3 de março de 2015

Contemple Isto - Mooji


"Você é o não nascido, o imortal, o eterno.
Você nunca nasceu.
O que nasceu foi esta forma e o nome, que vieram a existir.
E este "vir a existir" surge no seu próprio eterno e infinito Ser.


Você é Pura Consciência, além dos nomes e formas. Além do que vem e vai.
Se você permanecer sem se identificar com o que aparece, então a sua própria eternidade se tornará auto-evidente.

Você é a testemunha de todas as aparências, de todos os fenômenos.

Você é os olhos que observam tudo, mas estes olhos que vêm tudo não podem ser vistos porque eles são em si mesmo sem forma.(...)

Não se identifique com nenhuma auto-imagem, com nenhuma construção. Você é apenas a consciência.

A sua mente não vai aceitar isto facilmente, entenda que você é a testemunha da mente.(...)

Da mesma maneira que o vento sopra aqui e ali mas não pode ser visto, apenas os seus efeitos podem ser vistos; da mesma maneira, todos estes nomes e
formas são os efeitos do Ser. São a evidência da sua presença, mas é o invisível dentro do mundo visível.

Nenhum nome ou forma cola em você, são apenas seu traje temporário.

Você é anterior ao conhecimento, você é o conhecedor do conhecimento.

Você é anterior à memória, você é a testemunha da memória.

Você é anterior ao tempo, você é a testemunha do tempo, do espaço e da
mudança. Isto não é algo que vá acontecer, é a verdade sempre presente do que nós somos.(...) Todas as coisas aparecem por um tempo. Até mesmo o seu próprio ser, que se percebe a ele mesmo como personalidade, como gênero, tudo isto é natural para esta manifestação.

Desfrute deste jogo, mas desfrute estando completamente desperto para o Real.
Você é o Ser, a Realidade Una toda abrangente.

Tudo aparece no seu próprio Ser.
Você não tem nenhum estado especial, embora todos os estados apareçam em você.

Contemple isto." 

Contribuição de Lucia Antunes

27 de fevereiro de 2015

Apenas Ser - Amidha Prem


"Lá vem ela novamente... 
Sorrateiramente, assim dissimulando... mas é ela...
Começa assim devagarinho... e logo logo já vem 
com aqueles argumentos todos,
aquelas falas todas, e os assuntos mais variados...
Lá vem ela...

Tem tantos pontos de vista,
Tantos problemas seríssimos,
Tantas analises, tantas sínteses,
Tantas comparações... 
e memórias.. ah quantas e quantas memórias...
Chega a cansar de tantas memórias, de fatos passados
de pessoas, de lugares, e memórias que não acabam mais...
Os detalhes então...são infinitos...

Lá vem ela.. novamente 
Acha que vai me enganar com esse jeito manso,
essas colocações tão sinuosas e sedutoras...
mas as falas são tantas, e tão vazias que logo vejo de quem se trata...

É a mente de novo, com essas falas bobas, esses problemas inexistentes
e sempre com ares de que sabe tudo 
e que pode prever o futuro perfeitamente...

Chega a ser engraçado tudo isso...

Sempre os mesmos caminhos, sempre os mesmos pontos críticos e as 
mesmas falas repetidas...

Isso é mesmo divertido...
Ver a mente tagarelando, criando coisas que não existem, e achando que 
caio nessas falas infundadas...

Já foi tempo que isso acontecia...hoje não mais...

Posso ver a mente criando histórias, e 'bolando estratégias' para resolver
os  'problemas seríssimos' criados por ela mesma... 
Chega a ser engraçado isso...

Posso ouvir seus lamentos, suas dúvidas, suas profundas análises dos fatos,
e permanecer silenciosa, pacífica, 
e me divertindo com tudo aquilo...
Sim... sim...sim...

A mente cria fantasias, e muitas... vê coisas que não existem, sonha,
é se diz a 'dona da verdade'...sempre! 
Só que ela mesma é uma sombra.. não tem vida própria... 
como pode então?

Pura diversão!!!  :)

A mente fala...cria imagens, histórias... 
Trás memórias, e julga.. julga muito...briga com a realidade, não aceita um monte de coisas... está sempre em guerra, em conflito com tantas situações...
ou então atada a um monte de outras coisas, quer isso, não quer aquilo...
confusão e mais confusão..

Isso faz com que ela fale ainda mais, crie mais estratégias e 
mais e mais 'problemas' ,
 mais e mais'soluções'...

A mente é um imenso labirinto...
sem começo nem fim...

Mas eu não sou ela... ela acontece a mim...

Sou quem observa a mente falar...

Deixe que ela fale...deixe que ela crie suas loucas histórias... 
não há nenhum mal nisso...

A mente é uma pequena expressão minha, 

um pequeno e divertido aspecto,
nada de mais...é energia em movimento, 
deixe fluir...

Posso observar o que se passa, e permanecer absolutamente serena e calma,
já que nada de fato acontece... 
pensamentos são visitas, sentimentos também são visitas...
deixe-os vir, deixe-os ir... 
nenhum 'problema' nisso...

Observo cada um deles atentamente e com amor...
Acolho sentimentos, memórias, pensamentos, tudo é acolhido com amor...
E porque não? se são criações daquele momento...
Chegam e se vão, sem deixar nenhum rastro...

Permaneço abençoando aquilo que É.
Permaneço acolhendo o instante presente, 
Eu sou o agora, e o agora sou eu... 

Neste Ser, tudo é possível acontecer...

Neste instante tudo está incluído,
tudo perfeito como é... nada falta, nada errado, 
tudo acolhido e transcendido,
com consciência e amor...

Observo a Mim mesma em tudo e em todos... 
Cada ser, cada instante Sou Eu...

Posso simplesmente permanecer
pacífica, amorosa, plena
 na Consciência de apenas
Ser."..

~Amidha Prem~

25 de fevereiro de 2015

Aprenda a deixar ir - Thich Nhat Hahn


"Se há coisas que te fazem sofrer, você tem que saber como deixá-las ir. Felicidade pode ser obtida soltando, deixando ir, incluindo deixando ir suas idéias sobre felicidade. 
Você imagina que certas condições são necessárias para sua felicidade, mas olhando profundamente se revelará para você que essas noções são
exatamente as coisas que ficam no caminho da felicidade e te fazem sofrer.

Um dia o Buda estava sentado na floresta com alguns monges. Eles tinham acabado de almoçar e já iam começar um Compartilhamento sobre o Dharma quando um fazendeiro se aproximou deles. O fazendeiro disse: “Veneráveis monges, vocês viram minhas vacas por aqui? Eu tenho dezenas de vacas e elas fugiram. Além disso, eu tenho cinco acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram tudo. Eu acho que vou me matar. Eu não posso continuar a viver assim”.
O Buda sentiu forte compaixão pelo fazendeiro. Ele disse: “Meu amigo, me
desculpe, não vimos suas vacas vindo nessa direção”. Quando o fazendeiro se foi, o Buda se voltou para seus monges e disse: “Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm vacas para perder”.

Eu gostaria de dizer a mesma coisa para vocês. Meus amigos, se vocês têm vacas, têm que identificá-las. Você pensa que elas são essenciais para sua felicidade, mas se você praticar olhar em profundidade, entenderá que são estas mesmas vacas que trazem sua infelicidade.

O segredo da felicidade é ser capaz de deixar ir suas vacas, soltá-las. Você
deveria chamar suas vacas por seus verdadeiros nomes.Eu te garanto que quando você deixar suas vacas ir embora, você experimentará felicidade porque quanto mais liberdade você tem, mais felicidade você terá. 
O Buda nos ensinou que alegria e prazer são baseados na desistência, em deixar ir. “Eu estou deixando ir” é uma prática poderosa.
Você é capaz de deixar as coisas irem? Se não for, seu sofrimento continuará.
Você deve ter a coragem de praticar o “deixar ir”, soltar. Você precisa desenvolver um novo hábito – o hábito de concretizar a liberdade. Você precisa
identificar suas vacas. Você precisa considerá-las como um vínculo com a
escravidão. Você precisa aprender como o

Buda e seus monges fizeram, a libertar suas vacas. É a energia de plena atenção que te ajuda a identificar suas vacas e chamá-las por seus verdadeiros nomes.Sorria, solte
Quando você tem uma idéia que te faz sofrer, deveria deixá-la ir, mesmo (ou
talvez especialmente) se é uma idéia sobre sua própria felicidade. Cada pessoa e cada nação têm uma idéia de felicidade. Em alguns países, pessoas pensam que uma ideologia em particular deve ser seguida para trazer felicidade ao país e ao seu povo. Eles querem que todos aprovem a sua idéia de felicidade e acreditam que os que não estão a favor deveriam ser presos ou colocados em campos de concentração. É possível manter tal pensamento por cinqüenta ou sessenta anos, e neste tempo criar uma tragédia enorme, apenas por causa desta idéia de felicidade.

Talvez você também seja prisioneiro de sua própria noção de felicidade. Há milhares de caminhos que levam à felicidade, mas você aceita somente um. Não considerou outros caminhos porque pensa que o seu é o único. Você seguiu este caminho com toda a sua força e, portanto os outros caminhos, os milhares de outros caminhos permaneceram fechados para você.

Deveríamos ser livres para experimentar a felicidade que apenas vem a nós sem ter que procurá-la. Se você é uma pessoa livre, a felicidade pode vir para você num estalo. Olhe para a lua. Ela viaja no céu completamente livre, e esta liberdade produz beleza e felicidade. Eu estou convencido que a felicidade não é possível a menos que seja baseada na liberdade. Se você é uma mulher livre, se você é um homem livre, desfrutará de felicidade. Mas se é um escravo, mesmo que apenas escravo de uma idéia, a felicidade será muito difícil de atingir. É por isso que você deveria cultivar a liberdade, incluindo a liberdade de seus próprios conceitos e idéias. Deixe suas idéias irem, mesmo que não seja fácil.
Conflitos e sofrimento são comumente causados por uma pessoa que não quer
liberar seus conceitos e idéias sobre algo. Em uma relação entre pai e filho, por exemplo, ou entre parceiros, isto acontece o tempo todo. É importante treinar a si mesmo para deixar ir suas idéias sobre as coisas. Liberdade é cultivada pela prática de deixar ir. Se você olhar profundamente, poderá ver que está se segurando a um conceito que está te fazendo sofrer um bocado. Você é inteligente o suficiente, você é livre o suficiente para desistir dessa idéia?

Estou me tornando calmo
Estou deixando ir
Tendo deixado ir, a vitória é minha
Eu sorrio
Eu sou livre


O Dharma que o Buda apresentou é radical. Contém medidas radicais para cura, para transformação da situação atual As pessoas se tornam monges e monjas porque entendem que a liberdade é preciosa. O Buda não precisava de uma conta no banco ou uma casa. No tempo dele, as posses de um monge ou monja eram limitadas aos robes que vestiam e uma tigela para coletar comida.

Liberdade é muito importante. Você não deveria sacrificar ela por nada, porque
sem liberdade não há felicidade."
Thich Nhat Hanh em You are here

24 de fevereiro de 2015

Sobre os falsos valores - Osho


"Uma coisa muito fundamental tem de ser lembrada: o homem é muito hábil em criar falsos valores. Os verdadeiros valores exigem a sua totalidade, requerem todo o seu ser; os falsos valores são muito fáceis de adquirir. Eles se parecem com os valores verdadeiros, mas não requerem a sua totalidade - apenas uma formalidade superficial.
Por exemplo, em lugar do amor, da confiança, nós criamos o valor falso da 'lealdade'. A pessoa leal está apenas superficialmente preocupada com o amor. Ela representa todos os gestos do amor, mas não quer dizer nada com eles; o seu coração fica de fora desses gestos formais.

Um escravo é leal - mas você acha que alguém que seja um escravo, que teve sua condição humana diminuída, de quem todo o orgulho e toda a dignidade foram tirados, pode amar a pessoa que o prejudicou assim tão profundamente? Ele a odeia, e odeia profundamente. (...) Mas na superfície ele vai permanecer leal - e precisa. Ela não faz isso por prazer, mas por medo. Não é por amor, é por causa de uma mente condicionada que diz que se deve ser leal ao seu senhor. É a lealdade do cão ao seu dono.

O amor precisa de uma resposta mais completa. Ele se deve não a uma obrigação, mas às batidas do seu coração, ao seu sentimento de satisfação, ao desejo de compartilhá-lo. A lealdade é uma coisa horrível. Mas por milhares de anos ela tem sido um valor muito respeitável porque a sociedade tem escravizado as pessoas de diversas maneiras. (...)

O amor é uma experiência perigosa, porque você está possuído por algo que é maior do que você. E não é controlável; não se pode produzi-lo com uma ordem. Depois que ele se foi, não há como trazê-lo de volta. Tudo o que se pode fazer é fingir, é ser um hipócrita.

A lealdade é uma questão totalmente diferente; ela é fabricada pela sua própria mente, não é algo além de você. É um aprendizado dentro de uma determinada cultura, assim como qualquer outro aprendizado. Você começa atuando, e pouco a pouco, começa a acreditar na sua atuação. A lealdade exige que você seja sempre, na vida ou na morte, devotado à pessoa, quer o seu coração deseje isso ou não. É uma versão psicológica do escravismo.

O amor dá liberdade. A lealdade produz escravidão. Na superfície, ambos se parecem; no fundo, são radicalmente opostos, diametralmente opostos. A lealdade é uma interpretação; você foi treinado nela. O amor é espontâneo; toda a beleza do amor está na sua espontaneidade. Ele vem como uma brisa com um agradável perfume, preenche seu coração e de repente, onde havia um deserto, existe um jardim cheio de flores. Você não sabe de onde ele vem, mas sabe que não há como produzi-lo. Ele veio um dia, como um estranho, como um convidado, de repente um dia ele vai embora. Não há como prendê-lo, não é possível segurá-lo.

A sociedade não pode depender de experiências tão imprevisíveis, tão duvidosas. (...)
Eu lhes ensino o novo ser humano no qual a lealdade não tem espaço, mas que em vez disso tem inteligência, dúvidas, capacidade de dizer não. Para mim, a menos que sejam capazes de dizer não, o 'sim' de vocês não significa nada. O 'sim' de vocês é apenas gravado como uma fita de gravador; vocês não podem fazer nada, têm de dizer sim, porque o não simplesmente não ocorre a vocês;

A vida e a civilização teriam sido totalmente diferentes se tivéssemos educado as pessoas para ter mais inteligência. (...)
A lealdade não é outra coisa senão a combinação de todas essas doenças -crença, dever e respeitabilidade. Elas todas estão alimentando o seu ego. Elas estão contra o seu crescimento espiritual, mas estão a favor dos interesses investidos. (...) Por todos os interesses investidos pela sociedade, família, religiões, a lealdade é simplesmente uma necessidade. Mas ela reduz todos os seres humanos a retardados. Ela não permite questionamentos. Ela não permite a dúvida. Ela não permite que as pessoas sejam inteligentes. E um homem que não é capaz de duvidar, de questionar, de dizer 'NÃO', quando sente que a coisa está errada, está abaixo da condição humana; ele se torna um animal sub-humano.

Se o amor for pedido, então ele se tornará lealdade. Se o amor for dado sem ser pedido, se ele for dado livremente, então ele elevará a sua consciência. Se a confiança for pedida, você estará sendo escravizado. Mas se a confiança se manifesta em você, algo sobre-humano estará nascendo dentro do seu coração. A diferença é muito pequena, mas de enorme importância; pedidos ou ordenados, o amor e a confiança tornam-se falsos. Quando eles surgem por si próprios, têm um valor intrínseco enorme. Eles não fazem de você um escravo; eles fazem de você o dono de si mesmo, porque é o seu amor, é a sua confiança. Você está obedecendo ao seu coração. Você não está obedecendo a ninguém. Você não está sendo forçado a obedecer. O seu amor é resultado da sua liberdade. A sua confiança é resultado da sua dignidade - e ambos vão fazer de você um ser humano mais pleno.

Essa é a minha ideia da nova humanidade. As pessoas vão amar, mas não vão permitir que o amor seja ordenado. Elas confiarão, mas confiarão de acordo com elas mesmas - não de acordo com nenhuma escritura, não de acordo com nenhuma estrutura social, não de acordo com nenhum político...

Viver sua vida de acordo com o seu próprio coração, seguir as batidas do seu coração, penetrar o desconhecido, assim como uma águia que voa sob o sol em plena liberdade, sem conhecer limites... sem ser mandado. Viver de pura alegria. Pois esse é o verdadeiro exercício da espiritualidade de cada um."
Osho em Intimidade

20 de fevereiro de 2015

Nem pergunta, nem reposta - Satyaprem


"Quem é você?" é muito mais que uma pergunta, é um koan existencial, uma porta de acesso imediato ao Ser. Portanto, não encare esta questão como algo que possa ser respondido através dos reflexos acumulados.
Neste ambiente, todos os reflexos devem ser descartados.


Fique com a pergunta mas não aceite nenhuma resposta, não acumule nenhuma resposta. A questão só estará sendo revelada da maneira correta se, ao levantá-la, você se der conta de que não tem a menor ideia de qual seja a resposta. Na verdade, não há uma resposta porque - de novo - não se trata de uma pergunta. 

O koan é uma chave e a resposta é uma revelação, uma realização, é aquilo que chamamos de 'experiência direta'.

O ponto de 'chegada' - se é que você me entende - é a compreensão de que todas as ideias que nos foram dadas, não servem para colocá-lo face a face com quem você verdadeiramente é. As respostas às quais você tem acesso através da sua mente são superficiais, logo, não satisfazem o propósito da sus busca.

O fim da busca acontece quando, além das ideias, você sabe que não há resposta nem aquele que responderia."
Satyaprem

18 de fevereiro de 2015

Qual o propósito da vida? - Osho



Osho, por que existe vida?

A pergunta é certamente estúpida... E a pergunta não é respondível. (...)

Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. 
A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um
mistério.

Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é
encontrar respostas para todos os porquês.
E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela
será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós
respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida.

Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas... Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Buda.

E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só... então de repente , num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente!
E agora, como ele está se sentindo hoje?
Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário?

Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas.

Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio?
Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler e Mussolini e Joseph Stalin e Mao-Tse-Tung, Gengis Khan, Tamurlaine, Nadir Shah... Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrez? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas... Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau.

Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. O máximo que eu
posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.

Todos os propósitos estão no meio da vida.
Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito... Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio.

A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida
está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa idéia de criação.
Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna.
Ais dhammo sanantano - assim é a lei última.
Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns
propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? 

O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar...Qual
o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas?

A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros...

O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente
e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum.

Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?"

O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo.
Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um
criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância.

Você me pergunta: "Por que a vida existe?"

Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você.

Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito?

Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você.

A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui.
Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode
ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar.

Os Budas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você.

Quando Gautama Buda costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Buda está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado.

Buda costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas.

Um grande filósofo, veio até Buda e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Buda ouviu silenciosamente por meia hora. O filósofo começou a se sentir um pouco embaraçado porque Buda não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas.

Finalmente Buda disse: "Você realmente quer saber a resposta?" O filósofo disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo"..."Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?"

Buda disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso".

O filósofo disse "Sim!" Então Buda disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo."
Um discípulo, um grande discípulo de Buda, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. O filósofo disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele... Estará ele contando piadas para si mesmo?"
Buda disse: "Vá lá e pergunte a ele".

Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse"Senhor, se você quiser realmente
fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas." Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores.

E Buda disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei
silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio... Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo."

"Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. 

Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode
formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma
pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco."

"Assim, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre filósofo vai se sentar por dois anos
silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!"

Mas, Buda disse: "Minhas condições têm que ser atendidas."

Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas
desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta... quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios... e isso não tem fim."
Osho em Eu sou a porta

17 de fevereiro de 2015

Presença Consciente - Eckhart Tolle


"A consciência já é consciente. 

É o não-manifesto, o eterno. Porém, o Universo só se está a tornar consciente gradualmente.

A consciência em si é intemporal, por isso não evolui. Nunca nasceu e nunca morrerá.

Quando a consciência se transforma no Universo manifesto, parece estar sujeita
ao tempo e passar por um processo evolucionário.

A mente humana não é capaz de compreender totalmente a razão deste processo. Mas podemos entrevê-lo dentro de nós mesmos e participar conscientemente nele.

A consciência é a inteligência, o princípio organizador que subjaz ao aparecimento da forma. A consciência tem criado formas há milhões de anos para se poder exprimir através delas no manifesto.

Apesar de o domínio não-manifesto da consciência pura poder ser considerado uma outra dimensão, não é separado desta dimensão da forma. A forma e a ausência de forma interpenetram-se.

O não-manifesto flui para esta dimensão como consciência, espaço interior, Presença. 

Como faz ele isso? Através da forma humana que se torna consciente e, por conseguinte, cumpre o seu destino.(...)

A consciência encarna na dimensão manifesta, ou seja, torna-se forma. Ao
fazê-lo, entra num estado onírico. 

A inteligência permanece, mas a consciência perde consciência de si mesma. 
Perde-se na forma, identifica-se com as formas.
(...)

Encontramo-nos agora numa fase importante da evolução da consciência humana, a consciência está a despertar do sonho da forma. Isto significa que a consciência pode agora começar a criar a forma sem se prender nela. Pode permanecer consciente de si própria, mesmo ao criar e viver a experiência da forma."
Eckhart Tolle em Um novo mundo (Despertar para a essência da vida)

  Colaboração de Lucia Antunes

15 de fevereiro de 2015

Meditação é ação do silencio - J.Krishnamurti


"Meditação é a ação do silêncio. Nós agimos com base em opinião, conclusão,
conhecimento, ou com fins especulativos.

Daí resulta inevitavelmente, na ação, a contradição entre o que é e o que "deveria ser" ou "foi". Tal ação, baseada no passado, no conhecimento, é mecânica; pode ser susceptível de ajustamento ou modificação, mas suas raízes estão no passado. E, assim, sobre o presente paira sempre a sombra do passado. Nas relações, essa ação provém da imagem, do símbolo, da conclusão; as relações são, conseqüentemente, um produto do passado, são memória, e não uma coisa viva. Do meio desse barulho, dessa desordem e confusão, procedem atividades que se fragmentam em padrões de cultura, comunidades,
instituições sociais e dogmas religiosos.

A revolução que institui uma nova ordem social pode-se dar a aparência de uma
coisa verdadeiramente nova, mas, uma vez que vai do conhecido para o conhecido, tal revolução não representa uma verdadeira mudança. Só se torna possível a mudança com a negação do conhecido; a ação não obedece então a nenhum padrão, já que se origina de uma inteligência que constantemente se renova.

Inteligência não é discernimento e julgamento ou avaliação crítica. Inteligência é ver o que é. O que é está constantemente a mudar e, se o ver está ancorado no passado, cessa a inteligência do "ver". É então o peso morto da memória que dita a ação, e não a inteligência da percepção. Meditação é ver tudo isso num
relance. E, para ver, é necessário silêncio. Desse silêncio procede uma ação completamente diferente das atividades do pensamento.

A mente humana está fortemente condicionada pela cultura em que vive - suas tradições, suas condições econômicas, e principalmente sua propaganda religiosa.
Essa mente, que com tanta energia se recusa a tornar-se escrava de um ditador ou da tirania do Estado, sujeita-se à tirania da Igreja ou da Mesquita, ou de
dogmas psiquiátricos, os mais novos e mais em moda. Com muito engenho — vendo por este mundo tantos males irremediáveis - inventa um novo Espírito Santo ou um novo Atman, que logo se torna a imagem destinada a ser adorada.

A mente, que tantas devastações já causou pelo mundo, tem, no fundo, medo de si própria. Percebendo claramente o caráter materialista da ciência, suas conquistas e seu crescente domínio do espírito, trata de criar uma nova filosofia; as filosofias de ontem cedem o terreno a novas teorias, mas os problemas básicos do homem continuam sem solução.

Em meio à enorme confusão causada pela guerra, a discórdia, o extremo egoísmo, avulta o momentoso problema da morte. As religiões, tanto as mais velhas como as mais novas, condicionaram o homem a certos dogmas, esperanças e crenças que lhe oferecem uma "solução pronta" desse problema; mas a morte não é um problema solucionável pelo pensamento, pelo intelecto; ela é um fato — um fato incontornável.

E necessário morrer, para se descobrir o que é a morte, e disso o homem parece incapaz, porque teme morrer para tudo o que conhece, para suas mais íntimas e arraigadas esperanças e visões.

Não existe realmente amanhã, mas há muitos amanhãs entre o presente da vida e o futuro da morte. Nesse intervalo vive o homem, medroso e ansioso, mas sempre com os olhos postos naquilo que é inevitável.
Não deseja, sequer, falar a seu respeito e adorna o túmulo com as coisas que conhece.

Largar tudo o que se sabe - não apenas determinadas formas de conhecimento, mas todo o saber — é morrer. Chamar o futuro — a morte — para estendê-lo sobre o dia de hoje, é o morrer total; já não há, então, intervalo entre a vida e a morte. Então a morte é o viver, e o viver é morte.

Ninguém se mostra disposto a tanto.
Todavia, o homem está sempre a buscar o novo — segurando numa das mãos o velho e com a outra a tatear no desconhecido, em busca do novo. Por isso se torna inevitável o conflito da dualidade — "eu" e "não-eu", observador e coisa observada, o fato e o que "deveria ser".

Cessa de todo essa confusão no momento em que termina o conhecido. Esse terminar é morte. A morte não é uma ideia, um símbolo, porém urna realidade terrível, e não podemos evitá-la agarrando-nos às coisas de hoje, que são coisas de ontem, nem adorando o símbolo da esperança.

Temos de morrer para a morte; só então nasce a inocência, só então surge o eterno novo.
O amor é sempre novo, e a lembrança do amor é a morte do amor."

J.Krishnamurti em A Outra Margem do Caminho


13 de fevereiro de 2015

Quem é você sem suas memórias e suas histórias?


Vamos aprofundar nestas perguntas de Tony Parsons. Alguns me pediram para comentar este card, então vamos lá...

Vamos imaginar que neste instante esquecemos nossos nomes, nossa profissão, nosso passado, família, país, cultura, esquecemos onde estamos, onde moramos, esquecemos de todos os conhecidos, tudo tudo tudo...
Somos uma folha de papel em branco... completamente em branco, sem qualquer referência de nada nem de ninguém...

Perdemos nosso passado, todas as nossa memórias, todos os casos, todas as cenas, tudo o que já vivemos, e todas as pessoas que já conhecemos...
Nenhuma escola, nenhuma casa, nenhuma propriedade, nenhum sonho, nenhum projeto, nada nada nada...

Se fizermos esta experiência veremos que não temos mais nenhum ponto em que nos basear. Não temos nome, não temos profissão, não temos nem mesmo uma nacionalidade que nos dê alguma referência...

Mesmo sem nada, nada mesmo, ainda existimos! Ainda somos!
Existe 'algo' que não depende de nenhum nome, de nenhum conceito, de nenhuma definição, que permanece...este algo que é mais uma dimensão nos dá a certeza absoluta que existimos!
Eu existo!
Posso não saber que sou, onde estou, para onde vou, o que estou fazendo aqui, nem de onde vim, mas tenho em mim a certeza que existo!
Isso é fato! Isso é real!
Mesmo que diga, 'eu não existo!' ou ' eu não sou nada!', pergunto: quem está dizendo isso? Como ninguém, nada, podem afirmar alguma coisa? 

Os mestres usam este paradoxo para nos apontar a existência de 'algo' por trás de toda experiência, por trás de todo conceito, existe sempre 'algo' que é permanentemente presente, é algo que observa tudo acontecer... algo que precisa existir e permanecer apesar de todos os eventos que estão constantemente mudando...

Este algo é indefinível. Impossível de se descrever, somente quando experimentamos, isto é, somente quando abandonamos todas as identificações passageiras, os conceitos, as memórias e histórias, percebemos que 'algo' permanece, sem nome, sem história, sem nada, mas temos a certeza apenas que existimos! 

Isso é tudo!

Neste existir está a chave de tudo o que os mestres nos apontam. A essa consciência de que existimos deram o nome de Ser, por trás de toda experiência, é a presença por trás de tudo o que acontece.

Quando investigamos conscientemente, vemos que esta certeza existe, pode não ser uma 'coisa', porém é uma presença... 

Mesmo aqueles que me escreveram dizendo-se 'nada', dizendo-se 'ninguém', ainda assim estão presos aos conceitos de 'nada' e de 'ninguém'...

Esta pergunta de Tony é a pergunta que aponta para o Ser... para a essência que está além das aparências, além dos conceitos, e a resposta é uma não-resposta, já que é mais uma experiência, vivenciada no silencio, vivenciada no amor essencial. 

Quando nada somos é que tudo somos...
Quando perco todas as referências, nenhuma referência mais me cabe...

A meditação é a porta... Mergulhar no silencio profundo do coração e abandonar todas as histórias, memórias, problemas, passado, futuro, nomes, formas, pessoas, tempo... tudo...
Neste silencio, facilmente, esta verdade nos é revelada, ela vêm a nós. 
Doce, simples, e sem nenhuma resposta, somos acolhidos, somos descobertos, e nesta descoberta descobre-se a tudo e todos sem nada dizer...

Quem é você sem suas memórias e sem suas histórias? ;)
Experimente!!

Namastê
Amidha Prem

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