30 de setembro de 2010

Somos...



Vem,
Juntos dancemos a dança das esferas,
Juntos vamos pela vida aos pares,
Mergulhados em luares e poemas simples,
Com as faces refletidas ao sol,
Pelo eterno gosto de amar...

Vem,
Juntos vamos beber o néctar da consciência desperta e pura,
Navegar pelos ares sem deixar rastros nem passos,
E expandir, transbordar de amores fluidos e sem nome,
Encantando de sorrisos e lágrimas felizes a todos que acolhem em si o dançar...
Se nos pergutarem nossos nomes,
Diremos apenas que somos,
No silêncio, somos,
Ao luar, somos,
No nascer do sol, somos,
No meio dia e além,
Somos...

Apenas somos a dança,
Somos o mar e o amar,
E o viver,
Somos verbo, movimento...
Latitude infinita que se expande ainda mais,
E repousa plena em Si mesma,
Repousada e fresca,
A cada nova fragrância do jasmim...

29 de setembro de 2010

Mudança de olhar...


Até onde posso ir, em uma situação que não posso mudar?

É com essa pergunta que começo minha reflexão de hoje.
Viver é correr riscos. Todos os riscos advém pelo viver, verdadeiramente.
Previsibilidade é sinal de não-vida.

Se estamos na chuva, é realmente para se molhar, não tem como ser diferente.
E assim, se defrontar com situações novas, e mais ainda, situações que não compreendemos, que nossa mente até tenta, mas não acha congruência...isso é viver!

Digo que quando isso acontece com a gente, é sinal que ainda não olhamos a situação pelo ângulo correto. É como tirar uma fotografia. Sempre existe o melhor ângulo, a melhor tomada, para que a foto demonstre todo o seu potencial, e se revele.

Uma virada pequena de ângulo, faz toda diferença, muda toda a paisagem.
Essa virada de ângulo é nossa. Nós quando mudamos o olhar, a consciência sobre aquele assunto, sobre aquela situação, muda tudo. E muda mesmo.

Não que mude necessáriamente a situação externamente, já que na maioria das vezes não temos ação sobre elas, nem as pessoas etc. Mas a mudança de olhar, essa sim podemos fazer, e iluminar uma situação que até então estava complicada ou mal compreendida.

A existência, nos mostra a infinita capacidade da consciência em clarear as coisas. Sempre que se deparar com uma situação da sua vida que aparentemente está complicada, sem saída, ou algo que te faça se sentir impotente, frágil e preso ali, lembre-se que não é a situação em si que é o problema, na verdade você ainda não descobriu o melhor ângulo, a melhor maneira de olhar aquela situação, só isso. No momento que a luz da consciência se faz, tudo muda na hora.

A vida não existe para nos colocar em situações de impossibilidade. Ela sempre nos mostra que temos uma infinita capacidade de perceber, de buscar novos olhares, e com isso crescer em consciência e amor frente a qualquer situação que se apresente, seja ela qual for. A resposta será sempre: mais consciência e amor.
Termino com uma frase linda do padre Fábio de Melo que recebi outro dia e que ilustra bem essa tomada de consciência: Já que não tenho o dom de modificar uma pessoa, vou modificar aquilo que eu posso, ou seja, o meu jeito de olhar para ela!
Amor
Lilian

28 de setembro de 2010

Espelho da Alma...

Paixões...


Kabir pergunta: Com quem é que gastamos nossa vida inteira amando?

Quando você se apaixonou por uma mulher, realmente se apaixonou pela mulher ou ela foi simplesmente uma janela para algo mais alto, mais elevado, maior?
Você se apaixonou por um amigo; você deve ter visto algum vislumbre do além. Sempre que você se apaixona, você se apaixona por Deus. Aparentemente não é assim; você se apaixona por um homem ou uma mulher - mas essas são janelas. E é por isso que o amor é tão frustrante.

É como se você tivesse visto o sol subindo pela janela, e se apaixona pela moldura da janela. Agora cedo ou tarde, você ficará desesperado - porque aquela moldura da janela não é o sol subindo. Aquela beleza não pertence à janela, a janela só lhe permite uma aproximação, com a beleza. Você se agarra à armação, e mais tarde você descobre que é como se tivesse sido enganado e iludido. E naturalmente então ficamos bravos um com o outro - pensam que o outro o iludiu. Todos os amantes experimentam isso.(...)

Ninguém o enganou; houve uma má compreensão. A janela tinha lhe dado um vislumbre do além - o céu, os pássaros voando e o sol e a lua, as estrelas e a brisa que vem da janela - havia aberto uma dimensão. Mas a janela não é aquela dimensão. E você ficou enfeitiçado pela janela. Agora fica frustrado.(...)

Se puder lembrar que é sempre Deus que você ama... é sempre Deus;
Deus é seu objeto de amor. Sim, às vezes ele se mostra nos olhos de uma mulher, no rosto de um homem - isso é apenas um reflexo, isso é apenas um eco.

Sinta-se grato à janela, sinta-se grato ao eco, sinta-se grato ao espelho que refletiu algo além. Mas vá a procura do além.

Se o amor crescer corretamente, ele se tornará oração.
A mulher virá a ser seu templo, o homem se tornará seu templo.
Você se sentirá grato à mulher, mas saberá que Deus olhou para você através dos olhos da mulher. E você buscará por aquele Deus.(...)

Kabir diz: É chegado o momento de se mover na direção real do amor, o momento de procurar o amor real.
Osho em Revolução, conversas sobre Kabir

27 de setembro de 2010

Centro magnético...


"Você recebe aquilo que tem, porque aquilo que você tem se torna uma força magnética, atrai algo semelhante.
É como um bêbado que chega a uma cidade: logo ele vai encontrar outros bêbados.

Se um jogador chegar a uma cidade, logo ele se tornará conhecido dos outros jogadores. (...)
Se um buscador da verdade chegar à cidade, ele vai encontrar outros buscadores.

Tudo que criamos em nós se torna um centro magnético, cria certo campo de energia.
E nesse campo de energia as coisas começam a acontecer.

Assim, se você quer atrair as bênçãos da existência, deve criar toda a bem-aventurança de que for capaz, deve dar o máximo de si, então uma bem-aventurança multiplicada por mil será sua.

Quanto mais você tiver, mais receberá.
Quando esse segredo for compreendido, você ficará cada vez mais rico interiormente, sua alegria será cada vez mais profunda.
E não há fim para o êxtase — você tem apenas de começar na direção certa."
Osho em Meditações para a noite.

25 de setembro de 2010

Inconsciência...


Hoje queria refletir com vocês sobre a insconsciência.

Toda a nossa busca, é pela consciência, pelo acordar, por estar absolutamente presente, aqui-agora, e com isso absorver o absolutamente óbvio da existência que se manifesta, que se expressa, que se realiza a Si mesmo a cada momento.

Mas a inconsciência, é algo que não podemos esquecer, nem muito menos negligenciar. Ela existe, e muito, e faz parte da existência, logo precisa ser vista e acolhida com amor.

A natureza, os animais, as plantas, vivem diversas dimensões de inconsciência. Manifestam a unicidade automáticamente, instintivamente, nem se dão conta do que estão fazendo, ou sendo, apenas são. Essa "fidelidade" à existência, à Deus, é linda, pura, e majestosa, já que é absolutamente transparente, não reativa, manifestam sua natureza essencial, porém sem o questionamento da razão, da mente. São puros.

Na medida que algumas espécies adquirem rudimentos mentais, inteligencia, como os chimpanzés, golfinhos, vão agindo de modo particular, não instintivo, mas autentico, com isso vemos nascer em algumas espécies uma autonomia, uma diferenciação comportamental, que fascina os cientistas e mais ainda, nos mostra que a existência evolui, progride, avança, não só o homem, mas toda a natureza está no mesmo movimento evolutivo.

Essa evolução, com a aquisição da mente, nos aponta que existe uma saída da total inconsciência instintiva, para uma consciência, mesmo rudimentar, essa mente começa a brotar e a ser construída em algumas espécies. Nos homens isso é um atributo natural. Nascemos com um imenso potencial mental, racional, lógico, que ao longo de nossas vidas irá se maturando e com isso criando, realizando, e modificando o mundo e a nós mesmos.

Não tem como ser diferente.
A mente humana é divina, é preciosa e é o que nos difere de todos os outros animais.
Percebam que não existe alternativa para o homem.
Ele já nasce com uma mente pronta. Um corpo mental pleno. Que pode ou não ser explorado, maturado, mas já está lá disponível.

É aí que surge a questão que queria refletir com vocês.
Aqui surgem duas opções: Ou nos mantemos na inconsciência, através da alienação, dos entorpecentes, do sonho, da ilusão, e ficamos estagnados em uma dimensão pequena - pobre eu diria- que nos coloca totalmente fracos e ignorantes quanto a nossa real natureza, desconhecendo aquilo que tudo conhece...isso é uma opção.

Ou avançamos em direção a plena manifestação dessa consciência que se expande, que ilumina, que dá profundidade, unicidade e sabedoria a tudo e a todos, já que vai muito além do que se observa e do que se percebe. Alcançar a consciência luminosa, búdica é ir fundo nos planos da existência de se conhecer e de se auto-experimentar. Quando avanço na luz da auto-consciência desperto para o Todo, e todas as "divisões" naturalmente caem por si mesmas, pois nunca existiram de verdade.

Porém a primeira opção da inconsciência permanece. E é isso que vemos ao longo da história da humanidade, com todo uso de entorpecentes, drogas, alucinógenos, enfim, uma infinidade de maneiras de perpetuar uma inconsciência. Uma fuga da evolução mental, uma maneira de escapar do "peso" que muitas vezes se possuir uma mente causa.
Só que isso não resolve o "problema". Não temos como nos livrar da mente. Ela existe e faz parte de nós, se manifesta em nós, embora não sejamos ela, ela faz parte de nós. E simplesmente desligar a sirene no corpo de bombeiros, quando toca acusando um incêndio lá na floresta, não acaba com o incêndio...

Entrar numa "viagem", fugir de qualquer maneira, não acalma a mente, não suaviza o "peso" da mente, pelo contrário, mostra que ainda não estamos em paz, unificados, estamos em uma guerra interna, uma divisão, e que isso já é o próprio inferno. Quem vive isso, sabe muito bem o que estou falando.
Para o homem, manter-se inconsciente de si mesmo, da sua natureza essencial é ir contra todos os planos da existência, é ir contra toda e evolução. A mente precisa ser cuidada, e transcendida, com amor, e com sabedoria.

Manter-se na escuridão da inconsciência é simplesmente optar pelo caminho mais difícil, árido, solitário e infrutífero que existe. O caminho sem luz, sem saída. Não temos como andar para trás. Não temos como voltar a inconsciência dos animais, da natureza, só nos resta de fato avançar, avançar e transcender alcançando dimensões mais e mais luminosas, puras e auto-realizadas em nós e através de nós.
O retorno luminoso se dá na verdade, quando transcendemos a toda e qualquer divisão ilusória criada em nossa mente, e a volta ao estado original unificado acontece, como a mais simples e perfeita manifestação de amor, gratidão e aceitação por tudo que somos, recebemos e manifestamos de Deus....nunca antes disso...
Amor
Lilian

24 de setembro de 2010

O Amor do Agora...



"Conheces alguma coisa que tu sejas que não possa ser destruída por ninguém, nem rebaixada por ninguém, nem desmerecida por ninguém?

É possível conhecer algo que não pode ser criado por ti, nem destruído por ti, e mesmo assim, seja o ALGO mais permanente de você que existe, e que não necessita de tempo para se constatar.
Se você se pergunta “QUEM SOU EU?” e responde alguma coisa como “Eu sou um cara legal” ou “Eu sou um idiota” ou “Eu sou brasileiro”, ou “Eu sou fulano de tal...” você acaba por limitar você a um rótulo específico.
Mas quantos rótulos passam por sua cabeça ao longo de sua vida?

Quem É você, não pode vir de seu passado, não pode vir de sua memória, senão você estaria falando do que você foi. Saber quem você É, é saber diretamente.

Todos nós nos conhecemos indiretamente. Por que? Porque nos conhecemos através dos outros.
Você se conhece através do que os outros espelham para você, e assim seu ego é criado.
Um dia alguém disse pra você que você era legal – você acreditou e isso ficou gravado em sua mente. Mas em outro momento disseram que você era um estúpido. E você também aceitou.

Infinitas experiências, infinitas imagens do que seja você estão flutuando em sua memória. O bom, o mau, o legal, o amigo, o iluminado, o demônio, o pai, o filho, o tarado, a ninfomaníaca, o artista, o médico, o melhor, o pior, o sucesso, o fracasso... São infinitas as imagens que recolhemos.
Cada imagem deverá construir um pouquinho daquilo que posso chamar de “meu ego”.
Meu ego” é formado por imagens boas e ruins que vou colhendo na experiência de vida.
O ego é a primeira identidade que formamos. Mas não esqueça: a identidade do ego é formada pelos outros. Se não existissem os outros para me comparar (relativo), eu não poderia me imaginar como um sucesso ou um fracasso.

Note, como o ego é um pouco de todas as pessoas que você conheceu. A começar pelos seus pais, geneticamente. Seu corpo contém seus pais. Sua mente contém o que a cultura, as pessoas, o ambiente que você foi criado, sua educação, e tudo mais que foi vivido por você.
Mas quem É você sem estes rótulos?
Quem é você aqui-agora?
Antes de pensar, antes de julgar isso ou aquilo, quem é você?
Se não existisse ninguém para se comparar, quem é você?
Sem pensar em melhorar ou aperfeiçoar, quem é você?
Quem é você neste meio segundo sem pensar?

Você é ESTE MOMENTO.
Você se dá conta deste momento porque há CONSCIÊNCIA.
Esta CONSCIÊNCIA é todo o segredo do AMOR.
Você é ESTE MOMENTO.
DESPERTE PARA O AMOR DO AGORA! "

23 de setembro de 2010

Flowers and Song...

Encanto de primavera...


Lá vem ela,
Pelas praças, alamedas,
Pelos campos e jardins
Sorridente e bela,
A primavera...

Vezes chuva,
Vezes brisa,
Cantorias sem limite,
Resplandece nos canteiros,
Derramando-se em flores por toda parte,
Alegrando em arte,
Colorindo livremente a paisagem...
O aroma nos trás lembranças,
Seu perfume que envolve nossa alma,
O colorido extasiante,
Alegra os olhos,
Embala a Terra,
E se revela, simples,
Porém, divinamente encantadora...

Inspiração dos poetas,
Tempo de "borboletear”
Tempo "passarinhar"
Tempo de Iluminar...

Não há nada como o encanto da Primavera,
Que chega e se instala na alma, nos poros, na pupila,
E não se vai com o tempo,
Mas permanece sorridente,
Já que toma posse da gente,
E a gente dela...

22 de setembro de 2010

Iluminação...



"Iluminação simplesmente significa fique acordado, fique consciente de si mesmo.
Normalmente o homem é consciente de tudo que o rodeia. Mas permanece na periferia da vida, e o centro permanece na escuridão.
Trazer luz a este centro é tomar consciência desse centro. Isto é que é iluminação.
É ser absolutamente centrado em Si mesmo, focando toda sua consciência em si mesmo, onde nada mais existe. Só você É.
Isso é tão natural que você se percebe em harmonia com toda a existência. Logo, você pode dançar na chuva, e pode dançar no sol, e dançar com as árvores, e se comunicar até com as pedras e as montanhas, as estrelas...
Isto é Iluminação.
Deixe-me definir: Iluminação é estar em harmonia com Toda a Existência.
Para estar em harmonia com a natureza, com a existência - com a verdadeira natureza das coisas - isto é Iluminação.

Contra a natureza, existe somente miséria, e miséria criada por você mesmo. Ninguém mais é responsável por isso.
É mesmo difícil de se compreender com a lógica.
É algo que precisa ser experimentado.
No momento que o Eu aparece, o ego evapora.
Eu não me sinto parte do Universo, mas Sou o Universo.
E em muitos momentos, sim sou maior que o Universo - porque Eu posso ver as estrelas se movendo comigo, o nascer do sol acontecendo comigo, todas as flores se abrindo comigo...
Quando Eu subo até o alto de uma montanha, Eu sinto minha alma nascendo no mais alto dos picos onde jamais a neve se derrete. E quando desço aos vales, sinto a total profundidade em meu coração, num imenso mistério de sombras.

A mesma coisa acontece na beira do mar. Eu emerjo e surjo com as ondas. Elas brincam ao meu redor. Quando olho fixo para o céu, Eu expando. Eu me torno ilimitado, infinito.
Quando olho as estrelas, o silencio me permeia. Quando Eu vejo as flores, o êxtase e a beleza me dominam.
Quando ouço o canto de um pássaro, é o eco da minha voz mais profunda, e quando olho os olhos de algum animal, não vejo diferença entre ele e eu mesmo.

Gradualmente minha existência separada foi sendo apagada e somente Deus restou.
Logo, onde devo procurar por Deus agora? Como devo procurar por Ele? Só Ele É. Eu não sou.
Eu estou na colina, e tudo que Ele quiser me dizer, é transmitido pelo silencio.
As árvores, os lagos, os rios, os riachos, a luz e as estrelas estão todos falando comigo na língua do silencio, e Eu compreendo. As palavras de Deus são claras para mim. Só posso escutá-lo quando me torno silente, não antes.

Não posso ser outra coisa que não compaixão.

No dia em que conheci a mim mesmo, Eu perdi muitas coisas e ganhei muitas outras. Das que ganhei, a maior delas, a mais importante foi a compaixão. Tudo passa a ser visto pelos olhos da compaixão. Não existem mais diferenças. Meus olhar não tem mais nada, e meu coração não tem mais nada, apenas compaixão.
No dia que você realiza a Si mesmo, seu Ser se torna Amor.
Não mais amor relacionado a alguém, nem direcionado a alguém em particular.
Amor que simplesmente flui em todas as direções e em todas as dimensões."
Osho em Autobiografia de um Místico Espiritualmente Incorreto.

20 de setembro de 2010

Espírito Universal...


"Há um espírito universal cuidando de tudo- dos pássaros, das abelhas, das árvores, das montanhas, dos rios, e das estrelas.

Você não pode ver a harmonia na existência? Você não pode sentir uma mão escondida cuidando de tudo? Tudo se ajusta tão perfeitamente não pode haver apenas um caos. Há um cosmos, algum poder oculto está trabalhando atrás disso.

Então por que você se preocupa tanto consigo mesmo a ponto de ter de preparar para o amanhã? Nenhuma árvore prepara para o amanhã, nenhum pássaro pensa no amanhã, nenhum animal jamais projeta futuro. Então por que você se preocupa desnecessáriamente com o futuro? Você não consegue ver o cosmos ao seu redor? Tudo é cuidado. Você pensa que aquele espírito universal - Deus, Tao, dharma - não cuidará de você? Você acha que o espírito universal o abandonou?

Kabir diz: Nós sentimos. A sensibilidade é necessário. Não é uma questão de conhecimento. Kabir não diz: Nós sabemos. Ele simplesmente diz, nós sentimos. É um sentimento de que algo cuida de tudo na existência. Um pequeno embrião é cuidado, o ínfimo na existência é cuidado - e o homem é o maior florescimento. Como Deus pode abandoná-lo? Seja paciente, espere, confie. Este é o significado da confiança: sentindo o cosmos, sentindo o espírito universal cuidando de tudo e de todos, a pessoa confia.(...)

Você esqueceu? Quem cuidava de você quando estava no ventre de sua mãe? Você não estava cuidando de você - não estava preocupado com onde conseguir oxigênio, onde obter comida. Algo estava acontecendo por si mesmo, naturalmente. (...) Durante nove meses você não teve uma única preocupação no mundo, nenhuma responsabilidade. (...)

Há uma lei sutil que mantém tudo em equilíbrio. Kabir diz: Sinta. Dê uma olhada em volta e você econtrará a assinatura de Deus em toda parte.

O pássaro começa a fazer seu ninho antes de chegar a hora, quando está botando os ovos. E o pássaro não está ciente do que está acontecendo. Alguém está guiando. Chame de natureza, de Deus, não faz diferença, é o mesmo. Mas uma coisa é certa: as coisas são cuidadas.

Então por que essa impaciência, por que esse planejamento? Então, por que essa pressa; então, por que essa preocupação? Seja paciente. Espere, confie, sinta -essas mãos invisíveis estão ao redor.(...)
Por que deveria o homem ser órfão? A mãe universal também é sua mãe. Você não é um estranho aqui, esta é sua casa. Você faz parte disso assim como as árvores e as estrelas.

Na verdade você é a parte mais valiosa da existência. Através de você, Deus ficou consciente pela primeira vez. Através de você, Deus está fazendo algo como um milagre; através de você, Deus está criando a maior florescência. Como você pode ser órfão?(...)

Você pensa que está separado? Uma onda pensando que está separada do oceano ficará louca, uma folha pensando que está separada da árvore ficará louca. Isso é o que está acontecendo ao homem.

Você não está separado, você não pode estar separado. Nem por um único instante você pode viver sem estar em Deus. Até mesmo quando negar a Deus, Deus continua vertendo vida em você, Deus continua a respirar em você.

Deus é sua vida.

Medite apenas sobre isso. No momento em que pensa que é uno com o Todo há um relaxamento; um súbito soltar acontece. Você não precisa se defender, pode relaxar. Não há necessidade de permanecer tenso, porque não há nenhuma meta privada a ser atingida por você.

Você flui com Deus.
A meta de Deus é sua meta, o destino dele é seu destino.
Você não tem um destino privado - o destino privado trás problemas.(...)
Abandone o "você", abandone o "eu", e deixe Deus fazer. E então não há fracasso, não há possibilidade de fracasso; então não há frustração.
Viva em Deus e viverá uma vida saudável, sensata e santa."
Osho em Revolução, conversas sobre Kabir.

19 de setembro de 2010

Aceitação Espontânea...

Eternidade...


Amanheço em meios as luzes do Espírito...
E desfaço as sombras passageiras,
Irradio o amor e a amizade
Como pétalas de rosas perfumadas.

Amanheço permitindo a liberdade,
Que sorri e que se encanta com a Existência,
Ombro a ombro, somos chamados a mesma dança,
Olho a olho, bailamos a mesma melodia divina,
E nem percebemos que é a dança
Que se faz em nós, e através de nós,
Deixando apenas, a leveza de crianças que brincam, no grande play da Vida.

O Entardecer me acontece quando me esvazio...
Esvazio do que já foi,
Do que nem foi,
Do que deveria ter sido.
O Entardecer que me diz para abandonar regras,
Despojar de normas, virar páginas,
Mudar.

O Entardecer acontece, em meio a nuvens pequeninas.
Me aponta novas cenas, novos rostos, novas vozes,
E me convida a virar a face, para enxergar novos ângulos da Existência,
Novas janelas para o céu,
Novas cores, dessa paleta infinita que é Deus.

Anoiteço em meio a Paz...
Paz que abraça todo o meu Ser.
Nessa vastidão interior faço-me uma com toda a vida,
Sem barreiras, tudo está incluído,
O sem forma se define como Amor,
Como Silêncio,
Como absoluto vazio pleno, transbordante.
Ali mora a Eternidade.

Ali já não existem frações,
Ali, somente o Absoluto.

Anoiteço no Amor...
Abando-me sem ser mais um 'eu',
Sou apenas oceano que se perdeu no nada original.
Sem palavras que possam sequer definir,
Existo apenas,
Sem existir,
Aquilo que era e sempre será...

18 de setembro de 2010

Esvaziando memórias...


Hoje eu queria propor a vocês um pequeno exercício !

Simples, fácil, mas que irá mostrar a vocês algo surpreendente.

Começa assim: Aí mesmo onde estão, lendo essas palavras comecem esquecendo o nome de vocês; sem nome....depois sua estória pessoal.... sua profissão....família, filhos....sem religião....sem crenças....agora esqueçam os desejos....os medos....os planos futuros....tudo o que foi e o que virá....esqueça o nome de tudo a sua volta....todos os objetos....rostos....tudo, como se você estivesse vendo tudo pela primeira vez, e tudo fosse novo, desconhecido....
Pare um instante e abra mão de todas essas memórias, fique vazio... façam isso agora...
Fechem seus olhos uns instantes e sintam o que acontece....fiquem o tempo que quiserem....

O que acontece nesse momento sem memória? Sem estória, sem medos ou desejos? Sem identidade?
Perceberam que o que fica é a simples sensação do existir? Que mesmo que tiremos tudo a volta, ainda assim temos a certeza absoluta que existimos...que estamos vivos e aqui-agora?

Essa é a consciência búdica! Essa é a base da meditação. Essa é a simplicidade dos ensinamentos orientais, que nos apontam a essência em nós, sempre presente, sempre clara e silenciosa, sempre ali ao alcance...
Basta que silenciemos nossa mente, e "descartemos" todas as alegorias que ficam a nossa volta.
Todas essas alegorias, são em realidade memórias, que trazemos ao longo de nossas vidas...mas foram "colocadas" em nossas mentes, foram sendo "coladas" em nós, mas não refletem a nossa real natureza, são como disse, memórias apenas memórias.

E nós na maioria das vezes, tomamos essas memórias por nós mesmos...como se nós fossemos nossas memórias...mas vocês viram por esse simples exercício que isso não é verdade.

Passamos bem sem elas. A consciência de que existimos, é que fica.
A consciência é que permanece observando e refletindo essas memórias, mas ela nunca foi e nunca será nenhuma dessas memórias, e porque? Porque a consciência não-identificada, é a nossa natureza verdadeira, ela permanece, as memórias vem e vão. São transitórias, são eventos, manifestações passageiras, que são projetadas na consciência, e esta desfruta dessa transitoriedade, brinca com esses eventos, apenas isso.

Assim como um espelho, a consciência acolhe, reflete as memórias, os eventos, mas o espelho permanece sempre intocado, pois não se transforma naquilo que reflete, apenas reflete.

Esse exercício simples, pode e deve ser feito sempre que quiserem. É a base de um aprofundamento, de uma retomada da nossa natureza profunda, que em um instante nos coloca em contato com o mais sutil, luminoso e eterno em nós. Isto é, nossa consciência, nossa certeza interior, que nos trás a deliciosa sensação: EU EXISTO / EU SOU / EU PERMANEÇO !
Amor
Lilian

17 de setembro de 2010

A vida agora...

Canais de Deus...


"Somos canais por onde Deus vive.
O universo é uma dança de energia que cria formas e nomes, corpos e mentes.
Essa dança é o movimento da energia criando e re-criando o plano do criador.

Neste exato momento você está vivenciando o plano do criador. Como ? Criando também.
Neste exato momento mil e uma coisas criativas estão acontecendo e você nem percebe. Seu sangue está circulando, sua respiração está acontecendo, suas células estão mudando, sua comida está sendo processada, suas feridas cicatrizadas, e tudo isso sem o seu controle consciente.

É um presente da vida.
O corpo e a mente são veículos usados pela Energia Cósmica, ou Consciência Pura, ou Deus, seja lá o nome que você quiser usar, para expressar no mundo a sua vontade.
É exatamente o que Jesus disse: “Pai, seja feita a Tua vontade”, dando o exemplo de total entrega ao plano divino.
Quando o corpo e a mente recebem a graça de se entregar à energia do Espírito Santo, que é a ponte entre o mundo manifesto e o mundo não manifesto, a ponte entre o homem e Deus, uma luz ilumina a mente e o corpo.

Essa luz é chamada de iluminação.
Portanto, iluminação é saber intuitivamente, claramente, que você e Deus são um processo único de descoberta e criação. Deus se conhece através de Seus Filhos.
A grande brincadeira cósmica, a grande Leela que falam os hindus, é justamente isto: VOCÊ NÃO ESTEVE, NÃO ESTÁ, E NUNCA ESTARÁ SEPARADO DE DEUS. PORQUE DEUS É TUDO QUE EXISTE EM VERDADE.

Deus é o oceano da vida, e nós somos as ondas da criação. Uma onda nasce, uma onda morre. Mas o oceano permanece.
Universos nascem, universos desaparecem. Mas a Fonte dos universos permanece.
Essa Fonte é o que os homens chamaram Deus.
Somos canais por onde Deus vive as suas múltiplas manifestações.
Ou seja, nós somos instrumentos da vida, não os autores.
Somos os instrumentos de cada ação e pensamento, mas o autor de cada ação e pensamento é Vida, Consciência ou Deus."
Somos canais por onde Deus vive, por Swami Sambodh Naseeb

16 de setembro de 2010

Manifestações passageiras...


As emoções que vivemos, e os pensamentos que passam por nós, são em verdade aspectos voláteis da consciência.

Muitas pessoas me perguntam, como pode ser isso? É muito simples.

Da mesma forma que vemos um objeto, e nós temos plena consciência que nós não somos aquele objeto, que ele é percebido por nós, e fazemos claramente a distinção entre nós e o objeto; Assim também são os pensamentos e as emoções;
Embora pareça que "somos os pensamentos" que "somos as emoções", na verdade não somos nada disso.
Se fossemos, como nós os perceberíamos? Quem observa os pensamentos e as emoções? Vocês já se perguntaram isso? Existe "algo" por trás, algo que observa tudo isso acontecer, algo que nos diz que esse pensamento ou essa emoção está acontecendo.

O que acontece é basicamente uma identificação.
Nós acreditamos que somos o que pensamos, somos o que sentimos, mas eles simplesmente vêem a nós, e vão de nós. Se nós fossemos os pensamentos e as emoções eles não passariam, ficariam permanentemente em nós, já refletiram sobre isso? Mas da mesma maneira que pela manhã posso estar feliz, ao meio dia estou medroso, e a noite estou triste, ou alegre, e assim vai ...

Observar o que acontece externamente é fácil. Sabemos claramente até aonde está meu corpo, e aonde começa o mundo, os objetos etc; Mas tomar consciência do que acontece internamente é mais difícil, pois desde pequenos fomos educados a acreditar que o que acontece dentro sou eu, é meu.
Mas isso também não é verdade.

A existência é uma só. Não tem divisões. Não tem fronteiras. Assim como o céu. É limpa, única e absoluta.

O que acreditamos sermos nós, cada um de nós, diferentes na aparência, na forma, até mesmo na índole, nas personalidades, gostos, tendências etc, são apenas aspectos manifestos, passageiros de uma mesma e única existência. Que se manifesta dura na pedra, perfumada na flor, brilhante no sol, molhada na chuva, e auto-consciente em nós.

Essa é a grandeza de cada um de nós. Somos ao mesmo tempo manifestação da existência e auto-consciência percebendo a si mesma.
Se superficializamos nossa percepção, caímos na "diferença". Se aprofundamos a percepção fatalmente alcançamos a unicidade. Já que ela é sempre presente, ela É de verdade !

Essa percepção é muito simples de ser alcançada. Os mestres do Oriente, nos deram todas as '"dicas" de como não sermos mais iludidos por tudo isso que acontece em nós e através de nós.
Sempre que algum pensamento nos ocorrer, para e se pergunte: Quem está percebendo esse pensamento? Quem está sentindo essa emoção? Imediatamente você irá se conectar com a consciência profunda que observa tudo acontecer na sua 'tela'. O que acontece é uma consciência de que EU EXISTO, nada mais. Sem nome, sem estória, sem crenças, sem nada...uma simples e permanente consciência de que EU SOU / EU EXISTO, nada mais.

Essa consciência que observa (EU SOU) é sempre pacífica, sempre disponível e a tudo acolhe, sem se envolver...é neutra.
Nossa essência pode, e deve ser alcançada e cultivada, para que seja plenamente manifesta na nossas vidas, e estejamos sempre em contato com ela, mesmo "vivendo" nossos filmes diários, de amor, de alegria, de tristeza, de decepção, de saudade, de medo, de tudo o mais...são apenas manifestações passageiras, são fenômenos como dizem os mestres, já que vivemos em uma dimensão de fenômenos, estes também estão acontecendo em nós e para nós.
Espero ter clareado alguma coisa!!
Caso tenham mais dúvidas entrem em contato, é uma alegria poder ajudar ok?
Amor
Lilian

15 de setembro de 2010

Simplicity...

Eu Creio...


“Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração é uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu de Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.”
Eu creio, por Fernando Pessoa

14 de setembro de 2010

Não sei quantas almas tenho...


"Não sei quantas almas tenho,
Cada momento mudei,
Continuamente me estranho,
Nunca me vi, nem acabei.
De tanto ser, só tenho a alma
Quem tem alma, não tem calma,
Quem vê, é só o que vê,
Quem sente, não é quem é,
Atento, ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce, e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue, não prevendo,
O que passou, a esquecer.
Noto à margem do que li,
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”Deus sabe, porque o escreveu."
Não sei quantas almas tenho por Fernando Pessoa

13 de setembro de 2010

Perfeição e Totalidade...


"Perfeição significa que você está criando uma tensão em sua vida, entre o que é e o que deveria ser.
Essa tensão é o que cria a esquizofrenia, cria a neurose.. Você fica dividido, não é mais uno, você se torna dois. E nunca será uno de novo, porque não há fim para sua imaginação.

Você sempre pode imaginar um estado melhor para as coisas. Onde quer que seja, você sempre pode colocar sua meta em algum lugar, lá no horizonte e o horizonte nunca é alcançado.

Você permanece não-preenchido, não porque a vida torne difícil você ser preenchido; a vida é toda para seu preenchimento. Você permanece não preenchido por causa de sua imaginação. A vida está pronta para lhe entregar tudo aquilo de que você precisa neste exato momento, mas sua ideia de perfeição se torna uma barreira.
Então você não pode amar, não pode viver, não pode cantar, não pode dançar. Toda celebração desaparecerá de sua vida, você se tornará mórbido. (...) Durante milhares de anos, o homem foi condicionado para ser neurótico. A alegria aparece quando você se aceita como é.

A alegria é uma função de imensa aceitação.

Perfeição significa você se rejeitar. E lembre-se quando você se rejeita você rejeita os outros também. Um perfeccionista é duro consigo mesmo e também com os outros. Ele não pode relaxar r não pode permitir que ninguém mais relaxe. Abandonar-se é impossível para ele, e condenará qualquer pessoa que estiver vivendo uma vida relaxada.(...)

Abandone a palavra "perfeição", é uma palavra suja, e uma das causas arraigadas de sua miséria. Você nunca poderá ser feliz com essa atitude diante da vida. Então você sempre está melhorando, então você está sempre progredindo. Toda sua energia é perdida tentando se aperfeiçoar, e nunca chega o dia de poder desfrutar. Quando ela pode vir? Como pode vir? Você sempre imagina um estado melhor para as coisas...
O horizonte continua retrocedendo. Você segue se aproximando, mas ele nunca chega. Você não pode chegar, a perfeição é um fenômeno ilusório. Esta é a primeira coisa que queria que entendessem.

A segunda coisa: a imperfeição é uma lei fundamental da vida. A homem é o único animal imperfeito. Cachorros não são imperfeitos; todo cachorro é perfeito, gatos são perfeitos, árvores são perfeitas. Nessa existência inteira, vasta, o homem é o único animal imperfeito. E é nisso que reside sua glória - por que na imperfeição há crescimento, há abertura, há evolução. Quando você é perfeito não há lugar algum para ir. A perfeição será um suicídio para a humanidade.(...)
Por causa da sua imperfeição, o homem floresce. Por não saber, desenvolveu a filosofia, a religião.
O homem é ignorante, isso o aflige. Ele tenta saber, torna-se curioso, explora, aventura-se.

Todos os animais estão satisfeitos, só o homem continua descontente.Essa é sua beleza. Do seu descontentamento, ele cresce, encontra novos modos de crescimento. Apenas o homem é ansioso, dominado pela ansiedade, em consequência, ele descobre novas técnicas de meditação.
Observe tudo que você tem- em cultura, em arte, em filosofia - tudo isso originou-se da imperfeição.
Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por totalidade.
Não pense em ser perfeito, pense em ser total. Totalidade lhe dará uma dimensão diferente. Este é o meu ensinamento: Seja total, esqueça, abandone a ideia de ser perfeito. Tudo o que está fazendo, faça-o totalmente - não perfeitamente, mas totalmente, e veja a diferença."
Osho em Revolução, conversas sobre Kabir.

11 de setembro de 2010

Verter Amor...


"Para ser um indivíduo, a pessoa deve se libertar de todos os ídolos, todas as projeções.

Para ser um indivíduo, a pessoa deve viver em insegurança, sem qualquer armadura. Ela deve ser vulnerável, sem qualquer proteção; deve viver perigosamente.
Pelo fato de ter medo, você cria um Deus. Seu Deus surgiu do medo.
E o Deus real nunca surge do medo. De onde surge o Deus real? O Deus real surge do Amor. E o falso do medo.

Lembre-se: sempre que rezar por medo, sua oração é falsa, espúria, uma perda completa de tempo. Quando você rezar por amor, sua oração é verdadeira.
Só o amor é verdade.

Mas a diferença deve ser entendida. Ao rezar por medo, você está pedindo para algum Deus, em algum lugar do céu, que lhe dê amor. Isso é implorar. (...) Uma criança quer amor, um adulto dá amor, essa é a diferença. E dos chamados adultos, nem todos são adultos. Crescer em idade não é crescimento real, enquanto crescer em consciência, é crescimento real. Crescer não significa necessariamente amadurecer, pode ser apenas uma passagem de tempo. Você pode envelhecer, não amadurecer. Você só envelhece, não fica mais sábio.(...)

Quando você é adulto, maduro, começa a dar amor, a compartilhar amor...(...) Quando você é imaturo é mendigo, o amor maduro, adulto, é um rei.
A partir do medo é que você cria um Deus que é imaturo, tão imaturo quanto você.

Por amor, você começa a ver Deus. O amor lhe dá olhos para ver que esta existência inteira está cheia de divindade. Então você não chama Deus de nome nenhum;
Lao Tsé diz: Eu não sei o seu nome, portanto chama-lo-ei Tao. Mas isso é só para indicar. Eu não sei o seu nome.
A religiosidade não tem nome, nenhuma limitação. Onde quer que verta seu amor, você descobrirá isso. Verta seu amor em uma árvore e a árvore se torna Deus. Verta seu amor em uma mulher, e a mulher é uma Deusa, verta seu amor em um homem, e o homem é um Deus.

Verta seu amor em qualquer lugar e de repente o amor torna isso possível, o amor cria o milagre, e Deus é descoberto.
Verter amor é uma forma de descobrir Deus."
Osho em A Revolução, conversas sobre Kabir
...
A existência nos convida a todo instante ao encantamento, ao deslumbramento, a admiração. Viver no amor, é viver permanentemente em estado de Graça, de Gratidão, Liberdade, Entrega, Abandono, e de Confiança Total....quando digo Total, é Total MESMO !!
Se estamos centrados em nossa consciência, somos capazer de enxergar a inteireza da existência, de forma simples e perfeita em si mesma.
Cada cena, cada instante são na verdade, janelas para o Todo manifesto.
Somos o Todo. Tudo é o Todo. E não há nem tem como haver qualquer separação.
Um Deus verdadeiro só pode ser um Deus Total. E Total inclui tudo, seja o que for...sem preferências nem escolhas...em absoluto e transbordante AMOR...
Lilian

9 de setembro de 2010

Quando o Amor bate a porta...



Se o amor bater a sua porta, não pense duas vezes, abra-a imediatamente !!!
Não se deixe levar pelas dúvidas, nem pelo medo.
Fale baixinho ao seu coração, escute o que ele tem a lhe dizer.
Entregue sua vida a ele, deixe que ele decida as escolhas da sua vida.

Saiba que o amor as vezes chega disfarçado.
Pode vir com uma carinha bonita ou um corpo sarado,
Mas pode vir também bem simplezinho, assim meio tímido, sem muito o que dizer,
Mas quando os olhos se encontram, os coração entram em sintonia,
Os céus se abrem, na hora !!!

Muitas vezes, o amor chega feito um trovão !
Arrasando, trombando cadeiras e mesas e tudo o mais !!
E isso é bem divertido também, mas não se engane, essa energia toda vai passar um dia,
E aí, o amor fica manso, gostoso e de fácil lidar..

O amor é o rei dos disfarces...
As vezes sorri, mas está chorando por dentro,
As vezes quer dizer coisas e não fala nada,
Ou as vezes faz cada coisa que a gente nem imagina!!
Age sem pensar mesmo...
Diz coisa sem sentido, faz coisas sem sentido,
E nem está aí pra isso, essa é que é a graça.
Tudo em nome do amor, mesmo !!!

Já via cenas de amor que me encantaram demais.
Beijos chorados na despedida de aeroporto.
Abraços que trocaram a maior energia, que os corpos ficaram eletrizados por dias..
Já vi brilhos nos olhares, que mais pareciam faíscas vivas..
Enfim, já vi e ouvi muitas coisas de amor,

Mas a coisa mais importante e mais bela de todas é que o amor não é uma coisa,
É perfume, sentimento, beleza, sopro.
E mesmo que nossas "mãozinhas" queiram de qualquer jeito pegá-lo, ou prendê-lo
Elas não conseguem.. Ele sempre escapa, voa, flui, sei lá...se vai mesmo...
Amor é para se vivido.
É para ser degustado.
É para ser admirado e principalmente respeitado, cuidado,
Pois é divino, é mágico, é poético,

E mesmo sendo assim tão "imaterial",
Tão subjetivo,
É a força mais poderosa do Universo,
Ainda não se inventou nada que chegasse nem perto dele,
E nós "sabemos" bem disso...
Quando o Amor bater a sua porta,
Abra-a, na hora ...
Com Amor
Lilian

Potencialidade total...


"Estou interessado na mente total, na mente que não é nem ocidental, nem oriental, que é apenas humana - a mente global. É fácil conviver com uma parte da mente, mas se quiser viver com ambas as partes, você terá que viver uma vida muito inconsistente.

Numa camada mais profunda, você terá uma consistência, uma harmonia espiritual.
O homem permanece espiritualmente pobre, a menos que a polaridade oposta seja também uma parte dele. Então ele enriquece. Se você é simplesmente um artista e não tem mente científica, sua arte está propensa a ser pobre.(...)

A mente não deve ser fixa. Um matemático será mais rico se puder mover-se para o mundo das artes. Se uma mente tiver a liberdade de se afastar de suas fixações principais e de então retornar a elas, ele será um matemático mais rico. Pelo oposto, acontece um cruzamento. Você começa a olhar as coisas de uma forma diferente. Sua perspectiva total será mais rica.(...)

Por exemplo, se me torno muito lógico, torno-me incapaz de entender poesia. A lógica transforma-se numa fixação. Então quando ouço poesia, minha fixação está ali. A poesia parece absurda. Não porque a seja, mas tenho uma fixação com a lógica. Do ponto de vista da lógica, a poesia é absurda.
Por outro lado, se me torno fixado em poesia, então começo a pensar na lógica como apenas uma coisa utilitária, sem profundidade nela. Torno-me fechado nela.(...)

Uma árvore cresce. Cortamos todos os galhos, exceto um e permitimos à árvore crescer somente numa direção. Será uma árvore muito pobre, muito feia e por último, ela é propensa a estar em dificuldades profundas,, porque um único galho não pode crescer por si mesmo; só pode crescer numa família de galhos. (...) Para a árvore crescer realmente, deve-se permitir-lhe que cresça em todas as direções. Somente então a árvore será rica forte.

O espírito humano deve crescer igual a uma árvore; em todas as direções. O conceito de que não podemos crescer em direções opostas deve ser abandonado. Realmente podemos crescer somente se crescermos em direções opostas.
Até agora, temos dito que o indivíduo deve se especializar, deve crescer somente numa direção específica. Então algo acontece. O Indivíduo cresce numa direção específica e lhe falta tudo. Ele se torna um galho, não uma árvore. E mesmo este galho é propenso a ser pobre.

Não apenas temos cortado os galhos da mente,, mas temos cortado as raízes. Permitimos uma raiz, e permitimos um galho, por conseguinte, um ser humano muito faminto tem se desenvolvido em todo o mundo: no Oriente e no Ocidente, em todas as partes. (...)

Nunca aceitamos o ser humano todo. Em algum lugar o sexo não é aceito. Num outro lugar, o mundo não é aceito. Noutro, a emoção não é aceita. Não temos sido fortes o suficiente para aceitarmos tudo o que é humano, sem condenação, e para permitirmos que os seres humanos cresçam em todas as direções. Quanto mais você crescer em direções opostas, maior será o crescimento, a riqueza, a afluência interior. Nossa perspectiva total deve mudar.(...)

Algo tem sempre que se negado e desprezado. "Isto é nocivo", "Isto é mau", "Isto é pecado".
Tenho que continuar a cortar galhos. Em breve não sou absolutamente uma árvore, uma coisa vivente. E lá está sempre o medo de que os galhos que neguei possam surgir de novo, possam crescer de novo. Torno-me temeroso de tudo. A doença se estabelece: uma tristeza, uma morte.
Continuamos a viver vidas parciais que estão mais próximas à morte que à vida. O indivíduo deve aceitar a potencialidade humana total."
Osho em Psicologia do Esotérico.

8 de setembro de 2010

Hábitos...


"Os hábitos são mecânicos, eles se repetem. Quanto mais você repete algo, mais eficiente você se torna.
Eficiência significa que agora a consciência não é mais nessária. Se você é um datilógrafo eficiente, significa que nenhum esforço é necessário: o datilografar pode ser feito inconscientemente. O corpo está datilografando, o homem não é necessário.
Eficiência significa que a coisa está tão certa, que nenhum erro é possível. Com a liberdade, o erro é sempre possível. Uma máquina não pode cometer erros. Para errar, o indivíduo tem de estar consciente. Assim, seus atos têm uma cadeia de relações com os seus atos anteriores. Eles são determinados.
Sua infância determina sua juventude; sua juventude determina sua velhice; Seu nascimento determina sua morte; tudo é determinado.

Buda costumava dizer: "Providencie a causa, e o efeito estará ali". Este é o mundo da causa e efeito, no qual tudo é determinado.
Se você aje com total consciência, uma situação de todo diferente existe. Então tudo é momento a momento. A consciência é um fluxo, ela não é estática, continua a se tornar nova, jovem, fresca. Então seus atos serão expontâneos.

Lembro-me de uma história Zen: Um mestre perguntou ao seu discípulo uma questão. A questão foi respondida exatamente como devia ser respondida. No dia seguinte, o mestre perguntou exatamente a mesma questão. O discípulo disse: " Mas eu respondi esta questão ontem".
O mestre explicou. "Agora eu estou perguntando-lhe de novo". O discípulo repetiu a mesma resposta. O mestre disse: "Você não sabe! "

O discípulo contestou: " Mas ontem eu respondi do mesmo jeito e você balançou a cabeça afirmativamente. Assim, eu interpretei que a resposta estava correta. Porque você mudou de ideia agora?".
O mestre retrucou, " Tudo que pode ser repetido, não está vindo de você. A resposta veio de sua memória, não da sua consciência. Se você realmente soubesse, a resposta seria diferente, porque muito mudou. Eu não sou o mesmo homem que lhe fez esta pergunta ontem. Toda a situação é diferente. Você também é diferente, mas a resposta é a mesma. Eu tive que perguntar a questão de novo, apenas para ver se você repetiria a resposta. Nada pode ser repetido".

Quanto mais vivo você está, menos repetitivo. Só um homem morto pode ser consistente. Viver é incosistencia; vida é liberdade. A liberdade não pode ser consistente. Consistente com o quê? Você só pode ser consistente com o passado.
Uma pessoa iluminada é consistente somente com sua consciência; ela jamais é consistente com seu passado. Ela está totalmente no ato. Nada é deixado para trás; nada é desprezado. No momento seguinte o ato se acaba e a consciência está novamente fresca.
A consciência estará ali, sempre que qualquer situação surgir, mas cada ato será realizado em completa liberdade, como se fosse a primeira vez que este homem esteve nessa situação particular."
Osho em Psicologia do Esotérico.

7 de setembro de 2010

Yuriko Nakamura- Eternity

Amar perdidamente...


"AMAR,
Eu quero amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui...ali...além...
Mais este e aquele e o outro e a toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza, nada
Que seja a minha noite alvorada,
Que eu saiba me perder...pra me encontrar..."
Amar por Florbela Espanca

6 de setembro de 2010

Vidas predeterminadas?


Osho, nossas vidas são predeterminadas ou não?

"Nossas vidas são ambas, predeterminadas e não são. Ambas, sim e não. E ambas as respostas são verdadeiras para todas as questões acerca da vida.
De uma certa forma, tudo é predeterminado. O que quer que seja físico em você, material, que quer que seja mental, é predeterminado.
Mas algo em você permanece constantemente indeterminado, impredizível. Este algo é a consciência.
Se você está identificado com seu corpo e com sua existência material, na mesma proporção você é determinado por causa e efeito. Então você é uma máquina.
Mas se você não está identificado com a sua existência material, nem com o seu corpo ou a mente - se você pode sentir a si mesmo como algo separado, diferente, acima e transcendente ao corpo e a mente- então esta consciência transcendente não é predeterminada. É espontânea, livre.

Consciência significa liberdade.
Matéria significa escravidão.

Logo depende de como você define a si próprio. Se você diz: Eu sou apenas o corpo. Então tudo a seu respeito é completamente determinado.
Uma pessoa que diz que o homem é apenas o corpo, não pode dizer que o homem não é predeterminado. Habitualmente, as pessoas não acreditam em predeterminação. O que eu digo, portanto pode parecer muito contraditório. Mas ainda assim, é o caso.

Uma pessoa que tenha conhecido a consciência, conheceu a liberdade. Portanto só uma pessoa espiritual pode dizer que não há absolutamente determinação. Essa realização surge apenas quando você está completamente não identificado com seu corpo.

Se você sente que é apenas uma existência material, então nenhuma liberdade é possível. Com a matéria nenhuma liberdade é possível. Matéria significa aquilo que não pode ser livre.
Ela deve fluir na cadeia de causa e efeito.
Uma vez que alguém tenha alcançado a consciência, a iluminação, ele está completamente fora do domínio da causa e do efeito. Ele torna-se absolutamente impredizível. Você não pode dizer nada sobre ele. Ele começa a viver cada momento; sua existência torna-se atômica."
Osho em Psicologia do Esotérico

5 de setembro de 2010

Yanni - Mother Night

O Essencial...


Mahavira passava por um vilarejo com seu discípulo, Goshalak - que mais tarde se tornou seu oponente - quando eles depararam uma pequena planta, e Goshalak disse a Mahavira:
"Escute, aqui está uma planta. O que você acha? Ela irá crescer e produzir uma flor ou ela morrerá antes de florescer?"

Mahavira imediatamente fechou seus olhos e sentou-se defronte a planta.
Goshalak espertamente disse: "Não fuja do assunto. O que acontecerá por fechar seus olhos?" Ele não sabia porque Mahavira ficou silencioso e fechou seus olhos - que ele estava procurando o essencial. Era necessário ir bem fundo no ser, na alma da planta. Sem fazer isso, não seria possível dizer o que iria acontecer.
Após um momento Mahavira abriu seus olhos e disse: "Essa planta sobreviverá para florescer".

Goshalak imediatamente arrancou a planta pelas suas raízes, a jogou fora e riu zombeteiramente. Não havia melhor maneira de refutar a declaração de Mahavira.
Mahavira não tinha nada mais para dizer agora porque Goshalak tinha desenraizado a planta e a jogado fora como um desafio.
Ele estava rindo, Mahavira estava sorrindo e eles continuaram sua jornada.

Então começou a chover fortemente. Era uma tempestade, e por sete dias continuamente, caíram chuvas torrenciais, assim eles não puderam sair por sete dias completos.
Quando as chuvas amainaram e eles estavam retornando, no caminho eles chegaram ao mesmo ponto onde sete dias antes Mahavira tinha fechado seus olhos para conhecer o ser interior da planta. Eles virão que a planta estava novamente de pé com suas raízes no solo.
Devido as fortes chuvas e ventos, a terra tinha ficado úmida e solta, e as raízes da planta haviam cavado nela.

Mahavira novamente fechou seus olhos e ficou de pé em silêncio ao lado da planta.
Goshalak ficou muito embaraçado - ele tinha desenraizado e jogado fora à planta.
Quando Mahavira abriu seus olhos, Goshalak disse: "Estou surpreso e confuso. Eu desenraizei essa planta e a joguei fora, e ela está crescendo novamente".
Mahavira respondeu: "Ela irá sobreviver para florescer. Fechei meus olhos para ver a potencialidade interior e a condição da semente: se ela era capaz de enraizar-se novamente tendo sido uma vez desenraizada, se ela era suicida ou não, se ela tinha um instinto forte ou um desejo de morrer. Se seu instinto fosse suicida ela teria usado sua ajuda para morrer. Eu queria ver se ela estava ansiando por viver; se ela estivesse determinada a viver, ela viveria. Eu sabia que você iria desenraizá-la e jogá-la fora."

Goshalak perguntou: "O que você está dizendo?"
Mahavira disse: "Quando eu estava olhando dentro do ser interior da planta com meus olhos fechados, também vi você de pé,determinado a arrancá-la. Eu sabia que você iria arrancar a planta. Eis porque era necessário conhecer a capacidade interior da planta de viver, quanta auto confiança e força de vontade ela tinha. Se ela estivesse esperando morrer e procurando uma desculpa, você teria sido uma desculpa suficiente para ela morrer; senão, a planta desenraizada novamente se enraizaria".

Faltou coragem a Goshalak desenraizar a planta novamente. Ele estava assustado. Anteriormente Goshalak tinha ido rindo para a vila;desta vez, Mahavira seguiu adiante sorrindo.
Goshalak então perguntou: "Porque você está rindo?"
Mahavira disse: "Eu estava observando e apenas pensando sobre sua capacidade - se você poderia arrancar a planta pela segunda vez ou não".
Goshalak disse: "Você pode ver se eu faria isso ou não?"

Mahavira respondeu: "Isso era não-essencial. Você podia tê-la arrancado, ou não. Mas o que era essencial e inevitável é que a planta ainda desejava viver. Todo seu ser, toda sua vitalidade queria viver. Isso era essencial. O que era não-essencial era você jogá-la fora ou não, e isso dependia de você. Mas você provou ser mais fraco e menos determinado do que a planta. Você foi derrotado."
Osho em Astrologia uma porta para a Religiosidade

Nesse trecho nosso amado Osho, nos mostra como o essencial realmente, é invisível aos olhos comuns... mas tudo pode, tudo sabe, tudo alcança...
O profundo, o essencial que é vivo em nós, na verdade é o que nos conecta com toda a existência, com toda a criação. O que aparentemente difere na superfície, no profundo, na essência, são a mesma e única verdade.
Sempre que aprofundamos em nós mesmos, silenciamos nossa mente, e deixamos o silencio da consciência emergir, ele sempre vem repleto de luz, de vida e sabedoria.
Assim como o eixo de uma roda, tudo gira a sua volta, mas o eixo permanece imóvel, alcançar a dimensão do essencial em nós, é criar pontes com toda a criação, com isso, espaço e tempo desaparecem, e o agora surge, absoluto e luminoso.
Viver na essência é viver na nossa natureza pura, na consciência que é única, onipresente, indivisível e sábia.
Nesse texto, Osho nos mostra também como é o nosso essencial que nos define. É através dessa força interior que alçamos voo na vida, que conquistamos e vencemos grandes desafios, e nos superamos... se estamos conectados com nossa essencial, a força vital, emerge plena, abundante, radiante.
E mesmo que tenhamos nossas raízes arrancadas muitas e muitas vezes, a vontade de viver, de celebrar a vida e florir, emerge novamente, quantas vezes forem necessárias...
Pois viver no essencial é viver para sempre...é ser imortal...
Amor
Lilian

4 de setembro de 2010

Poesia da Existência...


"O que está errado com o poeta? Há algo errado com o poeta aos olhos do filósofo - porque o poeta é ilógico, e o poeta permanece em estado de inocência e o poeta confia no mistério da vida, e também não tenta saber, o poeta vive esse mistério da vida. Ele não está preocupado com o porquê dela, ele não se preocupa em analisá-la em dissecá-la.

Quando se encontra uma flor ele a desfruta. Ele a ama. Fala com a flor, comunica, dança ao redor dela, celebra-a. Mas não se preocupa em saber porque essa flor está aí. O porque nunca ocorre ao poeta. Ele aceita as coisas como são- não entra no seu passado, não busca a causa original e não se preocupa com o fim último. Esse momento é tudo para o poeta; ele é absorvido no aqui e no agora.

A religião é a forma máxima de poesia, a forma essencial de poesia. Assim eu digo a vocês é preciso compreender o Ahh!!! das coisas e então tudo é compreendido; lembrem-se compreendido não é conhecimento. Conhecimento é objetivo, compreensão é subjetivo.

Você compreende quando ama. (...)
O poeta compreende, o místico, o religioso compreendem, eles não sabem. E a compreensão só é possível quando você participa - quando não fica de fora, mas quando mergulha.
Compreender uma flor significa se tornar flor, compreender uma mulher, significa se tornar aquela mulher; compreender um homem significa interagir tão totalmente com aquele homem que todos os limites são fundidos, que seus seres começam a se sobrepor um ao outro, que chega um momento de encontro em que é muito difícil dizer quem é quem.

Quando dois seres pulsam em tal uníssono, é quase como se fossem um - quando as batidas de seus corações estão no mesmo ritmo, quando respiram como se houvesse apenas uma alma, talvez dois corpos, mas uma alma - quando a participação for tão total, só então você conhece.

Se você puder fundir-se com a existência, então você é religioso. Esse fundir-se eu chamo de oração. Quando alguém se fundiu tão profundamente com a existência, que não fica diante dela como aquele que conhece, separado do conhecido, mas quando aquele que conhece e o conhecido tornaram-se um- naquele momento são revelados os segredos. Entretanto os mistérios não são destruídos, os mistérios são aprofundados mais e mais.

Lembre-se sempre que, se os mistérios da sua vida continuarem a se aprofundar, você está na trilha certa. Se começar sentindo que não há nenhum mistério na vida e você se torna instruído, está no caminho errado.
Seja tanto quanto possível um poeta - porque o místico é o crescimento do poeta. O poeta está a caminho de ser um místico e só um poeta pode ser um místico.(...)

A poesia significa unidade, o conhecimento significa divisão. A poesia significa fazer pontes e conhecimento significa romper pontes.
Se o homem moderno parece tão triste, vazio, a razão é que a filosofia teve sucesso - a razão é que a filosofia liberou muito conhecimento. E as universidades continuam a encher suas cabeças com conhecimento.(...)
A poesia está muito perto do silêncio, porque ela diz e, no entanto, não diz. Esta é a definição de poesia : ela diz e não diz. Usa as palavras de tal modo que o silêncio não é perturbado.
Usa sons de um modo hábil que o silêncio é aumentado, não destruido.(...)

Mergulhe dentro de si mesmo e tocará aquele âmago de maravilhar-se que ainda está lá.
Você ainda é uma criança, e as vezes essa criança vem à tona. Em momentos de amor, em momentos de alegria, às vezes escutando música ou vendo um por do sol, a criança aparece -e novamente você está correndo atrás de borboletas e novamente seus olhos tem brilho e novamente seu coração está batendo em um ritmo novo. Isso acontece de vez em quando com todo mundo.
A pessoa religiosa faz disso sua própria vida. A pessoa religiosa é aquela que faz disso seu próprio estilo; ela vive em maravilha, ela respira em maravilha, ela caminha em maravilha. Tudo cria maravilha nela - um seixo ou uma folha seca é tão maravilhosa quanto qualquer coisa. Se você tem os olhos para maravilhar-se então o milagre encontra-se em todos os lugares; está espalhado por todo lado.
A existência é feita de um material chamado milagre.
É milagrosa, de uma extremidade a outra - você apenas precisa ter olhos que ainda sejam capazes de maravilhar-se. Os olhos que ainda são capazes de se maravilhar, são jovens e os olhos que não são mais capazes de maravilhar-se são cegos, velhos e mortos.

Limpe a poeira dos seus olhos. Por poeira quero dizer conhecimento. Se você puder aprender só uma coisa aqui comigo, se você puder aprender a maravilhar-se, você aprendeu tudo. Se puder tornar-se inocente novamente, como era em sua infância, você está muito perto de Deus.
Osho em A Revolução, conversa sobre Kabir

3 de setembro de 2010

Reflections of a Mature Heart...

Mistério da Vida...


"A vida é um mistério.
Como alguém consegue estar certo a respeito dela?
Ela é um grande fluxo e tudo está sempre mudando rapidamente.
Como você pode estar certo sobre um rio?
Como você pode estar certo sobre a forma de uma nuvem?
Como você pode estar certo sobre a vida?
A forma das nuvens, o fluxo do rio, o vento que passa invisivelmente através dos pinheiros... Você apenas escuta o som, você não consegue pegá-lo, você não consegue agarrá-lo, você não consegue reduzi-lo a uma conclusão.
Todas as conclusões são falsas, porque todas as conclusões são a respeito de alguma coisa morta. A vida nunca pode ser enclausurada dentro de uma conclusão, dentro de uma teoria, dentro de uma hipótese."
Osho em The Sacred Yes.

Sempre que tentamos explicar a vida, ela nos escapa, ela transborda em novas e novas dimensões, e nossa lógica cai por terra...
A mente, a razão tenta, mas não consegue compreender, nem alcançar as infinitas nuances que a vida cria, momento a momento.
As leis da ciência procuram abraçar o máximo que podem, das chamadas leis naturais. Mas a cada momento novas leis precisam ser criadas, pois alguma nova descoberta pois por terra as leis antigas...ou seja, não tem como enquadrar a vida e sua melodia..é impossível !!

Lembro de uma passagem curiosa que li, que se passou entre Aristóteles e Heráclito, na Grécia antiga. Aristóteles um gênio da ciência e Heráclito um místico, mal compreendido.
Heráclito um belo dia estava a beira do mar, com um pequeno balde, e ia e vinha com uma pequena concha colocando água do mar dentro do seu balde. Eis que chega Aristóteles e vê aquela cena e pergunta: - Heráclito, o que você pretende com isso?
Heráclito responde: - Estou tentando colocar o oceano dentro desse balde.
Aristóteles riu: - Imagine só. Isso é impossível, olhe o tamanho do oceano e o seu balde. Isso é loucura, você jamais conseguirá.
E Heráclito então se vira e fala: - Mas não é isso que você também tenta fazer com sua ciência. Colocar toda a Existência dentro da sua mente, da sua lógica..isso também é impossível, você também jamais conseguirá.

O coração porém, com sua pureza original, sua simplicidade verdadeira, apenas observa e dança com a vida, celebra com ela, se faz dela...e com isso brinda as cores, as formas, o que vier...seja o clima que for o coração acolhe em si mesmo e agradece...celebrando, usufruindo e dando graças...
E isso é tudo..tudo que se pode fazer, tudo que se pode ser...
Amar a Vida, a Existência é dar a ela, a Deus, um imenso SIM...um sagrado SIM...
Essa é a prova maior que vivemos no coração, não na mente, e que deixamos de lado todos os conflitos, buscas, desejos, anseios e passado... tudo perde absolutamente em importância...pois o que permanece é sempre a Existência nova em folha, cintilante e plena em si mesma...e isso é mais que suficiente...isso é TUDO...
Amor
Lilian

2 de setembro de 2010

Ensinamentos...


"Tudo que existe tem origem em uma Pura Potencialidade. Esta Potencialidade pode ser chamada de Fonte da Vida, Deus, Suprema Inteligência, Vazio Infinito, Potencial Criativo... Esta origem de tudo que existe, de todos os universos, de todos os estados de consciência, de toda a criação e vida não conhece espaço ou tempo, não conhece conflito, nem evolução ou involução, pois não há nenhuma dualidade nisto. Esta unicidade é inconsciente de si mesma e cria a partir dela a consciência para se tornar consciente de Si.

A consciência pura é a filha desta potencialidade. Com o seu aparecimento, a unicidade aparentemente toma dois aspectos: espiritual e material.

A consciência pura, portanto, é o movimento da Unicidade. Este movimento da Unicidade nós chamaremos de Dualidade. Porque Dualidade? Porque aquilo que era uno, que era inconsciente de Si, agora passa a tomar consciência de Si, com o nascimento da consciência. Deus começa a conhecer Ele mesmo. E como ocorre este processo de conhecimento? Para haver conhecimento é preciso que o UNO se divida em dois aspectos distintos e complementares: o conhecedor e aquilo que é conhecido. É preciso que haja um sujeito e um objeto. Então há o nascimento do corpo para que a consciência possa operar.

O conhecedor é consciência, e o conhecido é o mundo. O conhecedor é sempre espírito, consciência pura, enquanto que o que acontece como energia em movimento (vida) é na verdade a parte material desta consciência, fazendo parte seu corpo e sua mente desta parte material. EU SOU é espírito consciente, e o mundo é parte de mim, parte dessa consciência material. O que EU SOU é invisível. Enquanto o mundo e meu corpo físico (que faz parte do mundo) é visível. Consciência, portanto, é formada por estes dois aspectos: invisível e visível, yin e yang, feminino e masculino, negativo e positivo, o desconhecido e o conhecido, o Pai e o Filho.

O paraíso é relembrar quem você é. O alinhamento corpo/mente/consciência como unos e inseparáveis do que você é em realidade, revela o paraíso. Consciência universal é a origem do que somos no mundo manifesto, e ela representa toda a existência. Consciência individual é a aparência que tomamos como um corpo físico, e representa o ego/mente.

A pergunta QUEM SOU EU? é apenas um artifício para levar a mente de volta para sua origem silenciosa. A mente é pensamento. De onde vem o pensamento? Veja por si mesmo que todo o pensamento surge na consciência. E quem é você mesmo agora? Consciência pura. Sem pensamentos você continua existindo. Como? Como consciência pura. Quando você se identifica com um pensamento tipo “Eu sou imperfeito”, cria uma sub-consciência que se toma como uma identidade separada da vida: mente/ego. Ver todos os pensamentos como uma aparência na consciência é a chave da paz.

Consciência é anterior a tudo. Sem consciência não há nada. Pensamentos são conteúdos dessa consciência. Eles aparecem na consciência como as ondas aparecem no oceano. Pensamentos surgem e desaparecem na consciência universal que somos. Tudo é consciência e esta consciência é uma sobra do não-manifesto Pai eterno, aquilo que é não-criado, atemporal, e além de todos os conceitos. Portanto, o real é este infinito. A criatura e o criador são um só processo. Na tradição religiosa, o Pai e o Filho, O Absoluto e o Relativo, o Eterno e o Finito, podem ser vistos agora como complementos de um processo único.

O ponto do ensinamento é trazer a atenção para esta consciência pura. Esta consciência é silenciosa, compassiva, e sem conteúdo. Quanto mais fixarmos a nossa atenção na consciência, mais ela se expande para nós, e quanto mais ela se expande, mais percebemos que nosso tamanho real é muito maior do que imaginávamos até então. Nossas crenças limitam a energia. Padrões de pensamento criam caroços e vícios energéticos. Mas tudo isso pode ser visto como parte da mente, mas não parte do que somos como consciência pura. O que somos está livre. O que somos é uma testemunha de toda a ação do corpo e todo pensar da mente. Isso é meditação!

Nisargadatta diz: “O que você parece ser como fenômeno é apenas conceitual. O que você realmente é não pode ser compreendido pela simples razão de que no estado não-conceitual não pode haver ninguém a compreender”. Perfeito! Ora, se a mente é puro conceito, se tudo que você pensa de você e o mundo é puro conceito, e se o seu eu também é um conceito, então como o conceito pode compreender o não-conceito? Nisargadatta está tirando as bases de toda a busca e resumindo tudo: você é silêncio consciente. E além do mundo você é apenas silêncio, Pura Potencialidade.

O mundo é a expressão ativa da consciência universal. O que os sábios chamam de ilusório é confundir este corpo com o EU REAL. A sombra não pode ser a substância, logo, o EU REAL não pode ser o ego e nem o corpo. O EU é sempre o divino! O EU É SEMPRE ESPÍRITO!

Uma pessoa é o processo de objetivação daquilo que não tem forma, do Absoluto. Para existir uma pessoa é preciso haver consciência. Relembrar esta origem como consciência pura e fixar residência no silêncio que vem antes da manifestação é o ponto da meditação. Com isso, o organismo passa a ser uma expressão direta da consciência, não tendo mais a mente como intermediaria. O que faz a mente como intermediaria? Ela impede a inteligência natural de se manifestar na sua vida.

A inteligência espontânea e natural vem da consciência. A mente é apenas um arquivo de experiências vividas. Ela relembra o passado e imagina um futuro. Mas tudo isso no mundo virtual dos conceitos. Vida vivida diretamente não necessita da mente como intermediaria. Essa inteligência opera no agora, não precisando do tempo para se manifestar. A consciência é a inteligência natural da vida. E se você quiser usar sua memória, a mente será apenas uma boa serva.

O ouro está no anel, mas o anel não é o ouro. Anel é a forma do ouro. Assim como seu corpo é a forma da consciência! Mas o ouro existe sem o anel de ouro. O que você é existe mesmo sem forma. Consciência é a sua raiz, a sua base. Consciência é sua essência. Consciência é a alma da meditação. Meditação real é acordar para o verdadeiro EU - Consciência. Sofrimento é decorrente de uma identificação errônea com o que não somos. O sábio diz: Identifique-se com a consciência sem forma, contemple o espírito que você já é agora, e permita-se observar a existência do corpo e da mente, deixando-os fazerem as melhores escolhas que puderem, mas mantendo-se desperto e alerta ao seu EU REAL que é sempre perfeito, imutável, divino, pura presença consciente - o milagre dos milagres e razão de tudo que existe."
Pontos Básicos do Ensinamento Não-Dual - por Swami S. Naseeb
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