28 de setembro de 2015

Recebendo o eterno - J.Krishnamurti


"Sem meditação não existe auto-conhecimento. Sem auto-conhecimento, não existe meditação. Então você tem que começar a saber o que você é. Você não pode ir longe sem começar perto, sem compreender o processo diário do pensamento, sentir, e ação. 

Em outras palavras, o pensamento tem que compreender seu próprio trabalho, e quando você vê a si mesmo funcionando, observará que o pensamento vai do
conhecido para o conhecido. Você não pode pensar no desconhecido. Aquilo que você conhece não é real porque o que você conhece existe só no tempo. 

Para se libertar da rede do tempo é preciso interesse, não pensar a respeito do desconhecido, pois, você não pode pensar no desconhecido. As respostas para suas preces são do conhecido. 

Para receber o desconhecido, a própria mente deve se tornar o desconhecido. A
mente é o resultado do processo de pensamento, o resultado do tempo, e este processo de pensamento deve chegar ao fim. A mente não pode pensar naquilo
que é eterno, infinito; portanto, a mente deve estar livre do tempo, o processo de tempo da mente deve ser dissolvido. 

Só quando a mente está completamente livre do ontem, e não está usando o presente como meio para o futuro, ela é capaz de receber o eterno.

Portanto, nosso interesse em meditação é conhecer a si mesmo, não só superficialmente, mas todo o conteúdo da consciência interior, oculta. Sem
conhecer tudo isso e estar livre desse condicionamento você não pode ir além dos limites da mente. Por isso o processo da mente deve cessar, e
para essa cessação deve haver o conhecimento de si mesmo. 

Portanto, meditação é o início da sabedoria, que é compreensão de sua própria mente e coração."
J. Krishnamurti em The Book of Life

26 de setembro de 2015

Muitos vasos, mesma argila - Swami Dayananda


"Em um vaso de argila, o real é a argila. O vaso é um nome apenas, uma forma, que toma emprestada sua realidade da argila. É impossível que o vaso possa afetar de alguma forma a argila, porque, em essência, tudo o que existe é a argila.

Não é preciso se quebrar o vaso, para se conhecer a argila. É somente uma questão de entendimento.
Tampouco podemos dizer que o vaso não existe.

Percebemos essa forma, e é útil. Nele podemos colocar flores, água ou as chaves de casa... O vaso de argila é uma manifestação, uma forma útil, da argila.


A argila está no vaso. Mas também está na xícara, no cinzeiro, e no jarro. 
O vaso depende da argila. A argila não depende das formas para continuar sendo argila. Ela é o substrato de onde as formas nascem. 

A verdade do vaso é a argila. A verdade da xícara é a argila. O peso da vasilha é o peso da argila. A textura do jarro é a textura da argila; Com a compreensão de que a argila transcende as formas do jarro, da vasilha, dos cinzeiros, sabemos que a argila é independente da forma que assume. O real é a argila; e a argila dá sua realidade aos nomes e as formas.

O universo inteiro está sustentado pela existência da Pura Consciência. Essa existência é o que Somos. Qualquer pensamento que surja, será invariavelmente, uma manifestação da Pura Consciência. 
Tudo o que observamos, todas as cognições, são observações e cognições da Pura Consciência. 
Nada pode existir que não seja a presença daquilo que realmente somos. Porque eu sou, posso inferir. 
Eu sou e portanto posso ver e escutar. Que eu sou, é evidente, e porque eu sou, todo conhecimento é possível.

O que realmente somos, a Pura Consciência, se reconhece em cada cognição, em qualquer movimento da mente que conduza ao conhecimento dos objetos. Por muito tempo tentamos capturar a Pura Consciência em um pensamento, isso sempre foi um esforço em vão, inútil. O que se pode observar é a Presença do imutável em cada um dos pensamentos. Isso é contemplar o Real.

Somos Consciência. A Consciência está no corpo. A Consciência está no pensamento. Mas a Consciência também está e É, independente do corpo e do pensamento. Ambos, dependem da Consciência para sua existência, mas a Consciência não depende de coisa alguma para ser. É auto-existente, auto-evidente.
O que devemos compreender é que o mundo é você, e você está livre do mundo. O vaso é argila, mas a argila é livre do vaso. Somos a base do que existe, a verdade o que existe, e ao mesmo tempo, somos livres do que existe.
É uma questão de entender bem. E isso é auto-conhecimento.
Essencialmente, libertação é por fim a todos os problemas por meio do conhecimento da essência verdadeira do problema, como dizem os Upanishads: "Só o conhecimento é libertação". 

Este conhecimento é o conhecimento de Si mesmo."
Swami Dayananda Saraswati

24 de setembro de 2015

Além dos desejos - Sambodh Naseeb


"A comédia de tudo é que, o personagem da peça vai para casa esquecendo que é o ator. Ao lembrar quem é, solta uma longa gargalhada. 

Todos a nossa volta estão reforçando o sonho da vida, o sonho da mente. E este sonho tem muitas demandas.

Na mente, somente após as demandas cumpridas, é que ela descansa. Esta é a mentira. Porque não haverá o dia onde todas as demandas da mente serão cumpridas.
Todos os desejos existem por uma simples lacuna: ausência de Ser. A mente então vem e diz que quer acabar com todos os desejos. Mas este não é o ponto.

O ponto é que há uma Visão que o recoloca em uma outra perspectiva. E até que esta Visão seja digerida, a perspectiva falsa tomará as ações habituais. Esta Nova Visão é a descoberta de um espaço onde todos os desejos estão, mas você não é mais o desejante. Você é o observador de todos os desejos. Não é preciso julgar ou fugir dos desejos.

Eles perdem o foco quando os olhos estão descansados na perspectiva certa.

Os desejos estão ali, mas paz se encontra em primeiro plano. No exemplo da tela do cinema, é como se a tela branca estivesse em perspectiva mesmo quando o filme está passando. E este Você que está em paz é um outro Você. Um você sem pontos de vista. Um Você que não se pensa como Você. Que é sempre transcendente e imanente ao corpo. Um Você que é consciente do corpo.

O corpo sente, você observa. A mente pensa, você observa. Tudo funciona exatamente igual - o diferencial é um acréscimo de algo que sempre esteve
ali mas nunca foi reconhecido : a Consciência. E isto é tão incrível, o fato de você ser uma pura observação, que a maioria de nós passa a vida sem
aventar esta possibilidade."

Sambodh Naseeb

20 de setembro de 2015

Krishna e a equanimidade afetiva - Pedro Kupfer


"Quando ouvimos a palavra valor, vêm a nossa mente algo relevante ou fundamental. Cada um de nós têm uma escala de valores, aos quais nos mantemos fiéis.

Porém, para além dos valores subjetivos que cada um possa ter, e para além daqueles que nascem e morrem, há uma série de valores que não muda nunca, que é atemporal. Aqueles valores pessoais, que vão mudando de acordo com o tempo, o lugar ou a circunstância, podem ser chamados de moral. Os que não mudam, chamaremos aqui de ética. Em sânscrito, dharma.

Os valores que Krishna ensina para o príncipe guerreiro à beira do campo de batalha naquele diálogo essencial sobre Yoga que é a Bhagavadgītā, são desse
último tipo: perenes, no sentido que não envelhecem nem saem de moda (ou não deveriam sair), e universais, no sentido de que valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias. Esses valores, não obstante, não existem como fins em si mesmos, mas como condições através das quais podemos nos
qualificar para o autoconhecimento, que conduz a mokṣa, a liberdade.

A palavra valor se diz jñāna em sânscrito. Swāmi Dayānanda escreveu um livro notável, chamado O Valor dos Valores, que explica detalhadamente, estes vinte valores fundamentais cultivados pelo sábio. Deixo aqui um breve resumo de um desses valores, desde já pedindo desculpas pela brevidade das explanações, já
que o assunto é profundo e extenso.

A estrofe da Bhagavadgītā diz:
asaktir anabhi-ṣvaṅgaḥ putra-dāra-gṛhādiṣu | nityaṃ ca samacittatvam iṣṭāniṣṭopapattiṣu || 13.10 ||


ausência de apego à ideia de posse, ausência de apego em relação aos filhos, o cônjuge, o lar e outros, equanimidade constante independente da
realização do desejado ou do não desejado.”


Equanimidade Afetiva é a atitude que neutraliza o excesso de emotividade e apego, como o que podemos nutrir pelos nossos filhos, nosso cônjuge, nossa casa ou nossas coisas. Isto não significa que não devemos cuidar daqueles que amamos, mas evitar projetar nessas pessoas (ou no lar), nossas carências e
inseguranças. Equanimidade nos afetos, assim, é cultivar cuidado e compaixão em relação às pessoas e coisas, mantendo a objetividade e o desapego.
Prof. Pedro Kupfer

18 de setembro de 2015

Aprendendo a lidar com a raiva - Thich Nhat Hahn




"No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. Você culpa esta pessoa por todo o
seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica.

Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade?

Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, e como você não praticou os métodos destinados a cuidar bem da raiva, a semente dela pode
ter sido rega da no passado com excessiva freqüência.Todos temos uma semente da raiva nas profundezas da nossa consciência. No entanto, em alguns de nós, esta semente é maior do que nossas outras sementes como a do amor e a da compaixão. A semente da raiva pode ser maior por não ter sido cuidada através da nossa prática no passado. Por isso, como já disse, quando começamos a cultivar a energia da plena consciência,a primeira coisa que percebemos com clareza é que a principal causa do nosso sofrimento, da nossa aflição, não é a outra pessoa, e sim a semente da raiva que existe em nós. Nesse momento, paramos de considerar a outra pessoa culpada do nosso sofrimento. Compreendemos que ela é apenas uma causa secundária. Você sente um enorme alívio ao descobrir isso e começa a se sentir muito melhor. Mas a outra pessoa pode ainda estar sofrendo porque não aprendeu a cuidar da própria raiva. Quando isso acontece, está na hora de ajudar o outro.

Quando não sabemos lidar com o nosso sofrimento, deixamos que ele se derrame sobre as pessoas que estão em volta. Quando você sofre, faz com que as pessoas ao seu redor também sofram. Isso é bastante natural. É por esse motivo que temos que aprender a lidar com o nosso sofrimento, para não o espalharmos em torno de nós. Quando você é o chefe da família, por exemplo, você sabe que o bem-estar dos seus familiares é extremamente importante. Como você tem compaixão, não permite que seu sofrimento afete os que estão à sua volta. Você pratica e aprende a lidar com seu sofrimento porque sabe que nem ele nem sua felicidade são uma questão individual.

Quando você está com raiva e não quer lidar com ela, fica sem defesa, sofre, e também faz as pessoas à sua volta sofrerem. Sua primeira reação é achar que a
pessoa que causou a raiva merece ser punida. Tem vontade de castigá-la porque ela fez você sofrer. Mas, depois de praticar durante dez ou quinze minutos a respiração, a meditação andando e o olhar consciente, você compreende que ela precisa de ajuda e não de punição. Esta é uma percepção justa. Essa pessoa pode ser alguém muito próximo a você sua esposa, seu marido, algum dos filhos. Se você não ajudá-la, quem o fará?

Depois então de acolher e abraçar a raiva, sentindo-se muito melhor, você nota que a outra pessoa continua a sofrer. Esta percepção gera em você um movimento em direção a ela, num grande desejo de ajudá-la. Trata-se de uma forma completamente diferente de pensar e de sentir, pois o desejo de punir simplesmente desapareceu. A raiva se transformou em compaixão.

A prática da plena consciência nos torna mais atentos e perspicazes. Esta capacidade de discernimento é fruto da prática que pode nos ajudar a perdoar e a amar. Num período de quinze minutos, ou de meia hora no máximo, a prática da plena consciência, da concentração e do discernimento é capaz de libertar
você da raiva, enchendo seu ser de amor.
Quando você entende o sofrimento da outra pessoa, você é capaz de transformar seu desejo de punir, passando apenas a querer ajudá-la. Quando isso acontece, você sabe que sua prática teve êxito. Você é um bom jardineiro.

Dentro de cada um de nós existe um jardim, e cada praticante precisa voltar para dentro de si mesmo e cuidar dele. Talvez no passado você tenha se dado
conta disso. Agora, então, precisa saber o que está acontecendo no seu jardim e procurar colocar tudo em ordem. Restaure a beleza e restabeleça a harmonia do
seu jardim. Muitas pessoas se encantarão com seu jardim se ele for bem cuidado.

Quando éramos crianças, aprendemos a respirar, a andar, sentar, comer e falar. Fizemos tudo isso instintivamente sem pensar. O que eu proponho agora é
que tomemos consciência dos nossos atos para renascermos espiritualmente. Para isso, temos que aprender a respirar de novo, de um modo consciente.
Aprender a andar de novo, conscientemente. Aprender a ouvir de novo, com consciência e compaixão. Aprender a falar de novo, com a linguagem do amor, para honrar nosso compromisso original. Dizer a nossa verdade, com respeito e suavidade, e acolher a do outro: “Meu amor, estou sofrendo. Estou com raiva. Quero que você saiba disso”.

Esta frase expressa a fidelidade ao nosso compromisso. Meu amor, estou fazendo o melhor que posso. Estou cuidando da minha raiva. Para o meu bem
e para o seu. Não quero explodir, destruir a mim e a você. Estou fazendo o melhor que posso.” Esta lealdade provocará respeito e confiança na outra pessoa. E finalmente diremos: “Meu amor, preciso da sua ajuda.” Esta é uma declaração muito poderosa, porque, quando estamos com raiva, geralmente temos a tendência de dizer: “Não preciso de você, não quero te ver pela frente.” Se você puder dizer as três frases anteriores com sinceridade, do fundo do coração, o outro passará por uma transformação. Não duvide dos efeitos dessa prática.

Com o seu comportamento, você consegue influenciar a outra pessoa e incentivá-la a começar a praticar. Ela pensará e sentirá: “Meu parceiro está sendo fiel falando a verdade. Ele está de fato tentando fazer o melhor possível. Preciso fazer a mesma coisa.” Isso significa que, quando cuidamos bem de nós mesmos, estamos cuidando bem da pessoa que amamos. O amor por nós mesmos é a base da nossa capacidade de amar o outro. Se não cuidamos bem de nós mesmos, se não estamos felizes e tranquilos, não podemos fazer a felicidade de mais ninguém. Não podemos ajudar nossos seres queridos, não podemos amá-los. Nossa capacidade de amar uma outra pessoa depende totalmente da nossa capacidade de amar e cuidar bem de nós mesmos.

Nossos ferimentos podem ter sido causados pelo nosso pai ou nossa mãe. Eles repassaram o que sofreram quando crianças. Como não sabiam a forma de curar as feridas da infância, eles as transmitiram para nós. Se não soubermos como transformar e curar nossos próprios ferimentos, vamos transmiti-los para nossos filhos e netos. É por isso que temos que voltar à criança ferida que existe dentro de nós para ajudá-la a ficar curada.

Às vezes, essa criança precisa de toda a nossa atenção. Ela pode emergir das profundezas da nossa consciência pedindo atenção. Se você estiver consciente, ouvirá a voz dela pedindo ajuda. Quando isso acontece, é hora de desligar-se de tudo em torno e voltar-se para dentro, acolhendo e abraçando carinhosamente a criança ferida dentro de você. Respire conscientemente dizendo: “Ao inspirar o ar, volto-me para minha criança ferida; ao soltar o ar, cuido amorosamente da minha criança ferida.” Você precisa praticar e se voltar para a sua criança ferida todos os dias, abraçando-a com carinho, falando com ela. E você também pode escrever uma carta para ela dizendo que reconhece sua presença e fará tudo que estiver ao seu alcance para curar seus ferimentos."
Thich Nhat Hahn em Aprendendo a Lidar com a Raiva

15 de setembro de 2015

Ouça sua voz interior - Osho


"Todo mundo nasceu como um indivíduo único, mas, quando ficou maduro o suficiente para participar da vida, o sujeito já se tornou uma multidão.

A maioria das pessoas, no entanto, não está consciente disso.Se você simplesmente se sentar em silêncio e ouvir sua mente, descobrirá muitas vozes. Você ficará surpreso ao perceber que consegue reconhecer essas vozes muito bem. Uma delas é do seu avô, outra é da sua avó, outra é do seu pai, outra é da sua mãe. Outras vozes são do sacerdote, do professor, dos vizinhos, dos amigos, dos inimigos.

Todas essas vozes estão misturadas numa multidão no seu íntimo e, se você quiser descobrir a sua própria voz, vai ver que é quase impossível; a multidão é 
grande demais.

Na verdade, você se esqueceu da sua voz há muito tempo. Nunca teve liberdade para expressar as suas opiniões. Você foi ensinado a ser obediente, foi ensinado a dizer sim para tudo o que os mais velhos estavam lhe dizendo.

Ensinaram-lhe que você tem de seguir qualquer coisa que os seus professores ou os seus sacerdotes estiverem fazendo. Ninguém jamais lhe disse para 
buscar a sua própria voz; ninguém jamais lhe perguntou, "Você tem a sua própria voz ou não?" Por isso a sua voz continuou muito baixa e as outras vozes são muito altas, muito autoritárias, pois elas eram ordens e você as seguiu — a despeito de si mesmo. Você não tinha intenção de segui-las, conseguia perceber que não era certo. Mas é preciso ser obediente para ser respeitado, para ser aceito, para ser amado.

Naturalmente, só uma voz está faltando dentro de você; só uma pessoa está faltando dentro de você: você mesmo. Tirando você, existe uma multidão inteira aí. E essa multidão está constantemente deixando você maluco, pois uma voz diz, "Faça isto"; e outra diz, "Nunca faça isto! Não ouça essa voz!" E você fica dividido. Essa multidão precisa ser contida. Essa multidão precisa ouvir, "Agora, por favor, me deixem em paz!"

As pessoas que foram viver nas montanhas ou reclusas na floresta não estavam na verdade abandonando a sociedade; elas estavam tentando encontrar um lugar onde pudessem dispersar essa multidão interior. E essas pessoas que conseguiram encontrar um lugar dentro de você obviamente relutam em sair.

Se você quer, porém, se tornar um indivíduo por seus próprios méritos, se quer se livrar desse eterno conflito e dessa confusão dentro de você, então precisa dizer adeus a essas vozes — mesmo que elas pertençam ao seu respeitável pai, à sua mãe, ao seu avô.

Não importa a quem elas pertençam. Uma coisa é certa: essas vozes não são suas. São vozes de pessoas que viveram em seu próprio tempo, e elas não tinham ideia de como seria o futuro. Elas passaram aos filhos suas próprias experiências, e essas experiências não vão combinar com um futuro desconhecido. Elas acham que estão ajudando os filhos a ficarem informados, a serem espertos, para que a vida deles possa ser mais fácil e mais confortável, mas elas não estão fazendo a coisa certa.

A maioria das pessoas, no entanto, não está consciente disso.
Se você simplesmente se sentar em silêncio e ouvir sua mente, descobrirá muitas vozes. Você ficará surpreso ao perceber que consegue reconhecer essas 
vozes muito bem. Uma delas é do seu avô, outra é da sua avó, outra é do seu pai, outra é da sua mãe. Outras vozes são do sacerdote, do professor, dos vizinhos, dos amigos, dos inimigos.Todas essas vozes estão misturadas numa multidão no seu íntimo e, se você quiser descobrir a sua própria voz, vai ver que é quase impossível; a multidão é grande demais.

Na verdade, você se esqueceu da sua voz há muito tempo. Nunca teve liberdade para expressar as suas opiniões. Você foi ensinado a ser obediente, foi ensinado a dizer sim para tudo o que os mais velhos estavam lhe dizendo. Ensinaram-lhe que você tem de seguir qualquer coisa que os seus professores ou os seus sacerdotes estiverem fazendo. Ninguém jamais lhe disse para buscar a sua própria voz; ninguém jamais lhe perguntou, "Você tem a sua própria voz ou não?"Por isso a sua voz continuou muito baixa e as outras vozes são muito altas, muito autoritárias, pois elas eram ordens e você as seguiu — a despeito de si mesmo. Você não tinha intenção de segui-las, conseguia perceber que não era certo. Mas é preciso ser obediente para ser respeitado, para ser aceito, 
para ser amado.

Naturalmente, só uma voz está faltando dentro de você; só uma pessoa está faltando dentro de você: você mesmo. Tirando você, existe uma multidão inteira aí. E essa multidão está constantemente deixando você maluco, pois uma voz diz, "Faça isto"; e outra diz, "Nunca faça isto! Não ouça essa voz!" E você fica dividido.

Essa multidão precisa ser contida. Essa multidão precisa ouvir, "Agora, por favor, me deixem em paz!" As pessoas que foram viver nas montanhas ou reclusas na floresta não estavam na verdade abandonando a sociedade; elas estavam tentando encontrar um lugar onde pudessem dispersar essa multidão interior. E essas pessoas que conseguiram encontrar um lugar dentro de você obviamente relutam em sair.

Se você quer, porém, se tornar um indivíduo por seus próprios méritos, se quer se livrar desse eterno conflito e dessa confusão dentro de você, então precisa dizer adeus a essas vozes — mesmo que elas pertençam ao seu respeitável pai, à sua mãe, ao seu avô. Não importa a quem elas pertençam. Uma coisa é certa: essas vozes não são suas. São vozes de pessoas que viveram em seu próprio tempo, e elas não tinham ideia de como seria o futuro. Elas passaram aos filhos suas próprias experiências, e essas experiências não vão combinar com um futuro desconhecido.

Elas acham que estão ajudando os filhos a ficarem informados, a serem espertos, para que a vida deles possa ser mais fácil e mais confortável, mas elas não estão fazendo a coisa certa. Com todas as boas intenções do mundo, elas destroem a espontaneidade dos filhos, a consciência deles, a capacidade que eles têm de se sustentar sobre as próprias pernas e responder ao novo futuro do qual seus ancestrais não faziam ideia.

Cada criança enfrentará novas tempestades, vai enfrentar novas situações, e ela precisa de uma consciência totalmente nova para responder. Só assim a sua resposta vai ser frutífera; só assim ela poderá ter uma vida vitoriosa, uma vida que não seja um longo e tedioso desespero, mas uma dança a cada momento, que se torna mais e mais profunda até o último suspiro. A pessoa entra na morte dançando, e alegremente.

Fique em silêncio e encontre o seu próprio eu.

A menos que você encontre o seu próprio eu, será muito difícil dispersar a multidão, pois todos nessa multidão estão fingindo, "Eu sou o seu eu!" e você não tem como concordar ou discordar.Por isso não provoque nenhuma briga com essa multidão. Deixe que briguem entre si — essas vozes sabem muito bem como brigar entre elas. Enquanto isso, tente se encontrar. E depois que souber quem é, você pode simplesmente mandar que saiam da sua casa — 
é na verdade simples assim!

Mas primeiro você tem que se descobrir. Quando você está presente, o senhor também está. O dono da casa está presente e todas essas pessoas, que estão 
fingindo que são os senhores, começam a se dispersar.

A pessoa que é ela mesma, que se livrou do fardo do passado, que não tem compromisso com o passado, que é original, forte como um leão e inocente como uma criança, pode alcançar as estrelas, ou ir até além delas; seu futuro é dourado.
Até o dia de hoje, as pessoas têm falado do passado dourado. Temos que aprender a linguagem do futuro dourado. Você não precisa mudar o mundo inteiro; se mudar simplesmente a si mesmo você terá começado a mudar o mundo todo, pois você faz parte dele.

Se um único ser humano mudar, essa mudança irradiará para milhares e milhares de outros seres humanos. Você se tornará um gatilho para uma revolução, que pode fazer surgir um ser humano completamente novo."

Osho em Transformando Crises em Oportunidades


12 de setembro de 2015

Conhecer a si mesmo - Osho


"Você tem de ser um investigador. E a sua única responsabilidade deve ser conhecer a si mesmo.
Ensinaram-lhe tantas responsabilidades menos essa! Disseram-lhe que você devia prestar conta aos seus pais, à sua mulher, ao seu marido, aos seus filhos, à nação, à igreja, à humanidade, à Deus. 


A lista é praticamente interminável. Mas a responsabilidade mais importante não está nessa lista.

Eu gostaria de queimar essa lista toda! Você não tem de prestar contas a nação nenhuma, a igreja nenhuma, a Deus nenhum. Você só é responsável por uma coisa: o seu autoconhecimento. E o maior milagre é que, se você cumprir com essa responsabilidade, conseguirá cumprir com muitas outras sem fazer nenhum esforço.

No momento em que você encontra o seu próprio ser, uma revolução acontece na maneira como você vê as coisas. Toda a sua visão de vida passa por uma mudança radical. Você começa a se dar conta de novas responsabilidades - não como se fossem algo que tem de ser feito, mas algo que se faz por prazer.

Você nunca mais fará nada por dever, por se sentir responsável, porque isso é algo que esperam de você. Você fará tudo pela felicidade que isso lhe dá, por um sentimento de amor e compaixão. Não é uma questão de dever, é uma questão de compartilhar. Você sente tanto amor e tanta felicidade que gostaria de compartilhar.

Por isso eu só ensino uma responsabilidade, que é para consigo mesmo. 

Todo o resto virá naturalmente sem nenhum esforço da sua parte. 

E, quando as coisas acontecem sem que seja preciso fazer esforço, elas se revestem de uma grande beleza."
Osho em A Rose is a rose, is a rose.

9 de setembro de 2015

Se há medo, o amor não pode existir - Osho


"Eu lhe digo: "Se há medo, o amor não pode existir", então, você fica com medo do próprio medo. Você pergunta: "Como a pessoa pode sair do medo?" Isso é novamente um medo, e mais perigoso do que o primeiro medo, porque o primeiro era natural, o segundo é antinatural. E é tão sutil, que você não percebe o que está perguntando - como sair do medo?

A questão não é sair de nada. A questão é somente de compreensão. Compreenda o medo, o que ele é, e não tente sair dele, porque no momento em que você começa a tentar sair de qualquer coisa, você não está pronto para compreender aquilo - porque a mente que pensa sair, já está fechada. Ela não pode contemplar quietamente, ela já decidiu. Agora o medo se tornou o mal, o pecado, então saia dele.

Não tente sair de nada.

Tente compreender o que o medo é. E se você tem medo, então, aceite-o. Ele existe. Não tente escondê-lo. Não tente criar o oposto. Se você tem medo, então você tem medo. Aceite isso como parte do seu ser. Se você puder aceitá-lo, ele já desapareceu; através da negação, ele aumenta.

Você chega a um ponto, onde você sabe que tem medo, e você compreende o seguinte: "Por causa deste medo, o amor não pode acontecer a mim. Então, tudo bem, o que eu posso fazer? O medo existe, então somente uma coisa acontecerá - eu não fingirei amor. Ou eu direi à minha amada ou ao meu amado, que é por causa do medo que eu estou me agarrando a você". Lá no fundo estou com medo. Serei franco quanto a isso: não mais enganarei ninguém, nem a mim mesmo. Eu não fingirei que istro é amor; eu direi que é simplesmente medo, Por causa do medo eu me agarro a você. Por causa do medo eu me lembro de Deus. Mas, então, eu sei que aquilo não é oração, aquilo não é amor, aquilo é somente medo. Eu tenho medo, então, seja o que for que eu faça, ele está presente.
Aceitarei esta verdade.

Um milagre acontece quando você aceita a verdade. A própria aceitação o transforma."
Osho em Além da Psicologia

8 de setembro de 2015

Metanoie-te - Jean-Yves Leloup


"Esse mundo da não-morte, esse mundo da sabedoria e do discernimento e da compaixão, eu creio que é isso que todos nós buscamos. Temos diversos ecos com os ensinamentos do Evangelho.

A primeira frase de Jesus é: Metanoie-te. Que muitas vezes é traduzido por: Convertei-vos. Como uma tradução da palavra hebraica Teshuvá, que significa voltar para si mesmo, voltar para sua terra.
Os antigos diziam que a conversão é voltar daquilo que é contrário a nossa natureza para aquilo que lhe é próprio. Reencontrar em nós essa natureza do Cristo. Essa natureza que é ao mesmo tempo luz e compaixão.
Mas qual caminho tomar?
E é aqui que a palavra Metanoie-te é importante. Assim como na palava metafísica, o radical meta significa além, por além, do mental. 
Metanoie-te é um convite a irmos além do mental. Ou seja, na maior parte do tempo vivemos em nossos pensamentos, não vivemos a realidade, vivemos na realidade interpretada; sejam as interpretações positivas, negativas ou neutras da realidade. E trata-se de irmos além dessas representações, e entrarmos num olhar puro, virgem, de todas as projeções; um olhar esvaziado de todas essas projeções que projetamos sobre o real. Não vemos a realidade, mas sim as imagens, as ideias, julgamentos sobre a realidade, e trata-se de sair dessa ilusão. Me lembro de um encontro que tive com Dalai Lama, e lhe perguntei o que era Nirvana, e ele me respondeu: Ver tudo tal como é.
Confesso que num primeiro momento isso não me fez voar tão alto. Mas é a realidade, nós não vemos as coisas como elas são, e jamais vimos; só conseguimos ver através de nossas projeções, atrações, repulsões, todas essas memórias do passado. 


Aqui temos uma palavra do Evangelho, e que também encontramos seis séculos antes de Cristo, no cânon budista, quando Jesus diz: Isso é, Isso é. Isso não é. Isso não é. Tudo o que falamos a mais, vem do mal, vem do mental. Mental e mentira vem da mesma raíz. Então, trata-se de vermos as coisas tais quais elas são. (...)

O texto da Vulgata diz: Es es, non es, non es. ( Aquilo que é, é; aquilo que não é, não é.) E tudo aquilo que falamos a mais são sobreposições que nos afastam do real.

Metanoie-te, trata-se de purificar nosso olhar. Olhar com clareza, com lucidez. E será neste olhar lucido que poderemos amar verdadeiramente, que nós podemos amar além das nossas atrações e repulsões, que faz que sejamos capazes de amar inclusive nossos inimigos. Isso não é algo natural, uma vez que temos dificuldade de amar nossos próprios amigos, amar aqueles que nos amam é normal, mas amar aqueles que não nos amam isso se supõe uma enorme liberdade, e será através dessa liberdade que o Evangelho e o Cristo nos irão conduzir. 
Esta liberdade do qual Ele nos dá testemunho.
- Perdoai-os, eles não sabem o que fazem

Nós não sabemos o que estamos fazendo, não sabemos o que estamos dizendo, não sabemos o que estamos pensando. Nós precisamos desta compaixão, para não fecharmos os outros em seus atos ou palavras. Esta é a própria experiência do perdão: não fechar o outro dentro de seu karma;não fechar os outros dentro das consequências negativas de seus atos; e também nós mesmos, não nos fecharmos nas consequências negativas de nossos atos. Aqui há esta noção importante do karma, enquanto o encadeamento de causas e efeitos.

Nada daquilo que fazemos é sem consequências, e isso nos trás o sentido da responsabilidade, e é a isso que a tradição judaica e a tradição cristã chama de justiça, justiça imanente. Colhemos as consequências de nossos atos. Essas são palavras do Evangelho - Colhemos aquilo que semeamos. 
Existe então uma justiça, mas existe algo mais profundo que a justiça, esse fundo de misericórdia, esta possibilidade de perdão, que abre uma saída para nosso karma, onde não ficamos completamente fechados nas consequências de nossos karma, e este despertar não é somente para a próxima vida, mas que pode ser vivido nessa própria vida.

Os dois ladrões que foram crucificados ao lado de Cristo me surpreendem. Um deles diz: Salve a ti mesmo. E ele continua a insultar o Cristo. O outro diz: Estamos vivendo aqui a consequência de nossos atos, mas este homem no meio de nós nada fez de mal. E neste momento ele se volta para o Cristo e diz: Lembre-se de mim no teu Reino. Lembre-se de mim no Reino do teu Espírito. E neste momento Jesus lhe diz: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso. Ele não diz, que ele deverá vir numa próxima vida, para purificar as consequências dos seus atos. Mas, através deste ato de fé, de confiança, no poder do amor e da misericórdia, você poderá entrar hoje mesmo na consciência do despertar.(...)

Esse espaço em nós da não-morte, esse espaço em nós que já é livre, esse espaço em nós que já está salvo, em hebraico 'estar salvo' quer dizer respirar largo, amplo - Yesha. No nome de Yeshua ( Jesus em hebraico ) existe esta mesma raíz - Yesha . O nome de Jesus ( Yeshua ) significa - Deus salva. Quando invocamos o nome de Jesus, ( Yeshua) nós invocamos em nós este espaço de liberdade, de libertação, é importante lembrarmos disso; Este espaço já está aqui.

Me lembro que, quando perguntaram a Sri Ramana Maharshi para onde vais após a morte, e ele responde: Eu vou para onde Eu Sou desde sempre. 

E esta também é a resposta do Cristo: Lá onde Eu Sou também quero que vocês sejam. Esta consciência na qual me encontro, esta relação com a Fonte, que na minha linguagem chamo de Pai, esta relação com o princípio de toda existência, também é aí que vocês podem estar.

É importante lembrarmos que em algum lugar dentro de nós mesmos, já estamos despertos, já estamos salvos. Trata-se de tomarmos consciência deste dom que nos é dado, a isso chamamos de Graça, é algo gratuito, algo que não merecemos, mas uma realidade a qual podemos nos abrir. 

A isso na tradição cristã chamaremos de Sabedoria, ou seja, o conhecimento do Ser, o conhecimento do espaço infinito que está em nós. Este infinito é fonte de bondade. São palavras de Jesus: O sol brilha sobre os bons e os ruins; sobre o ouro e sobre o lixo.

Trata-se de despertar em nós este sol, esta presença, e todos os ensinamentos do Evangelho tem por objetivo este despertar; assim como todos os ensinamentos de Buda, tem como objetivo o despertar para essa bondade primordial.
Creio que as últimas palavras de Buda foram: Seja uma luz para si mesmo. Não sigam apenas o meu ensinamento, mas sejam uma luz dentro de vocês."
Jean-Yves Leloup - Palestra sobre Buda e Cristo 

5 de setembro de 2015

Sobre o caminho e a meta - Osho


"Pare e reflita um pouco. É o caminho que você deseja ou há em suas visões uma vaga perspectiva de grandes alturas a serem escaladas por você mesmo, um grande futuro a ser alcançado? Cuidado. Saiba que o caminho dever ser buscado por causa dele mesmo e não como algo que seus pés trilharão.

Busque o caminho. O caminho não é conhecido; Ninguém pode ensinar-lhe o caminho; ele não pode ser dado. O caminho não pode ser mostrado, não pode ser transmitido. Você precisa buscá-lo.

Pensamos, geralmente que devemos buscar a meta, mas o caminho já se encontra determinado. Há tantos caminhos que não há razão de se continuar a falar sobre eles; e todos levam à mesma meta. A meta é que precisa ser encontrada, a meta é que precisa ser alcançada, não o caminho. O caminho já está à mão. Na verdade, está totalmente à mão pois exitem muitíssimos caminhos.

Mas isso não é verdade, porque a meta e o caminho não são duas coisas. O próprio caminho torna-se a meta. O primeiro passo é também o último, pois o caminho e a meta não são duas coisas. O caminho, à medita que se avança através dele, transforma-se na meta. O mais importante é não pensar sobre a meta. O pensamento básico deve ser a respeito do caminho.

Descubra o caminho.
Busque o caminho."

Osho em O Livro dos Segredos

3 de setembro de 2015

Desmistificando o Budismo.


"Se você quer milagres, não procure o Budismo. O supremo milagre para o Budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer curar seu corpo físico, não procure o Budismo. O Budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o Budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o Budismo. Para o Budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o Budismo. Para o Budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o Budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o Budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o Budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o Budismo. Ele o lançará no vazio.

Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o Budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o Budismo. Ele aumentará suas dúvidas.

Se você quer uma crença cega, não procure o Budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o Budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no
intelecto.


Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o Budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o Budismo. Ele só
pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.


Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o Budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o Budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o Budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o Budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o Budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o Budismo, pois ele o ensinará a morrer.
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