31 de março de 2014

Sobre a Renovação - J.Krishnamurti


"Não é essencial que haja uma constante renovação, um renascimento? 

Se o presente está sobrecarregado com a experiência de ontem, não pode haver renovação.
Renovação não é a ação de nascer e morrer; ela existe além dos opostos; só a liberdade da memória acumulada traz renovação, e não existe compreensão salvo no presente.

A mente só pode compreender o presente se ela não comparar, julgar; o desejo de alterar ou condenar o presente sem compreendê-lo dá continuidade ao passado.

Apenas compreendendo o reflexo do passado no espelho do presente sem distorção, existe renovação.

Se você viveu uma experiência integralmente, completamente, não descobriu que ela não deixou traços?

Apenas as experiências incompletas deixam sua marca, dando continuidade à memória auto-identificada. 


Nós consideramos o presente como um meio para um fim, assim o presente perde sua imensa significação. 

O presente é o eterno. Mas como pode uma mente que é composta, reunida, compreender aquilo que não é reunido, que está além de todos os valores, o eterno?

Quando cada experiência surgir, viva-a tão completa e profundamente quanto possível; reflita sobre ela, sinta-a extensiva e intensamente; esteja cônscio de sua dor e prazer, de seus julgamentos e identificações. Só quando a experiência é completada há renovação. Devemos ser capazes de viver as quatro estações em um dia; estar agudamente consciente, experimentar, compreender e ficar livre das acumulações de cada dia."
J. Krishnamurti em The Book of Life.

29 de março de 2014

Sendo Um com Deus - Mooji



"Relaxe sem preguiça 

Concentre-se sem tensão 

Perceba sem projeção 

Testemunhe sem julgar 

Aprecie sem ansiar 

Reflita sem imaginar 

Ame sem condição 

Dê sem exigir 

Receba sem possuir 

Sirva sem egoísmo 

Desafie sem dominar 

Medite sem se identificar 

Corrija sem culpar 

Supere sem se orgulhar 

Ria sem cinismo 

Chore sem piedade 

Enfrente sem ódio 

Guie sem superioridade 

Seja sem auto-definição 

Viva sem arrogância 

Entre sem vaidade

Seja um com Deus"

~Mooj~

27 de março de 2014

Sobre o ego - Eckhart Tolle



"Nosso sentido de quem somos determina o que percebemos como nossas necessidades e o que importa na nossa vida - e o que nos interessa tem o poder de nos irritar e perturbar. Podemos usar isso como um critério para
descobrir até que ponto nos conhecemos. O que nos interessa não é o que dizemos nem aquilo em que acreditamos, mas o que nossas ações e reações revelam como importante e sério.

Portanto, talvez queiramos nos fazer a seguinte pergunta: o que me irrita e perturba? Se coisas pequenas têm a capacidade de nos atormentar, então quem pensamos que somos é exatamente isto: pequeno. Essa é nossa crença inconsciente. Quais são as coisas pequenas? No fim das contas, todas as coisas são pequenas porque todas elas são efêmeras.

Podemos até dizer: "Sei que sou um espírito imortal" ou "Estou cansado deste mundo louco. Tudo o que quero é paz" - até o telefone tocar. Más notícias: o mercado de ações caiu, o acordo pode não dar certo, o carro foi roubado, nossa sogra chegou, cancelaram a viagem, o contrato foi rompido, nosso parceiro ou parceira foi embora, alguém exige mais dinheiro somos responsabilizados por algo. De repente ocorre um ímpeto de raiva, de ansiedade. 



Uma aspereza brota na nossa voz: "Não aguento mais isto."Acusamos e criticamos, atacamos, defendemos ou nos justificamos, e tudo acontece no
piloto automático. Alguma coisa obviamente é muito mais importante agora do que a paz interior que um momento atrás dissemos que era tudo o que desejávamos. E já não somos mais um espírito imortal. O acordo, o dinheiro, o contrato, a perda ou a possibilidade da perda são mais relevantes. Para quem? Para o espírito imortal que dissemos ser? Não, para nosso pequeno eu que busca segurança ou satisfação em coisas que são transitórias e fica ansioso ou irado porque não consegue o que deseja.

Bem, pelo menos agora sabemos quem de fato pensamos que somos.
Se a paz é de fato aquilo que desejamos, então devemos escolhê-la. Se ela fosse mais importante para nós do que qualquer outra coisa e se nós nos reconhecêssemos de verdade como um espírito em vez de um pequeno eu,
permaneceríamos sem reagir e num absoluto estado de alerta quando confrontados com pessoas ou circunstâncias desafiadoras. Aceitaríamos de imediato a situação e, assim, nos tornaríamos um com ela em vez de nos
separarmos dela. 
Depois, da nossa atenção consciente surgiria uma reação. Quem nós somos (consciência) - e não quem pensamos que somos (um pequeno eu) - estaria
reagindo. Isso seria algo poderoso e eficaz e não faria de ninguém nem de uma situação um inimigo.

O mundo sempre se assegura de impedir que nos enganemos por muito tempo sobre quem de fato pensamos que somos nos mostrando o que realmente é importante para nós. A maneira como reagimos a pessoas e situações, sobretudo quando surge um desafio, é o melhor indício de até que ponto nos conhecemos a fundo.

Quanto mais limitada, quanto mais estreitamente egóica é a visão que temos de nós mesmos, mais nos concentramos nas limitações egóicas - na inconsciência - dos outros e reagimos a elas. Os "erros" das pessoas ou o que
percebemos como suas falhas se tornam para nós a identidade delas. Isso significa que vemos apenas o ego nos outros e, assim, fortalecemos o ego em nós. Em vez de olharmos "através" do ego deles, olhamos "para" o ego. E quem está fazendo isso? O ego em nós.

As pessoas muito inconscientes sentem o próprio ego por meio do seu reflexo nos outros. Quando compreendemos que aquilo a que reagimos nos outros também está em nós (e algumas vezes apenas em nós), começamos a nos tornar conscientes do nosso próprio ego. Nesse estágio, podemos também compreender que estamos fazendo às pessoas o que pensávamos que elas estavam fazendo a nós. Paramos de nos ver como uma vítima.

Nós não somos o ego. Portanto, quando nos tornamos conscientes do ego em nós, isso não significa que sabemos quem somos - isso quer dizer que sabemos quem não somos. Mas é por meio do conhecimento de quem não
somos que o maior obstáculo ao verdadeiro conhecimento de nós mesmos é removido.

Ninguém pode nos dizer quem somos. Seria apenas outro conceito, portanto não nos faria mudar. Quem nós somos não requer crença. Na verdade, toda crença é um obstáculo. Isso não exige nem mesmo nossa compreensão,
uma vez que já somos quem somos. No entanto, sem a compreensão, quem nós somos não brilha neste mundo.
Permanece na dimensão não manifestada que, é claro, é seu verdadeiro lar. Nós somos então como uma pessoa aparentemente pobre que não sabe que tem uma conta de 100 milhões de reais no banco. Com isso, nossa riqueza
permanece um potencial oculto."
Eckhart Tolle em O Despertar de uma nova Consciência

25 de março de 2014

Toda "falta" é pensamento - Jeff Foster


"Você não pode ter o que quiser, sempre.

É o mesmo querer, que destrói a possibilidade de ter o que você quer; porque o querer é a própria falta que você está tentando superar.
Querer é falta.

Você tenta usar o mecanismo de querer acabar com a falta, mas qualquer alívio é apenas temporário, e podem voltar em breve, porque se alimenta do desejo.

É um círculo vicioso.

Querer, implica que algo pode ser capturado e ser propriedade de alguém. Mas quem poderia capturar, quem poderia ter?

Só existe isso, só existe isso que está acontecendo, apenas a presença de tudo. E isso nunca pode ser capturada porque não é uma coisa entre outras coisas, mas a possibilidade aberta e espaçosa de todas as possibilidades, que em primeiro lugar origina todas as coisas . Isto não pode ser capturado, porque não é um "aquilo".

Se formos honestos, nós realmente não queremos o que desejamos. O que realmente queremos é acabar com o nosso desejo.

Mas aqui está o problema: querermos acabar com o desejo é outro desejo, talvez, o maior desejo de todos.

Talvez queremos esconder o óbvio: nós já temos tudo o que poderíamos querer, porque neste precioso momento, o final de todos os nossos desejos, de toda nossa busca, de todos os nossos problemas já está conosco, e esse final é tão simples: esses desejos, problemas, falhas, dificuldades, aborrecimentos realmente não existem, porque eles são simplesmente pensamentos que surgem agora.

Isso é tudo o que eles são, todos os problemas do mundo: PENSAMENTOS.

Assim que, não é o fim do pensamento o que realmente queremos? Mas isso seria mais um outro pensamento?

Não é realmente necessário terminar com o pensamento. 

O pensamento ocorre, o pensamento vem, e não há ninguém fazendo isso. Isso não é evidente?

O pensamento só aparece, portanto, o pensamento já não é "meu", não é pessoal, isso só acontece nesta consciência infinita, neste espaço aberto, que não está separado de seu conteúdo.

Como nuvens que flutuam no céu, pingos de chuva deslizam para baixo no vidro da janela, os pensamentos não são realmente problemas, em absoluto.

Os pensamentos são apenas um problema quando uma pessoa quer se livrar deles. Mas como poderia um indivíduo se livrar do pensamento?

Um indivíduo é ele próprio um pensamento que tenta se livrar de si mesmo! É um carrossel, e não há maneira nenhuma que uma pessoa tenta escapar.

Assim, um indivíduo nunca pode, nunca tem o que quer, porque o indivíduo é em realidade nada além do que essas carências, esses desejos, esses problemas. Libertar-se dos desejos seria morrer, e por que um indivíduo iria querer tal coisa?

Para se libertar dos desejos tem que ser livre daquele que quer se libertar dos desejos - e quem poderia fazer isso acontecer?

Não, não há nenhuma maneira de escapar, a vida é como é.(...) 
O buscador é a resistência, e a resistência não pode terminar com a resistência, nem em um milhão de anos.

No entanto, a resistência pode ser vista - na luz. E neste ver, há liberdade. E nessa liberdade, não quero nada, não desejo nada e, portanto, não falta nada. E então, quando nada é seu, você percebe que tudo é seu, e sempre foi.
E então, você ainda pode jogar o jogo do querer. Mas mesmo que "você consiga ou não consiga o que você quer", a intimidade permanece, sempre."

Jeff Foster em The Wonder of Being

23 de março de 2014

Todo o céu está disponível - Osho


"A vida está além do seu controle.
Você pode desfrutá-la, mas não pode controlá-la.

Você pode vivê-la, mas não pode controlá-la.

Você pode dançá-la, mas não pode controlá-la.

Normalmente dizemos que respiramos, e isso não é verdadeiro – a vida respira por nós.

Mas continuamos a nos considerar agentes,
e isso cria o problema. Quando você fica controlado, excessivamente controlado, não permite que a vida lhe aconteça. Você impõe demasiadas condições, e a vida não pode satisfazer nenhuma.

A vida lhe acontece somente quando você a aceita incondicionalmente e está disposto a dar-lhe as boas-vindas, não importa a forma que ela tome.

Mas uma pessoa muito controlada está sempre querendo que a vida chegue até uma certa forma, está sempre pedindo que ela satisfaça certas condições – e a vida não se importa; ela simplesmente não leva em conta pessoas como essa.

Esse lindo texto é lindo, se lido. Uma pequena obra prima se vivido.

Quanto mais cedo você quebrar o confinamento do controle, melhor, porque todo controle é da mente. E você é maior do que a mente.

Uma pequena parte está tentando dominar, tentando dar ordens. A vida segue em frente, você é deixado para trás e fica frustrado.

A lógica da mente é tal que diz: “Olhe, você não controlou bem e por isso perdeu; controle mais.”
A verdade é justamente o oposto: as pessoas perdem muitas coisas devido ao exagerado controle.

Seja como um rio selvagem e muito do que você nem pode sonhar, nem pode imaginar, nem pode esperar, está disponível logo ali, ao seu alcance.

Mas abra as mãos; não continue vivendo a vida com mãos fechadas, porque essa é a vida de controle.
Viva a vida com as mãos abertas.
Todo o céu está disponível; não se contente com menos.''
Osho em Pepitas de Ouro

***
Nada poderia existir se existisse realmente controle. 
A liberdade e a exuberância da vida são absolutamente incontroláveis.
Mesmo que possamos "acreditar" que controlamos, nada está sendo controlado por ninguém, porque não temos essa capacidade realmente, apenas imaginamos ter.

Quando olho à minha volta, percebo a fabulosa energia que nos cerca, todas as suas variáveis, movimentos, pulsações, acontecimentos. Tudo vibrando, dançando, surgindo, desaparecendo.. e cada um de nós é uma bela onda desse imenso mar...

Podemos nos maravilhar, desfrutar, amar e agradecer... 
Controlar, é pura ilusão. 

No momento em que nos abrimos e reconhecemos nossa incapacidade de controle, eis que surge em nós uma imensa beleza, um amor infinito e uma gratidão eterna por estarmos aqui e agora... e sermos dança, dançarino e a também a canção...
Tudo inserido, tudo pertencendo, tudo perfeito como é...
A Vida continua sendo sempre destemida, e Livre...
Amor
Amidha Prem

21 de março de 2014

A Verdade lhe encontrará - Nisargadatta


"Auto-entrega é a de toda auto-preocupação. Não pode ser feita, acontece quando você compreende sua verdadeira natureza.

Conheça a si mesmo como sendo a testemunha imutável da mente mutável. Isto é suficiente.

Observe seus pensamentos como você observa as pessoas na rua. As pessoas vão e vêm; você registra isso sem resposta. Pode não ser fácil no começo, mas com alguma prática você descobrirá que sua mente pode funcionar em
muitos níveis ao mesmo tempo, e que você pode ser Ciente de todos eles ao mesmo tempo. É apenas quando você tem um interesse específico em um nível em particular, que a sua atenção fica presa nele e você bloqueia os outros.

A transitoriedade é a melhor prova da irrealidade. Ambas fé e razão lhe dizem que você não é nem o corpo, nem seus desejos e medos, nem você é a sua mente com suas idéias fantásticas, nem o seu papel social lhe compele a representar a pessoa que você supõe que é.

Abandone o falso e o verdadeiro aparecerá por si mesmo. Este é o ponto central do assunto. Enquanto você acreditar que apenas o mundo externo é real, você continua seu escravo.

A menos que você conheça a si mesmo, como você pode conhecer o outro? E quando você conhece a si mesmo, você é o outro.

Seja Ciente de ser consciente e busque a fonte da Consciência. Isso é tudo.

Não tenha medo de um mundo que você mesmo criou. Deixe de procurar pela bem-aventurança e pela realidade em um sonho e você acordará.

A causa do sofrimento é a auto-identificação com o limitado. As sensações em si mesmas, não importa o quão fortes, não causam sofrimento. É a mente, confundida por idéias erradas, viciada em pensar 'Eu sou isso, eu sou aquilo', que teme a perda, deseja o ganho e sofre quando frustrada.

Auto-interesse e auto-preocupação são os pontos focais do falso. O seu dia-a-dia vibra entre o desejo e o medo. Observe esse momento intensamente e você verá como a mente assume inumeráveis nomes e formas, como um rio espumando entre as pedras. Trace cada ação até seu motivo egoísta e olhe intensamente para esse motivo até que ele se dissolva. Descarte cada motivo egoísta tão logo ele apareça e você não precisará procurar pela verdade; a verdade te encontrará.

A vida em si mesma não tem desejos. Mas o eu falso quer continuar - prazeirosamente. Por essa razão, está sempre trabalhando para garantir a sua continuidade. A vida é destemida e livre. Enquanto você tiver a idéia de estar
influenciando os eventos, a libertação não é para você; a própria noção de ser o autor, de ser uma causa, é um laço que prende.

Quando você se senta silenciosamente e observa a si mesmo, todo o tipo de coisas vem à superfície. Não faça nada sobre elas, não reaja a elas; assim como elas vieram elas irão, por si mesmas. Tudo o que importa é a atenção total, a Ciência total de si mesmo, ou melhor, da própria mente.

Há apenas imaginação. Ela o absorveu tão completamente, que você simplesmente não consegue perceber o quanto você já se afastou da realidade. Não há dúvidas de que a imaginação seja altamente criativa. Universos sobre universos são construídos sobre ela. Todos eles estão no espaço e no tempo, passado e futuro, os quais simplesmente não existem.

Todos os desejos devem ser abandonados, porque, ao desejar, você toma a forma de seus desejos. Quando não restar nenhum desejo, você se reverte a seu estado natural."
Nisargadatta Maharaj em I am That

20 de março de 2014

Sobre o possuir - Eckhart Tolle


"O ego se identifica com possuir, mas sua satisfação com isso é de certa forma superficial e passageira. Oculta internamente, ela permanece como um sentimento profundo de insatisfação, de estar incompleto, de "não é o bastante", "não tenho o suficiente", com o que o ego de fato quer dizer: "Não sou o bastante ainda."

Como vimos, ter - o conceito de propriedade - é uma ficção criada pelo ego para adquirir solidez e permanência e se destacar, tornar-se especial. Mesmo que não sejamos capazes de nos encontrar por meio disso, existe outro impulso mais forte subjacente a esse que pertence à estrutura do ego: a necessidade de mais, o que podemos também chamar de "desejo". O ego não dura muito tempo sem isso. Portanto, querer o mantém vivo muito mais do que ter. Para ele, o apelo de querer é mais forte do que o de ter. E, assim, a satisfação superficial de ter é sempre substituída pelo querer mais. Essa é a necessidade psicológica de mais, isto é, de mais coisas com as quais se identificar. É como um vício, não é verdadeira.

Em alguns casos, essa necessidade psicológica, ou a sensação de que ainda não há o bastante, que é tão característica do ego, é transferida para o nível
material e, então, converte-se na avidez insaciável. (...) Os que sofrem desse distúrbio alimentar poderiam se curar se, em vez de se identificar com a mente, conseguissem entrar em contato com o próprio corpo e assim sentissem suas verdadeiras carências físicas em lugar das pseudo necessidades da mente egóica.

Alguns egos sabem o que querem e perseguem seu objetivo com uma determinação inflexível e implacável - Gêngis Khan, Stalin, Hitler, para dar apenas alguns exemplos inquestionáveis. A energia por trás da sua vontade,
porém, cria uma energia oposta de igual intensidade que, por fim, leva à queda desses indivíduos. Nesse ínterim, eles se tornam infelizes e fazem o mesmo com muitas pessoas ou, como mostram episódios clássicos, criam o
inferno sobre a Terra. A maioria dos egos tem vontades conflitantes. Eles querem coisas diferentes em momentos distintos ou talvez nem saibam o que desejam. Só sabem o que não querem: o momento presente. Desconforto,
desassossego, tédio, ansiedade, insatisfação, tudo isso é resultado da vontade insatisfeita. 


Como querer é algo estrutural, nenhum acúmulo de conteúdo consegue oferecer uma satisfação duradoura enquanto essa estrutura mental está em ação. O desejo intenso que não tem um objeto específico costuma ser encontrado no ego ainda em desenvolvimento dos adolescentes. É por isso que alguns desses jovens vivem num estado permanente de negativismo
e insatisfação.

Todos os seres humanos do planeta poderiam ser facilmente atendidos em suas carências materiais em relação a alimento, água, abrigo, roupas e confortos básicos, não fosse pelo desequilíbrio de recursos criado pela necessidade insana e voraz de querer sempre mais, a ganância do ego. Isso encontra expressão coletiva nas estruturas econômicas, como as grandes corporações, que são entidades egóicas que competem entre si por mais.
Seu único - e cego - objetivo é o lucro. Elas perseguem essa meta do modo mais implacável possível. A natureza, os animais, as pessoas, até mesmo os funcionários, não são mais do que algarismos no seu balanço comercial, objetos inanimados a serem usados e depois descartados.As formas de pensamento "mim", "meu", "mais do que", "eu quero", "eu preciso", "eu devo ter" e "não o bastante" pertencem não ao conteúdo, mas à estrutura do ego. 

O conteúdo pode ser trocado. Enquanto não reconhecemos essas formas de pensamento em nós mesmos, isto é, enquanto elas permanecem inconscientes, acreditamos no que elas dizem. Assim, ficamos condenados a agir de acordo com esses pensamentos inconscientes, a buscar e não encontrar, pois, quando eles entram em ação, nenhum bem, nenhum lugar, nenhuma pessoa, nenhuma condição jamais nos satisfaz. Não há conteúdo capaz de atender nossa vontade enquanto a estrutura egóica permanece atuante. Não importa o que tenhamos nem o que venhamos a conquistar, não seremos felizes. Sempre estaremos procurando alguma coisa além que nos prometa mais plenitude, que nos diga que vai completar a percepção do eu insatisfeito e saciar aquele sentimento de carência que trazemos dentro de nós."
Eckhart Tolle em O Despertar de uma nova Consciência

18 de março de 2014

Isso! - Jeff Foster


"Depois de anos de diferentes mil buscas chegamos ao momento presente, que é este momento. Mas, com isso não me refiro tanto a ideia do "momento presente", senão, de maneira muito literal, a isto, quer dizer, a aparência
presente de tudo isto, mais além de toda a palavra e de todo conceito.

As batidas do coração (bum, bum, bum!)

A respiração. Para dentro, para fora, para dentro, para fora...

O suave zumbido do tráfego. A sensação de sustentar este livro nas mãos.

Os pensamentos que aparecem, se dissolvem e tornam a aparecer...

Independente do que tenhamos vivido, do que tenhamos "descoberto" e do que tenhamos "compreendido", isso sempre está aqui e agora, e o indivíduo (quer dizer, "você") que, tratando de encontrar a si mesmo tem vivido, "descoberto" ou "compreendido" todas essas coisas não eram mais que pensamentos, histórias, crenças.

Neste mesmo instante, "você" não é mais que uma ficção.

Mas isso não significa que você deva negar a ficção, porque a ficção sempre seguirá emergindo. Deixe-a simplesmente estar.

Quem sabe a libertação, se é que seja algo, consista em ver através dessa ficção, quer dizer, em ninguém reconhecendo a ficção como tal.
Mas ainda isso seria dizer demais, porque essa pequena sequencia de palavras consolida a "libertação" como um objetivo que há que se "alcançar", como algo que há que se "realizar". Mas por mais que a mente lhe conte este tipo de historias — "Quando puder ver a ficção como tal, terei me libertado!" — desse modo você só incentiva a busca da libertação, com o que a mente segue vagueando livremente, como sempre.

A libertação não tem nada a ver nem com as palavras nem com os conceitos. Mas, como temos que utilizar palavras (de que outro modo, se não, poderíamos escrever um livro?), caímos irremediavelmente na armadilha de buscar a libertação como se fosse um objetivo, como se se tratasse de algo que podemos alcançar no futuro, como uma espécie de ideal.

Mas a mensagem contida neste livro é que a libertação consiste em ver através desta busca. A libertação, se é que seja algo, consiste em ver através da busca da libertação, da busca de algo mais importante que isto, a busca de algo distinto desta presente aparência.
Mas, já não temos desperdiçado nossa vida o suficiente buscando algo diferente disto? 


A libertação, se é que seja algo, consiste em ver através de todo o drama humano e de todas as coisas que, de maneira muito literal, configuram nossa vida. (...)

Para o personagem "Jeff", tudo mudou, porém, tudo segue absolutamente igual. Quem sabe, a única diferença é que, durante esses dias, "Jeff" foi reconhecido como um mero personagem, como uma simples história que carece de toda realidade profunda flutuando na consciência.

A libertação é absolutamente simples e evidente. A busca havia concluído e o que sempre estivemos buscando não é mais que esta presente aparência. Isto, aqui e agora. Não há nada mais. Nunca houve nada mais."
Jeff Foster em Mas alla del Despertar 

16 de março de 2014

Em Pura Presença Amor - Mooji


"Você é a Verdade. 

Você nunca não pode ser verdade .

Você está mesmo ciente de seu desejo de encontrar a Verdade. Por quê? 

Porque você já está lá na posição como a própria Verdade.

A verdade não é meras palavras ou conceitos , mas o espírito eterno e imutável . Se você não entender alguma forma a simplicidade deste , em seguida, todas as diferentes disciplinas espirituais , religiões e grandes
esforços para alcançar a verdade irá substituir o que eu estou apontando diretamente para . 


As formas mais indiretas são uma espécie de segunda chance para auto -
descoberta e são também caminhos ou expressões da mesma consciência.

No Bhagavad Gita , o Senhor Krishna fala a verdade a Arjuna , desde o início : Nem eu, nem você , nem qualquer um destes seres já não existente , nem vai
deixar de existir nunca.

Krishna continua a dizer :" O que existe , nunca não pode existir. O que não existe não pode nunca existir . Nunca foi o espírito nascido e nunca deixarem de ser. Embora o corpo morre, o espírito vive para sempre."

Mas Arjuna não compreender esta apontando em sua essência para que a conversa tinha de seguir em frente.

Fora disso veio o Bhagavad Gita e o mundo inteiro se alegra : ' Obrigado Senhor Krishna pelo dom da Bhagavad Gita '

É claro que é também uma experiência neste jogo divino , para buscar e caminhar para Deus , e ser abraçado por Deus , mas se o devoto e o santo foram a mais alta expressão ou fruto da busca da verdade, se o santo era o objetivo, onde é o lugar para o sábio?

Qual é a diferença entre um santo e um sábio ?

Você pode dizer que um santo alcançou a perfeita harmonia com Deus. Você pode chamá-lo da relação mais perfeita ou mais alto no reino humano. Um deles é absorvido, mas continua a haver uma dualidade.

O que é um sábio então? Um sábio é aquele que não luta com a posição do santo. O Sábio tem entendido que antes de existir o conceito de Deus, não há consciência atemporal. Eu chamo a consciência pura, o Deus Absoluto, e o criador - Ishwara , Alá, Jeová , Javé - sua expressão como o Ser Supremo .

Alguns seres dizem que não há Deus, mas eles sentem que eles próprios existem. Para sentir que não há Deus, enquanto você não tiver resolvido sua própria identidade como a consciência pura é o mais arrogante, porque Deus é a própria alma e fonte. 
Deus é a inteligência pura, puro conhecimento, pura existência , presença e amor."
Mooji em Satsang

15 de março de 2014

Minha alma...


Minha alma é poesia
diante de ti
diante dos olhos que me penetram 
e me lêem,
sem rima...

Minha alma é brisa leve
diante de ti
sopro, aroma, perfume
delicadeza em flor.
Nenhuma palavra é necessária, 
nenhum sinal define 
esse instante...

Pura eternidade efêmera e indizível
bate no peito uma canção 
absoluta,
nova, 
Embala a beleza e a abraça
Anuncia o sol radiante da manhã 
e o adora...

Minha alma é calmaria e canção
diante de ti
é vela ao vento sem direção,
é marola, onda, areia banhada de mar
é lar,
é aconchego em seus braços
é sempre terna luz
sem definição...

Acordo para esse instante 
e me derreto,
percebo que o sempre é aqui
em mim,
em ti,
em cada coração.
O Sempre é sorriso, é lágrima
é êxtase e solidão.
O Sempre é instantâneo
e não...

Minha alma adormece
diante de ti
Morre e renasce
Pede e se dá
abraça o que vier e se banha 
em cada luar...

Nenhuma despedida é possível para o amor
e o amar,
Minha alma apenas se permite voar sem asas
amar sem medo
olhar sem culpa
desejar um amor impossível,
viver para sempre...

~Amidha Prem~

14 de março de 2014

Emoções - Eckhart Tolle


"A emoção nasce no lugar onde a mente e o corpo se encontram. É a reação do corpo à nossa mente ou, podemos dizer, um reflexo da mente no corpo.

Em geral, não temos consciência de todos os nossos padrões de pensamento. Só é possível trazê-los à consciência quando observamos nossas emoções.
Quanto mais identificados estivermos com nosso pensamento, com as coisas que nos agradam ou não, com nossos julgamentos e interpretações, ou seja, quanto menos presentes estivermos como consciência observadora, mais forte será a carga emocional, tenhamos ou não consciência disso.

Se quisermos conhecer mesmo a nossa mente, o corpo sempre nos dará um reflexo confiável. Portanto, observe a sua emoção ou melhor, sinta-a em seu corpo... Você pode permitir que a emoção esteja ali, sem deixar que ela assuma o controle. Você não é mais a emoção. Você é o observador, a presença que observa.

Concentre sua atenção dentro de você. Sinta a energia da emoção. Se não há emoção presente, concentre sua atenção mais fundo no campo da energia interna do seu corpo. Essa é a porta de entrada para o Ser.

Uma emoção, em geral, representa um padrão de pensamento amplificado e energizado. Por conta da carga energética quase sempre excessiva que ela contém, não é fácil, a princípio, termos condições de observá-la. A emoção quer assumir o controle, e quase sempre consegue, a menos que você esteja presente e alerta. Se você for empurrado para uma identificação inconsciente com a emoção, ela se tornará, temporariamente, ‘você’. É comum se estabelecer um círculo vicioso entre o pensamento e a emoção porque um alimenta o outro. O padrão do pensamento cria um reflexo amplificado em si na forma de uma emoção, fazendo com que a frequência vibratória desta permaneça alimentando o padrão do pensamento original. Ao lidar mentalmente com a situação, acontecimento ou pessoa que é identificada como causadora da emoção, o pensamento fornece a energia para a emoção, a qual, por sua vez, energiza o padrão de pensamento, e assim por diante.

Quanto mais a mente tenta se livrar do sofrimento, mais ele aumenta. A mente nunca pode achar a solução, nem pode permitir que encontremos a solução, porque é, ela mesma, uma parte intrínseca do ‘problema’.

Não nos livraremos desse sofrimento enquanto não extrairmos o sentido de eu interior da identificação com a mente, ou seja, do ego. A mente é, então, derrubada da sua posição de poder, e o Ser se revela em si mesmo, como a verdadeira natureza da pessoa.

Precisamos nos tornar plenamente conscientes de nossas emoções e sermos capazes de senti-las, antes de sermos capazes de sentir aquilo que está além delas. A palavra emoção significa, literalmente, ‘desordem’. A palavra vem do latim emovere, que significa ‘movimentar’.”

As emoções... sendo uma parte da mente dualística, estão sujeita à lei dos opostos.
Enquanto estivermos identificados com as nossas mentes, o que significa dizer, enquanto estivermos inconscientes espiritualmente, o sofrimento será inevitável. Refiro-me aqui ao sofrimento emocional, que é também a causa
principal do sofrimento físico e da doença. O ressentimento, o ódio, a autopiedade, a culpa, a raiva, a depressão, o ciúme e até mesmo uma leve irritação são formas de sofrimento. É o inseparável oposto, que se manifestará com o tempo.”

Eckhart Tolle em O Poder do Agora

12 de março de 2014

Prisoneiro dos pensamentos - Krishnamurti


"Para a maior parte de nós, pensar tornou-se extraordinariamente importante. Nunca nos damos conta de que o pensamento é sempre velho. O pensamento nunca é novo, nem nunca pode ser livre. Falar em liberdade de pensamento é completamente sem sentido, a não ser que isso signifique podermos expressar o que queremos, dizer o que nos apetece; em si mesmo o pensamento nunca é livre, porque é resposta da memória. Podemos observar
isso por nós. 


O pensamento é a resposta da memória, da experiência, do conhecimento. O conhecimento, a experiência, a memória são sempre velhos e assim o pensamento é sempre velho; nunca pode portanto ver nada verdadeiramente novo.
Poderá a mente olhar para o problema do medo sem a interferência do pensamento? Compreendem?
Uma pessoa tem medo. Tem medo do que fez. Esteja pois completamente atenta a ele, sem a interferência do pensamento — e haverá medo então? Como dissemos, o medo é originado por meio do tempo; tempo é pensamento. Isto não é filosofia, nem é nenhuma mística; observai-o simplesmente em vós próprios e vereis.

Percebe-se que o pensamento tem de funcionar objetivamente, com eficiência, de maneira lógica e sã.
Quando se vai para o emprego, ou quando se faz seja o que for, o pensamento tem de operar, de outro modo não se pode fazer nada. Mas o momento em que o pensamento dá origem ou sustenta o prazer e o medo, então deixa de ser eficiente. Então, gera desajustamento na relação e causa
portanto conflito.

Assim, pergunta-se se poderá haver um findar do pensamento numa direção e no entanto com o pensamento a funcionar na sua mais alta capacidade. Estamos empenhados em saber se o pensamento pode estar ausente quando, por exemplo, a mente vê o por do sol em toda a sua beleza. Só então se vê essa beleza, e não quando a mente está cheia de pensamentos, de problemas, de violência. Ou seja, se o observarmos, no momento de vermos o por sol, o pensamento está ausente. Olhamos aquela luz extraordinária sobre os montes, com grande encantamento, e nesse momento o pensamento não tem nisso lugar nenhum.

No instante seguinte porém o pensamento diz: “Que maravilhoso, que belo foi, quem me dera pintá-lo, escrever um poema sobre ele, gostava de contar aos meus amigos esta coisa bonita.” Ou ainda: “Gostava de ver um pôr do sol assim, outra vez amanhã”. E nessa altura o pensamento começa a criar problemas. Porque então diz: “Amanhã hei de ter esse prazer outra vez”; e quando isso não acontece, há dor. É muito simples, e é exatamente por causa da sua simplicidade que isso passa desapercebido. Todos desejamos ser terrivelmente “inteligentes” — somos muito sofisticados, muito intelectuais, lemos muito… Mas toda a história psicológica da espécie humana — não quem foram os reis, ou que guerras houve, nem todo este absurdo das nacionalidades — está dentro de cada um. Quando somos capazes de ler isso em nós mesmos, compreendemos. Então, somos uma luz para nós próprios, então não há autoridade, então somos realmente livres.

A nossa pergunta portanto é: Poderá o pensamento deixar de interferir? É esta interferência que produz tempo. 
Compreendem? Reparemos na morte. Há grande beleza no que está envolvido na morte, e não é possível compreender essa beleza se houver qualquer forma de medo. Estamos apenas a mostrar que receamos a morte por ela poder acontecer no futuro, sendo inevitável. Assim, o pensamento pensa nisso, e fecha-lhe a porta. Ou então, pensa em algum medo que se teve — o sofrimento, a ansiedade — e que isso poderá repetir-se… Estamos prisioneiros do mal que o pensamento cria.

Contudo, podemos ver também a extraordinária importância do pensamento. Quando se vai para o emprego, por exemplo, ou quando se faz alguma coisa de caráter técnico, tem de se usar o pensamento e o conhecimento.
Percebendo todo este processo, desde o início desta conversa até agora — vendo tudo isto — pergunta-se:
“Será o pensamento capaz de estar silencioso? Poder-se-á por exemplo ver a beleza de pôr do sol e ficar completamente envolvido na beleza desse poente sem que o pensamento introduza aí a questão do prazer?” Reparem nisto, por favor. Se assim for, a conduta é cheia de retidão. Só quando o pensamento não cultiva o que acha que é virtude é que a conduta é de fato virtuosa, do
contrário, torna-se deformada e sem integridade. A virtude não é do tempo ou do pensamento; o que significa que ela não é produto do prazer ou do medo.

Assim, agora o problema é: Como é possível, por exemplo, olhar o pôr do sol sem que o pensamento teça prazer ou dor à volta disso? Será possível olhá-lo com tal atenção, com um envolvimento nessa beleza de tal modo completo que, uma vez visto o pôr do sol, isso fique terminado, para que o pensamento não o transporte, como prazer, para “amanhã”?(…) 

Observar, por exemplo, o pôr do sol se a interferência do pensamento exige uma disciplina tremenda; mas não a disciplina do conformismo, não a da repressão ou do controle. A palavra “disciplina” significa aprender — não conformar-se ou obedecer — aprender acerca de todo o processo de pensar e do lugar que lhe pertence.

A negação do pensamento necessita de grande observação.
E para observar tem de haver liberdade. Nesta liberdade conhece-se o movimento do pensamento e há então aprendizagem ativa.
Que entendemos nós por aprender? Quando se vai para a escola ou para a universidade aprende-se muita informação, não de grande importância talvez, mas aprende-se. Isso torna-se conhecimento, e é a partir desse conhecimento que atuamos, quer no campo tecnológico, quer em todo o campo da consciência. Sendo assim, temos de compreender profundamente o que essa
palavra “aprender” realmente significa.

A palavra “aprender” representa obviamente um presente ativo. Está-se sempre a aprender. Mas quando esse aprender se torna um meio de acumulação de conhecimentos, ele é então uma coisa totalmente diferente. Ou seja, aprendi da experiência anterior que o fogo queima. Isso é conhecimento. “Aprendi-o”, portanto não me aproximo do fogo. Cessei de aprender. E a maior parte de nós “tendo aprendido” atua a partir daí. A informação que acumulamos acerca de nós próprios — ou dos outros — torna-se conhecimento ; então esse conhecimento torna-se quase estático e é a partir disso que atuamos. Por consequência, essa ação é sempre velha.

Aprender é pois algo inteiramente diferente.Se esta tarde se tem estado a ouvir com atenção, tem-se estado a aprender a natureza do medo e do prazer; tem-se estado a aprender, e é daí que se atua. Espero que compreendam a diferença. Aprender implica uma ação constante. Está-se sempre a aprender. E o próprio ato de aprender é agir. O agir não está separado do aprender.
Para a maior parte de nós, porém, a ação está separada do conhecimento. Ou seja, há a ideologia ou o ideal, e de acordo com esse ideal agimos, só aproximando a ação desse ideal. E assim, portanto, a ação é sempre velha.

Aprender, tal como ver, é uma grande arte. Que acontece quando vemos uma flor? Será que a vemos realmente, a vemos através da imagem que temos dessa flor? São duas coisas inteiramente diferentes. Quando olhamos para uma flor, para uma cor, sem a nomear, sem o gostar ou não gostar, sem nenhuma cortina entre nós e aquilo que se vê como flor, sem a palavra, sem o pensamento, então a flor tem uma cor e uma beleza extraordinárias. Mas quando se olha para a flor através de um conhecimento botânico, quando se diz “isto é uma rosa”, já se condicionou o olhar.
Ver, assim como aprender, é de fato uma arte; mas não é preciso ir a nenhuma escola para aprender. Pode-se aprende-la onde se está. Podemos olhar um flor, e descobrir como olhamos para ela. Se somos sensíveis, se
estamos acordados, atentos, então vemos que o espaço entre nós e a flor desaparece e quando esse espaço desaparece vemos a flor de maneira muito intensa e cheia de vitalidade. Do mesmo modo, quando nos observamos a nós próprios sem esse espaço — e portanto, sem ser como “o observador” e “a coisa observada” — vemos então que não há contradição e portanto não há conflito.

Quando se vê a estrutura do medo, vê-se também a estrutura e a natureza do prazer. Ver é aprender sobre isso, e a mente portanto não fica aprisionada na procura do prazer. A vida tem então um sentido completamente diferente. Vive-se — mas não à procura de prazer."
Krishnamurti em Berkeley, Califórnia

10 de março de 2014

Meditação é viver sem linguagem - Osho


"Meditação não é um método hindu; não é simplesmente uma técnica. Você não pode aprende-la. É um crescimento: um crescimento de sua vivência total, a partir da sua vivência total. Meditação não é algo que pode ser acrescentado a você tal como você está. Ela pode vir para você somente através de uma transformação básica, uma mutação. É um florescimento, um crescimento. O crescimento é sempre a partir do todo; não é uma adição.

Você deve crescer em direção à meditação.

Este florescimento total da personalidade deve ser entendido corretamente. De outra forma, o indivíduo pode fazer jogos consigo mesmo, por ocupar-se com truques mentais. E há tantos truques! Não apenas você pode ser enganado por eles, não apenas não ganhará nada, como também num sentido real, você será prejudicado. A própria atitude de que há um truque na meditação — conceber a meditação em termos de método — é basicamente errada. E quando o indivíduo começa a brincar com truques mentais, a própria qualidade da mente começa a deteriorar.

Tal qual existe, a mente não é meditativa. Toda mente precisa mudar antes que a meditação possa acontecer. Então, o que é a mente tal qual existe agora? Como funciona?

A mente está sempre verbalizando. Você pode conhecer palavras, você pode saber línguas, você pode conhecer a estrutura conceitual do pensamento, mas isso não é o pensar. Ao contrário, é uma fuga do pensar. Você vê uma flor e você a verbaliza; você vê um homem atravessando a rua e você o verbaliza. A mente pode transformar cada coisa existencial em palavras. Então as palavras se tornam uma barreira, um aprisionamento. Esta constante transformação das coisas em palavras, da existência em palavras, é o obstáculo à mente meditativa.

Assim, a primeira exigência em direção à mente meditativa é tornar-se consciente de sua constante verbalização e ser capaz de pará-la. Apenas veja as coisas; não verbalize. Seja consciente da presença delas, mas não as transforme em palavras. Deixe as coisas serem, sem linguagem; deixe as pessoas serem, sem linguagem; deixe as situações serem, sem linguagem. Não é impossível; é natural. É a situação tal qual existe agora, que é artificial, mas nós nos tornamos habituados a isto, ela tornou-se tão mecânica, que nós nem mesmo temos consciência de que estamos constantemente transformando a experiência em palavras.

O nascer do sol está ali. Você nunca está consciente do vazio entre vê-lo e verbalizá-lo. Você vê o sol, você o sente e imediatamente você o verbaliza. A distância entre o ver e o verbalizar se perde. O indivíduo deve estar consciente do fato de que o nascer do sol não é uma palavra. É um fato, uma presença. A mente automaticamente transforma experiências em palavras.

Estas palavras então surgem entre você e a experiência.
Meditação significa viver sem palavras, viver não linguisticamente. às vezes acontece espontaneamente.

Quando você está apaixonado, a presença é sentida, não a linguagem. Quando dois amantes estão intimamente um com o outro, tornam-se silenciosos. Não que não haja nada para expressar. Ao contrário, há uma aflitiva quantidade de coisas a serem expressas. Mas as palavras nunca estão lá; não podem estar. Elas veem somente quando o amor se foi.

Se dois amantes nunca estão em silêncio, é uma indicação de que o amor morreu. Agora eles estão enchendo o vazio com palavras. Quando o amor está vivo, as palavras não estão lá, porque a própria existência do amor é tão dominadora, tão penetrante, que a barreira das palavras e da linguagem é ultrapassada. E comumente é somente ultrapassada no amor.

A meditação é a culminação do amor; amor não por uma pessoa em particular, mas pela existência total. Para mim, meditação é um relacionamento vivo com a existência que o cerca. Se você pode estar apaixonado com qualquer
situação, então você está em meditação.

E isto não é um truque mental. Não é um método de imobilização da mente. Ao contrário, requer um profundo entendimento do mecanismo da mente. No momento em que você entende seu hábito mecânico da verbalização, de
transformar a existência em palavras, um vazio é criado. Vem espontaneamente. Segue ao entendimento como uma sombra.

O problema real não é como estar em meditação, mas saber porque você não está em meditação. O próprio processo da meditação é negativo. Não está acrescentando algo a você; está negando alguma coisa que já foi acrescida.

A sociedade não pode existir sem linguagem; ela precisa da linguagem. Mas a existência não a necessita. Não estou dizendo que você deveria existir sem linguagem. Você terá que usá-la. Mas você deve ser capaz de ligar e desligar o mecanismo da verbalização. Quando você está existindo como um ser social, o mecanismo da linguagem é necessário; mas quando você está sozinho com a existência, você deve ser capaz de desligá-la. Se você não pode desligá-la se ela continua e continua e você é incapaz de pará-la — então você é um escravo dela. A mente deve ser um instrumento, não o mestre.

Quando a mente é o mestre, um estado não meditativo existe. Quando você é o mestre, sua consciência é o mestre, um estado meditativo existe. Assim, meditação significa tornar-se um mestre do mecanismo da mente.

A mente, e o mecanismo linguístico da mente, não é o supremo. Você está além dela; a existência está além dela. A consciência está além da linguística; a existência está além da linguística. Quando a consciência e a existência tornam-se uma, elas estão em comunhão. Esta comunhão é meditação.

A linguagem deve ser abandonada. Não estou dizendo que você tem de reprimi-la ou eliminá-la. Eu apenas quero dizer que ela não tem de ser um hábito de vinte e quatro horas por dia, para você. Quando você caminha, você tem de mover as pernas; mas se elas continuam a se mover quando você está sentado, então você está louco. Você deve ser capaz de desligá-las. Da mesma forma, quando você não está falando com ninguém, a linguagem não deve estar ali. É uma técnica para comunicar. Quando você não está se comunicando com ninguém, ela não deve estar ali.

Se você é capaz de fazer isto, você pode crescer para dentro da meditação. Meditação é um processo de crescimento, não uma técnica. Uma técnica é sempre morta, assim ela pode ser acrescentada a você, mas um processo é sempre vivo. Ele cresce, expande-se

A linguagem é necessária, mas você não deve sempre permanecer nela. Deve haver momentos em que não haja verbalização, quando você apenas existe. Não é que você esteja apenas vegetando. A consciência está lá. E é mais
aguda, mais viva, porque a linguagem a obscurece. A linguagem limita-se a ser repetitiva, assim ela cria tédio. Quanto mais a linguagem é importante para você mais tedioso você será.

A existência nunca é repetitiva. Cada rosa é uma nova rosa, completamente nova. Nunca foi e nunca será de novo. Mas quando nós a chamamos rosa, a palavra "rosa" é uma repetição. Ela sempre esteve lá; sempre estará. Você matou o novo com uma palavra velha. A existência é sempre jovem e a linguagem é sempre velha. Mediante a linguagem você foge da existência,
você foge da vida, porque a linguagem é morta. Quanto mais envolvido você está com a linguagem, mais desvigorado você será por ela.(...)

Nós vivemos em palavras. Isto é, nós não vivemos.
No fim há somente uma série de palavras acumuladas e nada mais. As palavras são como fotografias. Você vê algo que está vivo e tira uma foto. A foto está morta. Então você faz um álbum de fotografias mortas. Uma pessoa que não vive em meditação é como um álbum morto. Somente fotografias verbais lá estão, somente memórias.
Não está vivo, tudo foi apenas verbalizado.

Meditação significa viver totalmente, mas você pode viver totalmente apenas quando está em silêncio. Por estar em silêncio não quero dizer inconsciente. Você pode estar silencioso e inconsciente, mas não é um silêncio vivo. De novo você se engana.

Através de mantras você pode auto-hipnotizar-se. Por simples repetição de uma palavra, você pode criar tamanho tédio na mente, que a mente dormirá. Você cai no sono, cai na inconsciência. Se você continuar entoando "Ram-Ram-Ram", a mente adormecerá. Então a barreira da linguagem não está lá, mas você está inconsciente.

Meditação significa que a linguagem não deve estar lá, mas você deve estar consciente. De outra forma, não há comunhão com a existência, com tudo o que é. Auto-hipnose não é meditação. Nenhum mantra pode ajudar, nenhuma entoação pode ajudar. Ao contrário, estar em estado hipnótico é uma regressão. Não é ir além da linguagem, é cair abaixo dela.

Assim, abandone todos os mantras, abandone todas as técnicas. Deixe os momentos existirem onde as palavras não estejam. Você não pode livrar-se das palavras com um mantra, porque o próprio processo usa palavras. Você não pode eliminar a linguagem com palavras; é impossível.

Assim, o que deve ser feito? Aliás, você não pode fazer absolutamente nada, exceto entender. O que quer que você seja capaz de fazer, pode surgir somente de onde você está. Você está confuso, você não está em meditação, sua mente não está em silêncio, assim qualquer coisa que venha de você, apenas criará mais confusão. Tudo o que pode ser feito exatamente agora é começar a estar consciente de como a mente funciona. Eis tudo — apenas estar consciente. Consciência não tem nada a ver com palavras. É um ato existencial, não um ato mental. Assim, a primeira coisa é estar consciente. Esteja consciente do seu processo mental, de como sua mente trabalha. No momento em que você se torna consciente do funcionamento de sua mente, você não é a mente. A própria consciência significa que você está além: à
parte, uma testemunha. E quanto mais consciente você se tornar, mais você será capaz de ver os vazios entre a experiência e as palavras. Os vazios estão ali; mas você está tão inconsciente, que eles nunca são vistos.(...) 

Quanto mais consciente você se torna, mais lenta a mente se torna. É sempre relativo. Quanto menos consciente você é, mais rápida a mente é; e quanto mais consciente você é, mais lento é o processo da mente. Quando você está mais consciente da mente, a mente diminui seu ritmo e os vazios entre os pensamentos se alargam. Então você pode vê-los."
Osho em A psicologia do esotérico

8 de março de 2014

Mulher a essência do Universo...


"A mulher é a criadora do universo, 
o universo tem Sua forma; 
A mulher é a fundação do mundo, 
Ela é a verdadeira forma de seu corpo. 
Independentemente da forma que Ela toma, 
a forma de um homem ou uma mulher, 
Ela é a forma superior. 


A mulher é a forma de todas as coisas, 
de tudo o que vive e se move no mundo. 
Não há joia mais rara do que a mulher, 
nem condição superior ao de uma mulher. 


Não há, nem houve, nem haverá 
qualquer destino igual ao de uma mulher; 
não há reino, nenhuma riqueza, 
para ser comparado com uma mulher; 
não há, nem houve, nem haverá
qualquer lugar santo semelhante a uma mulher. 


Não há oração igual a uma mulher. 
Não há, nem houve, nem haverá
qualquer Yoga comparável com uma mulher, 
nenhuma fórmula mística nem ascetismo 
para corresponder a uma mulher. 


Não há, nem houve, nem haverá 
quaisquer riquezas mais valiosas do que a mulher". 

~Shaktisangama Tantra~
(Agradeço o querido Satbodhi Lisboa por esta jóia de texto)
Namaste! 

Beijos a todas as mulheres pelo seu Dia!!!

6 de março de 2014

Nenhuma oposição - Jeff Foster


"Não há nenhum oposto para este momento...

Este momento, tome a forma que tomar não tem oposto.

Investigue-o cuidadosamente, porque o reconhecimento disto é a chave para uma paz inimaginável!

Os opostos só existem no pensamento. Passado x Futuro, Melhor x Pior, Belo x Feio, Iluminado x Não-iluminado, Morte x Vida - Todas estas são divisões elaboradas pela mente.

Você pode encontrar estas divisões, estas lacunas, na realidade , em sua experiência direta?

O sentimento não tem oposto. 


A sensação não tem oposto.
O som não tem oposto. 

Um pássaro a cantar neste momento, não tem oposto, apenas na imaginação ( pássaro cantando x Pássaro não cantando) . 

Esta forte energia no peito ou no estômago, não tem oposto.
O cru sentimento da vida não tem oposto, apenas no pensamento, apenas na imagem, apenas dentro do sonho do tempo e do espaço.

Quando você se dá conta que na verdade este momento não tem oposto é quando se renuncia à tentativa de escapar dele .

Você está ciente de que tudo aquilo que chamamos "Imperfeito" é realmente parte de uma profunda perfeição!

Já que este momento não tem oposto, a ele não se opõe nenhum outro momento. Não tem oposição, não tem nenhum inimigo. É absolutamente original, no único tempo e espaço, livre para ser como sempre é! - nunca em
guerra!

Inicia uma revolução inesperada. 

Seja consciente de que este momento é tudo o que existe e não tem oponente, exceto uma certa imagem na sua cabeça está dizendo como
"deveria" ser.

E lembre-se que mesmo esta imagem não pode resistir a este momento."
Jeff Foster em The Deepest Acceptance 

4 de março de 2014

Há um silencio eterno - Nisargadatta


"Nisargadatta: Separe-se de tudo o que inquiete sua mente. Renuncie a tudo o que altere sua paz. Se quiser paz, mereça-a.

Participante: Com certeza, todo mundo merece a paz.

Nisargadatta: Só a merecem aqueles que não a perturbam.

Participante: De que modo eu perturbo a paz?

Nisargadatta: Sendo escravo de seus desejos e temores.

Participante: Inclusive quando são justificados?

Nisargadatta: As reações emocionais nascidas da ignorância ou da inadvertência nunca são justificadas. Busque uma mente clara e um coração limpo. Tudo o que necessita é permanecer tranquilamente alerta, investigando a natureza real de si mesmo. Este é o único caminho para a paz.

Todos vocês estão ensopados porque está chovendo a cântaros. Em meu mundo sempre faz um tempo esplêndido.
Não há noite nem dia, nem calor nem frio. Ali não me incomodam as preocupações e os pesares. Minha mente está livre de pensamentos porque não há desejos que me escravizem.

Participante: Existem dois mundos?

Nisargadatta: Seu mundo é transitório, mutável. Meu mundo é perfeito, imutável. Pode dizer-me o que quiser de seu mundo, escutarei com atenção, até com interesse e, ao mesmo tempo, não esquecerei, por um só momento, que o seu mundo não existe, que você está sonhando.

Participante: O que diferencia o seu mundo do meu?

Nisargadatta: Meu mundo não tem características pelas quais possa ser identificado. Nada pode ser dito dele. Eu sou meu mundo. Meu mundo sou eu mesmo. É completo e perfeito.
Toda impressão é apagada, toda experiência rechaçada.

Não necessito nada, nem sequer a mim mesmo, pois esse eu mesmo não pode ser perdido.

Participante: Nem mesmo Deus?

Nisargadatta: Todas essas idéias e distinções existem em seu mundo; no meu, não há nada parecido. Meu mundo é singular e muito simples.

Participante: Nada acontece ali?

Nisargadatta: O que acontece em seu mundo, apenas tem validade ali, provocando uma resposta. Em meu mundo não acontece nada.
Participante: O próprio fato de que você experimenta seu próprio mundo implica em dualidade, inerente a toda experiência.

Nisargadatta: Verbalmente, sim. Mas suas palavras não me alcançam.

Meu mundo não é verbal. Em seu mundo, o inominado não tem existência; no meu, as palavras e seus conteúdos não têm nenhuma existência. Em seu mundo nada permanece, no meu nada muda. Meu mundo é real, enquanto o seu é feito de sonhos.

Participante: Mas nós estamos falando.

Nisargadatta: A conversa está no seu mundo. No meu, há um silêncio eterno. Meu silêncio canta, meu vazio é completo, não me falta nada. Você não pode conhecer meu mundo até que esteja ali.

Participante: Parece que só você está em seu mundo.

Nisargadatta: Como você pode dizer só ou não só, quando as palavras não são apropriadas? Certamente que estou só, pois eu sou tudo.

Participante: Você alguma vez vem a nosso mundo?

Nisargadatta: Que é ir e vir para mim? Novamente são palavras. Eu sou. De onde tenho que vir, e aonde tenho que ir?

Participante: De que me serve o seu mundo?

Nisargadatta: Você deve considerar com maior atenção seu próprio mundo, examine-o criticamente e, repentinamente, um dia você se encontrará no meu.
Participante: Que ganho com ele?

Nisargadatta: Não ganha nada. Simplesmente abandona o que não é seu
e encontra o que nunca perdeu – seu próprio Ser."
Nisargadatta Maharaj em Eu Sou Aquilo 

2 de março de 2014

Do ponto de vista do Iluminado - Ramesh


"Participante : Como o organismo corpo-mente que alcançou a iluminação vê o mundo? O que ele vê? O que significa quando ele descreve o mundo como sendo irreal?

Ramesh :  Shankara descreve o mundo fenomênico como irreal, por isso, ele foi tido como ateu. O contexto no qual ele diz que o mundo é "irreal", é o ponto que leva ao mal-entendido. 
Quando ele descreve o fenomênico como "irreal", ele quer dizer que se assemelha a uma sombra, que não pode existir sem o objeto, cuja qual está projetada. A sombra depende da existência do seu objeto. Não tem existência independente. Neste sentido, o mundo é um fenômeno irreal, é um reflexo do numênico.

Em outras palavras, subjetividade ou numênico, transcende a manifestação fenomênica. 
O Absoluto e o manifesto não são dois. Esta identificação entre o Não-manifesto e o manifesto é um dos pontos que leva ao mal entendido. 
Não há dúvida em se identificar com o mundo. Se você pergunta, " Existe identificação com o mundo?" existe aqui uma dualidade; 

A compreensão seria: Tudo é Consciência, que manifesta a si mesma como a manifestação total, na qual surpreendentemente existem objetos, com uma surpreendente variedade de divergências, com uma surpreendente variedade de individualidades. Eu lhes digo que, essa imensa variedade não são só as impressões digitais, as vozes, os batimentos cardíacos de um indivíduo, que podem até ser identificados por máquinas sensíveis. Mesmo assim, com essa diversidade imensa, ainda assim existe a unidade na diversidade. 

A Unidade que funciona como a Totalidade, elementos subjetivos são comuns a todos os seres sencientes. 
A compreensão remove a separação. A multiplicidade é reconhecida como sendo apenas na superfície.

Participante : Quem é você?

Ramesh : Eu sou Consciência e você também é. E Consciência é que constitui e funciona através de cada organismo corpo-mente, cada ser senciente, não importando que seja um ser humano ou mesmo um inseto.

Participante: Para os que ainda não passamos por essa mudança, qual seria o conceito que surgem em sua mente, quando o assunto é Iluminação da Consciência?

Ramesh: Não. Veja bem, iluminação significa o fim de todos os conceitos. Todas as dúvidas cessam. Não existe mais nenhuma dúvida, nenhum conceito. Não se precisa mais de conceitos. 
Conceitos e dúvidas só podem existir quando o "eu" está presente. Na mente dividida entre sujeito e objeto, ou lógica e razão; na mente pensante do "eu" existe uma coleção de dúvidas. 
Quando este "eu" se vai, quem tem dúvidas? 

Isso que estou dizendo hoje, eu não pensei e nunca havia dito assim antes. Isso apenas acontece. A resposta não está pronta. Quando a questão é colocada, a resposta aparece. Elas não são formuladas. Não existe nenhuma mente interpretando e pensando sobre as respostas.

Participante: Então, você vive naturalmente e espontaneamente todo o tempo?

Ramesh: De fato, vivo de modo natural e espontâneo. 
As pessoas em geral, acreditam que são os verdadeiros agentes da ação, e depois se sentem responsáveis. Elas acreditam que podem mudar o mundo. Eventualmente creem que podem controlar os pensamentos, e os eventos; controle este que realmente nunca existiu. 
No processo da compreensão, o indivíduo passa por muitas dificuldades e mudanças, as quais ele chama de infelicidade. Nesses períodos de infelicidade, ao invés de perceber que as coisas acontecem espontaneamente por si mesmas, e isso mudaria toda a base de suas vidas, ele pensa que para ser feliz, deve melhorar a si mesmo. 
Com isso, ele vai fazendo uma série de cursos de auto-aprimoramento, e obtém somente resultados limitados, e mais frustração se segue.

Participante: Então, você acredita que você não se têm controle sobre como a vida será?

Ramesh: Eventos que acontecem através de qualquer mecanismo corpo-mente, estão sempre além do controle da entidade separada. 
Mas, a maioria das pessoas não realiza isso. 
Elas estão acostumadas a acreditar que elas estão fazendo escolhas. Elas acreditam que tem escolha e decisão sobre as ações, e mesmo assim continuam se sentindo extremamente infelizes.

Iluminação simplesmente significa que tudo está sendo realizado. 

Então, ao invés de estar envolvido em qualquer ação que ocorre, não apenas com respeito ao organismo corpo-mente, mas também através daqueles que encontra, existe uma aceitação de todas as ações como parte do funcionamento da Totalidade. 
Tudo o que muda é a atitude, a perspectiva, a compreensão. 
O mundo continua e continuará do mesmo jeito.

O resultado da iluminação acontece de vários modos. A maneira espontânea de se viver, é descrita por Lao Tzu de maneira muito bela. 

A propósito, Maharaj ( Nisargadatta Maharaj) nunca ouviu falar de Lao Tzu. Ele nunca ouviu falar de Lao Tzu ou do Taoísmo. Mas é absolutamente incrível, como são paralelos os ensinamentos destes dois. 
Eles tem que ser, porque o tipo de vida que começa após a iluminação, seja na China há dois mil anos atrás, ou a de Ramana Maharshi há cem anos atrás, tem que ser a mesma. Quando você lê Lao Tzu, você é golpeado com uma grande admiração. 

Mararaj vivia em um pequeno distrito de luzes vermelhas em Bombaim, dentro de uma casa de pedras. E Lao Tzu vivia nas montanhas da China, ambos com atitudes de vida idênticas; atitudes essas que trazem uma espécie de brilho que afeta todos aqueles que entram em contato com eles.

A vida de um sábio é uma vida corajosa, pelo olhar da maioria das pessoas. 

O que quero dizer por "vida corajosa" é viver não em confronto com a vida, mas em total aceitação, essa mudança é a base da vida. 

Viver a vida corajosamente significa reconciliar educação com compreensão, unidade e diversidade, ordem e espontaneidade, sociabilidade e individualidade. A variedade de experiência e percepção é vista como a maravilhosa diversidade, acontecendo na unidade. 

O sábio não harmoniza disciplina com compreensão, ou combina ordem com espontaneidade. Isso apenas acontece, e aí reside a magia e a maravilha de tudo isso.

Uma vida corajosa só não acontece para pessoas comuns, porque elas continuam dizendo: "Eu preciso me aprimorar". E quando acontece de interagir com outras pessoas, as liberdades são postas à prova, e o conflito aparece. "Ele quer ser individual"; diz Eu quero viver minha própria vida. Eu quero ter minha vida particular, minha dieta, meus exercícios. Eu quero viver por mim mesmo.
Mas, na vida você não pode ser um recluso; você tem que viver com os outros. Quando a individualidade entra em choque com as outras individualidades, os opostos se chocam e o conflito acontece, e isso gera angústia.

Mas, quando se compreende que ambos funcionam espontaneamente juntos, então automaticamente existe uma reconciliação e uma unidade entre eles.

Uma vida corajosa não significa confronto com a natureza, mas uma alegre cooperação, com os princípios de funcionamento da natureza. 
Na maneira de se viver atual, a consciência iluminada assume a forma de participação voluntária nos eventos que acontecem a cada momento, sem fórmulas ou conceitos; tudo acontece de forma natural e espontânea. 
Existe a profunda convicção "Pai seja feita a Vossa vontade, não a minha.

Esta atitude necessita de uma ausência espontânea do agente pessoal (eu) em seja qual for a atividade. Esta forma de viver se torna naturalmente virtuosa, não no sentido deliberado de exercício moral ou de retidão. 

Participante: Sua iluminação, lhe trouxe o propósito de ensinar? Existem outras iluminações que trazem o propósito de curar? 

Ramesh - Sim, claro. A iluminação acontece, o que irá acontecer com o mecanismo corpo-mente após isso é impossível de se dizer. Não existem regras. Pode não acontecer nada ao organismo corpo-mente, e tudo continuar exatamente como antes, ou algo pode mudar. 
Alguns que nunca escreveram começam a escrever. Outros que temiam falar em público após o jantar, começam a dar palestras. É uma espécie de milagre!

Participante: Fico encantado como as palavras apenas fluem

Ramesh: Dizer apenas fluem, é correto. O mesmo é verdadeiro para os livros que são escritos, as palavras apenas fluem."
Ramesh Balsekar em Counsciousness Speaks
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