28 de outubro de 2010

Espaço meditativo...


Eu não quero que você se torne um buscador de iluminação, eu quero que você se torne iluminado neste mesmo momento.

Quero que você afirme a si mesmo "Eu estou iluminado". E viva uma vida iluminada depois disso, não se torne de novo ignorante - porque a mente tende a se tornar ignorante novamente. Num momento você diz: "Certo, eu estou iluminado." Entretanto, algo acontece e você fica ignorante. (...)

Há mil e umas tentações para se tornar ignorante de novo e de novo. E eu sei, muitas vezes você se tornou iluminado. E eu não estou dizendo que esses momentos estão errados ou que são ilusórios - não. Você os tocou, você os penetrou, você teve uma visão. Mas não durou; você não foi suficientemente capaz de mantê-los fluindo.

Por um momento, a iluminação veio como um raio, e então desapareceu.
Não encontrei um único homem em minha vida que não tenha tido momentos de iluminação.
Você mesmo não acredita que possa se iluminar, assim, nem mesmo nota esses momentos.

Num dado dia, caminhando na praia, o sol está bonito e a brisa está salgada...e chega um momento, uma porta se abre. De repente, você começa a ver as coisas como nunca as viu. Fica totalmente perdido no momento; não há passado nem futuro. Você esqueceu quem é, esqueceu o que quer se tornar, você simplesmente É - em harmonia com o oceano, o vento e o sol. Isso é iluminação - embora eu saiba que você não é capaz de viver nela, porque não criou um espaço meditativo dentro de si. Assim, ela vem e vai.

Se você criar um espaço meditativo dentro de si, esse espaço meditativo pode conter a iluminação. É disso que trata a meditação: a capacidade de conter a iluminação. A iluminação vem a todo mundo - mas você tem tantos buracos em seu ser que ela flui para fora, ela simplesmente escoa para fora.
Ao ver uma árvore em plena floração, a primavera chega e você fica em uma espécie de estado admirativo. Ao ver o verde, o vermelho, o ouro da árvore, você é transportado para um outro mundo. Isso é iluminação. Você recua: a atração é demasiada. Sua esposa vem e diz: -O que você está fazendo aqui? - e você está de volta ao seu estado de ignorância.

E você não é corajoso bastante para aceitar o fato, porque não se respeita. Você foi condenado a se condenar pelas pessoas ditas religiosas. Você não pode aceitar que " a iluminação pode acontecer a mim. Acontece a Buda- muito bem. Acontece a Cristo. Mas ela não pode acontecer a mim". Você não se respeitou, você não se amou.

Por outro lado, a iluminação vem a todo mundo, a todos. Vem a pecadores, vem a santos. A iluminação não tem nenhuma condição para vir.
De fato, usar a palavra "vir" não é correto - ela surge.
O impacto do sol e da praia, o impacto da brisa matutina, e ela surge dentro de você, uma onda.
Então recua, porque você não tem o espaço para contê-la.

Medite, e você será capaz de conter aquele momento por períodos mais longos.

E quando você está totalmente meditativo...E o que quero dizer com meditativo? Quando você está totalmente sem pensamentos. É o pensamento que funciona como um buraco em seu ser - e você tem muitos pensamentos, assim, você tem muitos buracos. E o seu balde está cheio de buracos: com um balde, você vai a um poço e tenta pegar água. Quando abaixa o balde dentro do poço, quando ele está na água fica cheio de água. Então, você começa a puxá-lo e a água começa a escoar. Quando o balde chega às suas mãos está vazio.(...)

É exatamente assim que acontece. Há momentos em que você está cheio de iluminação (...)

A meditação não é realmente uma busca por iluminação. A iluminação vem sem qualquer busca.
A meditação é apenas um crescer de asas, ou criar um espaço dentro de você, de forma que, quando o convidado chega, pode persuadi-lo a viver dentro de você e se tornar o anfitrião".
Osho, em Revolução, conversas sobre Kabir.
...
Aqui, o amado Osho nos mostra que a iluminação não é algo que precise ser alcançado.
Na verdade, a iluminação é nossa natureza essencial.
Cada ser humano que nasce é em si mesmo iluminado, pois possui auto-consciência, a consciência de que existe, independente do saber, do fazer, de realizar qualquer coisa. No mais íntimo de nós mesmos, se retirarmos todas as referências, todas as crenças, todo conhecimento, todo passado, memórias, mesmo assim, ainda nos resta o profundo, intocado, sentimento de que Eu existo! Eu sou! Isto é consciência. E consciência é tudo que há.
Quando nossa dimensão interna se une a dimensão externa, tudo de torna Uma única e mesma dimensão. E vemos enfim, que na verdade nunca existiram duas dimensões ( interna e externa) sempre foram a mesma, só que a mente, os pensamentos, nos fizeram acreditar que eram duas, separadas. Mas quem realmente criava a divisão era a mente/ego. Sem ela, nenhuma divisão é possível.
Quando Osho nos aponta para a importância da meditação, ele se refere a criação desses espaços silenciosos em nós.
Espaços onde o Eu, a consciência possa se manifestar plena, simples, sem ruídos.
Os estados meditativos, que nascem na meditação, vão aos poucos se expandindo, se expandindo, e passamos a viver neles na maior parte do tempo.
Mesmo trabalhando, mesmo agindo, fluindo na vida cotidiana, permanecemos em estado meditativo, isto é, centrados na consciência pura.
Mesmo os pensamentos que surgirem, são pensamentos que emergem do estado meditativo, são eles luminosos, coerentes, includentes, e voltados a plena manifestação da essência pura. São pensamentos naturais, que fluem também. Não existem pensamentos obsessivos, fragmentados, discrepantes.
O estado meditativo é na verdade o nosso estado natural. Nele tudo que acontece, acontece em perfeita sintonia com o Todo, com o Universo, com Deus. Isto é iluminação..
Amor
Lilian

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