4 de junho de 2010

Desejos...


"Se você está identificado com o corpo, então seus desejos serão o alimento e o sexo.
Estes dois são desejos animais, os mais primários.
Eu não os estou condenando por chamá-los de os mais primários; não os estou avaliando, lembre-se.
Estou apenas estabelecendo um fato: eles estão no degrau mais baixo da escada.

Se você está identificado com a mente, seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e mais milhares de coisas ...
O corpo é muito limitado; tem preocupações simples – alimento e sexo.
E se move como um pêndulo entre estes dois, alimento e sexo, e para ele nada mais existe.
Mas se você está identificado com a mente, a mente tem muitas dimensões.
Você pode estar interessado em filosofia, você pode estar interessado em ciência, você pode estar interessado em religião – você pode estar interessado em quantas coisas você puder imaginar.

Se você está identificado com o coração, então seus desejos serão de uma natureza mais elevada, mais elevada do que a mente.
Você vai se tornar mais estético, mais sensível, mais alerta, mais amoroso.
A mente é agressiva, o coração é receptivo.
A mente é masculina, o coração é feminino. A mente é lógica, o coração é amor.

Portanto, depende de onde você está fixado: no corpo, na mente, no coração. Estes são os três locais mais importantes a partir de onde uma pessoa pode funcionar.

Mas há também um quarto local em você; no Oriente, é chamado de turiya.
Turiya significa simplesmente o quarto degrau, o transcendental.
Se você está consciente da sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem.
Então você simplesmente existe, sem nenhum desejo, sem nada a ser perguntado, a ser preenchido.
Não há futuro nem passado.
Você vive apenas o momento, totalmente satisfeito, preenchido.
No quarto degrau, seu lótus de mil pétalas se abre; você se torna divino.

Investigue, busque o lugar exato em que você está.
No que me diz respeito, todo desejo é puro desperdício, todo o querer isso e aquilo é errado.
Mas se você está identificado com o corpo eu não posso lhe dizer isso, porque isso estará distante demais de você.

Se você está identificado com o corpo, vou lhe dizer para passar a ter desejos um pouco mais elevados, os desejos da mente, e depois para desejos um pouco mais elevados ainda, os desejos do coração, e então, finalmente, para o estado de ausência de desejo.
Nenhum desejo pode jamais ser satisfeito.

Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem mística.
A ciência tenta satisfazer seus desejos, e é claro que a ciência tem obtido sucesso ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma infelicidade.
O místico tenta despertá-lo para esse grande entendimento a partir do qual você pode ver que todos os desejos são intrinsecamente não preenchedores.

Tem-se de ir além de todos os desejos; só então há contentamento.
O contentamento não está no fim de um desejo, o contentamento não é conseguido pela satisfação do desejo, porque o desejo não pode ser satisfeito.
Quando você atinge a satisfação do seu desejo, vai descobrir que surgiram mais mil e um outros desejos. Cada desejo se ramifica em muitos novos desejos.
E isso vai acontecer repetidamente, e toda a sua vida será desperdiçada.

Aqueles que conheceram, aqueles que puderam ver – os budas, os acordados – todos concordam em um ponto. Não é uma coisa filosófica, é factual, a realidade do mundo interior: o contentamento acontece quando todos os desejos foram abandonados.
É com a ausência dos desejos que o contentamento cresce dentro de você – na ausência.
Na verdade, a própria ausência de desejos é contentamento, é satisfação, realização, florescimento.

Portanto, mova-se de desejos inferiores para desejos superiores, de desejos brutos para desejos mais sutis, depois para o mais sutil, porque a partir do mais sutil o salto para o não-desejo, para a ausência de desejo, é fácil.
A ausência de desejo é o nirvana."
Osho em Come, Come, Yet Again Come

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