15 de julho de 2012

Mente alerta...



“A mente alerta é, sobretudo, a capacidade de simplesmente reconhecer a presença de um objeto sem tomar partido, sem julgar, sem cobiçar e sem desprezar este objeto.

Por exemplo, suponhamos que exista um lugar dolorido em nosso corpo. Com a mente alerta, nós simplesmente reconhecemos esta dor.(...)

Com a energia da concentração e da introspecção, somos capazes de ver e entender a importância dessa dor, o verdadeiro motivo porque surgiu e a maneira como seremos capazes de curá-la, com base na compreensão que provém da mente alerta e da concentração. Se tivermos ansiedade demais, se estivermos imaginando sempre coisas, esta ansiedade e estas imaginações vão trazer estresse à nossa mente, e a dor aumentará. E nós nos preocupamos e lamentamos até não mais conseguir comer nem dormir. A dor redobrar e pode levar a uma situação mais grave. (...)

Quando perseguimos os objetos do desejo dos nossos sentidos (...), criamos muito sofrimento para nós e para os outros. (...).

Inspirando, colocamos nossa atenção em nossa respiração.
Sentiremos a calma o tempo todo que estivermos inspirando.

Exatamente como se estivéssemos bebendo um copo de água fresca; sempre que a água fresca entra em nosso corpo, nosso interior se sente refrescado.

Na prática meditativa, quando a mente está calma e em paz, o corpo também está calmo e em paz, porque a respiração consciente une outra vez o corpo e a mente.
Quando expiramos, sorrimos para relaxar todos os músculos de nossa face. Também o nosso sistema nervoso fica relaxado quando sorrimos.

Na tempestade de nossas emoções, se soubermos como sair da área do furacão, da área de nosso cérebro, e voltar toda a nossa atenção para o abdome, para o ponto da acupressão logo abaixo do umbigo (dan tien), nós nos sentiremos bem diferentes. Veremos que não somos apenas nossas emoções, somos mais do que nossas emoções. As emoções vão embora, mas nós ficamos. (...)

No Sutra da Plena Consciência da Respiração, o Buda ensinou: Inspirando, acalmo minha mente.

Quando nossa mente não está calma, nossas percepções normalmente são incorretas. O que vemos, ouvimos e pensamos não reflete a realidade, assim
como, quando há ondas no lago, suas águas não conseguem espelhar fielmente as nuvens do céu. Buda é a serena lua cheia, percorrendo o céu do vazio.

Quando a mente dos seres vivos está calma, a imagem da lua cheia será refletida claramente. Nossa tristeza e irritação nascem de nossas percepções erradas. Para evitar percepções erradas, temos de praticar muito, a fim de que nossa mente fique calma e em paz como a superfície do lago numa manhã de outono.
Nossa respiração pode produzir esta paz.”
Thich Nhat Hahn em Paz a cada passo

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