9 de janeiro de 2011

A jornada interior...


"As aventuras externas não se comparam a aventura interior do sânias, da meditação, do zen, porque quando você vai na direção interior você vai sozinho, absolutamente sozinho - ninguém pode acompanhá-lo.
Você perde todo o contato com o mundo exterior: quanto mais fundo você vai interiormente, mais o mundo exterior começa a desaparecer como um sonho.
Não se trata de uma filosofia, aquilo que os místicos chamaram de ilusório, maya, um sonho, feito da mesma matéria de que são feitos os sonhos. Não se trata apenas de um conceito filosófico - isso está enraizado em uma profunda percepção espiritual.
Trata-se de uma experiência, experiência existencial. Eles experimentaram.
No momento em que você chega ao verdadeiro centro do seu Ser, todo o mundo desaparece; as pessoas, as montanhas, as estrelas ...começam esmaecendo e chega um momento em que não existem mais. Existe a infinita vastidão, o nada.

E quando o mundo desaparece, lembre-se, você como um ego, desaparece também, porque você somente pode existir no relacionamento com os outros. Eu/tu é um par: o "eu" não pode exitir sem o "tu". (...)
Quando você entra em meditação, primeiramente o "tu" desaparece, e depois, devagar, devagarinho o "eu" perde todo o sentido.

Naturalmente, a pessoa sente medo, dúvida.
É uma jornada perigosa, a mais perigosa jornada que existe,, mas com grande êxtase. Cada momento dela é cheio de êxtase, excitação, surpresas e mais surpresas, mistérios e mais mistérios.

A pessoa corajosa não é aquela que não tem nenhum medo - somente os idiotas não tem medo - a pessoa corajosa é a que tem medo mas, a despeito do medo, segue viagem, a despeito do medo segue na pesquisa do desconhecido. E o desconhecido é somente um processo de aprendizado porque ao final, você terá de dar um salto quântico do desconhecido para o incognoscível.
O desconhecido não é tão arriscado, lembre-se disso. (...)
Incognoscível, significa que aquilo vai permanecer desconhecido - é da própria natureza da incognoscibilidade.

Deus é incognoscível: não desconhecido.
A jornada interior do sânias, do zen, da meditação é uma jornada do conhecido para o desconhecido e do desconhecido para o incognoscível. (...)

Ouça a sua felicidade, siga a sua felicidade. Ela sempre lhe dará a indicação correta.
Se um homem ouve a sua própria felicidade, ele nunca pode estar errado. A felicidade é simplesmente uma indicação de que você está chegando perto da verdade, de que você está chegando mais perto da harmonia da existência.
Até mesmo o desejo de se aproximar dela, libera fontes escondidas de alegria em você.
E no momento em que você se torna harmonioso com ela, sua vida torna-se um puro êxtase.

Não seja barrado pelas dúvidas e pelas incertezas e pelos medos;
Todo mundo tem de encará-los e quanto mais inteligente for a pessoa, mais ela terá de encará-los. Mas a verdadeira inteligência é capaz de dar o salto, apesar de tudo isso."
Osho em Zen, a Transmissão especial.

***
A jornada interior é a maior aventura da nossa existência.
Melhor dizendo, nem é "nossa" jornada, é na verdade aventura da própria existência que decide se auto-buscar, buscar a si própria , ir direto a fonte criadora, a Verdade manifesta, o Self.

Esta jornada é o ápice de toda a criação.
É o voltar ao lar, voltar ao centro.
Sair da periferia do mundo, da pluralidade superficial e mergulhar no centro, no silencio, na vacuidade original.
Trata-se de um salto no escuro, sem roteiros, sem regras, sem mapas...
Temos que ir só.
É uma resposta ao chamado que ecoa em nós, e nos faz ir nesta direção.

A diferenciação com os outros começa no momento em que o mundo exterior já não nos preenche, já ficamos nos sentindo meio um peixe fora d'água, e começamos a questionar a vida superficial...ficamos entediados...e tomamos consciência de que a existência é mais do que as sociedades e as culturas, nos mostram...

Esta ruptura é um marco, é um salto.

Mergulhar no profundo, é correr riscos, é estar caminhando em terreno estranho.
Mas existe uma certeza profunda, uma força que nos faz prosseguir.
E a felicidade que vamos sentindo quando estamos na trilha certa é a indicação de que estamos cada vez mais próximos da fonte primordial, cada vez mais perto da fonte da vida e da luz...

Não são os aprisionamentos, as regras, as limitações que nos apontam o caminho da verdade; Pelo contrário, é a liberdade consciente, é a simplicidade, é a confiança, a paz e a total entrega.
Assim como a flor se abre e perfuma o jardim, simplesmente por ser a sua natureza essencial, e ela não pode ser de outra maneira, a jornada interior perfuma nossa vida, e nossa vida perfuma a todos ao redor...não tem como ser diferente...

A felicidade, a alegria, o êxtase e a confiança são verdadeiramente indicações de que não estamos mais na periferia de nós mesmos...alcançamos a fonte luminosa essencial...
O viajante egóico, desapareceu, fica no lugar um perfume da sua passagem...
Mas o caminho continua...no eterno-agora da existência...
Amor
Lilian

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