8 de fevereiro de 2010

Acordando e dormindo...


Quando acordamos pela manhã nos damos conta de que existimos naquele lugar.
Lentamente tomamos consciência do nosso corpo, as lembranças vem vindo, encadeando nossos pensamentos, e vamos concatenando ideias de ontem, do que devo fazer hoje, se tenho compromisso, enfim...vamos aos poucos nos inteirando de que estamos inseridos numa dimensão, que temos um nome, e uma profissão, que moramos naquele lugar, nosso marido (esposa) nossos filhos.... enfim vamos acordando para uma realidade que chega repleta de formas, cores, luzes, sons, emoções, pensamentos... acordamos plenamente.

Ao final do dia, acontece o oposto. Nossos corpos cansados, mente cansada, um dia cheio de vivências, experiências, emoções...algumas coisas boas aconteceram, outras nem tanto...encontramos pessoas, rimos, nos alimentamos, trabalhamos, vimos coisas bonitas, ouvimos canções, passamos em lugares agradáveis, outros nem tanto...enfim um dia de nossas vidas...
Ao deitar nos colocamos em estado de relaxamento. O corpo relaxa, se abandona na cama, os pensamentos vão aos poucos ficando mais e mais lentos, os sentidos ficam menos estimulados e também vão adormecendo e quando menos esperamos....dormimos...apagamos para o mundo.

Onde está o mundo nesse momento?
Onde estamos nós, nossa consciência, nesse momento?
Boa pergunta !!
Nosso corpo ainda está lá deitado na cama, relaxado, mas nossa consciência, nosso eu, aonde foi parar?
Esse estado adormecido nos mostra que é possível continuar existindo mesmo sem termos consciência do eu.

Desde muitos milhares de anos, os Orientais nos tem mostrado que a consciência do eu só se dá quando estamos acordados...em sono profundo ele simplesmente desaparece... e porque será que isso acontece?
Se o eu está associado aos sentidos, ao estado de vigília, mas acordo para ele e depois durmo para ele, mas continuo existindo...significa que existe algo além dele que permanece vigilante mesmo enquanto durmo...algo que quando estou acordada também está ali, mas não o percebo pois estou identificada com o eu...

Isso que permanece é a nossa Consciência. Um estado do Ser.
Somos graças a esse estado constante...que não dorme, nem acorda, que não está preso a ritmos, nem aos sentidos, nem fluxos, nem tempo, nem memórias, nem nada...existe simplesmente...silenciosamente....
Se relaxamos nosso corpo, deixamos nossos pensamentos frouxos, livres, fechamos nossos olhos, e entramos em contato com aquela sensação de presença relaxada, percebemos uma dimensão interna diferente...simples, silenciosa, ampla e que nos dá uma imensa leveza e plenitude....

Esse é nosso estado fundamental...nossa natureza plena, esse é o âmago do nosso existir...o que me dá a certeza que existo, mesmo sem nenhuma prova "concreta" disso... esse é o Ser, o Eu Sou que falam os orientais...

Uma certeza sem provas... uma amplitude fascinante...uma paz avassaladora...
Meditar significa acessar sempre que quisermos esse estado do Ser. Podemos estar acordados, trabalhando, dirigindo, enfim...e esse estado de plenitude é acessado imediatamente...é como dar um salto, e caímos no Ser que permanece lá em nós.
Acessar esse profundo em nós abre dimensões e experiências maravilhosas em nossas vidas...

Viver centrado nos conecta com o centro de tudo e de todos...
Aos poucos vamos experimentando a conexão que existe em toda a criação em cada ser, cada planta, cada animal, cada pessoa, cada pensamento, cada emoção, tudo enfim, tudo que antes acreditávamos ser tão plural, passa a ser nada mais que UM...
Amor
Lilian

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