14 de fevereiro de 2011

Fragmentos...


"Há uma história que conta que em uma aldeia havia um ancião muito pobre, porém muito sábio, e que até os reis lhe invejavam, porque possuía um formoso cavalo.
Os reis lhe ofereceram quantidades fabulosas pelo cavalo mas o homem dizia:
-“Para mim ele não é um cavalo; é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?”.
Era um homem pobre, mas nunca vendeu seu cavalo.

Uma manhã descobriu que o cavalo já não estava no estábulo. Todo o povo se reuniu dizendo: -“Velho tolo. Sabíamos que algum dia lhe roubariam o cavalo. Teria sido melhor se o tivesse vendido. Que desgraça!”.
-“
Não vamos tão longe”, disse o ancião. “Simplesmente digamos que o cavalo não está no estábulo. Este é o fato. Todo o resto é seu julgamento. Se for uma desgraça ou uma
sorte eu não sei, porque isto é apenas um fragmento. Quem sabe o que vai acontecer amanhã?”
.

Todos riram dele. Acreditavam que o ancião estava um meio louco.
Mas depois de quinze dias, uma noite o cavalo retornou.
Não tinha sido roubado, mas havia escapado. E não foi só isso, ele retornou e trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens.

De novo o povo se reuniu dizendo:
- “Tinha razão o velho. Não foi uma desgraça mas uma verdadeira sorte”.
-“De novo estão indo muito longe”, disse o ancião.“Digam apenas que o cavalo voltou.
Quem sabe se foi uma sorte ou não? É só um fragmento. Estão lendo apenas uma palavra de uma frase da existência. Como podem julgar o livro inteiro? Ninguém disse mais nada, mas por dentro sabiam que ele estava equivocado. Afinal haviam chegado doze cavalos formosos.
O velho tinha um filho que começou a treinar aos cavalos. Uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e quebrou as duas pernas.

O povo voltou a se reunir e a julgar - “De novo o velho tinha razão”, disseram. Era uma desgraça, seu único filho com as duas pernas quebradas, não poderia trabalhar e, na sua idade ele era seu único sustento. Agora estava mais pobre que nunca”.-“Estão obcecados julgando”, disse o ancião. “Não vão
tão longe. Só digam que meu filho quebrou as duas pernas. Ninguém sabe se foi uma desgraça ou uma fortuna. A vida vem em fragmentos, e nunca nos dá mais que isto”.
Aconteceu que, poucas semanas depois o país entrou em guerra e todos os jovens do povoado foram chamados pelo exército. Só se salvou o filho do ancião porque estava sem poder andar.

O povo inteiro chorava e se queixava porque era uma guerra perdida de antemão e sabiam que a maioria dos jovens não voltariam.

-“Tinha razão velho. Era uma sorte. Embora com as pernas quebradas, seu filho ainda estava com ele, enquanto os nossos se foram e não sabemos se voltam.
-“Seguem julgando”
, disse o velho. Ninguém sabe. Só digam que seus filhos foram obrigados a unir-se ao exército e que meu filho não . Só Deus sabe se foi uma desgraça ou uma sorte. Apenas mais um fragmento da vida, apenas isso...nada mais"...
Conto Zen

2 comentários:

  1. Maravilhaaaa!!! Me fez lembrar o conto do oco da terra. Um jovem também ficou com membros inoperantes inferior, mas, como fragmento, veio a resposta. Ele encontrou o verdadeiro amor. Sorte ou azar... deixe estar para se ser!!!

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    1. Isso Claudia! Deixe estar para ser!! Adorei!! Namaste!!

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