12 de fevereiro de 2011

Bem-aventurados...


"Bem-aventurados os humildes em espírito, pois deles é o reino dos céus."

Esta é uma das afirmações mais fundamentais já feitas.
Muitas outras bem-aventuranças seguirão, mas nada se comparará a esta.
É excepcional, é extraordinária.
E a beleza é "Bem-aventurados os humildes em espírito, porque deles é o reino dos céus". Em outras bem-aventuranças, Jesus dirá: "...herdarão a terra". Mas nesta, diz: "...pois deles é o reino dos céus.

"Humildes em espírito" é exatamente do que falava Buda a Sariputra: o nada. O ego faz você pensar que é rico, que é alguém, isso e aquilo. Quando o ego desaparece, e você não é ninguém - é a isso que Jesus se refere quando diz "humildes em espírito".

As palavras de Buda, são sofisticadas, filosóficas:
Portanto Sariputra,
A forma é o vazio,
O vazio é a forma.

As palavras de Jesus são simples, nada sofisticadas. E é tudo natural.
Buda era filho de um grande rei. Jesus era filho de um carpinteiro. Por muitos anos, ele só trabalhou na oficina de seu pai trazendo lenha, cortando madeira. Ele conhece os modos das pessoas simples dos lenhadores, dos carpinteiros.
Ele diz: "Bem-aventurados os humildes em espírito" - aqueles que sabem que não são nada, aqueles que sabem que seu interior é vazio; que não existe eu, ego, afirmação, palavra, conhecimento, escritura, porque deles é o reino dos céus." É deles agora mesmo! Não é dito que eles "terão" não há adiamentos. Não há o elemento tempo envolvido. Se você é o nada, neste exato momento você é Deus; não há abismo nenhum. De um lado é o nada, a pobreza de espírito; do outro, é o reino de Deus, dos céus.

Uma afirmação muito paradoxal: aqueles que são pobres se tornarão reis, e aqueles que se acham reis continuarão pobres. Perca, se quiser ganhar; ganhe, se quiser perder. (...)
Não possua coisa alguma - nem a si mesmo. É isso que significa "humilde em espírito".
Deles é o reino dos céus, aqui e agora. Não é uma promessa para o futuro, é uma simples afirmação da verdade.
As outras bem-aventuranças não são tão profundas. Se isso for compreendido, não há necessidade de ir além; se não for - e não deve ter sido, por isso Jesus continuou - então ele deixa a verdade mais diluída, mais compreensível.
Depois ele diz:

"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados".
Agora entra o futuro. Os discípulos e não entenderam; do contrário só teria havido uma bem-aventurança, porque ela contém tudo . Não é preciso explicar. Jesus disse tudo; é seu sutra supremo. Mas ele deve ter olhado nos olhos dos discípulos e percebido que eles não tinham entendido - é muito elevado para eles. Ele precisa descer um pouco, trazer o futuro a eles.

A mente consegue entender o futuro, mas não consegue entender o presente. A mente é absolutamente incapaz de compreender o presente.
Se eu digo a vocês: " Neste exato momento, vocês são Budas, ou Cristos", vocês ouvirão mas dirão: " O que ele está dizendo? Eu um Buda? Ontem a noite fiquei jogando. E Osho você não me conhece. Eu fumo, bebo as vezes. Você não me conhece; sou um pecador. E do que você está falando? Eu me conheço. Não sou um Buda, sou o pior pecador do mundo".
Prestem atenção se eu lhes digo: " Vocês são Budas neste momento. Não falta nada, nada! Vocês escutam por educação, mas no fundo dizem: "Absurdo!".

Jesus disse o máximo que havia para dizer:
"Bem-aventurados os humildes em espírito, porque deles é o reino dos céus."
Isso pode ser comparado com o sutra que Buda deu a Sarupitra, quando disse : " Este é o único mantra; é o mantra incomparável. Nenhum mantra é superior a este: gate gate, paragate, parasamgate, bodhisvaha" muito, muito além, totalmente além. Que êxtase! Aleluia!
E ele sabe que isso é tudo, condensado num mantra pequeno.

Assim como este mantra:
"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque dele é o reino dos céus"
Neste momento, aqui e agora, seja um ninguém, entregue e tenha tudo, seja um mendigo e torne-se um imperador: perca e possua."
Osho em A flauta nos lábios de Deus

Quando a entrega verdadeira acontece, quando não possuímos mais nada, nem a nós mesmos; quando tudo já se foi, tudo já foi entregue a Deus, a existência, ao que é...
Quando não temos mais nenhum nome, nenhuma forma, nenhum desejo, nenhum apego, nenhuma expectativa...
Quando o "eu" que tanto amávamos, simplesmente se derrete, e se dissolve, pois nunca existiu verdadeiramente...
Neste momento o espírito manifesta a pura humildade, sua natureza essencial...

Quando o eu desaparece, quando se foi realmente, foi verdadeiramente entregue, pois perdeu todo o valor ilusório...neste exato momento o reino dos céus simplesmente, silenciosamente, sem nenhum alarde, se abre diante dos nossos olhos...e o coração imediatamente reconhece a totalidade da verdade, da existência, da pura presença de Deus, absoluta e bela...
O reino dos céus acontecendo bem aqui e agora, em tudo e em todos...límpido, claro, cristalino e puro, sem divisões...céu aberto radiante bem diante dos nossos olhos, bem dentro de cada um de nós...
Amor
Lilian

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