6 de março de 2013

O Fazer e o Ser - Osho

"Nunca pergunte a uma nuvem: Para onde você está indo? Ela própria não sabe; ela não tem endereço, não tem destino. Se o vento mudar enquanto ela ia para o sul, ela começa a ir para o norte. 

A nuvem não diz ao vento: Isso é absurdamente ilógico. Estávamos indo para o sul e agora estamos indo para o norte. Qual o sentido disso tudo? Não, ela simplesmente passa a ir para o norte, com tanta facilidade quanto ia para o sul. Para ela sul e norte, leste e oeste não faz nenhuma diferença. 
Apenas siga com o vento sem nenhum desejo, sem nenhum objetivo, sem nenhum lugar para chegar; a nuvem só aprecia a jornada. 

A meditação faz de você uma nuvem - de consciência. Não existe mais objetivo.

Nunca pergunte a quem medita: Por que você está meditando? porque é a resposta irrelevante. A meditação é ela própria, o objetivo e ao mesmo tempo, o caminho.(...)

Lao Tsé chegou a iluminação sentado sob uma árvore. Uma folha tinha acabado de cair; era outono e não havia pressa; a folha voava ao sabor do vento, devagar. Ele observou a folha. A folha foi caindo até chegar ao chão, e enquanto observava a folha caindo e pousando no chão, de algum modo ele também foi se aquietando. Desse momento em diante, ele se tornou um não fazedor. O vento sopra naturalmente e a existência cuida dele.

Todo ensinamento de Lao Tsé se assemelhava ao do rio: siga a corrente seja para onde ela for. Mas a mente sempre quer fazer alguma coisa porque desse modo o crédito vai para o ego. Se você simplesmente seguir a maré, o crédito vai para a maré, não para você. Se você nadar, você pode ter um ego maior: "Eu consegui atravessar o canal da Mancha!"

Mas a Existência dá à luz, lhe dá a vida, lha dá amor; lhe dá tudo o que é precioso, tudo o que não pode ser comprado com dinheiro. Só aqueles que estão prontos para dar todo o crédito pela sua vida à existência percebem a beleza e as bençãos do não fazer.

Não é uma questão de fazer. É uma questão de ausentar-se como ego. de deixar as coisas acontecem.

Entregue - essa palavra contém toda a experiência.(...)

Criamos uma sociedade que acredita somente no "fazer", enquanto a parte espiritual do nosso ser morre à míngua porque precisa de algo que não se faz, mas acontece. (...) Na verdade, os reais de amor são silenciosos. Quando você está realmente sentindo amor, esse amor sentimento cria à sua volta uma radiância que diz tudo o que você não consegue dizer, que nunca pode ser dito.

Mas em vez disso, nós transformamos tudo num "fazer", e o resultado final é que aos poucos a hipocrisia se torna uma característica nossa. Nós nos esquecemos completamente de que se trata de hipocrisia. E na mente, no ser de uma pessoa que é hipócrita, qualquer coisa do mundo do não fazer é impossível. Você pode continuar fazendo mais e mais, você se tornará quase um robô.
Portanto, sempre que você passar subitamente por uma experiência de acontecer, encare-a como uma dádiva da existência e faça desse momento o arauto de um novo estilo de vida. Simplesmente reserve alguns momentos das 24 horas do dia, quando não estiver fazendo nada, simplesmente deixe que a existência faça algo a você. E as janelas começarão a se abrir para você, janelas que o ligarão com o universo , o imortal."
Osho em A Essência do Amor.

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