30 de novembro de 2011

Profundidade - Osho



"Quero que as pessoas conheçam a si mesmas, que não sigam as expectativas dos outros.
E a maneira é indo para dentro.
Vá para dentro com toda a sua energia
com uma grande urgência,
como se este fosse o último momento de sua vida, e você precisa alcançar a centro
e a fonte do seu ser.

Mais e mais fundo.

O centro de sua vida é também
o centro de todo o universo.
É a partir do centro de sua vida
que você é nutrido pela existência.

Simplesmente observe o silêncio,
a paz.
O imenso esplendor
de seu ser.

Você é o buda
quando você está vigilante;
a mesma mente, quando vazia, se torna o buda.

O buda nada mais é do que um espelho vazio,
sem julgamento.
apenas uma vigilância,
um testemunhar."
Osho em Eu sou a Porta

29 de novembro de 2011

A Pausa...


Ouvimos falar de relaxamento, meditação, yoga, práticas de aprofundamento e conscientização, mas será que sabemos verdadeiramente o que significa a PAUSA, isto é, será que reconhecemos o que é estar simplesmente, sem "anexos"? sem acessórios, ou qualquer outro subterfúgio?
Vamos refletir sobre isso.

Neste momento em que você lê essas palavras, perceba que sua atenção principal está direcionada para o computador, para o texto, para cada palavra, e a interpretação de cada uma delas e do sentido das frases está sendo processado e você vai compreendendo aquilo que está escrito aqui, mas sua atenção periférica está ouvindo o barulho da rua, o telefone, o canto do pássaro ao longe, seu filho que chama, ou a campainha da porta, e ao mesmo tempo existe uma consciência mais profunda que está ciente da sua respiração, das batidas do seu coração, da postura do seu corpo, se está confortável ou precisa mudar de posição, está ciente se você está com sede, ou fome, se o sapato está apertando ou os pés estão relaxados, se a cadeira é confortável ou você precisa mudar de lugar, se a luz está fraca ou forte e você precisa adequar a luz do ambiente para que você possa ler com mais facilidade, enfim...
Vocês percebem que só aqui coloquei vários níveis de atenção. A mais externa que é a atenção dirigida ao próprio texto, as intermediárias dirigidas ao ambiente externo, ruídos, sons, situações imprevistas, e a mais subjetiva que são as sensações internas, o coração, a respiração, a postura, o conforto do corpo, a adequação da luminosidade.

Isto é só um exemplo para que percebam rapidamente a quantos estímulos estamos sujeitos em uma fração de segundo. Agora percebam que além disso, nossa mente pode vagar nas lembranças do passado, nos sonhos que planejo para amanhã ou depois, no que terei que fazer daqui a tantas horas, em ligar para alguém, responder a um email, terminar aquele trabalho, e tantas e tantas tarefas que tomam minha mente... Vejam como o foco flutua, ele é fluido, e vaga de um nível para outro, aprofunda superficializa, voa para trás no tempo, voa para frente, planeja e analisa, descreve, e tudo isso junto com as emoções, os sentimentos, as memórias, a conexão com o corpo, com pessoas, lugares, coisas...enfim uma infinidade de ações que são processadas numa fração de segundo...essa é nossa mente...trabalha á velocidade da luz verdadeiramente...

Quando os mestres nos apontam para uma coisa chamada PAUSA, eles estão mostrando que apesar de tudo isso que nossa mente processa, faz, vagueia, lembra, tudo isso está sendo percebido por nós, nós estamos percebendo em nós mesmos esse movimento intenso da mente...existe "algo" que observa esse movimento todo, mas que permanece, está ali como que "por trás" de tudo que a mente vagueia algo está sempre presente, observando tudo isso...simplesmente observando...
Por isso é tão fácil reconhecer o observador que está além da mente. Quem é que diz que está se sentindo triste, ou alegre, ou com saudade, ou com medo? Quem é que tem a consciência de que o pé está dormente, e que está com sede, ou que aquela blusa que viu na vitrine é bonita?
Percebam que nós nos identificamos com aquilo que pensamos, aquilo que sentimos, as memórias, os sonhos que nos vem...mas esses vem e vão, passam rápido, e algo permanece, algo que continua definindo aquilo que estamos pensando naquele momento, aquela emoção que está acontecendo naquele momento, algo sempre está presente para perceber...

Este que permanece, apesar das memórias, pensamentos, sentimentos, este que não conseguimos definir o que seja, ou quem seja, é o que os mestres chamam de consciência, pois é sempre presente, mas poderia ser outro nome qualquer, importante é percebê-la, alcançá-la, senti-la.
Os mestres nos apontam que a meditação tem essa propriedade, fortalecer nossa atenção nessa consciência sempre presente, observar os pensamentos passarem, os sentimentos passarem, as sensações físicas, memórias, observar o ruído da rua, o aroma do café, o choro do bebê, o escapamento do ônibus, a buzina do carro, observar o momento presente nos seus mínimos detalhes, não bloquear nada, não interpretar nem escolher, apenas SER no momento nada mais...

A meditação nos leva mais e mais a desidentificação daquilo que acontece a nós, sentimentos, pensamentos, memórias, mas que não somos nós. Essa desidentificação transforma nossa consciência cada vez mais perceptiva e mais clara. Aos poucos vamos mais e mais ancorando no observador, na consciência, nosso raio de alcançe perceptivo se torna mais e mais claro, cristalino, não nos confundimos mais com a nossa mente, vamos percebendo que a mente acontece à nós, é uma ferramenta maravilhosa, mas que está a serviço da consciência, e não o contrário.

A PAUSA significa ser-estar plenamente presente naquilo que É, ou seja, estar plenamente consciente de TUDO que acontece aqui-agora, neste exato instante, onde o infinito acontece bem diante dos nossos olhos.
Nesta PAUSA a consciência toma a sua real dimensão, plena, total, absoluta.
Este é o estado de vigília que nos fala Osho. Este é o despertar que nos apontam os Mestres.
Simplesmente SER. Pura PRESENÇA que tudo observa.
Neste estado não existem diferenças, tudo é acolhido sem medida e sem identificações. Na PAUSA da consciência não existe mais nenhum "eu" e nenhum "você"...
Amor
Lilian

28 de novembro de 2011

Saindo do Sonho...


"Uma das coisas mais importantes que terá que entender do homem é que o homem está dormido. Mesmo que acredita que está acordado, não está.
Seu estado de vigília é muito frágil; seu estado de vigília é tão insignificante que carece
por completo de importância.
Sua vigília é só uma bonita palavra, mas totalmente vazia.

As pessoas dormem de noite, dormem de dia... do nascimento até a morte, e vão trocando suas pautas de sonhos; mas nunca chegam a despertar de verdade.
Só porque tem os olhos abertos, não engane a si mesmo pensando que está acordado.
A menos que lhe abram os olhos interiores, a menos que seu interior se encha de luz, a menos
que possa ver a si mesmo, ver quem é... não creia que está acordado.

Essa é a maior ilusão em que vive o homem. E se alguém se convence de que está verdadeiramente acordado, então já não tem sentido fazer nenhum esforço por despertar.

O primeiro que deve se gravar bem no coração é que está dormido, completamente dormido. Está sonhando, um dia atrás de outro. Às vezes sonha com os olhos abertos e outras vezes com os olhos fechados, mas está sonhando... você mesmo é um sonho. Ainda não é uma realidade.
É óbvio, algo que faça em um sonho carece de sentido. Algo que pense é insubstancial; algo que projete seguirá formando parte de seus sonhos e nunca te permitirá ver a realidade. Por isso todos os budas insistiram em uma única coisa: Acorde!

Continuamente, ao longo dos séculos, todos seus ensinos se podem resumir em uma só frase: deve despertar. E para isso criaram métodos, estratégias, criaram contextos e espaços e campos de energia nos quais em um choque te pode fazer despertar. Sim, a menos que sofra um choque que te sacuda de acima a abaixo, não despertará.

O sonho durou tanto que chegou ao centro mesmo de seu ser; está empapado nele. Cada célula de seu corpo e cada fibra de sua mente se encheram de sonho. Não é um fenômeno de pouca subida. Por isso se necessita um grande esforço para manter-se alerta, atento, vigilante. Para converter-se em uma testemunha.

Se houve uma questão em que estão de acordo todos os budas do mundo, é esta: Que o homem, tal como é, está dormido e deveria despertar. O despertar é o objetivo, o despertar é a essência de tudo seus ensinos. Zaratustra, Lao Tzu, Jesus, Buda, Bahauddin, Kabir, Nanak... todos os acordados ensinaram uma única lição. Em diferentes idiomas, com diferentes metáforas, mas sua canção é a mesma. Assim como o mar tem um sabor salgado, já se prove pelo norte ou pelo sul, pelo leste ou pelo oeste, o sabor da condição búdica é o estado de vigília.

Mas se segue acreditando que já está acordado, não fará nenhum esforço. Parecerá que não tem sentido fazer esforço algum. Para que incomodar-se? E criaste religiões, deuses, orações, ritos, tirados dos sonhos. Seus deuses são parte de seus sonhos, como todo o resto. Sua política é parte de seus sonhos, suas religiões são parte de seus sonhos, sua poesia, sua pintura, sua arte... tudo o que fazem. Como estão dormidos, fazem coisas segundo seu estado mental.
Seus deuses não podem ser diferentes de vós. Quem os vai criar? Quem lhes dará corpo, forma e cor? Vós os criam, vós os esculpem; têm olhos como os seus, narizes como as suas... e mente como as suas!(...)

Por isso Buda nunca falava de Deus. Que sentido tem lhe falar de Deus ás pessoas que estão dormindo? Escutarão em sonhos. Sonharão com o que lhes diga e criarão seus próprios deuses que serão completamente falsos, completamente absurdos. É melhor prescindir de tais deuses.
Por isso a Buda não interessa falar de deuses. O único interesse é
despertar.(...)

O silêncio é o espaço no despertar, e a mente ruidosa é o espaço em que alguém permanece dormido. Se sua mente continua tagarelando, está dormido. Quando vivenciar o silêncio, sua mente desaparece e pode ouvir o canto dos pássaros e não há memorias em seu interior, um silêncio... este assobio do pássaro, este gorjeio, esse voo, e nenhuma mente funcionando dentro de sua cabeça, silêncio total... então a consciência aflora em ti.
Não vem de fora, surge dentro de ti, cresce em ti.
Fora disso, lembre-se: ainda está dormido."
Osho em Consciência

27 de novembro de 2011

O Passarinho e a flor...


Passarinho voa aqui voa ali
Bate as asas inebriado
Cantarola na janela
Embriagado
do seu próprio canto
Fica encantado

Faz que vai
Mas não vai
Vira salta
e canta mais
Bica o reflexo
Não sabe como
Olha e não entende
Como é que pode?

Passarinho voa aqui voa ali
Prova da fruta
Sente o sabor
Mata a fome
E volta prá flor
De tanto florir
Se enevoou
Se cobriu de flor
E despedaçou

Passarinho voou daqui
Voou dali
De tanto bicar
A flor partiu
De tanto voar
Se despediu
Cantou bicou
Bicou floriu
Se cobriu de flor
E partiu...
~ Lilian ~

26 de novembro de 2011

Fácil e Certo...


"Hoje ouvi alguém dizer que um amigo morreu e foi para o Silêncio.
Mas eu gostaria de dizer que ele não vai para o Silêncio, porque ele nunca saiu do Silêncio! Ninguém morreu, apenas uma história foi desconectada. De verdade, não tem ninguém, mas gostamos de acreditar no contrário, senão parece insensato, não é mesmo?(...)

A religião nos dá uma esperança, nos dá um futuro – há a promessa de que tudo o que você não tem agora, terá depois, quando for merecedor.

Enquanto que a grande brincadeira que Satsang nos traz é que nos soltemos e vejamos que as coisas vêem ao nosso encontro.
Se você descobre isso, não tem mais sofrimento.

Seria muito precioso descobrir como lidar com esse touro voraz e essa criança louca que quer tudo. Desprenda-se! Ponha toda sua energia em observar.

Nem sempre a oferta que você propõe à vida, é o que a vida tem reservado para você. É bem possível que a sua oferta seja atraente e se realize, mas talvez haja uma outra alternativa com uma facilidade imensa. Então, abrace-a! O fácil é o certo.

Criticamente, foi herdado do mundo que o difícil é virtuoso. Não é à toa que você vive com a boca voltada para baixo. No entanto, quando você começa a ver o fácil, a perspectiva é outra, você vira automaticamente. Você faz um simples movimento e fica nítido que ele volta com precisão. E aqui podemos inserir o elemento confiança nessa equação. Você deve aprender a confiar – não digo confiar com a sua mente, estou falando em confiar que a Existência tenha um plano para você.

Outro dia alguém me perguntou como poderia saber qual era o seu destino. Mas não tem como. Você só vai saber no dia final, quando já o tiver vivido.

Você está destinado a me ouvir agora e está me ouvindo, este é o seu destino, quer goste ou não. E o meu destino é estar aqui, mais uma vez, quer goste ou não. Para mim, o que sempre fica nítido é que existe a abertura de uma outra dimensão em sentar aqui com vocês. Sentado aqui é nítido que não estou sentado para vocês, estou sentado para mim. E nesse sentido, permitam-me agradecê-los: muito obrigado! Vocês disponibilizam esse momento para que eu fique em paz comigo mesmo. E desejo o mesmo a todos vocês.

Veja! Não tem ninguém, só o Silêncio que descende e acalma. Depois de um dia cheio de coisas para fazer, estamos aqui. E abrir essa porta é entrar na possibilidade de ficar em paz consigo mesmo, sem nenhum atrelamento com história alguma.

Mesmo que a vida pareça às vezes afastar essa possibilidade, na verdade, é mais um convite para se aproximar. O afastamento não vai gerar absolutamente nada que não seja deteriorado pelo tempo.
Aqui, a brincadeira é de você com você mesmo, olhando para o lugar certo."
Satyaprem em Satsang

25 de novembro de 2011

Deus é Onda e Partícula...


"Assim, como o elétron se comporta ao mesmo tempo como onda e como partícula, assim a CONSCIÊNCIA se comporta como manifesta e não-manifesta, como mundo e como vazio, como dois lados de uma mesma moeda que são, totalmente, inseparáveis um do outro.

No momento em que você nota que sua mente se interpõe entre você e sua realidade, no momento em que se medita e se percebe isso no dia-a-dia, então fica mais fácil. Você nota que há uma distorção. Então você opercebe que é responsável pela distorção. Mas não se sente culpado por isso, porque a distorção é fora do seu controle. Mas há uma coisa ao qual você pode escolher agora, no momento.

E isto é simplesmente observar. Significa SER. E quando o Ser aparece, você como mente já não é mais a mesma coisa. Algo muda. Como figura e fundo da gestalt, você percebe que a percepção de quem voce é dá uma nova dimensão ao que você percebe?

Dizer que você não existe é tão limitante quanto dizer que você existe.
Já aprendemos que é dizível e ao mesmo tempo indizível...ou seja, você pode dizer que é indizível...este é seu limite...mas, só há na verdade um dizível negando a si mesmo...algo que é um espelho negando a si mesmo, algo que não existe negando a si mesmo, o que é uma bobagem por si só..

No momento em que você vê que tudo é um espelho da consciência ao contrário, a miragem é vista como miragem. A lua refletida no lago é vista como a lua refletida no lago. Não há mais confusão quanto a fato de a lua no lago ser um reflexo da lua no céu.

Há pessoas que se sentem confortáveis em simplesmente deixar tudo pra lá e deixar Deus guiar suas vidas.
E há pessoas (o tipo ativo) que a idéia de um EU fazedor a torna mais relaxada.
O primeiro é o tipo devoto.
O segundo é o tipo guerreiro.

Porque o Osho criou meditações ativas? Para o tipo guerreiro (que são muitos, porque aprendemos desde pequenos, e somos influenciados a cada dia com a crença de que somos quem FAZEMOS tudo, e que precisamos controlar tudo.
Mas o Osho sempre disse: a verdadeira meditação acontece na parte passiva das minhas meditações, quando você entrega e espera a vontade da vida se fazer. Osho trabalhou com todos os tipos de pessoas.
É por isso que ele é tão confuso pra tanta gente. Para a mente, ele sempre será confuso e desafiador. Para o coração, tudo fica claro, porque o coração contém o paradoxo e inclui os paradoxos..

Portanto, tudo é necessário! Só é preciso um pouco de compreensão do processo...
E um pouco de compreensão te dará a noção exata de que tanto faz ser iluminado ou não.

Porque primeiro: iluminação não pode ser buscada.
Segundo: o ego que busca a iluminação é o único impedimento.
Terceiro: Quem fica iluminado ? Se não há pessoa separada, é óbvio que iluminação é só um conceito dentro da ilusão. Aquele que se sente iluminado ou não iluminado está em ilusão.

Você está iluminado -este é o tal conceito útil- quando percebe que como você está É a BÊNÇÃO.
Não importa o que você fizer, não importa o que você sentir, não importa.
A grande sacada é que você está pronto!
Expresse aquilo que a vida quer que você expresse.

Pinte, medite, crie, cante, faça amigos, fique em silêncio, faça o que ama, faça de coração. E saiba que você é a criatura e o criador.
Portanto, quando você diz Deus, está se referindo a SUA ESSÊNCIA INFINITA.
A verdade É."
Swami Naseeb em Onda e Partícula

24 de novembro de 2011

O Supremo, a mente e o corpo - Nisargadatta


"Pergunta: Pelo que nos disse, parece que você não é totalmente consciente de seu ambiente. A nós, você parece extremamente desperto e ativo. Nós não podemos talvez acreditar que esteja em um tipo de estado hipnótico que não deixa vestígio de nenhuma recordação. Pelo contrário, sua memória parece excelente. Como entenderemos sua afirmação de que o mundo e tudo o que ele encerra não existe, no que toca a você?

Maharaj: É tudo uma questão de foco. A sua mente está enfocada no mundo; a minha está focada na realidade. É como a lua à luz do dia – quando o sol brilha, a lua quase não é visível. Ou observe como você se alimenta. Enquanto o alimento estiver na boca, você estará consciente dele; uma vez engolido, já não o interessará mais. Seria problemático tê-lo constantemente na mente até que fosse eliminado! A mente, normalmente, teria que estar em suspensão – a atividade incessante é um estado mórbido. O universo funciona por si mesmo – sei disto. O que mais necessito saber?

P: De modo que um jnani sabe o que está fazendo apenas quando presta atenção; de outro modo, ele simplesmente atua, sem se preocupar.

Maharaj: O homem médio não é consciente de seu corpo como tal. Ele é consciente de suas sensações, sentimentos e pensamentos. Mesmo estes, uma vez que se estabeleça o desapego, afastam-se do centro da consciência e acontecem espontaneamente e sem esforço.

P: Então, o que está no centro da consciência?

Maharaj: Isto a que não se pode dar nome e forma, já que não tem qualidades e está além da consciência. Você pode dizer que ele é um ponto na consciência, o qual está além da consciência. Como um buraco no papel, o qual está no papel e, ao mesmo tempo, não está no papel, assim o estado supremo está no próprio centro da consciência e ao mesmo tempo além dela. É como se fosse uma abertura na mente através da qual a mente seria inundada de luz. A abertura não é sequer a luz. É simplesmente uma abertura.

P: Uma abertura é simplesmente o vazio, a ausência.

Maharaj: Isso mesmo. Do ponto de vista da mente, é apenas uma abertura para que a luz da Consciência entre no espaço mental. Por si mesma, a luz só pode ser comparada a uma massa de Consciência pura que é sólida, densa, como uma rocha, homogênea e imutável, livre de padrões mentais de nome e forma.

P: Há alguma conexão entre o espaço mental e a morada suprema?

Maharaj: O supremo dá existência à mente. A mente dá existência ao corpo.

P: E o que há além?

Maharaj: Dando um exemplo. Um venerável iogue, um mestre na arte da longevidade, com mais de mil anos de idade, vem me ensinar sua arte. Eu respeito e admiro sinceramente seus êxitos e, ainda assim, tudo o que posso dizer a ele é: De que me serve a longevidade? Estou além do tempo. Por muito duradoura que seja a vida, é apenas um momento e um sonho. Do mesmo modo, estou além de todos os atributos. Eles aparecem e desaparecem em minha luz, mas não podem descrever-me. O universo é todas as formas e nomes, baseado em qualidades e diferenças, enquanto eu estou além de tudo isto. O mundo existe porque eu sou, mas eu não sou o mundo.

P: Mas você está vivendo no mundo!

Maharaj: Isso é o que você diz! Sei que existe um mundo, o qual inclui este corpo e esta mente, mas não os considero mais ‘meus’ que outras mentes e outros corpos. Eles estão aí, no tempo e no espaço, mas eu sou atemporal e ilimitado.

P: Mas, já que tudo existe por sua luz, você não seria o criador do mundo?

Maharaj: Eu não sou nem a potencialidade nem a atualização, nem a realidade das coisas. Em minha luz, elas vão e vêm como partículas de pó dançando no raio de sol. A luz ilumina as partículas, mas não depende delas. Nem se pode dizer que as criou. Nem sequer se pode dizer que as conheça.

P: Estou lhe fazendo uma pergunta e você está respondendo. Você está consciente da pergunta e da resposta?

Maharaj: Na realidade, não estou escutando nem respondendo. No mundo dos eventos, a pergunta e a resposta acontecem. Nada acontece para mim. Tudo simplesmente acontece.

P: E você é a testemunha?

Maharaj: O que a testemunha significa? Mero conhecimento. Choveu e agora a chuva acabou. Não me molhei. Sei que choveu, mas não fui afetado. Somente testemunhei a chuva.

P: O homem totalmente realizado, que mora espontaneamente no estado supremo, parece comer, beber e tudo o mais. Ele é consciente disto, ou não?

Maharaj: Isto no qual a consciência acontece, a consciência universal ou mente, nós chamamos o éter da consciência. Todos os objetos da consciência formam o universo. O que está além de ambos, apoiando-os, é o estado supremo, um estado de quietude e silêncio absolutos. Quem quer que vá ali desaparece. As palavras ou a mente não podem alcançá-lo. Você pode chamá-lo Deus, ou Parabrahman, ou Realidade Suprema, mas estes nomes são dados pela mente. É o estado sem nome, sem conteúdo, sem esforço e espontâneo, além do ser e do não ser.

Assim como o universo é o corpo da mente, a consciência é o corpo do supremo. Ela não é consciente, mas dá origem à consciência.

P: Em minhas ações diárias, muitas coisas ocorrem por hábito, automaticamente. Eu estou consciente do propósito geral, mas não de cada movimento em detalhe. À medida que minha consciência se amplia e aprofunda, os detalhes tendem a retirar-se, deixando-me livre para as tendências gerais. Não acontece o mesmo para um gnani, e ainda mais?

Maharaj: No nível da consciência – sim. No estado supremo, não. Este estado é inteiramente um e indivisível, um único e sólido bloco de realidade. O único modo de conhecê-lo é sê-lo. A mente não pode alcançá-lo. Para percebê-lo, não se requer o uso dos sentidos; para conhecê-lo, não é necessária a mente.

P: Assim é como Deus conduz o mundo.

Maharaj: Deus não está administrando o mundo.

P: Então, quem o faz?

Maharaj: Ninguém. Tudo ocorre por si mesmo. Você está fazendo a pergunta e dando a resposta. E você conhece a resposta quando faz a pergunta. Tudo é um jogo na consciência. Todas as divisões são ilusórias. Você só pode conhecer o falso, o verdadeiro você mesmo deve sê-lo.

P: Há a consciência testemunhada e a consciência que testemunha. É a segunda a suprema?

Maharaj: Existem as duas – a pessoa e a testemunha, o observador. Quando as vê como um, e vai além, você está no estado supremo. Ele não é perceptível, pois é o que torna possível a percepção. Está além do ser e do não ser. Não é nem o espelho nem a imagem no espelho. É o que é – a realidade atemporal, incrivelmente dura e sólida.

P: O gnani – ele é a testemunha ou o Supremo?

Maharaj: Ele é o Supremo, certamente, mas também pode ser visto como a testemunha universal.

P: Mas continua sendo uma pessoa?

Maharaj: Quando você acredita ser uma pessoa, vê pessoas em todas as partes. Na realidade não há pessoas, apenas fios de recordações e hábitos. No momento da realização, a pessoa tem um fim. A identidade permanece, mas a identidade não é uma pessoa, é inerente à própria realidade. A pessoa não tem nenhuma existência em si mesma; ela é um reflexo na mente da testemunha, o ‘Eu sou’, que novamente é um modo de ser.

P: O Supremo é consciente?

Maharaj: Nem consciente nem inconsciente. Digo-o por experiência.
É o conhecimento que não é autoconsciente da própria vida.
A energia vem em primeiro lugar. Pois tudo é uma forma de energia. A consciência está mais diferenciada no estado de vigília. Um pouco menos no sonho. Ainda menos no sono profundo. É homogênea – no quarto estado. Além, está a inexpressável realidade monolítica, a morada do gnani.

P: Cortei a mão. Já sarou. Que poder a fez sarar?

Maharaj: O poder da vida.

P: O que é esse poder?

Maharaj: É consciência. Tudo é consciente.

P: Qual é a origem da consciência?

Maharaj: A própria consciência é a origem de tudo.

P: Pode existir vida sem consciência?

Maharaj: Não, nem consciência sem vida. Ambas são uma. Mas, na realidade, só o Supremo é. O resto é questão de nomes e formas. E, enquanto se aferrar à ideia de que apenas o que tem forma e nome existe, o Supremo lhe parecerá não existente. Quando entender que os nomes e as formas são cascas vazias sem nenhum conteúdo seja qual for, e que o real não tem nome nem forma, que é pura energia de vida e luz de consciência, então estará em paz – imerso no profundo silêncio da realidade.

P: Se o tempo e o espaço forem meras ilusões e você está além, diga-me, por favor, que tempo faz em Nova Iorque. Faz calor ou está chovendo?

Maharaj: Como poderia falar para você? Tais coisas necessitam treinamento especial. Ou simplesmente viajar até Nova Iorque. Eu posso estar muito seguro de estar além do tempo e do espaço e, ao mesmo tempo, ser incapaz de localizar-me à vontade em algum ponto do tempo e do espaço. Não tenho suficiente interesse; não vejo nenhum propósito em seguir um treinamento ióguico especial. Simplesmente ouvi falar de Nova Iorque. Para mim, é uma palavra. Por que teria que conhecer mais do que encerra a palavra? Cada átomo pode ser um universo, tão complexo como o nosso. Tenho que os conhecer todos? Poderia – se treinasse.

P: Ao fazer a pergunta sobre o tempo em Nova Iorque, onde cometi o erro?

Maharaj: O mundo e a mente são estados de ser. O supremo não é um estado. Ele penetra todos os estados, mas não é um estado de outra coisa. É inteiramente sem causa, independente, completo em si mesmo, além do tempo e do espaço, da mente e da matéria.

P: Por que sinal o reconhece?

Maharaj: Esta é a questão, ele não deixa rastro. Não há como reconhecê-lo. Deve ser visto diretamente, abandonando toda a busca de sinais e aproximações. Quando forem abandonados todos os nomes e formas, o real estará com você. Não necessita buscá-lo. A pluralidade e a diversidade são apenas o jogo da mente. A realidade é uma só.

P: Se a realidade não deixasse evidência, não se poderia falar sobre ela.

Maharaj: A realidade é. Não se pode negá-la. Ela é profunda e obscura, um mistério além do mistério. Mas ela é, enquanto tudo mais meramente acontece.

P: É o Desconhecido?

Maharaj: Está além de ambos, o conhecido e o desconhecido. Mas eu o chamaria mais conhecido que desconhecido, pois, quando algo é conhecido, é o real que é conhecido.

P: O silêncio é um atributo do real?

Maharaj: Isto também é da mente. Todos os estados e condições são da mente.

P: Qual é o lugar do samadhi?

Maharaj: Não fazer uso da própria consciência é samadhi. Você simplesmente deixou a mente em paz. Você não quer nada, nem do corpo nem da mente."
Nisargadatta Maharaj em Eu Sou Aquilo

23 de novembro de 2011

Amor, a sede do divino...


"Tudo é uma Lei, não duas.
A unidade é a natureza mesma da existência. A dualidade é nossa imaginação.
Por isso, passamos a vida inteira buscando pelo amor. A busca do amor não é mais que um sintoma de onde existia a unidade nós criamos uma dualidade falsa.

Não se pode encontrar uma pessoa que não tenha uma profunda necessidade de amor...todos querem amar e querem ser amados.

Porque tanto desejo de amor? Deve ser algo muito profundamente enraizado. Isto é o que está tão profundamente enraizado: a vida é UMA; temos imaginado que estamos separados. E esta separação se torna muito pesada. É falsa e é uma carga.
O amor não é outra coisa que a ideia de se voltar a ser um com a totalidade. Vem daí o desejo de ser amado, vem daí o desejo de ser necessário, o desejo de que haja alguém que aceite teu amor.

Parece difícil se fazer um com a totalidade. Mas ao menos haverá alguém que te aceite; ao menos poderá diminuir esta distância através da porta de uma pessoa. Por isso, se não está apaixonado pensas constantemente em amor. E isso se converte em uma obsessão: te aprisiona. Está sempre rondando a sua volta. E se estás apaixonado, surge outra coisa: o amor, não importa quão profundo e imenso seja, se torna sempre insuficiente, parece que falta algo. Os que não estão apaixonados buscam o amor, e os que estão se dão conta de que se necessita de algo mais.

Os grande amantes se sentem muito frustrados no seu mais profundo, porque se aproximam de encontro e chegam ao ponto em que parece que tudo vai simplesmente desaparecer...mas de novo são jogados de volta a si mesmos. Tem vislumbres da proximidade, mas não da unidade. Se amam muito, então surge o desejo da oração ou da meditação.

O desejo da oração é este: aprofundar o que através do amor foi vislumbrado. Mas os vislumbres os tornam mais sedentos que antes. Se sente sede e então chega a se ter vislumbres de um belo rio, de uma fonte fresca. Se ouve uma canção da fonte, mas logo desaparece: então se tem mais sede que nunca.
Os que não estão apaixonados sofrem, mas seu sofrimento não é nada comparado aos que estão realmente apaixonados. Seu sofrimento é imenso, é muito mais agudo e intenso, porque estão tão próximos da fonte, e no entanto, tão longe. Parece que o reino está a volta, e quanto mais se aproximam, mais se afasta. É como o horizonte que sempre retrocede.

O amor é o primeiro passo para Deus: a oração é o final, ou a meditação é o passo final.
O amor te ensina uma nova sede, uma nova fome, por isso é tão belo o amor.

Muitas pessoas vêm a mim e perguntam sobre o amor e eu lhes digo: Entre nele sabendo muito bem que estou lhe enviando ao perigo. Não os estou enviando ao amor profundo para que possam sentir-se satisfeitos. Ninguém está nunca satisfeito. Eu os envio a uma história de amor profundo para que cheguem a estar realmente sedentos, para que tenham tanta sede que só Deus seja suficiente, nada mais.
O amor te prepara para uma grande sede do divino, porque tens tido vislumbres dele na outra pessoa, houveram momentos em que você viu um deus na outra pessoa. Olhando profundamente a outra pessoa encontraste alívio, daí que surge uma certa serenidade. Mas é passageira, momentânea, vem e vai; é mais como um sonho que uma realidade. (...) Só quando o amor não sacia sua sede, Deus se converte em uma necessidade. Mas ambas as necessidades estão no mesmo caminho.

A razão básica é que na realidade não estamos separados da totalidade, mas pensamos que estamos separados. Por isso surge o desejo: como me tornar uno com a totalidade? O primeiro passo tem que ser dado com alguém que te possas amar, e logo o segundo passo surgirá por si mesmo.

Um amor autêntico te leva necessariamente até a oração, a meditação. E se o amor não está te levando até a oração, a meditação significa que não é amor verdadeiro, porque um amor verdadeiro te prova necessariamente que o amor não é suficiente. Se necessita de algo mais.
Um amor verdadeiro te leva até a porta do templo, este é o critério de um amor verdadeiro. A partir daí, só Deus te pode preencher."
Osho em Meditações para a Noite

22 de novembro de 2011

Além das lutas da mente - Krishnamurti



"Vocês já se perguntaram alguma vez, por que muitas pessoas ao se tornarem mais velhas, parecem perder toda a alegria de viver?

No momento, a maioria de vocês, que são jovens, é relativamente feliz; tem lá seus pequenos problemas, suas preocupações sobre os exames, mas, apesar dessas perturbações, há, na sua vida, uma certa alegria, não é verdade? Há uma espontânea e natural aceitação da vida, uma visão das coisas despreocupada e feliz.

Mas, por que razão, ao nos tornarmos mais velhos, parecemos perder aquele brilho de algo transcendental, algo de mais significativo? Por que tantos de nós, ao alcançarmos a chamada maturidade, nos tornamos embotados, insensíveis à alegria, à beleza, ao céu sereno e às maravilhas da terra?

Quando uma pessoa faz a si própria esta pergunta, muitas explicações aparecem ao espírito. Temos muito interesse em nós mesmos - esta é uma delas. Lutamos para nos tornarmos alguém, para alcançarmos e conservarmos uma certa posição; temos filhos e outras responsabilidades, e temos que ganhar dinheiro. Todas essas coisas que se agitam em nosso interior não tardam a nos deprimir, e perdemos assim a alegria de viver.
Olha os rostos dos mais velhos, de vosso círculo de conhecimentos, são tristes na maioria, e gastos, adoentados, reservados, alheados, alguns são neuróticos, sem um sorriso. Você não se pergunta por que eles são assim? E mesmo quando nos perguntamos o porquê disso, a maioria de nós parece se satisfazer com meras explicações.

Ontem de tarde vi um barco que subia o rio, de velas infladas, impelido pelo vento oeste. Era um barco grande e transportava uma carga pesada de lenha indo em direção à cidade. O sol se punha e a embarcação, desenhada contra o céu, mostrava um beleza ímpar. O barqueiro só tinha de guiá-la; nenhum esforço era necessário, pois o vento fazia todo o trabalho. Analogamente, se cada um de nós compreendesse o problema da luta e do conflito, penso que poderíamos viver sem esforço, felizes, de rosto sorridente.

Para mim, é o esforço que nos destrói, esse lutar em que despendemos quase todos os momentos de nossa vida.
Se você observar ao seu redor, as pessoas mais velhas, verá que para quase todos a vida é uma série de batalhas consigo mesmos, com suas mulheres ou maridos, com seu próximo, com a sociedade; e essa luta incessante dissipa muita energia.

O homem que vive alegre, verdadeiramente feliz, está livre de todo esforço.
Viver sem esforço não significa se tornar estagnado, embotado, estúpido; ao contrário, só os homens sensatos, altamente inteligentes, estão verdadeiramente livres do esforço e da luta.
Mas, quando ouvimos falar em viver sem esforço, queremos viver assim, desejamos alcançar um estado em que não haja luta nem conflito; transformamos esse estado em nosso alvo, nosso ideal, e por ele lutamos; e desde esse momento perdemos a alegria de viver. Estamos de novo empenhados em esforço, luta.
O objeto da luta varia, mas toda luta é essencialmente a mesma. Um luta pela promoção de reformas sociais, ou para achar Deus, ou para criar melhores relações no lar ou com o próximo; outro senta-se à margem do Ganges ou se prostra devotamente aos pés de um guru - etc. etc. Tudo isso representa esforço, luta. O importante, por conseguinte, não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a própria luta.

Ora, é possível a mente não apenas perceber ocasionalmente que não está lutando, porém estar sempre livre de esforço, de modo que possa descobrir um estado de alegria em que não haja nenhuma idéia de superioridade e inferioridade? O caso é que a mente se sente inferior e por esta razão luta para "se tornar" alguma coisa, ou conciliar seus vários desejos contraditórios. (...)

Todo homem que pensa, sabe, por que há luta, interior e exteriormente. Nossa inveja, avidez, ambição, nosso espírito de competição, que nos impele à mais impiedosa eficiência - são obviamente estes os fatores que nos fazem lutar, no mundo atual ou no mundo do futuro. Por tanto, não temos necessidade de estudar livros de psicologia para sabermos por que lutamos; e o que certamente, tem importância é que descubramos se a mente pode ficar totalmente livre de luta. Afinal de contas, quando lutamos, o conflito é entre o que somos e o que deveríamos ou desejamos ser.

Pois bem; sem se procurarem explicações, pode-se compreender todo esse processo de luta, de modo que ele termine? Como aquele barco levado pelo vento, pode a mente existir sem luta? A questão é esta, sem dúvida, é não como alcançar um estado em que não haja luta.

O próprio esforço para alcançar tal estado é, em si, um processo de luta e, por conseguinte, aquele estado nunca pode ser alcançado. Mas, se observar, momento por momento, como a mente se deixa colher nesse emaranhado de luta incessante - se observar simplesmente o fato, sem tentar alterá-lo, sem impor à mente um certo estado que chama "de paz" - verá que, espontaneamente, a mente deixará de lutar; e nesse estado ela é capaz de aprender infinitamente.
Aprender já não é, então, mero processo de acumular conhecimentos, porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes além do alcance da mente; e para a mente que faz tal descobrimento, há grande alegria.

Observem a si mesmos, para verem como lutam de manhã à noite, e como sua energia se dissipa nessa luta. Se forem explicar por que lutam tanto, vocês ficarão perdido numa floresta de explicações e a luta prosseguirá; mas se, ao contrário, observarem vossa mente, com serenidade e sem dardes explicações; se deixardes simplesmente que vossa mente esteja consciente de sua própria luta, verá que muito depressa surgirá um estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de "superior" e "inferior", não há homem importante nem homem insignificante, não há guru. Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está inteiramente desperta; e a mente de todo desperta está cheia de alegria...

Afinal de contas, que é "contentamento" e o que é "descontentamento"? Descontentamento é a luta pela realização de mais, e contentamento a cessação dessa luta; mas, não se chega ao contentamento, se se não compreende todo o "processo" relativo ao mais, e por que razão a mente o exige.
Se você é mal sucedido num exame, por exemplo, terá de repeti-lo, não é verdade? Os exames, em qualquer circunstância, são uma coisa sumamente deplorável, já que nada representam de significativo, já que não revelam o verdadeiro valor da sua inteligência. Passar num exame é, em grande parte, um "golpe" de memória ou, também, de sorte; mas, se luta para passar em seus exames e, quando são mal sucedidos, continuam nessa luta.

O mesmo "processo" se verifica diariamente, na nossa vida. Estamos lutando por alguma coisa e nunca nos detivemos para investigar se essa coisa é digna de lutarmos por ela. Nunca perguntamos a nós mesmos se ela merece nossos esforços e, portanto, ainda não descobrimos que não merece verdadeiramente (...) É só quando tivermos compreendido inteiramente o significado do que é "mais", é que deixaremos de pensar em termos de fracasso e de sucesso.(...)

Estamos sempre pensando em termos de êxito, em termos de mais; e o mais é valorizado pela sociedade. Em outras palavras, a sociedade estabeleceu, com todo cuidado, um certo padrão, pelo qual mede o seu sucesso ou o seu insucesso. Mas, se você ama uma coisa e a faz com todo o vosso ser, então já não se importa com êxito nem o fracasso. Nenhum homem inteligente se importa com isso.(...)
Só quando não amamos o que fazemos, pensamos nesses termos.
Krishnamurti em Aos pés do Mestre

21 de novembro de 2011

Plantando amor...


"Você é um convidado. Deixe esta terra um pouco mais bonita, um pouco mais humana, um pouco mais amável, uma pouco mais amorosa, um pouco mais perfumada para todos os hóspedes desconhecidos que virão depois de você.

Uma antiga história sufi: o rei de Bagdá costumava dar uma volta pela cidade em seu belo cavalo, só para ver como estavam as coisas — é claro que ele ia disfarçado, e não como rei —, assim ele podia ver como era a realidade. Se ele fosse como rei, então ele veria apenas o que era bonito e a ele não seria mostrada a face verdadeira das coisas — ele veria somente a máscara.

Todos os dias ele via um homem, um homem muito velho, talvez com mais de cem anos, trabalhando no jardim, plantando mudas, mas essas mudas não eram de plantas ornamentais. Se fossem flores ornamentais não haveria nenhum problema. Mas eram mudas de cedros do líbano, que crescem trinta metros, sessenta metros de altura, quase tocando as estrelas, e eles levam centenas de anos para atingir essa altura. Eles vivem mil anos, dois mil anos, três mil anos e são umas das árvores mais bonitas.

O rei ficou perplexo porque aquele velho, que estava com cem anos, não poderia nem mesmo ter esperança de ver a próxima primavera. Suas mãos estavam tremendo, ele era tão frágil, a qualquer momento a morte poderia levá-lo embora. E por que ele estava plantando aqueles cedros? Ele não os veria crescer, não os veria chegar à fase adulta, não veria a beleza deles quando eles começassem a tocar as estrelas.

Por fim, foi impossível para o rei a resistir à tentação. Um dia ele parou seu cavalo, foi em diração ao velho e disse: "Eu não deveria interferir em seu trabalho, mas eu não posso resistir à tentação."

O velho respondeu: "Não há nada com que se preocupar, meu filho. Você pode perguntar o que quiser."

O rei disse: "A minha pergunta é: você nunca será capaz de ver essas árvores tornarem-se adultas, você terá ido muito antes disso ...."

O velho falou: "Isso é verdade."

O rei disse: "Você sabe que é verdade e ainda assim você continua fazendo isso?"

O velho disse: "Se meus antepassados não tivessem plantado as sementes — basta ver do outro lado do meu jardim os altos cedros — eu nunca os teria visto. Se os meus antepassados não tivessem sido tão generosos com as crianças que ainda não conheciam, que ainda estavam por vir, que seriam os visitantes, que seriam os hóspedes.... Ainda assim eles trabalharam duro e criaram essas árvores monumentais. Olhando essas árvores eu reuni coragem e trabalhei duro, porque certamente eu não verei o belo crescimento, mas alguém verá. Meus netos, ou talvez até mesmo os filhos deles, poderão ver quando elas chegarem a sua glória plena. É o suficiente para que eu não seja desleal com meus antepassados. Se eles puderam confiar no futuro, no hóspede desconhecido, eu também posso confiar. "

Somos todos hóspedes, mas não use este belo planeta como uma sala de espera de estação ferroviária. Não é uma sala de espera. É a nossa casa, por enquanto, e ainda vai ser a casa de alguém. Não seja tão miserável a ponto de dizer: "Irei embora — daqui a dez minutos o trem chegará, então quem se importa se eu deixar a sala de espera suja?"

Ninguém pertence a este planeta. Mas a partir do momento em que estamos aqui, e neste momento temos que estar aqui totalmente, intensamente, temos que fazer deste momento o mais bonito possível. Temos que viver nossa vida como uma dança, então, quando saímos, quem vier depois de nós vai achar que as pessoas que estiveram aqui não eram pessoas medíocres; "eles deixaram flores e perfumes, eles deixaram os ecos de suas canções e suas danças, eles deixaram as suas pegadas em puro ouro vinte e quatro quilates.

Não é ruim que sejamos hóspedes. É uma grande oportunidade: o planeta, a existência tem sido tão generosa, tão gentil, tão amável, tão receptiva que regozijou-se com o fato de você estar aqui.

Deixe a sua marca. Você pode ter ido, mas o seu riso, o seu amor pode permanecer. Você pode ter ido, mas a sua dança pode permanecer. Você pode ter ido, mas a maneira como você viveu vai continuar criando suas vibrações próprias. No futuro as pessoas lembrarão, com gratidão, de que são herdeiros de um grande planeta e de uma grande raça de seres humanos."
Osho em The Golden Future

20 de novembro de 2011

Mudanças e gentileza...


"Ouço com frequência pessoas dizerem que fulano, sicrano, beltrano, não mudarão, ao fazer referência a dificuldades que experimentam, sejam lá em quais territórios da vida.
Pior até: não mudarão nunca, esse tempo que quer ser algoz das mais sinceras tentativas e das mais ternas esperanças.

Dizem, às vezes, com ares de profecia inequívoca. Com o tom assertivo da sentença. Com a perspectiva que não considera a vontade de cada um, o tempo de cada um, a história de cada um.
A força dos gestos, embora tantas vezes ainda tímidos, ainda ensaios, ainda infrutíferos.
A ação transformadora da impermanência, com os contextos que cria e os desdobramentos que produz.Dizem, esquecidas das voltas que o mundo dá.
Dos caminhos que trilha e descobre, dia após dia, experiência a experiência, todo coração.
Dizem, esquecidas da gentileza.

Eu também já disse, num tempo em que meu julgamento era maior e a auto-observação era só palavra. Não digo mais, aprendi principalmente na convivência comigo que mudança um monte de vezes é inevitável, que em alguns trechos da jornada faz diferença à beça, mas que também é coisa trabalhosa e delicada.

Que em algumas circunstâncias não adianta querer mudar repentinamente se ainda não se pode: como num jogo de pega-varetas, alguns movimentos bruscos, precipitados, descuidados, são capazes de fazer as outras peças todas desmoronarem.
No jogo, tranquilo, apenas perdemos a rodada; na vida, a história pode complicar.

Mudança nem sempre é pra quando se quer, mudança tem vez que é também e somente pra quando já se consegue. Claro que é possível conseguir quando realmente se deseja, ninguém está condenado a paralisar em lugares indesejados para não desmentir a profecia alheia, mas é preciso ter paciência, estoques dela.

Eu já mudei muito.
Eu já mudei enquanto nem mesmo percebia pela ação silenciosa de acontecimentos.
Eu já mudei coisas que eu nem acreditava ser capaz.
Eu mudo todo dia como toda gente. E também aquilo que, embora eu queira tanto, eu tente tanto, ainda não consigo mudar me faz mais empática e generosa; mais confiante de que somos capazes das mudanças que podem nos tornar melhores, primeiro para nós mesmos, se não desistirmos de nós mesmos. Mas, no nosso tempo. Com todo respeito e gentileza possíveis. Com gratidão àquilo que já conquistamos. Passo a passo daqueles que de verdade já conseguimos dar."
Ana Jácomo em Mudanças

19 de novembro de 2011

Consciência de si...


"Primeiro é preciso entender o que se quer dizer por consciência.

Você está caminhando; você está consciente de muitas coisas: das lojas, das pessoas passando por você, do tráfego, de tudo. Você está consciente de muitas coisas, apenas de uma coisa você está inconsciente: de você mesmo. Você está caminhando na rua: você está consciente de muitas coisas; você só não está consciente de si mesmo! Essa consciência de si Gurdjeff chamava ‘lembrança de si’. Gurdjeff dizia, ‘Constantemente, onde você estiver, lembre-se de si mesmo.’

Por exemplo, você está aqui. Você está me ouvindo, mas você não está consciente de quem está ouvindo, você não está consciente de si mesmo. Você pode estar consciente de quem está falando, mas você não está consciente daquele que está ouvindo. Esteja consciente de quem está ouvindo. Sinta a si mesmo aqui; você está aqui. Por um momento um vislumbre surge, e novamente você se esquece. Tente!
O que quer que você esteja fazendo, continue internamente fazendo uma coisa sem interromper: esteja consciente de si mesmo ao fazer aquilo. Você está comendo: esteja consciente de si mesmo. Você está caminhando: esteja consciente de si mesmo.

Você está ouvindo, ou está falando: esteja consciente de si mesmo. Quando você estiver com raiva, esteja consciente de que você está com raiva. No exato momento em que a raiva estiver ali, esteja consciente de que você está com raiva. Essa constante lembrança de si cria uma energia sutil – uma verdadeira energia sutil dentro de você. Você começa a ser um ser cristalizado. Normalmente, você é apenas um esboço. Nenhuma cristalização, nenhum centro realmente – apenas uma liquidez, apenas uma frouxa combinação de muitas coisas sem qualquer centro – uma multidão, constantemente se modificando e se mudando, sem qualquer mestre interior.

Por consciência se quer dizer: seja um mestre! E quando eu digo ‘Seja um mestre’, eu não quero dizer seja um controlador. Quando eu digo ‘Seja um mestre’, eu quero dizer, seja uma presença – uma presença contínua. O que quer que você esteja fazendo ou não fazendo, uma coisa precisa estar constantemente em sua consciência: que você é. Este simples sentir a si mesmo, sentir que se é, cria um centro – um centro de quietude, um centro de silêncio, um centro de mestria interior – um poder interno. E quando eu digo ‘um poder interno’ eu quero dizer isso literalmente. É por isso que esse sutra diz ‘o fogo da consciência’.

Ela é um fogo. Ela é um fogo! Se você começar a estar consciente, você começará a sentir uma nova energia em você – um novo fogo, uma nova vida. E por causa dessa nova vida, desse novo poder, dessa nova energia, muitas coisas que estavam dominando você simplesmente se dissolvem. Você não tem que brigar com elas.

Você só tem que brigar com sua raiva, sua cobiça, seu sexo, porque você é fraco. Assim, na verdade, a cobiça, a raiva e o sexo não são os problemas. A fraqueza é o problema. Uma vez que você comece a ficar forte internamente, com a percepção da presença interna que você é, as suas energias se tornam concentradas, cristalizadas num único ponto e um Eu nasce. Lembre-se, não um ego, mas um Eu nasce. O ego é um falso entendimento do Eu. Sem ter algum Eu, você continua acreditando que você tem um Eu. Isso é o ego. Ego significa um falso eu. Você não é um Eu, e ainda assim você acredita que você é um Eu.(...)

O ego é uma falsa noção de algo que não existe em absoluto. ‘Eu” significa um centro que pode prometer. Esse centro é criado por estar continuamente consciente, constantemente consciente. Esteja consciente de que você está fazendo alguma coisa – de que você está sentado, que agora você está indo dormir, que agora o sono está chegando, que você está caindo no sono. Tente estar consciente em todo momento, e então você começará a sentir que um centro nasceu dentro de você, as coisas começaram a cristalizar, um centramento está ali. Tudo agora se relaciona a um centro. Nós estamos sem centros. Algumas vezes nós nos sentimos centrados, mas aqueles são momentos em que a situação torna você consciente. Se de repente existe uma situação, uma situação muito perigosa, você começa a sentir um centro em você porque no perigo você se torna consciente.(...)

Naquele momento penetrante você começa a sentir um centro dentro de si mesmo. É por isso que os jogos perigosos exercem atração. (...) É por isso que o perigo atrai. Você está dirigindo um carro e vai aumentando mais e mais a velocidade, até que a velocidade se torna perigosa. Então você não consegue pensar; os pensamentos param. Então você não pode sonhar, não pode imaginar. Então o presente se torna sólido. Em tal momento perigoso, quando a qualquer momento a morte é possível, de repente você fica consciente de um centro em si mesmo. O perigo somente atrai porque em perigo você algumas vezes se sente centrado.(...)

Em qualquer momento em que você se torna consciente de si mesmo, existe um centramento. Mas se isso é situacional, então quando a situação se desfaz aquilo desaparece. Isso não deve ser apenas situacional. Isso deve ser mais interno. Assim, tente estar consciente em toda atividade comum. Quando sentar em sua cadeira, tente isso: esteja consciente de quem está sentado. Não apenas da cadeira, não apenas do quarto, da atmosfera ao redor, esteja consciente daquele que está sentado. Feche seus olhos e sinta você mesmo; pesquise profundamente e sinta você mesmo.(...)

Não me pergunte ‘Quem sou eu?’ Feche os olhos, vá para dentro e descubra quem está perguntando, quem é esse questionador. Esqueça de mim. Descubra a fonte da pergunta. Vá profundamente para dentro. (....) Isto tem que ser descoberto e consciência significa o método para se descobrir esse centro mais interno. Quanto mais inconsciente você for, mais distante você estará de si mesmo. Quanto mais consciente, mais próximo de alcançar a si mesmo. Se a consciência for total, você estará no centro. Se a consciência for menor, você estará próximo da periferia.

Quando você está inconsciente você está na periferia, onde o centro é completamente esquecido. Assim, essas são as duas possibilidades de se mover. Você pode se mover para a periferia; então você se move para a inconsciência. Sentado diante de um filme, sentado em algum lugar ouvindo uma música, você pode esquecer-se de si mesmo; então você está na periferia. Mesmo me ouvindo, você pode esquecer-se de si mesmo. Então, de novo, você está na periferia. Lendo o Gita ou a Bíblia ou o Corão, você pode esquecer-se de si mesmo. Então você está na periferia. Tudo o que você fizer, se você puder lembrar-se de si mesmo, então você estará próximo do centro. Até que um dia, de repente, você estará centrado. Então você terá energia. Essa energia, esse sutra diz, é o fogo. Toda a vida, toda a existência, é energia, é fogo.(...)

O homem rotulou isso com muito nomes, mas fogo é um bom nome. Eletricidade parece um pouco morto; fogo parece mais vivo. Esse fogo interno, o sutra diz, é o incenso. Quando alguém vai a um culto, leva algum incenso, com ela. Aquele incenso, é sem utilidade a não ser que você tenha vindo com seu fogo interno como sendo o incenso. (.....)

Aja atentamente. Esta é uma jornada longa e árdua e é difícil estar consciente até mesmo por um simples momento. A mente está constantemente batendo as asas. Mas isso não é impossível. Isso é árduo, isso é difícil, mas não é impossível. É possível! Para todo mundo isso é possível. Somente esforço é necessário – um esforço com todo o coração. Nada pode ser deixado para trás: nada internamente deve ser deixado sem ser tocado.

Tudo deve ser sacrificado pela consciência. Somente então a chama interna será descoberta. Ela está ali. Se alguém descobrir a unidade essencial entre todas as religiões que já existiram ou que ainda possam existir, então essa simples palavra ‘consciência’ será a descoberta. (....)

Consciência é a técnica para se centrar, para alcançar o fogo interno. Ele está ali dentro. E uma vez que ele seja descoberto, somente então nós somos capazes de entrar no templo – não antes, nunca antes. Mas nós podemos enganar a nós mesmos com os símbolos. Os símbolos existem para nos mostrar realidades profundas, mas nós podemos usá-los como fraudes. Nós podemos queimar um incenso externo, nós podemos adorar objetos externos, e então nos sentirmos à vontade, achando que fizemos alguma coisa. Podemos nos sentir religiosos sem que sejamos absolutamente religiosos. Isso é o que está acontecendo; é nisso que a terra se tornou. Todo mundo pensa que é religioso só porque está seguindo símbolos externos, sem qualquer fogo interno.

Continue fazendo esforços mesmo se você fracassar. Você está no começo. Você irá fracassar mais vezes, mas mesmo o seu fracasso irá ajudá-lo. Quando você fracassa ao tentar ser consciente por um simples momento, você sente pela primeira vez o quanto você é inconsciente. Caminhando ao longo da rua, você não consegue dar alguns poucos passos sem cair na inconsciência. De novo você se esquece de si mesmo. Você começa a ler um letreiro e esquece de si mesmo. Alguém passa, você olha e então esquece de si mesmo.

Os seus fracassos serão úteis. Eles lhe mostrarão o quanto você é inconsciente. E mesmo se puder se tornar consciente de que você é inconsciente, você terá ganho uma certa consciência. Se um louco se tornar consciente de que ele é louco, já estará no caminho da sanidade.”
OSHO em The Ultimate Alchemy

18 de novembro de 2011

O Humano que esqueceu o Ser...


"Você é um Ser humano...
Um Humano que esqueceu o Ser...

O universo aparente
O mundo que você vê
Sua história de vida
O corpo e a mente
Sentimentos e emoções
O sentido de separação
A busca por uma vida melhor...
Incluindo todas as atividades diárias...

É o Ser
Aparecendo na dualidade da mente.

É espírito
Aparecendo como todas as coisas.

Ele aparece quando não há esforço
Quando há disponibilidade para explorar,
O que é real e definitivo.

O que você está procurando
É aquilo ao qual você já vê e se conhece como Ser.

Nada nasce e nada morre
Nada está acontecendo.

Isto parece acontecer
Para convidar o buscador
A redescobrir sua origem no Ser.

Quando o convite é aceito
Então isto é visto ser somente
Uma Essência
Uma Fonte
Um Ser.

Ser é não causado
Não muda e é pacífico.
Ele é o eterno aqui-agora.
É experienciado como alegria, inocência
Liberdade e amor.

Esse amor incondicional é a celebração do Ser.
Ele flui em união extática com ele mesmo...

Esta simples revelação que você é um Ser
É tão simples e revolucionária
Que tudo que você busca
Pensa ou quer,
É na verdade,
Um desejo de voltar pra casa."
O Humano que esqueceu o Ser por Burt Harding

17 de novembro de 2011

Relacionamento na Unidade...


"Por favor me diga: Existe relacionamento na Unidade?

Jean Klein: Ser humano é estar relacionado. Como seres humanos, vivemos em relação com os elementos, o sol, a lua, as pedras da terra e todos os seres vivos.

Mas, o que significa estar relacionado? Quando usamos esta palavra queremos dizer que se trata de alguma classe de vínculo entre entidades individuais, objeto com objeto ou sujeito com objeto.
A palavra relação, pressupõe aqui um estar separado, união de uma fração com outra. Esta visão fracionada do estar relacionado é puramente conceitual. É um produto da mente e não tem nada a ver com a concepção pura, com a realidade, com o que é a verdade.

Quando vivemos livre de toda idéia e projeções, entramos em contato real com o que nos cerca. Falamos deste ponto de vista prático, portanto, antes que possamos nos relacionar com nosso entorno, devemos saber nos relacionar com o que está mais próximo de nós, o corpo, os sentidos e a mente. O único impedimento para a percepção clara do nosso estado natural é a vigorosa idéia de ser um indivíduo separado, de viver em um mundo com outros seres separados.

Temos uma imagem de nós mesmos. Esta imagem só se pode manter em relação com outras coisas e deste modo nos relacionamos com os objetos, amigos, filhos, cônjuges, inteligência, conta bancária etc.. e entramos em relação pessoal com estas projeções. A idéia fantasiosa de um eu é uma contração, uma limitação do Ser real em sua totalidade. Quando esta noção morre, encontramos nossa expansão, quietude e globalidade naturais sem periferia nem centro, sem exterior nem interior.

Sem a noção de indivíduo e não há sensação alguma de estar separado e nos sentimos em unidade com todas as coisas. Sentimos como que os acontecimentos que nos cercam, são a manifestação irrestrita da totalidade. Quando nosso cônjuge ou filhos se vão de casa ou nossa conta bancária se desmorona, é um evento que acontece em nós. A consciência permanece constante.

Todo fenômeno, toda existência é uma expressão dentro da sua globalidade e as variedades de expressão só tem significado e relação à luz do todo.

Relacionar-se é relacionar-se com o todo. Posto que não há nenhum encontro de frações, e no todo não há nenhum outro. Falando com propriedade portanto, na perfeita relação nem dualidade alguma; unicamente há a globalidade.

Toda percepção aponta diretamente ao nosso ser essencial, a quietude, ao estado natural que é comum a toda existência. Assim na expressão humana, estar relacionado é estar em comunhão com o todo. E nesta comunhão, a assim chamada presença do outro se sente como uma doação espontânea e nossa própria presença é um espontâneo receber.

Já não há uma sensação de falta, por conseguinte, uma necessidade de pedir, porque recebendo nos traz a nossa abertura. Quando vivemos em abertura o primeiro impulso é oferecer. Estar em abertura e o movimento espontâneo de oferecer é amor.
Amor é meditação. É uma nova dimensão do viver."
Jean Klein em Quien Soy?

16 de novembro de 2011

Apenas Luz...



De onde você vem?
Posso dizer que das estrelas
Ou dos ventos
Ou marés
Veio do cantar das águas
dos rios
Ou dos campos e campinas

Pode ter vindo de muito longe
Ou do além lugar
Um além onde espaço e tempo se encontram
E se abraçam
Um lugar que é um não-lugar
Perpétuo apenas no Ser
e no Estar...

O que te trouxe aqui?
Foram as canções
Os pensamentos
Os sonhos
A saudade
Foram os acordes das sinfonias divinas
Aquelas que tocam mais forte no amanhecer e no poente
Quando as estrelas estão se despedindo
Ou nos dando boas-vindas
Ou quem sabe foram os desejos seus
Aqueles bem recolhidos
Que ficam assim, guardados no peito
Silenciosos
Mas que num momento qualquer despertam
E tomam conta da gente
Não temos mais como não ser-desejo
E os deixamos passar...

O que você encontra aqui?
Não seriam seus próprios olhos,
Olhares
Não seriam suas próprias idéias
Ou memórias
Poderiam ser também aqueles velhos sonhos sonhados
Aqueles que já se sonharam tantas vezes
E parecem sempre novos, mas não são..

Aqui você consegue ouvir a mistura das flautas
A mistura das cores,
A complexidade das formas?
Nesse emaranhado de nuances múltiplas
Sombras, luzes, cores e canções
Tudo compõe o filme mágico da existência
Que de tão perfeito
Engana
E tantas e tantas vezes nos deixamos seduzir por suas nuances
Mágicas,
Luminosas
Mas ainda assim,
Apenas o filme, nada mais...

Até onde você irá?
Nos confins do não pensar
Do não querer
Do desejar
Alcançar a plenitude das descobertas que já são
Abandonar aquelas idéias vãs de que algo ainda está por vir
Se libertar daqueles pensamentos pequenos
Do que ainda poderia ser diferente
Que poderia ser isso, ser aquilo,
Mas acaba que é sempre o que está aqui
Não tem como ser diferente,
Agora, bem diante de ti...

Veja como tudo isso é a grande Vida
Veja como é a Vida que te cria
Te faz Ser
Vive em ti e acontece
Te faz percorrer labirintos imaginários
E permanece sempre sempre
Absolutamente presente...

Veja como a Vida desfruta da existência sua
Nesse eterno jogo do bem e do mal
Do agora e do amanhã
Onde os opostos trocam sempre de lugar
Para finalmente descobrir-se
Revelar-se
Como tudo sendo apenas
Luz...

A Verdade está à sua espera...


"Identificando-se com a mente, você inicia um conflito, o conflito da gota contra o oceano. Ou, melhor dizendo, um conflito do tempo contra o agora, da mente contra o observador.

Nisso, nasce um pensamento na mente, que diz que não devemos pensar no ontem e no amanhã. Essa proposta até parece interessante, não fosse um breve equívoco: a real revolução é ver que esse pensar no amanhã e no ontem não passa de um reflexo no espelho da Consciência, ocorrendo exatamente agora.

Diante disso, estabeleça a seguinte questão: o que você precisa fazer, quando começar a pensar no ontem e no amanhã? “Absolutamente nada” deve ser a resposta. E é neste ambiente que Satsang habita. Se chegou até aqui, você está prestes a se dar conta da possibilidade de trocar a sua identidade do objeto pensado para a observação.

Já que você insiste em ter uma identidade, identifique-se com aquilo que observa todos os fenômenos em acontecimento.

No começo, aceite a proposta como um exercício, um desafio, até que mais tarde, esteja repousado, naturalmente, no observador.
Porém, esteja pronto para a solução de todos os seus problemas.
Pondere: é isso o que você quer?

Osho diz: "Eu jamais penso nos ‘ontens’, eu jamais penso nos ‘amanhãs’. Isso me deixa apenas um pequeno momento que é vasto – o momento presente –, que é solto, leve, limpo e livre.”

Sua mente oferece uma identidade pautada nas memórias, no passado, no tempo, no refletido. Todos os problemas, portanto, estão pautados no tempo.

O momento presente oferece este “outro você”: solto, leve, limpo e livre.

O fenômeno da identificação ou da “má identificação” com o falso eu, implica numa humildade às avessas: a mente não consegue ver, tampouco assumir que você é a Consciência, porque, de alguma forma, sob o julgamento dela própria, você não merece isso.

Daí, estabeleceu-se historicamente uma relação de mérito em relação à Verdade. O que joga a sua realização diretamente na linha do tempo, prorrogando o reconhecimento da sua natureza original para depois que uma lista imensa for atendida.

Mas estou aqui sinalizando o seguinte: não há a menor necessidade de correr atrás dos 20.000 preceitos, tudo o que você precisa é um pouco de sobriedade e uma certa acuidade para verificar que o discurso interno que exclama “Eu não sou a Consciência e devo alcança-la” não passa de uma neblina diante dos seus olhos. Acalme-se e espere passar.

A Verdade está à sua espera, e você não somente merece vê-la, como este é um direito seu. Apenas retome este direito e tudo já está pronto, bem diante do seu nariz."

15 de novembro de 2011

O ego e os reflexos...


"Todos nós nascemos sem um ego.
Quando uma criança nasce, ela é apenas consciência: flutuando, fluindo, lúcida, inocente, virgem, sem ego.

Aos poucos, o ego é criado pelos outros.
O ego é o efeito acumulado das opiniões dos outros sobre você.

Um vizinho chega e diz "Que criança bonita!", e olha para a criança com um olhar de apreciação. Então o ego começa a funcionar. Alguém sorri, uma outra pessoa não sorri. Algumas vezes a mãe é muito carinhosa, outras vezes está muito zangada.

E a criança vai aprendendo que não é aceita como ela é.
Seu ser não é aceito de forma incondicional: há condições a serem satisfeitas. Se ela grita e chora e há visitas na casa, sua mãe se zanga. Se ela grita e chora, mas não há visitas na casa, sua mãe não se importa.

Se ela não grita, nem chora, sua mãe a recompensa sempre com beijos amorosos e com carinho. Quando há visitas, se a criança sabe ficar quieta, em silêncio, sua mãe fica muito feliz e a recompensa. A criança vai aprendendo as opiniões dos outros sobre si mesma olhando no espelho dos relacionamentos.

Você não pode ver a sua face diretamente. Você tem que olhar em um espelho, e no espelho você pode reconhecer sua face. Esse reflexo se torna sua ideia de sua face, e há milhares de espelhos a seu redor, todos eles refletindo algo.
Alguém o ama, alguém o odeia, alguém é indiferente.

E então, aos poucos, a criança cresce e continua acumulando as opiniões de outras pessoas.
A essência total dessas opiniões dos outros constitui o ego.
A pessoa começa a olhar para si mesma da forma como os outros a veem. Começa a se olhar de fora: isso é o ego.

Se as pessoas gostam dela e a aplaudem, ela pensa ser bela, estar sendo aceita. Se as pessoas não a aplaudem e não gostam dela, rejeitando-a, ela se sente condenada. Ela está continuamente procurando formas e meios para ser apreciada, para ser repetidamente assegurada de que possui valor, que possui um mérito, um sentido e um significado.

Então a pessoa passa a ter medo de ser ela mesma. É preciso encaixar-se na opinião dos outros.

Se você deixar de lado o ego, subitamente se tornará novamente uma criança.
Você não estará mais preocupado com o que os outros pensam sobre você, não prestará mais atenção àquilo que os outros dizem de você.
Nesse momento, terá deixado cair o espelho. Ele não tem mais sentido: a face é sua, então por que perguntar ao espelho?"
Osho em de A a Z: Um Diário espiritual do Aqui e Agora

Realizando inteiramente o Ser - Mooji

14 de novembro de 2011

Sofrimento e inconsciência...


Muitos me perguntam porque a vida é tão complicada, tão cheia de problemas e sofrimentos...

Para isso começo com uma outra pergunta: Você sabe quem você é? Não deve saber, porque se soubesse verdadeiramente, viveria a vida na plenitude de quem vive no seu próprio lar, e tudo o que acontece, acontece em Si mesmo, nada está fora, nada é estranho, nada é "complicado" ou "problemático"!

A primeira vez que ouvi essa pergunta, a primeira coisa que me veio foi: Claro que sei quem eu sou. Tenho um nome, uma profissão, nasci em tal lugar, minha família é tal, faço isso, vivo aqui, etc, etc..
Só que, na medida que eu ia dando as minhas respostas, meu mestre ia me mostrando que nada do que eu respondia era da esfera do Ser, tudo era do fazer...tudo era rótulo que um dia colocaram na minha cabeça, ou me falaram, e eu acreditei e continuei repetindo para mim mesma e para os outros.

Curioso, que quanto mais questionamos as respostas que damos, mais vemos que não existe nada real ali. Por exemplo: O nome que recebemos: um som, um mantra, que poderia ser qualquer outro. A profissão: um fazer, que poderia ser qualquer outro; nossa história de pertencer a tal família, viver em tal cidade, tal país etc..meras histórias que poderiam ser qualquer outra, e que não existem realmente, só na dimensão da memória; sem memória, nada daquilo persiste; Vamos vendo que a realidade é aquilo que está diante dos nossos olhos, e que é tão efêmera, que a cada piscada já é tudo diferente. E isso vale também para aquilo que se passa subjetivamente, ou seja, aquilo que sentimos, aquilo que pensamos, tudo é tão efêmero e passageiro que não conseguimos reter nada, nem prever o que virá também. E mais, tudo que sentimos, pensamos também não é exclusivo meu, ou seu...isso é curioso também, porque, os sentimentos são os mesmos, os pensamentos são os mesmos, as idéias também...é como se partilhássemos do mesmo oceano, mas não nos damos conta disso, e aparentemente eu sou totalmente diferente de você, mas quando começamos a investigar detalhadamente vemos que não, nós somos na verdade tão semelhantes, mas tão semelhantes que as diferenças superficiais não representam nada, perto de tantas e tantas coisas em comum que temos...E isso vale para a humanidade inteira...vale para a existência inteira...

Imersos estamos na mesma e única consciência, no mesmo e único oceano. Somos pequenas ondas, que vão passando por diversas fases, e infinitas experiencias...mas ainda assim, mesmo enquanto ondas, ainda somos e seremos oceano...sempre oceano...Não temo como não ser oceano, já que não temos autonomia, não controlamos nada, nem nossas funções vitais, nem o que irá acontecer daqui a cinco minutos, os sentimentos, pensamentos...o oceano decide, o oceano vive através de cada um de nós...

Essa consciência de que somos aspectos da grande existência, que o nome que recebemos, a profissão que conquistamos, a família, as experiências, tudo o que acontece, tudo isso aparentemente fomos "nós", mas em profundidade mesmo, sempre foi o oceano da existência, foi e é Deus, realizando, vivendo, acontecendo, experimentando através de cada um de nós...

Se olharmos aqueles aspectos que nos fazem sofrer, veremos que são também experiências que o oceano da existência deseja passar, só isso...Se os classificamos como "sofrimento" é porque ainda estamos acreditando que somos nós que controlamos alguma coisa, ou que somos nós responsáveis por alguma coisa, ou que a onda controla o oceano... só isso...

Os Mestres nos apontam que a cura do sofrimento é a consciência de quem realmente nós somos. Sem máscaras, sem fantasias, sem qualquer idealização. E trata-se de uma experiência, uma vivência profunda, uma lembrança de algo que sempre esteve lá essencialmente, não é algo aprendido, é algo relembrado...mas para isso é necessário cair em tentação, ou seja, viver as divisões da mente muitas e muitas vezes, os sofrimentos, os medos, as mágoas, para finalmente reconhecer que somos a Totalidade. Que nunca fomos verdadeiramente onda, sempre, sempre fomos o Oceano... e que todo e qualquer sofrimento acontece somente por desconhecimento dessa única Verdade...
Amor
Lilian

13 de novembro de 2011

Nada está fora da mente do Buddha...



"Esta mente pura
Que é a Fonte de todas as coisas
Brilha para sempre com o esplendor da sua própria perfeição...

Mas, a maioria das pessoas não estão cientes disto
E pensam que a mente é apenas a faculdade que vê
que ouve, sente e sabe
Cegos pela sua própria visão, audição, sentimento e conhecimento
Eles não percebem o brilho da Fonte...

Se pudessem eliminar todo pensamento conceitual
Esta Fonte apareceria como o sol nascente
Através do céu vazio
E iluminando portanto, todo o Universo...

Vocês alunos do Tao
Que procuram compreender através do ouvir
do sentir e do saber
Quando suas percepções são cortadas
Seus caminhos para a mente são cortados
Vocês não encontram nenhum lugar para entrar...

Basta que percebam que
Embora a mente manifeste nossas percepções
Não é nem parte delas
Nem separada delas
Vocês não deveriam analisar essas percepções
Ou pensar sobre elas todas
Mas, deveriam procurar a mente Única
Além dos pensamentos
Não os prenda
Deixe-os passar
Não se fixe a eles, nem os rejeite
Acima, abaixo e tudo ao redor
Tudo existe espontaneamente
Porque não há
Nenhum outro lugar fora da mente do Buddha..."
Huang Po em This Pure Mind
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