11 de abril de 2012

O Sentido da Vida - Osho


"Osho, há algum sentido em viver?

O homem tem sido criado por todas as tradições de uma maneira esquizofrênica.
Para essas tradições foi útil dividir o homem em todas as dimensões possíveis e criar um conflito entre as divisões. Dessa maneira o homem se torna fraco, instável, temeroso, pronto para se submeter, para se render; pronto para ser escravizado pelos líderes, políticos, por qualquer um.

Essa pergunta também vem de uma mente esquizofrênica. Você terá um pouco de dificuldade para entender, porque pode nunca ter pensado que a divisão entre os fins e os meios é uma estratégia fundamental para a criação de uma divisão no homem.
Viver tem algum significado, algum objetivo, alguma importância? Essa é a pergunta que você está fazendo.
Há alguma meta a ser alcançada com a vida, com o viver? Há algum lugar que você atingirá um dia pelo fato de viver? Viver é um meio. A meta, a realização, em algum ponto distante, é o fim. E esse tornará o viver significativo. Se não houvesse fim, certamente a vida não teria sentido.(...) Primeiro crie a divisão entre os fins e os meios. Isso divide a sua mente.

Sua mente está sempre perguntando "por quê?" ou "para quê?". E qualquer coisa que não responda à pergunta " para quê?" pouco a pouco perde o valor para você.
É assim que o amor perde o valor. Qual o sentido do amor? Onde ele vai conduzi-lo? O que será atingido com ele? Você atingirá alguma utopia, algum paraíso?
É claro que, visto dessa maneira, o amor não tem sentido - ele é inútil.

Qual o sentido da beleza? Você vê um pôr do sol - você fica deslumbrado, é tão lindo, mas qualquer idiota pode perguntar: " Qual é o sentido disso?" E você não terá nenhuma resposta a lhe dar. E se a beleza não tem significado, então, porque você desnecessariamente se orgulha de beleza?

Uma bela flor, um belo quadro, uma bela música, uma bela poesia - eles não têm nenhum sentido. Eles não são argumentos para se provar algo, nem são os meios para se atingir algum fim.
E viver consiste apenas nessas coisas sem sentido.

Deixe-me repetir: viver consiste apenas nessas coisas que não têm nenhuma razão, que não têm absolutamente nenhum significado - no sentido de que não têm nenhum objetivo, de que elas não o conduzem a lugar nenhum de que você não vai obter nada delas.
Em outras palavras, viver é importante em si. Os meios e os fins estão juntos, não separados.
Mas esta é a estratégia de todos aqueles que têm ambicionado o poder no decorrer dos tempos. Eles dizem que os meios são os meios, e os fins são os fins. Os meios são úteis porque o conduzem ao fim. Se não conduzirem a um fim, os meios não têm sentido. Dessa maneira, eles destruíram tudo o que é realmente importante, e lhe impuseram coisas que são absolutamente insignificantes.

O dinheiro tem um sentido. Uma carreira política tem um sentido. (...) Os negócios tem um sentido porque você vê imediatamente o resultado final. Os negócios tornaram-se importantes, a política tornou-se importante. E a poesia, a música, a dança, o amor, a amizade, a beleza, a verdade, tudo desapareceu da sua vida. Essa é uma estratégia simples, mas destruiu tudo o que o torna significado, que proporciona êxtase ao seu ser. Mas a mente esquizofrênica vai perguntar: "Qual é o sentido do êxtase?"

As pessoas, centenas de pessoas têm me perguntado: " Qual é o sentido da meditação? O que vamos obter dela? Em primeiro lugar, ela é muito difícil de atingir - mas mesmo que consigamos atingi-la, qual vai ser o resultado final?"
É muito difícil explicar a essas pessoas que a meditação é um fim em si mesma. Não há fim além dela.
Qualquer coisa que tenha um fim além de si mesma serve apenas para a mente medíocre.(...)
Minha abordagem é totalmente diferente.
É fazer de você um todo único.
Por isso quero que viva a vida apenas por amor à vida. (...)

Quanto mais alto uma coisa se eleva, menor o número de pessoas que irá reconhecê-la. Quando algo atinge o ponto mais elevado, é muito difícil encontrar até mesmo algumas pessoas que o reconheçam. No ponto ômega final, apenas a própria pessoa reconhece o que aconteceu com ela; ela não consegue encontrar nem mesmo uma segunda pessoa que possa enxergar o que aconteceu. Por isso um Buda tem de se declarar iluminado. Ninguém mais pode reconhecer isso, porque reconhecer seria preciso ter alguma experiência de iluminação. (...)

Mas, qual é o significado do estado búdico? Qual é o significado de se tornar iluminado? Qual é o sentido disso? Se você perguntar sobre o sentido, não há sentido nenhum.
A iluminação em si é o bastante. Ela não precisa de nada mais para torná-la significativa.

É isso que quero dizer quando falo que as coisas realmente valiosas na vida não são divididas em fins e meios. Não há divisão entre os fins e os meios. Os fins são os meios, os meios são os fins - talvez dois lados da mesma moeda inseparavelmente unidos - na verdade, eles são uma unidade uma totalidade.(...)

Vivendo: viva e viva totalmente. Morrendo: morra e morra totalmente. E nessa totalidade você vai encontrar significância."
Osho em Destino, Liberdade e Alma

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