9 de fevereiro de 2011

Amor - A plenitude da falta...



"O amor de si está para o amor de Deus
assim como o trigo ainda verde está para o trigo maduro.
Não há ruptura de um a outro - apenas um alargamento sem fim,
as águas caudalosas de uma alegria que,
depois de ter impregnado o coração,
transborda por todos os lados e recobre a terra inteira.

O amor de si nasce num coração infantil.
É um amor que brota naturalmente.
Vai da infância até Deus.
Vai da infância,
que é a nascente,
a Deus que é o oceano.

Todo aquele que canta, arde na sua voz.
Todo aquele que ama, esgota-se no seu amor.
O canto é este abrasamento,
o amor é este cansaço.
Não vos vejo ardidos nem esgotados.
Esperais do amor que ele venha preencher-vos.

Mas o amor não preenche nada - nem o buraco que tendes na cabeça,
nem esse abismo que tendes no coração.
O amor é falta, muito mais do que plenitude.
O amor é plenitude da falta.
Concordo que se trata de algo incompreensível.,
Mas o que é impossível de compreender é sumamente simples de viver."
Christian Bobin em Um Deus à flor da terra.

2 comentários:

  1. Que cantinho bom de ficar...

    "Mas o que é impossível de compreender é sumamente simples de viver."

    Muita LUZ!!!

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  2. Seja bem vinda Roberta!! Esse cantinho é todo seu!! Obrigada por sua luz!! Namastê !!

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