30 de maio de 2010

Fábula das Areias...


Um regato, vindo de sua fonte nas distantes montanhas, passando por todos os tipos e espécies de regiões, finalmente alcançou as areias do deserto.
Da mesma forma como atravessou todas as outras barreiras, tentou atravessar também esta, mas percebeu que ao entrar em contato com a areia suas águas desapareciam...
Porém estava convencido de que seu destino era atravessar o deserto, mas não havia como.
Uma voz oculta vindo do deserto sussurrou: -O vento atravessa o deserto e da mesma maneira o regato pode fazê-lo.
O regato percebeu que sempre que investia contra as areias o que obtinha era ser absorvido; mas o vento podia voar e por isso podia atravessar o deserto.

As areais lhe disseram: -Você não pode atravessr abrindo caminho de sua maneira costumeira. Você ou desaparecerá, ou se tornará um pântano. Você precisa permitir que o vento o carregue a seu destino.
- Mas como isso pode acontecer? perguntou o regato.
- Permitindo ser absorvido pelo vento, responderam as areias.
Essa idéia não era aceitável para o regato. Afinal de contas ele jamais fora absorvido antes, não queria perder sua individualidade, e uma vez perdida como saber se ela poderia ser readquirida?
-O vento, disse a areia, executa essa função; ele ergue a água, carrega-a sobre o deserto e então a deixa cair novamente; caindo como chuva a água de novo se torna um rio.
-Como posso saber se isso é verdade? retrucou o riacho.
-É assim, e se não acreditar você não pode passar de um lamaçal, e mesmo assim isso levaria muitos anos, disse a areia.
-Mas não posso permanecer o mesmo regato que sou hoje?
-Em nenhum dos casos você pode permanecer assim. Sua parte essencial é levada para longe e novamente forma um regato. Você se chama pelo que você é hoje porque não conhece qual é a sua parte essencial.

Quando ele ouviu isso, certos ecos começaram a surgir em seus pensamentos. Vagamente se lembrou de um estado no qual ele - ou seria parte dele? - foi erguido nos braços de um vento. Lembrou-se também - será mesmo? - que esta era a coisa real...

O regato ergueu seu vapor nos respectivos braços do vento que gentil e facilmente o transportaram para cima e adiante deixando-o cair suavemente tão logo eles alcançaram o topo de uma montanha muitos quilômetros além.
E porque teve suas dúvidas, o regato foi capaz de se lembrar e gravar mais fortemente em sua mente os detalhes da experiência. Ele refletiu: - Sim agora descobri minha verdadeira identidade.
O regato estava aprendendo.

Mas as areias sussurraram. - Sabemos pois vemos isto acontecer todos os dias; nós as areias, nos estendemos da margem do rio até as montanhas.
E é por isso que se diz estar escrito nas areias o caminho pelo qual o curso da vida deve continuar sua jornada...
Fábula Sufi, extraído de A sabedoria das Areias por Osho

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