28 de fevereiro de 2014

Osho fala sobre Jesus


"Quem é Jesus Cristo? A pergunta tem sido feita constantemente ao longo dos séculos, e também tem sido respondida. Mas os que perguntavam estavam errados, e também os que respondiam, pois a pergunta derivava de um certo preconceito, assim como a resposta. Uma e outra não eram essencialmente diferentes; a origem, em ambos os casos era a mesma.

A pergunta era feita pelos que duvidavam do caráter divino de Jesus. E era respondida pelos que não estavam preparados para acreditar na humanidade de Jesus. Eram capazes de acreditar apenas na metade dele. Os judeus podiam acreditar que ele era um homem. E os cristãos podiam acreditar que ele era Deus. Os judeus negavam metade dele - a parte Cristo. E os cristãos negavam a outra metade - a parte Jesus.

Quem é Jesus Cristo? Os cristãos não querem vê-lo como Jesus, filho de um homem - homem de carne, sangue e ossos, homem com os outros homens. E os judeus não queriam acreditar nele como Deus, como um ser divino - feito de pura consciência, e não de carne, sangue e ossos.

Ninguém foi capaz de acreditar em Jesus em sua totalidade. E isso não acontece apenas com Jesus, mas com todos os Mestres - Buda, Krishna, Zaratustra. E a menos que você se deixe penetrar por Jesus em sua totalidade, não poderá transformar-se. A menos que o escolha tal como é, não poderá estabelecer contato com ele.
Jesus é ao mesmo tempo Jesus e Cristo, e não se envergonha disso.

Na Bíblia, muitas vezes ele diz: "Eu sou o Filho do homem", e muitas vezes ele diz "Eu sou o Filho de Deus". E em sua fala não parece haver nenhuma contradição entre essas duas coisas. E não há. A contradição está em nossas mentes. Ela não existe no ser de Jesus. O seu ser lança pontes, o seu ser lança pontes entre o tempo e a eternidade, entre o corpo e a alma, entre este mundo e o outro. O seu ser lança pontes entre o visível e o invisível, o conhecido e o desconhecido. Ele é completamente unificado, está à vontade nos dois, pois é os dois. Jesus e Cristo são como duas margens do um rio, eo rio só pode existir quando há duas margens: ambas lhe pertencem. Ele existe entre elas, ele é o rio. (...) 

Os judeus tinham uma resposta. Sabiam que ele não era o Messias, que não era Deus. Por quê? Porque achavam que quando o Messias viesse, todos seriam capazes de reconhecê-lo! Todos, sem exceção. Era essa a ideia que tinham do Messias: todos seriam capazes de reconhecê-lo. E se Jesus não foi reconhecido por todos, como poderia ser o Messias? Eles têm uma definição. Também acreditavam que quando chegasse o Messias, todo mundo seria imediatamente libertado. Todos os pecados do passado, todos os pecados do presente desapareceriam nessa luz, e isso não aconteceu. " O Cristo chegou, mas as pessoas ainda não estão libertas, continuam vivendo em pecado, continuam vivendo em tormento. Esse homem não pode portanto ser o Messias, não pode ser o Cristo, não pode ser o Messias.

São preconceitos. Eles nunca tinham visto nenhum Messias. Como poderiam afirmar o que aconteceria quando chegasse o Messias?(...) Por isso é que os judeus perderam a oportunidade. Era por esse homem que estavam esperando há séculos e, quando ele chegou e bateu em suas portas, eles deixaram passar. Negaram-no. E como podem tê-lo feito? Seriam pessoas ruins? 
Não, eram tão bons quanto qualquer um de nós, tão bons quanto os hindus, os muçulmanos e os budistas; nada havia de errado com eles. Qual foi então o problema? O problema era o conhecimento deles. Tinham um preconceito. E quando os cristãos respondem que Jesus é o único filho de Deus, mais uma vez é o conhecimento.

Os judeus ficaram muito inquietos porque Jesus afirmava ser Deus, ou o filho de Deus. Há dois mil anos os cristãos vêm defendendo Jesus - afirmando que ele era Deus, que ele é Deus. 
E tentam também eliminar todas as possibilidades de provar que ele é um homem. (...) Negam assim, sua humanidade, afirmado que ele não é como todos nós. (...) Mas ele era muito humano, radicalmente humano. Era um homem completo. Não era um perfeccionista; quando era o caso de ficar com raiva, ele ficava com muita raiva. Expulsou os mercadores do templo.(...) Estava tão furioso que sozinho, sem ajuda de ninguém, expulsou dali muitas pessoas.

Ele amava as pessoas. Tinha muitos amigos. Misturava-se com as pessoas. Comia e bebia e se movimentava em sua companhia. Levava a vida de um homem comum. Não tinha nenhuma pretensão de ser um personagem extraordinário. E, mesmo quando acontece algo extraordinário, sempre diz: "Foi a sua fé que operou o milagre; Foi a misericórdia de Deus.; É alguma coisa entre você e o seu Deus". Ele não espera sequer gratidão. 
Uma pessoa está muito agradecida porque ocorreu um milagre, ficou curada e quer tocar os seus pés e lhe agradecer, mas ele diz: "Não". Mas o homem retruca: "És um grande homem, és tão bom!" e Jesus diz: "Só Deus é bom. Agradeça e ele. Esqueça de mim. Foi a sua fé que o curou, e não eu. E se sentir agradecido, terá se ser agradecido a Deus. Esqueça de mim. Não permita que eu me interponha entre você e o seu Deus."

É exatamente o que se afirma que Buda teria dito a seus discípulos: " Se me encontrarem no caminho, matem-me imediatamente. Nunca permitam que eu me interponha entre vocês e a realidade. Segurem minha mão enquanto não se sentirem capazes de caminhar sozinho, por conta própria. A partir do momento em que se sentirem capazes, simplesmente me esqueçam. Vão em frente. Não se apegue a mim. Não tentem ser a minha sombra. Se me encontrarem no caminho, matem-me imediatamente!". É exatamente o que Jesus está constantemente dizendo: "Esqueçam de mim. Dirijam seus agradecimentos diretamente a Deus."(...)

Os cristãos só falam de seus milagres, e não de sua vida cotidiana. Têm medo. Os cristãos afirmam que Jesus nunca riu! (...) Ele era Jesus... e nunca riu? Nesse caso, quem poderia rir? Mas o riso parece humano demais, por demais mundano: eles não poderiam permitir que Jesus risse.

Mas a vida de Jesus era de tal natureza que ele deveria rir. Deveria rir e muito. Deve ter sido um homem dado ao riso, pois está constantemente dizendo: "Rejubilem-se! Alegrem-se! Festejem!". Não poderiam ser palavras de um homem que nunca riu. Por que haveria de ir a festas um homem que nunca riu? Por que haveria de beber com os outros? Por que haveria de se misturar com os outros? E ele estava sempre acompanhado. Todo dia, toda noite, estava sempre na companhia dos outros. Não era um recluso. Realmente devia rir e aproveitar muito. Mas os cristãos dizem que ele nunca riu. (...)

Um homem que alcançou o supremo grau de consciência haverá de se sentir completamente bem-aventurado e feliz. Sua vida será uma canção, uma dança. Terá a mesma qualidade das florestas e das estrelas. Não pode ser triste. Por que haveria de se sentir triste? É o mundo de seu Pai, é o mundo do seu Deus. Por que se sentiria triste? Ele voltou para casa. Quando é que se vai sentir feliz? Se não ficamos felizes ao conhecer Deus, é porque não há possibilidade.

Jesus parece tão triste. Pintaram-no triste. Foi pintado como "o Salvador". Foi pintado como se estivesse carregando os fardos e os pecados de todo mundo. Ele o perdoa!. Não carrega o seu fardo, simplesmente o perdoa.
Trata-se de um equívoco, achar que ele chama para si o nosso fardo. Se não é algo de valor, por que haveria ele de chamar a si? E se é tão valioso, por que o tomaria de nós? Não, ele não toma o fardo de ninguém, simplesmente ajuda-nos a todos a deixá-los para trás. Pois somos nós que nos aferramos a fardo, a algo sem valor. Quando ele diz que você está perdoado, fala assim: "Esqueça a sua tristeza e esqueça o inferno. É o mundo do seu Pai, ele é compaixão e amor. Como poderia o amor puni-lo? Como poderia o amor atirá-lo no inferno? Como poderia o amor torturá-lo? Deus não é sádico!" (...)

Gostaria de dizer-lhes que ele é um homem de verdade, um autêntico homem. Viveu como um homem e amou vivendo como um homem. Viveu toas as dimensões da humanidade, ele ainda assim é Deus.

Jesus Cristo é ao mesmo tempo Jesus e Cristo. 
Ele é Cristo em Jesus e é Jesus em Cristo."
Osho em Encontro com Pessoas Notáveis

12 comentários:

  1. Obrigado Lilian, por compartilhar. Realmente me ajudou a entender mais este Homem e Deus e seguir o caminho.
    Agradeço !

    ResponderExcluir
  2. Grata por sua presença e sua luz Will! Namastê!

    ResponderExcluir
  3. Creio que este comentário sobre Jesus deve ser melhor analisado. A Igreja de hoje, não contempla um Jesus assim. Estudo Teologia, e não é por ai. Pelo menos na vida monástica os nossos estudos não perpassam por ai. Jesus foi humano sim, e como foi!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Ametista! Sim, Jesus foi humano, Graças a Deus!!
      Mas muitas vezes o que a igreja valoriza é para o sobre humano de Jesus, e é isso que o Osho nos aponta. A humanidade de Jesus muitas vezes passa desapercebida, ou melhor, é menosprezada.A inteireza de Jesus é a suprema beleza...assim como cada um de nós, somos inteiros, somos totais!
      Agradeço seu comentário!!
      Namaste!!

      Excluir
  4. Belíssimo este seu trabalho,Obrigada Lilian!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gratidão Lucia! É o amor que faz tudo isso acontecer...
      Namastê querida!

      Excluir
  5. Esclarecedor. Por mais incrível que possa parecer, demorei 36 anos para descobrir o Osho.... Ainda estou muito no início de suas obras e, em alguns momentos, não absorvo prontamente suas ideiais. O texto me esclareceu melhor a visão dele sobre Jesus. Excelente

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seja bem vindo Andre Luis!
      Sim, Osho é vasto, tão vasto quanto a existência; e por mais que seus ensinamentos nos apontem esta luz, ainda assim é muito pouco... Osho permanece absolutamente indescritível, e vasto...
      Agradeço sua presença luminosa!
      Namastê!

      Excluir
  6. Teria todos os homens os mesmo potencial de atingir essa "inteireza", ou seja, a capacidade de se desenvolver por igual, tanto o seu lado divino quanto o seu lado humano comum?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim Júlio César. Não existe ser humano comum, todos já somos divinos, extraordinários, só que a grande maioria se esqueceu disso e acabou se identificando com as falas da mente e com a forma, daí a sensação de limitação e de fragilidade. Os grandes mestres nos mostram que não há diferenças entre nós, e tudo que Deus, a Existência cria é divino, perfeito, absoluto, e nós seres humanos temos a capacidade de realizar isso.
      Namastê

      Excluir

Related Posts with Thumbnails