20 de dezembro de 2014

A Natureza da Mente - Tenzin Palmo


"Assim, tudo o que vem à nossa mente, se o reconhecemos, no momento em que aparece, se o aceitamos, podemos depois deixar ir.
Não temos que nos agarrar a isso, não temos que lhe dar energia, não temos que ser arrastados por isso.
Nós estamos na margem de um rio, olhando a correnteza do rio, não estamos no meio do rio sendo arrastados.

Podemos todos fazer isto!
A natureza da mente é naturalmente conhecimento. Sem isso, estaríamos mortos.
Então, o que temos que fazer é voltar para aquilo que realmente somos, e parar de nos identificar com a coisa errada.

Havia um grande mestre da floresta Tai, chamado Ajahn Chah - eu recentemente estava lendo a sua biografia. 
Em uma passagem do livro - quando ele estava na floresta, sendo treinado por vários mestres - em um determinado momento, ocorreu-lhe precisamente isto: ele disse de forma muito simples, que a mente é basicamente aquilo que é conhecido e aquilo que conhece. E toda a questão é simplesmente residir naquilo que conhece.

Começar a se identificar com aquilo que conhece e parar de se identificar com o que é conhecido. É tudo, é tão fácil!

Em verdade, quero dizer que, 98% dos seus problemas estão resolvidos, senão mesmo 100%, fazendo apenas isso.
Mas não o fazemos. É interessante que não o façamos.

Quando alguém está na presença de um grande Lama, com o qual, profunda ligação Karmica, pode acontecer que, se nossa mente está muito aberta e receptiva, totalmente sem expectativas, mas muito aberta,(..) ele te direciona, ele pode introduzir-te à natureza da mente, ele não te dá nada. Você já tem o que necessita. E é uma experiência muito simples. Não é nada parecido com luzes, arco-íris, ou trombetas. É muito simples, mas naquele momento, apenas um momento, tudo desmorona. E existe apenas aquele momento de total Consciência desnuda. É extremamente simples!

É tão simples, que o podes perder muito facilmente, porque estamos sempre à espera que, de alguma forma, vá ser uma experiência grandiosa. Algo realmente fantástico...e normalmente está tão à vista, tão aberto, que a maioria das pessoas pode pensar que não pode ser isso.

Uma vez, um dos nossos yoguis, no cimo da colina, estava dando uma trânsmissão oral de um famosos texto de Dzogchen. 

Dzogchen - Grande Perfeição -  é o treino da mente da escola Nyingma. E este mestre esta lendo este texto, de depois parou e disse: Sabem qual é o problema com este gênero de livros? É que eles fazem com que tudo pareça muito elevado, muito distante, e muito fantástico. É é tão simples. Está tudo aqui mesmo! E assim, você procura lá fora, no futuro, para que algo fantástico aconteça, e todo o tempo, na realidade já está acontecendo em cada momento, mas não o reconhecemos.

Repare a cada vez que ouves um som, tudo aquilo que você vê, só poder de ver, só podes reconhecer um som por causa da Consciência. Se não tivéssemos Consciência seríamos como cadáveres.
Mas nós não reconhecemos esta Consciência por que estamos tão fascinados por nossos sentidos..
Vocês compreendem? Por que estamos tão encantados com este panorama lá fora, e todo o panorama dentro - pensamentos, memórias, sonhos e esperanças.
Nós desperdiçamos o fato de que por trás de tudo isso, está o conhecimento Disso!"
Monja Jetsunma Tenzin Palmo em satsang

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Os climas que presenciamos são infinitos...
Climas externos a nós, climas internos a nós...
Viver é observar a tudo e a todos, eventos, fatos, cenas, paisagens, histórias, filmes, romances, tragédias, comédias, suspenses, folclores, poesias, fotografias, natureza, rostos, momentos...momentos...eventos...eventos...

Infinitos eventos, desde a fecundação, experimentamos infinitas sensações, e nos deixamos levar por tantos e tantos climas, que nos esquecemos que nós não somos nenhum deles... nenhum deles... somos a Consciência que observa, a Consciência presente que identifica cada um deles... e que muitas e muitas vezes nos misturamos com estas cenas, climas, paisagens, e nos esquecemos que somos os observadores...

Nada em verdade pode acontecer se não houver uma consciência que observa. Se observo, se dou atenção a algo, ou alguém, aquilo se torna o foco da mente, o centro da minha atenção. Se não dou atenção, aquilo não existe para mim.

Monja Tenzin Palmo nos mostra neste belo texto a importância da Consciência que percebe, identifica, e compreende todos os eventos que acontecem. 

Mas, por não ser uma "coisa", a Consciência não é percebida, não é vista. Ela é apenas realizada, pois sem ela, nada existe, nada acontece, tudo perde a vivacidade, tudo perde a vida... 
Trata-se verdadeiramente de uma intuição, percebemos que existe "algo" que permanece observando, "algo" que continua presente apesar de todas as mudanças, quer sejam elas internas ou externas..

Basta uma simples mudança de olhar, daquilo que vemos para aquilo que ...iremos compreender quem realmente somos... e independente daquilo que é visto...o Ver, o Ser, a Consciência presente, é o que somos...

Todos os climas, eventos, cenas, momentos, sentimentos, emoções, pensamentos, tudo acontece na e para a Consciência... uma vez que Consciência é tudo o que há...
Namastê
Amidha Prem

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