5 de setembro de 2010

O Essencial...


Mahavira passava por um vilarejo com seu discípulo, Goshalak - que mais tarde se tornou seu oponente - quando eles depararam uma pequena planta, e Goshalak disse a Mahavira:
"Escute, aqui está uma planta. O que você acha? Ela irá crescer e produzir uma flor ou ela morrerá antes de florescer?"

Mahavira imediatamente fechou seus olhos e sentou-se defronte a planta.
Goshalak espertamente disse: "Não fuja do assunto. O que acontecerá por fechar seus olhos?" Ele não sabia porque Mahavira ficou silencioso e fechou seus olhos - que ele estava procurando o essencial. Era necessário ir bem fundo no ser, na alma da planta. Sem fazer isso, não seria possível dizer o que iria acontecer.
Após um momento Mahavira abriu seus olhos e disse: "Essa planta sobreviverá para florescer".

Goshalak imediatamente arrancou a planta pelas suas raízes, a jogou fora e riu zombeteiramente. Não havia melhor maneira de refutar a declaração de Mahavira.
Mahavira não tinha nada mais para dizer agora porque Goshalak tinha desenraizado a planta e a jogado fora como um desafio.
Ele estava rindo, Mahavira estava sorrindo e eles continuaram sua jornada.

Então começou a chover fortemente. Era uma tempestade, e por sete dias continuamente, caíram chuvas torrenciais, assim eles não puderam sair por sete dias completos.
Quando as chuvas amainaram e eles estavam retornando, no caminho eles chegaram ao mesmo ponto onde sete dias antes Mahavira tinha fechado seus olhos para conhecer o ser interior da planta. Eles virão que a planta estava novamente de pé com suas raízes no solo.
Devido as fortes chuvas e ventos, a terra tinha ficado úmida e solta, e as raízes da planta haviam cavado nela.

Mahavira novamente fechou seus olhos e ficou de pé em silêncio ao lado da planta.
Goshalak ficou muito embaraçado - ele tinha desenraizado e jogado fora à planta.
Quando Mahavira abriu seus olhos, Goshalak disse: "Estou surpreso e confuso. Eu desenraizei essa planta e a joguei fora, e ela está crescendo novamente".
Mahavira respondeu: "Ela irá sobreviver para florescer. Fechei meus olhos para ver a potencialidade interior e a condição da semente: se ela era capaz de enraizar-se novamente tendo sido uma vez desenraizada, se ela era suicida ou não, se ela tinha um instinto forte ou um desejo de morrer. Se seu instinto fosse suicida ela teria usado sua ajuda para morrer. Eu queria ver se ela estava ansiando por viver; se ela estivesse determinada a viver, ela viveria. Eu sabia que você iria desenraizá-la e jogá-la fora."

Goshalak perguntou: "O que você está dizendo?"
Mahavira disse: "Quando eu estava olhando dentro do ser interior da planta com meus olhos fechados, também vi você de pé,determinado a arrancá-la. Eu sabia que você iria arrancar a planta. Eis porque era necessário conhecer a capacidade interior da planta de viver, quanta auto confiança e força de vontade ela tinha. Se ela estivesse esperando morrer e procurando uma desculpa, você teria sido uma desculpa suficiente para ela morrer; senão, a planta desenraizada novamente se enraizaria".

Faltou coragem a Goshalak desenraizar a planta novamente. Ele estava assustado. Anteriormente Goshalak tinha ido rindo para a vila;desta vez, Mahavira seguiu adiante sorrindo.
Goshalak então perguntou: "Porque você está rindo?"
Mahavira disse: "Eu estava observando e apenas pensando sobre sua capacidade - se você poderia arrancar a planta pela segunda vez ou não".
Goshalak disse: "Você pode ver se eu faria isso ou não?"

Mahavira respondeu: "Isso era não-essencial. Você podia tê-la arrancado, ou não. Mas o que era essencial e inevitável é que a planta ainda desejava viver. Todo seu ser, toda sua vitalidade queria viver. Isso era essencial. O que era não-essencial era você jogá-la fora ou não, e isso dependia de você. Mas você provou ser mais fraco e menos determinado do que a planta. Você foi derrotado."
Osho em Astrologia uma porta para a Religiosidade

Nesse trecho nosso amado Osho, nos mostra como o essencial realmente, é invisível aos olhos comuns... mas tudo pode, tudo sabe, tudo alcança...
O profundo, o essencial que é vivo em nós, na verdade é o que nos conecta com toda a existência, com toda a criação. O que aparentemente difere na superfície, no profundo, na essência, são a mesma e única verdade.
Sempre que aprofundamos em nós mesmos, silenciamos nossa mente, e deixamos o silencio da consciência emergir, ele sempre vem repleto de luz, de vida e sabedoria.
Assim como o eixo de uma roda, tudo gira a sua volta, mas o eixo permanece imóvel, alcançar a dimensão do essencial em nós, é criar pontes com toda a criação, com isso, espaço e tempo desaparecem, e o agora surge, absoluto e luminoso.
Viver na essência é viver na nossa natureza pura, na consciência que é única, onipresente, indivisível e sábia.
Nesse texto, Osho nos mostra também como é o nosso essencial que nos define. É através dessa força interior que alçamos voo na vida, que conquistamos e vencemos grandes desafios, e nos superamos... se estamos conectados com nossa essencial, a força vital, emerge plena, abundante, radiante.
E mesmo que tenhamos nossas raízes arrancadas muitas e muitas vezes, a vontade de viver, de celebrar a vida e florir, emerge novamente, quantas vezes forem necessárias...
Pois viver no essencial é viver para sempre...é ser imortal...
Amor
Lilian

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails