17 de junho de 2011

Além da mente - Ramana




Por que agarrar-se ao pensamento "Quem sou eu?

Ramana Maharshi: Quando surgem outros pensamentos, não se deve insistir neles, mas indagar: "Para que surgem esses pensamentos?" Não importa quantos são eles. A cada um, deve-se indagar prontamente, "Para quem surgiu este pensamento?" A resposta seria "Para mim".

Se logo depois se fizer a pergunta "Quem sou eu?", a mente retorna à sua fonte e o pensamento se aquieta. Com a repetição dessa prática, a mente desenvolverá a habilidade, de permanecer em sua fonte. Quando a mente, que é sutil, aflora através do cérebro e dos órgãos dos sentidos, surgem nomes e formas grosseiras; quando permanece no coração, tais nomes e formas desaparecem.

Impedir que a mente divague e retê-la no Coração é o que se denomina "interioridade" (antar-mukna). Permitir que a mente saia do Coração é conhecido como exteriorização (bahir-mukha).

Assim, quando a mente permanece no Coração, o "Eu" que é a fonte de todos os pensamentos desaparece e o Eu superior que sempre existiu pode brilhar. O que quer que se faça, deve-se fazê-lo sem o "Eu" egóico. Desta forma, tudo aparecerá como natureza de Shiva (Deus).

Não existem outras maneiras de aquietar a mente?

Sri Ramana: Não existem meios adequados afora a indagação. Com outros meios, a mente mostra-se aparentemente controlada, mas acabará por manifestar-se. Também através do controle da respiração a mente se aquieta; mas só permanece assim enquanto a respiração está controlada, e quando esta volta ao habitual, a mente também voltará a agitar-se e a vaguear, compelida por impressões residuais.

A fonte é a mesma para a mente e a respiração. O pensamento é a natureza da mente. O pensamento "Eu" é o primeiro a surgir na mente; isto é egoidade. Daí originam-se a egoidade e a respiração. Assim, quando a mente se acalma, a respiração é controlada, e quando a respiração está controlada, a mente se acalma. Entretanto, no sono profundo, embora a mente esteja calma, a respiração não pára. Isso se deve à vontade de Deus, a fim de que o corpo possa ser preservado e as pessoas não tenham a impressão de que é a morte.

No estado de vigília e no samadhi, quando a mente se aquieta, a respiração é controlada. A respiração é a forma grosseira da mente. Até o momento da morte, a mente mantém a respiração física; quando o corpo morre, a mente leva consigo a respiração. Portanto, o exercício de controle respiratório serve apenas para acalmar a mente;mas não destrói.

Assim como a prática do controle respiratório, a meditação nas formas de Deus, a repetição dos mantras, o controle alimentar, etc., não passam de auxiliares para a calma da mente.

Através da meditação nas formas de Deus e da repetição de mantras, a mente é direcionada. Mas sua condição é errante. Assim como quando se dá a um elefante uma corrente para seu tronco, ele segue agarrado à corrente, também a mente se ocupa com um nome ou forma apenas.

Quando ela se expande na forma de inúmeros pensamentos, todos tornam-se fracos; mas quando os pensamentos são dissipados, a mente torna-se direcionada e forte; para essa forma mental, a auto-indagação torna-se fácil. De todas as normas restritivas, a melhor é a relativa à ingestão moderada de alimentos sáttvicos; observando-se esse costume, a qualidade sáttvica da mente se acentua, o que será de grande valia na auto-indagação.

As impressões (pensamentos) residuais dos objetos surgem interminavelmente, como as ondas de um oceano. Como afastá-las?

Sri Ramana: A medida que a meditação sobre o Eu superior se eleva mais e mais, os pensamentos vão sendo destruídos.

Qual a natureza do Eu superior?

Sri Ramana: Na verdade existe apenas o Eu superior. O mundo, a alma individual e Deus constituem aspectos dele, como a prata na madrepérola; os três surgem e desaparecem ao mesmo tempo.

O Eu superior existe onde não existe o pensamento do "Eu". A isso chama-se silêncio. O Eu superior é o mundo; o Eu superior é "Eu"; o Eu superior é Deus; tudo é Shiva, o Eu superior.

Tudo não é obra de Deus?

Sri Ramana: O sol nasce sem desejar, sem deliberação, sem esforço; e com sua simples presença, o sol emite fogo, o lótus floresce, a água evapora; as pessoas realizam suas várias funções e então repousam.

Assim como na presença do magneto a agulha se desloca, com a simples presença de Deus as almas governadas pelas três funções (cósmicas) ou pela quíntupla atividade divina realizam seus atos e, então, repousam, segundo seus respectivos karmas.

Deus nada tem a transformar; Ele não tem karma.

Assim como os acontecimentos terrestres não afetam o sol, ou os méritos e deméritos dos outros quatro elementos não afetam o éter difuso.

Sri Ramana Maharshi em Quem Sou Eu? ( Nan Yar)

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