24 de setembro de 2016

Além dos filmes da mente - Ruper Spira


Participante: Posso ver agora que sou consciência, e posso experimentar, vejo agora, é fácil, porém muitas vezes eu vejo que não posso acalmar a mente fingindo ser consciência. Em seguida, haverá pensamentos de dúvida que possa surgir.

Rupert Spira: Você está certo, se você acha que está na mente vai ser extremamente difícil sair da mente e você terá uma batalha sem fim e é por isso que, em primeiro lugar, eu estou tentando mostrar que você não está no mente.

Concordo que se você acha que está na mente vai ter um problema real, você vai ter que trabalhar duro na esperança de que um dia, depois de vinte anos de intensa prática espiritual, poder encontrar-se e livre -se da mente.

Imagine um filme onde você é a tela em que o filme é projectado. O que você está perguntando é: o que eu tenho que fazer, a tela para sair do filme? Isso é o que você está pedindo é um absurdo, ilógico; Seu problema não é que você está na mente, mas que você pensa que está na mente.

Em vez de lutar com a sua experiência, explore a sua experiência e depois veja se há algo real com o qual lutar.

Participante: Eu acho que tem que continuar praticando mais e parar de acreditar na mente.
Ruper Spira: Quando você diz, "Eu tenho que praticar um pouco mais" está alimentando aquele velho hábito de lutar com a sua mente; isso não tem nada a ver com a prática, que tem a ver com a compreensão. Não me refiro a esse entendimento intelectual, mas uma compreensão que se vem da experiência, uma visão clara.
Participante: Sim, obrigada!"


Ruper Spira em Satsang

17 de setembro de 2016

O ego 'iluminado' - Adyashanti


"Uma das ilusões mais comuns após o despertar é a ilusão de superioridade. Isto é muito comum em círculos espirituais. As pessoas podem ficar presas num sentimento de superioridade, quer elas estejam despertas ou não; é uma armadilha no estado de sonho, tal como é uma armadilha quando alguém está atravessando do estado desperto não-permanente para o estado desperto permanente.

Mas após o despertar, a mente egóica pode entrar e começar a sentir um senso pessoal de ser melhor, como se o despertar tornasse alguém melhor do que outro. Isto é muito comum; é quase uma parte natural do processo.

Inerente a esta ilusão está a sensação de que sabemos alguma coisa. Porque nós despertámos, nós sabemos. Porque nós despertámos, nós estamos certos. Porque nós despertámos, nós estamos sempre certos.

Neste momento, o ego - que é o construtor do estado de sonho - pode se apropriar desta percepção e começar a criar o que eu chamo de um ego iluminado.

Não há nada mais desagradável do que um ego iluminado. É um ego que pensa que é iluminado, um ego que pensa que está desperto, um ego que está usando alguma da energia e realização do despertar para a construção de um novo e superior senso de eu."

Adyashanti em Satsang

13 de setembro de 2016

Céu e inferno - Osho


"Você diz: Eu estou confuso.
Isso é a mais pura verdade. Mas, eu não estou confuso. Sou absolutamente claro. O meu interesse não é na História, o meu interesse não é no mundo dos fatos: o meu interesse é na revelação da verdade. Seja lá quem tenha sido esse homem, Dionísio, ele era um buda. A prova intrínseca - está nas suas palavras. Essas palavras não podem ter sido ditas por nenhum outro, exceto por aquele que chegou lá.

Esta é a abordagem oriental. O Ocidente pensa demasiadamente em termos de História. "História" significa consciência do tempo. Se este homem existiu ou não; depois quem eram seus pais, em que data ele nasceu e quando morreu, e onde estão as provas de tudo isso.

Vocês ficarão surpresos de saber que o Oriente jamais teve algum tipo de interesse em história, pela simples razão de que história significa tempo. Tempo significa mente. Quando a mente pára o tempo pára. Você pode já ter sentido isso. Quando não tem nenhum pensamento em sua mente, resta algum tempo lá? A procissão dos pensamentos cria o tempo.

Este é o insight mais fundamental da Teoria da Relatividade de Albert Einstein: que o tempo é um fenômeno flexível, ele depende dos humores. Se você estiver feliz, o tempo voa; se você estiver infeliz, o tempo diminui a marcha. Se você estiver sentado ao lado de um moribundo, a noite parece ser quase sem fim - parece que a manhã não vai chegar nunca. E se você estiver sentado ao lado da mulher ou do homem que você ama, aí então, parece que o tempo tem asas - passa voando. As horas passam como minutos, os dias passam como horas, os meses passam como dias.

No que tange ao relógio, não há nenhuma diferença, quer você esteja alegre, triste, feliz, ou infeliz. O relógio gira, indiferente a você. Assim, existem duas coisas a serem lembradas: o tempo do relógio é uma coisa totalmente diferenciada do tempo psicológico; o tempo psicológico está dentro de você.

Einstein não era um meditador, caso contrário a sua Teoria da Relatividade teria atingido picos muito mais altos. Ele dizia apenas: "Quando você está alegra, o tempo passa rapidamente, quando você está miserável, o tempo diminui a marcha". É um grande insight, mas tivesse ele sido um meditador, o mundo teria sido imensamente enriquecido, porque então ele teria dito uma coisa a mais:" Se você está absolutamente sem mente, apenas pura consciência, o tempo pára completamente, desaparece, sem deixar marcas.(...)

Quando Jesus diz que o inferno é eterno, ele está dizendo o que Albert Einstein disse vinte séculos depois: que o inferno é tão doloroso, é uma miséria tão grande que é como se fosse eterno. Ele não é eterno, mas parece eterno.

E para equilibrar isso, você terá de olhar na mitologia hindu: o céu é momentâneo. Daí, então, você será capaz de compreender toda a questão: então ambos os lados dela ficam disponíveis a você. 
O inferno parece ser eterno e o céu parece ser momentâneo. Todos os seus prazeres parecem momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a ser momentâneos. Todos os, assim chamados Mahatmas e santos, continuam dizendo isso: que os prazeres são momentâneos. Mas os prazeres estão fadados a serem momentâneos. Mas continua-se pensando que deve haver um prazer que seja eterno. Isso é impossível! Nenhum prazer pode ser eterno e nenhuma dor pode ser momentâneo.
Desse modo, no Oriente, temos um terceiro termo que não é "dor" nem "prazer": é "bem-aventurança".

A bem aventurança é atemporal - ela não é nem momentânea, nem eterna. Ela simplesmente não tem nenhuma relevância para o tempo. Tempo significa história.

Veja bem, o que você vai ganhar, mesmo que venha a saber quem é esse homem, o Dionísio? De que modo isso lhe ajudaria a compreender as afirmações dele? Isso o ajudaria a tornar-se um acordado, a tornar-se um meditador? Não. Você ficaria perdido numa floresta de palavras; você não seria capaz de sair dessa floresta; 

A erudição é uma enorme floresta - na verdade, é a única floresta que ficou no mundo; todas as outras desapareceram. Mas uma vez que se entre nela, não há fim.(...)

Lembre-se bem: que Buda não crê em nenhum paramatman; deve ter sido invenção. Buda não crê em nenhum Deus. "Buda é a pessoa mais divina e contudo, a pessoa mais sem deus". Ele é um dos mais lindos fenômenos que aconteceu na Terra; sem deus e divino ao mesmo tempo.
Mas você está vivendo de coisas tomadas emprestado, e isso acontece. 
Quando se vive a partir de coisas emprestadas, fatalmente você será confundido."
Osho em Teologia Mística

10 de setembro de 2016

Em Consciência plena - Ramesh Balsekar


"Pergunta: Essa 'fonte' da qual você fala, é separada em cada individuo ou é algo que encobre todo mundo?
Ramesh: É algo que encobre a todos. Está dentro de todos, de todo objeto.

Pergunta: Uma parte é separada e dada para mim e outra parte para outra pessoa?
Ramesh: Não, não. É tudo um. Essa é a totalidade da qual os místicos têm falado a respeito por centenas de anos, e que os cientistas têm falado desde que a mecânica quântica foi desenvolvida. Tudo o que há, é essa totalidade e unidade que não pode ser separada.

A Consciência impessoal é o Shiva ou Atman, ou o Ser, como Ramana Maharshi costumava dizer. E o jiva ou o ser que é o “ser egoísta”, é a consciência identificada. O que Ramana Maharshi costumava dizer é que a Consciência é o oceano todo.

A Consciência universal ou o Ser, é o oceano e o jiva ou a consciência identificada é uma bolha. Mas a bolha em si, enquanto permanece uma bolha, está aparentemente separada. Entretanto, o que é a bolha senão água? E quando a bolha estoura, para onde ela vai? Ela se torna o oceano.

Quando a compreensão acontece, não faz diferença quais palavras são usadas ou que mestre as usou. Cada mestre usou palavras diferentes apenas por uma razão: sua audiência era diferente, as circunstâncias diferentes, as pessoas diferentes e os tempos diferentes.

Nisargadatta me disse uma vez e fiquei surpreso quando ele disse: 'Muitos de meus colegas não gostam do que eu digo, pois eu não estou repetindo como um papagaio as palavras que meu guru usava. O que sai de meus lábios é o que você precisa, não o que os meus colegas e eu precisamos.” (...)

Pergunta: De acordo com o que você diz, a Consciência é todas as coisas.
Ramesh: Sim.

Pergunta: A Consciência criou o 'eu'?
Ramesh: Sim. O 'eu' não é nada além da Consciência. A forma é uma outra questão. Mas o 'eu' ainda é a Consciência que criou a identificação dentro do corpo na forma de um 'eu'.

Pergunta: Se o sentido de 'eu' vem da Consciência, a Consciência está ali, não é?
Ramesh: Ela está ali. Ela está aqui, e estará aqui mesmo quando este organismo corpo-mente não estiver aqui. Esse é o ponto.
É por isso que a questão básica do Zen é: “Qual era a sua face original? Qual era a sua natureza real antes de os seus pais nascerem?”
Sua natureza verdadeira não começou com o seu nascimento e não irá perecer com a morte do corpo.

Pergunta: No livro 'Antes da Consciência', Nisargadatta Maharaj diz: “a Consciência é tudo o que há”. Ele diz isso uma porção de vezes, mas às vezes ele fala da Consciência de uma maneira negativa, que deveríamos ir antes da Consciência.
Ele fala dela de duas maneiras diferentes, como o Absoluto e como algo que está nos impedindo. Ele sugere que temos de ir além da Consciência. Eu não entendo.


Ramesh: A Consciência, quando ele fala dela como um obstáculo, é a Consciência identificada. 

Antes da Consciência é a Consciência-em-repouso, que é a nossa natureza real. Então ele fala sobre o 'numenal' e o fenomenal. Na fenomenalidade, este sentido de presença é o estado desperto, e é quando sua mente está ativa.

Então o sentido de presença que ele considera ser uma obstrução, é o sentido de presença no estado desperto, que implica a contínua conceitualização da mente. 

A mente não conceitualiza, não pode conceitualizar no sono profundo, porque o sentido de presença está ausente. No 'Antes da Consciência', o que ele fala a respeito, é a ausência de ambos, a presença do sentido de presença e da ausência do sentido de presença onde a questão da

Consciência não surge de maneira alguma. Pois no estado de repouso, a Consciência nem mesmo está ciente de si mesma.

Pergunta: Por que ela não está ciente de si mesma?
Ramesh: Porque não existe 'outro' (algo separado) para estar ciente.

Pergunta: Então, o antes da Consciência é a Consciência-em-repouso? E não significa a ausência dela. Não é apenas a pura Consciência?
Ramesh: É a pura Consciência. Esse estado não está negando a Consciência. Ele nega essa alternância da presença e da ausência da Consciência que ocorre apenas na fenomenalidade,
portanto está negando a própria fenomenalidade.

Pergunta: Quem é que faz essa negação da fenomenalidade?
Ramesh: É a mente. Portanto, a Realidade última só pode existir quando ocorre a negação do próprio negador. Quando a própria mente é negada, não há nenhuma 'pessoa' para negar. Não há nenhuma 'pessoa' para pensar sobre um conceito a respeito da realidade. Esse é um estado onde nenhum conceito é possível.

Pergunta: Essa é a pura Consciência?
Ramesh: Sim, você pode chamá-la de pura Consciência, Consciência-em-repouso.

Pergunta: Anterior à consciência identificada?
Ramesh: Contanto que você a entenda, não há necessidade de nenhuma palavra.

Pergunta: Ela também é impura?
Ramesh: A partir do momento em que você a nomeia pura Consciência, ela fica impura.

Pergunta: Você diz que isto é “tudo um mundo de sonhos, uma ilusão”, e que nós criamos toda manifestação. Ao mesmo tempo você diz que para que a mente e a Consciência possam aparecer, tem de haver um corpo. O que vem primeiro, o corpo ou a Consciência?
Ramesh: Tudo o que existe é a consciência. Naquele estado original chame-o de realidade, chame-o de absoluto, chame-o de um nada, naquele estado não havia razão de estar ciente de nada. Assim a Consciência-em-repouso não estava ciente de si mesma. Ela tornou-se ciente de si mesma apenas quando esse repentino sentimento 'Eu Sou' surgiu.

O 'Eu Sou' é o sentimento impessoal de estar ciente. E foi aí que a Consciência-em-repouso tornou-se Consciência-em-movimento, quando a energia potencial tornou-se energia de fato. Elas não são duas. Nada separado sai da energia potencial.

A Consciência-em-movimento não está separada da Consciência-em-repouso. 
A Consciência-em-repouso torna-se a Consciência-em-movimento, e esse momento que a ciência chama de Big Bang o místico chama de o repentino surgimento da consciência (awareness)."

Ramesh Balsekar em Cousciousness Speaks

3 de setembro de 2016

O que é Vedānta - Swami Dayananda


"Vedānta é a solução para o problema que surge quando me vejo como um mortal imperfeito, sujeito a várias limitações. Essa é a conclusão à qual cada indivíduo chega ao julgar precipitadamente. Vedānta é o ensinamento que resolve este problema. Na visão do Vedānta, você é a solução para o problema que você sofre. "Eu sou Brahman, a totalidade " é Vedānta. Portanto, Vedānta é a solução.

Vedānta não oferece uma solução. A solução é o Vedānta. Onde quer que haja uma solução, essa solução é o Vedānta. A solução só pode ser na forma de "Eu sou a totalidade. Eu sou livre." Qualquer coisa que se revela neste pedaço particular de conhecimento é Vedānta, é o que se pode dizer. Porque Vedānta é o conhecimento encontrado no final dos Vedas e é chamado Vedānta (anta quer dizer "fim").

O Veda é um corpo de conhecimento proferido de uma geração para outra. Ele não tem autoria, uma vez que não foi dada autoria a qualquer indivíduo. É um corpo de conhecimento que foi revelado aos antigos sábios que, por sua vez, foi entregue para a próxima geração, que o entregou para a próxima e assim por diante, até ao nosso tempo.

Esta linhagem é chamada karna-paramparā em sânscrito, significa "de orelha a orelha." O conhecimento é ouvido através de um par de orelhas e por ter sido preservado é passado para outro par de orelhas e desta forma, todo o Veda é mantido intacto.

O Veda é dividido em quatro volumes: Ṛg, Yajur, Sama e Atharva. Estes quatro Vedas são novamente divididos em duas partes, separadas por assunto. A primeira parte de cada um dos Vedas é chamada de karma kaṇḍa. A última parte é chamada jñāna-kaṇḍa.

Karma-kanda é a seção que trata de rituais e orações, enquanto o jñāna-kaṇḍa lida apenas com realidades - a natureza do eu, o mundo e Deus; como esses três estão interligados e se existe uma diferença entre eles ou não. Este conhecimento das realidades liberta a pessoa porque a visão védica é que você é a totalidade e não há diferença alguma entre você, o mundo e Deus.

O ensino é geralmente na forma de um diálogo entre professor e aluno. Um diálogo particular, ou vários diálogos juntos, compõem uma Upanishad. Portanto, Vedānta é também conhecido como Upanishad, que forma o corpo de conhecimento e que é a solução para o problema humano fundamental.

E é por isso que nós não dizemos que o Vedānta oferece a solução. Nós dizemos que a solução é o Vedānta porque a solução está na forma de conhecimento, que é o Vedānta.
Om tat sat!"

27 de agosto de 2016

O mistério da Cura - Jeff Foster


"Abraçar e nos abrirmos à nossa dor - à tristeza, ao medo, ao pesar, às dúvidas - não necessariamente faz com que a dor seja menos intensa, ou que seja mais fácil de suportar no momento.

E não existem promessas aqui, no campo da Verdade, se desenrola momento a momento.

Cada momento pode se tornar mais e mais intenso até que se dissipe. Poderia nunca ir-se também. Mas este não é o ponto.

Nós abraçamos nossa dor com o fim de fazê-la 'desaparecer'. Isso é resistência e não aceitação.

Sem dúvida, não somos mártires, e não somos masoquistas, e não somos narcisistas, nem tampouco estamos obcecados com nosso sofrimento, nem tampouco, estamos morrendo de amores por ele. Só estamos interessados na Verdade deste momento.

Estamos enamorados da vida mesma. E sabemos que cada sensação, cada onda de medo, cada formigamento, cada palpitação, cada vibrante parte do corpo, não é outra coisa que a vida mesma, uma expressão plena de consciência, que está aqui para ser incluída; sabemos que não se trata de nenhum inimigo, ou ameaça à totalidade, somente uma expressão DA totalidade. E sabemos que fugir da nossa dor, reprimi-la, ignorá-la, negá-la, tratar de anestesiá-la, ou fazer com que 'desapareça' só nos converte em escravos dela, vivendo atemorizados e que em última instância, seria como se estivéssemos fugindo de nossos próprios filhos.

Compreendemos que o caminho para abrirmos é o caminho sem caminho, é o caminho da inclusão radical, de dizer SIM a qualquer coisa que surge em nós, SIM tanto ao tédio, quanto à felicidade, SIM tanto a alegria como a tristeza. E sabemos que este é o caminho menos percorrido: o caminho da coragem, o de submergirmos nús no desconhecido dia após dia. Sabemos que este é o único caminho para nós- isso, depois que tivermos tentado todos os outros caminhos!

Cura não significa eliminar imediatamente a dor. Significa abrirmos à dor e em sua imediates, e abrirmos à alegria, e abrirmos ao pesar, ao êxtase, e à nossa incapacidade de nos abrirmos e de conhecermos nós mesmos como esta abertura, essa imensidão onde tudo é incluído, e onde tudo é permitido, e onde tudo é bem-vindo, onde tudo está vivo."

Jeff Foster em Satsang

20 de agosto de 2016

A Felicidade - J.Krishnamurti

 


"A Felicidade não vêm quando estais lutando para alcançá-la. Eis o grande segredo — embora isso seja muito fácil de dizer. Eu posso dizê-lo em poucas e simples palavras; mas, pelo simples fato de me escutardes e de repetirdes o que ouvis, não ides ser felizes. Coisa estranha, a felicidade: ela só vem quando a não buscais. 

Quando nenhum esforço estais fazendo para serdes feliz, então, inesperadamente, misteriosamente, surge a felicidade, nascida da pureza, da beleza do viver pleno. Mas isso exige muita compreensão, e não que ingresseis em alguma organização ou procureis tornar-vos alguém. 

A Verdade não é coisa conquistável. Surge quando vossa mente e vosso coração foram depurados de todo impulso de luta, e já não estais tentando tornar-vos alguém; ela está presente quando a mente está muito quieta, escutando, num plano atemporal, tudo o que se passa. Podeis escutar estas palavras, mas, para haver felicidade, deveis descobrir como libertar a mente de todo temor.

Enquanto tiverdes medo de alguém ou de alguma coisa, não pode haver felicidade. Não haverá felicidade enquanto temerdes vossos pais, vossos mestres, enquanto receardes não passar nos exames, não progredir, não poder aproximar-vos do Mestre, da Verdade, não merecer louvores, lisonjas. Mas se, realmente, nada temerdes, vereis então — ao despertardes uma bela manhã ou ao dardes um passeio a sós — acontecer de repente algo extraordinário: sem ser chamado, nem solicitado, nem procurado, aquilo a que se pode chamar Amor, Verdade, Felicidade, se manifesta subitamente.

Eis por que tanto importa que sejais educados corretamente enquanto estais jovens. O que atualmente chamamos educação não é de modo nenhum educação, porque ninguém vós fala dessas coisas. Vossos mestres preparam-vos para passardes nos exames, mas não vos falam sobre o viver. Os mais de nós conseguimos apenas subsistir, arrastar-nos de alguma maneira pela vida e, por isso, a vida se torna uma coisa terrível. O viver realmente exige abundância de amor, de sensibilidade ao silêncio, grande simplicidade a par de abundante experiência. Requer uma mente capaz de pensar com toda a clareza, não tolhida pelo preconceito ou a superstição, pela esperança ou o medo. Tudo isso é a vida, e se não estais sendo educados para viver, vossa educação é completamente sem significação. Podeis aprender a ser muito asseados, a ter boas maneiras, e podeis passar em todos os vossos exames; mas, dar importância primária a essas coisas, enquanto toda a estrutura da sociedade está a esboroar-se, é o mesmo que estar a limpar e a polir as unhas, com a casa a arder. Vede, ninguém vos fala sobre nada disto, ninguém examina nada, junto convosco. 
Assim como passais dias sucessivos estudando certas matérias — Matemática, História, Geografia — deveríeis, também, passar uma boa parte de vosso tempo falando sobre estes assuntos profundos, pois isso dá riqueza à vida."
J.Krishnamurti em  A cultura e o problema humano

13 de agosto de 2016

O Ego - Osho


"Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'

Se você olhar para fora, você não perceberá. 

Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. 

A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe."

Osho em Além das Fronteiras da Mente.

6 de agosto de 2016

Para os sensíveis - Jeff Foster



"Sensíveis,

Não se envergonhem de sua sensibilidade!

Ela tem lhes trazido muitas riquezas.

Vocês vêem o que outros não podem ver,
Sentem o que os outros têm vergonha de sentir.

Vocês estão mais abertos, menos sonâmbulos.
Vocês enxergam além daquilo que os olhos podem ver.

Vocês não fecharam seu coração, apesar de tudo.

Vocês são capazes de segurar os picos mais altos e baixos mais escuros e 

mais intensos em seu abraço amoroso.

Vocês sabem que nada pode lhes definir.Tudo passa.

Vocês são verdadeiras naves cósmicas.


Comemorem sua sensibilidade!
Ela os tem mantido flexíveis e abertos.

Vocês se mantem próximos ao maravilhamento.

E a consciência arde intensamente em vocês.


Não se comparem com os outros.
Não esperem que eles lhe entendam. Mas ensine-os.

Não há problema em sentir, profundamente.
Não há problema em não saber. Está tudo bem brincar na borda da vida.



A vida pode parecer 'difícil' para vocês, às vezes,

E muitas vezes vocês estão perto de se sobrecarregar.

Mas é ainda mais difícil para reprimir seus dons.

Todos vocês, os Sensíveis,
Tragam um pouco de gentileza a este mundo cansado!
Brilhem com sensibilidade corajosa!
Vocês são os portadores da luz!"

3 de agosto de 2016

Sobre a resistência à meditação - Osho



"Pergunta: Sinto muita resistência à meditação, e não tenho esse desejo por Deus de que você fala. Será que este é o meu lugar?

Osho: Se você sente muita resistência à meditação, isso mostra simplesmente que, no fundo, você está alerta quanto a algo que pode acontecer e mudar sua vida. Você tem medo de renascer. Investiu muito nos velhos hábitos, na velha personalidade, na velha identidade.
Meditar nada mais é do que tentar limpar o seu ser, tentar se tornar novo  jovem, tentar ficar mais vivo e  mais alerta. Se você tem medo da meditação, é porque tem medo da vida, tem medo da percepção, e a resistência surge porque você sabe que, se entrar em meditação, alguma coisa vai acontecer. Se não tem a menor resistência, talvez não leve a meditação muito a sério, não a encare com muita sinceridade. Então você pode brincar à vontade. O que há para temer?

É justamente por causa dessa resistência que você pode dizer que está no lugar certo. Este é exatamente o lugar certo para você. A resistência mostra que alguma coisa vaia acontecer. Nunca se resiste a algo sem uma causa.

Você deve estar vivendo uma vida muito morna. Tem medo de que algo se torne vivo, de que algo mude. Você resiste. A resistência é uma indicação, é um sinal bastante claro de que você tem suprimido muita coisa. Na meditação, essa supressão vem à tona, é liberada. Você também gostaria de ser libertado do fardo, mas investiu muito nele.

Por exemplo, talvez você carregue pedregulhos nas mãos pensando que são diamantes; e eu lhe digo: "Limpe-se. Solte esses pedregulhos. Eles se tornam um fardo e você não consegue se mexer por causa deles." E o pior é que não são diamantes. Olhe-os de novo. Se fossem diamantes você estaria feliz. Se fossem diamantes, você não teria me procurado. Não haveria necessidade. Se você veio aqui, é porque está em busca. Você pode dizer que não está interessado em Deus - eu também não estou interessado em Deus, - mas interessado em si mesmo. Está? Esqueça Deus. Se tiver interessado em si mesmo, então está no lugar certo. Se estiver interessado em seu ser, em sua totalidade, então esqueça Deus - pois ao desabrochar, você saberá o que é Deus. Quando sua fragrância for liberada, você saberá o que é Deus.
Deus é o supremo desabrochar, o supremo florescer; seu destino cumprido, é Deus."
Osho em A música mais antiga do Universo
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