11 de março de 2013

O Amado é tudo em tudo - Rumi

"Levanta-te, ó filho! Rompe tuas cadeias e sê livre!

Quanto tempo serás cativo da prata e do ouro? 
Embora despejes o oceano em teu cântaro, este não pode conter mais que a provisão de um dia.

O cântaro do desejo do ávido nunca se enche. A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor, está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.

A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!Tu que curas todas as nossas enfermidades! Que és médico de nosso orgulho e presunção! Tu que és nosso Platão e nosso Galeno!

O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos,
E faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".

Se meu Amado apenas me tocasse com seus lábios,
Também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam sua língua,

Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo. 
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece, não se ouve mais a canção do rouxinol.

O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas seu véu;
Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.

Quando o amante não sente mais as esporas do Amor, ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos, quando o Amado não mostra a luz de Seu semblante?

O Amor quer ver seu segredo revelado, p
ois se o espelho não reflete, de que servirá?
Sabes por que teu espelho não reflete?
Porque a ferrugem não foi retirada de sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
Refletiria o brilho do Sol de Deus.
O Amado e o Amor, poema de  Rumi

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