12 de abril de 2012

Sobre Meditação - Ramana - 1


"Pergunta: O que é meditação (Dhyana)?
Bhagavan Ramana Maharshi: É permanecer como seu próprio Ser sem desviar-se de maneira nenhuma de sua natureza real e sem sentir que você está meditando.

Pergunta; Qual é a diferença entre Dhyana e Samadhi?
Ramana: Dhyana é alcançada através de esforço mental deliberado. Em Samadhi não há tal esforço.

Pergunta: Quais são os fatores a serem mantidos em vista na meditação?
Ramana: É importante para aquele que está estabilizado no seu Ser (atmanishtha) observar que ele não se desvie nem um pouquinho de sua absorção. Ao desviar-se de sua natureza real, ele pode ver diante de si refulgências brilhantes, ou escutar sons incomuns, ou considerar como reais visões de Deuses aparecendo dentro e fora de si mesmo. Ele não deveria ser enganado por tais coisas e esquecer de Si.

Pergunta: Não encontro meios de ir para dentro através da meditação.
Ramana: Onde mais estamos agora? Nosso próprio Ser é isso.

Pergunta: Mesmo assim somos ignorantes.
Ramana: Ignorantes do quê e de quem é a ignorância? Se a ignorância é a respeito do Ser existem dois si mesmos (Selfes)?

Pergunta: Não há dois. Mas o sentimento de limitação não pode ser negado.
Ramana: As limitações são apenas da mente. Você as sentia no sono profundo? Você existe no sono profundo. Você não nega a sua existência então. O mesmo Ser está aqui e agora no estado desperto. Você está dizendo agora que há limitações. O que aconteceu agora é que existem diferenças entre os dois estados. As diferenças devem-se à mente. Não há mente no sono profundo, enquanto que agora ela está ativa. O Ser existe na ausência da mente também.

Pergunta: Embora isso seja entendido, não é percebido.
Ramana: Será pouco a pouco, com meditação.

Pergunta: Meditação é com a mente. Como ela pode matar a mente para poder revelar o Ser?
Ramana: Meditação é firmar-se a um pensamento. Aquele único pensamento mantém afastados os outros pensamentos. Distração da mente é um sinal de sua fraqueza. Através de constante meditação ela ganha força, ou seja, a fraqueza dos pensamentos fugitivos dá lugar ao
duradouro pano de fundo livre de pensamentos. Essa vastidão desprovida de pensamentos é o Ser. A mente em pureza é o Ser.

Pergunta: Como a meditação deve ser praticada?
Ramana: Verdadeiramente falando, meditação é fixar-se no Ser. Mas quando os pensamentos cruzam a mente e fazemos um esforço para eliminá-los, o esforço geralmente é chamado de meditação. Atmanishtha (estar fixado no Ser) é a sua natureza real. Permaneça como você é.
Esse é o objetivo.

Pergunta: Mas os pensamentos aparecem. Nosso esforço serve apenas para eliminar os pensamentos?
Ramana: Sim. A meditação sendo em um único pensamento, os outros pensamentos são mantidos longe. A meditação apenas é negativa de fato, na medida em que os pensamentos são mantidos afastados.

Pergunta: Fala-se em 'fixar a mente no Ser' (atma samstham manah krtva). Mas não é possível pensar no Ser.
Ramana: De qualquer modo, por que você deseja meditar? Porque você deseja meditar, lhe é dito para 'fixar a mente no Ser'. Por que você não permanece como você é sem meditar? O que é esta mente? Quando todos os pensamentos são eliminados ela se torna 'fixada no Ser'.

Pergunta: Se uma forma for dada, eu posso meditar nela e os outros pensamentos são eliminados. Mas o Ser é sem forma.
Ramana: A meditação em formas ou objetos concretos é dita ser Dhyana, enquanto que investigação do Ser é Vichara ou a ininterrupta consciência de ser (de existir).

Pergunta: Há mais prazer na meditação do que nos prazeres sensuais. Ainda assim a mente se apressa para obter os prazeres sensuais e não busca a meditação. Por que é assim?
Ramana: Prazer e dor são aspectos da mente apenas. Nossa natureza essencial é a felicidade. Mas nós esquecemos de nós mesmos (do Ser) e imaginamos que o corpo ou a mente são o Ser. É essa identidade errada que gera miséria. O que deve ser feito? Essa tendência mental é
muito antiga e tem continuado por inúmeros nascimentos passados. Dessa forma ela tem ficado mais forte. Ela tem de ir antes que a natureza essencial, a felicidade, se afirme." [continua...]
Ramana Maharshi em Talks with Ramana Maharshi

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