22 de junho de 2011

Apenas o Ser...



Você nos disse que a própria busca, seja ela qual for, impede a gente de VER verdadeiramente - ou seja - trata-se apenas de um jogo brilhante de aparências e de desvios de atenção... essa forma de ver as coisas acontecer ajuda-nos a dar uma compreensão de como TUDO provém da mesma fonte.

Tony Parsons: Sim, é da mesma fonte, sempre é. Isto acontece pelo fato das aparências julgar não querer ser o mesmo - ou achar que não é da mesma fonte.

Mas isto é apenas um jogo - ou um jogo que é chamado de Jogo Divino ou Brincadeira Divina de ...

Tony: Sim, e é absolutamente o Jogo Divino do Ser.
E o Ser não é, e nem está nenhum pouco interessado na idéia de alguém que observa ISTO ou não, porque não há nada que não seja... a própria não-realização também está "sendo" ISTO.

Assim, ISTO aparentemente sofre, ri, busca, encontra, e não encontra. E não há nada além disto. E, claro, ao mesmo tempo, tudo ISTO é totalmente imaculado, completo - porque só existe ISTO de modo que é TUDO que existe e nada mais. SER não tem, nem procura por nenhuma exigência.

Mas acontece que surge no SER uma aparente necessidade e obrigação de achar que há necessidade e exigência.

E o mistério do que é incontestável - é apenas um mistério.

Tony: E também a busca que se reflete no mundo em que vivemos, porque tudo o que fazemos é uma busca para isso. Toda religião, todo o esforço aparentemente pessoal, é simplesmente uma busca para esse desconhecimento.

É uma forma de resolução de atenção, de sentimento de separação?

Tony : É uma busca para não se sentir separado de algo. O buscador não pode ver ISTO, porque ISTO é atemporal - ISTO é o Ser Eterno, que está fora do tempo, fora do espaço, fora de ser viável para alguém. Então o que tentamos atingir não pode ser alcançado porque ele já é tudo que existe.

É meio difícil de perceber e aceitar ISTO - algo que eu tenho dificuldade em aceitar é que a busca espiritual não é nem melhor, nem maior, nem mais refinada do que a busca por dinheiro, poder, sexo ou qualquer outra coisa.

Tony: Absolutamente. Todo desejo no final das contas, é finalmente um desejo de busca para voltar para casa. E o que é estranho sobre esse paradoxo, esse mistério, é que tudo que está sendo feito - todos os buscadores, todo esse esforço pessoal, toda a construção de igrejas e impérios, é pura vitalidade. É um paradoxo incrivelmente estranho.

Em alguns textos antigos védicos, ou algo assim, não há nada disso sobre o que É, ou sobre o porquê disso tudo. Quer dizer, eu sei que o "Bhagavad Gita", diz apenas que é uma experiência ...

Tony: Não, não há razão e não há nenhuma experiência e não há nenhuma escolha. A base do argumento tradicional é que a unidade escolheu tornar-se dois, e se a unidade fez uma escolha para se tornar dois, poderia até fazer uma escolha para se tornar uno novamente.

É um conto de fadas baseado na ilusão de tempo causa e efeito. Nada jamais pode ser escolhido. O sonho de toda escolha e motivação é que há algo no momento em que pode avançar com a intenção de um lugar chamado duplicidade para um lugar chamado unidade.

Nunca houve nada, apenas há o SER, e ISTO é o eterno nada e o tudo ao mesmo tempo.
Não vai para lugar nenhum e nunca foi em qualquer lugar.
Não há qualquer lugar.
Não há tempo ou espaço, exceto na aparência.
Não há nada, mas apenas ISTO, e ISTO não é nada acontecendo.

E vejo agora que esta questão surge a partir do ponto de vista de separação e por isso acaba sendo inerente a duplicidade, de forma inquestionável. Trata-se apenas de uma questão sem resposta, mas isso acontece porque é a partir do ponto de vista da separação. O que é melhor é que nos vislumbres da totalidade não há dúvida alguma. Há apenas uma ausência de necessidade de não ter que saber nada, porque simplesmente É ISTO acontecendo. Então essa pergunta surge como um "laço".

Tony: Sim, um laço que tem toda razão, que engendra a separação e o "por quê" e sente a necessidade de procurar por algo. E como você diz, quando não há ninguém, não há nenhum laço e não há dúvidas. Não há nenhuma pergunta e não há nehuma necessidade de respostas. Não há conhecedor e muito menos nenhum conhecido ... e assim não há ninguém para perguntar "porquê".

Mas é a pergunta mais atraente dentro desse ponto de vista.

Tony: Ah, sim!. É, e estando em separação, adora perguntar "por quê". E assim esse fascínio todo tem gerado as religiões.
A questão de porquê o buscador segue o cristianismo, o budismo, etc, e tudo o que você poderia chamar de um ensino que busca tornar-se ALGO, é inevitável, e é baseado no equívoco fundamental de um indivíduo que se sente separado com a escolha e a vontade de seguir um caminho, ou seja, na eterna ilusão da busca de ser motivado a mudar de um estado para outro, para um melhor estado, para buscar e encontrar a resposta que não gere nenhuma dúvida.
Tony Parsons em Satsang

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