29 de novembro de 2011

A Pausa...


Ouvimos falar de relaxamento, meditação, yoga, práticas de aprofundamento e conscientização, mas será que sabemos verdadeiramente o que significa a PAUSA, isto é, será que reconhecemos o que é estar simplesmente, sem "anexos"? sem acessórios, ou qualquer outro subterfúgio?
Vamos refletir sobre isso.

Neste momento em que você lê essas palavras, perceba que sua atenção principal está direcionada para o computador, para o texto, para cada palavra, e a interpretação de cada uma delas e do sentido das frases está sendo processado e você vai compreendendo aquilo que está escrito aqui, mas sua atenção periférica está ouvindo o barulho da rua, o telefone, o canto do pássaro ao longe, seu filho que chama, ou a campainha da porta, e ao mesmo tempo existe uma consciência mais profunda que está ciente da sua respiração, das batidas do seu coração, da postura do seu corpo, se está confortável ou precisa mudar de posição, está ciente se você está com sede, ou fome, se o sapato está apertando ou os pés estão relaxados, se a cadeira é confortável ou você precisa mudar de lugar, se a luz está fraca ou forte e você precisa adequar a luz do ambiente para que você possa ler com mais facilidade, enfim...
Vocês percebem que só aqui coloquei vários níveis de atenção. A mais externa que é a atenção dirigida ao próprio texto, as intermediárias dirigidas ao ambiente externo, ruídos, sons, situações imprevistas, e a mais subjetiva que são as sensações internas, o coração, a respiração, a postura, o conforto do corpo, a adequação da luminosidade.

Isto é só um exemplo para que percebam rapidamente a quantos estímulos estamos sujeitos em uma fração de segundo. Agora percebam que além disso, nossa mente pode vagar nas lembranças do passado, nos sonhos que planejo para amanhã ou depois, no que terei que fazer daqui a tantas horas, em ligar para alguém, responder a um email, terminar aquele trabalho, e tantas e tantas tarefas que tomam minha mente... Vejam como o foco flutua, ele é fluido, e vaga de um nível para outro, aprofunda superficializa, voa para trás no tempo, voa para frente, planeja e analisa, descreve, e tudo isso junto com as emoções, os sentimentos, as memórias, a conexão com o corpo, com pessoas, lugares, coisas...enfim uma infinidade de ações que são processadas numa fração de segundo...essa é nossa mente...trabalha á velocidade da luz verdadeiramente...

Quando os mestres nos apontam para uma coisa chamada PAUSA, eles estão mostrando que apesar de tudo isso que nossa mente processa, faz, vagueia, lembra, tudo isso está sendo percebido por nós, nós estamos percebendo em nós mesmos esse movimento intenso da mente...existe "algo" que observa esse movimento todo, mas que permanece, está ali como que "por trás" de tudo que a mente vagueia algo está sempre presente, observando tudo isso...simplesmente observando...
Por isso é tão fácil reconhecer o observador que está além da mente. Quem é que diz que está se sentindo triste, ou alegre, ou com saudade, ou com medo? Quem é que tem a consciência de que o pé está dormente, e que está com sede, ou que aquela blusa que viu na vitrine é bonita?
Percebam que nós nos identificamos com aquilo que pensamos, aquilo que sentimos, as memórias, os sonhos que nos vem...mas esses vem e vão, passam rápido, e algo permanece, algo que continua definindo aquilo que estamos pensando naquele momento, aquela emoção que está acontecendo naquele momento, algo sempre está presente para perceber...

Este que permanece, apesar das memórias, pensamentos, sentimentos, este que não conseguimos definir o que seja, ou quem seja, é o que os mestres chamam de consciência, pois é sempre presente, mas poderia ser outro nome qualquer, importante é percebê-la, alcançá-la, senti-la.
Os mestres nos apontam que a meditação tem essa propriedade, fortalecer nossa atenção nessa consciência sempre presente, observar os pensamentos passarem, os sentimentos passarem, as sensações físicas, memórias, observar o ruído da rua, o aroma do café, o choro do bebê, o escapamento do ônibus, a buzina do carro, observar o momento presente nos seus mínimos detalhes, não bloquear nada, não interpretar nem escolher, apenas SER no momento nada mais...

A meditação nos leva mais e mais a desidentificação daquilo que acontece a nós, sentimentos, pensamentos, memórias, mas que não somos nós. Essa desidentificação transforma nossa consciência cada vez mais perceptiva e mais clara. Aos poucos vamos mais e mais ancorando no observador, na consciência, nosso raio de alcançe perceptivo se torna mais e mais claro, cristalino, não nos confundimos mais com a nossa mente, vamos percebendo que a mente acontece à nós, é uma ferramenta maravilhosa, mas que está a serviço da consciência, e não o contrário.

A PAUSA significa ser-estar plenamente presente naquilo que É, ou seja, estar plenamente consciente de TUDO que acontece aqui-agora, neste exato instante, onde o infinito acontece bem diante dos nossos olhos.
Nesta PAUSA a consciência toma a sua real dimensão, plena, total, absoluta.
Este é o estado de vigília que nos fala Osho. Este é o despertar que nos apontam os Mestres.
Simplesmente SER. Pura PRESENÇA que tudo observa.
Neste estado não existem diferenças, tudo é acolhido sem medida e sem identificações. Na PAUSA da consciência não existe mais nenhum "eu" e nenhum "você"...
Amor
Lilian

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