29 de junho de 2010

Coragem...


"O NOVO não vem de ti, vem do mais à frente.
Não forma parte de ti. Está arriscando todo seu passado.
Há uma discontinuidade entre o novo e você, por isso tem medo.
Viveste de uma maneira, pensaste de uma maneira, criaste uma vida cômoda ao redor de suas crenças.
Então chama algo novo a sua porta. Agora o padrão de seu passado se verá perturbado.
Se permitir que entre o novo nunca voltará a ser o mesmo, o novo te transformará.

É arriscado. Não sabe até onde pode chegar com o novo. O velho é conhecido, familiar; viveste com isso a muito tempo tempo, está familiarizado com isso.
O novo não te resulta familiar. Pode ser um amigo ou um inimigo, quem sabe? E não há forma se soubesse! A única forma de sabê-lo é permiti-lo, por isso surge o temor, o medo.
Tampouco pode seguir rechaçando-o, porque o velho segue sem te dar o que buscas.
O velho te promete, mas não cumpre sua promessa.
O velho é conhecido mas miserável. O novo pode ser incômodo mas ao menos há uma possibilidade, pode-te proporcionar felicidade. De modo que não pode rechaçá-lo mas tampouco pode aceitá-lo; por isso vacila, tem medo e surge uma grande ansiedade em seu ser. É natural não passa nada estranho. Sempre foi assim e sempre será assim.
Tenta compreender a chegada do novo.

Todo mundo quer voltar a ser novo, porque ninguém está satisfeito com o velho. Ninguém pode está-lo, porque seja o que seja, já o conhece.
Assim que o conhece se volta repetitivo; assim que o conhece se volta aborrecido, monótono.
Quer te liberar disso. Quer explorar, quer ter aventuras. Quer voltar a ser novo, mas, entretanto, quando o novo chama a sua porta acovarda, encolhe-te, esconde-te no velho.
Este é o dilema.

Como volta a ser novo? Todo mundo quer ser novo. Precisa ter coragem, e não uma
coragem ordinária; precisa ter uma coragem extraordinária.
O mundo está cheio de covardes, por isso deixou que crescer a gente. Como vais crescer se for um covarde? Quando tem uma oportunidade te acovarda, fecha os olhos. Como vais crescer? Como vais ser? Só finge ser.

Já que não pode crescer tem que encontrar crescimentos substitutos. Não pode crescer
mas sua conta no banco sim, é um substituto. Não faz falta ter coragem, ajusta-se
perfeitamente a sua covardia. Sua conta de banco segue crescendo e crie que está
crescendo você.
Volta-te mais respeitável. Seu nome e sua fama seguem crescendo e pensa que está crescendo? Só te está enganando. Você não é seu nome, você não é sua fama.
Sua conta de banco não é seu ser. Mas se pensar no ser começa a tremer, porque para crescer tem que renunciar à covardia."
Osho em O prazer de Viver Perigosamente

28 de junho de 2010

Totalmente Livre...


"Seu coração bate no instante,
Aquilo que você é sobrevive no bater do seu coração,
E não no pensar da sua mente,
Aquilo que você é não é homem nem mulher,
Aquilo que você é não pode ter nome,
Não pode ter tamanho,
Aquilo que você é não depende da discordância ou concordância dos outros.

Você é totalmente livre...
Totalmente livre..."
Satyaprem

27 de junho de 2010

Sem sentido...


"Sua mente está sempre perguntando: "Por quê? Para quê?" E qualquer coisa que não tenha resposta para a pergunta "para quê" aos poucos passa a não ter valor para você.

E assim que o amor passou a não ter valor.
Para que serve o amor? Aonde ele leva você?
O que se pode conseguir com ele? Ele vai levá-lo a algum tipo de utopia, a algum paraíso?
É claro que, pensando assim, o amor não tem qualquer sentido.
Ele é sem sentido.
Qual é o sentido da beleza? Você contempla o pôr-do-sol e fica maravilhado.
É tão lindo... Mas um idiota qualquer pode vir e perguntar: "Qual o sentido disso tudo?" E você fica sem resposta.

Se não existe sentido algum, então por que fazer tanto alarde sobre a beleza?
Uma flor, um quadro, uma música ou uma poesia bonita — eles não têm qualquer sentido. Não são argumentos para se provar nada nem são meios para se atingir um fim. E viver consiste somente nessas coisas que não têm sentido algum.

Deixe-me repetir: viver consiste somente nessas coisas que não têm absolutamente sentido, que não têm algum, de não o fazer ganhar nada com elas.
Em outras palavras, viver é significativo por si mesmo significado algum — significado no sentido de não ter objetivo, de não levar você a lugar nenhum."
Osho em Faça seu Coração Vibrar

24 de junho de 2010

Rifa-se um coração...


"Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado,
meio calejado muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.

Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu..."...não
quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as
orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.

Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta."
Rifa-se um Coração por Clarice Lispector

Deus Aqui-Agora...


"Para mim Deus é aqui-agora.
Tudo que você vê é Deus.
Deus não é algo além.
Deus é algo dentro.

Ou você gosta de paradoxos, você pode chamar Deus de além interior ou interior além.

Mas Deus é intrínseco.
Deus é o mais profundo cerne da existência...
A menos que você comece na direção certa, você irá perder.
Nunca acredite em um Deus separado das Suas criaturas e da Sua criação.
Ele não é.
Ele não pode ser.

Ele é um com tudo: Ele é nela. Ele é ela.
Uma vez que isso seja compreendido, você começa a fluir;
Toda sua vida se torna uma oração.
Essa é a mensagem básica de Jesus. É por isso que ele seguia dizendo: " Deus é meu Pai". Esse era o modo de dizer o que eu estou dizendo a vocês.(...)
Jesus diz " Eu sou contínuo com Ele: nunca houve separação. Ele flui em mim: em mim em cada célula Ele está fluindo. Em nenhum lugar há descontinuidade"

Este é o significado, mas Jesus usa a palavra Pai, porque está falando com pessoas muito simples.(...) Ele usa essa palavra Pai, e é muito lindo, porque torna a religião pessoal. E quando a religião se torna pessoal ela se torna Vida."
Osho em Come Follow Me

23 de junho de 2010

Um livro?


"Satyaprem pega um livro e pergunta para alguém que está em Satsang pela primeira vez...

Satya: O que é isso aqui?
Participante: Um livro.

Satya: Quem foi que te disse?
Participante: As convenções.

Satya: Mas eu quero saber o que é isso, além das convenções!
Participante: É um objeto tocável.

Satya: E quem foi que te disse que isso é um objeto tocável?
Participante: Assim me foi ensinado.

Satya: Então, além do que lhe foi ensinado, o que é isso?
Participante: Uma matéria inerte.

Satya: E quem foi te disse que isso é uma matéria inerte?
Participante: .....
Satya: Yes!

É isso mesmo!
Qualquer que seja a elaboração que você tenha, ela vem do passado, é algo que você ouviu, é algo que alguém lhe disse e que você acredita piamente.
A verdade é que você não sabe nada desse objeto (permita-me chamar de objeto, só para nos entendermos).
Tudo o que você sabe é o que você aprendeu.
E você vive exatamente neste limbo, sonambúlico, onde se diz: "Eu aprendi!"Mas tudo o que você aprendeu é de terceira, quarta... quinta-mão.

É muito raro que alguém se disponha a descobrir o que são as coisas, por si mesmo.
Isso me lembra um poema do Manuel de Barros, em que o avô dele estava lendo um livro e o livro estava de cabeça para baixo...
O avô dele era meio cego e estava olhando para o livro daquela maneira. Manuel de Barros, um menino, na época, disse: - Vovô, o que você está fazendo?

Seu livro está de cabeça para baixo. Ao que o avô respondeu:- É que eu o estou deslendo. Satsang propõe que você desleia a si mesmo. Desleia o mundo!
Em tempo presente, todas as coisas só podem ser acessíveis, se acessadas diretamente, objetivamente...Silenciosamente.
Veja! Quando é que você encontra um objeto (aqui estou falando do objeto chamado 'ser humano') silenciosamente? A maior parte do tempo você já encontra esse objeto com prejuízo. Digo: pré-juizo, com hífen. Eu não sei se está correto de acordo com nossa nova ortografia.

Mas eu quero dizer assim mesmo: pré-juizo.

Algo sobre o qual você já tem uma idéia.
O que normalmente se sobrepõe, pela surdez e insensibilidade (comum à grande maioria), à possibilidade de você ter acesso total àquele objeto em sua pureza."
Satyaprem em Satsang

22 de junho de 2010

Ondas...


Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:

“Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil…”

Mas outra onda do oceano lhe disse:
“Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!”

“Mas,” replicou a pequena onda, “se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”
“Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!”

“Água? E o que é água?”

“Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão.
Contempla a transitoriedade à tua volta, tem coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação…”
Conto Zen

21 de junho de 2010

Tédio...


"O tédio é uma das coisas mais importantes na vida humana.

Somente o homem é capaz de tédio; nenhum outro animal é capaz de ficar entediado. O tédio existe somente quando a mente começa a chegar cada vez mais e mais perto da iluminação. O tédio é simplesmente o pólo oposto da iluminação.

Os animais não podem tornar-se iluminados, por isso eles não podem tornar-se entediados tampouco.
O tédio simplesmente mostra que você está se tornando ciente da futilidade da vida, da constante roda repetitiva. Você já fez todas aquelas coisas antes – nada acontece. Você esteve dentro de todas aquelas viagens antes – não deu em nada.

O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos.

Ora, você pode responder ao tédio de duas maneiras. Uma é o que é feito comumente: fugir dele, o evitar, não olhar olho no olho dentro dele, não afrontá-lo.
Mantenha-o às suas costas; e fuja; fuja para dentro das coisas que possam ocupá-lo, que podem tornar-se obsessões – que o mantenha tão afastado das realidades da vida, que você jamais vê o tédio surgir novamente.

Eis porque as pessoas inventaram o álcool, as drogas. São meios de fugir do tédio. Mas você não pode realmente fugir; você pode somente evitar por um tempo. Nova e novamente, o tédio virá, e nova e novamentItálicoe ele será cada vez mais e mais ruidoso.
Você pode fugir no sexo, comendo muito, na música – em mil um uma espécies de coisas você pode fugir. Mas nova e novamente o tédio surgirá.

Ele não é algo que possa ser evitado: ele faz parte do crescimento humano. Tem de ser encarado.
A outra resposta é encará-lo, meditar nele, ficar com ele, ser ele.
Eis o que Buda estava fazendo debaixo da árvore Bodhi – eis o que todo o povo do Zen esteve fazendo através das eras."
OSHO em Take it Easy

19 de junho de 2010

Vossa vontade...


'Seja feita a Vossa vontade'...

Essa frase do nosso amado mestre Jesus, sempre foi a que mais toca meu coração, em todo o Evangelho...
Me deparo cada vez mais vivenciando essa sabedoria, e percebendo a grandeza e a simplicidade desse ensinamento da Verdade...

Recentemente li um texto do amado mestre Ramesh, muito lindo por sinal, em que ele coloca que todo o seu ensinamento poderia ser resumido nessa mesma frase: 'Seja feita a vossa vontade.', ou como dizem os muçulmanos 'Inshallah '....

Entrar em contato com isso me tocou profundamente. Saber que um mestre indiano, da atualidade apoia todo seu ensinamento de advaita na mesma luz que nos mostrou Jesus, há 2000 anos atrás...é muito lindo, de verdade...
Isso me fez refletir sobre o alcance e a profundidade dos ensinamentos que Jesus nos deixou e do quanto o advaita aponta para a verdade profunda absoluta, sem rodeios, nem atalhos...

Tenho passado uns dias no meu paraíso "in blue" e aqui em meio a tanta graça, amor, a beleza desse oceano vasto, infinito, vivo e a alegria que irradia dessa natureza deslumbrante, dos olhares e das energias puras, fica realmente fácil deixar o coração aberto e transbordando em gratidão.
Sinto profundamente a sabedoria dessas palavras, e a minha volta é exatamente isso que encontro...gratidão, confiança e amor .A vontade de Deus, ou melhor, o próprio Deus, se manifestando a cada momento...sempre....em cada rosto, cada pensamento, cada gesto...em cada átomo da criação...tudo é vivo, pulsante e novo, absolutamente novo...sempre....
Deus manifesta-se enquanto consciência pura...sua vontade, sua face, sua expressão...sua alma...
Vivemos e somos o infinito oceano da consciência divina...somos nós os filhos e filhas de Deus...e nesse reconhecimento, o que transborda é amor gratidão, alegria e liberdade....

Todos os mestres nos apontam essa verdade latente em cada ser humano...a consciência divina que se descobre a si mesma no despertar....

Quando ouvimos Jesus falar no evangelho que o Pai e Eu somos Um...é a essa consciência que Ele se refere... a divina consciência do EU SOU...ou seja, Deus manifesto é consciência em cada um de nós, independente de raça, idade, classe social...o mais profundo, puro, verdadeiro em nós é consciência, é Deus manifesto, Deus experimentando a Si mesmo na criação, através das inúmeras formas, dos inúmeros eventos simultâneos...a grande leela divina...
Mestre Ramana, disse uma frase que eu amo: 'O coração está no corpo, mas o corpo que está no coração'...ou algo mais ou menos assim rsrsr...aqui ele nos mostra que toda a existência é consciência, só existe consciência...o que ele chama de coração...só existe um infinito oceano de consciência e nele os 'corpos', ou seja, a matéria emerge mas mesmo assim totalmente mergulhada em consciência...como o peixe no oceano, cercado de mar por todos os lados...cercado pela vontade divina por todos os lados...sendo pura vontade divina...

Quando reconhecemos essa grandeza, por um lado morremos para nossas idealizações, identificações, para a ideia de separação, para a idéia de que temos vontade própria, separada, independente...mas por outro lado passamos a fluir com o oceano divino e vislumbrar a vontade de Deus em nós, em tudo e em todos...entramos na liberdade, no ilimitado, no aberto...e celebramos com isso...
Deus vida. Deus amor. Deus vontade e manifestação...
Amor
Lilian

15 de junho de 2010

Canções...


"Uma pessoa que vive em sua cabeça não vive ali de fato.
Somente aquela que vive em seu coração, e que entoa canções que não são compreensíveis para a cabeça, danças que não estão relacionadas de nenhuma maneira com o contexto que lhe rodeia... apenas surgem de sua abundância, de sua prosperidade, você terá tanta energia que vai querer dançar, cantar e gritar...
Faça isso!
Fará com que se sinta mais vivo, dará a você uma chance de saborear a vida como ela é."
Osho em Viva o Máximo

Nesse texto nosso amado mestre aponta a dimensão musical em nós. Uma dimensão que existe e é pura, simples e inédita. A canção da vida é presente em tudo que vive...o fato que sermos pensantes, fazedores, realizadores...não impede que tudo que pensemos, façamos ou realizemos seja perfumado pela canção do amor, da leveza, da simplicidade e da unicidade linda...que somos nós de verdade, em nossa essência mais profunda...
A canção do coração é a voz de Deus no mundo...

Uma vida responsável, não é impedimento de se divertir com o que se faz, realizar com prazer, trabalhar com alegria, olhar com carinho, acolher com amor as diferenças, tomar consciência da preciosidade em cada pessoa, da vida, acolher as situações com o coração aberto, buscar ensinamentos em todos os fatos...enfim sermos com a viva, dançar com as situações....

A canção da vida nos constrói, ela nos sustenta e nos impulsiona a sermos mais e mais abertos, mais e mais libertos e quanto mais nos damos conta disso, mais as "dificuldades e amarras" se dissolvem, ou melhor, nos damos conta que não existem barreiras reais, existem barreiras mentais...barreiras que nós mesmos criamos, ou acreditamos existirem....
As canções são sopro...a vida canta, dança...o rio da vida flui...

Podemos compreender isso com todo nosso ser, de todo coração e fluir junto, com alegria e felicidade, deixando o mais puro o mais simples em nós transbordar...como as crianças....
Ou podemos resistir a vida, tentar controlar, acreditar que somos insubstituíveis, que somos superiores, ou inferiores, que o julgamento e a crítica, a competição levam a algum lugar...enfim sermos barreiras ao fluxo da canção da vida...

Temos essa liberdade.

Mas eu deixo no ar a pergunta: Qual das duas atitudes nos traz mais leveza, alegria e felicidade? Isso já nos indica qual o caminho mais fácil, mais relaxado e o mais prazeiroso...
Amor
Lilian

13 de junho de 2010

Dúvida e confiança...


"A dúvida é bonita em si mesma. O problema surge quando você fica preso nela.

Análise é perfeita se você se mantém separado dela, se mantém distante. Se você se torna identificado, então surge o problema. A análise se torna uma paralisia.
Se você sente que foi treinado para analisar, questionar, duvidar, não se sinta um miserável. Duvide, analise, questione, mas mantenha-se separado. Você não é a dúvida. Use-os com metodologia, como métodos.
Se a análise é um método, então a síntese é outro método. Análise é metade e síntese a outra metade, ambas deverão ser integradas, para serem realmente inteiras. E você não é nem analise, nem síntese - você é a consciência transcedental.
Questionar é bom, mas a questão é obviamente metade, a resposta é a outra metade.
Duvidar é bom, mas é uma parte, a confiança é a outra parte.

Permaneça indiferente, afastado. Quando eu digo afastado, digo não só da dúvida, mas da confiança também. Este também é um método. É preciso usá-lo.
Não deve se permitir ser usado por elas - e então surge uma tirania.

A tirania pode ser duvidando ou acreditando. A tirania da dúvida pode aleijar você; você nunca estará hábil para se mover um passo porque duvida está em todo lugar. Como você pode fazer alguma coisa se a dúvida está presente? E se a confiança se tornar também uma tirania... (...)

Lembre-se sempre disso: dúvida e confiança são como as duas asas. Use ambas, mas não seja nenhuma delas.

Um homem de discernimento, um homem sábio, usará a dúvida se ele estiver interessado em algo. Se ele investigar sobre o lado de fora, o outro, ele usará da dúvida como método. Se sua investigação foi interna, voltada para si mesmo, então ele usará a confiança como método. Ciência e religião são essas duas asas.(...)

O homem perfeito é um homem que possui uma perfeita harmonia entre dúvida e confiança. O homem perfeito parecerá incoerente para você, mas ele não é incoerente. Ele é simplesmente harmonioso - as contradições se dissolvem nele. Ele usa tudo."
Osho em Come and follow me.

11 de junho de 2010

Ilusão do ego...


"Mula Nasrudin estava caminhando, olhando pra si mesmo, para o seu botão, para o seu umbigo, para o seu ego e ele passou perto de um poço.
Quando ele olhou lá pra dentro, ele viu a lua dentro do poço e disse: "Meu Deus! Preciso Salvá-la."
Aí, ele pegou uma corda, jogou lá pra baixo e disse assim: "Segura firme que eu vou te salvar". Ele jogou a corda e ela trancou num negócio e ele ficou puxando.
"Que pesada a lua"! Ele pôs toda a força do mundo.
Daí, de repente, a corda escapou e ele caiu de costas no chão e viu a lua lá em cima, no céu. E ele disse: "Pôxa! Imagina se eu não estivesse passando.
Imagina! Tu não estarias salva"..."

Essa é a ilusão do ego.
Não tinha lua nenhuma lá dentro.
É pura ilusão. Acorde! Não precisa salvar nada.
A lua está salva. Você está salvo.
Você já está muito bem onde você se encontra, mas você está procurando no lugar errado.
E você procura no lugar errado porque existe uma idéia de que você esteja em algum lugar ou que algo deve acontecer.
Que algo é esse? Você tem de averiguar na sua mente: que algo é esse.
Veja se esse algo que você mantém como o que tem de acontecer ou esse lugar onde se tem de chegar não é um objeto sagrado pra você. "Não, isso aqui é dogma.
Eu não posso tocar nisso. Isso aqui, sorry, mas nisso eu não vou tocar.

Você está apegado a uma idéia e, enquanto você estiver apegado a qualquer idéia, você não pode ficar aqui, porque aqui não cabe nenhuma idéia.
As idéias só existem no passado e no futuro.
No presente não existe idéia.
Existe apenas a inexistência da idéia.
Existe apenas Consciência.
Idéia não é. A idéia depende da sua mente.
Consciência não depende da sua mente.
O seu ego depende da construção estrutural da sua mente.

A sua Consciência, quem verdadeiramente você é, seu Ser, não depende de construção nenhuma; mora fora do tempo.
Sua Consciência está aqui-agora, caso você faça vista-grossa, ou não.
Você faz vista-grossa quando você descreve a si mesmo não como Consciência, mas como história.
Você tem de ir para o passado para falar de você mas você não existe no passado, quem você verdadeiramente É, É Aqui.

Existe também um engôdo, um engano: "Quando eu iluminar"... É uma idéia de que algo vai acontecer no futuro e que vai haver um acontecimento e a partir desse acontecimento, eu estarei iluminado e não mais precisarei me iluminar.
Mas iluminar é verbo, é sempre no presente.
Não existe um acontecimento senão será mais um no conteúdo da sua mente. "Quando eu Iluminei, anteontem"... Ué!
Mas se você Iluminou anteontem, você não está Iluminado agora.

Iluminar é estar totalmente no presente para todo o sempre."

10 de junho de 2010

Meditar...


"O sábio Jesus dizia que precisávamos estar despidos para entrar no “Reino dos Céus”.
Isso quer dizer despojados, desapegados, relaxados e com um coração inocente e puro “como o das criancinhas”.
Como o sábio indiano Krishnamurti dizia: “Eu não me preocupo com o que acontece”. O que ele queria dizer com isso? É muito profundo.

Sim, ele vivia o que acontece, mas não havia a noção e nem a expectativa de que as coisas deveriam ser diferentes do que eram, tanto para ele, como para as outras pessoas!
Meditação é simplesmente uma abertura sincera para o momento presente como ele é.
Este convite da meditação e da autoinvestigação é uma entrega à vida, um desejo de viver o momento, com todo o amor, toda a simplicidade, toda a intensidade que o momento possa oferecer.

Aprenda a amar o seu centro mais profundo.

O que chamamos de prática meditativa é simplesmente entregar ao universo a sua identidade, os seus planos, as suas ideias, a sua agenda, seu passado, seu futuro, sua programação, seus relacionamentos, tudo, apenas por este instante.

Apenas por este momento. Uma pequena pausa para simplesmente ser ninguém! Apenas ser uma presença desapegada. Uma nuvem branca. Um vazio criativo.

Na prática, você aprende a simplesmente devolver todos os pensamentos para o lugar de onde eles vieram, e deixa o perfume do amor envolver tudo.
Quando você senta a mente e o corpo em silêncio, o amor que exala dessa quietude, e que sempre esteve ali, se torna visível para você.
O que é viver sem esforço? É viver naturalmente, descobrindo como fazer tudo com amor, com presença.

Meditar em ação é acolher tudo.

Meditar na vida diária é trazer a compreensão para todos os aspectos da vida cotidiana. “Sentar” a mente e o corpo não significa apenas fazer um exercício. “Sentar” na tradição Zen, por exemplo, é ver as coisas como elas são, estar presente, e não ser ludibriado pelas emoções aflitivas da mente e por toda a interpretação ilusória do ego."
Swami Sambodh Naseeb em Vida Iluminada

9 de junho de 2010

Sensibilidade...


"Você não pode ser sensível apenas em uma dimensão; A sensibilidade pertence à totalidade de seu ser, ou seja: você é sensível em TODAS as dimensões.
Seja mais receptivo e aumente sua capacidade de observação.

Se estiver andando sob o sol e sentir os raios de sol em seu rosto, seja sensível e a seu toque sutil. E preste atenção também no momento em que a luz interna o atingir.
Quando você estiver sentado em um parque, sinta a grama, o verde ao seu redor, a diferença na umidade, o cheiro da terra. Se não conseguir, não terá acesso a seus próprios sentimentos quando eles começarem a acontecer.
Sinta o que está ao seu redor, este é o caminho mais fácil. Se não conseguir estabelecer uma conexão com o exterior, não poderá sentir o interior. Seja mais poético e menos pragmático em sua vida. Às vezes não custa nada ser sensível. (...)

A vida surgiu no mar e 90% de seu corpo é feito de água. Vá nadar no mar e sinta a água em volta de seu corpo. Logo você saberá que faz parte de mar e que seu interior pertence ao mar.
Quando a lua estiver no céu e o oceano acenar com suas ondas em resposta, seu corpo também responderá.
Seu desafio é sentir essa emoção. Se você não for capaz de sentir uma coisa tão simples, será difícil conquistar algo tão sutil quanto a meditação.

Como você pode sentir o amor? Todos estão sofrendo, sofrimento por causa do amor. As pessoas querem amar e querem ser amadas, mas o problema é que se você amá-las de fato, elas não poderão sentir isso. Continuarão perguntando:- Você me ama?
O que fazer então? Se você disser que sim não acreditarão, porque não podem senti-lo; se você disser que não, elas se sentirão feridas.

Se você não puder sentir os raios de sol, a chuva, a grama ou o mundo que o cerca, então não poderá sentir coisas mais profundas, como o amor e a compaixão. Raiva, violência e tristeza são emoções muito evidentes, cruas, fáceis de serem alcançadas. Mas o caminho que nos leva para dentro é sutil, e quanto mais sutil sua meditação se tornar, mais sutis serão seus sentimentos. É preciso estar preparado.
A meditação não é uma coisa que você faz durante uma hora e depois deixa de lado. De fato, toda a vida tem que ser meditativa. Somente então você começará a sentir as coisa. E quando digo toda a vida deve ser meditativa, não quero dizer que você deve ficar sentado meditando 24 horas - Não!

Você pode ser sensível onde quer que esteja e a sensibilidade lhe trará algo em retorno. Pense menos, sinta mais.
Viva de acordo com seu coração, faça algo espontâneamente. (...)
Você vai conseguir sentir o que está acontecendo dentro de si mesmo quando sua capacidade de prestar atenção ao que ocorre ao seu redor estiver funcionando de forma plena".
Osho em Uma farmácia para a alma.

8 de junho de 2010

Enfim...


Enfim o Amor...
As andorinhas no ar,
A brisa leve nas árvores altas,
O canto dos pássaros ao te ver passar...
Enfim o Amor...
Que brilha nos seus cabelos,
Nos seus olhos luminosos,
Que sopra nas palavra doces,
E explode no sorriso mais lindo...

Enfim o Amor...
Das mãos dadas ao luar,
Dos beijos suaves,
Das margaridas em flor,
Dos poemas sem rima...

Enfim o Amor...
Das páginas de um livro lindo,
Das melodias tocadas a dois,
Da saudade que bate,
Dos doces instantes a sós...

Enfim o Amor...
Que cresce com o tempo,
Que esqueçe o que não foi,
Que toca a cada mometo,
E é tão puro e simples,
Como uma abelha na flor...

Enfim as andorinhas no ar...
Enfim o Amor...

7 de junho de 2010

We are all one.

Amor verdadeiro...


"O amor que vem da mente é sempre amoródio. Não são duas palavras é uma só: "amoródio" - nem mesmo o hífen as divide. E um amor que vem do seu coração está além de todas as dualidades.

Todos estão em busca daquele amor que vai além do amor e do ódio - mas estão buscando com a mente e por isso são infelizes. Todos os amantes sentem o fracasso, decepção, traição, mas ninguém tem culpa. A realidade é que está sendo utilizado o instrumento errado.
É como se alguém estivesse usando os olhos para ouvir música e então ficasse enfurecido porque não existe música. Mas os olhos não foram feitos para ouvir, foram feitos para ver.
A mente é um mecanismo muito sistemático e calculista; nada tem a ver com o amor. O amor será um caos, perturbará tudo nela;
O coração nada tem a ver com negócios - ele está sempre de férias.

Ele pode amar, e pode amar, e pode amar sem nunca transformar seu amor em ódio; ele não tem o veneno do ódio (...)
Continuamente nos tem sido ensinado que o amor é um relacionamento, de modo que nos acostumamos com essa idéia. Mas isso não é verdade.
Esse é o tipo mais inferior - muito poluído.
O amor é um estado de ser.

Cada vez que percebemos algo da verdade, há uma dança no coração.
O coração é o único testemunho da verdade.
E ele não pode testemunhar através de palavras.
O coração pode testemunhar a sua própria maneira: através do amor, através da dança, através da música - não verbalmente.
Ele fala, mas não fala com a linguagem e a lógica."
Osho em Pepitas de Ouro

6 de junho de 2010

Vem do horizonte...


Vem do horizonte distante,
E pousa suave em minhas mãos...
Brisa leve que perpassa distâncias
E acolhe simples aqui junto a mim...
Não tem forma, nem nome tem
Não precisa,
Não faz alarde,
Não ofusca,
Existe simplesmente...
Reconheço quando chega,
Reconheço a poesia do momento,
Me arrepia,
Faz tremer...
E me traz paz, delicadeza, beleza,
Um vulcão em um lago calmo...

Vem do horizonte distante,
E pousa suave em minhas mãos...
Mas já mora no meu coração, na minha alma...
Sorri,
Canta,
Dança,
Brinca,
E me faz perceber coisas que não via antes...

Essa magia permeia minha vida,
Não tem explicação
Nem precisa na verdade,
É beleza única, autêntica.

Realidade profunda da alma,
Momentos de eternidade a dois...

5 de junho de 2010

Kirtana

Deus...


"O mundo é a luxúria de Deus.
Ele tem tanto - o quê fazer com isso? Ele divide. Ele coloca a disposição, Ele começa a expandir. Ele começa a criar.

Mas lembre-se sempre, Ele não é um criador como um pintor que pinta. O pintor é separado da pintura. Se o pintor morre, a pintura permanece. Deus é o criador como um dançarino; a dança e o dançarino são uma só. Se o dançarino para, a dança para.

Você não pode separar a dança do dançarino, você não pode dizer ao dançarino: Me dê sua dança, quero levá-la para casa. Quero obtê-la.
A dança não pode ser comprada. Você não pode carregá-la por aí.(...)
Quando o dançarino dança, ela está lá; quando ele pára ela desaparece como se nunca tivesse existido.

Deus é criatividade. Não é que Ele tenha criado alguma coisa no passado e depois parou e descansou. E desde então o que Ele tem feito? Não. Ele está continuamente criando. Deus não é um evento. Ele é um processo...criativo.
Ele não é aquele que criou e depois parou. Se fosse assim o mundo estaria morto. Ele é continuamente criativo, como os pássaros que cantam, e as árvores que florescem e as nuvens que se movem no céu. Ele é criação - e Ele não precisa de nenhum descanso porque a criatividade não é uma ação; não tem como deixá-Lo cansado. Isto é além do seu nada...

Isto é o que dizemos no Oriente, que Deus é vacuidade, vazio. Só a vacuidade pode ser infinita.
Qualquer coisa está fadada a ser finita. Só a vacuidade, o vazio é infinito é a expansão infinita de vida, da existência é possível.

Deus não é alguém; Ele é ninguém, ou melhor "ninguendade". Ele não é alguma coisa; (...)
Ele é vazio, a vacuidade criativa, que Budha chamou de sunya. Ele é vazio criativo.

O que estou ensinando a vocês? Estou ensinando a mesma coisa.
A se tornarem vazios criativos, não-fazedores, deliciar-se em apenas Ser".
Osho em Come and Follow me.
...
Aqui vemos com clareza a grandiosidade da existência como manifestação criativa de Deus. Um Deus que se dá, que cria e vive em tudo e em todos...
A existência é a luxuria de Deus...
Aquilo que Dele transborda, emana, irradia...como a luz do sol..
Somos seus raios luminosos, únicos plenos de beleza...
A existência canta, dança, ri, chora, ama, odeia, nasce, morre, cresce, expande, encolhe, colore, brilha, ofusca, voa, anda, rasteja, mergulha, nada, pinta, constrói, destrói...enfim a existência é processo é verbo é movimento, é impermanência...
Essa constante expressão, essa mudança infinita nos mostra como a criação está se fazendo a cada momento, de forma única e jamais se repete...
Os momentos são canções divinas, autênticas...
Deus -existência criativa...
Nós -criativa existência...
Amor
Lilian

4 de junho de 2010

Desejos...


"Se você está identificado com o corpo, então seus desejos serão o alimento e o sexo.
Estes dois são desejos animais, os mais primários.
Eu não os estou condenando por chamá-los de os mais primários; não os estou avaliando, lembre-se.
Estou apenas estabelecendo um fato: eles estão no degrau mais baixo da escada.

Se você está identificado com a mente, seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e mais milhares de coisas ...
O corpo é muito limitado; tem preocupações simples – alimento e sexo.
E se move como um pêndulo entre estes dois, alimento e sexo, e para ele nada mais existe.
Mas se você está identificado com a mente, a mente tem muitas dimensões.
Você pode estar interessado em filosofia, você pode estar interessado em ciência, você pode estar interessado em religião – você pode estar interessado em quantas coisas você puder imaginar.

Se você está identificado com o coração, então seus desejos serão de uma natureza mais elevada, mais elevada do que a mente.
Você vai se tornar mais estético, mais sensível, mais alerta, mais amoroso.
A mente é agressiva, o coração é receptivo.
A mente é masculina, o coração é feminino. A mente é lógica, o coração é amor.

Portanto, depende de onde você está fixado: no corpo, na mente, no coração. Estes são os três locais mais importantes a partir de onde uma pessoa pode funcionar.

Mas há também um quarto local em você; no Oriente, é chamado de turiya.
Turiya significa simplesmente o quarto degrau, o transcendental.
Se você está consciente da sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem.
Então você simplesmente existe, sem nenhum desejo, sem nada a ser perguntado, a ser preenchido.
Não há futuro nem passado.
Você vive apenas o momento, totalmente satisfeito, preenchido.
No quarto degrau, seu lótus de mil pétalas se abre; você se torna divino.

Investigue, busque o lugar exato em que você está.
No que me diz respeito, todo desejo é puro desperdício, todo o querer isso e aquilo é errado.
Mas se você está identificado com o corpo eu não posso lhe dizer isso, porque isso estará distante demais de você.

Se você está identificado com o corpo, vou lhe dizer para passar a ter desejos um pouco mais elevados, os desejos da mente, e depois para desejos um pouco mais elevados ainda, os desejos do coração, e então, finalmente, para o estado de ausência de desejo.
Nenhum desejo pode jamais ser satisfeito.

Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem mística.
A ciência tenta satisfazer seus desejos, e é claro que a ciência tem obtido sucesso ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma infelicidade.
O místico tenta despertá-lo para esse grande entendimento a partir do qual você pode ver que todos os desejos são intrinsecamente não preenchedores.

Tem-se de ir além de todos os desejos; só então há contentamento.
O contentamento não está no fim de um desejo, o contentamento não é conseguido pela satisfação do desejo, porque o desejo não pode ser satisfeito.
Quando você atinge a satisfação do seu desejo, vai descobrir que surgiram mais mil e um outros desejos. Cada desejo se ramifica em muitos novos desejos.
E isso vai acontecer repetidamente, e toda a sua vida será desperdiçada.

Aqueles que conheceram, aqueles que puderam ver – os budas, os acordados – todos concordam em um ponto. Não é uma coisa filosófica, é factual, a realidade do mundo interior: o contentamento acontece quando todos os desejos foram abandonados.
É com a ausência dos desejos que o contentamento cresce dentro de você – na ausência.
Na verdade, a própria ausência de desejos é contentamento, é satisfação, realização, florescimento.

Portanto, mova-se de desejos inferiores para desejos superiores, de desejos brutos para desejos mais sutis, depois para o mais sutil, porque a partir do mais sutil o salto para o não-desejo, para a ausência de desejo, é fácil.
A ausência de desejo é o nirvana."
Osho em Come, Come, Yet Again Come

3 de junho de 2010

Miten e Deva Premal...

Advaita...


Advaita é uma palavra em sânscrito cujo significado literal é “não-dois”.
A interpretação moderna do Advaita é algumas vezes apresentada como “Não-dualidade” ou mesmo como o final dos Vedas ou “Não-dualidade além do conhecimento”.
Outro nome ainda para o estudo do Advaita é Jnani Yoga (Yoga do Conhecimento).

No século XX, os mestres modernos do Advaita Ramana Maharshi e Nisargadatta Maharaj quebraram o caminho tradicional, de trasmitir o ensinamento por via escrita, e falaram diretamente de sua experiência.
Entre as diversas reinterpretações desse termo, e apenas como referência, abaixo está a da Enciclopédia Britânica:
Gaudapada, pensador do século VII, autor do tratado Mandukya-karika, defende que não há dualidade; a mente, acordada ou sonhando, move-se através de Maya (ilusão ou transitoriedade); apenas a não-dualidade é a verdade final.

Esta verdade é obscurecida pela ignorância da ilusão.
Não há o tornar-se, seja de uma coisa por si mesma, ou de uma coisa vinda de outra coisa. Na verdade não há Self individual ou alma, apenas o Atman (Consciência Universal).
O filósofo indiano medieval, Shankara (700? – 750?) desenvolveu ainda mais os fundamentos de Gaudapa, principalmente nos seus comentários aos sutras do Vedanta, os Sari-raka-mimamsa-bhasya (Comentários sobre os Estudos do Self).

Shankara, em sua filosofia, não parte do mundo empírico e o submete a uma análise lógica, mas, ao invés disso, parte diretamente do Absoluto (Brahman).
Se interpretado corretamente, ele questiona, os Upanishads ensinam a natureza de Brahman.
Ao construir seu argumento, ele desenvolve uma epistemologia completa para contabilizar o equívoco humano de tomar o mundo fenomênico como sendo real.

O fundamental para Shankara, é o postulado de que Brahman é Real e o mundo é irreal.
Qualquer mudança, dualidade ou pluralidade é uma ilusão (no sentido de que é ilusório, é momentâneo, transitório, não-permanente. Já o que é Real, não muda, é permanente e constante).
O Self não é outra coisa senão Brahman.
O insight dessa identidade resulta na libertação espiritual. Brahman está fora do tempo, do espaço e da causalidade, as quais são simplesmente formas de experiência empírica.
Não é possível nenhuma distinção em ou de Brahman.

Origens do Advaita (não-dualidade) nos textos Védicos :
O Self que é livre do pecado, livre da velhice, da morte e do pesar, da fome e da sede, que não deseja nada além do que deseja, e que não imagina nada, além do que imagina, isso é o que devemos procurar, isso é o que devemos tentar compreender.
Aquele que descobriu esse Self e o compreende, obtém todos os mundos e todos os desejos. (Chandogya Upanishad 8.7.1)
Tudo isso é Brahman.
Deixe um homem meditar nisso (no mundo visível) como começando, terminando e respirando nele (Brahman)... ( Chandogya Upanishad 3.14 1, 3)
O Self separado dissolve-se no mar da pura consciência, infinita e immortal.
A separatividade provém do identificar o Self com o corpo o qual é feito de elementos; quando a identificação física se dissolve, não pode haver mais um Self separado.
É isso que eu quero dizer a vocês. (Brihadaranyaka Upanishad. Chapter 2, 4:12)

Assim como os rios que fluem para o leste e para o oeste se fundem no oceano e se tornam um com ele, esquecendo que eles eram rios separados, assim também todas as criaturas perdem sua separatividade quando se fundem finalmente no puro Ser. (Chandogya Upanishad. 10:1-2)
O que o sábios procuravam eles finalmente encontraram.
Nenhuma pergunta a mais eles tem a fazer para a vida.
Com a vontade própria extinta eles estão em paz.

Vendo o Senhor do Amor em tudo a sua volta, servindo ao Senhor do Amor em tudo a sua volta eles estão unidos com ele para sempre. (Mundaka Upanishad. 3:2:5)…Mas aqueles que me adoram com Amor vivem em mim, e eu passo a viver neles. Aquele que me conhece como seu próprio Self divino se desvencilha da crença de que ele é o [seu] corpo e não renasce como uma criatura separada. Este está unido comigo. Libertos do apego egoísta, medo e raiva, preenchidos de mim, rendidos a mim, purificados no fogo do meu ser, muitos alcançaram o estado de unidade comigo. (Bhagavad Gita 4:9-10)

Quando identificado com o ego, o Self parece outra coisa diferente do que ele é.
Pode parecer mais fino que um fio de cabelo. Mas saiba que o Self é infinito. (Shvetashvatara Upanishad. 5:8-9)
O Self supremo nem nasce nem morre. Não pode ser queimado, movido, perfurado, cortado ou seco.

Além de todos os atributos, o Self supremo é a eterna testemunha, sempre puro, indivisível, único (não-composto), muito além dos sentidos e do ego... Ele é omnipresente, além de todos os pensamentos, sem ação no mundo externo, sem ação no mundo interno. Separado do externo e do interno, esse Self supremo purifica o impuro. (Atma Upanishad. 3)

Apesar de todas as galáxias emergirem dEle, Ele não tem forma e é incondicionado. (Tejabindu Upanishad. 6)
Medite e compreenda que esse mundo é preenchido com a presença de Deus. (Shvetashvatara Upanishad. 1:12)

Você é o Brahman supremo, infinito, e mesmo assim escondido no coração de todas as criaturas. Você permeia tudo. (Shvetashvatara Upanishad. 3:7)
“Aquilo em quem residem todos os seres e que reside em todos os seres, aquele que é o doador das graças para todos, a Alma Suprema do universo, o ser ilimitado – eu sou Aquilo." Amritbindu Upanishad
“Aquilo que permeia tudo, que nada transcende, e o qual, como o espaço universal à nossa volta, preenche completamente tudo, por dentro e por fora, esse Brahman Supremo não-dual – isso és Tu.” Shankara

2 de junho de 2010

Aqui e Agora...


"Para a sua mente existir, para o ego existir, para pensar a si mesmo, você precisa de tempo.
Para o seu corpo existir, ele precisa de espaço.
Mas o Osho também falou: “Você não é o seu corpo, você não é a sua mente”.
E eis que surge aquela pergunta fundamental: “Quem sou eu, então?”
Acredito que você já tenha feito essa pergunta, mas certamente não a fez com energia suficiente para que seja respondida.
Você pergunta: “Quem sou eu?” – e diz: “Li num livro que sou etéreo, que sou energia”. Mas isso é o que você leu num livro, não serve.

Como corolário dessa elucidação, da nossa não existência no aqui e agora, é possível entender por que Buddha chamava o “Ser” de “não ser”.
Ou seja, para descrever quem você verdadeiramente é, ao invés de dizer “você é”, eles diziam “você não é”.
A segunda consequência deste entendimento é: não tem nada que aconteça fora do aqui e agora. Inclusive o passado e o futuro acontecem aqui e agora.
Porém, o que você entende quando é dito que precisamos parar de pensar para ficarmos aqui e agora? Quero que você tome um minuto do seu precioso tempo para pensar no que quer que seja, e me diga: onde é que você está pensando, onde este pensamento está acontecendo?
Tudo o que existe é aqui e agora, indiscutivelmente.

Então, se você pensa a respeito do passado, onde ocorre esse pensamento?
Esse pensamento também acontece aqui e agora.
O que quer que seja que aconteça, acontece aqui e agora.
Da mesma forma, se pensa no futuro, onde você está pensando?
Portanto, não importa se está pensando no passado ou no futuro: você está aqui e agora, não está indo a lugar nenhum.
Qual é o seu engano? Onde está o mal-entendido? Você acredita que, quando pensa no passado, vai para o passado, mas você não vai a lugar nenhum.
Você pensa que vai, mas não vai, você fica. Você está aqui e agora.
Tudo o que acontece, acontece aqui e agora.
Todos os pensamentos, todos os sentimentos... tudo acontece aqui e agora.
Não importa o que faça, você não consegue sair do aqui e agora, você nunca esteve em nenhum outro lugar que não seja aqui e agora. "
Por Satyaprem

1 de junho de 2010

ONE...

Amor pelo Amor...


Pode alguém que se dedique a amar o Amor, a amar o Ser, entrar "em parafuso"?

"Existe um mal entendido, um profundo mal entendido.
E esse mal entendido corrompe a possibilidade do verdadeiro Amor porque ele nos mantém separados.
O verdadeiro amor não tem amante.
Não tem amados, porque todo amor é amor por si mesmo, pelo Ser...
Amor pelo Amor.
O Amor está apaixonado pelo Amor,
O Amor está amando o Amor no outro - que não existe - que é amor, que é ele mesmo.
Se você realmente quer amar, ame o supremo Ser agora.
Ame a suprema Verdade, agora.
E esse amor é profundamente libertador, esse amor é liberdade."
Por Satyaprem

Richard Bach...


'Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou.'
...
'O que a lagarta chama de fim do mundo, o homem chama de borboleta.'
...
'O que abrigares em teu coração será verdade e converter- te- ás no que mais admira.'
...
'Não precisas de muralhas! As muralhas não te protegem, te isolam.'
...
'Tudo que é necessário para realizar um vôo suave e fácil é voar solto e despreocupado.'
...
'Se desejas tanto a liberdade e a felicidade, não vês que ambas estão dentro de ti? Pensas que a tens e a terás. Age como se fossem tuas e serão.'
...
'Podemos oferecer um presente, mas não podemos obrigar ninguém a aceitá-lo.'
...
'Quando amas alguém e sabes que ele está pronto para aprender e crescer, tu o deixas em liberdade'.
...
'Se buscas a segurança antes da felicidade, a segunda será o preço que terás que pagar pela primeira.'
...
'É um processo lento, mudar de príncipios, e nunca saberás que eles mudaram até que alguma coisa que era certa para ti simplesmente deixe de o ser.'
...
'Amar alguém incondicionalmente é não nos preocuparmos com o que essa pessoa é ou faz.'
...
'Podem os quilômetros separar-nos realmente de quem amamos? Se quer estar com alguém, já não está lá, batendo em seu peito?'.
...
'Tua única obrigação em qualquer período da vida consiste em ser fiel a ti mesmo.'
...
'Aprender é descobrir aquilo que você já sabe.
Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.'
...
'Não chore nas despedidas, pois elas constituem formalidades obrigatórias para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida: O reencontro.'
Richard Bach - escritor americano.
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