6 de novembro de 2013

O Verdadeiro EU - Jean Klein


"É essencial ver com muita nitidez que o sujeito que aspira a consciência do Ser deve se esforçar em discernir a identificação errônea: sou isso, ou sou aquilo, que é transitória.

Interrogue-se acerca do que é permanente em todas as fases da existência.
A identificação do "eu" com isto ou aquilo tem suas raízes na ignorância da nossa natureza verdadeira.

Você pode unicamente formular, explicar o que não é realmente; o que é você genuinamente não se formula, não se explica. Se esforçar nisso, teria como resultado nada mais que a confusão.

A pergunta: Quem Sou EU? não tem constatação, não é uma experiência dentro de uma relação sujeito-objeto, dentro da relação do que percebe e a coisa percebida, mas sim, uma vivência, não dual, presente em todas as circunstâncias.

Quando o conhecedor está considerado independente do conhecido, se revela como pura testemunha e quando o conhecido e o conhecedor são UM, já não há mais testemunho.

Qualquer imaginação não é real, está baseada na memória. O que é não projetado, inesperado, não previsto, não antecipado, provém do real. A busca do prazer, nasce do sofrimento, da memória. Aceite os acontecimentos tais como se apresentam, não se pode modificá-los, mas se pode mudar de atitude para com eles. 
O mundo, a sociedade, tem sua raiz na noção de "eu" separado.
Viva a última realidade e a sociedade, o mundo mudarão. 
Quando desaparece o desejo a aversão, só o que resta é o amor.

A identificação com o corpo e a personalidade, criam a escravidão; Ao se colocar como observador de ambos, tudo se resolve e existe a liberdade.

A percepção de nossas sensações é uma construção de nossa memória e implica em um conhecedor. Devemos examinar sua natureza. Da-lhe toda nossa atenção, todo nosso amor e assim descobriremos o que somos, uma vivência. Na ausência de desejo e do medo, está o amor. (...)

O homem totalmente maduro, que é consciente da sua verdadeira natureza, não segue necessariamente as convenções da sociedade. Atua no momento oportuno e obedece ao oque lhe pede a situação. Atuar segundo seus desejos, não é mais que escravidão, do contrario, fazer o que se deve fazer, o que é justo, é liberdade total, não se interpõe nenhuma coação interior nem exterior.

A noção de ser uma pessoa não está presente quando os pensamentos, sentimentos aparecem: " o pensamento eu" pode desaparecer após o "pensamento objeto" para dar-lhe crédito. Quando isso se torna evidente, que a escravidão realmente nunca existiu, você a transcende naturalmente. A lucidez silenciosa estão mais além de qualquer estado, no estado de vigília é onde a expressamos em palavras.

O exemplo da serpente e da corda, usado por muito vedantista, se refere ao universo, o mundo por uma parte e a essência por outra. A serpente representa o mundo objetivo, incluindo a noção de uma entidade pessoal, e também o pensamento e a afetividade; a corda representa o silencio lúcido. 

Quando deixamos de tomar a corda por uma serpente, a ilusão da serpente se afasta de nós e a corda resulta ser o que sempre foi. Está na natureza do erro, dissipar-se quando a verdade está claramente percebida.
Já o pensamento é parte integrante da ilusão, através dele não podemos alcançar a revelação do absoluto. O que existe é a realidade última - o eu e o mundo não são mais que superposições ao Ser.


"Sou" é a fonte de toda experiência, mais além da dualidade entre experimentador e a coisa experimentada. Dissolver o eu, ser consciente - e não é o pensamento, ou a percepção - nos proporciona uma grande tranquilidade seja no plano neuro muscular, seja no plano mental.

Ao se ir examinando de modo desinteressado todos as identificações, se constatará que o pensamento e a percepção se dissolvem no conhecimento: "Ser", único aspecto real, antes de aparecer outra atividade aparente. Deixe-se fundir com o silencio sempre que ele surja.

Não cultive ideias a respeito de si mesmo, nem tampouco as que a sociedade faz de você. Não seja nem alguém, nem algo, permaneça totalmente fora do jogo; isto lhe proporcionará um estado de constante alerta.

Observe sem ideias preconcebidas, escute sua mente, como ela entra em ação, como atua. 

Descobrirá que você é o vigilante, a testemunha; mais adiante compreenderá que você é a Luz do observador; esta toda-possibilidade está na origem; tudo surge dela e não é mais que ela."
Jean Klein em A Alegria sem Objeto

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