16 de agosto de 2012

Do Não ao Sim - Prem Baba


"Pergunta: Amado Prem Baba, como podemos saber qual é a nossa missão de vida? Como realizá-la? Eu já experimentei fazer diversas coisas. Já li muitos livros espirituais e sobre autodesenvolvimento, e estudei muitos assuntos.

Pratico yoga, e agora estou tentando aprofundar no caminho espiritual praticando mais meditação e introspecção, mas não consigo ver claramente qual é o meu caminho. Sinto que não consigo estabelecer real conexão entre o meu coração e o Eu divino.

Prem Baba: Em outras palavras você está me perguntando: Qual é o programa da minha alma? Por que eu vim para esse mundo? Qual é a razão para eu levantar pela manhã? Como trilhar o dharma?

Somente o amor pode lhe responder tais perguntas. Somente quando o amor é iluminado em algum grau, você tem acesso a essas respostas.

Você está à procura de paz. A paz é o florescimento do dharma.
Quando você está trilhando o dharma, você experiencia paz. Enquanto você não está trilhando o caminho do coração, a sua mente é constantemente perturbada por ansiedades, angústias e questionamentos a respeito do jogo divino.
Você pode até ter momentos de felicidade, através da conquista disto ou daquilo, mas a paz, que é a mais elevada das virtudes, só lhe visita quando você está trilhando o caminho do coração; quando você já iluminou o amor em algum grau e já pode se doar. Enquanto não surgir essa fagulha do autêntico altruísmo, você não pode reconhecer seus talentos e dons.

Você até pode estar, de alguma maneira, com esses dons ativados, e pode até já estar trabalhando com eles, mas você não tem a percepção de estar no caminho certo; ainda não tem o sentimento de completude, porque o egoísmo ainda está no comando. Enquanto o egoísmo estiver no comando, você vai carregar perturbação e sofrimento.

Para que o amor seja iluminado e você tenha a disposição de se doar (o que possibilita obter a percepção dos seus dons e talentos, e com isso ter a paz de sentir-se pertencendo, e a paz de sentir-se ocupando o seu lugar no mundo), você precisa de um mestre espiritual.

Mova-se em direção ao real. Comprometa-se com a verdade. Bata na porta da verdade, e ela se revelará para você. Você está começando a bater na porta da verdade.

Você está perguntando: O que eu vim fazer aqui? Qual é o programa da minha alma?

Você está buscando nos livros, nas práticas de yoga e começou a buscar dentro de você. Você está no caminho certo. Agora, direcione a sua oração, para que o seu mestre se revele para você; para que o seu guru apareça.

O buscador direciona todos os esforços para receber a verdade. Quando já está suficientemente cansado da mentira e da ilusão, ele pede para que o mestre apareça. É a Graça do Mestre que remove as capas que encobrem o Eu verdadeiro e ilumina o amor e o autêntico altruísmo, ou seja, a sua capacidade de se doar desinteressadamente.

Quando esse desejo de ver o outro feliz é verdadeiro, e você quer se colocar a serviço, e coloca-se realmente a serviço, você começa a ter acesso a essas respostas.

A paz é uma consequência da verdadeira doação. Só o Ser pode se doar autenticamente. Essa doação sincera nasce da presença – nesse lugar, todas as suas perguntas são respondidas.

Não se desvie da meta.(...)

O “sim” total para a vida é o resultado da iluminação do “não”. Enquanto não se está perfeitamente iluminado, você carrega um “não” dentro de você. Esse “não” é como um demônio. Ele é um gerador de destruição. Ele vai criar situações e mais situações; vai gerar muita imaginação, para comprovar as suas teorias e continuar no comando do seu sistema. Esse “não” está a serviço do sofredor, que precisa gerar sofrimento para continuar vivo. Ele gera sofrimento através do “não”. O “não” é o sabotador da felicidade. Ele faz com que a sua visão fique conectada com o escuro. Você só vê erro nas coisas. Você só vê defeito. Você não é capaz de ver a luz em nada, portanto não pode agradecer. Se não pode agradecer, você não pode subir.

Em algum momento, esse “não” precisa ser iluminado. E o primeiro movimento de iluminação do “não”, é a percepção dele. Essa percepção representa um momento crucial da jornada evolutiva. Eu não estou falando de algo subjetivo, mas de algo concreto como uma pedra. Há que se diferenciar as emoções e sentimentos negativos, da intencionalidade negativa.

Uma coisa é você perceber que fica enciumado, que tem inveja, raiva, luxúria, cobiça… Mas, saber que você é canal desses sentimentos, ainda te coloca como uma vítima. Você ainda debita para o mistério, para o desconhecido, o porquê de você ser um canal dessas forças. É diferente de quando você descobre que dentro de você tem uma voz que diz: “Eu quero odiar; eu quero ser rancoroso; eu quero continuar isolado e separado”. Há que se identificar que existe essa voz, e que existe uma intenção de se aferrar ao mal. Existe um “eu” que quer ver tudo escuro porque gosta da escuridão. Existe prazer no escuro. Esse é o primeiro passo para o “sim”.(...)

Porque você está no mundo de maya, e as forças contrárias que agem contra a evolução são muito intensas. O ‘eu’ sofredor é muito poderoso, não o subestime. Se você abre uma pequena porta, ele te pega, porque você é pego pela dúvida. Uma semente de dúvida é o suficiente para gerar uma grande confusão na sua mente.(...)

A iniciação espiritual é uma coisa séria. Nós estamos lidando com forças atômicas. Não é somente a dissolução do karma negativo, mas também a reeducação de todas as entidades espirituais que estão atreladas a esse karma. Tem muita gente que não quer que você suba – pessoas dentro de você, que também se refletem fora. O que está fora é somente o reflexo do que está dentro.

Essas forças que não querem a realização, a prosperidade, a saúde, a alegria, a união… Elas estão dentro de você. E é esse “não” interno que atrai as situações fora. É o que sintoniza a sua mente e a sua visão com o negativo. Se não tem nada de negativo, você inventa para poder não acreditar e não subir. Assim é o “não” interno. É uma palavra tão pequena, são três letras – “não”. No mundo dos conceitos e das palavras, é o que mais se aproxima da realidade, mas é muito mais do que isso. Ele é uma entidade que tem autonomia – é um demônio interno, que te leva sempre para o oposto do que o “sim” consciente quer para você.

Conscientemente o seu “sim” quer o quê? Saúde, prosperidade, alegria, união, paz, etc. O “sim” é a verdade em si mesma. A corrente afirmativa se move em direção ao que é bom, alegre e prospero. Mas, a corrente de negação foi sendo criada ao longo do tempo, encobrindo essa corrente afirmativa. Esse “não” foi criado a partir de uma dor – quando você foi impedido de ser você mesmo. Isso é fruto do trauma da separação do seu Ser. Foi quando você perdeu a espontaneidade e a liberdade de ser você mesmo. Com o tempo, ele (o “não”) foi ganhando força e autonomia. Ele vai gerando infelicidade e sofrimento, até que em algum momento você se vê cansado, e começa a querer bater na porta da verdade para poder ter respostas para essas questões.

Você começa com os livros, com as práticas diversas. Você começa a meditar… Até que amadurece o suficiente para pedir que o seu Guru apareça, e conceda-lhe a Graça que vai iluminar a sua visão e vai transformar o “não” em “sim”.

Esse processo do “não” para o “sim” – que é o mesmo que o processo da mente para o coração; do medo para confiança, do ódio para o amor, do egoísmo para o altruísmo; do estado de separação para o estado de união… Têm desafios. Por quê? Porque você se apegou ao egoísmo e aos seus jogos. Você se apegou à sombra e seus jogos.

Mesmo que você já tenha dado um passo em direção ao “sim”, a ponto de ter tido a Graça de ter recebido seu Mestre e uma iniciação espiritual, às vezes aí é que começa um trabalho mais profundo de purificação. Há que se ter disposição de continuar a jornada. Tenha firmeza. “Força para seguir, fé para não esmorecer, luz para enxergar e amor para agradecer”.

Dessa maneira vamos, pouco a pouco, atravessando o processo de purificação. Às vezes é mais fácil, porque as camadas que encobrem o Ser não são tão grossas, e às vezes é difícil, porque as camadas que envolvem o Ser são muito grossas.(...)

Em algum momento, o véu da separação cai, e você percebe que não tem diferença entre o que está dentro e o que está fora. Muitos deixam o seu altar limpo, mas o arredor fica sujo.(...)

Essas são as duas fases da jornada. A primeira fase é o trabalho de crescimento pessoal. É o trabalho de cura do sabotador interno, que é o que desimpede a corrente afirmativa. Você tem a sensação de que está crescendo, e vai se sentindo cada vez maior.

O orgulho vai se transformando em humildade; a luxúria em devoção; o medo em confiança… Você vai se sentindo cada vez maior. Isso se dá através de um processo de autoinvestigação, que possibilita a purificação e a transformação do ‘eu’ inferior. Isso envolve fazer a relação de causa e efeito; envolve curar as feridas da alma. Isso envolve limpar as mágoas e ressentimentos acumulados no sistema, o que em síntese, significa se libertar do passado. Enquanto você não ilumina, você continua reeditando a ferida.

Mas, por mais importante que seja esse trabalho de purificação, ainda não é a parte mais importante. Somente quando você progrediu suficientemente nessa fase, é que você pode partir para outra, que é a ativação da consciência maior, que é a sua capacidade de se doar.

Na verdade, essas etapas não são separadas, elas se mesclam. Mas, enquanto houver o que purificar, você não consegue sustentar o êxtase da presença; a paz de se doar.(...)

Abençoado seja cada um de vocês.
Que o “sim” para a realização seja iluminado."
Prem Baba em Satsang

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