17 de maio de 2012

União com Deus - Meher Baba


"Em última análise, cada um e cada coisa é Deus. E esse Deus como a verdade pode ser realizado por meio de um guru ou de um Mestre.(...)

Porém, agora estou preocupado somente com Deus, como a Verdade, em como Ele entra em nossa experiência após o desaparecimento da mente-ego limitada e limitante. Deus é uma Verdade inabalável e eterna. Ele se comunica e revela a Si mesmo para aqueles que amam-No, que buscam-No e que se entregam a Ele, tanto em seu aspecto impessoal que está além de forma, nome e tempo, ou em Seu aspecto pessoal.
Ele é mais facilmente acessível ao homem comum através dos homens-Deus, que sempre vêm e sempre virão para transmitir luz e verdade para a sofrida humanidade, a qual em sua maioria está tateando no escuro.

Por causa de sua completa união com Deus, o homem-Deus desfruta eternamente do estado "eu-sou-Deus", que também corresponde ao termo Vedanta Aham Brahmasmi e ao termo Sufi Anal-Haq ou à declaração de Cristo: "Eu e meu Pai somos um."

Na experiência dos Sufis, ou o estado "eu-sou-Deus", é a culminação de Hama-Oost, que significa que tudo é Deus e nada mais existe. E uma vez que nesta abordagem só “Deus sem um segundo" é contemplado, não há espaço para o amor por Deus ou o anseio por Deus. A alma tem a convicção intelectual de que ela é Deus. Mas para realmente experimentar esse estado, ela passa por uma intensa concentração ou meditação sobre esse pensamento. "Eu não sou o corpo, não sou a mente, não sou isto nem aquilo, eu sou Deus." A alma, em seguida, experimenta através da meditação aquilo que ela assumiu ser ela mesma. Mas essa maneira de experimentar Deus não é apenas difícil, mas é também seca.

O Caminho é mais realista e alegre quando há um amplo jogo de amor e devoção a Deus, quando postula s separação temporária e aparente de Deus e o desejo de unir-se a Ele. Tal separação aparente e provisória de Deus é afirmada pela alma nas duas concepções da tradição Sufi: Hama Oost, que significa que tudo é de Deus e Hama Doost, que significa que tudo é para o Amado Deus. Em ambas as concepções a alma percebe que sua separação de Deus é apenas temporária e aparente e ela busca restaurar essa unidade perdida com Deus através de um intenso amor que consome toda a dualidade. A única diferença entre esses dois estados é que enquanto a alma, no estado de Hama Doost, contenta-se com a Vontade de Deus como o Bem-Amado,no estado de Hama az Oost, a alma não anseia por nada além da união com Deus.
Sendo que a alma, que está em aprisionamento, pode ser resgatada somente através do Amor Divino, até mesmo os Mestres Perfeitos, os quais alcançam a completa unidade com Deus e experimentam-no como a única Realidade, muitas vezes, aparentemente, entram no domínio da dualidade e falam a linguagem do amor, da adoração e do serviço a Deus em Seu Ser não-manifesto bem como em todas as inumeráveis formas através das quais Ele se manifesta.

O Amor Divino, como ensinado por místicos Cristãos como São Francisco, (...) e tornado imortal por poetas sufis como Hafiz, nunca abriga nenhum pensamento autocentrado.

Ele consome todos os desejos e fraquezas que nutrem a servidão e a ilusão da dualidade. Por fim, ele une a alma a Deus, trazendo assim para a alma o verdadeiro autoconhecimento, a felicidade duradoura, a paz inatacável, a compreensão sem fronteiras e o poder ilimitado.
Sejam vocês os herdeiros dessa vida eterna que vem para aqueles que buscam!
Meher Baba em O Propósito da Criação

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