22 de dezembro de 2014

A Luz dos Mestres - Osho


"Quero lhes dizer uma coisa: os mestres não dizem a verdade. Mesmo se eles quisessem dizer, não conseguiriam é impossível. Então, qual é a função deles? O que eles continuam fazendo? Eles não podem dizer a verdade, mas podem fazer despertar a verdade ainda dormente em você. 

Eles podem provocá-la, podem desafiá-la. Eles podem balançar você; podem acordar você. Não lhe podem dar Deus, a verdade, o nirvana. 

É inato, é intrínseco. Faz parte da sua própria natureza. 
Portanto, qualquer um que finja lhe dar a verdade está simplesmente explorando a sua estupidez, a sua ingenuidade. (...) Ele é um pseudo-mestre.
A verdade não pode ser dada; ela já está em você. Pode ser evocada, provocada. Pode-se criar um contexto, um certo espaço, no qual ela alfora em você e já não está adormecida; torna-se desperta.

A função do mestre é muito mais complexa do que você pensa. Seria muito mais fácil, muito mais simples, se a verdade pudesse ser transmitida. Ela não pode ser transmitida; por isso, caminhos e meios indiretos têm que ser criados.

O Novo Testamento traz a bela história de Lázaro. (...)
Lázaro morre. Ele é irmão de Maria de Madalena e de Marta, e um grande devoto de Jesus. Jesus está longe; quando recebe a informação e o chamado: 'Venha imediatamente', dois dias já se passaram, e quando ele chega à casa de Lázaro, já se foram quatro dias. Mas Maria e Marta estão esperando por ele, tamanha é a confiança delas. Toda a vila está rindo delas. Aos olhos dos outros, elas são tolas por guardarem o corpo do irmão numa gruta; elas vigiam o cadáver todos os dias. O cadáver já começou a cheirar, está se deteriorando. As pessoas da vila, estão dizendo: "Vocês são tolas! Jesus não pode fazer nada! Quando alguém está morto, está morto!
Eis que Jesus chega, ele vai até a gruta - não entra lá - mas fica do lado de fora e chama Lázaro. As pessoas se reúnem. Devem estar rindo: " Esse homem parece estar louco!"(...) Mas, sem hesitar, Jesus chama muitas vezes: "Lázaro, saia!" E a multidão tem uma grande surpresa: Lázaro sai da gruta - abalado, chocado, como se acordasse de um longo sonho, como se estivesse saindo de um coma. Ele mesmo não pode acreditar no que aconteceu ou entender por que está numa gruta..

Esse é na verdade, um outro modo de dizer qual é a função de um mestre. A questão não é se Lázaro estava ou não morto. A questão não é se Jesus era capaz de ressuscitar realmente os mortos ou não. (...) Isso não é um fato, é uma verdade! Não é algo que acontece no tempo, é mais, é algo que acontece na eternidade!

Vocês todos estão mortos. Vocês todos estão na mesma situação de Lázaro. Vocês estão todos vivendo em suas grutas escuras. Estão todos cheirando mal, e se deteriorando...porque a morte não é uma coisa que vem de repente, um dia...vocês estão morrendo todos os dias! Desde o seu nascimento, vocês estão morrendo todos os dias. É um longo processo; leva setenta, oitenta, noventa anos para se completar. A cada momento alguma coisa de vocês morre, alguma coisa em vocês morre, mas vocês estão totalmente inconscientes de toda a situação. Continuam como se estivessem vivos; vão vivendo como se soubessem o que é a vida.

A função do mestre é chamar: "Lázaro, saia da gruta! Saia de sua cova! Saia de sua morte!" O mestre não pode lhe dar a verdade, mas ele pode despertar a verdade. Ele pode mexer com alguma coisa em você. Ele pode desencadear um processo em você que iniciará um fogo, uma chama. A verdade é você - tanta poeira se acumulou à sua volta. A função do mestre é negativa: ele tem que lhe dar um banho, uma chuveirada, para que a poeira desapareça.(...)

João Batista estava preparando as pessoas para um banho interior. Quando elas estivessem prontas, ela as levava simbolicamente ao rio Jordão. Era apenas simbólico, (...) significando que o mestre pode lhe dar um banho. Ele pode retirar de você a poeira, a poeira de séculos. E de repente, tudo fica claro, tudo é claridade. Essa claridade é iluminação.

O grande mestre Daie, diz: "Todos os ensinamentos dos sábios, dos santos, dos mestres, mostram nada mais do que isto: eles são comentários sobre o grito súbito: Ah, isso!"
Quando de repente, você está desanuviado, uma grande alegria e júbilo se manifestaram em você e todo o seu ser, toda fibra de seu corpo, mente e alma dançam e você diz: Ah, isso! Aleluia!, num grandioso grito de alegria que irrompe em seu ser, isso é Iluminação! De repente, as estrelas descem dos céus. Você se torna parte da eternidade, dança da existência.

Auden diz: Dance até as estrelas descerem do céus! Dance, dance, dance até cair!

Sim, isso acontece - não é algo que você tem que fazer. É algo que mesmo que você queira fazer, achará impossível; achará impossível resistir. Você terá que dançar.
A beleza disso, a beleza do agora, a alegria pela existência e a proximidade dela...sim, as estrelas descem dos céus. Elas estão tão próximas que você pode tocá-las; você pode segurá-las com as mãos.(...)

Todo o coração dizendo: "Ah!" E o silencio que se segue, e a paz... e a alegria, e o encontro, e a fusão, e a experiência orgástica, o êxtase...

Os mestres não ensinam a verdade; não há como ensiná-la. Ela é uma transmissão além das escrituras, além das palavras. É uma transmissão. É energia provocando energia em você. É uma espécie de sincronicidade.
O mestre, como um ego, desapareceu; ele é pura alegria. E o discípulo se senta ao lado do mestre, partilhando de sua alegria, de seu ser, comendo e bebendo daquela fonte eterna e inexaurível. E um dia - e não se pode prever quando será esse dia, ele é imprevisível... - um dia de repente acontece: um processo, que lhe revela a verdade de seu ser, começa em você. Você fica face a face consigo mesmo. Deus não está em outro lugar; ele está aqui, agora. 

Os mestres iluminam e confirmam a realização. Eles iluminam de mil e uma maneiras. Vão apontando para a verdade; os dedos apontando para a lua. Muitos tolos começam a se apegar aos dedos - se você se apegar aos dedos, não verá a lua, lembre-se disso. Há indivíduos ainda mais tolos que começam a morder os dedos. Isso não vai alimentar ninguém. Esqueça os dedos e olhe para onde eles apontam.

Os mestres iluminam. Lançam uma grande Luz - eles são Luz - lançam uma grande Luz sobre o seu ser. São como um holofote: projetam o ser deles no seu ser. Você vive na escuridão há séculos, há milhões de vidas. De repente, o holofote de um mestre começa a revelar alguns territórios esquecidos em você. Eles estão dentro de você; o mestre só os está trazendo à luz, ele só está se projetando em você. E um mestre somente se projeta quando o discípulo está aberto; quando o discípulo se entrega; quando o discípulo está pronto para aprender; quando o discípulo se entrega; quando o discípulo não quer mais acumular conhecimento, mas conhecer a verdade; quando o discípulo não está mais apenas curioso, mas é alguém que procura e está disposto a arriscar tudo. Mesmo que a vida deva ser arriscada e sacrificada, o discípulo está pronto. Na verdade, quando você arrisca a sua vida sonolenta, adquire uma qualidade totalmente diferente de vida: a vida de luz, de amor, a vida que está além da morte, além do tempo, além das mudanças.

Os mestres iluminam e confirmam a descoberta. Primeiro, o mestre ilumina o caminho, a verdade que está dentro de você. Depois, quando você a descobre e reconhece... É muito difícil você acreditar que a alcançou. A coisa mais inacreditável é a descoberta da verdade, porque você sempre ouviu dizer que é algo muito difícil, quase impossível, e que leva milhões de anos para se alcançar. E você ouviu dizer que ela está em outro lugar - talvez no céu - e, quando você a reconhece dentro de você, como pode acreditar?

O mestre confirma. Ele diz: "Sim, é isso!" A confirmação dele é tão necessária quanto a iluminação. Ele começa iluminando e termina confirmando. Os mestres são a evidência da verdade, não a prova.

O mestre é uma evidência, é uma testemunha. Ele viu, ele sabe, ele se tornou. Você pode sentir; a evidência pode ser sentida. Você pode se aproximar cada vez mais; pode permitir que a fragrância do mestre penetre até o mais íntimo de seu ser. O mestre é só evidência; não é a prova. Se você quiser alguma prova...não existe prova.

Deus não pode ser comprovado, nem contestado; ele não é um argumento. Deus não e uma hipótese, não é uma teoria: ele é uma experiência. 
O mestre é evidência viva. "
Osho em O homem que amava as gaivotas

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