5 de janeiro de 2011

O que É, É...


"O único momento em que nós sofremos é quando acreditamos em um pensamento que briga com o que é.
Quando a mente está perfeitamente clara, o que nós queremos é o que é.

Se você quer que a realidade seja diferente do que é, você tem, também, que tentar ensinar um gato a latir.
Você pode tentar, tentar e no fim o gato vai olhar para você e dizer :
"Miau !!"
Querer que a realidade seja diferente do que é, é inútil.

E ainda, se você prestar atenção, você vai notar que você tem pensamentos assim dezenas de vezes por dia. "As pessoas deveriam ser mais gentis. Crianças deveriam se comportar bem. "Meu marido (ou minha esposa) deveria concordar comigo. Eu deveria ser mais magro(a) ou mais bonito(a) ou ter mais sucesso)."
Estes pensamentos são maneiras de querer que a realidade seja diferente do que é.
Se você pensa que isso parece depressivo, você está certo(a).
Todo esse estresse que nós sentimos é causado por brigar com o que é.

Pessoas novas em O Trabalho, ( método desenvolvido por Byron Katie, para a desidentificação com a mente ), com frequência dizem para mim, " Mas seria enfraquecedor parar de brigar com a realidade. Se eu simplesmente aceitar a realidade, vou me tornar passivo(a). Eu talvez até perca o desejo de agir." Eu respondo à eles(as) com uma questão: "Você pode realmente saber que isso é verdade? O que é mais fortalecedor? ―Eu desejaria não ter perdido meu emprego ou , Eu perdi meu emprego; o que posso fazer agora?"

O Trabalho revela que, o que você pensa que não deveria ter acontecido, deveria ter acontecido. Isso deveria ter acontecido porque aconteceu e não há pensamento no mundo que possa mudar isso. Isso não quer dizer que você concorde ou aprove isso. Isso só significa que você vê as coisas sem resistência e sem a confusão da sua luta interior.
Ninguém quer que seus filhos fiquem doentes, ninguém quer estar em um acidente de carro; mas quando essas coisas acontecem, como pode ser útil brigar mentalmente com elas?
Nós sabemos que não é o melhor, mas ainda assim, fazemos isso porque não sabemos como fazer para parar.

Eu sou uma amante do que é não porque eu sou uma pessoa espiritual, mas porque me machuca quando eu brigo com a realidade. Nós podemos saber que a realidade é boa exatamente como ela é, porque se nós brigamos com ela, nós experimentamos tensão e frustração. Nós não nos sentimos naturais e em equilíbrio.
Quando nós paramos de nos opor à realidade, ações se tornam simples, fluídas, gentis e sem medo.

Eu posso encontrar apenas três tipos de assuntos no Universo: os meus, os seus e os de Deus. (Para mim, a palavra Deus significa ―realidade. Realidade é Deus, porque ela manda. Qualquer coisa que está fora do meu controle, do seu controle ou do controle de qualquer outra pessoa, eu chamo de assuntos de Deus.)

Muito do nosso estresse vem de viver mentalmente fora dos nossos próprios assuntos. Quando eu penso "Você precisa arrumar um emprego, Eu preciso que você seja feliz, você deveria ser pontual, você precisa se cuidar melhor", eu estou nos seus assuntos. Quando eu estou preocupado(a) com terremotos, inundações, guerras ou quando eu vou morrer, eu estou nos assuntos de Deus.

Se eu estou mentalmente nos seus assuntos ou nos assuntos de Deus, o efeito é separação.
Eu percebi isso no início de 1986. Quando eu, mentalmente, estava nos assuntos da minha mãe, por exemplo, com um pensamento do tipo "Minha mãe deveria me entender", eu imediatamente experienciava um sentimento de solidão. Foi quando eu me dei conta de que, todas as vezes na minha vida em que eu me senti magoada ou solitária, eu estava nos assuntos de outra pessoa.

Se você está vivendo sua vida e eu estou mentalmente vivendo sua vida, quem está vivendo a minha? Estamos os dois lá. Estando mentalmente nos seus assuntos me afasta de estar presente nos meus próprios. Eu estou separado(a) de mim mesmo(a), pensando porque minha vida não funciona.
Pensar que eu sei o que é melhor para qualquer outra pessoa é estar fora dos meus assuntos. Mesmo em nome do amor, é pura arrogância e o resultado é tensão, ansiedade e medo. Eu sei o que é certo para mim? Somente esse é o meu assunto. Deixe-me trabalhar nisso antes de eu tentar resolver os seus problemas por você.
Se você entender os três tipos de assuntos o suficiente para estar nos seus próprios assuntos, isso poderia libertar a sua vida de uma maneira que você não pode nem imaginar.

A próxima vez que você se sentir estressado(a) ou desconfortável, pergunte a você mesmo(a) nos assuntos de quem você está mentalmente e talvez você caia na gargalhada!
Essa pergunta pode trazer você de volta para você mesmo(a).
Você pode vir a reconhecer que você nunca esteve realmente presente, que você tem vivido mentalmente, toda a sua vida nos assuntos das outra pessoas.
Só perceber que você está mentalmente nos assuntos dos outros, pode trazer você de volta para o maravilhoso você mesmo(a).

E se você praticar isso por um tempo, você pode vir a reconhecer que você não tem nenhum assunto também e que a sua vida corre perfeitamente bem por si só."
Byron Katie em Ame a Realidade

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