28 de abril de 2013

Silencio e Celebração - Osho



"Qual é a chave? 
O Silencio e o riso são a chave - silencio dentro, riso fora.
E quando o riso vem do silencio, não é deste mundo é divino.

Quando o riso vem do pensamento é feio. (...) Então, você está rindo de alguém, às custas de alguém, e isso é feio e violento.
Quando o riso vem do silencio, você não está rindo de ninguém. Está simplesmente rindo de toda a brincadeira cósmica. E é realmente uma brincadeira.(...)
É uma piada cósmica. Porque dentro você tem tudo, e está procurando por toda parte.
Existe piada melhor?
Você é um rei, fazendo papel de um mendigo nas ruas. Não apenas representando, enganando os outros, mas fingindo para si próprio que é um mendigo.
Você tem a fonte de todo o conhecimento e fica fazendo pergunta; você é a própria inteligência, e fica pensando que é ignorante; você tem o imortal dentro de você e tem medo da doença e da morte.
Isso é realmente uma piada!

Mas, exceto Buda, ninguém mais entendeu. Ele aceitou o riso de Maha-Kashyap, e imediatamente percebeu que ele tinha compreendido tudo.
A qualidade daquele riso era cósmica. Ele entendeu toda a piada da situação. Não há nada além disso. A história toda é como se o Divino estivesse brincando de esconde-esconde com você.

Os outros pensaram que Maha Kashyap era um louco, rindo e rindo diante do Buda. Mas Buda percebeu que aquele homem se tornaram sábio. Os loucos sempre têm uma sabedoria sutil, e os sábios sempre agem feito loucos.(...)

Por quê? Porque há coisas que os tais sábios não são capazes de compreender e que apenas os tolos podem, pois os tais sábios são tão tolos que sua esperteza e astúcia fecham as suas mentes.(...)
O louco não tem medo de ninguém. Ele fala sem se importar com as consequências; o louco é alguém que não pensa nas consequências. (...)

O homem astuto sempre pensa primeiro no resultado e só então age. 
O pensamento vem primeiro, depois a ação. Um homem tolo, louco, age. 
O pensamento nunca vem primeiro.

Sempre que alguém realiza o SUPREMO não se parece com o seus homens sábios. Ele não pode ser assim. Pode ser como seus loucos, mas nunca como seus homens sábios. 
Quando São Francisco se Iluminou, começou a chamar-se de louco de Deus. (...) Quando São Francisco ia até um rio, os peixes pulavam em sinal de alegria, pela presença dele. Milhares de pessoas foram testemunhas desse fenômeno. (...) São Francisco chegava e os peixes ficavam felizes. (...) Mesmo as árvores que já haviam secado, e já iam morrer, voltavam a ficar verdes e a florescer se São Francisco se aproximava. Essas árvores perceberam que aquele louco não era um louco comum, era um louco de Deus. (...)

Maha-Kashyap ficou em silencio, silenciosamente, o rio interior continuou fluindo, e o riso solto acontecia fora. Buda viu isso, e lhe entregou a flor. 

Essas são as duas partes:
O silencio interior - um silencio tão profundo que não há vibração em seu ser; você existe, mas não há ondas; você é um lago, sem ondas, sem nenhuma onda; O ser silencioso, quieto, sereno; dentro no centro, apenas silencio - e na periferia festa, riso. E só o silencio pode rir, pois só o silencio pode entender a brincadeira cósmica.

Então sua vida se torna uma festa vital; seus relacionamentos tornam-se algo festivo. Qualquer coisa que você faça em cada momento é um festival. Você come, e o comer é uma festa; toma banho, e banhar-se torna-se uma festa; você fala, e falar torna-se uma festa;
O relacionamento torna-se uma festa. Sua vida exterior torna-se uma festa. Não há tristeza nela. Como pode existir a tristeza com o silencio? 

Mas geralmente, você pensa o contrário. Pensa que se ficar calado será triste, que se ficar calado não poderá evitar a tristeza. Eu digo que o silencio que existe com a tristeza não pode ser verdadeiro. Algo está errado. Algo deve ter se perdido no caminho, deve ter se extraviado. Só a festa pode ser uma prova de que o verdadeiro silencio aconteceu.

Qual a diferença entre um silencio verdadeiro e um silencio falso? Um silencio falso é sempre forçado. É conseguido através do esforço. Não é espontâneo, não aconteceu a você. Você o fez acontecer, é forçado.

Você pode estar sentado imóvel, mas há muito tumulto no seu interior. Você reprime esse tumulto e então não pode rir. Você se torna triste, pois o riso é perigoso - se você rir, perderá o silencio, pois no riso você não pode reprimir.
O riso é contra a repressão. Se você quer reprimir, não deve rir; se você rir, tudo virá à tona. O que é real aparecerá no riso e o irreal será perdido. (...)

O riso necessita de uma respiração profunda; quando você ri, toda uma respiração profunda é liberada. Por isso ninguém respira profundamente e sim superficialmente, pois muita coisa foi reprimida em sua infância, e depois dela. Você não pode respirar profundamente. Se o fizer ficará com medo. (...)

Tente reprimir qualquer coisa. O que você fará? Você não respira. Você corta a respiração e só respira superficialmente, com a parte superior dos seus pulmões. Você não irá mais fundo, pois na barriga tudo está reprimido. (...)

Nada pode perturbá-lo se o verdadeiro silencio aconteceu. Então tudo o ajuda a crescer. Se você está realmente silencioso, pode sentar-se em um mercado e nem o mercado poderá perturbá-lo. (...) O barulho do mercado torna-se silencio dentro de você. (...)

Se o real acontece a você, e você não tem medo, ele não pode lhe ser tirado. Nada pode perturbá-lo. E quando digo nada, quero dizer nada mesmo. (...)

Essa é a chave - a parte interior é o silencio, e a parte exterior é a festa, o riso, a celebração.
Seja alegre, festivo e silencioso. Crie cada vez mais possibilidades ao redor de você - não force o interior a ser silencioso. apenas crie cada vez mais possibilidades ao redor de você para que o silencio interior possa florescer nelas. 

Isso é tudo o que podemos fazer.(...)
A meditação é apenas uma situação. O silencio não será uma consequência dela. Não, a meditação consiste apenas em criar a situação, o ambiente, em preparar o solo. A semente já existe. Você não precisa colocar a semente dentro de você. (...)
A meditação apenas cria a situação em que o silencio acontece. Esse deve ser o critério; sempre que o silencio acontece dentro, o riso entrará na sua vida; uma festa acontece fora."
Osho em Raízes e Asas

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