30 de janeiro de 2015

Mente Cósmica - Ramana Maharshi


"Ramana Maharshi: Não existe uma entidade chamada mente. Por causa do aparecimento dos pensamentos conjecturamos que deve haver alguma coisa da qual eles tenham começado. 

Essa coisa denominamos a "mente". 
Quando sondamos para ver o que é aquilo, não encontramos nada igual a isso. 
Após ela ter desvanecido, encontraremos a paz eterna. As faculdades de raciocínio ou de discernimento são meros nomes. Sejam o ego, a mente ou o intelecto, é tudo igual.

De quem é a mente? De quem é o intelecto? Do ego. O ego é real? Não. Confundimos o ego e o chamamos de intelecto ou mente. (...)

Participante : Como fazer para parar a mente?

Ramana Maharshi: Quer um ladrão pegar um ladrão? Quer a mente encontrar a si própria? A mente não pode buscar a mente. Você andava ignorando o que é Real e guardou na mente aquilo que é irreal, inclusive procurando saber o que ela é. Existia a mente enquanto você dormia? Não. Não existia. Agora ela está aqui. Por isso é impermanente. 
Pode a mente ser encontrada por você? A mente não é você. Por ter pensado ser a mente, por isso me pergunta de que modo examiná-la. Se ela estivesse aí agora, poderia ser examinada. Mas ela 
não está. 

Compreenda esta verdade através da busca. A busca da irrealidade é inútil.
Portanto, vá procurar a Realidade, ou seja, o SER. Esse é o meio para superar a
mente. Existe só uma cosia Real. As outras são meras aparências. Diversidade não é a Natureza d'Aquela. Estamos lendo as letras impressas no papel, contudo, ignoramos qual é a substância (background) dele. O mesmo se dá com você, que absorve as manifestações da mente e não toma conhecimento do fundo (background) delas.
De quem é a culpa? A essência da mente é apenas conhecimento, ou a conscientização. Quando o ego, seja por que meio for, dominar a mente, ela
funcionará como razoamento, pensamento abstrato ou faculdade sensorial. 
A Mente Cósmica, não sendo limitada ao ego e não tendo nada separado dela, permanece pura Consciência. É isso que a Bíblia entende por "EU SOU O QUE SOU"."
Ramanha Maharshi em A Imortalidade Consciente

28 de janeiro de 2015

Palavras e Essência - Eckhart Tolle


"Perdemo-nos com facilidade nas palavras, somos hipnotizados para acreditar implicitamente que, ao relacionar uma palavra com uma coisa, sabemos o que ela é. 

Mas a realidade é que não sabemos.

Apenas encobrimos o mistério com um rótulo. 

Tudo, seja um pássaro, uma árvore, até mesmo uma simples pedra ou, certamente um ser humano, é, em última análise, incognoscível. Isto acontece porque tudo tem uma profundidade insondável. (...)

Sob a aparência superficial, tudo está não só ligado a tudo o resto, como também à Fonte de toda a vida de onde tudo veio.

Até uma pedra, ou mais facilmente uma flor ou um pássaro, pode mostrar-nos o caminho de regresso a Deus, à Fonte, a nós próprios.
Ao observar ou ao agarrar a pedra, e deixando-a ser, sem lhe impor um rótulo
verbal ou mental, há uma sensação de admiração e espanto que nos invade. 


A sua essência comunica connosco em silêncio e reflete a nossa própria essência de novo em nós. (...)
Se não cobrirmos o mundo de palavras e rótulos, a percepção do miraculoso
regressará à nossa vida, após ter sido perdida há muito tempo, quando a Humanidade, em vez de usar o pensamento, foi dominada pelo pensamento. A
profundidade regressa à nossa vida. As coisas recuperam o seu sentido de
novidade, a sua frescura. E o maior milagre de todos é a vivência do nosso eu essencial anterior a quaisquer palavras, pensamentos, rótulos e imagens mentais. (...)
Quanto mais rápidos formos em atribuir rótulos mentais ou verbais às coisas,
pessoas ou situações, mais fútil e fria se torna a nossa realidade e mais insensíveis nos tornamos à realidade do milagre da vida, que se manifesta continuamente dentro e fora de nós. Desta forma, podemos ganhar em intelecto, mas perdemos em sabedoria, bem como em alegria, amor, criatividade e vitalidade. 


Estes elementos ficam dissimulados no espaço morto entre a percepção e a interpretação. É óbvio que é necessário usar palavras e pensamentos.
Eles têm a sua própria beleza - mas haverá necessidade de ficarmos presos a eles?"
Eckhart Tolle em Um mundo novo - O despertar para a essência da vida

 Colaboração de Lucia Antunes

27 de janeiro de 2015

U.G.Krishnamurti - Ensinamentos


* "Ser você mesmo requer extraordinária inteligência. Você é abençoado com esta inteligência, ninguém deu esta inteligência a você e ninguém pode tirá-la de você. Aquele que a deixa se expressar a sua maneira, se torna um Homem Natural.

* Cada artista é único. Nenhum outro é igual a ele. Ele usa ferramentas para expressar a si mesmo. A arte é puro prazer em movimento.

* O corpo não está interessado em nada que você está interessado. E esta batalha, acontece o tempo inteiro.

* Um 'homem moral', é um homem medroso, amedrontado; é por isso que ele pratica a moralidade e segue julgando as pessoas.

* 'O Estado Natural' é não-causal; ele apenas acontece.

*  A chamada Auto-realização é a descoberta de si mesmo e através do si mesmo, não existe nenhum eu para se conhecer. Isso será um grande choque; explode todos os nervos, as células, até mesmo as células da medula dos seus ossos.

* Consciência é tão pura, que qualquer coisa que se faça para purificá-la, na verdade está criando impurezas.

* Tudo o que é necessário para que o organismo viva, já está presente. A imensa inteligência do corpo é infinitamente maior, perto de tudo o que temos como 'certezas' da inteligência.

* Pare de pensar e comece a viver.

* Conhecimento cria experiência, e experiência sustenta o conhecimento. Isso é um círculo vicioso. Não existe tão coisa como 'conhecimento' pelo conhecimento. Conhecimento é poder: 'Eu sei. Você não sabe.'

* O corpo humano é uma extraordinária peça da criação. Mas enquanto como seres humanos, somos corrompidos pela cultura.

* Você não é uma coisa e a vida é outra coisa. Tudo é um movimento unitário. Qualquer coisa que eu disser, não passa de um engano, uma distorção.

* A mistica da Iluminação é baseada na ideia da transformação de si mesmo. Eu mantenho que, não há nada a ser mudado e nada a ser transformado.

* Não existe tal coisa como a Verdade. O que existe é a sua lógica, que parte de premissas pré-concebidas, as quais você chama de verdade.

* O corpo não existe, exceto enquanto pensamento. Existe um pensamento. Tudo o mais existe em relação a este pensamento. O pensamento básico é o pensamento 'eu'. Qualquer coisa que você experimente baseado em pensamento, é uma ilusão.

* A menos que se liberte do desejo, de todos os desejos, Moksha, liberação, ou auto-realização,  será sempre miserável.

* No dia em que o homem experimentou a consciência que o fez se sentir separado e superior as outras formas de vida, neste momento, ele começou a semear sua própria auto destruição.

* Tudo o que digo é que, a paz que você procura é sempre presente dentro de você, em perfeita harmonia com o funcionamento do corpo.

* Você ama o medo. O fim do medo é mortal para você, e você não quer que isso aconteça. Não estou falando em limpar os mecanismos de defesas do corpo; eles são necessários à sobrevivência. A morte do medo é a única morte que existe.

* Por que a vida deveria ter algum significado? Por que deveria existir algum propósito em viver? Viver a si mesmo, é tudo o que existe. Sua busca por algum propósito espiritual, acaba é criando problemas na sua maneira de viver."
U.G. Krishnamurti

24 de janeiro de 2015

Comum ou extraordinário? - Osho


O que é importante?

Osho - Isso depende de você. Se você me perguntar, para mim é tudo igual. Você pode dizer que tudo é importante ou pode dizer que nada é importante; Ambos significam a mesma coisa. 
Tudo é comum ou tudo é extraordinário. O que quer que você queira escolher, seja qual for a palavra que lhe atraia - tudo é importante, tudo, sem excluir nada; ou nada é importante. Ambos significam a mesma coisa, por que, no momento em que tudo é importante ou tudo não é importante, a própria palavra importante perde o valor.(...)

Minha sugestão é que você pode escolher uma coisa ou outra, porque o resultado final será o mesmo.
Se você tiver uma mente negativa, então a resposta do budista estará perfeitamente certa. Buda diz: "Nada é importante". Então, não há nada que possa incomodar. Quando estiver com fome, coma.; quando estiver com sede, beba água; quando estiver com sono, durma - nada é importante; E isso vai-lhe dar uma espécie de relaxamento, uma calma, já que nada é importante; então, se você tiver sucesso ou falhar, dá no mesmo. (...) Isso vai lhe deixar relaxado, calmo, num estado tranquilo de ser - e esse é o propósito!

Ou você pode escolher a resposta de Shankara. Ele diz: "Tudo é importante! Porque tudo é Deus, até a poeira é divina". Isso também está perfeitamente certo; você pode escolher isso. Então, do mesmo modo, quando estiver com fome, coma porque isso é importante; e quando estiver com sede, beba, porque isso é importante; e quando estiver com sono, durma porque Deus está se sentindo sonolento - o Deus que está dentro de você.

Há as duas respostas, as respostas básicas: positiva e negativa. Apenas observe sua própria mente ... e veja qual lhe atrai. Há pessoas que são basicamente atraídas para o positivo e outras para o negativo. Sinta sua própria atração, o que atrai mais. E o quer que lhe atraia mais pode se tornar seu caminho: "Não" pode se tornar seu caminho, "sim" pode se tornar seu caminho.

O caminho de Kabir é o do sim. O caminho do Buda é o do não. Mas, na verdade, o "sim" e o "não", não são importantes. O importante é a totalidade. Se você diz, sim com seu ser total, é a totalidade que liberta. Se você diz não com totalidade, é a totalidade que liberta. Mas, tudo depende de você.

Não há algumas coisas rotuladas de importantes e outras coisas rotuladas como não importantes. Uma rosa pode ser importante para um poeta e ser totalmente desprovida de importância para alguém que só está interessado em dinheiro. Para este último, uma cédula, uma nota de cem dólares é mais importante. Ele vai perguntar: "Qual é a utilidade da rosa?" Na verdade, estará muito preocupado em saber por que as pessoas continuam cantando canções sobre as rosas. "Por que elas não cantam canções sobre notas de cem dólares?"
Osho em A jornada de Ser humano.

***
O real é sempre o Todo, a totalidade. Qualquer parte, divisão, fração, separação é que é irreal, não tem existência em si mesmo, é uma criação da mente.
Osho, neste belo texto nos aponta justamente isso. 

A visão total é que precisa permanecer, pois a mente tem sempre a tendência a cair na fração, na divisão, no ponto... e perder a visão do todo.
É por isso que tanto o 'sim' , como o 'não', tanto o 'tudo' como o 'nada' se equivalem. Pela visão oriental é o eti eti ( isso e aquilo ) ou neti neti ( nem isso nem aquilo). 
Ou partimos do princípio que tudo é vazio, e não tem existência em si mesmo, logo, nada é real, nada tem importância; ou partimos do princípio que tudo é uma projeção dessa consciência que se manifesta nas infinitas formas, tudo é importante, já que tudo é Deus, existência, absoluto manifesto.

As duas visões são perfeitas, e digo mais, interdependentes, já que ambas estão além das explicações da mente. 

A rosa pode ser apenas um conceito, um pensamento... sem nenhum significado real...
Ou a rosa pode ser a maravilha das maravilhas acontecendo, se banhando de perfume no orvalho da manhã... depende de você...
Namastê
AmidhaPrem 

23 de janeiro de 2015

O Milagre já aconteceu - Nisargadatta Maharaj


"Quando se atinge a iluminação, a visão total atingida é tão clara que o indivíduo não faz mais do que rir e até, em aparência, ser irreverente, quando vê a fantástica superestrutura de superstições, ilusões e mistérios que está erigida (pelas nossas crenças e religiões, tradições, costumes e cultura, suposições e sociedade) sobre e em torno da simplicidade elementar que é a Verdade.

Quando você está interessado na verdade, na realidade, você deve questionar todas as coisas, mesmo sua própria vida. Ao crer na necessidade de uma experiência sensorial e intelectual emocionante, você limita sua investigação à busca de satisfação e de conforto.” (E não vai à busca da Verdade).

Enquanto houver um corpo e uma mente para proteger o corpo, existirão atrações e repulsões (devidos às limitações da mente individual em face de suas ilusões, suposições, crenças, cultura etc.). 

Existirão no campo dos fatos, mas não devem trazer preocupação para aquele que está compreendendo. O foco de sua atenção estará em outro lugar (além da mente). Não estará distraído.

Este que vê o tudo isto e também vê o nada, é o mestre interior (aquilo a que
damos o nome de Deus). Só ele é; todo o restante parece ser. Ele é seu próprio
ser, sua esperança e segurança de liberdade: encontre-o e una-se a ele (isto
é, perceba-o), e estará a salvo e seguro” (‘... a Verdade vos libertará’).

A Libertação não é uma aquisição, mas uma questão de coragem; coragem de aceitar que você já é livre e de agir com base nisso”.

Pergunta: Mas pensar, racionalizar não é o estado normal da mente? A mente pode parar de trabalhar, de funcionar?

Nisargadatta Maharaj - Pode ser o seu estado habitual, mas isso será sempre o seu estado normal? Um estado normal não é doloroso enquanto que o habitual quase sempre leva à dor e ao sofrimento.

Pergunta: Se esse não é o estado natural ou normal da mente, como cessá-lo? Deve haver uma forma de aquietar a mente. Quantas vezes digo a mim mesmo: ‘por favor, pára, chega deste falatório sem fim, de frases repetidas vezes sem conta!’ Mas a minha mente não pára. Sinto que é possível pará-la um pouco, mas não por muito tempo. Até mesmo os assim chamados "espirituais" usam artimanhas para manter as suas mentes quietas. Eles repetem fórmulas, cantam, rezam, fazem respiração forçada ou suave, giram, concentram-se, meditam, buscam transes, cultivam virtudes - trabalham o tempo todo de forma a pararem de trabalhar, pararem de procurar, pararem de se mover (para que a mente pare de operar). Quando isso não é trágico, é ridículo.

Nisargadatta -  A mente existe em dois estados: enquanto água e enquanto mel. A água vibra ao mínimo distúrbio enquanto que o mel, embora perturbado, retorna rapidamente à imobilidade.

Pergunta: Pela sua natureza a mente é agitada. Talvez ela possa ser aquietada, mas não é quieta por si mesma, não é isso?

Nisargadatta: Quando tens febre, tremes a toda a hora. São os desejos e os medos (a febre) que fazem a mente inquieta (trêmula). Livre de todas essas emoções a mente fica quieta.

Pergunta: Sim, às vezes sinto isso. Mas sempre que a sensação de perigo se instala, eu me sinto isolado, à parte de todas as relações com os outros. Você entende? É aqui que está a diferença entre as nossas mentalidades. Na mentalidade hindu, a emoção segue o pensamento. Dê a um hindu uma idéia e as suas emoções afloram. Com um ocidental é o oposto: dê-lhe uma emoção e ele irá produzir muitas idéias. As suas idéias são muito atrativas intelectualmente, mas emocionalmente não.


Nisargadatta - Coloca o teu intelecto à parte. Não o uses nestes assuntos (isto é, esqueça o ‘eu’).

Pergunta: De que serve um conselho se não podemos lhe dar continuidade (se não podemos aplicá-lo corretamente)? Tudo isto são idéias e você quer que eu não responda emotivamente às idéias. Sem emoção, como pode haver ação?


Nisaragadatta - Por que falas em ação? Alguma vez ages por conta própria? Algum poder desconhecido age e tu imaginas que és tu que estás a agir. Tu estás meramente a ver o que acontece sem poderes influenciar em nada (és apenas testemunha).

Pergunta: Por que há uma resistência tão grande em mim para a aceitação de que não posso fazer nada, de que não decido nem escolho?
Nisargadatta - Mas, que podes tu fazer? Tu és como um paciente sob anestesia no qual o cirurgião faz uma cirurgia. Quando acordas vês que a operação terminou; podes dizer que fizeste alguma coisa?

Pergunta: Mas fui eu que escolhi submeter-me à cirurgia.

Nisargadatta - Claro que não. Foi a tua doença, por um lado, e a pressão do teu médico e da família, por outro, que te fizeram, aparentemente, decidir. Não tens escolha alguma; apenas a ilusão de que escolhes, de que tu decides; não há escolha.

Pergunta: No entanto, não me sinto tão indefeso quanto você faz parecer. Sinto que posso fazer tudo aquilo que penso; só não sei como fazer. Não é o poder que me falta, é o conhecimento.


Nisargadatta - Não conhecer os meios para fazer é admitido como sendo tão mau quanto não ter o poder! Mas deixemos este assunto por agora; afinal, não é importante o motivo pelo qual nos sentimos indefesos, mas sim que consigamos ver claramente que neste momento somos indefesos.

Eu tenho agora 74 anos e, no entanto, me sinto como se fosse uma criança. Eu sinto claramente que apesar de todas as mudanças eu sou uma criança. O meu Guru disse-me: essa criança, que és tu neste exato momento, é o teu verdadeiro eu. Volta a esse estado de puro ser, onde o "Eu sou" ainda está na sua pureza antes de ter sido contaminado e confundido com "eu sou isto" ou "eu sou aquilo". O teu fardo (os teus problemas) é de falsas identificações - abandona-as todas. O meu Guru disse: "Confia em mim. Eu te digo: tu és divino.
Toma isto como verdade absoluta. A tua alegria é divina, o teu sofrimento também é divino. Tudo vem de Deus. Lembra-te sempre: Tu és Deus, e sempre é feita a tua vontade." Eu acreditei nele e rapidamente realizei o quão as suas palavras eram verdadeiras e certas. 

Não condicionei a minha mente pensando: "Eu sou Deus, eu sou maravilhoso, eu estou além." Simplesmente segui a sua instrução que era focar a mente no puro "Eu sou" e ficar aí. Eu costumava sentar-me durante horas seguidas com nada exceto o "Eu sou" na minha mente e, cedo, a paz e a alegria e um amor profundo e envolvente tornaram-se o meu estado normal. Nisso, tudo desapareceu - eu, o meu Guru, a vida que vivia, o mundo à minha volta. 
Apenas a paz se manteve envolta por um silêncio incompreensível.

Pergunta: Parece tudo muito simples e fácil, mas não é. Às vezes acontece o maravilhoso estado de alegria e eu olho e penso: quão facilmente vem e quão parece íntimo e totalmente meu. Onde estava a necessidade de lutar tão fortemente por este estado que é tão próximo? Mas cedo esse estado se dissolve e deixa-me a pensar se teria sido realidade ou alguma ilusão. Se era realidade, por que se foi embora? Talvez seja necessária alguma experiência singular para se ficar nesse novo estado para sempre e, até que essa experiência crucial aconteça, este jogo de esconde-esconde vai continuando.

Nisargadatta - A tua expectativa de algo singular e dramático, de alguma explosão maravilhosa, está apenas a atrasar (é apenas obstáculo) a tua realização. Não é para esperares uma explosão, pois a explosão (esse milagre)
já aconteceu - no momento do teu nascimento, quando te realizaste como
sendo ser-conhecimento-sensação. Há apenas um erro que estás a fazer: tu tomas o dentro como sendo o fora e o fora como sendo o dentro. 


O que está em ti, tu tomas como estando fora de ti, e, o que está fora, tu tomas como estando dentro de ti (isto é, a tua interpretação sempre incorreta das coisas do mundo). 

A mente e os sentimentos são externos, mas tu os tomas como internos, íntimos. Tu acreditas que o mundo é objetivo, mas ele é inteiramente uma projeção da tua psique.
Essa é a confusão básica e nenhuma explosão a vai esclarecer. Tens de te pensar fora disso. Não há outra forma."
Nisargadatta Maharaj em I Am That

22 de janeiro de 2015

Faça seu caminho - Osho


"O rebelde não tem caminho algum para seguir; aqueles que seguem algum caminho não são rebeldes. O próprio espírito de rebeldia não necessita de qualquer orientação. Ele é uma luz em si mesmo.

As pessoas que não podem se rebelar pedem por orientação, querem ser seguidoras; A psicologia delas é a de que ser um seguidor as alivia de todas as responsabilidades; o guia, o mestre, o líder, os messias se tornam responsáveis por tudo. Tudo o que se requer do seguidor é apenas que tenha fé. E apenas ter fé é um outro nome para a escravidão.

O rebelde está em um estado de tremendo amor pela liberdade - liberdade total, nada menos do que isso. Daí ele não ter salvador, mensageiro de Deus, messias ou guia algum; ele simplesmente vive de acordo com sua própria natureza. Ele não segue ninguém, não imita ninguém. Certamente ele escolheu o modo de vida mais perigoso, cheio de responsabilidades,mas de uma alegria e liberdade tremendas.

Ele muitas vezes falha, comete erros, mas nunca se arrepende de nada, porque aprendeu um profundo segredo da vida: ao cometer erros você se torna sábio.

O Rebelde é como um pássaro.
Ao extraviar-se, você conhece mais claramente o que está certo e o que está errado, porque tudo aquilo que lhe dá miséria, sofrimento, que torna sua vida uma escuridão sem fim, sem amanhecer...isso significa que você se extraviou. Perceba, e volte novamente para o estado de ser onde você está em paz, silencioso, sereno e uma fonte de felicidade e estará novamente no caminho certo. Não existe outro critério além desse.

Estar em estado de graça é estar certo.
Estar infeliz é estar errado.

A peregrinação do rebelde está repleta de surpresas. Ele não tem mapa, nem guia, assim, cada momento está entrando em um novo espaço, em uma nova experiência - em direção à sua própria experiência, à sua própria verdade, ao seu próprio êxtase, ao seu próprio amor.

Aqueles que são seguidores nunca conhecem a beleza de experienciar coisas nova. Eles sempre têm usado conhecimento de segunda mão e fingindo serem sábios. As pessoas são certamente muito estranhas. Elas não gostam de usar sapatos de segunda mão; nem mesmo em seus pés elas porão sapatos de segunda mão; Mas quanto lixo elas estão carregando em suas cabeças...simplesmente sapatos de segunda mão! Tudo o que elas sabem é emprestado, imitado, aprendido - não pela experiência, mas somente pela memória. O conhecimento delas consiste em memorização.

O rebelde não tem um caminho como tal.
Ele anda, e faz o seu caminho enquanto anda.

O rebelde assemelha-se a um pássaro voando no céu; que caminho ele segue?
Não existe estradas no céu, não existem pegadas de pássaros ancestrais, de pássaros notáveis. Nenhum pássaro deixa qualquer pegada no céu, portanto o céu está sempre aberto.
Você voa e faz o seu caminho..."

Osho em The Book of Wisdom

20 de janeiro de 2015

Dois caminhos que são um - Osho


"Há dois caminhos até a verdade suprema. 

O primeiro é o da auto-cultivação e o segundo é o da iluminação. O primeiro é basicamente errado. Ele apenas parece ser um caminho, mas não é. O indivíduo anda em círculos, mas nunca chega a lugar algum. O segundo não parece ser um caminho porque não há espaço para caminho quando uma coisa acontece instantaneamente, quando uma coisa acontece imediatamente. Quando uma coisa acontece sem levar tempo algum, como pode haver um caminho?

Este paradoxo tem que ser compreendido com a maior profundidade possível: o primeiro parece ser um caminho, mas não é; o segundo não parece ser um caminho, mas é. O primeiro parece ser um caminho porque há tempo infinito; é um fenômeno temporal. Mas qualquer coisa que aconteça no tempo não pode conduzir você além do tempo; qualquer coisa que aconteça no tempo só fortalece o tempo.

Tempo significa mente. O tempo é uma projeção da mente. Ele não existe; é só uma ilusão. Só o presente existe - e o presente não é parte do tempo. O presente é parte da eternidade. O passado é tempo, o futuro é tempo; ambos são não existenciais. O passado é apenas memória e o futuro é apenas imaginação; memória e imaginação, ambas são não existenciais. Nós criamos o passado porque nos apegamos à memória; o apego à memória é a fonte do passado. E nós criamos o futuro porque temos muitos desejos ainda por satisfazer; temos muita imaginação ainda a ser realizada. E os desejos precisam de um futuro como uma tela sobre a qual eles possam ser projetados.

Passado e futuro são fenômenos da mente; e passado e futuro criam toda a ideia que você tem do tempo. Normalmente, você acha que o tempo tem três divisões: passado, presente e futuro. Isso é totalmente errado. Não é assim que aqueles que despertaram vêem o tempo. Eles dizem que o tempo consiste só em duas divisões, passado e futuro. O presente não faz parte do tempo; o presente pertence ao além. 

O primeiro caminho - o caminho da auto-cultivação - é um caminho do tempo; nada tem  a ver com a eternidade.
O segundo caminho - o caminho da iluminação - é o que os mestres zen sempre chamaram de caminho sem caminho, porque ele não parece ser um caminho de jeito nenhum. Não pode se apresentar como um caminho; mas, apenas para facilitar a comunicação, nós o chamaremos arbitrariamente de segundo caminho. O segundo caminho não é parte do tempo, é parte da eternidade. Por isso, ele acontece instantaneamente; acontece no presente. Você não pode desejá-lo, não pode ambicioná-lo. 

No primeiro caminho, o caminho falso, tudo é permitido. Você pode imaginar, pode desejar, pode ser ambicioso. Você pode mudar todos os seus desejos mundanos em desejos do outro mundo. É isso que as pessoas pretensamente religiosas fazem. Elas já não desejam dinheiro - estão fartas do dinheiro, cansadas dele, frustradas, entediadas - mas começaram a desejar Deus. O desejo persiste, apenas muda seu objeto. O dinheiro não é mais o objeto dos desejos; Deus é. O prazer não é mais o objeto dos desejos; a felicidade é. Mas que tipo de felicidade você imagina? Qualquer coisa que você imagine em nome da felicidade é apenas a sua ideia de prazer - talvez um pouco refinado, melhorado, sofisticado, mas não pode ser mais que isso.

As pessoas que para de desejar coisas mundanas começam a desejar o céu e os prazeres celestiais. Mas quais são eles? Aspectos ampliados dos mesmos velhos desejos;(...) 

Mas com os desejos espirituais há um perigo ainda maior, porque eles são de outro mundo e para vê-los você precisa esperar até a morte. Eles se realizarão só após a morte; portanto você não pode se libertar deles em vida, não pode se libertar enquanto estiver vivo. E, para um homem que viveu de maneira inconsciente a vida toda, a morte será a culminação da inconsciência; ele morrerá inconsciente. Na morte também ele não será capaz de se desiludir. E a pessoa que morre na inconsciência nasce novamente na inconsciência. É um círculo vicioso; vai se repetindo sem cessar. E a pessoa que nasce na inconsciência irá repetir a mesma atitude que vem repetindo por milhões de vidas;

A menos que você se torne alerta e consciente em vida, a menos que você mude a qualidade de seu modo de viver, você não morrerá consciente. E só uma morte consciente pode levar você a um nascimento consciente; e então, uma vida muito mais consciente abrirá suas portas. (...)

Assim, o primeiro caminho não é realmente caminho, mas um engodo - um engodo muito tentador; Em primeiro lugar é a auto-cultivação. Não é contra o ego, mas enraizado no refinamento do ego. Procure refinar o ego de toda impureza, e ele se tornará um eu. O ego é como um diamante bruto: você vai cortando e polindo até ele se tornar um diamante muito precioso. Essa é a sua ideia de 'eu', que porém não é mais que o ego com um nome bonito, com um sabor espiritual adicionado. É o mesmo velho ego ilusório.

A própria ideia encerrada em ' eu sou' é errada. O todo é , Deus é - eu não sou. Ou existo eu, ou existe Deus, mas não podemos os dois existir - porque, se eu existo, então sou uma entidade separada. Então, tenho minha existência independente de Deus. Mas Deus simplesmente significa o total o todo. Como posso ser independente disso? Como posso ser separado disso? Se eu existo, destruo a própria ideia da totalidade. (...) A própria ideia de 'eu sou' é anti-espiritual.

E o que é a auto-cultivação? É um esforço para polir, um esforço para criar um caráter bonito, abandonar tudo o que é irresponsável e criar tudo o que for respeitável. É por isso que em diferentes países, diferentes coisas são cultivadas por pessoas espirituais - pessoas pretensamente espirituais. Depende da sociedade; o que a sociedade respeita será cultivado. (...)
Tudo o que a sociedade respeita passa a ser um alimento para o seu ego. E as pessoas estão prontas para fazer qualquer tolice. A única alegria é que isso trará respeitabilidade.(...)

Tente entender o paradoxo: é muito importante para a compreensão do espírito do zen.
Zen não é uma pista, não é um caminho. Por isso, é chamado de portão sem portão, caminho sem caminho, esforço sem esforço, ação sem ação. Empregam-se esses termos contraditórios para apontar para uma determinada verdade: a de que um caminho significa que há uma meta, e a meta tem que estar no futuro. Você está aqui, a meta é lá, e entre você e a meta é necessário um caminho, uma ponte, para unir os dois. A própria ideia de caminho significa que você ainda tem que chegar em casa, que aqui ainda não está em casa.

O segundo caminho - o caminho sem caminho, o caminho da iluminação - tem uma revelação totalmente diferente a fazer; uma declaração totalmente diferente e de imenso valor: que você já é o caminho. 'Ah, isso!' Não há lugar para onde ir, não há necessidade de ir. Não há ninguém a quem ir. Nós já somos iluminados. E só pode acontecer num instante - porque é uma questão de despertar.

Por exemplo, se você adormeceu e está sonhando ...pode sonhar que está na lua. Acha que, se alguém o acordar, você terá que voltar da lua? Levará tempo? Se você já chegou à lua, então terá que voltar, e isso levará tempo. A nave pode não estar disponível no momento. Pode não haver passagens disponíveis; a nave pode estar lotada. Mas você pode ser acordado porque é só um sonho estar na lua. Na verdade você está em sua cama, na sua casa: não foi a lugar algum. Só uma pequena sacudidela e de repente, você está de volta - de volta de seus sonhos.

O mundo é só um sonho. Não precisamos ir a lugar algum, sempre estivemos aqui: nós estamos aqui e vamos ficar aqui. Mas podemos adormecer e podemos sonhar. (...)
Todas as crenças são sonhos. Você não é o que acredita ser. Talvez você tenha sonhado há tanto tempo que os sonhos parecem quase realidade.

Então, a questão não é de auto-cultivação: a questão é de iluminação.

O zen acredita na iluminação súbita porque acredita que você já é iluminado; porém, uma certa situação é necessária para despertá-lo. Basta um pequeno alarme. Se você estiver levemente alerta, bastará um pequeno alarme, e você subitamente despertará. E todo o sonho com seus longos desejos, jornadas, reinos e montanhas, oceanos ...todos terão desaparecido num único instante."
Osho em O Homem que amava as gaivotas.

19 de janeiro de 2015

Atenção à fonte - Ruper Spira


"Toda a gente sabe que Eu Sou, mas nem toda a gente conhece a natureza do Eu que Eu Sou.

Então é necessário uma descoberta adicional, além de saber-se apenas que Eu
Sou.

Para conhecer a natureza do que Eu Sou, temos de atender ao que Eu Sou. Exatamente da mesma forma que, se quisermos conhecer a natureza de alguma coisa, atendemos a ela, damos a nossa atenção a ela.

Então, tendo descoberto que Eu Sou, o passo seguinte é dar a nossa atenção ao Eu que Eu Sou. Quem daria atenção, e o que é que seria a atenção exatamente que damos ao Eu que Eu Sou?

Obviamente que o único que pode dar atenção ao que Eu Sou é aquele que está
consciente que Eu Sou. É o mesmo Eu que Eu Sou que dá atenção a si mesmo. Isso é este virar da atenção que Ramana Maharshi chamou auto-investigação. Levar a atenção de volta à sua fonte, para descobrir, não apenas o fato de que Eu Sou, mas a natureza do Eu que Eu Sou. E é neste atender a nós próprios ou como nós próprios que vem até nós a memória da nossa verdadeira natureza.

Quando eu digo atender a nós próprios, eu sei que compreendes que não podemos atender a nós próprios como um objeto. O Sol não pode virar-se ao contrário para si próprio e brilhar como um objeto. Então para atender a si mesmo, significa simplesmente ser si próprio conscientemente. E conforme nos atemos conscientemente como nós próprios, as qualidades que são inerentes em nós próprios, começam a emergir. Gradualmente na maioria dos casos como pano de fundo.

E a primeira qualidade a emergir na maioria dos casos é a paz. Esta qualidade imperturbável que tem a Consciência que, não importa o que aconteça no primeiro plano da experiência - pensamentos, sentimentos, atividades, relacionamentos etc - no pano de fundo, pelo menos parece estar no pano de fundo a princípio, existe esta paz imperturbável."


Colaboração de Lucia Antunes 

18 de janeiro de 2015

Consciência e centramento - Osho


"Primeiro é preciso entender o que significa consciência. 
Você está andando na rua. Está consciente de muitas coisas — das lojas, das pessoas que passam por você, do tráfego, de tudo. Está ciente de muitas coisas, menos de uma — você mesmo. 

Você está andando na rua, consciente de muitas coisas e esquecido de si mesmo!  Essa consciência do eu George Gurdjiefif chamou de “lembrança de si mesmo”. 

Ele dizia: “Constantemente, onde quer que você esteja, lembre-se de si mesmo.” Não importa o que esteja fazendo, nunca deixe de fazer outra coisa interiormente: ficar consciente do que estiver fazendo.

Você está comendo — fique consciente de si mesmo. Está caminhando — fique consciente de si mesmo. Está ouvindo, está falando — fique consciente de si mesmo. Quando estiver com raiva, fique consciente de que está com raiva. Essa lembrança constante de si mesmo cria uma energia sutil, uma energia muito sutil dentro de você. Você começa a ser um ser cristalizado.
Na maior parte do tempo, você é só um saco vazio! Nenhuma cristalização, nenhum centro de verdade — só liquidez, só uma combinação ao acaso de muitas coisas sem nenhum centro. Uma multidão, em constante mudança, mas sem ninguém que a comande. 

A consciência é o que faz de você o comandante do navio — e quando eu digo comandante não quero dizer alguém que detenha o comando. Quero dizer uma
presença — uma presença contínua. Sempre que estiver fazendo alguma coisa, ou não estiver fazendo nada, uma coisa tem de ser constante na sua consciência: que você é.

O simples sentimento de si mesmo, e de que esse si mesmo é, cria um centro — um centro de calma, um centro de silêncio, um centro de comando interior. Trata-se de um poder interior. E quando eu digo “poder interior” quero dizer literalmente isso. É por isso que Buda fala do “fogo da consciência” — ela é um fogo. Se começar a ficar consciente, você começará a sentir uma energia nova em você, um fogo, uma vida nova. E, por causa dessa vida nova, desse poder, dessa energia, muitas coisas que dominavam você se dissipam. Você não tem de lutar contra elas.

Você tem de lutar contra a sua raiva, contra a sua ganância, contra o sexo,
porque você é fraco. Portanto, na verdade, a ganância, a raiva, o sexo não são o problema, a fraqueza é o problema. 

Quando você começar a ficar mais forte interiormente, com um sentimento de
presença interior — de que você é —, suas energias ficam concentradas, cristalizadas num único ponto, e nasce um eu. Veja, não nasce um ego, nasce um eu. 

O ego é um sentido falso de eu. Mesmo sem ter um eu, você continua acreditando que você é um eu — que na verdade é o ego. Ego significa falso eu — você não é um eu, embora acredite que seja.(...)
O ego é uma noção falsa de algo que ainda nem sequer existe. “Eu” significa um centro que pode prometer. Esse centro é criado pelo ser que está continuamente alerta, constantemente consciente. Tenha consciência de que você está fazendo algo — de que está sentado, de que agora você vai dormir, de que o sono está chegando, que você está caindo no sono. Tente ficar consciente o tempo todo e então você começará a sentir que nasce dentro de você um centro; as coisas começaram a se cristalizar, ocorre um centramento. Tudo passa a se relacionar com esse centro."
Osho em Consciência: A Chave Para Viver em Equilíbrio

16 de janeiro de 2015

A Meditação no trabalho


"Na almofada de meditação, podemos estar presentes, através da sensação física e da nossa respiração.
Fora da almofada de meditação, podemos estar presentes, com as pessoas que encontramos, no nosso trabalho, no alimento que comemos, em tudo enfim.."

Esse é o propósito da meditação: tornar-se mais presente e consciente de todos os aspectos de nossas vidas.

Quando se trata de trabalho, sempre temos escolha. Podemos nos incomodar com as coisas que acontecem no dia-a-dia, considerando que aquelas horas em que estamos trabalhando, podem ser um desperdício de tempo, e ficamos sempre olhando para o nossa vida lá fora... ou então, podemos lidar com nosso trabalho de uma maneira que nos faça sentir, que estamos participando de uma vida realmente digna de ser vivida.

A prática da meditação nos ajuda a desacelerar e estar presente o suficiente para reconhecer as pequenas alegrias no nosso trabalho, bem como as suas frustrações também. Ela nos ajuda a clarear a "lama" da nossa própria mente, a conhecer a nossa intenção claramente, e viver nossas vidas plenamente presentes.

Eu recomendo que as pessoas comecem o dia com meditação, quando sua mente ainda está fresca. No entanto, o tempo que dispensamos para a meditação, vai variar para cada pessoa. Algumas pessoas gostam de meditar quando chegam em casa do trabalho. Outras gostam de tirar algum tempo no meio do seu dia, durante o intervalo do almoço. Independentemente do que funciona para você, tente começar com 10 minutos por dia, quantos dias por semana você puder. 

Diz-se que após 11 dias de fazer qualquer coisa em sua vida, isso se torna um hábito; por isso, se você quer começar a meditar regularmente, e tentar cumprir este período, a meditação se tornará um hábito natural na sua vida. 
Se você perder um dia aqui ou ali não há necessidade de preocupar com isso, siga em frente, continue.

Esta prática diária de meditação pode ser a base para a sua jornada espiritual. Estamos afinal, praticando algo que nos acompanhará pelo resto de nossas vidas.

Desde que passamos tanto tempo no trabalho, é útil se tirar alguns momentos para praticar a meditação todos os dias . Se tivermos uma sessão de meditação em algum momento de nosso dia, podemos usar isso como referência e obter vários pequenos momentos de meditação ao longo do dia também.  Com isso em mente, existem algumas técnicas que eu recomendaria para praticar a meditação em seu trabalho, pode ser numa estação dos correios, numa oficina de automóveis, numa biblioteca, ou até mesmo numa loja de departamentos cheia..

A meditação Ding!

Uma coisa que eu gosto de fazer é definir um temporizador para sair uma vez por hora. Eu defini um lembrete no meu celular, e depois de 60 minutos ele vai tocar, "ding!" Não importa se eu estou trabalhando, eu me lembro de focar o olhar, me conectar com a minha postura, respirar e meditar por um minuto. Pratico o que parece ser um minuto ou dois, em seguida, reinicio o temporizador e volto ao trabalho.

A meditação do ponto vermelho

Meu primeiro instrutor de meditação me ofereceu esta técnica quando eu manifestei interesse em meditação quando eu era criança. Ele sabia que eu iria crescer inquieto se eu tivesse que ficar parado por longos períodos de tempo; por isso, ele recomendou que eu colocasse círculos vermelhos (você pode encontrá-los em qualquer papelaria) e colá-los em vários pontos da minha casa. Quando encontrasse com um, eu deveria parar, notá-lo e deveria pensar nisso como um pequeno sinal de parada e pausa, me conectar com o meu corpo, prestar atenção à minha respiração por alguns momentos, então seguir em frente.

Tente fazer isso em seu próprio ambiente de trabalho. Eles são bem pequenos, o que faz com que pouquíssimas pessoas irão notá-los; além do mais, isso "corta" o caminho hábito de você correr de um lugar a outro sem atenção nem foco.

Encontrando um amigo

Muitas vezes é útil ter uma comunidade de outros meditadores que te incentivam a praticar regularmente. Com isso em mente, tenta descobrir se há alguém no seu local de trabalho que está interessado em prosseguir com a meditação. Se assim for, vocês podem reservar algum tempo durante o almoço ou outra pausa e meditar juntos por cinco, ou dez minutos. Você não tem que praticar meditação em casa sozinho; vocês podem encontrar num local tranquilo fora, na grama ou em um banco em algum lugar; marque um tempo, e desfrute de um o apoio do outro.

Com certeza, é extraordinário encontrar este tipo de "amigo espiritual" no trabalho, e se conseguir, você vai experimentar um grande nível de suporte para sua prática de meditação; vale a pena perguntar aos seus colegas se eles estão interessados.

Quanto mais nós começamos a nos oferecer ao dom da meditação, tanto em sessões mais longas ou em pequenos momentos durante todo o nosso dia, mais seremos capazes de nos conectar com o momento presente.

Ao apreciar o momento presente, somos capazes de conectar-nos com todos os detalhes da nossa vida, e experimentar cada momento como uma oportunidade de nos conectar com a nossa bondade e amor fundamental. 
A partir daí, a mente tranquila, pode nos orientar durante todo o dia."
Por Lodro Rinzler em Elephant Journal

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