fora do jogo - o médico não cuida mais dele. Ele ataca a doença - ele ignora completamente o paciente.

Quando você vai a um acupunturista, a doença não é o mais importante, o paciente é o mais importante. Foi ele que criou a doença: a causa se encontra dentro do paciente, a doença não é nada além do sintoma. Você pode mudar este sintomas, mas uma outra forma de sintoma aparecerá. Você pode dominar esta doença com medicamentos, você pode interromper sua expressão, mas a doença se aprofundará com sintomas ainda mais perigosos e com mais força. A doença que persiste, será mais difícil de se tratar que a primeira. Você irá utilizar novas drogas, e a terceira será ainda pior e mais difícil de ser abordada.(...)

A acupuntura se ocupa da causa. Não se preocupa com os efeitos, ataca diretamente a causa. E como se pode chegar à causa? A razão não pode alcançar a causa, para a razão a causa não é tão importante, ela pode somente se ocupar dos efeitos. Só a meditação pode chegar à causa. O acupuntor vai sentir o paciente. Ele vai esquecer seu saber, ele vai justamente restabelecer a harmonia, vai tentar entrar em harmonia com o paciente, ele vai criar uma sintonia, e descobrir o ponto entre o paciente e ele mesmo. Ele vai procurar sentir a doença do paciente em seu próprio corpo, em seu próprio sistema energético. Para ele, esta é a única maneira de saber intuitivamente onde se encontra a causa, pois a causa está escondida. Ele deverá ser um espelho e refletirá a causa da doença que estava escondida.

Este é o processo. Ele não pode ser ensinado, pois ele não tem como ser ensinado. É uma exploração que vale realmente a pena.(...) Se pouco a pouco vocês se tornam capazes de sentir sua própria energia em vossos corpos, então, a acupuntura deixa de ser uma técnica, e se torna um instrumento; é é uma visão - é muito mais uma intuição, uma arte.(...)

Nós devemos mergulhar em nossos corpos até o seu núcleo mais íntimo. Os setecentos pontos da acupuntura não foram conhecidos pelos antigos, à partir do exterior, de forma objetiva, mas eles foram descobertos à partir do interior, em meditação profunda.
Quando vocês vão aprofundando em si mesmos, quando vêem o interior - há uma grande experiência - nós podemos ver os pontos da acupuntura em torno de nós, como uma noite repleta de estrelas. E quando virem estes pontos de energia, estarão prontos. Tocando simplesmente o corpo de outra pessoa, você é capaz de sentir a energia que falta, e a energia que está em excesso; ou ela está em movimento, ou está bloqueada, ou está fria, ou quente; ou se está viva ou morta. Existem pontos que respondem rapidamente e outros que não respondem.

Vocês não podem conhecer a acupuntura sem primeiro conhecer a vós mesmos. Quando os dois coincidem, acontece uma grande luz. Nesta luz, vocês podem ver - não apenas vocês mesmos, como o corpo de outras pessoas igualmente. Uma nova visão se desenvolve, como se o terceiro olho estivesse aberto."
Osho em Médicine & Méditation
(tradução de Amidha Prem)

14 de abril de 2015

Osho fala sobre as terapias alternativas - 1/2


"Todas as disfunções são psicossomáticas, pois o corpo e o mental não são duas entidades separadas. O mental é a parte interior do corpo e o corpo é a parte exterior do mental. As disfunções podem começar pelo corpo e penetrar o mental, ou vice versa; podem começar pelo mental e penetrar também o corpo. Não existem divisões, nem segmentações estanques.

Todos os problemas tem dois aspectos: eles podem ser abordados quer pelo mental quer pelo corpo. É assim que se pratica os tratamentos no mundo hoje em dia. Certamente eles acreditam que os problemas vêm do corpo, os fisiologistas, os pavlovianos, os behavioristas... eles tratam do corpo, e claro, em cinquenta por cento dos casos, eles alcançam. E eles esperam que com o avanço da ciência, eles terão mais vantagens de sucesso, mas eles não irão além dos cinquenta por cento, porque não tem nada a ver com o desenvolvimento da ciência.

Por outro lado, existem aqueles que pensam que os problemas são somente mentais - eles estão tão equivocados quanto os primeiros. A ciência cristã, os hipnotizadores, os mesmeristas, os psicoterapeutas, todos pensam que os problemas provém do mental. Eles terão igualmente sucesso em cinquenta por cento dos casos; eles acreditam também que cedo ou tarde, eles irão obter mais vantagens de sucesso nos casos. É um contra-senso. Eles não podem passar de cinquenta por cento de sucesso, este é o limite.

Vejo que cada problema, deva ser abordado pelos dois lados ao mesmo tempo. Devemos atacar pelas duas portas simultaneamente, só então, o homem poderá ter cem porcento de sucesso. Quando a ciência for perfeita, ela trabalhará dessas duas maneiras.

Primeiramente vem o corpo, porque ele é o portal do mental E como o corpo é grosseiro, ele é facilmente manipulável. Devemos começar por liberar todas essas estruturas acumuladas. Se você possui a sensação de cansaço por longo período, é devido a essas estruturas que se acumularam em seu corpo. Elas deverão ser liberadas; e simultaneamente isto irá atuar no seu mental, afim de que este possa se elevar e exonerar toda a carga que lhe pesa.(...)

A ciência do homem ainda não existe. O Yoga de Patanjali é o esforço mais próximo que já foi feito. Ele divide o corpo em cinco camadas, ou cinco corpos. Você não possui somente um corpo, você tem cinco corpos; e atrás desses cinco corpos, se encontra o seu Ser. Em medicina acontece a mesma coisa que na psicologia. A alopatia não acredita que exista um corpo físico, ou um corpo grosseiro. Ela é paralela ao behaviorismo, ela se tornou científica, pois o instrumental científico só é capaz de acessar as coisas mais grosseiras. Vamos aprofundar um pouco mais.

A acupuntura, a medicina chinesa penetra em uma outra camada. Ela trabalha sobre o corpo vital, o pranamayakos. Se alguma coisa funciona mal dentro do corpo físico, a acupuntura nem toca este corpo. Ela trabalha sobre o corpo vital, Ela trabalha com a bioenergia, com o bioplasma. Ela regula qualquer coisa e assim o corpo grosseiro volta a funcionar corretamente. Se qualquer coisa não funciona bem no corpo vital, a alopatia só pode atuar sobre o corpo físico, o corpo grosseiro. (...)
É muito fácil, poque o corpo vital é um pouco mais elevado que o corpo físico; Se o corpo vital está bem harmonizado, o corpo físico o segue, porque o esquema diretor existe dentro do corpo vital. O corpo físico é uma implementação do corpo vital.

Hoje em dia, se começa pouco a pouco a respeitar a acupuntura, pois uma fotografia muito sensível, a foto Kirlian, pode revelar os setecentos pontos vitais do corpo humano, coisa que os acupunturistas já descreveram há cinco mil anos ou mais. Eles não tinham qualquer instrumento para saber ou como procurar estes pontos vitais do corpo, mas pouco a pouco, pela experimentação e erro, eles finalmente puderam descobrir setecentos pontos. Hoje em dia, Kirlian descobriu os mesmos setecentos pontos através de instrumentos científicos. E a fotografia Kirlian provou uma coisa, que é um absurdo querer se mudar o vital através do físico. O corpo físico é sempre um servo do corpo vital; está se tentando mudar o mestre, mudando o servo. Isso é quase impossível; o mestre não ouvirá o servo. Se quer mudar o servo, mude o senhor. Imediatamente o servo o seguirá. Melhor que mudar cada soldado é melhor se mudar o general. O corpo possui dez milhões de soldados, as células que trabalham dentro de uma certa ordem, sob um certo comando. Mude o comando, e toda a estrutura do corpo mudará.

A homeopatia vai ainda mais profundo; Ela age sobre o manomayakos, o corpo mental. O fundador da homeopatia, Hahnemann, fez uma importante descoberta que foi: quanto menor a quantidade de medicamento, mais e melhor ela poderá penetrar em profundidade. O nome que ele deu a este processo de produção dos medicamentos homeopáticos, de dinamização, diluição. Eles reduzem constantemente a quantidade de medicamento. Eles pegam uma certa quantidade de medicamento e dilui dez vezes esta quantidade, em leite adoçado ou água. Pegam então uma parte deste medicamento e misturam com nove partes de água. Depois, eles pegam uma parte desta nova solução e a mistura novamente com nove partes de água, ou leite adoçado. E assim sucessivamente. Desta forma, a potência do medicamento aumenta.

Pouco a pouco, o medicamento se torna atômico. Ele se torna tão sutil,que você não acredita que ele possa agir; ele já quase desapareceu. É isso que está escrito nos medicamentos homeopáticos, a diluição dez CH, cem CH, mil CH. Quando maior a diluição, menor a quantidade. Com dez mil CH não existe mais que um milionésimo do medicamento original, quase nada. Ele quase desapareceu, mas assim, penetra no corpo mais profundo, o manomaya. Ele penetra no seu corpo mental. Ele vai mais profundo que a acupuntura. É quase como se atingisse o nível atômico, ou mesmo sub-atômico. Ele não toca vosso corpo, nem vosso corpo vital, ele os penetram simplesmente. É tão sutil, tão pequenino que não encontra nenhuma barreira. Ele simplesmente se adere ao  manomayahos, dentro do corpo mental, e de lá, o trabalho começa. Vocês encontraram uma autoridade maior que o pranayama.
A Ayurveda, a medicina indiana é uma síntese dessas três. É a medicina mais sintética que existe.

A hipnoterapia vai ainda mais fundo. Ela toca o vigyanmayakos : o quarto corpo, o corpo da consciência. Ele não utiliza nenhum medicamento. Ela utiliza tão somente a sugestão, e é tudo. Ela introduz simplesmente uma sugestão dentro do seu mental - chamado de magnetismo animal, mesmerismo, hipnose ou o que quiser, mas ela age através do poder do pensamento, e não pela matéria. A homeopatia, é ainda um pouco de matéria, mesmo sutil, ínfimas quantidades - dez mil CH, mas ainda há uma diluição, uma partícula da matéria. A hipnose se livra do material. Ela atua sobre a energia do pensamento, vigyanmayakos : a consciência do corpo. Se vossa consciência aceita simplesmente uma certa idéia, ela se põe a agir.

A hipnoterapia tem um grande futuro, Ela será a medicina do futuro, porque quando se mudança simplesmente a forma de pensar, e ela pode mudar seu mental, e mudar seu corpo vital e seu corpo físico; então, porque se interessar com remédios, com essa medicina grosseira? Porque não agir sobre o poder do pensamento? (...)

Mas existe ainda um outro corpo. É o anandmayakos, é o corpo da bem-aventurança, A hipnoterapia vai até o quarto. A meditação vai ao quinto. A palavra meditação é bela, possui a mesma raíz da palavra medicina. Medicina e meditação são ramificações de uma mesma palavra. A medicina, que vos cura, que vos torna sãos, inteiros - e existe um nível mais profundo, é a meditação.

A meditação não vos dá nem mesmo uma sugestão, pois mesmo uma sugestão vem do exterior; Qualquer um pode fazê-lo. A sugestão implica que você é dependente de alguém. Ela não pode vos tornar plenamente consciente, pois você precisa de outro, e uma sombra será projetada sobre você. A meditação vos torna perfeitamente consciente, sem nenhuma sombra - uma luz absoluta, sem nenhuma obscuridade. Mesmo uma sugestão é considerada como uma coisa grosseira; Qualquer sugestão - significa que alguma coisa vem do exterior, e em última análise, o que vem do exterior é material. Não somente material, mas aquilo que vem do exterior é material. Mesmo um pensamento é uma forma sutil de matéria, Mesmo a hipnoterapia é material.

A meditação deixa cair todas as sustentações, todos os suporte. É por causa disso que a meditação é considerada a coisa mais difícil do mundo, pois não resta nada - apenas a pura compreensão, o observador, a testemunha. [continua.... ]
Osho em Médicine & Méditation
(tradução por Amidha Prem)

12 de abril de 2015

Este instante - Nirmala




Porque recear este momento
quando não aparece o pensamento
finalmente repouso desnudo
nos braços da experiência.

Porque recear este momento
quando não aparecem as palavras
finalmente encontro descanso
no regaço do silencio.

Porque recear este momento
quando o amor se encontra sozinho
finalmente sou abraçado
pelo próprio infinito.

Porque recear este momento
quando desaparece o julgamento
finalmente minhas defesas falham
em manter a intimidade à distância.

Porque recear este momento
quando é perdida a esperança
finalmente meus sonhos insensatos
são devolvidos à perfeição.

Eu não sei o que dizer
Eu nunca sei o que dizer
Contudo há grande poder em não saber
Sabendo, jamais posso saber.

O mistério aumenta constantemente
Inundando meus sentidos do que é
o mistério fala sem palavras
tirando o fôlego
não deixando ar para as palavras.

No silencio não há lugar para dor ou alegria 
em escala ilimitada.

Não importa o que eu faço,
a mente julga
depois de julgar-se por julgar
é simplesmente o que faz a mente
quando a deixo fazer o que quer
surpreende-me ao parar.

E no interlúdio vazio,
a mente não encontra aderência
e cai sem esforço
no lago profundo do silencio
que nunca partiu.

O passado há muito se foi daqui,
não há retorno,
como poderia haver...

O presente é demasiado breve
para que desejos débeis tenham qualquer efeito,
exceto ocultar a paz..

O futuro corre eternamente inalcançável de desejos sonhadores
e projetos inúteis.
E contudo quando descanso no interminável agora,
cada necessidade é satisfeita de maneira jamais imaginada.

O quarto está deserto
não fossem estes olhos entristecidos
encontrarem refúgio no vazio..

Amigos vêm e vão
amantes vêm e vão
mas o próprio amor nunca oscila.

O vazio é meu refúgio
o vazio é meu lugar de descanso
para onde quer que me vire,
 espera-me o ilimitado...

Leva agora a tristeza
leva também a felicidade
deixa apenas a visão límpida.

O quarto ainda está vazio
não fossem estes olhos abertos 
encontrarem refúgio na plenitude.

em Gifts with no Giver: A Love affair with the Truth
Tradução de Margarida Maria Antunes

9 de abril de 2015

Comprometimento é maturidade - Osho


"As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um templo para outro; não porque sejam grandes buscadores, mas porque são incapazes de decidir. Assim elas ficam indo de um para outro. Essa é a maneira delas evitarem se comprometer.

O mesmo acontece com outros relacionamentos humanos: um homem vai de
uma mulher para outra, vai mudando. As pessoas acham que ele é um grande amante; ele não é um amante de jeito nenhum. Ele está evitando, ele está tentando evitar algum envolvimento mais profundo, porque com envolvimento mais profundo os problemas precisam ser enfrentados, e precisa passar por muito sofrimento. 


Assim a pessoa simplesmente joga seguro; a pessoa toma a decisão de nunca se envolver profundamente com alguém. Se você for muito fundo, você pode não ser capaz de voltar facilmente. E se você for muito fundo com alguém, a outra pessoa irá fundo com você também; é sempre proporcional. Se eu for muito fundo com você, a única maneira é permitir que você também vá fundo em mim. É um dar e receber, é um compartilhar. 

Então a pessoa pode ficar enrolada demais, e será difícil escapar e o sofrimento pode ser grande. Assim as pessoas aprendem como jogar seguro: basta se encontrarem superficialmente; um caso de amor do tipo bata e corra. Antes de ser agarrado, corra.

Isso é o que está acontecendo no mundo moderno. As pessoas se tornaram tão
imaturas, tão infantis; elas estão perdendo toda a maturidade. A maturidade chega somente quando você está pronto para enfrentar a dor de seu ser; maturidade chega somente quando você está pronto para aceitar o desafio. E não há um desafio maior que o amor.

Viver feliz com outra pessoa é o maior desafio do mundo. É muito fácil viver
pacificamente sozinho, é muito difícil viver pacificamente com outra pessoa,
porque os dois mundos colidem, dois mundos se encontram… Mundos totalmente diferentes. Como é que eles são atraídos um pelo outro? Porque eles são totalmente diferentes, quase opostos, polos opostos.

É muito difícil ser pacífico num relacionamento, mas esse é o desafio. Se
você fugir disso, você foge da maturidade.
Se você vai fundo nisso com toda a dor, e assim mesmo continua, então pouco a pouco a dor se torna uma bênção, a maldição se torna uma bênção. Pouco a pouco, através do conflito, surge a fricção, a cristalização. Através da luta você fica mais alerta, mais cônscio.

O outro se torna como um espelho para você. Você pode ver sua feiura no outro. O outro provoca sua inconsciência, trazendo-a para a superfície.

Você terá que conhecer todas as partes ocultas de seu ser e o caminho mais fácil é ser espelhado, refletido, num relacionamento.

Mais fácil, digo assim, porque não há outra maneira, mas isso é difícil, árduo, porque você terá que mudar através disso.

Quando você vem para um mestre, um desafio ainda maior se apresenta diante de você: você tem que decidir, e a decisão é para o desconhecido, e a decisão precisa ser total e absoluta, irreversível. Não é uma brincadeira de criança; é um ponto sem retorno. Surgem tantos conflitos. Mas não continue mudando sempre, porque essa é a maneira de evitar a si próprio. E você irá permanecer mole, você irá permanecer infantil. A maturidade não acontecerá a você.

Somente o desconhecido deve ter uma atração para você porque você ainda não o viveu; você ainda não andou por esse território. Mova-se! Algo de novo pode acontecer por lá.

Sempre decida pelo desconhecido, seja qual for o risco e você irá crescer continuamente.

Mas continue decidindo pelo conhecido e você ficará se movendo repetidamente num círculo com o passado. Você prossegue repetindo-o; você se torna como um gravador gramofone.

E decida. Quanto mais cedo você o fizer, melhor. Adiamento é simplesmente
estupidez. Amanhã você terá que decidir também, então porque não hoje? E você pensa que amanhã você será mais sábio do que hoje? Você acha que amanhã você estará mais vivo que hoje? Você acha que amanhã você estará mais jovem que hoje, mais renovado que hoje?

Amanhã você estará mais velho, sua coragem será menor; amanhã você será mais experiente, sua esperteza será maior; amanhã a morte estará mais perto; você começará a dar sinais e a ficar mais assustado. 

Nunca adie para amanhã. E quem sabe? Amanhã pode chegar ou pode não chegar. Se você tem que decidir você precisa decidir agora mesmo."
Osho em O Livro do Homem.
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