9 de abril de 2012

O Nirvana de todos os dias...



"Ajahn Buddhadasa, cujo mosteiro ficava numa floresta da Malásia, chamou os alunos para o frescor das árvores. Então, ensinou-os a procurar o Nirvana nas coisas mais simples, em momentos do cotidiano. Disse ele:

O Nirvana é o frescor do abandono, o prazer de experimentar sem sofreguidão nem resistência à vida.

Qualquer um percebe que, se a avidez e a aversão fossem constantes, ninguém as suportaria. Nessas circunstâncias, as coisas vivas morreriam ou ficariam loucas. Sobrevivemos porque há períodos naturais de frescor, de plenitude e sossego.

Na verdade, esses períodos duram mais do que os fogos da avidez e do medo. É o que nos sustenta. Os períodos de repouso nos deixam renovados, vivos, nos deixam bem. Por que não somos gratos por esse Nirvana de todos os dias?"
Jack Kornfield em Depois do êxtase, lave a roupa suja.

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Viver nos extremos é praticamente impossível. A própria natureza nos ensina que o equilíbrio dinâmico é o meio pelo qual a vida acontece, as estações fluem, as crianças nascem, os rios correm, as marés se alternam, os ventos sopram, e a Terra gira em seu giro eterno...

Enquanto não despertarmos para os momentos de simplicidade no nosso dia a dia, momentos em que a mente relaxa, que o silêncio entre os pensamentos se alarga, momentos em que nos sentimos plenamente vivos e em contato com aquilo que É, esses momentos de Nirvana no nosso cotidiano existem, e é importante que estejamos atentos para eles, desfrutemos deles e absorvermos todos os ensinamentos que eles nos trazem.

Esses momentos nos trazem a consciência de plenitude, de que tudo está no seu devido lugar, acontecendo sem expectativas, desempenhando o seu papel na infinita dança Cósmica...

São nesses belos momentos que tocamos a eternidade, que percebemos o quão somos amados, somos vividos e cuidados. Fica evidente a grandeza da simplicidade e de como o coração é mesmo muito maior que a mente...
Amor
Lilian

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