18 de agosto de 2012

Relacionamento Homem e Mulher - Osho - 2a


"Mas um dos mais estranhos fenômenos é que, embora tenham convivido durante milhares de anos, homens e mulheres continuam sendo estranhos. Eles continuam gerando filhos, mas continuam sendo estranhos.
A perspectiva feminina e a masculina são tão contrárias uma a outra que, a menos que se faça um esforço consciente, a menos que se faça disso uma meditação, não existe esperança de que tenham uma vida pacífica.

Um dos meus maiores interesses é saber como casar a tal ponto a meditação com o ato de fazer amor que todo caso de amor se torna automaticamente uma parceria na meditação, e toda meditação torne você tão consciente que não precise mais cair de amores, mas possa se elevar no amor.

Você pode encontrar um amigo conscientemente, deliberadamente. O seu amor se aprofundará à medida que a sua meditação se aprofunda, e vice-versa; quando a meditação desabrochar, o seu amor também desabrochará. Mas num nível totalmente diferente.

Mas a maioria dos casais não está conectada na meditação.
Eles nunca se sentam em silêncio durante uma hora, juntos, para sentir a consciência um do outro. Ou eles estão brigando ou fazendo amor, mas nos dois casos estão relacionados com o corpo, a parte física; a biologia, os hormônios.
Eles não estão relacionados com o âmago mais profundo um do outro. As suas almas permanecem separadas.

Nos templos, nas igrejas, nos tribunais, só os seus corpos são casados. As suas almas estão a quilômetros de distância uma da outra. Embora você esteja fazendo amor com a sua parceira, nem nesses momentos você está presente, ou ela está presente.

Talvez o homem esteja pensando na Cleópatra, em alguma atriz de cinema. E talvez seja por isso que todas as mulheres ficam com os olhos fechados: para não ver o rosto do marido, nem ser incomodada. Ela está pensando em Alexandre, o Grande; em Ivan, o Terrível; e se olhar para o marido acaba a fantasia. Ele se parece com um rato.
Até nos momentos mais belos, que deveriam ser sagrados, meditativos, de profundo silêncio - nem nesses momentos você está sozinha com o ser amado. Existe uma multidão ali. A sua mente está pensando em outra coisa, a mente do parceiro está pensando em outra pessoa.

Então o que você faz é apenas robótico, mecânico. Alguma força biológica está escravizando você, e você chama isso de amor.(...) Quando está fazendo amor, será que a mulher está realmente presente? Será que o homem está mesmo ali? Ou será que vocês estão apenas fazendo um ritual, algo que tem que ser feito, um dever a ser cumprido?
Se você quer um relacionamento mais harmonioso com o parceiro, terá que aprender a ser mais meditativo. Só o amor não basta. O amor sozinho é cego; a meditação lhe dá visão.

A meditação lhe dá entendimento.
E depois que o amor for tanto amor quanto meditação, vocês se tornam companheiros de viagem. O relacionamento deixa de ser comum. Torna-se um companheirismo na jornada de descoberta dos mistérios da vida.
Homens solitários, mulheres solitárias acharão essa jornada muito entediante e muito longa, como já descobriram no passado. Como viram esse conflito eterno, todas as religiões decidiram que as pessoas que queriam empreender a busca religiosa deveriam renunciar ao outro - os monges deveriam praticar o celibato, as freiras deveriam praticar o celibato.(...)

O caminho não é tão longo, o objetivo não está tão distante.
Mas, mesmo que você queira ir à casa do seu vizinho, precisará das duas pernas. Se for pulando em uma perna só, que distância poderá percorrer?
Homens e mulheres juntos, numa profunda amizade, num relacionamento amoroso e meditativo, como um todo orgânico, podem atingir o objetivo a qualquer momento que quiserem.
Porque o objetivo não está fora de você; ele é o centro do ciclone, é a parte mais íntima do seu ser. Mas você só pode encontrá-lo quando está inteiro, e você não ficará inteiro sem o outro.

O homem e a mulher são duas partes do mesmo todo. Portanto, em vez de perder tempo brigando, tentem se entender. Tentem se colocar um no lugar do outro; tente ver com os olhos do homem, tente ver com os olhos da mulher.

E quatro olhos são melhores do que dois. Você tem visão total; todas as quatro direções são acessíveis para vocês." [ continua...]
Osho em em A Essência do Amor: Como Amar Com Consciência e se
Relacionar Sem Medo

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