26 de junho de 2011

Desenvolvendo o Amor-Bondade...


"Buddhaghosa pergunta: Qual é a provável causa do amor-bondade?. A resposta é: Observar aquilo que é amável na pessoa à tua frente.

Traga à mente agora mesmo alguém que você ache amável. Pode ser uma pessoa com quem tenha tido um romance, ou uma criança, ou um amigo querido, ou um grande professor — alguém que faria seu coração saltar como um cervo na floresta se ela entrasse agora pela porta, uma pessoa cuja presença seja tão amável que já faz surgir um contentamento só de olhar.

Se você pode sentir isso por um amigo querido, então tente procurar aquilo que é amável em uma pessoa neutra. Então, finalmente, quando você derrubar todas as barreiras, veja isso em uma pessoa que te prejudicou.

É uma grande chave se você puder buscar algo para amar mesmo em um inimigo. Tenha claramente em mente que isso não significa apoiar ou abraçar a maldade. O ponto crucial aqui é ser capaz de cortar como um cirurgião muito habilidoso, reconhecendo o comportamente vicioso que gostaríamos que fosse aniquilado como algo separado da pessoa que faz isso.

O médico pode ser otimista. Uma cura é possível: a pessoa não é equivalente à ação ou à disposição. Além do mais há algo que podemos abraçar com afeição, com calor. Isso realmente parece ser a chave mestra que pode derrubar a última barreira e finalizar a prática.

Uma maneira de fazer isso é olhar para a pessoa que você despreza e tentar encontrar alguma qualidade que ela possa ter em comum com alguém que você admira e respeita profundamente. Há alguma coisa de fato para se ver que seja nobre, algo que se assemelhe ao que um grande ser espiritual mostraria? Foque nisso: há algo ali que você pode amar.

É como se você pudesse ver um pequeno raio de luz à partir de dentro, sabendo que sua fonte é muito mais profunda que as qualidades desprezíveis exteriores. É a essa luz que você presta atenção."Alan Wallace em The four Immeasurables: Practices to open the Heart

O amor acontece a nós sem nem nos darmos conta se existe alguma razão não é mesmo? O amor está além da razão.
Mas o desafeto, a estranheza por alguém, esta sim, sabemos exatamente a causa, a origem, o porque.
Neste texto Alan Wallace nos chama atenção para este fato, e nos aponta uma maneira simples e diria até didática, de nos desvencilharmos desses "entraves" afetivos que muitas vezes acontecem na nossa vida, e antes que se tornem barreiras, colocar atenção, e a luz da consciência ali é o mais sábio a ser feito.

Pararmos e observarmos os sentimentos que vêm, os pensamentos que vêm, e percebermos que é possível investigarmos aspectos luminosos profundos em qualquer pessoa.

Toda luminosidade vem da essência, toda paz, todo amor é fonte.

Por mais que a aparência seja nebulosa, confusa, ou de pouco brilho, a nossa atenção quando focada na essência fatalmente encontrará o raio de luz essencial, pois somos Um. A mesma essência em ti é a mesma em mim, já que a separação, a divisão é apenas superficial, externa. Quanto mais nosso foco for a essência, menos diferenças realmente encontramos, e sim mais e mais semelhanças.

Tudo que colocamos atenção tende a aumentar. Neste belo ensinamento budista, vemos um caminho de aprofundamento do nosso olhar sobre a existência, e um ensinamento luminoso de curarmos conflitos emocionais, que advém da inconsciência da verdadeira unicidade.
Amor
Lilian

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