9 de outubro de 2010

A mente...


"A mente é ilusão, ela não é, mas parece ser e parece tanto que você pensa que é a mente.

A mente é maya, a mente é só um sonho, a mente é só uma projeção...uma bolha de sabão, não há nada nela, mas parece uma bolha de sabão flutuando no rio. O sol acabou de surgir, os raios penetram a bolha; um arco-íris surge e nada existe nela. Quando você toca a bolha, ela se rompe e tudo desaparece, o arco-íris, a beleza, nada fica. Só o vazio torna-se um com a vacuidade infinita. Há pouco havia uma parede lá, a parede da bolha.
Sua mente é como uma parede de bolha, dentro o seu vazio. É só uma bolha: fure-a e a mente desaparece.
As pessoas vêm a mim e dizem: Nós gostaríamos de atingir um estado silencioso da mente.
Elas pensam que a mente pode permanecer calada. A mente nunca pode ficar calada. A mente significa o tumulto, a doença, a enfermidade; a mente significa tensão, o estado angustiado.
A mente não pode ficar silenciosa; quando há silêncio a mente não está ali !
Quando o silêncio chega, a mente desaparece; quando a mente está ali, não há mais silêncio.
Assim, não pode haver mente silenciosa, da mesma maneira que não pode haver doença saudável. É possível ter uma doença saudável? Quando a saúde existe, a doença desaparece.
O silêncio é a saúde interior; a mente é a doença interior, a perturbação interior.(...)
A mente não é a sua realidade; é uma falsa interpretação.
Você não é a mente, nunca foi a mente, nunca poderá ser a mente. Este é o seu problema: Identificar-se com algo que não existe. (...)

O que significa não-mente? É difícil acompanhar, mas às vezes, sem propósito deliberado, você alcançou, embora possa não tê-la reconhecido. Às vezes, apenas permanecendo simplesmente sentado, sem fazer nada, não há nada, nenhum pensamento na mente.
Quando não há nenhum pensamento, não há nenhuma mente, porque a mente é exatamente este processo de pensar. Não é uma substância, é um processo.

Vocês estão aqui, eu posso dizer que uma multidão está aqui, mas realmente existe algo como uma multidão? Uma multidão é substancial ou são só indivíduos que estão lá? Aos poucos os indivíduos irão embora. Então haverá uma multidão deixada para trás? Quando os indivíduos se forem, não sobrará nenhuma multidão.
A mente é exatamente como uma multidão; os pensamentos são os indivíduos. Como os pensamentos estão lá continuamente passando, você acredita que o processo é concreto. Elimine cada pensamento individual e finalmente não sobrará nada. Não existe a mente como tal, só os pensamentos.
Mas os pensamentos se movem tão rapidamente que entre dois pensamentos você não consegue ver o intervalo. Mas o intervalo está sempre lá. Esse intervalo é você.(...)

Entre dois pensamentos tente estar alerta; olhe para dentro do intervalo, o espaço entre os dois. Você não verá nenhuma mente; essa é sua natureza.
Os pensamentos vêm e vão, eles são acidentais; esse espaço interior sempre permanece. As nuvens acumulam-se e vão, desaparecem, elas são acidentais, mas o céu permanece. Você é o céu, você é a consciência que permanece e observa os pensamentos passarem. (...)

Esta é a definição de atman, o céu que sempre está presente. Tudo aquilo que vai e vem é irrelevante; não se aborreça com isso, é só fumaça. O céu que permanece eternamente nunca muda, nunca fica diferente.
Entre dois pensamentos, mergulhe nele; entre dois pensamentos, ele está sempre ali. Olhe dentro dele e de repente perceberá que você está na não-mente."
Osho em Um pássaro em Voo, conversas sobre o Zen

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