31 de dezembro de 2014

Tudo é uma bênção - Osho


"A mente queixosa nunca pode ser religiosa.

É impossível a mente queixosa ser religiosa porque a mente que se queixa não
se tornou cônscia de uma realidade básica: Que a existência lhe ama, que ela cuida de você, que você tem a amizade dos ventos, da chuva, do sol, da lua.

O que quer que aconteça... pode parecer uma maldição para você, mas nunca é uma maldição, é sempre uma bênção. 


Talvez no princípio possa parecer como uma maldição, pois nossa visão é muito limitada, nossa perspectiva é muito pequena. 

Não podemos ver a coisa toda, não podemos ver todas as implicações disso. Não podemos ver a série inteira de eventos que se seguirá depois disso; senão estaríamos sempre gratos, nos sentiríamos sempre abençoados.

Mesmo na morte, um homem de compreensão encontra imensa gratidão para com a existência, porque para ele a morte é um descanso. Para ele a morte não é o fim da vida, mas o começo de uma vida bem maior do que esta. 
Essa vida foi somente um ensaio da vida real – não era real.
A peça real começa após a morte – para aqueles que compreendem. Para aqueles que não compreendem, eles pensam, que o ensaio é a coisa real e quando o ensaio termina, eles lamentam e choram, e se apegam, e não querem deixá-lo.
Tudo é uma bênção."
Osho em Eu sou a porta

***

Deixemos a mente queixosa de lado e vamos abrir nossos corações à gratidão.
O Amor nos abraça, nos cuida e nos convida à dança da Existência sempre nova, radiante, e bela...
Que possamos adentrar 2015 plenamente abertos, despertos, radiantes, luminosos!! Coração à mil, transbordando em gratidão, amor, compaixão, solidariedade..
A festa continua, é sem começo nem fim.. A dança é eterna..
Assim como os olhos de uma criança...tudo é uma Bênção!!

Feliz Ano Novo a todos!!
Beijos no coração!!
Amor
Namastê
Lilian

30 de dezembro de 2014

Alan Watts - Ensinamentos


-O Zen é uma libertação do tempo. Se abrirmos nossos olhos e vermos claramente, torna-se óbvio que não há nenhum outro momento além deste instante, e que o passado e o futuro são abstrações da mente, sem qualquer realidade concreta.

-Nós raramente percebemos, por exemplo, que os nossos pensamentos mais íntimos e emoções, não são realmente nossos. Por que pensamos em termos de linguagens e imagens que nós não inventamos, mas que foram nos dadas por nossa sociedade.

-Ter fé é como estar na água. Quando você nada você não se agarra na água,
porque se você fizer isso você vai afundar e se afogar. Em vez disso você relaxa e daí, flutua.

-Tentar definir a si mesmo, é como tentar morder seus próprios dentes.


-Quanto mais uma coisa tende a ser permanente, mais ela tende a ser sem vida.

-O sentido da vida é apenas estar vivo. É tão óbvio e tão simples. E, no entanto, todo mundo corre em torno de sentido com um grande pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si mesmos.

- O desejo de segurança e o sentimento de insegurança são a mesma coisa. Prender a respiração é perder o fôlego. Uma sociedade baseada na busca por segurança nada mais é que um concurso de quem prende mais a respiração - onde todo mundo é tão tenso como um tambor, e tão roxo como uma beterraba.

-Um sacerdote me disse uma vez , que a religião estará morta se um dia os sacerdotes rirem uns para os outros no altar. Eu sempre ri nos altares, seja ele cristão, hindu ou budista, porque a verdadeira religião é a transformação da ansiedade numa grande gargalhada.

-Se você pegar um frasco de tinta e jogar em uma parede, ele estoura e toda a tinta se espalha! No meio, a tinta é mais densa, não é? Nas extremidades, as pequenas gotas são mais tênues, e criam padrões mais complicados, você consegue visualizar? Assim, da mesma forma, houve um big-bang no início das coisas e tudo se espalhou.

Você e eu, sentados aqui nesta sala, como seres humanos complexos, estamos muito distantes da margem desta explosão; nós somos os pequenos 'padrões complicados' lá no final dessa imensa explosão inicial. Isso é muito interessante. Mas então, nós nos definimos como sendo apenas isso que está aqui.. e acreditamos que perdemos a conexão com aquele momento.
Se você se considera como sendo apenas o que está dentro de sua pele, saiba que você é bem mais que isso, você está bem na borda dessa grande explosão. 
Muito distante no espaço e no tempo, há bilhões de anos atrás, você era o Big-bang, mas agora você é um ser humano complexo.
E então nós nos distanciamos, e não sentimos que ainda somos o Big-bang. Mas nós ainda somos. 
Você não é alguma espécie de fantoche no final do processo. Você ainda é o processo! Você é o big-bang, a força original do universo, acontecendo...

Quando eu te encontrar, eu não ver como que você se define como Senhor tal ou Senhora tal, eu vejo cada um de vocês como a energia primordial do universo, que vem até mim dessa forma particular. 
Eu sei que eu sou isso também. Mas nós aprendemos a nos definir como separados de tudo isso. "
Alan Watts Quotes from Elephant Journal

28 de dezembro de 2014

Alinhamento interior - Eckhart Tolle


Pergunta: "Como podemos encontrar o equilíbrio entre nossa vontade individual
e o fluir natural da vida?"


Eckhart Tolle: "Vivendo alinhado com o momento presente, você também alinha sua vontade com a vontade universal, que se poderia dizer 'vontade de Deus'. Na verdade, você não tem uma vontade separada. 


A vontade separada quer realçar ou fortalecer o sentido de ser da pessoa. A vontade separada se importa apenas com o 'eu' e 'meu', o ego. 

Porém, há a Consciência Divina, ou Única e há o impulso evolutivo.

O que estamos fazendo aqui, a cada instante, é nos alinhando com esta
Consciência! (nós tenhamos ou não a consciência disso!) 
A não resistência é vital, pois, enquanto estiver resistindo ao momento presente (como um fato real), você estará cercado pela vontade egóica.

Esta vontade do ego deve desaparecer, e a entrega ao Momento Presente deve
prevalecer: é a entrega àquilo que É!

Quando você se alinha à Realidade internamente, pode parecer à princípio, uma atitude de fraqueza, que pode ser interpretada como algo que lhe impede de tomar ação efetiva. Porém, a aceitação àquilo que É, é totalmente compatível, como resposta, a qualquer coisa que o momento solicite. Seja qual for a
necessidade, algo deve ser recriado, ou manifestado ou feito, neste momento, para poder fluir, você tem que aceitar, primeiro, a forma como o momento presente se oferece. 

Vejamos de outro modo: quando você se sente doente, por exemplo, não diz:
- 'Tenho que aceitar esta doença, o fato de estar enfermo!', pois isto é apenas mais um conceito. 
Tudo que precisa aceitar é este momento, como ele é! (isto é, sem a interpretação da mente!) Na verdade, não há nenhuma doença neste momento, há somente uma predisposição física. Pode haver alguma dor, ou fraqueza ou desconforto, estas coisas podem aparecer, mas isso é tudo que tem de aceitar. 

Este momento - agora - sempre foi e sempre será 'pleno', nada a fazer! 

Esta é a aceitação, assim a ação que daí surge trás consigo uma qualidade diversa de energia. 

A vontade que fluirá naquilo que você faz não será mais ego-orientada. Portanto, a pequena vontade terá que ceder, para que uma vontade mais poderosa flua e possa lidar com a situação.

Há um termo budista para isto, é 'reta ação', que só surge de um correto estado de consciência. Porém, primeiro você deve deixar o ego para trás, antes de surgir a reta ação. 


Diga 'sim' ao momento presente, é o sacrifício da pequena vontade. Porque reclamar daquilo que aí está? É um completo non-sense!"
Eckhart Tolle em Satsang

27 de dezembro de 2014

O Segredo da felicidade - Conto Indiano


"Dizia-se que havia um sábio na Índia que tinha o segredo da felicidade, e que o guardava cuidadosamente em um cofre.

O rei mandou chamá-lo e lhe ofereceu muito dinheiro pelo cofre, mas o sábio
simplesmente recusou a oferta, dizendo que era algo que o dinheiro não podia comprar.

Um dia, uma criança se apresentou diante do sábio.
- Sábio, por favor, ensine-me o segredo da felicidade.

Movido pela pureza e inocência da criança, o sábio então lhe disse:
- Preste muita atenção. 

A primeira coisa que você deve fazer é amar-se e respeitar-se e dizer a si mesmo todos os dias que você pode vencer todos os obstáculos que se 
apresentarem na sua vida. Isso se chama autoestima. 

A segunda que deve fazer é pôr em prática o que você diz e o que pensa. 

A terceira, é jamais invejar alguém pelo que ele tem ou é. Eles já alcançaram as suas metas, agora alcance as suas. 

A quarta, é jamais guardar rancor de ninguém no seu coração. 

A quinta, é não se apoderar do que não é seu. 

A sexta, é jamais maltratar alguém; todos os seres têm o direito de ser respeitados e queridos. 

E a última coisa que você deve fazer é acordar todos os dias com um sorriso e descobrir em todas as pessoas e em todas as coisas o seu lado positivo. Pense na sorte que você tem. 
Ajude a todos sem pensar no que poderá obter em troca e passe adiante o segredo da felicidade."
Conto indiano

26 de dezembro de 2014

Caminhe Livre - Mooji


"Todos estão convidados para este fogo.

Jogue nele todas as suas perguntas. 
Jogue todas as respostas também. 
Jogue todas as suas preocupações. 
Tenha essa tanta coragem. 

Diga, eu não tenho mais tempo para respostas. 

Coloque tudo neste fogo. 
E faça-o agora também. 

Esta é a maneira instantânea. 

Jogue tudo agora. 
Nenhuma prática, 
Nenhuma filosofia. 

Mas quem pode fazê-lo, você entende? 
Esteja disposto a estar completamente vazio. 
Nem sequer seja uma mulher. 
Não seja um buscador. 
Não seja nada. 
Não diga mais orações. 
Não cante mais nenhum mantra. 
Não vá em mais nenhuma peregrinação. 
Deixe tudo, porque até ao momento, a sua 
busca é uma evitação, uma outra desculpa 
da sua mente para não descobrir a sempre 
presente Verdade. 

Nossas mentes querem dizer muita coisa 
sobre a Verdade. 
Mas nada que ela diga é verdadeiro. 
Você está aqui antes da mente. 
Você conhece as suas maneiras. 
É por isso que eu digo jogue tudo no fogo agora. 

Parecem muito drásticas as minhas palavras, 
mas elas são totalmente poderosas. 
Porquê continuar andando com a mente nas 
suas costas? 
Coloque-a no chão e caminhe 
livre.."

-Mooji-

24 de dezembro de 2014

Doce Presença...


Doce é poder
sentir Sua Presença
Doce é nascer
em Consciência
Doce é perceber a Unicidade
e abraçar a paz
sempre criança...

Doce Jesus Cristo
nascido
renascido
ressuscitado

Cristo vivo entre nós 
Cristo vivo em nós

Luz que Ilumina o mundo,
mundo que se ilumina em nós
Beleza sempre presente
Amor ardente
Vivente
Unicidade bela,
Dança do Amor perene...

Nos olhamos, 
nos abraçamos e nos damos uns aos outros,
Eternamente... 

O Amor nos convida a esta dança,
Olhos encantados reconhecem 
a Pura Presença 
em cada instante
cada gesto
cada canção
Um só coração...

Feliz Natal a todos (as)!! 
Cristo é vivo entre nós!
Cristo é vivo em nós!!
Celebremos!!
Amor
Lilian



22 de dezembro de 2014

A Luz dos Mestres - Osho


"Quero lhes dizer uma coisa: os mestres não dizem a verdade. Mesmo se eles quisessem dizer, não conseguiriam é impossível. Então, qual é a função deles? O que eles continuam fazendo? Eles não podem dizer a verdade, mas podem fazer despertar a verdade ainda dormente em você. 

Eles podem provocá-la, podem desafiá-la. Eles podem balançar você; podem acordar você. Não lhe podem dar Deus, a verdade, o nirvana. 

É inato, é intrínseco. Faz parte da sua própria natureza. 
Portanto, qualquer um que finja lhe dar a verdade está simplesmente explorando a sua estupidez, a sua ingenuidade. (...) Ele é um pseudo-mestre.
A verdade não pode ser dada; ela já está em você. Pode ser evocada, provocada. Pode-se criar um contexto, um certo espaço, no qual ela alfora em você e já não está adormecida; torna-se desperta.

A função do mestre é muito mais complexa do que você pensa. Seria muito mais fácil, muito mais simples, se a verdade pudesse ser transmitida. Ela não pode ser transmitida; por isso, caminhos e meios indiretos têm que ser criados.

O Novo Testamento traz a bela história de Lázaro. (...)
Lázaro morre. Ele é irmão de Maria de Madalena e de Marta, e um grande devoto de Jesus. Jesus está longe; quando recebe a informação e o chamado: 'Venha imediatamente', dois dias já se passaram, e quando ele chega à casa de Lázaro, já se foram quatro dias. Mas Maria e Marta estão esperando por ele, tamanha é a confiança delas. Toda a vila está rindo delas. Aos olhos dos outros, elas são tolas por guardarem o corpo do irmão numa gruta; elas vigiam o cadáver todos os dias. O cadáver já começou a cheirar, está se deteriorando. As pessoas da vila, estão dizendo: "Vocês são tolas! Jesus não pode fazer nada! Quando alguém está morto, está morto!
Eis que Jesus chega, ele vai até a gruta - não entra lá - mas fica do lado de fora e chama Lázaro. As pessoas se reúnem. Devem estar rindo: " Esse homem parece estar louco!"(...) Mas, sem hesitar, Jesus chama muitas vezes: "Lázaro, saia!" E a multidão tem uma grande surpresa: Lázaro sai da gruta - abalado, chocado, como se acordasse de um longo sonho, como se estivesse saindo de um coma. Ele mesmo não pode acreditar no que aconteceu ou entender por que está numa gruta..

Esse é na verdade, um outro modo de dizer qual é a função de um mestre. A questão não é se Lázaro estava ou não morto. A questão não é se Jesus era capaz de ressuscitar realmente os mortos ou não. (...) Isso não é um fato, é uma verdade! Não é algo que acontece no tempo, é mais, é algo que acontece na eternidade!

Vocês todos estão mortos. Vocês todos estão na mesma situação de Lázaro. Vocês estão todos vivendo em suas grutas escuras. Estão todos cheirando mal, e se deteriorando...porque a morte não é uma coisa que vem de repente, um dia...vocês estão morrendo todos os dias! Desde o seu nascimento, vocês estão morrendo todos os dias. É um longo processo; leva setenta, oitenta, noventa anos para se completar. A cada momento alguma coisa de vocês morre, alguma coisa em vocês morre, mas vocês estão totalmente inconscientes de toda a situação. Continuam como se estivessem vivos; vão vivendo como se soubessem o que é a vida.

A função do mestre é chamar: "Lázaro, saia da gruta! Saia de sua cova! Saia de sua morte!" O mestre não pode lhe dar a verdade, mas ele pode despertar a verdade. Ele pode mexer com alguma coisa em você. Ele pode desencadear um processo em você que iniciará um fogo, uma chama. A verdade é você - tanta poeira se acumulou à sua volta. A função do mestre é negativa: ele tem que lhe dar um banho, uma chuveirada, para que a poeira desapareça.(...)

João Batista estava preparando as pessoas para um banho interior. Quando elas estivessem prontas, ela as levava simbolicamente ao rio Jordão. Era apenas simbólico, (...) significando que o mestre pode lhe dar um banho. Ele pode retirar de você a poeira, a poeira de séculos. E de repente, tudo fica claro, tudo é claridade. Essa claridade é iluminação.

O grande mestre Daie, diz: "Todos os ensinamentos dos sábios, dos santos, dos mestres, mostram nada mais do que isto: eles são comentários sobre o grito súbito: Ah, isso!"
Quando de repente, você está desanuviado, uma grande alegria e júbilo se manifestaram em você e todo o seu ser, toda fibra de seu corpo, mente e alma dançam e você diz: Ah, isso! Aleluia!, num grandioso grito de alegria que irrompe em seu ser, isso é Iluminação! De repente, as estrelas descem dos céus. Você se torna parte da eternidade, dança da existência.

Auden diz: Dance até as estrelas descerem do céus! Dance, dance, dance até cair!

Sim, isso acontece - não é algo que você tem que fazer. É algo que mesmo que você queira fazer, achará impossível; achará impossível resistir. Você terá que dançar.
A beleza disso, a beleza do agora, a alegria pela existência e a proximidade dela...sim, as estrelas descem dos céus. Elas estão tão próximas que você pode tocá-las; você pode segurá-las com as mãos.(...)

Todo o coração dizendo: "Ah!" E o silencio que se segue, e a paz... e a alegria, e o encontro, e a fusão, e a experiência orgástica, o êxtase...

Os mestres não ensinam a verdade; não há como ensiná-la. Ela é uma transmissão além das escrituras, além das palavras. É uma transmissão. É energia provocando energia em você. É uma espécie de sincronicidade.
O mestre, como um ego, desapareceu; ele é pura alegria. E o discípulo se senta ao lado do mestre, partilhando de sua alegria, de seu ser, comendo e bebendo daquela fonte eterna e inexaurível. E um dia - e não se pode prever quando será esse dia, ele é imprevisível... - um dia de repente acontece: um processo, que lhe revela a verdade de seu ser, começa em você. Você fica face a face consigo mesmo. Deus não está em outro lugar; ele está aqui, agora. 

Os mestres iluminam e confirmam a realização. Eles iluminam de mil e uma maneiras. Vão apontando para a verdade; os dedos apontando para a lua. Muitos tolos começam a se apegar aos dedos - se você se apegar aos dedos, não verá a lua, lembre-se disso. Há indivíduos ainda mais tolos que começam a morder os dedos. Isso não vai alimentar ninguém. Esqueça os dedos e olhe para onde eles apontam.

Os mestres iluminam. Lançam uma grande Luz - eles são Luz - lançam uma grande Luz sobre o seu ser. São como um holofote: projetam o ser deles no seu ser. Você vive na escuridão há séculos, há milhões de vidas. De repente, o holofote de um mestre começa a revelar alguns territórios esquecidos em você. Eles estão dentro de você; o mestre só os está trazendo à luz, ele só está se projetando em você. E um mestre somente se projeta quando o discípulo está aberto; quando o discípulo se entrega; quando o discípulo está pronto para aprender; quando o discípulo se entrega; quando o discípulo não quer mais acumular conhecimento, mas conhecer a verdade; quando o discípulo não está mais apenas curioso, mas é alguém que procura e está disposto a arriscar tudo. Mesmo que a vida deva ser arriscada e sacrificada, o discípulo está pronto. Na verdade, quando você arrisca a sua vida sonolenta, adquire uma qualidade totalmente diferente de vida: a vida de luz, de amor, a vida que está além da morte, além do tempo, além das mudanças.

Os mestres iluminam e confirmam a descoberta. Primeiro, o mestre ilumina o caminho, a verdade que está dentro de você. Depois, quando você a descobre e reconhece... É muito difícil você acreditar que a alcançou. A coisa mais inacreditável é a descoberta da verdade, porque você sempre ouviu dizer que é algo muito difícil, quase impossível, e que leva milhões de anos para se alcançar. E você ouviu dizer que ela está em outro lugar - talvez no céu - e, quando você a reconhece dentro de você, como pode acreditar?

O mestre confirma. Ele diz: "Sim, é isso!" A confirmação dele é tão necessária quanto a iluminação. Ele começa iluminando e termina confirmando. Os mestres são a evidência da verdade, não a prova.

O mestre é uma evidência, é uma testemunha. Ele viu, ele sabe, ele se tornou. Você pode sentir; a evidência pode ser sentida. Você pode se aproximar cada vez mais; pode permitir que a fragrância do mestre penetre até o mais íntimo de seu ser. O mestre é só evidência; não é a prova. Se você quiser alguma prova...não existe prova.

Deus não pode ser comprovado, nem contestado; ele não é um argumento. Deus não e uma hipótese, não é uma teoria: ele é uma experiência. 
O mestre é evidência viva. "
Osho em O homem que amava as gaivotas

21 de dezembro de 2014

Aniversário Ventos de Paz...


"A celebração é a base do meu trabalho. 
Não a renúncia, mas o regozijo – regozijar-se em todas as belezas e alegrias, em tudo o que a vida oferece, porque essa vida inteira é uma dádiva…..
Para mim, vida e Deus são sinônimos. 
A vida está dentro e fora de você, nas árvores, nas nuvens, nas estrelas. 
Toda a “existência” é uma dança de vida.
Eu ensino o amor pela vida. Ensino a arte de seguir vivendo sua vida totalmente, de estar embriagado do divino “através” da vida…
Eu permaneço em tremendo amor com a vida, daí, ensino celebração. Tudo deve ser celebrado, tudo tem que ser vivido e amado. 
Para mim, tudo é sagrado, do mais baixo ao mais alto degrau de uma escada de mão. 
É a mesma escada. Do corpo à alma, do físico ao espiritual, do sexo ao nirvana, 
tudo é divino....
A celebração é uma dimensão totalmente diferente de todas as demais. 
Quando você celebra, celebra tudo, você não divide. 
Para um celebrante, uma oração é tão bela quanto o beber chá. 
O chá não é profano e a oração não é separada da vida. 
Tudo é um todo... 
- Osho 

Hoje celebramos mais um aniversário do blog Ventos de Paz!!
São 5 anos online, mais de 2000 postagens, mais de 1.000.000 de acessos, milhares de amigos que chegaram,
tudo isso em profunda celebração, em profunda gratidão, alegria, amor
consciência e muita paz...

Saibam que é uma imensa alegria compartilhar toda essa beleza
celebrativa com cada um de vocês...

Agradeço de coração, por estarem aqui diariamente comigo,
agradeço por todos os comentários, as sugestões, os textos, os emails que chegam todos os dias, e por todo carinho que vocês enviam de todas as partes do mundo!!

Celebrar é a manifestação da Gratidão!!
Somos mesma Luz, mesma Consciência brincando na forma,
brincando no tempo, brincando se sermos muitos...

O Amor e a Celebração são verdadeiramente a sacralidade da existência!
Permanecemos todos, tremendo de amor pela Vida!!
Parabéns a todos!!!
Que a Celebração seja SEMPRE a base do nosso trabalho e do 
nosso VIVER!!!
Namastê
Lilian
-Amidha Prem-

20 de dezembro de 2014

A Natureza da Mente - Tenzin Palmo


"Assim, tudo o que vem à nossa mente, se o reconhecemos, no momento em que aparece, se o aceitamos, podemos depois deixar ir.
Não temos que nos agarrar a isso, não temos que lhe dar energia, não temos que ser arrastados por isso.
Nós estamos na margem de um rio, olhando a correnteza do rio, não estamos no meio do rio sendo arrastados.

Podemos todos fazer isto!
A natureza da mente é naturalmente conhecimento. Sem isso, estaríamos mortos.
Então, o que temos que fazer é voltar para aquilo que realmente somos, e parar de nos identificar com a coisa errada.

Havia um grande mestre da floresta Tai, chamado Ajahn Chah - eu recentemente estava lendo a sua biografia. 
Em uma passagem do livro - quando ele estava na floresta, sendo treinado por vários mestres - em um determinado momento, ocorreu-lhe precisamente isto: ele disse de forma muito simples, que a mente é basicamente aquilo que é conhecido e aquilo que conhece. E toda a questão é simplesmente residir naquilo que conhece.

Começar a se identificar com aquilo que conhece e parar de se identificar com o que é conhecido. É tudo, é tão fácil!

Em verdade, quero dizer que, 98% dos seus problemas estão resolvidos, senão mesmo 100%, fazendo apenas isso.
Mas não o fazemos. É interessante que não o façamos.

Quando alguém está na presença de um grande Lama, com o qual, profunda ligação Karmica, pode acontecer que, se nossa mente está muito aberta e receptiva, totalmente sem expectativas, mas muito aberta,(..) ele te direciona, ele pode introduzir-te à natureza da mente, ele não te dá nada. Você já tem o que necessita. E é uma experiência muito simples. Não é nada parecido com luzes, arco-íris, ou trombetas. É muito simples, mas naquele momento, apenas um momento, tudo desmorona. E existe apenas aquele momento de total Consciência desnuda. É extremamente simples!

É tão simples, que o podes perder muito facilmente, porque estamos sempre à espera que, de alguma forma, vá ser uma experiência grandiosa. Algo realmente fantástico...e normalmente está tão à vista, tão aberto, que a maioria das pessoas pode pensar que não pode ser isso.

Uma vez, um dos nossos yoguis, no cimo da colina, estava dando uma trânsmissão oral de um famosos texto de Dzogchen. 

Dzogchen - Grande Perfeição -  é o treino da mente da escola Nyingma. E este mestre esta lendo este texto, de depois parou e disse: Sabem qual é o problema com este gênero de livros? É que eles fazem com que tudo pareça muito elevado, muito distante, e muito fantástico. É é tão simples. Está tudo aqui mesmo! E assim, você procura lá fora, no futuro, para que algo fantástico aconteça, e todo o tempo, na realidade já está acontecendo em cada momento, mas não o reconhecemos.

Repare a cada vez que ouves um som, tudo aquilo que você vê, só poder de ver, só podes reconhecer um som por causa da Consciência. Se não tivéssemos Consciência seríamos como cadáveres.
Mas nós não reconhecemos esta Consciência por que estamos tão fascinados por nossos sentidos..
Vocês compreendem? Por que estamos tão encantados com este panorama lá fora, e todo o panorama dentro - pensamentos, memórias, sonhos e esperanças.
Nós desperdiçamos o fato de que por trás de tudo isso, está o conhecimento Disso!"
Monja Jetsunma Tenzin Palmo em satsang

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Os climas que presenciamos são infinitos...
Climas externos a nós, climas internos a nós...
Viver é observar a tudo e a todos, eventos, fatos, cenas, paisagens, histórias, filmes, romances, tragédias, comédias, suspenses, folclores, poesias, fotografias, natureza, rostos, momentos...momentos...eventos...eventos...

Infinitos eventos, desde a fecundação, experimentamos infinitas sensações, e nos deixamos levar por tantos e tantos climas, que nos esquecemos que nós não somos nenhum deles... nenhum deles... somos a Consciência que observa, a Consciência presente que identifica cada um deles... e que muitas e muitas vezes nos misturamos com estas cenas, climas, paisagens, e nos esquecemos que somos os observadores...

Nada em verdade pode acontecer se não houver uma consciência que observa. Se observo, se dou atenção a algo, ou alguém, aquilo se torna o foco da mente, o centro da minha atenção. Se não dou atenção, aquilo não existe para mim.

Monja Tenzin Palmo nos mostra neste belo texto a importância da Consciência que percebe, identifica, e compreende todos os eventos que acontecem. 

Mas, por não ser uma "coisa", a Consciência não é percebida, não é vista. Ela é apenas realizada, pois sem ela, nada existe, nada acontece, tudo perde a vivacidade, tudo perde a vida... 
Trata-se verdadeiramente de uma intuição, percebemos que existe "algo" que permanece observando, "algo" que continua presente apesar de todas as mudanças, quer sejam elas internas ou externas..

Basta uma simples mudança de olhar, daquilo que vemos para aquilo que ...iremos compreender quem realmente somos... e independente daquilo que é visto...o Ver, o Ser, a Consciência presente, é o que somos...

Todos os climas, eventos, cenas, momentos, sentimentos, emoções, pensamentos, tudo acontece na e para a Consciência... uma vez que Consciência é tudo o que há...
Namastê
Amidha Prem

18 de dezembro de 2014

A arte da plena escuta - J. Krishnamurti


"Alguém está lhe dizendo alguma coisa, você escuta naturalmente atento. 

O próprio ato de ouvir é ação do ato de libertação, é a própria liberdade em ação. 

Quando você vê este fato, a própria percepção desse fato é o estado de liberdade. 

O próprio ouvir, o próprio ver algo como um fato, tem um extraordinário efeito "sem o esforço e a intervenção" do pensamento. 

O pensamento é apenas um ferramenta da mente para ser utilizado quando se faça necessário nas relações, nunca como um instrumental de observação, pesquisa e busca de conhecimentos sobre si mesmo e sua funcionalidade, onde encontra em seus próprio conteúdo ou acervo cultural, elementos de distorção, mistificação e total ilusão.

Agora, retomemos a algo já conversado, digamos, a ambição. Nós já examinamos suficientemente o que ela faz, que efeitos tem, e agora fiquemos atentos para não permitir interferência no que observamos, através do "simples nada avaliar".

Uma mente que é ambiciosa nunca pode conhecer o que é simpatizar, ter piedade, amar. Uma mente ambiciosa é uma mente cruel seja espiritualmente ou exteriormente ou interiormente. Observe bem o que acontece: Você ouviu isto. Você ouve isto; quando ouve isso, você traduz e diz, “Como posso viver neste mundo construído sobre a ambição?”. 

Portanto, você não ouviu! Você respondeu, reagiu a uma informação, a um fato, portanto, não está olhando para o fato. Está apenas traduzindo o fato, avaliando ou dando uma opinião sobre o fato ou respondendo ao fato; portanto, não está olhando para o fato.

Entretanto, como antes dissemos, se a pessoa ouve "sem qualquer avaliação", reação, conclusão, julgamento, etc., certamente então, o "fato em si, cria essa energia que destrói", varre, afasta qualquer ambição que cria conflito, permitindo na mente o silencio da inação do vazio da ausência da ação psicológica, e isso é claridade mental."
J. Krishnamurti em The Book of Life

15 de dezembro de 2014

Limpar sujeira! Sujeira limpa! - Conto Zen


"Um tempo atrás, havia um discípulo do Buda Shakyamuni que atingira a iluminação por meio da limpeza. Seu nome é Cudapanthaka.
Geralmente temos uma imagem que os discípulos de Buda são inteligentes e
espertos, mas ele não foi. Ele era estúpido e ele não pôde memorizar até
mesmo o seu próprio nome, mas finalmente ele se tornou uma grande iluminada figura da história budista.

Em primeiro lugar, Cudapanthaka se tornou um discípulo do Buda sob a orientação do seu irmão, que tinha uma mente muito perspicaz. No entanto, apesar de ele fazer o seu melhor sempre, a disciplina foi tão difícil para ele, que ele não conseguiu memorizar nada. Ele muitas vezes se debatia sobre permanecer como discípulo ou não, mas finalmente um dia decidiu sair.

Quando ele estava saindo, o Buda o chamou e o ordenou como seu discípulo direto. “Cudapanthaka, você vai ficar aqui e virado para o leste, recite repetidamente isto ‘Limpar a sujeira! Sujeira limpa! ’ enquanto limpa as mãos com este pano branco”. No entanto, ele não podia sequer memorizar esta frase. Ele tentou várias maneiras, mas não foi assim tão fácil para ele. Ele continuou a tentar memorizar a frase, enquanto ele limpava suas mãos.

Assim muitos dias se passaram e o seu pano branco, que o Buda tinha dado para ele, se tornou muito sujo por causa da sujeira de suas mãos. Ele então ficou chateado com a sujeira do pano e logo tentou lavar a sujeira muitas vezes, mas não conseguiu torná-lo branco como antes. Depois, ficou triste e preocupado e foi até o Buda pedindo desculpas entre lágrimas. O Buda
disse a Cudapanthaka que estava olhando fixamente no pano. “O seu pano branco se tornou sujo por causa da sujeira de suas mãos, isto aconteceu pela sujeira de sua mente". 

Se isto é assim, como é que vai fazer? “Cudapanthaka respondeu, “Farei o
meu melhor para limpar a minha sujeira e a sujeira de outros.”
Ele começou a limpar tudo, o jardim, salão principal, instalações sanitárias, sapatos, bolsas,
roupas e etc, enquanto ele recitava “Limpar a sujeira! Sujeira limpa!” 

Outros discípulos notaram isso e foram surpreendidos com os diferentes
comportamentos de Cudapanthaka. Mesmo assim trataram-no como um tolo. Um dia, alguns discípulos tentaram testar Cudapanthaka que ultimamente tinha
conquistado boa reputação e lhe pediram para fazer um discurso para muitas
pessoas. No discurso, ele falou sobre si mesmo com honestidade perante o público-alvo. Disse: “Eu sou verdadeiramente uma pessoa tola. Por isso, não tenho quaisquer bons ensinamentos para pregar para vocês, somente aquilo que eu lembro e tenho praticado sob orientação do Buda. 

Gostaria de compartilhar isso, por favor, escutem, por favor. Logo que ele falou isso, recitou lentamente com uma bela voz e suavemente. “Limpar a sujeira! Sujeira limpa! Limpar a sujeira! Sujeira limpa!”

Os discípulos que haviam tentado testá-lo ficaram muito impressionados com a profunda compaixão na sua voz e se desculparam com ele. Seu breve discurso foi concluído com aplausos.

Cudapanthaka realizou o ensino da limpeza através de toda sua vida e ele ensinou para outros as práticas da limpeza física e mental. Ele dedicou a sua vida para limpar sua mente. Embora ele fosse uma pessoa ignorante que não podia sequer memorizar o seu nome, ele finalmente conseguiu o caminho sublime da mente obediente. Ainda hoje depois de 2500 anos, esta verdadeira história incentiva muito.

Limpeza é mera limpeza, mas vai nos trazer muitos ensinamentos. Meu mestre sempre me deu aulas sobre limpeza, “Limpa o Templo que também irá limpar a sua mente. “Quando você limpa a sujeira do chão, você deve pensar que você limpa a sujeira da sua mente.” "A vassoura varre e limpa em qualquer lugar; pavimentos, escadas, o jardim, mas não pode limpar a vassoura em
si. Uma vassoura precisa de outros para limpá-la. Da mesma forma, nós, seres humanos, não podemos limpar a nossa própria mente por nós mesmos. Nós precisamos de companhia para nos ajudar a limpar as nossas mentes assim como para ajudarmos a limpar a mente de outros”.


O pano de chão limpa o chão e pode absorver um derramado sobre o tapete.
Embora o pano seja limpo, gradualmente vai se tornando sujo e velho, mas o pano nunca se queixa. Isso nos mostra o ideal da fé do Sutra de Lótus, embora uma pessoa apoia e ajuda muitas pessoas a serem felizes, ela não se vangloria, não se orgulha, não é arrogante, e não quer nada em troca, apenas sorri sempre . Este é o caminho do Bodhisattva”
.

No que diz respeito à limpeza da mente, Nichiren Shonin disse “A mente é como um espelho embaçado. No entanto, se você o limpa bem, o espelho pode ser uma joia que reflete a verdade. Tenha fé firme e limpe seu espelho de manhã e à noite, sem negligência". 

Como é que você limpa o espelho? Basta recitar ‘Namu Myoho Renge Kyo’.” Recitando Odaimoku você limpa sua mente. Um espelho embaçado pode ser limpo, mas a mente embaçada nós não conseguimos observar por nós mesmos e também não sabemos como limpá-la. Todos os dias, a mente pode ser ferida e confundida facilmente. Devemos, portanto, limpá-la. (...)

Através da limpeza física e mental, você irá perceber um sentimento leve e alegre. Por favor, se dediquem a limpeza física e mental todos os dias."
Nichiren Shu em Sweep Dirt! Clean Grime!

12 de dezembro de 2014

Quietude é alegria - Chuang Tzu


"A não-ação do sábio não é a inação.
Não é estudada. 
Coisa alguma a abala.
O sábio é quieto porque não se altera.
Não porque ele queira ser quieto.
A água parada é como um espelho.
Você pode olhar nele e ver os pelos em seu queixo.
Sua superfície é perfeitamente plana.
Um carpinteiro podia usá-lo.

Se a água é tão clara e sua superfície plana
Quanto mais o espírito do homem?
O coração do sábio está tranqüilo.
É o espelho do céu e da terra.
O espelho de tudo.
É vazio, é quieto, é tranqüilo, é sem sabor.

O silêncio, a não-ação: esta é a medida do céu e da terra.
Este é o perfeito Tao (o sentido da vida).
Os sábios encontram aqui seu lugar de repouso.
Repousando, estão vazios.
Do vazio vem o não-condicionado.
Daí, o condicionado, as coisas individuais.
Assim, do vazio do sábio surge a quietude.
Da quietude, a ação. 
Da ação, a realização.
Da sua quietude vem sua não-ação, que é também ação
E é portanto, sua realização.

Pois a quietude é alegria. 
A alegria é isenta de preocupações,
Fértil por muitos anos.
A alegria faz tudo despreocupadamente: 
Porque o vazio, o quieto, o tranqüilo, o silêncio é a não-ação,
Eis a raiz de todas as coisas".
Chuang Tzu - Wei Wu Wei

11 de dezembro de 2014

Além do bem e do mau - Osho


"Eu lhe dei o nome VeetMano, que significa: ir além do homem bom.
A moralidade está preocupada com as boas e más qualidades. De acordo com a moralidade, uma pessoa é boa se for honesta, verdadeira, autêntica e confiável.

Mas moralidade não é religião.
Mesmo os ateus podem ser uma boa pessoa. Pois todas essas qualidades de uma boa pessoa, não incluem a divindade.
Eu lhe disse, você é um bom homem. Assim, o trabalho não é apenas ser bom, mas transcender a dualidade de ser bom ou mau.

A pessoa religiosa não é somente uma boa pessoa, ela é muito mais que isso.
Para a boa pessoa, a bondade é tudo.
Para a pessoa religiosa,a bondade é apenas um sub-produto.

A pessoa religiosa é aquela que conhece a si mesma; aquela que está consciente do seu próprio ser. E no momento em que você está consciente do seu próprio ser, a bondade lhe segue como uma sombra. Então, não existe nenhuma necessidade de qualquer esforço para ser bom.
A bondade se torna sua própria natureza. Da mesma maneira que as árvores são verdes, a pessoa religiosa é boa.

Mas nem sempre a pessoa boa é religiosa. Sua bondade vem a partir de um grande esforço. Ela está lutando contra as más qualidades...mentira, roubo, insinceridade, desonestidade, violência. Elas todas estão na pessoa boa, só que reprimidas. E elas podem eclodir a qualquer momento.

A pessoa boa, pode transformar-se numa má pessoa muito facilmente, sem nenhum esforço; pois todas estas más qualidades estão presentes. Quando se remove o esforço, elas imediatamente eclodirão em sua vida. E suas boas qualidades são somente cultivadas, não são naturais.

Você tentou arduamente ser honesto, ser sincero, não mentir, mas foi um esforço, foi cansativo.A pessoa boa está sempre séria. Pois tem medo de todas as más qualidades que ela reprimiu. E ela é séria porque no fundo deseja ser reverenciada por sua bondade, ser recompensada.Seu anseio é ser respeitável.(...)

Eu lhe dei o nome: VeetMano, que é transcenda o bom homem; e existe somente uma maneira de transcender o bom homem, que é trazendo mais consciência ao seu ser.

A consciência não é algo a ser cultivado. Ela já está sempre presente, apenas precisa ser desperta. Quando se está totalmente desperto, tudo o que você faz é bom e tudo o que você não faz é mau.

A pessoa boa, precisa fazer imensos esforços para fazer o bom e evitar o mau. O mau, é uma tentaçao constante para ela. É uma escolha a cada momento. A cada momento ela precisa escolher o bom, e não escolher o mau.(...)
Tudo o que reprimimos durante o dia vem à tona à noite, nos sonhos. Isso demonstra que a coisa toda está ali, reprimida, apenas esperando; no momento em que você relaxa, no momento em que você remove o esforço em ser bom, todas aquelas más qualidades que você reprimiu, vêm à tona, e começam a se tornar seus sonhos. Seus sonhos são seus desejos reprimidos.

A boa pessoa, está em constante conflito; sua vida não é de alegria, ela não pode rir de verdade, não pode cantar, não pode dançar; em tudo existe um julgamento contínuo. Sua mente está repleta de condenação e julgamento. E porque ela própria está tentando arduamente ser boa, ela faz o mesmo julgam o os outros pelos mesmos critérios. Ela não pode te aceitar como você é. Ela só pode aceitar você se você preencher todos as suas demandas de ser bom. E por não poder aceitar as pessoas como elas são, essa pessoa condena as outras.(...)
Essas não são as qualidades da pessoa religiosa autêntica. A pessoa religiosa não tem julgamento, não tem condenação. Ela sabe uma coisa: nenhum ato é bom, nenhum ato é mau. A consciência é boa e a inconsciência é má. Você pode até fazer algo que pareça bom para o mundo inteiro em inconsciência, mas para a pessoa religiosa, isso não é bom.

E você pode fazer algo mau e ser condenado por todo o mundo, exceto pela pessoa religiosa; ela não pode condená-lo, pois você está inconsciente; ela precisa de compaixão e não de julgamento ou condenação. Ninguém merece o inferno.

A medida que sua meditação se aprofunda, seu testemunhar se torna grande; Era isso que lhe disse quando se tornou sannyasim há sete anos atrás, sobre o testemunhar o observar. Mas me esqueci de lhe dizer: Não pense que o testemunhar, e o observar nada mais são que boas qualidades.(...) Algo mais está implícito, no transcender a dualidade entre o bom e o mau.

Ao se chegar ao ponto de absoluta consciência, não existe mais a questão de escolha; você simplesmente faz tudo aquilo que é bom, você faz inocentemente, da mesma maneira que a sombra te acompanha, sem nenhum esforço; se você corre, a sombra corre, se você pára a sombra pára. Mas não existe esforço por parte da sombra.

Uma pessoa, consciente, não pode ser considerada sinônimo de boa pessoa. Ela é boa. Mas de uma maneira muito diferente, de um ângulo muito diferente. Ela é boa não porque esteja tentando ser boa; ela é boa porque ela é consciente, e na consciência todas aquelas palavras condenatórias desaparecem como a escuridão desaparece na luz.

As religiões decidiram permanecer como moralidades, são códigos éticos; úteis para a sociedade, é verdade, mas não para o indivíduo; São conveniências criadas pela sociedade. Naturalmente, se todos começassem a roubar, a vida se tornaria impossível. Se todos começassem a mentir, a vida se tornaria impossível. Se todos fossem desonestos, você absolutamente não poderia existir.

Assim, no nível mais baixo, a moralidade é necessária para a sociedade. Ela é uma utilidade social, mas não uma revolução religiosa.

Não fique satisfeito em apenas ser bom. Lembre-se que você precisa chegar a um ponto em que não precisa nem mesmo pensar sobre o que seja bom ou o que seja mau.

Simplesmente sua própria percepção, sua própria consciência, o leva em direção àquilo que é bom. Não há repressão. (...)

Uma pessoa religiosa não está obcecada por nada. Ela não tem obsessão. Ela está apenas relaxada, calma, quieta, silenciosa e serena. A partir do seu silencio, tudo o que floresce é bom, é sempre bom. Ela vive numa consciência sem escolha. (...) Você não será bom, nem mau, você será simplesmente alerta, consciente, perceptivo. E então, tudo o que segue será bom. Em sua total consciência, você se alinha com a qualidade da divindade.

As religiões ensinaram, que você deve ser bom, de tal modo que um dia você possa encontrar Deus. Isso não é possível. Nenhuma pessoa boa, jamais encontrou a divindade. Estou lhe ensinando justamente o contrário: encontre a divindade e o bom virá espontaneamente E quando o bom vem de maneira espontânea, ele tem uma beleza, uma graça, uma simplicidade, uma humildade. E não pede por nenhuma recompensa, nem aqui nem depois. 
Ele é a sua própria recompensa."
Osho em Satsang


Hoje o amado Osho estaria completando mais um aniversário.
Deixo aqui a minha sincera homenagem, em profunda gratidão 
por tanta luz, sabedoria, alegria  e amor
compartilhados com milhões de pessoas
ao longo de sua vida...

Hare Om Osho!
Namastê!

Eternity light of a candle

9 de dezembro de 2014

Felicidade é a sombra da Verdade - Osho


"Existem apenas dois tipos de pessoas: uma que está em busca da felicidade; é o tipo mundano. Pode ir para o mosteiro, mas o tipo não muda; lá, ele também pede pela felicidade, pelo prazer e gratificação. 

Agora, de maneira diferente — através da meditação, da prece, de Deus — está 
tentando ser feliz, cada vez mais feliz. 


Há, depois, o outro tipo de pessoa — e só existem dois tipos — a que está em busca da verdade. E isso é um paradoxo: aquele que busca a felicidade, nunca a encontra, pois ela não é possível a menos que você encontre a verdade. A felicidade é apenas uma sombra da verdade; em si mesma não é nada — é apenas uma harmonia.

Quando você se sente uno com a verdade, tudo se agrega, tudo se harmoniza. Você sente um ritmo — e esse ritmo é felicidade. Não se pode buscá-la diretamente.

A verdade tem de ser procurada. A felicidade é encontrada quando se encontra a verdade, mas a felicidade não é o objetivo. E se você buscar a felicidade
diretamente, será cada vez mais infeliz. E sua felicidade será, no máximo, apenas um intoxicante para que você esqueça a infelicidade; é só o que vai acontecer. A felicidade é como uma droga — LSD, maconha, mescalina.
Por que o Ocidente chegou às drogas? É um processo muito racional. Teve de chegar a elas porque, na sua busca de felicidade, mais cedo ou mais tarde chega-se ao LSD. O mesmo aconteceu antes na Índia. Nos Vedas, eles chegaram ao soma, ao LSD, porque estavam buscando a felicidade; não eram realmente buscadores da verdade. Buscavam a mais e mais gratificação — chegaram ao soma. Soma é a suprema droga. E Aldous Huxley, falando sobre a suprema droga, a ser encontrada em algum lugar no século vinte, chamou-a outra vez de 'soma'.

Sempre que uma sociedade, um homem, uma civilização, buscam a felicidade, têm de chegar de alguma forma às drogas — porque a felicidade é a busca pelas drogas. A busca da felicidade é uma busca do auto-esquecimento; é isso o que a droga ajuda a fazer. Você esquece de si e assim não há mais miséria. Como pode haver miséria se você não está? Você está dormindo profundamente.

A busca da verdade está exatamente na dimensão oposta: não é gratificação, não é prazer, não é felicidade, mas — Qual é a natureza da existência? O que é a verdade?
Um homem que busca a felicidade nunca a encontrará — encontrará, no máximo, o esquecimento. Um homem que busca a verdade a encontrará, porque para buscá-la ele próprio terá de se tornar verdadeiro. Para buscar a verdade na existência, primeiro terá de buscar a verdade em seu próprio
ser. Terá de se tornar cada vez mais atento em relação a si mesmo.
Estes são os dois caminhos: o auto-esquecimento — o caminho do mundo; e a lembrança de si mesmo — o caminho de Deus.

E o paradoxo é que aquele que busca a felicidade nunca a encontra; e aquele que busca a verdade e não se importa com a felicidade, encontra-a sempre. (...) O autoconhecimento tem que ser a única busca, tem que ser o único objetivo; porque se você conhecer todo o resto sem conhecer a si mesmo, isto não significará nada. Você pode chegar a conhecer tudo, exceto você mesmo, mas o que isso significa? Não pode ter nenhum significado — porque se o próprio conhecedor é ignorante, o que pode significar esse conhecimento, o que seu conhecimento pode lhe dar? Quando você mesmo permanece na escuridão, pode reunir milhões de luzes à sua volta mas elas não o preencherão de luz. 

Apesar delas você continuará na escuridão. Viverá e se moverá na escuridão. A ciência é esse tipo de conhecimento. Você conhece um milhão de coisas mas não conhece a si mesmo.
Ciência é conhecimento de tudo menos de si mesmo, exceto do autoconhecimento; o próprio buscador permanece no escuro. Isso não adianta muito. 
A religião é basicamente auto-conhecimento. Você tem de estar iluminado por dentro, a escuridão deve desaparecer do seu interior, e então por onde quer que você ande, a sua luz interior incindirá sobre o caminho. Onde quer que você vá, faça o que fizer, tudo será iluminado pela sua luz interior. E esse movimento com luz lhe dá um ritmo, uma harmonia, que é a felicidade. Então você não tropeça, não esbarra, não tem mais conflitos. Você se move mais facilmente, seus passos são uma dança, e tudo é satisfação. Você não quer mais que alguma coisa extraordinária aconteça. Você é feliz. É simplesmente feliz no seu ser comum.
E a menos que você se sinta feliz sendo comum, jamais será feliz.
Você é feliz apenas por respirar, você é feliz por ser; é feliz apenas por comer, por dormir mais uma noite. Você é feliz.
Agora a felicidade não deriva de nada — ela é você. Um homem que se conhece é feliz, não por qualquer razão, sua felicidade não tem causa. Não é uma coisa
que lhe acontece, é toda sua maneira de ser. É simplesmente feliz. Para onde quer que se mova, leva consigo sua felicidade.
Se você o atira no inferno, ele cria à sua volta um paraíso; com ele, um paraíso penetra no inferno.

Como você é, ignorante de si mesmo, se pudesse ser jogado no paraíso, conseguiria criar um inferno, porque você carrega consigo o seu inferno. Vá onde for, isso não fará muita diferença, você terá à sua volta o seu próprio mundo. Esse mundo está dentro de você, é a sua escuridão.
Essa escuridão interior precisa desaparecer — é isso o que significa autoconhecimento."
Osho em O Livro dos Segredos 

7 de dezembro de 2014

Reflexões sobre a miserabilidade...


Vocês podem nem conhecer esta palavra... mas miserabilidade é mesmo um grande obstáculo à nossa felicidade, por que não dizer, talvez o maior deles...

Ao longo da história da humanidade, ouso afirmar, que desde sempre fomos impelidos a acreditar na nossa miserabilidade; seja ela individual, familiar, coletiva, social, religiosa, cultural, profissional...não importa, a verdade é que a sensação de inadequação, de inferioridade, de fraqueza, de "errado", é constante...desde tempos imemoriais...

Pesquisando um pouco de antropologia, fica claro que o homem pré-histórico sofreu inúmeras ameaças, inúmeros medos e passou milênios sofrendo perseguições e ataques de animais, sofrendo com todas as mudanças da natureza, enfim...fome, frio, calor, sede... medos, medos e mais medos...
Percebemos que somos frágeis, somos pequeninos, somos vulneráveis e que a natureza é poderosa, e que a vida é mesmo tênue, e não temos controle nenhum...

As sociedades por sua vez, foram criadas para que juntos, pudéssemos conseguir uma qualidade de vida melhor, conseguíssemos nos ajudar mutuamente, e assim, nos sentirmos mais fortalecidos e apoiados, uns pelos outros. As sociedades existem para que nos sintamos melhores, mais felizes e protegidos.

Só que as sociedades acabaram por repetir aquele mesmo padrão ameaçador de antes. Mudaram certos conceitos, mudaram as ameaças, mas o medo permanece ali. Ao invés de nos sentirmos mais fortalecidos e apoiados, as sociedades criaram padrões de exclusão, de submissão, de enfraquecimento do individual em detrimento do coletivo, e isso fez com que mais uma vez, nos sentíssemos fragilizados, explorados, sem apoio e... com medo...

Tudo isso criou em nós, um padrão constante de miserabilidade, ou seja, milhares de vidas experimentando este mesmo padrão de inferioridade, de submissão, de exploração, de medo, fez com que nossa mente literalmente "congelasse" neste padrão miserável. Passamos a acreditar tão profundamente que somos miseráveis e sem valor, que isso condiciona toda a nossa vida.. e isso vem acontecendo por gerações e gerações...

Quando paramos e olhamos para este padrão mental com olhos e coração abertos, vemos o quão isso é forte, presente, e que se desdobra em inúmeras nuances e disfarces comportamentais, mas que quando investigamos profundamente, eis que lá está, a miserabilidade novamente... 

Vejam por exemplo, o que dizem os mestres do oriente: 
"Você é o Absoluto. Só há o Absoluto. Não existe nada fora do Absoluto. E você é Isso!" - Nisargadatta Maharaj  

"Tudo o que existe é a Totalidade. Você não é uma gota no oceano, você é o Oceano na gota." - Osho 

Como alguém que ainda esta aprisionado na mente miserável, pode compreender isto? Como uma mente que por eras, foi condicionada numa profunda negatividade, medos, desconfianças consegue se abrir e acolher esta verdade? 

A mente miserável somente vê miserabilidade. 
Ela está condicionada pelo passado, ela somente consegue projetar esta negatividade e menos valia sobre a realidade; é impossível para uma mente miserável sentir mesmo que de longe o perfume dessa beleza radiante que os mestres nos apontam...

E vemos também, a partir dessa miserabilidade congelada, a distorção do complexo de superioridade. Aqueles que foram no sentido oposto do miserável, foram no sentido de se acreditarem superiores, e com isso, poderem ao invés de se sentirem como os oprimidos, serem os opressores...
Mas, se olharmos com cuidado, veremos que se trata de uma reação apenas, nada além disso, pois a miserabilidade continua lá, só que disfarçada de superioridade e poder.

O ego se alimenta do extraordinário. Seja para mais ou menos, o ego vive do extraordinário... e enquanto alimentarmos este pensamentos extremados, exagerados, insensatos e destorcidos, continuaremos sofrendo e fazendo sofrer.

Vivemos em um momento tão belo, tão propício a sairmos desses condicionamentos mentais de uma vez por todas. Hoje temos acesso a tanta luz, tanta sabedoria, tanto conhecimento profundo como jamais aconteceu.

Temos a oportunidade de questionar, de investigar profundamente e claramente, todos os condicionamentos que nos foram impostos por eras e eras, temos a chance de nos abrirmos à tanta sabedoria que antes era restrita a pouquíssimas pessoas. 
Hoje está tudo absolutamente disponível e mais, esta Verdade é viva nos mestres, é viva naqueles que a experimentam, e que finalmente puderam perceber o que é real e o que não é, finalmente puderam separar o joio do trigo, e desfrutar das imensas belezas da vida, de modo simples, amoroso e sem nenhuma pretensão.

A simplicidade é a chave para começarmos a desfrutar dessa beleza. 
Importante nos abrirmos ao simples, ao óbvio, ao que sempre esteve presente aqui e agora. 
A vida que bate no nosso coração, está no ar que respiramos, na luz do sol que aquece nossa pele, a água que mata nossa sede. Caminhamos neste chão e vemos as mesmas estrelas brilhando no céu.
Somos filhos desse Universo, nosso lar é onde nossos pés tocam; Nunca fomos estrangeiros aqui, nada do que acontece acontece para nos destruir, pelo contrário, somos a realidade viva e nisso, tudo se realiza... somos o oceano na gota...


Como é possível alguma miserabilidade quando olhamos o céu a noite, quando vemos o sorriso de uma criança, e quando podemos amar sem medida? 

O amor nos realiza. 
O amor é o sentimento dos Budas, algo que põe por terra todo e qualquer sentimento seja de superioridade ou inferioridade. 

Amar é Ser.
Não Ser mais ou menos que alguém, mas Ser Amor... e acolher...

Quando o Amor está presente compreendemos profunda e definitivamente o quão maravilhosa é a vida e que nada está errado, faltando ou perdido.. ninguém é miserável, ninguém é inferior, ou superior...tudo é a Vida Vivendo, a Existência sendo...o Universo se maravilhando consigo mesmo...tudo pertence e nós somos esta Verdade lúcida, esta Verdade Consciente...

Nenhuma miserabilidade sobrevive quando o Amor consciente está vivo em nossos corações...
Se ainda estivermos presos à insensatez da miserabilidade, compreendamos que o amor ainda não está plenamente vivo em nós. Ainda estamos nos deixando levar pelos antigos e decadentes condicionamentos mentais...

É por isso que faço a cada um de vocês um convite: A partir deste momento desacredite de tudo o que te faz inferior ou superior. Viva a beleza de ser comum, fraterno, companheiro, humano, igual na sua originalidade... aí está a cura de toda e qualquer distorção que a mente teima em trazer...

Amar o presente é ser vivo e acolher, mesmo sem compreender, aquilo que a vida nos trás. Ter consigo a certeza de que a sabedoria divina é absoluta, é plenamente consciente, e plenamente sábia e que o Amor é a sua mais sublime manifestação...

Namastê 
Amidha Prem


5 de dezembro de 2014

Rani e a música - Conto Indiano


"Era meia noite na margem do rio. As estrelas no céu estavam quietas e as que estavam refletidas na água mexiam-se suavemente com as ondas.
Rani acordou repentinamente. Sentia-se inquieta, como uma formiga
quando sente o cheiro do açúcar.

No ar, havia uma música, uma música que penetrava o coração e machucava a alma. Levantou-se e sem que ninguém percebesse, saiu correndo do palácio até o lugar de onde a música vinha, mas o rio cortou seu caminho.
Na margem do rio, olhou ao redor, desesperada e sentindo-se impotente.
Seus olhos avistaram um bote. Perto dele viu seu dono dormindo.

- Quero cruzar o rio, disse, acordando-o bruscamente.
- A essa hora da noite não é conveniente colocar o bote na água, disse o homem.
- Por favor, implorou ela. - Sinto-me atraída, é algo mais forte que eu, pelo lugar de onde vem esta música do outro lado do rio.
- E qual seria a minha recompensa?, perguntou o dono do bote.
- Pegue este colar de pérolas, mas leve-me até o outro lado do rio.
O rosto dele iluminou-se pela cobiça.
- Mas o que eu faria com este colar? Se a minha esposa o usasse os vizinhos teriam muita inveja e a amaldiçoariam ou a acusariam de ladra.
Não, senhora, não o quero.
Rani estava absolutamente desesperada. A melodia parecia aproximar-se, perfurando a sua alma.
- Se me levar até a outra margem, eu lhe darei o meu palácio. Não percamos mais tempo.
- Só uma esquina do palácio acomodaria toda a minha família e, inclusive,
sobraria espaço. Como o manteria?

A música aproximava-se cada vez mais. Ela estava hipnotizada.
Sem sequer pensar em sua posição, jogou-se aos pés do homem e levantou-se abruptamente.
A música divina estava tão perto que quase podia tocá-la.
Estava em êxtase. Sentiu-se como se estivesse flutuando no ar.
Começou a dançar... Esqueceu-se dela mesma... Esqueceu de tudo...E, nesse momento, a melodia que havia encantado a sua alma brotou como néctar de seus lábios.
Ela mesma era a fonte da música.
As notas encantadas que vinham do outro lado do rio eram o eco de si mesma.
Seu rosto se iluminou como a lua e seus olhos irradiavam luz.
"O que importa é o que está dentro de você. Não procure em outro lugar."
Contos da Índia 
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