23 de junho de 2010

Um livro?


"Satyaprem pega um livro e pergunta para alguém que está em Satsang pela primeira vez...

Satya: O que é isso aqui?
Participante: Um livro.

Satya: Quem foi que te disse?
Participante: As convenções.

Satya: Mas eu quero saber o que é isso, além das convenções!
Participante: É um objeto tocável.

Satya: E quem foi que te disse que isso é um objeto tocável?
Participante: Assim me foi ensinado.

Satya: Então, além do que lhe foi ensinado, o que é isso?
Participante: Uma matéria inerte.

Satya: E quem foi te disse que isso é uma matéria inerte?
Participante: .....
Satya: Yes!

É isso mesmo!
Qualquer que seja a elaboração que você tenha, ela vem do passado, é algo que você ouviu, é algo que alguém lhe disse e que você acredita piamente.
A verdade é que você não sabe nada desse objeto (permita-me chamar de objeto, só para nos entendermos).
Tudo o que você sabe é o que você aprendeu.
E você vive exatamente neste limbo, sonambúlico, onde se diz: "Eu aprendi!"Mas tudo o que você aprendeu é de terceira, quarta... quinta-mão.

É muito raro que alguém se disponha a descobrir o que são as coisas, por si mesmo.
Isso me lembra um poema do Manuel de Barros, em que o avô dele estava lendo um livro e o livro estava de cabeça para baixo...
O avô dele era meio cego e estava olhando para o livro daquela maneira. Manuel de Barros, um menino, na época, disse: - Vovô, o que você está fazendo?

Seu livro está de cabeça para baixo. Ao que o avô respondeu:- É que eu o estou deslendo. Satsang propõe que você desleia a si mesmo. Desleia o mundo!
Em tempo presente, todas as coisas só podem ser acessíveis, se acessadas diretamente, objetivamente...Silenciosamente.
Veja! Quando é que você encontra um objeto (aqui estou falando do objeto chamado 'ser humano') silenciosamente? A maior parte do tempo você já encontra esse objeto com prejuízo. Digo: pré-juizo, com hífen. Eu não sei se está correto de acordo com nossa nova ortografia.

Mas eu quero dizer assim mesmo: pré-juizo.

Algo sobre o qual você já tem uma idéia.
O que normalmente se sobrepõe, pela surdez e insensibilidade (comum à grande maioria), à possibilidade de você ter acesso total àquele objeto em sua pureza."
Satyaprem em Satsang

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